Joinville         -          Quarta-feira, 9 de Agosto de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  


















MARCEGAGLIA

Empresa italiana vai fabricar componentes de refrigeração em Garuva
Foto: Sílvio Reinert

Estrangeiros investem
R$ 1,18 bilhão no Estado

Cinco multis aplicam R$ 380 mi a mais, em dois anos, do que 90 empresas catarinenses

Claudine Nunes

Os investimentos estrangeiros em Santa Catarina a partir de 1999 atingem R$ 1,18 bilhão, segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Integração ao Mercosul. O volume de recursos é superior à previsão de R$ 800 milhões, para estes dois anos, entre 90 grandes empresas instaladas no Estado, conforme pesquisa da Fiesc.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Antônio Ceron, afirma que em nenhum outro momento houve tanto interesse estrangeiro. Pelo menos uma vez por mês uma empresa do exterior faz contato com o governo do Estado. "Isto não existia até 1998." Foram anunciados no mínimo 3.300 novas vagas no mercado de trabalho.
O interesse não se restringe a Santa Catarina. O economista Antonio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que há um ciclo novo de investimentos no país, em entrevista recente para a "Exame". Somente os estrangeiros saltaram de uma média anual de menos de US$ 1 bilhão, no início da década de 90, para US$ 30 bilhões em 1999.
O Estado não ficou de fora. Duas cidades, Florianópolis e Blumenau aparecem entre as 10 melhores para se fazer negócios no País. Quando o assunto é tecnologia, Joinville se une à lista, em pesquisa publicada pela mesma revista. Ceron diz que o interesse por Santa Catarina é explicado por fatores como a posição estratégica em relação ao Mercosul, a qualidade da mão-de-obra e a descentralização do parque automobilístico em direção ao Paraná. Isto estaria atraindo novas empresas para o Sul.
Os principais investidores são europeus e estão aterrissando no Norte do Estado. O grupo francês Usinor é o primeiro do ranking em volume de recursos. A siderúrgica que será construída em São Francisco do Sul permitirá o ingresso do grupo no segmento de produção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Usiminas, intensificando a disputa no setor. A Usinor investe em siderurgia no Brasil desde 1998.
Para o presidente da Facisc, Roberto Breithaupt, a Usinor será o maior investimento por um bom tempo. Além de permitir a auto-suficiência em chapas de ferro, vai gerar emprego equilibrar a economia entre os municípios daquela região, diz. "Toda a região vai melhorar de qualidade de vida". A subsidiária da fábrica inglesa de carros esportivos TVR será a primeira indústria automobilística de Santa Catarina. Ela deve iniciar em breve as obras em Joinville.
Os novos empreendimentos não modificam o perfil das regiões, mas dois deles prometem transformar as cidades-sedes. A Usinor vai retirar a dependência econômica do Porto de São Francisco do Sul, e a fábrica da Marcegaglia, em Garuva, multiplicará por sete o retorno do ICMS, produzindo tubos e componentes para refrigeração.


Usinor deve atrair mais
empresas a S. Francisco

Conglomerado francês de siderurgia vai aplicar R$ 750 milhões em laminadora de aço

