Joinville         -          Sábado, 2 de Dezembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Reggae brasileiro
Cidade Negra mostra, no Big Bowlling, músicas do CD "Enquanto o Mundo Gira"
Foto:ARQUIVO/AN

Amizades que
fazem a diferença

Parcerias são decisivas na concepção do novo disco do Cidade Negra, que faz show hoje em Joinville

Rubens Herbst

O reggae brasileiro pode ser dividido, sem problemas, entre antes e depois do Cidade Negra. Quando ainda tinha Bernardo nos vocais, no início dos anos 90, o grupo carioca cavou um lugar para o estilo nas programações radiofônicas dominadas pela dance music, abrindo espaço para bandas similares, mas sempre mantendo a liderança. A hegemonia deve continuar com o lançamento de "Enquanto o Mundo Gira" (Sony Music), novo álbum da banda e, possivelmente, o melhor. Algumas canções do CD estarão no show que o Cidade Negra faz hoje, no Big Bowlling, em Joinville.
Em "Enquanto o Mundo Gira", Toni Garrido, Lazão, Da Gama e Bino solucionaram o principal problema de seus discos anteriores: a precariedade do som. As músicas soavam frouxas, sem pegada, resultando num reggae aguado que pegava fogo mesmo ao vivo. Dessa vez, a história é diferente. Talvez a experiência com gente como Lee Perry, Steel Pulse, Sly & Robbie e Aswad - grandes músicos e feras de estúdio -, que trabalharam faixas da banda para a coletânea de remixes "Dubs", lançada no ano passado, tenha feito o quarteto atentar para uma sonoridade mais encorpada, ágil e vibrante, trazendo para o CD o que costuma fazer no palco. Deu certo.
O resultado é ainda mais surpreendente quando sabe-se que o disco conta com três produtores diferentes. Liminha, Chico Neves (velho colaborador do Skank) e Paul Ralphes (outro remixador do Cidade) mexeram com faixas distintas, mas o trabalho não soa como uma colcha de retalhos, pelo contrário, há uma unidade que o coloca no nível de qualquer disco de reggae contemporâneo gravado no exterior. Existe, sim, uma alternância de estilos, experimentações, casamentos até agora inéditos na carreira dos cariocas. É, assim, o disco mais diversificado da banda.
As participações de outros músicos com certeza contribuíram para esse panorama. "Podes Crer" abre o disco com guitarras pesadas executadas por Davi Moraes, para depois navegar nas águas tranqüilas do reggae tradicional. A escaleta tocada por Ralphes dá o toque inusitado de "Mandem", enquanto na faixa-título e em "A Corda" ele manipula a eletrônica para conseguir excelentes resultados rítmicos. O mesmo pode ser dito de "Favela", cuja contribuição de Liminha nos tambores e distorção a tornam forte candidato a ponto alto do novo show. É tudo o que o Rappa sonha em fazer e não consegue.
As parcerias também servem para elevar um pouco o nível das letras, algo que, convenhamos, nunca foi o forte do Cidade Negra. Dulce Quental colabora em "Cidade Partida", reggae forte e melodioso (repare na semelhança com o riff de "D'yer Mak'er", do Led Zeppelin), que traz o pródigo verso "Não quero mais, amor/ Viver exilado, sem consciência/Meu coração é de paz/Mas não agüenta mais violência". Zé Ramalho co-assina "Chamando o Silêncio", cujo destaque é a guitarra funkeada de Pedro Sá. As cordas também fazem a diferença na virulenta "A Voz do Excluído", parceria da banda com o rapper MV Bill. A poesia metafísica de Jorge Mautner faz a festa em "Mobatalá", escorada por um baixo pulsante e entupida de efeitos. É quase brilhante.
Como nem tudo são flores, sobra para Herbert Vianna a responsabilidade pelo ponto baixo do CD. "Soldado da Paz" é a típica baladinha que o Paralama compõe dormindo. Um pouco atrás vem "Cantando na Rua", uma colaboração com Nelson Motta que emula a bossa nova e só consegue ser tediosa. Mas é melhor assim. Já pensou se o Cidade Negra fizesse, do dia para a noite, um disco perfeito?

