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ANotícia
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Reggae brasileiro
Cidade Negra mostra, no Big Bowlling, músicas do CD "Enquanto
o Mundo Gira"
Foto:ARQUIVO/AN |
Amizades que
fazem a diferença
Parcerias são
decisivas na concepção do novo disco do Cidade
Negra, que faz show hoje em Joinville
Rubens Herbst
O
reggae brasileiro pode ser dividido, sem problemas, entre antes
e depois do Cidade Negra. Quando ainda tinha Bernardo nos vocais,
no início dos anos 90, o grupo carioca cavou um lugar
para o estilo nas programações radiofônicas
dominadas pela dance music, abrindo espaço para bandas
similares, mas sempre mantendo a liderança. A hegemonia
deve continuar com o lançamento de "Enquanto o Mundo
Gira" (Sony Music), novo álbum da banda e, possivelmente,
o melhor. Algumas canções do CD estarão
no show que o Cidade Negra faz hoje, no Big Bowlling, em Joinville.
Em "Enquanto o Mundo Gira", Toni Garrido, Lazão,
Da Gama e Bino solucionaram o principal problema de seus discos
anteriores: a precariedade do som. As músicas soavam frouxas,
sem pegada, resultando num reggae aguado que pegava fogo mesmo
ao vivo. Dessa vez, a história é diferente. Talvez
a experiência com gente como Lee Perry, Steel Pulse, Sly
& Robbie e Aswad - grandes músicos e feras de estúdio
-, que trabalharam faixas da banda para a coletânea de
remixes "Dubs", lançada no ano passado, tenha
feito o quarteto atentar para uma sonoridade mais encorpada,
ágil e vibrante, trazendo para o CD o que costuma fazer
no palco. Deu certo.
O resultado é ainda mais surpreendente quando sabe-se
que o disco conta com três produtores diferentes. Liminha,
Chico Neves (velho colaborador do Skank) e Paul Ralphes (outro
remixador do Cidade) mexeram com faixas distintas, mas o trabalho
não soa como uma colcha de retalhos, pelo contrário,
há uma unidade que o coloca no nível de qualquer
disco de reggae contemporâneo gravado no exterior. Existe,
sim, uma alternância de estilos, experimentações,
casamentos até agora inéditos na carreira dos cariocas.
É, assim, o disco mais diversificado da banda.
As participações de outros músicos com certeza
contribuíram para esse panorama. "Podes Crer"
abre o disco com guitarras pesadas executadas por Davi Moraes,
para depois navegar nas águas tranqüilas do reggae
tradicional. A escaleta tocada por Ralphes dá o toque
inusitado de "Mandem", enquanto na faixa-título
e em "A Corda" ele manipula a eletrônica para
conseguir excelentes resultados rítmicos. O mesmo pode
ser dito de "Favela", cuja contribuição
de Liminha nos tambores e distorção a tornam forte
candidato a ponto alto do novo show. É tudo o que o Rappa
sonha em fazer e não consegue.
As parcerias também servem para elevar um pouco o nível
das letras, algo que, convenhamos, nunca foi o forte do Cidade
Negra. Dulce Quental colabora em "Cidade Partida",
reggae forte e melodioso (repare na semelhança com o riff
de "D'yer Mak'er", do Led Zeppelin), que traz o pródigo
verso "Não quero mais, amor/ Viver exilado, sem consciência/Meu
coração é de paz/Mas não agüenta
mais violência". Zé Ramalho co-assina "Chamando
o Silêncio", cujo destaque é a guitarra funkeada
de Pedro Sá. As cordas também fazem a diferença
na virulenta "A Voz do Excluído", parceria da
banda com o rapper MV Bill. A poesia metafísica de Jorge
Mautner faz a festa em "Mobatalá", escorada
por um baixo pulsante e entupida de efeitos. É quase brilhante.
Como nem tudo são flores, sobra para Herbert Vianna a
responsabilidade pelo ponto baixo do CD. "Soldado da Paz"
é a típica baladinha que o Paralama compõe
dormindo. Um pouco atrás vem "Cantando na Rua",
uma colaboração com Nelson Motta que emula a bossa
nova e só consegue ser tediosa. Mas é melhor assim.
Já pensou se o Cidade Negra fizesse, do dia para a noite,
um disco perfeito?
