Joinville         -          Segunda-feira, 14 de Agosto de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Congestionamento
Rua Princesa Isabel com a João Colin, no centro: tumulto no trânsito causa estresse

Trânsito exige paciência
em horários de pico

Fundação diz que congestionamentos não existem, mas motorista reclama

Genara Rigotti

O trânsito de Joinville a cada dia está mais tumultuado. Alguns motoristas afirmam que proporcionalmente o caos da metrópole catarinense pode ser comparado ao das grandes cidades do País. "O clima de tensão e estresse é o mesmo enquanto estamos dirigindo", garante o vendedor Heitor Ramos Farias, 36 anos, que veio de São Paulo há dois por conta do emprego. Com uma frota de 140 mil veículos e 340 ônibus coletivos em circulação, o centro da cidade em horários de pico acaba se tornando um problema para quem depende do relógio.
Nas quintas e sextas-feiras, dirigir no centro é um tarefa complicada, principalmente, entre as 11 e 18 horas. Nos dias de chuva, maré alta ou quando uma das vias de acesso está em obras, a tarefa é praticamente impossível. Para o arquiteto da Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuj), Rogério Pupo Gonçalves, Joinville não tem congestionamento no trânsito. "O que temos é trânsito lento, mas comparado a outras cidades do Estado a fluidez no trânsito de Joinville é excelente", destaca. "Congestionamento é ficar 40 minutos, uma hora parado na rua esperando a fila de carros andar. Aqui isto não acontece", garante.
Ele admite que quando chove e em alguns horários, principalmente, no fechamento dos bancos, por volta das 16 horas e no final do expediente existem, alguns probleminhas. Até mesmo o prefeito Luiz Henrique da Silveira, na última semana, disse que é preciso criar novas rotas que desafoguem o trânsito no centro da cidade. Anunciou a construção de um moderno viaduto, que será o quinto acesso à cidade. O viaduto vai ser construído na BR-101, nas proximidades da curva do arroz. O custo total das obras será de R$ 13 milhões, bancados pelo governo federal e a ordem de serviço deve ser assinada nesta semana pelo ministro do Transportes, Eliseu Padilha.
O viaduto será a segunda fase do eixo de acesso Sul e vai ligar a BR-101 à rua Waldomiro José Borges, no Itinga. Os únicos gastos da Prefeitura serão com as desapropriações e a licença ambiental. Rogério lembra que, além do viaduto, a onda verde que já está em funcionamento nas ruas Getúlio Vargas, Blumenau, João Colin e São Paulo, as modificações no sentido de algumas ruas do centro e a Central de Controle de Tráfego, em funcionamento há um ano, já solucionaram a maioria dos problemas de trânsito que existiam. "Estamos operando em caráter experimental com a Seleção Dinâmica de Trânsito, que funciona no quadrilátero da São Paulo com a Monsenhor Gercino, até a João Colin com a Max Colin, e da Blumenau, até a Beira Rio. Neste trecho os semáforos se auto-regulam dependendo do fluxo de veículos", explica.


Terminal é cenário para
"show" de imprudências

No terminal urbano entre as ruas Nove de Março e 15 de Novembro o que se vê é um show de imprudências de motoristas e pedestres. Com o movimento dos ônibus, a situação fica ainda mais preocupante. As pessoas andam pelo meio da rua, não respeitam as faixas de segurança e acabam atrapalhando o trânsito. "Como vou respeitar as faixas, se elas estão no local errado", afirma Janete Carnaço, 18 anos, com a filha de apenas três nos braços. Ela se refere às faixas antigas que não oferecem passagem ao pedestre. As grades estão dos dois lados da rua. O arquiteto Rogério Gonçalves diz que é preciso tomar uma providência urgente no local.
"A situação no terminal só vai se resolver por completo quando todos os terminais da cidadania estiverem funcionando, daqui há quatro meses no mínimo. Por enquanto, é preciso pelo menos repintar as faixas de segurança nos locais corretos", diz. Janete conta que nunca sofreu nenhum acidente, mas tem medo cada vez que atravessa as ruas próximas ao terminal. "A gente precisa de mais segurança", ressalta. O próprio motorista de uma das empresas de ônibus da cidade observa que às vezes fica com medo de dirigir no terminal e suas redondezas. "É uma série de empecilhos, que deixam a gente inseguro, qualquer erro, pode resultar num atropelamento ou numa batida nos carros que não respeitam a velocidade permitida no local", afirma.