Claudine Nunes

Joinville - Que mudanças uma usina siderúrgica pode provocar na cidade de São Francisco do Sul? É o que os moradores se perguntam e esperam obter a resposta em 15 de setembro. Nesse dia o grupo francês Usinor apresentará o projeto Vega à opinião pública. O anúncio oficial ocorreu em junho, depois de mais de um ano de negociações com o governo do Estado. Trata-se do maior investimento privado em um único projeto já realizado em Santa Catarina, orçado em US$ 420 milhões, ou cerca de R$ 750 milhões. "Só quando mostrarem o projeto saberemos o que investir em cada setor", diz o secretário-executivo da Associação Comercial e Industrial (Acisfs), Ciro Raposo. "A população está esperançosa", observa.
As mudanças mais previsíveis são o aumento expressivo na arrecadação de impostos, a diversificação da economia local, dependente 80% das atividades ligadas ao Porto de São Francisco do Sul e a geração de 400 empregos diretos, sem contar as empresas satélites ampliando ainda mais a oferta de trabalho.
Segundo a prefeitura, empresas de Tubarão, de São Bento do Sul, de Criciúma e de Curitiba, estão interessadas em investir na cidade. A prefeitura também conseguiu incluir no contrato a cláusula que trata do aproveitamento máximo da mão-de-obra local, na fase de construção e posterior.
Outras questões o tempo se encarregará de responder. As autoridades locais temem uma imigração em peso de trabalhadores, acarretando o aumento do desemprego no lugar de sua redução. Em meio às especulações na cidade, há quem cogite superaquecimento e falta d'água. São receios sem respaldo técnico.
O estudo de impacto ambiental ainda não foi entregue à Fundação do Meio Ambiente (Fatma). A assessoria de imprensa da Fatma informa que o estudo será analisado e depois submetido à população em audiência pública. Só então, a entidade emitirá parecer sobre o empreendimento.
A produção da laminadora de aço galvanizado será destinada principalmente ao setor automotivo do Mercosul. Contratos com as montadoras francesas Renault, que tem uma unidade em São José dos Pinhais, e a Peugeot, que está instalando uma fábrica em Porto Real (RJ).
O porto de São Francisco receberá 850 mil toneladas de bobinas de aço por ano. O volume é semelhante a tudo que passou pelo porto de Imbituba em 1999 e um quinto das 4,5 milhões de toneladas de carga transportadas pelo Porto de São Francisco no ano passado.


Santa Catarina quer fazer
parceria com São Paulo

Florianópolis - Santa Catarina e São Paulo estão negociando uma parceria inédita para ajudar no desenvolvimento dos dois estados. A idéia é que a troca de informações aconteça em áreas não-concorrentes, disse o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Antônio Ceron, abrangendo os setores de energia, gás, portos, parques temáticos e tecnologia agrícola, entre outros.
A proposta de um seminário com representantes dos dois estados foi elaborada ontem e, nos próximos dias, será apresentada por Ceron ao secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, José Anibal. Nelton Souza, da Faesc, disse que a colaboração dos paulistas na agropecuária catarinense seria bem vinda. "Eles estão 50 anos a nossa frente nesta área", afirmou. Alexandre Evangelista, da Fecomércio, e o assessor do governador, Alcides Abreu, salientaram que Santa Catarina também poderia servir de ponto de apoio aos paulistas para estabilizar a balança comercial deles.


Santa Catarina quer fazer
parceria com São Paulo

Florianópolis - Santa Catarina e São Paulo estão negociando uma parceria inédita para ajudar no desenvolvimento dos dois estados. A idéia é que a troca de informações aconteça em áreas não-concorrentes, informou o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Antônio Ceron, abrangendo os setores de energia, gás, portos, parques temáticos e tecnologia agrícola, entre outros.
A proposta de um seminário com representantes dos dois estados foi elaborada e, nos próximos dias, será apresentada por Ceron ao secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, José Anibal.
O representante da Faesc, Nelton Souza, disse que a colaboração dos paulistas na agropecuária catarinense seria bem vinda. "Eles estão 50 anos a nossa frente nesta área", afirmou. O representante da Fecomércio, Alexandre Evangelista, e o assessor do governador, Alcides Abreu, salientaram que Santa Catarina também poderia servir de ponto de apoio aos paulistas para estabilizar a balança comercial deles. "Enquanto nós registramos superávit há 10 anos, eles têm sucessivos déficits", comentaram.


