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Estado vai
redimensionar saúde pública
Novo projeto envolverá
267 municípios. SC passa a ser responsável por
programas de prevenção
Marlise Groth
Até
o início do ano, o Estado deve redimensionar seu projeto
de saúde pública. De acordo com a coordenação
de Saúde Pública de Santa Catarina, 267 municípios
estão envolvidos no projeto que iniciou em julho e conta
com uma verba de R$ 9,5 milhões para investimentos. A
partir de setembro, Santa Catarina também passa a se responsabilizar
pelos programas de prevenção e controle da malária,
febre amarela e dengue.
Os recursos, segundo o coordenador de Saúde Pública
do Estado, Guilherme Farias Cunha, serão investidos no
treinamento e disponibilização de servidores, bem
como na reformulação de departamentos com o da
Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária.
O Estado também pretende criar uma política para
medicamentos e comprovar o funcionamento da rede de laboratórios
públicos e privados que dão suporte na identificação
de doenças como a Aids, a tuberculose e a hanseníase,
que são de notificação compulsória.
Uma das preocupações da secretaria, segundo o coordenador,
é o controle e o acompanhamento dos casos de doenças
infecciosas. "O tratamento precoce e a mobilização
da família também evitam o surgimento de doenças
crônicas", observa. Atualmente Santa Catarina conta
com uma média de 400 pacientes com hanseníase.
De acordo com a secretaria, o quadro é endêmico
e tem maior concentração no litoral e Planalto
Norte.
Por ser uma das doenças oportunistas dos pacientes com
Aids, este ano já foram diagnosticados 700 novos casos
de tuberculose em Santa Catarina. Em 1999 foram 1.525 notificações.
A prevalência de casos nas regiões, a cada 100 mil
habitantes, foi de 39,9 para a região de Joinville, 76,2
para a de Itajaí, 43,8 para a grande Florianópolis
e 27,8 para Criciúma. Na região de Tubarão
o índice ficou na marca de 26,3 casos.
Para se ter idéia da importância dos programas de
saúde pública, basta dar uma olhada no informe
anual publicado pela Cruz Vermelha. O documento divulgado esta
semana lança um grito de alerta e procura chamar a atenção
sobre uma "catástrofe silenciosa", ou seja "os
milhões de mortos registrados anualmente por causa dos
sistemas de saúde deficientes nos países do Terceiro
Mundo".
Avanço difícil
de ser contido
Especialistas em saúde calculam que um novo doente
infecta, em média, 10 indivíduos antes de ser tratado
e tornar-se não-transmissor. Dez por cento dos infectados
desenvolvem tuberculose ao longo de suas vidas, devido à
queda de sua resistência orgânica ou reinfecção.
Portanto, é muito difícil reverter o avanço
do processo contagioso.
O Ministério de Saúde brasileiro registra que em
1996, foram notificados 85.860 novos casos de tuberculose. No
mesmo período a Organização Mundial da Saúde
(OMS) recebeu, para todo o mundo, uma notificação
de 3,8 milhões de casos novos, do total de 7,4 milhões
estimados.
Deste modo, o número de casos notificados não representa
a realidade, pois parte considerável dos doentes não
é registrada oficialmente. O fato decorre das deficiências
da rede de saúde pública, das dificuldades para
diagnosticar a doença ou até mesmo para identificar
os enfermos que não procuram os postos de saúde.
No Brasil, as mortes oficialmente atribuídas à
tuberculose somaram 5.928, em 1996. Segundo o prognóstico
da OMS, no período 1994-2004 terão morrido, na
população mundial, 30 milhões de tuberculosos.
(MG)
Doenças infecciosas
matam mais que guerra
De acordo com o documento da Cruz Vermelha Internacional,
as enfermidades infecciosas matam 13 milhões de pessoas
por ano. Um problema que poderia ser revertido com uma ajuda
prévia de cinco dólares para cada uma das vítimas.
O alcance destas doenças é tanto que a Aids, a
tuberculose e a malária já mataram seis vezes mais
do que as guerras, desde 1945. Estas mortes causadas por enfermidades
infecciosas são registradas em 58% no segmento de 20%
dos habitantes mais pobres do planeta.
Gastos públicos
A Cruz Vermelha compara esta proporção com a
porcentagem de gastos públicos consagrados à saúde
nos países de baixos recursos: 1%, quando a cifra é
de 6% nos países ricos.
Conforme dados do Ministério da Saúde, existem
mais de 50 milhões de brasileiros infectados com tuberculose.