Sistema local previlegia ônibus

Conforme o arquiteto Rogério Puppo Gonçalves, quando se faz um planejamento não se leva em conta obras que possam interferir no trânsito e nem acidentes ou carros quebrados que estejam no caminho. "Nos últimos três meses, tivemos a infelicidade dos dias de pagamento caírem na sexta ou na segunda-feira. Fato que realmente tumultua o trânsito no centro", afirma. Outro sistema que deve entrar em funcionamento nas próximas semanas é o sistema option, que vai privilegiar ônibus e ambulâncias. "Nossa prioridade é o transporte coletivo em detrimento ao transporte individual", enfatiza. "Nos últimos quatro anos, a frota de veículos aumentou em 50%. É impossível criar vias para toda esta quantidade de carros", informa.
Para o comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, Ademar Stuewe, o sistema option pouparia os bombeiros de ouvirem reclamações diárias de motoristas sobre os fotossensores que registraram o carro quando tentaram desviar para dar passagem a uma ambulância. Na opinião do comandante, foi importante a descentralização dos postos de atendimento. "Se tivessemos que depender da corporação central, que fica na rua Jaguaruna, para todas as chamadas, teríamos problemas, principalmente, nos horários de pico", acredita.
Sobre a onda verde Rogério assegura que os motoristas que estiverem a uma velocidade média de 50 quilômetros por hora vão pegar os sinais abertos nas quatro ruas onde o sistema está instalado. "Na frente dos colégios, são os próprios pais que tumultuam, parando em fila dupla, diz. Na rua Princesa Isabel, por exemplo o problema ainda é visível. Apesar do colégio ali situado, ter construído um novo acesso e muitos alunos terem sido transferidos para a nova sede da escola, os pais insistem em parar no meio da rua nos momentos de entrada e saída das aulas.


Pontos críticos

Rua Jaguaruna com Padre Carlos - motoristas fogem da sinaleira de três tempos da Ministro Calógeras, fazendo uma roteiro alternativo que inclui Conselheiro e Jaguaruna

Rua Ministro Calógeras com JK - fluxo de veículos para a zona Sul

Duque de Caxias com Ministro Calógeras - dois fluxos de veículos que trafegam pela Ministro Calógeras (com duas mãos) desembocam na Duque de Caxias (mão única)

Rua Princesa Isabel - fila dupla de carros próximo ao Colégio Bom Jesus, no horário de entrada e saída dos alunos

Rua Princesa Isabel com João Colin - além da fila dupla de veículos na frente de um colégio, há o intenso tráfego de veículos para a zona Norte

Números do trânsito

- Número de Habitantes: 400 mil
- Frota de veículos: 140 mil
- Frota de ônibus para transporte coletivo: 340
- Número de atropelamentos: 31 somente no mês de julho conforme a Polícia Militar
- Média de infrações cometidas pelos motoristas nos últimos meses: 270 por mês
- Número de fotossensores instalados pela Conurb: 37
- Do total de acidentes envolvendo carros, motos e bicicletas em Joinville, 5% das vítimas ficaram paraplégicos ou tetraplégicos conforme dados do Corpo de Bombeiros Voluntários do município.

  • Em 1999:

Foram socorridas 998 batidas entre automóveis, 459 atropelamentos, 147 quedas de motos, 124 acidentes envolvendo bicicletas pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. A Polícia Militar socorreu no mesmo ano, 310 acidentes com veículos e 121 atropelamentos.


Periferia também
enfrenta problemas

Mais de 30 atropelamentos foram registrados pela Delegacia de Trânsito somente em julho deste ano