O quê: Show da banda Cidade Negra. Quando: Hoje, por volta da meia-noite. Onde: Big Bowlling, rua São Paulo, 185, tel.: (0xx47) 433-1233. Quanto: R$ 10,00, à venda no local e na Grendelli do Shopping Muller. Na hora, R$ 15,00.


NO PALCO
Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau, faz uma homenagem à cidade
Foto: Gilberto Viegas

Dança é destaque na
agenda de Joinville e Blumenau

Harmonia Lyra e Teatro Carlos Gomes abrem espaço para coreografias com temáticas distintas

Blumenau/Joinville - Um espetáculo temático ganha o palco do Teatro Carlos Gomes hoje em Blumenau. O programa da noite inclui 23 coreografias do "Dançando Nossa Cidade" da Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes. Cada apresentação terá um tema próprio, mas todos serão ligados de alguma forma à Blumenau. O objetivo da Escola é encerrar o ano festejando o sesquicentenário da cidade.
Em Joinville, o Colégio Santo Antônio promove hoje, na Sociedade harmonia Lyra, o 4º Espetáculo de Dança. A professora Márcia Moreira preparou uma apresentação temática, com base nas comemorações dos 500 anos do Brasil. O evento terá a participação especial dos grupos In-formação Cia. de Dança e do Grupo Infantil Santo Antônio. "As coreografias, embasadas com Música Popular Brasileira, valorizam a temática do espetáculo que deve retratar a história e evolução do povo brasileiro", revela Márcia. Além dos grupos do Colégio Santo Antônio, haverá duas apresentações com o grupo da Associação de Moradores do Parque Guarani.
As modalidades apresentadas nas 21 coreografias da noite variam do moderno à dança de rua, mas os ritmos do frevo, samba e forró dão predominância para as danças populares.
O grupo In-formação Cia. de Dança foi formado recentemente, em agosto desse ano, sendo composto por garotas de 15 a 20 anos. Já o Grupo Infantil Santo Antônio de Dança foi criado em 1996 e conquistou o 3º lugar no evento paralelo do Festival de Dança de Joinville, com a coreografia "Axé", na modalidade Dança de Salão, na categoria infantil.

Serviço
O QUÊ
: 4º Espetáculo de Dança do Colégio Santo Antônio. QUANDO: Amanhã, às 20h. ONDE: Sociedade Harmonia Lyra, rua 15 de Novembro, 485, tel.: (0xx47) 422-3920. QUANTO: R$ 5,00.

O QUÊ: Dançando Nossa Cidade. QUANDO: Hoje e amanhã, às 20h30. ONDE: Teatro Carlos Gomes, rua 15 de Novembro, 1.181, tel.: (0xx47) 326-7166. QUANTO: Antecipado R$ 5,00; na hora R$ 7,00 estudantes e associados e R$ 10,00.


Literatura vive noite de
homenagens em Florianópolis

Jantar promovido pela Academia Catarinense de Letras aponta destaques do ano na área cultural

Jeferson Ribeiro

Joinville - A Academia Catarinense de Letras (ACL) premia, hoje, às 20 horas, no Lira Tênis Clube, o melhor escritor de Santa Catarina no ano 2000, a revelação da literatura catarinense e a Instituição que mais apoiou a cultura no Estado. "Queremos desmistificar a idéia de que a academia se preocupa apenas com a literatura de seus acadêmicos. Por isso, todo ano é formada uma comissão com cinco deles, para acompanhar toda produção literária catarinense e apontar o que há de melhor. É nossa obrigação premiá-los", comenta o atual presidente, Paschoal Apóstolo Pitsica.
O troféu Oton D'Eça de melhor escritor desse ano vai para Enéas Athanásio, pelo livro "Fazer o Piauí". "Foi uma surpresa para mim que sempre estive distante da academia e pouco conhecia seus integrantes. Além disso, é o tipo do prêmio que não se sabe quando acontecerá, pois não há inscrição prévia. Somos escolhidos sem nem sermos sondados. Estou muito orgulhoso da indicação", revela o escritor. "Agora ele poderá colocar na capa de seus livros a indicação de melhor escritor catarinense do ano 2000", salienta Apóstolo.
A comissão julgadora foi composta pelos acadêmicos José Curi, Hoyedo Lins, Lauro Junckes, Evaldo Pauli e Osvaldo Della Giustina. Além dos três principais prêmios eles indicam também mais sete destaques. Ganharam ainda como instituição que mais incentivou a literatura catarinense a Prefeitura Municipal de Blumenau, com o trabalho realizado pelo sesquicentenário, e para revelação do ano foi escolhida Carmem Lima, pelo livro de memórias "... E o que dizer das magnólias". A academia tem 40 integrantes e existe desde 1920.