Marcegaglia diversificará
economia de Garuva

Joinville - A fábrica da Marcegaglia do Brasil é o maior investimento recebido pelo município de Garuva e o primeiro estrangeiro. A partir do mês que vem a multinacional italiana começará a produzir, às margens da BR-101, tubos e componentes para refrigeração atendendo a Multibrás, Embraco e Electrolux.
O investimento total anunciado de R$ 162 milhões, dos quais R$ 25 milhões na primeira etapa, vai gerar 283 empregos diretos, e retorno municipal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a partir de 2002, sete vezes maior que a receita mensal da prefeitura, de R$ 165 mil. No total serão sete módulos de 15 mil metros quadrados de área construída cada um. "O perfil da cidade vai mudar muito e será excelente", afirma o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento, Alcir José Michels.
O grupo Marcegaglia processa 2,2 milhões de toneladas de aço por ano e fatura US$ 2 bilhões anuais, com operações na Itália, Espanha, Suécia, Alemanha e Estados Unidos.

Diversificação

A economia local diversificada tem forte vocação agrícola, com destaque para o arroz e a banana, plantas ornamentais, produção de cogumelo do sol, inclusive visando a exportação. A indústria vem ganhando impulso nos últimos três anos com o incentivo fiscal. Do artesanato de vime, os empresários partiram para fábricas de bebidas, de esquadrias, de móveis, de embalagens, serrarias e esquadrias. Nada, no entanto, que se compare com a força do investimento da Marcegaglia. Garuva disputava com cidades do Paraná e acabou vitoriosa, entre outros motivos, pela isenção de impostos municipais por 10 anos e a oferta do terreno de 200 mil metros quadrados.
De acordo com Michels, empresas do setor de transporte têm feito contatos para futura instalação e cerca de 200 moradores trabalharam na construção da fábrica. A expectativa é de que 100 pessoas consigam emprego, e uma das providências das autoridades locais é oferecer cursos profissionalizante e de inglês. "É preciso saber ler em inglês porque os painéis são escritos nesta língua", diz o secretário.
A prefeitura negocia a instalação de uma nova empresa estrangeira, desta vez suíça e de pequeno porte, cujo nome ainda não foi divulgado.

 


Pólo moveleiro atrai
empresas estrangeiras

Concentração industrial em São Bento do Sul chama a atenção de investidores do exterior

Marília Maciel

São Bento do Sul/Rio Negrinho ­ A concentração de indústrias do setor moveleiro na região de São Bento do Sul chamou a atenção de investidores estrangeiros de áreas afins. A norte-americana Ashley firmou parceria com a são-bentense Móveis Leopoldo e formou a Intercontinental Indústria de Móveis. O parque fabril da Leopoldo foi duplicado ganhando mais 11.500 metros quadrados. A união das duas empresas gerou a abertura de 450 novos empregos diretos.
Os planos da Ashley, no entanto, não param por aí. A intenção é construir mais uma unidade, que compreenderia investimentos de US$ 15 milhões e geração de aproximadamente dois mil novos empregos diretos e indiretos. As prefeituras de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre ofereceram terrenos para a instalação da empresa, mas até agora a instalação continua apenas em estudos. A prioridade no momento é cuidar da produção da Intercontinetal, totalmente voltada à exportação.

Prioridade

As prefeituras de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre ofereceram terrenos para a instalação da empresa, mas até agora a instalação continua apenas em estudos. A prioridade no momento é cuidar da produção da Intercontinetal, totalmente voltada à exportação.


Terranova prioriza automação

O grupo chileno Terranova escolheu Rio Negrinho para instalar a mais automatizada de suas unidades na América Latina. O investimento total chegou a US$ 95 milhões, metade destes recursos foram empregados na compra de aproximadamente 8 mil hectares de plantação de pinus. A unidade industrial ocupa 17 hectares e é capaz de produzir anualmente 60.500 metros cúbicos de "blanks", pedaços de madeira serrada, sem nós. Toda a produção vai para os Estados Unidos, a outra unidade da Terranova, em Charleston, onde são fabricadas molduras, rodapés e outras peças utilizadas na construção de casas.
A qualidade das plantações de pinus do Norte do estado, privilegiadas com crescimento rápido devido ao clima chuvoso que predomina na maior parte do ano, foi o principal fator que atraiu a Terranova a Rio Negrinho. Além disso, a existência de aproximadamente quinhentas indústrias de móveis na região garante mão-de-obra capacitada tanto para a área florestal quanto para a industrial. Às margens da BR 280, a Terranova também encontrou facilidade para acesso rápido ao patrimônio florestal da empresa e ao porto de São Francisco. Quando atingir sua produção total a Terranova deve chegar a 450 empregos diretos. A serraria da empresa foi projetada para consumir 230 mil metros cúbicos de toras de pinus por ano o que equivale a 430 metros cúbicos de madeira serrada por dia.