No mundo, existem quase 2 bilhões de indivíduos
nessa condição. A grande maioria vive em países
subdesenvolvidos ou emergentes, como a Índia, a China,
a Indonésia, Bangladesh, a Nigéria, o Paquistão,
as Filipinas, o Congo e a Rússia. (MG)
Receita Federal altera locais
para inscrições no CPF
A partir deste
mês, solicitação passa a ser feita nos Correios
e nas agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica
Federal
Florianópolis - Uma instrução normativa
lançada pela Secretaria da Receita Federal altera a partir
deste mês os locais para a solicitação de
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas
(CPF) ou solicitação de nova via, que deverão
ser feitos somente nas agências do Banco do Brasil (BB),
Caixa Econômica Federal (CEF) e Correios. Uma dificuldade
operacional, porém, adia a mudança em definitivo
para 1º de setembro no Estado, pois algumas das entidades
conveniadas ainda não receberam treinamento ou material
para o atendimento.
Por isso, as entidades conveniadas vão atender por enquanto
somente a população que possui título eleitoral,
documento obrigatório para a inscrição no
CPF, além da carteira de identidade. Quem não possui
o título por estar desobrigado do alistamento eleitoral
(menores de 19 anos e maiores de 70) vai precisar se dirigir
diretamente à Receita Federal até o final de agosto,
e a partir do próximo mês o atendimento passa a
ser exclusivo nas entidades. Neste período, a Receita
vai atender ainda as pessoas representadas por procuração
e as solicitações de alteração cadastral
(que não seja de endereço).
A partir de agora, novas inscrições no cadastro
ou pedido de outras vias serão acompanhados pelo contribuinte,
que vai receber uma senha que servirá para a consulta
do número do documento pela Internet ou telefone - a carteira
será emitida pelo Correio para o endereço residencial.
Documento
A exceção continua valendo para não-possuidores
de título, que não recebem a senha para acompanhamento
e deverão retirar o documento na Receita Federal. O novo
cartão emitido pelo BB, CEF e Correios é azul,
de plástico PVC semi-rígido e com banda magnética,
mas quem possui CPF ou CIC em papel não precisa trocá-lo.
Além disso, o prazo para a regularização
dos CPFs cancelados vai até 30 de novembro. A regularização
somente poderá ser realizada pela Internet, no endereço
www.receita.fazenda.gov.br ou pelo telefone 0300-78-0300, mediante
a indicação do número de inscrição
no CPF. As unidades da Secretaria da Receita Federal não
atenderão consultas para saber se a situação
cadastral de determinado CPF está regular ou não.
O CPF é um dos documentos essenciais, ao lado da carteira
de identidade, já que são obrigatórios na
abertura de contas bancárias, crediário, inscrição
em concursos e outros - há ainda o título eleitoral
obrigatório. É possível confeccioná-los
atualmente em praticamente todos os municípios do Estado,
com poucas exceções, quando é preciso dirigir-se
ao município mais próximo.
Saiba mais
Carteira de identidade (RG)
Onde fazer: nas delegacias regionais de Polícia Civil
(são 29 no Estado) ou nas delegacias da comarca (há
279 postos no Estado - são 292 municípios em Santa
Catarina). Nos municípios onde não houver delegacia
de polícia, é preciso fazê-la na cidade mais
próxima
Horário: varia em cada município
Custo: R$ 4,25, taxa recolhida através de uma guia tipo
DAR, obtida somente nas agências do Besc, banco presente
em todos os municípios do Estado
Entrega: a partir de cinco dias
Documentos necessários para a 1ª via:
Certidão de nascimento ou casamento original e uma cópia
(que fica retida na delegacia). Quando não possuir o documento
original, a pessoa precisa solicitar uma nova via no cartório
onde foi registrado quando nasceu (ou casou)
Duas fotos 3 x 4 recentes (colorida ou preto e branco)
Documentos necessários para outras vias:
Apresentar a carteira anterior, quando for somente atualizá-la,
e pagar a taxa de mesmo valor, R$ 4,25, e as duas fotos 3 x 4
Apresentar boletim de ocorrência da perda ou extravio do
documento anterior, e novamente a certidão de nascimento
ou casamento original, além das fotos e do pagamento da
taxa de R$ 4,25
Cadastro das pessoas físicas - CPF
Onde fazer a inscrição: uma nova regulamentação
determina que pode ser feito na Empresa Brasileira de Correios
e Telégrafos, Caixa Econômica Federal (CEF) ou Banco
do Brasil (BB). Até o final de agosto, porém, serão
realizados na Secretaria da Receita Federal (nas unidades espalhadas
pelo Estado) os atendimentos às pessoas físicas
maiores de 19 anos e menores de 70, não possuidoras de
título eleitoral (por estarem desobrigadas de alistamento
eleitoral), e às pessoas físicas representadas
por procuração e solicitações de
alteração cadastral (que não seja alteração
de endereço)
Horário: das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às
17h30 na Secretaria da Receita Federal. Nos demais locais no
horário normal de atendimento
Custo: R$ 4,50
Documentos necessários para a 1ª via e demais:
Carteira de identidade original
Título de eleitor original
Entrega: no ato da solicitação da inscrição
no CPF, será fornecido ao contribuinte um código
específico que permitirá acompanhar o andamento
do pedido e consultar, pela Internet (www.receita.fazenda.gov.br) ou pelo telefone
(0300-78-0300), seu número de inscrição.