Genara Rigotti

Somente em julho deste ano foram contabilizados mais de 30 atropelamentos em Joinville e o problema não se restringe à área central. No bairro Petrópolis, por exemplo, a falta de segurança no cruzamento da rua Aimorés com a avenida Paulo Schoroeder está preocupando os moradores. Depois dos últimos acidentes na região, a comunidade está assustada, pedindo uma providência dos órgãos públicos para garantir maior segurança. A direção do Colégio Estadual Gertrudes Benta Costa, que fica na própria avenida Paulo Schoroeder, já discutiu a questão com a associação de pais e comunidade em geral.
"Não é de hoje que sabemos do problema. Desde a mudança no sistema viário, há mais de um ano, os acidentes começaram a a ocorrer", conta o diretor da escola Joel Moser. Segundo ele, foram coletadas cerca de cinco mil assinaturas para um abaixo assinado pedindo providências. O documento foi encaminhado ao prefeito Luiz Henrique da Silveira. "Estamos pedindo uma lombada eletrônica em frente ao colégio e um semáforo no cruzamento com a Aimorés, principal via de acesso à Escola Municipal Abdon Batista, na rua Petrópolis. Muitos estudantes também parecem não ter consciência de que atrapalham o trânsito quando andam pelo meio da avenida em pleno meio-dia.
Somente no Benta Costa são quase 2 mil estudantes do pré-escolar ao ensino médio, nos três turnos. Outro local que os acidentes também já se tornaram cenas comuns é na rua Herval d'Oeste, bairro Saguaçu, nas proximidades do Colégio Machado de Assis.
"O desrespeito aqui em frente à escola é comum", afirma Albanesa Eliana Celestino, 45, que tem um filho de 14 anos estudando na escola. "Há alguns meses um carro quase pegou meus meninos na calçada, outro dia um motoqueiro passou em altíssima velocidade no meio das crianças, no horário de saída da escola. O poder público precisa tomar alguma providência", cobra. A diretora da escola, Sandra Calegari, diz que pediram um redutor de velocidade há dois anos, porque os acidentes aqui são constantes", diz.


Escola que adota
projeto tem prioridade

As mães que acompanharam o último acidente no local relatam que quando a polícia realiza blitz no binário, os motoristas cortam caminho pela rua Herval d'Oeste e sempre estão em alta velocidade. "Nós queremos uma atitude preventiva". Ao todo são 530 crianças que estudam nas turmas de jardim ao ensino médio. "A providência precisa ser tomada antes que aconteça um acidente mais grave. A cada freada que eu ouço fico com o coração na mão", relata Albanesa. Conforme o arquiteto do Ippuj, Rogério Gonçalves, a prioridade de ações é para os colégios que já implantaram o Aluno Guia que foi um trabalho organizado pela Comissão para Humanização do Trânsito ainda em 1991.
A comissão que já vai completar 11 anos de existência tem como prioridade a educação para o trânsito. "Temos um tripé composto pela engenharia, educação e fiscalização quando falamos em trânsito", explica o presidente, Osni Piske. Ele comemora que Joinville há muitos anos tem um artigo em sua lei orgânica que determina educação e segurança no trânsito como tema que deve ser discutido nas escolas. (GR)


Mais de 800
são alunos-guias

Osni Piske afirma que 23 escolas hoje fazem parte do projeto aluno-guia, envolvendo quase 800 estudantes. "Eles fiscalizam os momentos de entrada e saída das escolas com o apoio de um policial. Desde que o projeto foi implantado, em frente as escolas que possuem o projeto o índice de acidentes é zero", conta. Piske expõe que o primeiro critério para implantar o projeto é a real necessidade da escola. "Antes precisamos saber se o tráfego ali é intenso e se existe segurança para o aluno trabalhar".
Segundo ele, no final da década de 80, o trânsito causava cerca de 150 óbitos por ano no município. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde de 1999 mostram que o número diminuiu para 95 vítimas, apesar do novo Código Brasileiro de Trânsito ter entrado em vigor antes dessa data. "O problema do trânsito de Joinville é a falta de sinalização, de pistas melhores, de calçadas e meio-fio que ofereçam segurança ao pedestre e, principalmente, a falta de uma ciclovia. Com a construção de uma ciclovia, os acidentes graves causados por ciclistas teriam fim e o trânsito fluiria melhor em algumas vias", afirma.
Na opinião de Piske, é necessário planejamento e mais fiscalização. "Outros exemplos que contribuem para criar problemas no trânsito são as construções que usam a área de passagem dos pedestres e a própria arborização pública que acaba encobrindo placas de sinalização e semáforos", destaca. (GR)


Enquete

O que você acha do trânsito de Joinville?

O trânsito de Joinville flui bem. Eu não vejo nenhum problema grave. Comparado com o da minha cidade de origem, Pelotas, no Rio Grande do Sul, é ótimo.
Hilton Marcelino
, 37 anos, comerciante.

O trânsito desta cidade é lento demais. Quando a gente está com pressa ou tem algum compromisso marcado, geralmente acaba se estressando. É preciso planejar muito bem a saída para não ter problemas. Isso além da quantidade de ruas esburacadas. É uma vergonha.
Ivo Marques
, 34 anos, empresário.