Frezite

De Portugal veio a Frezite-Ake, um dos maiores fabricantes mundiais de ferramentas para madeira e indústria moveleira. Com investimento de aproximadamente US$ 2 milhões no projeto a Frezite vai gerar cerca de 40 empregos diretos quando estiver em total atividade. Com tecnologia de ponta, o volume de empregos gerados pela Frezite não é tão significativo, mas apresenta um diferencial: a mão de obra é altamente especializada o que significa salários maiores e maior poder aquisitivo. (Marília Maciel)


SC ganha 1ª fábrica de carros

Joinville - O local que abrigaria a primeira subsidiária na América Latina da fábrica inglesa de carros esportivos TVR, demandou alguns anos de avaliações. Cogitou-se o Rio Grande do Sul, a Bahia e, por fim, a empresa tornou oficial em março deste ano a escolha por Santa Catarina. Além de incentivos fiscais semelhantes, pesou o fato de a TVR se tornar a primeira fábrica de automóveis do Estado.
Estudos técnicos vão responder a última pergunta que persiste há meses: em que terreno começar as obras, já atrasadas de acordo com o cronograma. O diretor-presidente da South American, Creighton Brown, garante que a montadora ficará em Joinville, sepultando as especulações sobre a vizinha Araquari. A proximidade com o porto de São Francisco do Sul e a qualidade da mão-de-obra são dois fatores alegados como preponderantes. De uma lista inicial de 12 terrenos, restaram três finalistas. A questão principal é saber qual deles atenderá às exigências técnicas.
A South American quer um terreno parte plano e parte inclinado. Na região mais alta ficariam a fábrica e a arquibancada para assistir às corridas no autódromo internacional construído na parte plana. O autódromo é uma evolução do projeto original, que previa uma pista de testes. Brown compara a qualidade do solo da pista a de um aeroporto.
O investimento de R$ 45 milhões vai gerar 200 empregos diretos, mas o carro não será visto pelas ruas de Joinville. O modelo esportivo Tuscan 2 custa em torno de US$ 90 mil, pesa mil quilos, tem um motor potente, de 370 cavalos (carros populares têm cerca de 65 cavalos), seis cilindros, e é capaz de atingir 300 quilômetros por hora, um dos mais velozes do mundo. (CN)


Móvel Brasil atrai
comprador estrangeiro

Feira quer incentivar a utilização de pinus

São Bento do Sul ­ A Móvel Brasil, maior feira de móveis do estado e uma das principais do Brasil, começa amanhã com expectativa de atrair 20 mil visitantes, inclusive importadores da Europa, Estados Unidos e Mercosul. Um total de 120 expositores participam da Móvel Brasil deste ano, numa área de 6.700 metros quadrados. A feira acontece no Centro de Eventos da Promosul até o dia 12, a partir das 14 horas. Uma das novidades desta edição é o setor de decoração.
Rodadas de negócios serão realizadas durante a feira através do Projeto Comprador que trará à feira 20 importadores, com as despesas pagas, especialmente da Europa e Estados Unidos. "O setor moveleiro é um dos que mais cresce em termos de exportação, é preciso investir em contatos internacionais para continuar esse crescimento", afirma o presidente do Promóvel, Pedro Paulo Pamplona.
A Móvel Brasil também pretende incentivar a venda de móveis de pinus no mercado interno. Para isso, paralelo à feira, acontece o Salão Pinus, uma mostra paralela de produtos mobiliários. O projeto visa mostrar as vantagens oferecidas ao se adquirir um móvel feito de madeira proveniente de plantios comerciais, de rápido crescimento, reflorestados adequadamente. Enquanto a Europa e os Estados Unidos exigem móveis de pinus por serem ecologicamente corretos, os brasileiros ainda têm certo preconceito para com esta madeira. Para alguns moveleiros isso ocorre porque os consumidores e os lojistas desconhecem toda a evolução tecnológica ocorrida no setor moveleiro nos últimos anos e que permite dar tratamento adequado para que o pinus seja matéria-prima de móveis de qualidade.