Reconhecimento

As premiações da ACL ao Instituto Blumenau 150 Anos e à Editora Cultura em Movimento, da Fundação Cultural de Blumenau, reconhecem duas obras em especial, editadas em comemoração ao sesquicentenário da cidade. A primeira é "Um Alemão nos Trópicos", publicação em português/alemão, reproduzindo dois livros escritos pelo colonizador, Hermann Blumenau, em 1850. Outra obra de importância histórica e "Fritz Müller: Reflexões Biográficas", coletânea de cinco trabalhos científicos sobre o naturalista alemão que viveu na colônia e se correspondia com Charles Darwin.
O presidente do Instituto Blumenau 150 anos, Ricardo Stodieck, afirma que o prêmio da ACL é o reconhecimento pelas obras literárias - foram sete editadas em um ano, com o selo do Instituto - e também ao conjunto de ações de resgate histórico de Blumenau, que pautou as comemorações. O diretor executivo da Editora Cultura em Movimento, Dirceu Bombonati informa que em um ano e meio de existência, a editora publicou 20 obras de escritores locais, evidenciando a pesquisa e a história em Blumenau. "Agora vem o reconhecimento do meio acadêmico e literário, mostrando que estamos no caminho certo."

Serviço
O QUÊ
: Premiação 2000 da Academia Catarinense de Letras. Quando: Hoje, às 20h. Onde: Lira Tênis Clube, rua Tenente Silveira, 641, Centro, Florianópolis, (0xx48) 225-3500/224-0833


"Linguarudos" nasce para
divulgar cultura de SC

Joinville - Com um projeto muito mais ousado do que aparenta, a revista cultural, com enfoque principal na literatura catarinense, "Linguarudos" foi lançada no 5º Encontro Catarinense de Escritores realizado na semana passada em Joinville. O número zero enfoca essencialmente o universo literário, mas o projeto terá uma amplitude muito maior. "Sabemos que a revista não mostrou toda sua pluralidade e potencial nessa primeira edição", avalia um dos editores Joel Gehlen. A proposta é que os 2 mil exemplares iniciais logo se multipliquem, com a distribuição gratuita para as bibliotecas públicas estaduais, associados a União Brasileira de Escritores (UBE/SC) e artistas em geral. "Queremos atingir o público que lê, que se importa com a literatura produzida no Estado, que sabemos que existe mas não se manifesta. Vamos estimular essa manifestação", explica Joel.
A publicação faz avaliações de obras, traz entrevistas com escritores catarinenses e crítica aos conceitos, modismos e à produção artística estadual. O humor inteligente também está presente, na ressurreição dos quadrinhos "Escarcéu", criados cartunista Sandro e o poeta Fernando Karl.
A "Linguarudos" tem por objetivo encontrar os "ratos de biblioteca" e levar a eles as novidades literárias. "O trabalho de prospecção inicial não é nada fácil. Teremos que enviar a revista para as bibliotecas públicas e contatar os bibliotecários para que façam a publicação chegar as mãos dessas pessoas. Vamos enviar junto uma ficha de inscrição para que eles também recebam a 'Linguarudos' gratuitamente, além de serem convidados a participar com seus textos", revela Joel.
Uma das novidades para as próximas edições deve ser a venda de livros de escritores catarinenses por reembolso postal. "Ainda é a maneira mais ágil de disseminar a literatura", aponta Joel. Segundo ele ainda, o número zero teve o patrocínio do Fundo de Cultura do Município, pela lei de incentivos fiscais, mas as próximas edições terão que contar com recursos financeiros de possíveis anunciantes.