O quê: Show da banda Cidade
Negra. Quando: Hoje, por volta
da meia-noite. Onde: Big Bowlling,
rua São Paulo, 185, tel.: (0xx47) 433-1233. Quanto:
R$ 10,00, à venda no local e na Grendelli do Shopping
Muller. Na hora, R$ 15,00.
NO PALCO
Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau, faz uma
homenagem à cidade
Foto: Gilberto Viegas |
Dança é destaque
na
agenda de Joinville e Blumenau
Harmonia Lyra e
Teatro Carlos Gomes abrem espaço para coreografias com
temáticas distintas
Blumenau/Joinville - Um espetáculo temático
ganha o palco do Teatro Carlos Gomes hoje em Blumenau. O programa
da noite inclui 23 coreografias do "Dançando Nossa
Cidade" da Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes. Cada
apresentação terá um tema próprio,
mas todos serão ligados de alguma forma à Blumenau.
O objetivo da Escola é encerrar o ano festejando o sesquicentenário
da cidade.
Em Joinville, o Colégio Santo Antônio promove hoje,
na Sociedade harmonia Lyra, o 4º Espetáculo de Dança.
A professora Márcia Moreira preparou uma apresentação
temática, com base nas comemorações dos
500 anos do Brasil. O evento terá a participação
especial dos grupos In-formação Cia. de Dança
e do Grupo Infantil Santo Antônio. "As coreografias,
embasadas com Música Popular Brasileira, valorizam a temática
do espetáculo que deve retratar a história e evolução
do povo brasileiro", revela Márcia. Além dos
grupos do Colégio Santo Antônio, haverá duas
apresentações com o grupo da Associação
de Moradores do Parque Guarani.
As modalidades apresentadas nas 21 coreografias da noite variam
do moderno à dança de rua, mas os ritmos do frevo,
samba e forró dão predominância para as danças
populares.
O grupo In-formação Cia. de Dança foi formado
recentemente, em agosto desse ano, sendo composto por garotas
de 15 a 20 anos. Já o Grupo Infantil Santo Antônio
de Dança foi criado em 1996 e conquistou o 3º lugar
no evento paralelo do Festival de Dança de Joinville,
com a coreografia "Axé", na modalidade Dança
de Salão, na categoria infantil.
Serviço
O QUÊ: 4º Espetáculo de Dança
do Colégio Santo Antônio. QUANDO: Amanhã,
às 20h. ONDE: Sociedade Harmonia Lyra, rua 15 de
Novembro, 485, tel.: (0xx47) 422-3920. QUANTO: R$ 5,00.
O QUÊ: Dançando Nossa Cidade. QUANDO:
Hoje e amanhã, às 20h30. ONDE: Teatro Carlos
Gomes, rua 15 de Novembro, 1.181, tel.: (0xx47) 326-7166. QUANTO:
Antecipado R$ 5,00; na hora R$ 7,00 estudantes e associados e
R$ 10,00.
Literatura vive noite de
homenagens em Florianópolis
Jantar promovido
pela Academia Catarinense de Letras aponta destaques do ano na
área cultural
Jeferson Ribeiro
Joinville - A Academia Catarinense de Letras (ACL) premia,
hoje, às 20 horas, no Lira Tênis Clube, o melhor
escritor de Santa Catarina no ano 2000, a revelação
da literatura catarinense e a Instituição que mais
apoiou a cultura no Estado. "Queremos desmistificar a idéia
de que a academia se preocupa apenas com a literatura de seus
acadêmicos. Por isso, todo ano é formada uma comissão
com cinco deles, para acompanhar toda produção
literária catarinense e apontar o que há de melhor.
É nossa obrigação premiá-los",
comenta o atual presidente, Paschoal Apóstolo Pitsica.
O troféu Oton D'Eça de melhor escritor desse ano
vai para Enéas Athanásio, pelo livro "Fazer
o Piauí". "Foi uma surpresa para mim que sempre
estive distante da academia e pouco conhecia seus integrantes.
Além disso, é o tipo do prêmio que não
se sabe quando acontecerá, pois não há inscrição
prévia. Somos escolhidos sem nem sermos sondados. Estou
muito orgulhoso da indicação", revela o escritor.
"Agora ele poderá colocar na capa de seus livros
a indicação de melhor escritor catarinense do ano
2000", salienta Apóstolo.
A comissão julgadora foi composta pelos acadêmicos
José Curi, Hoyedo Lins, Lauro Junckes, Evaldo Pauli e
Osvaldo Della Giustina. Além dos três principais
prêmios eles indicam também mais sete destaques.