Chapecó sedia Mercomóveis
2000 a partir de terça-feira

Chapecó - Uma equipe composta por mais de 300 profissionais está trabalhando à todo vapor desde o início da semana passada nos pavilhões do parque de exposições da Efapi, em Chapecó, para a montagem da estrutura da Feira Mercosul da Indústria de Movéis (Mercomóveis 2000). O evento terá início na terça-feira, mas todos os estandes estarão prontos a partir de amanhã, o que permitirá aos expositores investir em divulgação e no relacionamento com possíveis compradores. A expectativa é de que as vendas ultrapassem a casa dos R$ 60 milhões.
Um total de 70 indústrias de móveis confirmou presença e vem montando estandes de até 110 metros quadrados nos pavilhões 1 e 2 do parque de exposições. Para facilitar a montagem o parque fica aberto todos os dias até às 22 horas. Segundo o coordenador do evento, Celso Cecchin, é expressiva a presença de empresas do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. A maioria dos participantes, entretanto, integra o pólo moveleiro da região Oeste de Santa Catarina .

Abertura

Toda a Comissão Central Organizadora (CCO) está confiante no sucesso do evento. Na terça-feira, data de início da feira, os expositores fazem de manhã uma última revisão no conjunto de estantes. Ao meio dia todos participarão de um almoço informal na Casa do Criador, junto com autoridades e outros convidados. Logo em seguida acontece a abertura oficial da Mercomóveis 2000.


Sindicato faz
campanha pela nota fiscal

Joaçaba - O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Joaçaba, está fazendo uma campanha de conscientização, para que os agricultores dos municípios de Luzerna e Joaçaba, passem a emitir as notas fiscais ao venderem a sua produção.
Segundo o presidente do sindicato, Osvino Debus, a nota fiscal é um comprovante que o agricultor tem de que exerce a atividade na hora de requerer a aposentadoria. "Este é o primeiro documento que é exigido no momento em que o agricultor busca este benefício, é a prova que ele possui de que a agricultura é a sua fonte de renda."
Com a emissão da nota fiscal, o sindicato quer também que melhore a arrecadação do município, revertendo em benefícios para os trabalhadores rurais." Muitas vezes os agricultores reclamam por exemplo, das más condições das estradas no interior, ou da falta de alguma obra na comunidade em que moram, contribuindo com a arrecadação dos impostos, eles vão ter mais poder de cobrança junto a Prefeitura," assegura.

Manchetes AN

Das últimas edições de AN Economia
05/08 - Guerra pela jornada de trabalho menor
29/07 - Reajustes preocupam os consumidores de SC
22/07 - Microempresas faturam alto com as eleições
15/07 - Empresas investem em iniciativas sociais
08/07 - Estrangeiros cobiçam supermercados em SC
01/07 - Déficit de milho preocupa agrobusiness
18/06 - Crise argentina atinge empresas catarinenses

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Usuário de telefone
paga tributo indevido

Especialista afirma que operadoras repassam para consumidor as alíquotas da Cofins e PIS