Homenagem

O nome da revista é uma homenagem ao artista plástico contemporâneo de maior expressão em Santa Catarina e, ao mesmo tempo, tem uma metáfora muito forte. "Línguas de fora sempre lembram um ato de rebeldia, ou o desejo de abrir a boca e falar o que é preciso, gritar a liberdade. Além de ter tudo a ver com o nosso tema, a linguagem", explica. Os editores pretendem colocar em todos os números pérolas de Luiz Henrique Schwanke.


Projeto investe
na formação de leitores

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - O Instituto Ofícios do Livro encerrou ontem a sua temporada anual do Café com Livros, na Livraria Açoriana, no centro da Capital. A sétima edição da Conversa entre Leitores fechou um projeto realizado desde a fundação, em abril, com o objetivo de reunir pessoas interessadas em livros, difundir o gosto pela leitura e estimular pesquisas sobre o assunto.
Ao contrário das edições anteriores, quando foram convidados professores, editores e livreiros, o evento reuniu leitores dispostos a compartilhar seus livros e histórias preferidos. É a forma que o Ofícios do Livro encontrou para fechar um ano em que o principal alvo do instituto, os leitores, ganhou um novo espaço para dividir suas descobertas literárias. "Conseguimos atingir os nossos principais objetivos", diz uma das coordenadoras do Ofícios do Livro, Tânia Piacentini, professora aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), doutora em educação.
Além do Café com Livros, a organização teve um de seus projetos, o de formação de uma biblioteca, adotado e implantado no Centro Cultural Escrava Anastácia, na comunidade do monte Serrat, no centro de Florianópolis. Entre 22 de julho, quando foi realizado o terceiro Café com Livros, até 18 de agosto, o Ofícios do Livro lançou uma campanha de arrecadação de livros para o espaço, que iniciou seu atendimento visando o público infantil da região. Mesmo depois de encerrada a campanha "oficial", as doações continuam e hoje já tem mais de 800 exemplares em suas prateleiras.
Montada a biblioteca no Centro Cultural, Tânia Piacentini e a editora e tradutora Dorothée de Bruchard, duas das idealizadoras do Ofícios do Livro, começam a pensar em novos projetos para implantar em 2001. "Estamos pensando em criar um grupo de pesquisa na área de leitura, onde uma pessoa possa orientar e fazer a ponte entre o livro e os leitores", explica Tânia. Muitos dos projetos idealizados dependem, no entanto, de verbas. "Pretendemos buscar parcerias para implementá-los", diz Dorothée de Bruchard.
Entre eles, está a publicação de depoimentos de pessoas que fazem parte da memória editorial em Santa Catarina, como é o caso do escritor Salim Miguel, que durante décadas atuou como editor de jornais e revistas no Estado. A entrevista já está pronta, esperando apenas recursos para que o livro seja editado. Na área de ilustração, o escolhido foi Rodrigo de Haro, que também é pintor e poeta. Lourival da Costa, proprietário da gráfica Edeme, a mais antiga de Florianópolis, falará sobre a evolução dos impressos no Estado.
Há também cursos previstos, coordenados pelos dois núcleos criados dentro do instituto, o de livro e edição, coordenado por Dorothée de Bruchard, e o de leitura e biblioteca, sob responsabilidade de Tânia Piacentini. As duas organizaram também um sítio na Internet (www.fastlane.com.br/ofíciosdolivro), onde o leitor internauta pode conhecer a programação do Ofícios do Livro, bibliografia, e ler os 13 textos que os colaboradores do Ofícios do Livro - todos voluntários - publicam semanalmente no jornal AN Capital.

O QUÊ: Conversa entre leitores, dentro do projeto Café com Livros, organizado pelo Instituto Ofícios do Livro. QUANDO: Hoje, às 18h30. ONDE: Livraria Açoriana, rua Trajano, 53, Escadaria do Rosário, Centro, Florianópolis. QUANTO: entrada gratuita.