O número estará disponível para consulta
no prazo de 24 horas, se o pedido de inscrição
tiver sido feito no Banco do Brasil ou na CEF, e em aproximadamente
9 dias, se a solicitação tiver sido feita no Correio.
As pessoas físicas enquadradas em situações
especiais e atendidas excepcionalmente na Receita Federal durante
o mês de agosto não receberão o código
para acompanhamento da solicitação e o cartão
CPF será emitido pela própria Receita Federal,
em papel. Nos demais casos, o cartão CPF será enviado
pela entidade conveniada para o endereço do domicílio
da pessoa física cadastrada, em até 12 dias, se
o pedido foi feito no Banco do Brasil ou na CEF; e em até
20 dias, se o pedido foi feito nos Correios. Caso o contribuinte
não tenha recebido o cartão após o prazo
acima, ele deverá se dirigir à agência onde
foi efetuado o pedido
Regularização do CPF
Consulta ao CPF: somente poderá ser realizada pela
Internet, no endereço www.receita.fazenda.gov.br ou pelo telefone
0300-78-0300, mediante a indicação do número
de inscrição no CPF. As unidades da Secretaria
da Receita Federal não atenderão consultas para
saber se a situação cadastral de determinado CPF
está regular ou não
A inscrição no CPF será enquadrada em uma
das seguintes situações:
Regular: no exercício em que realizar a inscrição
e no exercício seguinte ao que a pessoa tiver apresentado
a Declaração de Ajuste Anual ou Declaração
de Isento
Pendente de regularização: no caso de omissão
na entrega de uma das declarações no último
exercício
Cancelada: duplicidade de inscrição, constatação
de fraude na inscrição; óbito; omissão
na entrega da Declaração de Ajuste Anual ou Declaração
de Isento por 2 anos consecutivos
Como regularizar seu CPF:
O contribuinte cujo CPF estiver na condição de
pendente de regularização ou cancelado, em razão
da falta de apresentação da Declaração
de Ajuste Anual do Imposto de Renda em um ou mais exercícios,
terá a situação regularizada automaticamente
com a apresentação, a qualquer tempo, da última
declaração de ajuste anual. Nesse caso, embora
a situação do cadastro fique com a situação
regularizada mediante a apresentação apenas da
última declaração, o contribuinte continuará
obrigado a apresentar as declarações de ajuste
faltantes. O contribuinte que estiver na condição
de pendente de regularização ou cancelado, em razão
da falta de apresentação da Declaração
de Isento em um ou dois exercícios, terá a situação
regularizada com a apresentação da Declaração
de Isento 2000 no período de 1º de agosto a 30 de
novembro. Nesse caso, ficará dispensado de apresentar
as declarações de Isento dos anos de 1998 e 1999
e não estará sujeito a qualquer penalidade. Se
o contribuinte entregar a declaração de isento
2000 pela Internet, telefone ou lotéricas, a regularização
da situação levará de 1 a 2 dias. Caso utilize
os Correios, o prazo médio de regularização
é de 1 semana.
Título eleitoral
Onde fazer: nos cartórios eleitorais, no município
onde reside, é obrigatório a partir dos 18 anos
e facultativo a partir dos 16 anos
Horário: varia em cada município
Período: durante o período eleitoral não
são expedidos novos títulos. O documento pode ser
solicitado novamente a partir de janeiro de 2001
Custo: isento
Entrega: a partir de 30 dias
Documentos necessário para a 1ª via:
Carteira de identidade ou certidão de nascimento (ou de
casamento) ou carteira profissional
Alguns municípios exigem também comprovante de
endereço
Documentos necessários para outras vias:
Os mesmos para a primeira via. No caso de extravio, é
recomendado registrar boletim de ocorrência
Observação: os cartórios eleitorais alertam
que todos os títulos já solicitados no primeiro
semestre do ano estão prontos e podem ser retirados até
uma semana antes das eleições municipais. Quem
perdeu o título neste período pode votar apresentando
a carteira de identidade, se souber seu local de votação.