Ganharam ainda como instituição que mais incentivou
a literatura catarinense a Prefeitura Municipal de Blumenau,
com o trabalho realizado pelo sesquicentenário, e para
revelação do ano foi escolhida Carmem Lima, pelo
livro de memórias "... E o que dizer das magnólias".
A academia tem 40 integrantes e existe desde 1920.
Reconhecimento
As premiações da ACL ao Instituto Blumenau 150
Anos e à Editora Cultura em Movimento, da Fundação
Cultural de Blumenau, reconhecem duas obras em especial, editadas
em comemoração ao sesquicentenário da cidade.
A primeira é "Um Alemão nos Trópicos",
publicação em português/alemão, reproduzindo
dois livros escritos pelo colonizador, Hermann Blumenau, em 1850.
Outra obra de importância histórica e "Fritz
Müller: Reflexões Biográficas", coletânea
de cinco trabalhos científicos sobre o naturalista alemão
que viveu na colônia e se correspondia com Charles Darwin.
O presidente do Instituto Blumenau 150 anos, Ricardo Stodieck,
afirma que o prêmio da ACL é o reconhecimento pelas
obras literárias - foram sete editadas em um ano, com
o selo do Instituto - e também ao conjunto de ações
de resgate histórico de Blumenau, que pautou as comemorações.
O diretor executivo da Editora Cultura em Movimento, Dirceu Bombonati
informa que em um ano e meio de existência, a editora publicou
20 obras de escritores locais, evidenciando a pesquisa e a história
em Blumenau. "Agora vem o reconhecimento do meio acadêmico
e literário, mostrando que estamos no caminho certo."
Serviço
O QUÊ: Premiação 2000 da Academia
Catarinense de Letras. Quando: Hoje, às 20h. Onde: Lira Tênis Clube, rua Tenente
Silveira, 641, Centro, Florianópolis, (0xx48) 225-3500/224-0833
"Linguarudos" nasce para
divulgar cultura de SC
Joinville - Com um projeto muito mais ousado do que aparenta,
a revista cultural, com enfoque principal na literatura catarinense,
"Linguarudos" foi lançada no 5º Encontro
Catarinense de Escritores realizado na semana passada em Joinville.
O número zero enfoca essencialmente o universo literário,
mas o projeto terá uma amplitude muito maior. "Sabemos
que a revista não mostrou toda sua pluralidade e potencial
nessa primeira edição", avalia um dos editores
Joel Gehlen. A proposta é que os 2 mil exemplares iniciais
logo se multipliquem, com a distribuição gratuita
para as bibliotecas públicas estaduais, associados a União
Brasileira de Escritores (UBE/SC) e artistas em geral. "Queremos
atingir o público que lê, que se importa com a literatura
produzida no Estado, que sabemos que existe mas não se
manifesta. Vamos estimular essa manifestação",
explica Joel.
A publicação faz avaliações de obras,
traz entrevistas com escritores catarinenses e crítica
aos conceitos, modismos e à produção artística
estadual. O humor inteligente também está presente,
na ressurreição dos quadrinhos "Escarcéu",
criados cartunista Sandro e o poeta Fernando Karl.
A "Linguarudos" tem por objetivo encontrar os "ratos
de biblioteca" e levar a eles as novidades literárias.
"O trabalho de prospecção inicial não
é nada fácil. Teremos que enviar a revista para
as bibliotecas públicas e contatar os bibliotecários
para que façam a publicação chegar as mãos
dessas pessoas. Vamos enviar junto uma ficha de inscrição
para que eles também recebam a 'Linguarudos' gratuitamente,
além de serem convidados a participar com seus textos",
revela Joel.
Uma das novidades para as próximas edições
deve ser a venda de livros de escritores catarinenses por reembolso
postal. "Ainda é a maneira mais ágil de disseminar
a literatura", aponta Joel. Segundo ele ainda, o número
zero teve o patrocínio do Fundo de Cultura do Município,
pela lei de incentivos fiscais, mas as próximas edições
terão que contar com recursos financeiros de possíveis
anunciantes.
Homenagem
O nome da revista é uma homenagem ao artista plástico
contemporâneo de maior expressão em Santa Catarina
e, ao mesmo tempo, tem uma metáfora muito forte. "Línguas
de fora sempre lembram um ato de rebeldia, ou o desejo de abrir
a boca e falar o que é preciso, gritar a liberdade. Além
de ter tudo a ver com o nosso tema, a linguagem", explica.