Manchetes AN

Das últimas edições de Anexo
01/12 - Teatro experimental atesta criatividade
30/11 - Os vários ritmos de João Bosco
29/11 - Em defesa da boa música
28/11 - Os primeiros movimentos de um sonho
27/11 - Todas as homenagens para Cartola
26/11 - Avidez de consumo causa sofrimentos
25/11 - Feliz encontro de talentos em Blumenau

Leia também

Mudar o mundo
ainda é possível

Professor da UFSC lança livro sobre participação dos jovens na sociedade e afirma que ela é fundamental para a democracia

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - Papo de que jovem é alienado é coisa ultrapassada. Hoje, os jovens brasileiros têm um grau de politização muito maior do que seus pais, criados durante os piores anos da ditadura militar no País, a partir de 1964. A avaliação é do professor Paulo Krischke, doutor em Ciência Política pela Universidade de York, no Canadá, e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Um dos participantes de uma pesquisa feita entre centenas de jovens nas três capitais do Sul do Brasil, o professor levantou informações importantes sobre o assunto. Entre elas, a de que os jovens entre 17 e 25 anos de Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre possuem uma consciência política que se assemelha, em muito, ao nível dos países com melhor situação econômica e social na América do Sul, como Uruguai e Argentina. A outra descoberta é de que os jovens destas cidades têm uma postura política mais atuante do que em centros maiores, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.
Empenhado em estudar a participação dos jovens na sociedade, Paulo Krischke organizou os textos de vários pesquisadores sobre o assunto no livro "Ecologia, Juventude e Cultura Política", que será lançado hoje com o selo da Editora da UFSC. O lançamento acontece num local pouco tradicional, o Café dos Araçás, na Lagoa da Conceição, um dos cartões postais de Florianópolis e, ao mesmo, um dos mais ameaçados. É que o livro aborda uma das questões mais importantes para quem espera do futuro um mundo melhor para se viver: a ecologia. "É terrível a devastação do nosso meio ambiente e há uma grande contradição entre os índices de qualidade de vida divulgados", explica Paulo Krischke, citando os dados referentes a Florianópolis. "É falsa a idéia de que nossa ilha não tem lixo, por exemplo. Mas, e o lixo que jogamos nos municípios vizinhos? E o esgoto, a fiscalização dos projetos imobiliários?", pergunta.
Para solucionar alguns dos problemas relativos à ecologia, a saída é a mobilização, um instrumento que aparentemente pode não parecer muito eficaz, mas que, há longo prazo, pode significar muitos avanços, avalia o professor. Um caso bastante conhecido foi o do movimento dos cara pintadas, em 1992, onde milhares de jovens de todo o País foram às ruas pedir a saída do presidente Fernando Collor de Mello. As manifestações se proliferavam nas capitais e nas cidades do interior, à medida em que a votação que mais tarde aprovaria o impeachment de Collor ia se aproximando. "A manifestação não é o único fator de mudanças", explica Krischke, "mas, com certeza, influencia os políticos nas suas tomadas de decisões".
Se a juventude já demonstrou várias vezes que está antenada com os principais assuntos em pauta no mundo, governo e partidos políticos no Brasil, no entanto, ainda não acertaram o alvo. "Existem algumas políticas voltadas para o jovem, mas é uma política tradicional, atrelada a interesses econômicos e que não contemplam negros, mulheres, índios", explica.