Quem não souber o local pode consultar o cartório
eleitoral
Carteira de trabalho
Onde fazer: nas delegacias e subdelegacias regionais do Trabalho
(DRTs) de Florianópolis, Lages, Chapecó, Joinville,
Blumenau e Criciúma, nas prefeituras conveniadas (são
mais de 200) ou em postos do Sistema Nacional de Empregos (Sine)
Horário: das 9h às 11h30 e das 13h30 às
17h30 nas subdelegacias regionais do Trabalho (DRTs), nos demais
postos o horário varia em cada cidade
Custo: isento
Documentos necessários para a 1ª via:
Carteira de identidade ou certidão de nascimento ou casamento
(original ou cópia autenticada)
foto 3 x 4 recente, em fundo branco
CPF, título de eleitor e carteira nacional de habilitação
(se tiver)
Documentos necessários para a 2ª via:
A própria carteira de trabalho, quando estiver totalmente
preenchida
Comprovação do número do PIS/Pasep e da
carteira de trabalho anterior, que pode ser obtido gratuitamente
na Caixa Econômica Federal, quando a carteira foi perdida
ou extraviada
Boletim de ocorrência da perda ou extravio, ou declaração
do próprio punho
Vida nova
para catadores de papel
Empregados da Celesc
ajudam a reduzir o analfabetismo
Edson Fuhrmann
São Miguel do Oeste - O sonho de aprender a ler e escrever
em um País com milhões de analfabetos vem sendo
possível para trabalhadores que atuam na atividade de
coleta de materiais recicláveis, os chamados catadores
de papel, em São Miguel do Oeste. O projeto para levar
alfabetização a estas pessoas vem sendo desenvolvido
pela Associação Beneficente dos Empregados da Celesc
(Abecelesc) e tem assessoramento do Centro de Educação
da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), com acompanhamento
da mestranda em educação Giovana Di Domênico
Silva.
As aulas estão sendo ministradas aos sábados à
tarde, a partir das 13h30, nos raros períodos de folga
destes trabalhadores, que costumam ter uma jornada de trabalho
superior a 12 horas. A estrutura usada para sala de aula é
precária. Trata-se de uma barraca de lona plástica
erguida pelos próprios associados da Abecelesc, em um
terreno no centro de São Miguel do Oeste, onde há
uma obra abandonada da Companhia Brasileira de Armazéns
(Cibrazem). Neste local, os catadores de papel também
depositam os materiais recicláveis coletados diariamente
na cidade.
O projeto começou a ser desenvolvido pela diretoria da
Abecelesc em abril, a partir de uma idéia original da
associada da entidade, Elisabet Scherer. A assistente social
da agência regional da Celesc de São Miguel do Oeste,
Maria Carmem Viero, que elaborou e coordena o projeto, diz que
a idealização só foi viável porque
a diretoria da associação acreditou na proposta.
Segundo o presidente da entidade, Sergio Hoffelder, participar
de um projeto desta natureza tem sido extremamente gratificante.
"A valorização do ser humano enquanto cidadão
proporciona uma fantástica troca de experiência,
capaz de transformar preconceitos em projetos de vida, onde todos
podem crescer", frisa.
Auto-estima
Os três homens e sete mulheres, dos quais nove sobrevivem
da atividade informal e têm entre 20 e 75 anos, eram totalmente
analfabetos. A maioria não sabia segurar um lápis,
conta Rosângela Tasca, tesoureira da Abecelesc e que ministra
as aulas com assessoramento da Unoesc. Segundo ela, com pouco
tempo o progresso já é visível. Eles já
conseguem escrever o nome e timidamente também começam
ensaiar as primeiras leituras. "Estou ensinando, mas também
aprendendo com eles", diz Rosângela. O mais importante,
entretanto, conta, é que estão recuperando a auto-estima
e as noções de cidadania.
A iniciativa prevê de 45 a 60 horas/aula como suficientes
para concluir o processo de alfabetização destes
primeiros 10 alunos.
Crianças
também são acompanhadas
As crianças não foram esquecidas no projeto.
Enquanto os pais aprendem a ler e escrever, os filhos recebem
reforço escolar no mesmo local. Meninos e meninas estão
tendo acompanhamento e ganhando condições básicas
para freqüentar a escola. Sete crianças estão
sendo assistidas, das quais três foram reintegradas ao
ambiente escolar, duas foram matriculadas na pré-escola
e uma aguarda disponibilidade de vaga no ensino regular.
