Joinville         -          Segunda-feira, 28 de Agosto de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Hakkinen vence
com ultrapassagem histórica

Habilidade e ousadia levam piloto à vitória no GP da Bélgica

A impressionante ultrapassagem de Mika Hakkinen, sobre Michael Schumacher, ontem em Spa-Francorchamps, que lhe garantiu a vitória no GP da Bélgica, já entrou para a história. Na 41ª volta da prova, a três do final, Schumacher liderava com sua Ferrari, enquanto o finlandês da McLaren, em segundo, se aproximava a cada passagem. Na 34ª volta, a diferença entre ambos era de 1,6 segundo, na 35ª caiu para 1,3 e na 36ª chegou 1 segundo. Na 37ª ficou em oito décimos, na 38ª sete décimos e daí até a espetacular manobra de Hakkinen os dois corriam um atrás do outro.
O que se passou ontem em Spa-Francorchamps lembrou muito momentos épicos dessa competição, como a ultrapassagem de Nélson Piquet, com Williams, sobre Ayrton Senna, Lotus, em 1986 na Hungria, ou a de Nigel Mansell, com Ferrari, em Gerhard Berger, McLaren, em 1990, no México. Piquet ganhou a posição de Senna ao vencê-lo por fora na curva 1 do circuito de Budapeste, com a Williams contornando a curva de lado. Mansell deixou Berger para três numa curva de 5ª marcha, a famosa Peraltada, a cerca de 260 km/h, também por fora da trajetória do adversário.
Ontem, Hakkinen inseriu seu nome nesse livro de protagonistas de manobras radicais, ousadas, que reúnem habilidade extrema com coragem. Ultrapassagens que levam a conquistas memoráveis. Piquet venceu na Hungria em 1986, Mansell ficou em segundo no México, em 1990, e Hakkinen, com a vitória de ontem na Bélgica se aproximou ainda mais do tricampeonato mundial.
"Incrível, foi incrível mesmo aquele momento", disse o finlandês. "Aproveitei o vácuo do carro do Ricardo Zonta e acabei ultrapassando Schumacher." O piloto brasileiro da BAR era retardatário. Próximo do fim da reta Kemmel, a maior do longo circuito, Schumacher, o líder, se aproximou. Hakkinen estava a menos de meio segundo do alemão. Zonta ocupava o meio da pista.
Schumacher deslocou a Ferrari para a esquerda enquanto Hakkinen, surpreendentemente, lançou sua veloz McLaren para a direita. As velocidades máximas de cada um desses pilotos, naquele ponto demonstram bem o grau de dificuldadade da manobra. Zonta chegava lá a 308,2 km/h, quanto Schumacher atingia 315,0 km/h e Hakkinen, 321,9 km/h. "Quase não havia espaço para eu passar", recordou Hakkinen. As rodas do lado esquerdo da sua McLaren passaram a milímetros das rodas direitas da BAR de Zonta, ao passo que as direitas de Hakkinen quase tocavam a grama. Ele deu sorte de Zonta não ter lançado sua BAR para a direita, como seria de se esperar, já que Schumacher o ultrapassava pela esquerda e ele desconhecia a presença de Hakkinen.
"Vi no espelho que apenas uma Ferrari se aproximava, não sabia da existência do Hakkinen por ali", comentou Zonta. "De repente me dei conta de um vulto do meu lado e era a sua McLaren; tirei um pouco o pé do acelerador para facilitá-los".
O piloto da McLaren foi muito hábil na visão do brasileiro, melhor testemunha da ultrapassagem. "A preferência da curva do fim da reta, por estar por fora na tomada, era do Schumacher", explicou. Schumacher também falou do lance que decidiu a prova: "Pode ser que mais tarde, quando assistir ao vídeo da prova, eu também ache que se tivesse ultrapassado Zonta pela direita, e não pela esquerda, como fiz, Hakkinen não teria ganho a minha posição".