O trânsito de Joinville é complicado. Nos horários em que eu preciso estar na rua para levar os filhos ao colégio e ir para o trabalho, é horrível. Fica tudo parado, principalmente no centro.
Rosangela Paker
, 33 anos, secretária.

O trânsito é lento demais em algumas ruas, e nos momentos de pico, a gente não tem opções de trajetos alternativos para sair do tráfego pesado.
Jacson Taschner
, 25 anos, publicitário.

O trânsito de Joinville é bom. Ele flui bem e a gente não fica amarrada, esperando muito tempo.
Odete Ramos
, 30 anos, publicitária.

O trânsito de Joinville é péssimo. Tem muito semáforo. Não existe nenhuma via rápida, e quando o centro está cheio, não existe saída.
Alexandre da Cunha
, 26 anos, taxista.

O trânsito desta cidade está a cada dia pior. Eu dirijo nos momentos mais tumultuados e posso garantir que não se faz nada para mudar a situação.
Neri Antoniasi
, 51 anos, autônomo.

O trânsito de Joinville está caótico. Tem muito carro e as estradas são insuficientes. Não existe nenhuma via rápida e falta cuidado com as ruas. O asfalto está todo esburacado e os paralelepípedos estão sempre soltos, podendo provocar acidentes. A região Sul é horrível.
Cláudia Oliveira
, 37 anos, enfermeira.


Artigos

Desenvolvimento sustentável

Rogério Novaes

A tendência natural da sociedade moderna passa obrigatoriamente por conceitos de ordenação social, estabelecidos, invariavelmente, em agrupamentos urbanos.
Na busca de melhor qualidade de vida: emprego, saúde, saneamento, educação, moradia, segurança, etc, cria-se uma vocação bastante forte à concentração urbana.
Esse fenômeno, claramente observado nos grandes centros, traz consigo o bônus do processo mas também o ônus. Joinville, o maior pólo regional, não foge à regra. Aqui em nossa cidade é possível constatar grande concentração urbana, mesclando verticalização residencial com forte concentração comercial.
Como conseqüência natural desse processo, justificando a relação bônus/ônus, aquilo que é buscando acaba não sendo inteiramente obtido.
Direcionando esta avaliação à questão do transito urbano, o que se observa é um principio de baixa eficiência do fluxo de veículos nas vias centrais da cidade.
Mesmo considerado hoje como um trânsito de boa qualidade, a tendência de concentração e o forte crescimento preocupa e preocupa muito.
Algumas medidas que vem sendo tomadas são positivas e tem surtido efeito: canaleta exclusiva para circulação de ônibus, sincronização dos semáforos, novas pontes, novas avenidas, etc...
No entanto precisamos de mais. Talvez uma verdadeira revolução de costumes com fortalecimento da descentralização dos serviços públicos e comerciais além da permanente e continuada ação do nosso órgão maior de planejamento urbano.
Nesse sentido, creio, somente a boa técnica aliada à competência e qualidade dos profissionais do setor de planejamento da cidade, suportados em seu desafio por vontade política e apoio popular, irão nos levar a uma Joinville cada dia melhor, fugindo do temido trânsito caótico, comumente observado em cidades como a nossa.

Rogério Novaes é engenheiro e presidente do Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville rogerio@novaes.com.br