O andamento do projeto desencadeia outras ações
que acabam envolvendo a comunidade, como encaminhamento para
consultas através do Sistema Único de Saúde
(SUS), doações de armações e lentes
para óculos e materiais de higiene pessoal. Após
as aulas, pais e filhos recebem lanche, através de doações
dos associados da Abecelesc.
Exemplos
Oraíde Rodrigues, 75 anos, é um exemplo de força
de vontade e desejo de aprender. Com 14 filhos, viúva
há 10 anos, Oraíde não vive da atividade
de catadora de papel, mas soube do projeto e não perdeu
a oportunidade. Trabalhadora na agricultura, ela cansou de colocar
sua impressão digital em documentos, o que, segundo conta,
a deixava humilhada. Oraíde queria mesmo aprender a assinar
o nome, mas pela disposição que demonstra vai chegar
bem mais longe. "Sou a mais malandra da escola", se
autoclassifica com um enorme sorriso.
Outro exemplo é Dinarte Lemos dos Santos, 55 anos, que
junto com a esposa vem freqüentando o curso desde o início.
Ele tem 11 filhos e há dois anos sobrevive com a coleta
de materiais recicláveis, depois que não conseguiu
mais emprego como pedreiro. Dinarte afirma que já está
fazendo progressos, mas quer se aprimorar e continuar estudando
após a alfabetização. Ele tinha problemas
de visão, o que dificultava o aprendizado, mas recebeu
um óculos através da ação da Abecelesc.
Sobrevivência
Atualmente, cerca de 20 famílias em São Miguel
do Oeste sobrevivem da coleta de papel, papelão, plásticos
e alumínio. Oito famílias estão reunidas
na Associação dos Coletores de Materiais Recicláveis
(Acomar), fundada através de iniciativa do Coletivo Sindical
de São Miguel do Oeste, que reúne nove sindicatos
de trabalhadores do município.
A entidade conseguiu melhorar sensivelmente as condições
de trabalho e a rentabilidade destas famílias. Eles ganham
até R$ 110,00 por tonelada, porque ainda há a figura
de um atravessador. O projeto de alfabetização
destes trabalhadores é uma iniciativa da Acomar, mas foi
repassado para a responsabilidade da Abecelesc por questão
de estrutura. (EF)
Aterro atrasa
conclusão de rodoviária
Tubarão - As obras do terminal rodoviário de
Tubarão estão quase concluídas. A previsão
é de que a nova rodoviária seja inaugurada em setembro,
mas o mau tempo e questões ambientais têm atrasado
a conclusão do projeto. A parte física cerca de
4.234 metros quadrados está praticamente pronta, faltando
apenas o acabamento externo e a colocação de pisos
e vidros. Porém, o que tem atrasado o trabalho é
o aterro que vem sendo colocado no pátio e nas ruas que
dão acesso ao terminal. Entidades de defesa ambiental
reclamam que a cinza retirada das bacias de decantação
da Gerasul e usada para aterrar a região pode provocar
danos ao meio ambiente. Segundo o responsável técnico
da Fatma, Cidinei Galvani, a colocação das cinzas
foi autorizada depois da análise feita por geólogos
e químicos da empresa. Para liberar a licença ambiental
de operação expedida em setembro de 1999 e renovada
em julho de 2000, a Fatma exigiu que a tubulação
utilizada nas obras de drenagem do local seja coberta com lonas
plásticas, depois será necessária a colocação
de uma camada de argila e só então a cinza poderá
ser depositada.
"Fizemos uma análise criteriosa dos impactos ambientais
e estamos certos de que o processo não prejudicará
o meio ambiente da região", salienta Galvani. "A
camada de asfalto que será colocada sobre a cinza vai
servir como um tampão, impedindo assim a agressão
ambiental". De posse da licença expedida pela Fatma
a empresa responsável pela obra continua o trabalho normalmente.
A única preocupação agora é com as
condições climáticas registradas nos últimos
dias. O frio e a chuva têm deixado a cinza muito úmida,
por isso os serviços de terraplenagem do local estão
sendo prejudicados.
Comitê do
Sul retoma trabalho
Tubarão - O núcleo de apoio técnico do
Comitê Tubarão, que cuida da despoluição
da bacia hidrográfica do rio Tubarão e do Complexo
Lagunar, retomou os trabalhos na última quarta-feira.