Joinville - Os usuários de serviços telefônicos estão pagando mais do que deveriam. O especialista em impostos, Camilo Gribl, gerente da BDO Directa Auditores, denuncia que uma diferença de 5,17% no valor das contas telefônicas está sendo cobrada irregularmente dos consumidores. "Contra decisões do Poder Judiciário, as telefônicas estão repassando ao consumidor final as contribuições do PIS e da Cofins", afirma o especialista. A Embratel alega que cumpre determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A assessoria jurídica da Telesc Brasil Telecom diz que está analisando o processo. A Anatel desmente a Embratel. "Estimulamos apenas o valor máximo de tarifa. Não fixamos tributos. Isso é competência dos Estados", explicou a agência na noite de ontem através de sua assessoria de comunicação.
Enquanto a Anatel e as operadoras não se entendem, Gribl afirma que o PIS e a Cofins são tributos diretos que devem ser suportados diretamente pelas empresas em virtude de sua receita auferida, e não repassados para o consumidor final. As operadoras estão cobrando 5,17% a mais referentes ao PIS e Cofins dos consumidores. A cobrança, segundo o especialista, é irregular.
Gribl alerta, também, que os consumidores que se sentirem prejudicados pela sistemática de cálculo das operadores devem procurar a Justiça para fazer valer seus direitos. O especialista diz que não é justo que os consumidores tenham que assumir um tributo que deveria sair do bolso de outra pessoa. "Além disso, os consumidores devem tentar recuperar os valores indevidamente pagos com relação às contas passadas", acrescenta Gribl.
O Supremo Tribunal Federal, lembra o especialista, já se manifestou no sentido de que tais contribuições (PIS/Cofins) não incidem operação a operação e sim sobre o total do faturamento obtido sobre as operações realizadas no período. "Assim, tais contribuições devem ser suportadas pela empresa e não pelo consumidor", reafirma Gribl. (Silvia Pinter)


Problema com a Internet

Mais um problema na emissão das contas telefônicas da Telesc Brasil Telecom. Cerca de seis mil clientes da operadora, cujo uso do telefone não chegou a 100 pulsos, tiveram a franquia (isenção de cobrança de pulsos locais) creditada somente sobre pulsos de voz, quando os pulsos de Internet também deveriam estar incluídos. O problema já foi detectado e acertado, segundo a empresa através da sua assessoria de comunicação.
A operadora explica que desde o dia 16 de junho a Telesc, de forma pioneira no País, começou a discriminar o uso da Internet na conta telefônica - antes as ligações para provedores de Internet eram incluídas no item serviços locais. O problema, segundo a assessoria, é que o ajuste para a nova operação falhou. "Mas já estará corrigido na próxima conta", garante a assessoria.
A modificação foi uma reivindicação dos clientes, do Ministério Público, Procon e até um projeto de lei chegou a ser elaborado sobre o assunto na Assembléia Legislativa. A assessoria lembra também que o cliente não conseguia ter o controle dos seus gastos com Internet.
"Agora, o serviço continua sendo o mesmo, o preço não mudou e nem a forma de controle dos pulsos. Foi acrescentada uma informação a mais na conta", acrescenta a assessoria. Segundo ela, o valor das ligações para Internet que não foram considerados na franquia variou entre R$ 3,00 e R$ 9,00. (SP)


BB aprova plano para
recuperar cooperativas

Marília Maciel

Mafra/Canoinhas ­ O conselho diretor do Banco do Brasil aprovou o projeto do Recoop, financiamento para recuperação das cooperativas agrícolas de Canoinhas e Mafra que após a fusão passam a se chamar Unicooper. A informação foi repassada pelo diretor da Coopernorte, de Mafra, João Francisco Matos. A liberação dos R$ 51 milhões, no entanto, depende agora de trâmites operacionais para a contratação dos financiamentos.
Como a maior parte dos recursos destina-se ao pagamento de dívidas dos associados com a cooperativa, a recuperação das unidades de Mafra e Canoinhas dependerá da adesão dos cooperados ao programa. "O associado faz o financiamento para pagar o que deve à cooperativa. O empréstimo é pago em vinte anos", explica o diretor da Coopercanoinhas, Edemar Padilha.