Os editores pretendem colocar em todos os números pérolas
de Luiz Henrique Schwanke.
Projeto investe
na formação de leitores
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis - O Instituto Ofícios do Livro
encerrou ontem a sua temporada anual do Café com Livros,
na Livraria Açoriana, no centro da Capital. A sétima
edição da Conversa entre Leitores fechou um projeto
realizado desde a fundação, em abril, com o objetivo
de reunir pessoas interessadas em livros, difundir o gosto pela
leitura e estimular pesquisas sobre o assunto.
Ao contrário das edições anteriores, quando
foram convidados professores, editores e livreiros, o evento
reuniu leitores dispostos a compartilhar seus livros e histórias
preferidos. É a forma que o Ofícios do Livro encontrou
para fechar um ano em que o principal alvo do instituto, os leitores,
ganhou um novo espaço para dividir suas descobertas literárias.
"Conseguimos atingir os nossos principais objetivos",
diz uma das coordenadoras do Ofícios do Livro, Tânia
Piacentini, professora aposentada da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), doutora em educação.
Além do Café com Livros, a organização
teve um de seus projetos, o de formação de uma
biblioteca, adotado e implantado no Centro Cultural Escrava Anastácia,
na comunidade do monte Serrat, no centro de Florianópolis.
Entre 22 de julho, quando foi realizado o terceiro Café
com Livros, até 18 de agosto, o Ofícios do Livro
lançou uma campanha de arrecadação de livros
para o espaço, que iniciou seu atendimento visando o público
infantil da região. Mesmo depois de encerrada a campanha
"oficial", as doações continuam e hoje
já tem mais de 800 exemplares em suas prateleiras.
Montada a biblioteca no Centro Cultural, Tânia Piacentini
e a editora e tradutora Dorothée de Bruchard, duas das
idealizadoras do Ofícios do Livro, começam a pensar
em novos projetos para implantar em 2001. "Estamos pensando
em criar um grupo de pesquisa na área de leitura, onde
uma pessoa possa orientar e fazer a ponte entre o livro e os
leitores", explica Tânia. Muitos dos projetos idealizados
dependem, no entanto, de verbas. "Pretendemos buscar parcerias
para implementá-los", diz Dorothée de Bruchard.
Entre eles, está a publicação de depoimentos
de pessoas que fazem parte da memória editorial em Santa
Catarina, como é o caso do escritor Salim Miguel, que
durante décadas atuou como editor de jornais e revistas
no Estado. A entrevista já está pronta, esperando
apenas recursos para que o livro seja editado. Na área
de ilustração, o escolhido foi Rodrigo de Haro,
que também é pintor e poeta. Lourival da Costa,
proprietário da gráfica Edeme, a mais antiga de
Florianópolis, falará sobre a evolução
dos impressos no Estado.
Há também cursos previstos, coordenados pelos dois
núcleos criados dentro do instituto, o de livro e edição,
coordenado por Dorothée de Bruchard, e o de leitura e
biblioteca, sob responsabilidade de Tânia Piacentini. As
duas organizaram também um sítio na Internet (www.fastlane.com.br/ofíciosdolivro),
onde o leitor internauta pode conhecer a programação
do Ofícios do Livro, bibliografia, e ler os 13 textos
que os colaboradores do Ofícios do Livro - todos voluntários
- publicam semanalmente no jornal AN Capital.
O QUÊ: Conversa entre leitores, dentro do projeto
Café com Livros, organizado pelo Instituto Ofícios
do Livro. QUANDO: Hoje, às 18h30. ONDE:
Livraria Açoriana, rua Trajano, 53, Escadaria do Rosário,
Centro, Florianópolis. QUANTO: entrada gratuita.
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Mudar o mundo
ainda é possível
Professor da UFSC
lança livro sobre participação dos jovens
na sociedade e afirma que ela é fundamental para a democracia
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis - Papo de que jovem é alienado
é coisa ultrapassada. Hoje, os jovens brasileiros têm
um grau de politização muito maior do que seus
pais, criados durante os piores anos da ditadura militar no País,
a partir de 1964. A avaliação é do professor
Paulo Krischke, doutor em Ciência Política pela
Universidade de York, no Canadá, e professor da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC).
Um dos participantes de uma pesquisa feita entre centenas de
jovens nas três capitais do Sul do Brasil, o professor
levantou informações importantes sobre o assunto.