O grupo formado por representantes da Epagri, Casan, Fatma, Cidasc,
Unisul e Crea entre outros órgãos deverá,
a partir de agora, realizar reuniões semanais para viabilizar
novas ações em defesa do meio ambiente. Os trabalhos
do núcleo de apoio foram suspensos por um mês, porque
a equipe aguardava a publicação da licitação
que vai contratar a empresa responsável pela elaboração
de estudos do processo de despoluição da região. O
Comitê Tubarão foi criado pelo governo federal em
1997 e hoje mais de 60 entidades participam do grupo que trabalha
em busca de soluções para despoluir o rio Tubarão
e as lagoas de Santo Antonio, Mirim e Imaruí.
Lixo - Dentro de 60 dias, o
lixo hospitalar de Tubarão passará a ser incinerado
a uma temperatura de 1200 graus. O equipamento é o mesmo
utilizado em países da Europa, como a Alemanha e na Base
Comandante Ferraz, que o Brasil mantém na Antártida.
A Secretaria de Planejamento está estudando também
um destino ecologicamente correto para o lixo
doméstico que hoje é depositado
de forma inadequada em um
lixão em Laguna.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
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Itaiópolis na rota do tráfico
de animais
Durante o verão,
menores saem da escola para caçar borboleta
Luis Fernando Assunção
Itaiópolis - A busca por alguns trocados está
levando crianças a faltarem aulas para caçar borboletas
na cidade de Itaiópolis, Planalto Norte catarinense. Sempre
que chega o verão, meninos correm em bando até
a mata com um objetivo único: capturar a borboleta azul,
mais rara, que pode valer no mercado negro até R$ 0,10.
"A gente faz para ajudar em casa", confirma Henrique,
menino de nove anos, morador do bairro Lucena, um dos mais pobres
da cidade. Henrique, Carlos, Fábio, são algumas
das dezenas de crianças que deixam de freqüentar
aulas para conseguir dinheiro com a captura das borboletas. Atravessadores
compram e depois revendem os insetos para pessoas de fora do
Estado. As borboletas são bastante apreciadas por colecionadores
europeus e norte-americanos.
A captura e o comércio de borboletas é crime, previsto
na lei nº 9.605, dos crimes ambientais e contra a fauna.
Os lepidópteros são considerados silvestres e,
portanto, protegidos. O tráfico de animais silvestres
é o terceiro maior comércio ilegal do mundo, perdendo
apenas para as drogas e armas. Movimenta aproximadamente US$
10 bilhões ao ano e o Brasil participa desse mercado com
aproximadamente US$ 1 bilhão, segundo estimativas da Rede
Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres. O tráfico
também é responsável pelo desaparecimento
de 12 milhões de espécimes.
Em Itaiópolis, a caça à borboletas é
uma ilegalidade consentida. Em bairros pobres como Bom Jesus
e Lucena, os aliciadores encontram facilidade para convencer
as crianças da prática da captura. O argumento
é de que as borboletas vivem pouco e, portanto, não
seria nenhum crime abreviar suas vidas. As escolas Bom Jesus
(municipal) e Odir Zanellato (estadual) tentam, através
de palestras e aulas, conscientizar as crianças da importância
da preservação ambiental. "Mas, as vezes,
a falta de dinheiro fala mais alto", reconhece uma professora,
que prefere não se identificar.
Tolerância
A relativa tolerância da sociedade em relação
à captura das borboletas nesses bairros começa
na família. As próprias mães desses meninos
confeccionam, à mão, uma espécie de coador
de pano, utilizados na captura. As crianças, na maioria
com idade entre sete e 13 anos, recebem R$ 0,10 pela borboleta
azul (Morpho anaxabia) e R$ 0,02 pelas borboletas coloridas,
mais comuns. Nos dois bairros há muitos atravessadores.
Para aumentar o lucro, as crianças permanecem o dia na
mata e acabam perdendo as aulas. "O índice de evasão
e abandono nas escolas na região é alto",
considerou uma das professoras. Henrique, que está na
terceira série, já foi reprovado uma vez.
Itaiópolis, segundo o relatório Indicadores de
Desenvolvimento Social Municipal 2000, elaborado pela Secretaria
de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma),
está entre os municípios com índice de desenvolimento
considerado baixo, na 268º colocação. Um dos
itens analisados para a composição das posições
entre as cidades é justamente o abandono da escola, principalmente
no ensino fundamental. Em média, segundo números
da Secretaria da Educação de Santa Catarina, a
evasão na cidade, no ensino fundamental, chega a 3,61%.
Itaiópolis tem a posição 98º - 252
cidades foram analisadas - entre as cidades que menos seguram
a criança na escola. "Nos últimos anos diminuiu
a participação das crianças nesse comércio",
garantiu o promotor de Justiça da cidade, Pedro Roberto
Decomain.