Previsão de dificuldades

Ontem, Rubinho esteve o tempo todo ausente da competição, que abandonou com pane seca. Nas 20 primeiras voltas manteve-se atrás de Jacques Villeneuve, da BAR, em sétimo. "Poderia ser dois segundos mais rápido que ele por volta, mas como sua velocidade no fim da reta era melhor que a minha, não tive como ultrapassá-lo". Quando Rubinho entrou nos boxes, na 33ª volta, para o segundo pit stop, sua Ferrari se arrastava pela pista, sem gasolina. Se tudo desse certo, ele poderia terminar a prova em quarto ou quinto, segundo seus cálculos, um tanto otimistas.
Com as deficiências que a Ferrari apresentou nas velocidades m·ximas a corrida de Monza tende a ser bem difícil para nós", previu Barrichello, que não sabe a origem da pane seca que o obrigou a abandonar o GP da Bélgica. "Nós não sabemos a origem do problema, se é a aerodinâmica que não está funcionando ou mesmo o motor". Rubinho e Schumacher usaram pela primeira vez a versão 049C do motor V-10 italiano. "Não sei como, mas temos de melhorar nesse aspecto".
Para quem se classificou em quarto no grid, a quase um segundo (906 milésimos) de Mika Hakkinen, o pole position, até que o segundo lugar de Michael Schumacher, ontem em Spa, a apenas um segundo e um décimo do próprio Hakkinen, acabou não sendo um resultado ruim. "Nosso carro não tinha nada a ver com o de sexta-feira e sábado; evoluímos muito, mas ainda não o suficiente", afirmou o alemão.
A ultrapassagem que Hakkinen fez, a três voltas do fim, não poderia ser evitada, segundo o alemão. "Pode ser que eu não tenha feito a melhor escolha ao passar Zonta pelo lado esquerdo, mas n"o fez muita diferença porque Hakkinen me ultrapassaria de qualquer jeito na volta seguinte."
Sobre suas chances no Mundial comentou: "O campeonato permanece aberto, seis pontos entre eu e Hakkinen não é nada, ficou mais difícil, claro, mas continuo confiante", disse.
"Precisamos agora tornar a Ferrari ainda mais veloz para Monza, onde espero repetir o sucesso de 1998." Naquele ano Schumacher venceu e Eddie Irvine, companheiro de equipe, classificou-se em segundo.
Na saída da curva Stavelot, no fim do trecho mais sinuoso do traçado, a velocidade máxima de Schumacher era a penúltima, 176 0 km/h. David Coulthard, o mais veloz ali, 183,2 km/h. Essas diferenças, quando se luta por milésimos de segundo, são absurdamente elevadas.


Classificação final do GP de Hungria

Piloto/País Equipe Tempo

1º Mika Hakkinen (FIN) McLaren 1h28min14s494
2º Michael Schumacher (ALE) Ferrari a 1s103
3º Ralf Schumacher (ALE) Williams a 38s096
4º David Coulthard (GBR) McLaren a 43s280
5º Jenson Button (GBR) Williams a 49s914
6º Heinz-Harald Frentzen (ALE) Jordan a 55s984
7º Jacques Villeneuve (CAN) BAR a 1min12s380
8º Johnny Herbert (GBR) Jaguar a 1min27s808
9º Mika Salo (FIN) Sauber a 1min28s670
10º Eddie Irvine (GBR) Jaguar a 1min31s555
11º Pedro Paulo Diniz (BRA) Sauber a 1min34s123
12º Ricardo Zonta (BRA) BAR a 1 volta
13º Alexander Wurz (AUT) Benetton a 1 volta
14º Marc Genè (ESP) Minardi a 1 volta
15º Jos Verstappen (HOL) Arrows a 1 volta
16º Pedro de la Rosa (ESP) Arrows a 2 voltas
17º Gaston Mazzacane (ARG) Minardi a 2 voltas

Não terminaram Voltas

18º Rubens Barrichello (BRA) Ferrari 32
19º Jean Alesi (FRA) Prost 32
20º Nick Heidfeld (ALE) Prost 12
21º Giancarlo Fisichella (ITA) Benetton 8
22º Jarno Trulli (ITA) Jordan 4

Classificação por pilotos

1. M. Hakkinen (Fin) - 74 pontos
2. M. Schumacher (Ale) - 68 pts
3. D. Coulthard (GBR) - 61 pts
4. R. Barrichello (Bra) - 49 pts
5. R. Schumacher (Ale) - 20 pts
6. G. Fisichella (Ita) - 18 pts
7. J. Villeneuve (Can) - 11 pts
8. J. Button (GBR) - 10 pts
9. H. H. Frentzen (Ale) - 7 pts
10. J. Trulli (Ita) - 6 pts
- Salo (Fin) - 6 pts
12. E. Irvine (GBR) - 3 pts
13. J. Verstappen (Hol) - 2 pts
- P. de la Rosa (Esp) - 2 pts
15. R. Zonta (Bra) - 1 pt

Classificação por equipes

1. McLaren-Mercedes - 125 pontos
2. Ferrari - 117 pts
3. Williams-BMW - 30 pts
4. Benetton-Supertec - 18 pts
5. BAR-Honda - 13 pts
- Jordan-Mugen Honda - 12 pts
7. Sauber-Petronas - 6 pts
8. Arrows-Supertec - 4 pts
9. Jaguar - 3 pts
10. Minardi - 0
11. Prost-Peugeot - 0

Manchetes AN

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Calendário 2000

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  • 7/5 Espanha Catalunha
  • 21/5 Europa Nurburgring
  • 4/6 Mônaco Montecarlo
  • 18/6 Canadá Montreal
  • 2/7 França Magny-Cours
  • 16/7 Áustria A1-Ring
  • 30/7 Alemanha Hockenheim
  • 13/8 Hungria Hungaroring
  • 27/8 Bélgica Spa
  • 10/9 Itália Monza
  • 24/9 EUA Indianápolis
  • 8/10 Japão Suzuka
  • 22/10 Malásia Sepang

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