Crescimento que não vemos

Julio de Abreu

Quando mudei para Joinville, há 15 anos, minha profissão, arquitetura, me obrigava a ir descobrindo gradativamente a cidade que escolhera para viver, trabalhar e criar raízes. Assim, fui conhecendo sua origem, história, colonização, antigas obras, as mais recentes, obras de grande impacto urbanístico, e vi que, de duas décadas para cá, Joinville recebeu uma de suas maiores obras viárias: a ponte do Trabalhador, hoje uma simples ponte dentro do cenário urbano que usamos diariamente e não nos damos conta do valor urbanístico e desenvolvimentista para grande parte da população.
Em 2 de agosto de 1980, foi entregue esta obra para interligar os bairros Guanabara e Boa Vista, criando uma linha direta Sul-Leste, que eram distantes apesar da proximidade física. Para se chegar ao outro lado do rio, era necessário percorrer dez quilômetros. Encurtou distâncias, promoveu economia de combustível, trouxe comodidade, principalmente aos trabalhadores do distrito industrial do bairro Boa Vista, que ganharam a primeira ciclovia de Joinville e passaram a ir trabalhar de bicicleta. Soube que, na época, foi uma das primeiras obras públicas com o moderno conceito de incluir ciclovia e espaço para os pedestres e ciclistas.
De igual importância para o urbanismo são estas obras atuais que só veremos a importância e necessidade daqui, quem sabe, a 20 anos. Posso citar a própria ponte Mauro Moura, ao lado da ponte do Trabalhador, sobre o rio Bucarein, ligando Guanabara e Bucarein, o eixo de acesso Sul, a Marquês de Olinda, o binário do Iririú, que cortaram a cidade. Seria impensável não termos a Marquês de Olinda. Seguidamente, pego-me pensando, por onde trafegavam tantos carros e caminhões? O mesmo com o binário do Iririú, o próprio Centreventos Cau Hansen, as estações da Cidadania, o surgimento de novos conglomerados urbanos como Dom Gregório Warmeling, João Pessoa Machado e Ulysses Guimarães, que valem um estudo sociológico sobre o surgimentos de novas comunidades, verdadeiras cidades.
Essas grandes obras são marcos de desenvolvimento, urbanismo e prioridade ao cidadão. No caso da ponte Mauro Moura, houve encurtamento de distâncias, economia no transporte coletivo com combustível, diminuiu o desgaste de pneus e veículos, menor trajeto que permitiu a criação de novas linhas de ônibus.
Através do jornal A Notícia, ficamos sabendo que, recentemente, o modelo urbanístico de Joinville foi destaque no seminário Cidades Brasileiras - Desejos e Possibilidades, em Campo Grande (MS). Foi destaque porque foram apresentadas soluções concretas de evolução urbana, atração de investimentos e participação comunitária. Especialistas como o urbanista professor Jorge Wilhein e o emérito doutor Milton Santos acompanharam atentos a exposição. Estamos vivenciando uma Joinville do futuro, com grandes transformações urbanas que só nos daremos conta em décadas.

Julio de Abreu é arquiteto

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Garantia

Poffo informa que empresa pode contornar situação

Abastecimento de
água está sob controle

Diretor da Casan diz que falta de chuva não alarma

Genara Rigotti

O problema da estiagem é, hoje, a principal preocupação do diretor regional da Casan Arcelino Poffo. Com a vazão 10% menor na estação de tratamento do Piraí, a empresa já está redirecionando pelo menos uma pequena quantidade de água produzida pela estação do Cubatão para suprir a diferença de menos 150 litros por segundo. Poffo garante que a falta de chuva ainda não comprometeu o abastecimento e que é possível contornar a situação nos próximos 20 dias, mesmo sem chuva. "Temos a situação sob controle. Ainda não é alarmante", disse. A última estiagem no município foi há 15 anos. Poffo foi o entrevistado dessa semana do programa "X da Questão".
Segundo Poffo, a partir do próximo ano, com o término da nova adutora do Cubatão, não vai existir problema de abastecimento em 100% da área que está dentro da lei, abaixo da cota 40. A vazão menor do Piraí, além de estar influenciando no abastecimento, também diminuiu o faturamento da empresa. "A preocupação é com o abastecimento. O faturamento é apenas um parâmetro", destacou. Diariamente, a Casan monitora os dois rios que abastecem a cidade para saber o nível dos reservatórios.
O diretor da Casan também admitiu que existem condições técnicas para a construção de uma nova estação de captação de água no rio Piraizinho. "Mas, antes, é preciso esgotar a capacidade do Cubatão", acredita. Poffo lembrou, também, que a Casan está investindo R$ 40 mil por mês no projeto SOS Nascentes, que se preocupa com a proteção dos mananciais hídricos do município. "Também estamos preocupados com as áreas agrícolas, que utilizam produtos altamente tóxicos", reforçou.
O nível de fluorização da água que abastece a cidade também foi questionado. Conforme Poffo, o padrão é de 0,7 a 1,0 mas, nos pontos de coleta da água, os índices foram de 0,2 a 1,6. "Sabemos que até 1,4 é aceitável. Estamos com o índice acima, mas o nosso bioquímico já está sabendo do problema e providenciando algumas medidas para reparar o erro. Eu só desconheço detalhes", disse.