Aliciadores são, geralmente,
da própria família
Os traficantes não residem em Itaiópolis. Muitos
deles chegam a viajar de São Paulo até Santa Catarina
em busca dos insetos. Na cidade, mantêm um contingente
de atravessadores, que subcontratam as crianças. Esses
atravessadores normalmente pertencem à família
dos meninos. "Compro das crianças para ajudá-los.
Muitos usam o dinheiro para comprar comida para casa", admitiu
dona Elma, 78 anos, uma das atravessadoras da cidade.
Dona Elma chega a faturar, por semana, R$ 70,00 com estoque de
borboletas, que guarda cuidadosamente em caixas de sapatos. "Se
acumular uma semana, dá mais lucro na hora da venda",
garantiu. Os meninos saem diariamente entre os meses de setembro
e março, se embrenham na mata com seus coadores de pano.
Dona Elma diz que vende os insetos para uma pessoa de São
Paulo, que não sabe o nome. A borboletas, segundo ela,
são utilizadas para artesanato e decoração
e para a exportação.
"As borboletas morrem logo mesmo, então não
estamos fazendo nada de errado", justificou Felipe, 10 anos.
Aluno da quinta série na rede pública de Itaiópolis,
disse que a venda dos insetos é uma ajuda extra nas despesas
de casa. Os bairros Lucena e Bom Jesus abrigam famílias
formada por trabalhadores no comércio e indústria
da cidade. O grande vilão para essas crianças,
pais e aliciadores chama-se Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
(Ibama), responsável pela fiscalização.
As crianças só consentiram em falar sobre borboletas
quando houve garantia de que não havia nenhum representante
do órgão na escola.
Duas denúncias sobre o problema foram feitas pelo pesquisador
e naturalista Germano Woehl Júnior. Uma para a Polícia
Ambiental de Canoinhas e outra para o Ibama de Brasília.
Em nenhum dos casos houve retorno ou diligências. Em Brasília,
o Ibama solicitou que a denúncia fosse encaminhada para
o órgão em Florianópolis e na Polícia
Ambiental o problema nem chegou a ser investigado. (LFA)
Saiba mais
Uma vida curta
Uma borboleta passa quase toda a vida em estado de larva vegetariana,
comedora de folhas, sofrendo depois uma ninfose sob a forma de
crisálidas. A borboleta adulta, alada e sexuada, condenada
em muitas espécies a uma morte rápida (às
vezes não se alimenta), é um inseto freqüentemente
belo devido às cores vivas da face superior de suas asas.
Essas cores podem ser químicas (tintura própria
das escamas). As asas são muito largas e batem com freqüência
relativamente fraca. Quando imóveis, repousam acima do
dorso (se vivamente colorida) ou assumem a forma de teto (quando
baças). Classificam-se segundo a hora habitual de seu
vôo (diurnas, crepusculares e noturnas), segundo a forma
de antenas (ropalóceras e heteróceras), segundo
sua dimensão (macroleptóperos e microleptóperos),
segundo a nervação das asas (homoneuras e heteroneuras).
A única borboleta de criação (em mais de
150 mil espécies) é o bicho-da-seda, mas muitos
adultos se tornam úteis, favorecendo a polinização
das flores.
O que diz a lei
Crimes contra a fauna
lei federal 9605
Artigo 29 - Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar
espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória,
sem a devida permissão, licença ou autorização
da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
Inciso 1º -
Incorre nas mesmas penas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença,
autorização ou em desacordo com a obtida;
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo
ou criadouro natural;
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire,
guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta
ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou
em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos,
provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida
permissão, licença ou autorização
da autoridade competente.
Artigo 32 - Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar
animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos
ou exóticos:
Pena - detenção de três meses a um ano, e
multa.
Inciso 1º -
Incorre nas mesmas penas:
I - quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal
vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,
quando existirem recursos alternativos.
II - A pena é aumentada de um sexto a um terço,
se ocorre morte do animal.
"Amanhã, serão
os pássaros"
A captura de borboletas em Itaiópolis estava dizimando
algumas espécies, segundo o pesquisador e naturalista
Germano Woehl Júnior, nascido justamente no bairro Lucena,
onde o problema é mais grave. "Há três
anos, depois de uma trégua de mais de uma década,
voltou a ser praticado esse crime que é a captura de borboletas.
Justamente quando a população de algumas espécies
já estava se recuperando após ter sido dizimada
no passado", acrescentou Woehl Júnior, doutor em
física e reside entre São José dos Campos
e Guaramirim.