Entre elas, a de que os jovens entre 17 e 25 anos de Florianópolis,
Curitiba e Porto Alegre possuem uma consciência política
que se assemelha, em muito, ao nível dos países
com melhor situação econômica e social na
América do Sul, como Uruguai e Argentina. A outra descoberta
é de que os jovens destas cidades têm uma postura
política mais atuante do que em centros maiores, como
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.
Empenhado em estudar a participação dos jovens
na sociedade, Paulo Krischke organizou os textos de vários
pesquisadores sobre o assunto no livro "Ecologia, Juventude
e Cultura Política", que será lançado
hoje com o selo da Editora da UFSC. O lançamento acontece
num local pouco tradicional, o Café dos Araçás,
na Lagoa da Conceição, um dos cartões postais
de Florianópolis e, ao mesmo, um dos mais ameaçados.
É que o livro aborda uma das questões mais importantes
para quem espera do futuro um mundo melhor para se viver: a ecologia.
"É terrível a devastação do
nosso meio ambiente e há uma grande contradição
entre os índices de qualidade de vida divulgados",
explica Paulo Krischke, citando os dados referentes a Florianópolis.
"É falsa a idéia de que nossa ilha não
tem lixo, por exemplo. Mas, e o lixo que jogamos nos municípios
vizinhos? E o esgoto, a fiscalização dos projetos
imobiliários?", pergunta.
Para solucionar alguns dos problemas relativos à ecologia,
a saída é a mobilização, um instrumento
que aparentemente pode não parecer muito eficaz, mas que,
há longo prazo, pode significar muitos avanços,
avalia o professor. Um caso bastante conhecido foi o do movimento
dos cara pintadas, em 1992, onde milhares de jovens de todo o
País foram às ruas pedir a saída do presidente
Fernando Collor de Mello. As manifestações se proliferavam
nas capitais e nas cidades do interior, à medida em que
a votação que mais tarde aprovaria o impeachment
de Collor ia se aproximando. "A manifestação
não é o único fator de mudanças",
explica Krischke, "mas, com certeza, influencia os políticos
nas suas tomadas de decisões".
Se a juventude já demonstrou várias vezes que está
antenada com os principais assuntos em pauta no mundo, governo
e partidos políticos no Brasil, no entanto, ainda não
acertaram o alvo. "Existem algumas políticas voltadas
para o jovem, mas é uma política tradicional, atrelada
a interesses econômicos e que não contemplam negros,
mulheres, índios", explica.
Resultados
A pesquisa que o professor Paulo Krischke e outros estudiosos
do Laboratório de Comportamento Político estão
fazendo deve terminar na metade do ano 2001, quando será
divulgada e apresentada a partidos políticos para que
se empenhem na elaboração de programas para a juventude.
A mesma pesquisa, concebida pela organização World
Value Survey (Pesquisa Mundial de Valores), está sendo
realizada em vários países do mundo. Na Europa,
o levantamento é feito desde 1968, quando o movimento
de maio de 68 na França trouxe novas idéias, derrubando
os tradicionais de plantão. "Existia uma vontade
de mudar, uma utopia", lembra Krischke.
O mundo acompanhou as transformações do maio de
68. Mas o Brasil já estava mergulhado numa ditadura, iniciada
em 1964, com um golpe militar, que abafou oposicionistas, a imprensa
e expulsou muitos pensadores da época, entre eles o próprio
Paulo Krischke. O professor foi para o Chile em 1970, e quando
o golpe militar de Pinochet derrubou o presidente socialista
Salvador Allende, em 1973, Krischke teve de procurar um segundo
exílio, desta vez no Canadá, onde fez seu doutorado
em Ciência Política.
As lembranças ruins da época motivaram Krischke
a não perder as esperanças. Aos 62 anos e com cinco
filhos, entre eles uma menina de três anos, o professor
acredita que a juventude tem um papel fundamental na construção
da democracia e da consciência ecológica. "Esta
nova geração tem que aprender fazendo. Errar, acertar,
fazer de novo, mas nunca deixar a peteca cair. É isso
que as ditaduras querem, que a peteca caia. Mas temos que experimentar
novas alternativas, buscar as convergências. Na democracia,
existe espaço para todos", diz o professor.
O QUÊ: Lançamento do livro "Ecologia,
Juventude e Ecologia Política", organizado por Paulo
Krischke. Editora da UFSC. QUANDO: Hoje, às 20h.