PREVIDÊNCIA

A dívida da cooperativa de Canoinhas é de cerca de R$ 25 milhões. O maior credor é a Previdência Social. "Não fosse a dívida que temos com o INSS, poderíamos tranqüilamente nos reestruturar sem a ajuda do Recoop", afirma Padilha.
As cooperativas precisam quitar a dívida junto ao INSS para conseguir a Certidão Negativa de Débito, sem a qual não é possível renegociar e alongar os financiamentos devidos aos bancos.
A Coopercanoinhas teve incremento de 50% no recebimento de produtos em 2000, comparado ao ano passado e saltou de 800 mil para 1,2 milhão de sacas de cereais. No ano passado a cooperativa faturou R$ 27,3 milhões e a meta este ano é chegar a R$ 35 milhões.
Para a Coopernorte a situação é um pouco mais complexa, pois a dívida trabalhista fez com que a Justiça do Trabalho dispusesse os bens da instituição para leilão, de forma a possibilitar a realização dos pagamentos devidos para os ex-funcionários. "Com os recursos do Recoop a dívida trabalhista certamente será paga. Para os ex-funcionários de nada adiantaria dividir o patrimônio da empresa", avalia o diretor João Francisco Matos.


Guerra ao fumo preocupa
2,2 milhões de pessoas

Orlando Pereira

Rio do Sul - O conflito entre o Ministério da Saúde com as indústrias e as entidades que representam o setor fumageiro tende a ficar mais acirrado esta semana, quando será colocada em votação no Congresso Nacional o projeto de lei 3.156, que altera a legislação sobre propaganda de cigarro, restringindo a sua veiculação em jornais, emissoras de televisão e rádio e em eventos esportivos.
A preocupação é que mais de 2,2 milhões de pessoas que estão vinculadas direta ou indiretamente a atividade venham a ser prejudicadas em caso de aprovação. Tanto assim que a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) inclusive já requisitou a votação nominal de cada deputado para levar ao conhecimento dos produtores.
O presidente da Afubra, Hainsi Gralow, disse que a entidade não quer entrar em conflito com o ministério, pretendendo apenas defender os interesses dos produtores. Em sua opinião o ministro José Serra não deve estar informado da quantidade de pessoas envolvidas no processo produtivo. "O problema é que ele sempre quer estar na vitrine e como não consegue resolver os problemas da saúde, achou o cigarro como bode expiatório", assinalou Gralow.

Substituição

Ele observou que não há condições de substituir a cultura, até mesmo porque o fumo é plantado em propriedades em pequenas áreas, que não chegam a três hectares. O presidente explicou que além de exigir pouca área, os demais motivos da escolha são a garantia de venda, rentabilidade e por último falta de opção.
Um dos dados alarmantes citados por Gralow é o percentual de produtores que não permaneceriam no meio rural, caso não plantassem mais fumo. Das 723 mil envolvidas na safra 98/99, pelo menos 49% ficariam sem opções. "Certamente o ministro não tem esta informação", assinalou. O presidente estranhou o fato da restrição a bebida ter sido retirada do projeto de lei, acreditando ser em razão de pressões recebidas. "Até parece que ninguém mais vai ficar doente no Brasil só porque o consumo de cigarro será menor".
Gralow foi convidado a apresentar defesa escrita, na próxima reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra, na Suiça, dispondo do tempo de cinco minutos para defender a importância do setor produtivo no país.

Prejuízos

O presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo), Cláudio Henn, o que o ministro está tentando fazer com o setor é completamente absurdo. Ele observou que se o governo tiver sucesso, com a aprovação do projeto, o estado de Santa Catarina que responde por 37% da produção nacional, será enormemente prejudicado. "Por esta razão a mobilização da classe política neste momento, independente de partido, é muito importante", destacou. Henn disse que em países da Europa, onde a propaganda de cigarro é completamente proibida, o consumo entre jovens está comprovado que é ainda maior.
Segundo ele, caso a lei venha a ser aprovada, quem vai mais sair perdendo é o fumicultor, embora as indústrias necessitem fazer propaganda para apresentar o aperfeiçoamento dos cigarros.
Henn destacou que as indústrias fumageira buscam manter o público adulto informado. Tanto assim que existe o alerta sobre os riscos que o cigarro faz mal para a saúde. "Trata-se de um produto legal, cuja propaganda deve ser permitida". O que na opinião do presidente o governo federal precisa fazer é combater o contrabando de cigarros, que hoje fica entre 35 e 40% do consumo. "Além do governo não arrecadar mais de R$ 1 bilhão com impostos, isso tira empregos no campo e nas indústrias", observou.