A denúncia da captura das borboletas veio à tona
depois do projeto de educação ambiental envolvendo
os anfíbio na mata atlântica, patrocinado pela Fundação
O Boticário de Proteção à Natureza
e realizado por Woehl Júnior. Um aspecto que mostra a
gravidade do aliciamento, segundo ele, é que as crianças
aos poucos vão aprendendo a praticar atos ilícitos.
"Esses traficantes estão iniciando as crianças
no mundo do tráfico de animais silvestres. Hoje, são
as borboletas; amanhã, são os pássaros;
e, pronto, está formado um traficante de animais",
completou o naturalista, idealizador do Santuário Rã-Bugio,
em Guaramirim.
Apesar de ter sido modificada em 1998, a lei 9.605, que dispõe
sobre crimes ambientais, ainda é rígida. O crime
de tráfico de animais silvestres deixou de ser inafiançável.
Entretanto, a lei apertou o cinto na questão dos abusos
praticados contra animais. Agora, esse abuso passa a ser crime,
ao contrário de antes, quando era considerado contravenção.
(LFA)
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Negócio ameaça a
biodiversidade
Para ONU, espécies
somem todos os dias do planeta
Joinville - O tráfico de animais silvestres é
um grande negócio. O Brasil além de ter sua biodiversidade
ameaçada, perde anualmente uma quantia incalculável
e irrecuperável com esse negócio que dá
lucros para poucos. Só o mercado mundial de hipertensivos
movimenta anualmente cerca de US$ 500 milhões, e o princípio
ativo desses medicamentos é retirado de algumas serpentes
brasileiras, como a jararaca (Bothrops jararaca). O maior fornecedor
mundial de venenos ofídicos é a Suíça,
que não tem Jararacas em seu território. A cotação
internacional dos venenos ofídicos é altíssima:
um grama de veneno de jararaca vale US$ 600,00 e o da cascavel
(Crotalus) US$ 1,2 mil.
O mercado interno de animais comercializados ilegalmente movimenta
muito pouco se comparado ao mercado externo. Os valores alcançados
internamente dificilmente ultrapassam a casa dos US$ 200,00,
enquanto no mercado internacional esses mesmos animais atingem
facilmente valores na casa de dezenas de milhares de dólares.
O mico-leão (Leontopithecus chrysomelas) é vendido
internamente por US$ 180,00 e na Europa é facilmente comercializado
por US$ 15 mil.
A maioria dos animais silvestres brasileiros comercializados
ilegalmente são das regiões Norte e Nordeste do
País. De lá são escoados para a região
Sul e Sudeste, utilizando-se as rodovias federais. Os principais
pontos de destino desses animais são os Estados do Rio
de Janeiro e São Paulo, onde são vendidos em feiras
livres ou exportados através dos principais portos ou
aeroportos dessas regiões. Os responsáveis pela
capturas são pessoas aliciadas pelos grandes traficantes,
que exploram sua miséria e oferecem alguns trocados para
fazerem a captura dos animais nas matas.
O destino internacional desses animais são a Europa, Ásia
e América do Norte, onde chegam para engordar coleções
particulares ou serem dependuradas na parede como um troféu
- no caso das borboletas -, ou serem expostos em zoológicos,
universidades, centros de pesquisa e multinacionais da indústria
química e farmacêutica. Também é grande
o número de animais silvestres exportados pelas fronteiras
com os países vizinhos, como Uruguai, Paraguai e Argentina.
Segundo dados do Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Perfil do Pnuma-1992), cerca de cem espécies
desaparecem todos os dias do planeta e o comércio ilegal
de animais silvestres surge como uma das principais causas dessa
tragédia. (LFA)
Portaria
normatiza
criatórios
A portaria 2314, de 26 de dezembro de 1990, determina critérios
para criatórios de borboletas com finalidade econômica.
A portaria instituiu os criadouros destinados à reprodução
de insetos da ordem lepidóptera da fauna silvestre. Esses
locais estão enquadrados nas categorias de criadouros
manejados por produtores rurais e manejados por empresas, com
o objetivo de criar insetos da ordem lepidóptera na fase
de metamorfose (lagarta), visando à produção
de borboletas.
A portaria determina critérios para os criadouros, como
exigências de croqui esquemático ou berçário
e mapeamento das espécies da ordem lepidóptera
(diurnas e noturnas) que pretende manejar na propriedade. Além
disso, o criadouro não poderá utilizar as fêmeas
como produto comercializável. Os criadouros devem manter
fichário de controle de estoque por espécie, para
seu próprio controle e vistorias pelo Ibama. (LFA)
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