ONDE: Café dos Araçás, rua Manoel
Severiano de Oliveira, 19 (rua da Igreja da Lagoa), Lagoa da
Conceição, Florianópolis.
Futebol vira vilão na
programação da Globo
Emissora paga caro pela
exclusividade na trasmissão do calendário 2000
Leandro Calixto
TV Press
Transmissões de partidas de futebol costumavam significar
índices expressivos de audiência para as emissoras.
Por isso a Globo não economizou e abriu os cofres para
comprar os direitos de transmissão dos principais torneios
nacionais e internacionais do calendário 2000. Para ter
a exclusividade da Copa João Havellange, por exemplo,
a Globo pagou cerca de R$ 120 milhões. Sem contar outros
torneios como Copa Mercosul, Copa do Brasil, campeonatos regionais
e eliminatórias para Copa do Mundo.
A Globo foi com tanta sede criou uma situação paradoxal:
pagou caro para ter a exclusividade sobre os jogos e provocou
uma "overdose". Justamente o futebol acabou se transformando
numa "pedra no sapato". As partidas vêm sofrendo
derrotas para adversários como "Programa Raul Gil",
no sábado à tarde, e "Domingo Legal",
comandado por Gugu Liberato, no domingo à tarde. Na última
rodada da primeira fase da Copa João Havellange, por exemplo,
enquanto o Gugu manteve 22 pontos de audiência, a partida
entre Palmeiras e Guarani, transmitida para São Paulo,
registrou 21.
Calendário mal-elaborado, número excessivo de partidas
e campanhas irregulares dos times de São Paulo - onde
o Ibope é medido - explicam em parte este fiasco. Como
Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras realizaram
campanhas sofríveis ao longo da primeira fase da Copa
Havellange, houve pouco interesse em acompanhar a competição.
Tanto que no último domingo, temendo uma nova derrota,
a Globo não exibiu futebol para São Paulo. Os dois
únicos jogos que envolviam clubes paulistas eram Ponte
Preta e Grêmio, em Campinas, e São Caetano enfrentando
o Fluminense no Maracanã.
No restante da rede da Globo, houve futebol. Na surpreendente
vitória do São Caetano frente ao Fluminense por
1 a 0, os números do Ibope registraram uma média
superior a 30 pontos no Rio. Esta média comprova que a
audiência divulgada pelo Ibope em São Paulo geralmente
não reflete a do restante do País.
Apesar deste contra-senso, o torcedor anda pouco motivado a assistir
a uma partida. Até mesmo aos jogos da seleção.
Por causa do esdrúxulo calendário do futebol brasileiro,
quase todo dia há uma partida exibida na televisão,
seja em canal aberto, seja em emissora por assinatura. O apresentador
Raul Gil, principal concorrente do futebol nas tardes de sábado,
que não cansa de repetir que "está perdendo
a graça assistir a futebol pela televisão. Estão
transformando grandes clássicos em jogos comuns".
A própria chatice que virou as transmissões é
outro agravante. Tanto na Globo, com Galvão Bueno e sua
turma, quanto na Band, com a equipe de Luciano do Valle, acompanhar
um jogo vira um teste de paciência. Na Globo, Galvão
insiste em ser a principal estrela do espetáculo. Discute
com os comentaristas, costuma "cortar" os repórteres
de campo e ainda tenta jogar a torcida contra um atleta ou um
treinador.
Dança
- Hoje, o Centro de Dança e Pesquisa Flávia Vargas
em parceria com o Shopping Center Americanas, de Joinville, inicia
uma série de apresentações especiais de
natal com a suíte do tradicional balé "O Quebra
Nozes". A entrada é franca e o espetáculo
começa sempre às 20 horas. Na semana que vem, a
apresentação se repete nos dias 7, 8 e 9, na praça
de eventos do shopping. O balé é coreografado em
dois atos e três quadros e tem música de Tchaikovski
e foi criado e Saint Petersburg, em 1892.
Lançamento
- Saul Brandalise Jr. lança na próxima terça-feira,
dia 5, no Paula Ramos Esporte Clube, em Florianópolis,
o livro "O Despertar da Consciência" (Editora
Best Seller). A obra, com prefácio do escritor Lair Ribeiro,
reúne narrativas de acontecimentos marcantes na vida do
empresário nascido em Videira. Ao falar sobre seqüestros,
acidentes e perdas, o autor ensina como vencer obstáculos,
manter o otimismo e o entusiasmo. A arrecadação
dos direitos autorais será repassada integralmente a instituições
carentes.
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