Pequena
propriedade cultiva mais

Rio do Sul - A cultura do fumo é desenvolvida em mais de 60 municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Em média mais de 160 mil famílias de pequenos agricultores, de acordo com dados da Afubra, utilizam somente dois hectares para o plantio. A área restante é ocupada para o cultivo de milho, feijão, pastagens, reflorestamento, entre outras atividades.
O fumo é um dos poucos produtos agrícolas que tem seu preço negociado entre os produtores e a indústria. A negociação é baseada em levantamentos dos custos de produção, pesquisados por ambas as partes. Também são levados em conta os aspectos mercadológicos de oferta e demanda internacional, assim como a margem de lucratividade sobre o custo.
Na região Sul a fumicultura é desenvolvida através do sistema integrado de produção entre as indústrias e os agricultores desde 1918. Os plantadores recebem assistência técnica. As indústrias também prestam assistência financeira, além do transporte da produção desde a propriedade. Toda a produção tem compra assegurada.

Recomendações

As empresas repassam ainda os insumos recomendados e incentivam o uso correto, manejo, a conservação do solo, assim como a diversificação das culturas e o reflorestamento. Essa preocupação com o meio ambiente fez com que as indústrias do setor fossem pioneiras na eliminação de produtos clorados nas lavouras. Tanto assim que são empregados apenas produtos que possuem registro para o uso, tanto no Brasil, como em outros países. (OP)


Produtores temem
perder rendimentos

Rio do Sul - O produtor Valdemar Schelter, cuja propriedade está localizada na área rural de Rio do Sul, já está preocupado como vai pagar o terreno que adquiriu recentemente, através de financiamento do Banco da Terra, caso tenha que diminuir a área plantada com fumo em razão da redução do consumo do cigarro. A atividade é a sua principal fonte de receita, já que outras culturas, como milho, feijão e cebola, não proporcionam a mesma rentabilidade. Só na última safra colheu 523 arrobas nos 80 mil pés que foram plantados, obtendo a renda bruta de aproximadamente R$ 19 mil. Como é característica na região, trata-se de uma propriedade familiar onde trabalham no total quatro pessoas.
Caso tenha que reduzir o plantio de fumo, ou até mesmo parar de cultivar, Schelter não sabe o que vai fazer. Ele não tem área disponível para plantar milho, que apresenta-se como uma atividade rentável. A criação de peixes, onde pretendia levantar algum dinheiro, acabou ficando quase totalmente perdida, em razão das fortes geadas que ocorreram recentemente.
Outro problema citado pelo produtor é a instabilidade nos preços. "Na fumicultura já se sabe mais ou menos quanto vamos receber", observou. Outro benefício é o seguro mútuo da Afubra. Quando o granizo atingiu a sua propriedade, na última safra, acabou sendo indenizado.
Para o produtor Carlos da Silva, residente na localidade de Morro Reuter, em Agronômica, fuma quem quer, mas o Ministério da Saúde não deveria se preocupar com campanha para diminuir a propaganda dos cigarros. Ele não quer nem pensar na possibilidade de ser obrigado a reduzir a área cultivada, em razão da falta de interesse das indústrias em comprar a matéria-prima. "Toda essa gente vai ter que ir para a cidade por falta de opções no campo", observou Silva.
Com os 70 mil pés que plantou, colheu 680 arrobas, que renderam em torno de R$ 18 mil. "Duvido que com outra cultura conseguiria este valor", desafiou. O fumicultor lembrou que o fato da indústria garantir a compra de toda a produção também serve como estímulo. (OP)

 
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