Número desconhecido de
ligações à rede de esgoto

No Boa Vista, por exemplo, Poffo acabou admitindo que a água consumida por inúmeras famílias está completamente fora dos padrões. "É possível tratar para o consumo, mas é um processo que exige muito cuidado. Transparência não significa qualidade", advertiu.
Outra polêmica é a cobrança da taxa de esgoto sanitário, que hoje representa 80% do valor da taxa de água cobrada na residência. "Temos 9,7 mil ligações de esgoto disponíveis hoje. A partir dos próximos dias, teremos uma fiscalização para saber quantas estão realmente ligadas, já que é uma responsabilidade do morador fazer a correta ligação à rede", explicou. A Casan não tem idéia de quantas casas estão ligadas à rede de esgoto sanitário. A partir da fiscalização determinada pelo ministério público, esse número será conhecido. Apenas 12% da cidade possuem esgoto sanitário adequado, mas o número de residências que fizeram a ligação corretamente é ainda menor.
"Ao todo, já foram investidos R$ 50 milhões em obras para o esgoto sanitário em Joinville. No início de 2001, mais R$ 25,5 milhões serão investidos na ampliação da rede nos bairros América, Costa e Silva, Santo Antônio, Bom Retiro, Saguaçu, Iririú e Boa Vista", destacou Poffo. Segundo ele, esses bairros foram privilegiados porque fazem parte da bacia hidrográfica da cidade. "Nos bairros mais carentes e distantes, estamos tomando medidas alternativas para solucionar os problemas", argumentou.
Com um faturamento de R$ 36 milhões por ano, muito mais que várias empresas do município, Poffo, apesar de não conhecer a contabilidade, informou que a Casan tem um alto valor de despesas anuais. Ele anunciou a construção de dois reservatórios no Morro do Finder e no Nova Brasília, e, na sua opinião, a Casan continua sendo a concessionária do serviço de abastecimento e saneamento após 2003, quando vence o contrato com Joinville. "É uma fatia muito importante do faturamento da empresa", admite.
O programa "X da Questão" é realizado pela Rede Joinvilense de Jornalismo, composto pelo jornal A Notícia, Rádio Colon AM, Rádio Difusora, Rádio Cultura Jovem Pan, Rádio Floresta Negra e TV Cidade de Joinville. A entrevista com Arcelino Poffo foi ao ar às 15 horas de sábado, veículada no Canal 20 da Net e pelas emissoras de rádio que compõem a rede.(GR)


Amizade através do esporte

Fundado há 28 anos, grupo atua no futebol em Pirabeiraba

Genara Rigotti

O futebol é somente um pretexto para um grupo de amigos se reunir nas tardes de sábado, em Pirabeiraba, tomar cerveja, comer churrasco e conversar. "Nossa finalidade são momentos de lazer. O grau de envolvimento de cada um dos cerca de 35 participantes do grupo é muito bom. Através do futebol construímos excelentes amizades", explica o mais antigo representante do grupo, Arno Gomes dos Santos, de 57 anos.
Há 28 anos, Arno tem praticamente a mesma rotina, todos os sábados. O grupo foi se renovando com o passar do tempo. O primeiro grupo tinha apenas cinco companheiros, dos quais Arno é o único que continua na ativa. "Aquilo foi a semente de uma história baseada na lealdade, parceria e companheirismo". O grupo participou de apenas um campeonato desde 1972, na localidade de Rio Bonito. "O objetivo não é competir", define.
Não há estatutos. "Não adianta colocar regras no papel que, na prática, não funcionam", acredita. "Eu sempre explico para os novos integrantes do grupo que é necessário buscar virtudes nas pessoas e não apenas criticar. São 28 anos com estes valores guiando nossa caminhada, e sempre deu certo".
"Nunca tivemos agressões em campo ou fora dele, porque os companheiros sabem que se fizerem alguma coisa não precisam voltar no final de semana seguinte", explica. Arno acredita que cada um percebe as regras e aceita ou não, sem imposições. "Construímos um time com base sólida. Temos políticos, engenheiros, médicos, funcionários públicos, comerciantes, prestadores de serviço", resume.
O grupo não tem uma diretoria, mas é cobrada uma mensalidade que serve para a compra dos materiais esportivos como as camisetas, meias e bolas para uso comum. As despesas com cerveja, carne, entre outras coisas, também é paga com o dinheiro da mensalidade. "É claro que nós não esquecemos das mulheres. Por ano a gente organiza pelo menos dois jantares de confraternização para a família toda", lembra.
O grupo de amigos atua aos sábados à tarde, em campos de Pirabeiraba.

 
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