Resultados

A pesquisa que o professor Paulo Krischke e outros estudiosos do Laboratório de Comportamento Político estão fazendo deve terminar na metade do ano 2001, quando será divulgada e apresentada a partidos políticos para que se empenhem na elaboração de programas para a juventude. A mesma pesquisa, concebida pela organização World Value Survey (Pesquisa Mundial de Valores), está sendo realizada em vários países do mundo. Na Europa, o levantamento é feito desde 1968, quando o movimento de maio de 68 na França trouxe novas idéias, derrubando os tradicionais de plantão. "Existia uma vontade de mudar, uma utopia", lembra Krischke.
O mundo acompanhou as transformações do maio de 68. Mas o Brasil já estava mergulhado numa ditadura, iniciada em 1964, com um golpe militar, que abafou oposicionistas, a imprensa e expulsou muitos pensadores da época, entre eles o próprio Paulo Krischke. O professor foi para o Chile em 1970, e quando o golpe militar de Pinochet derrubou o presidente socialista Salvador Allende, em 1973, Krischke teve de procurar um segundo exílio, desta vez no Canadá, onde fez seu doutorado em Ciência Política.
As lembranças ruins da época motivaram Krischke a não perder as esperanças. Aos 62 anos e com cinco filhos, entre eles uma menina de três anos, o professor acredita que a juventude tem um papel fundamental na construção da democracia e da consciência ecológica. "Esta nova geração tem que aprender fazendo. Errar, acertar, fazer de novo, mas nunca deixar a peteca cair. É isso que as ditaduras querem, que a peteca caia. Mas temos que experimentar novas alternativas, buscar as convergências. Na democracia, existe espaço para todos", diz o professor.

O QUÊ: Lançamento do livro "Ecologia, Juventude e Ecologia Política", organizado por Paulo Krischke. Editora da UFSC. QUANDO: Hoje, às 20h. ONDE: Café dos Araçás, rua Manoel Severiano de Oliveira, 19 (rua da Igreja da Lagoa), Lagoa da Conceição, Florianópolis.


Futebol vira vilão na
programação da Globo

Emissora paga caro pela exclusividade na trasmissão do calendário 2000

Leandro Calixto
TV Press

Transmissões de partidas de futebol costumavam significar índices expressivos de audiência para as emissoras. Por isso a Globo não economizou e abriu os cofres para comprar os direitos de transmissão dos principais torneios nacionais e internacionais do calendário 2000. Para ter a exclusividade da Copa João Havellange, por exemplo, a Globo pagou cerca de R$ 120 milhões. Sem contar outros torneios como Copa Mercosul, Copa do Brasil, campeonatos regionais e eliminatórias para Copa do Mundo.
A Globo foi com tanta sede criou uma situação paradoxal: pagou caro para ter a exclusividade sobre os jogos e provocou uma "overdose". Justamente o futebol acabou se transformando numa "pedra no sapato". As partidas vêm sofrendo derrotas para adversários como "Programa Raul Gil", no sábado à tarde, e "Domingo Legal", comandado por Gugu Liberato, no domingo à tarde. Na última rodada da primeira fase da Copa João Havellange, por exemplo, enquanto o Gugu manteve 22 pontos de audiência, a partida entre Palmeiras e Guarani, transmitida para São Paulo, registrou 21.
Calendário mal-elaborado, número excessivo de partidas e campanhas irregulares dos times de São Paulo - onde o Ibope é medido - explicam em parte este fiasco. Como Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras realizaram campanhas sofríveis ao longo da primeira fase da Copa Havellange, houve pouco interesse em acompanhar a competição. Tanto que no último domingo, temendo uma nova derrota, a Globo não exibiu futebol para São Paulo. Os dois únicos jogos que envolviam clubes paulistas eram Ponte Preta e Grêmio, em Campinas, e São Caetano enfrentando o Fluminense no Maracanã.
No restante da rede da Globo, houve futebol. Na surpreendente vitória do São Caetano frente ao Fluminense por 1 a 0, os números do Ibope registraram uma média superior a 30 pontos no Rio. Esta média comprova que a audiência divulgada pelo Ibope em São Paulo geralmente não reflete a do restante do País.
Apesar deste contra-senso, o torcedor anda pouco motivado a assistir a uma partida. Até mesmo aos jogos da seleção. Por causa do esdrúxulo calendário do futebol brasileiro, quase todo dia há uma partida exibida na televisão, seja em canal aberto, seja em emissora por assinatura. O apresentador Raul Gil, principal concorrente do futebol nas tardes de sábado, que não cansa de repetir que "está perdendo a graça assistir a futebol pela televisão. Estão transformando grandes clássicos em jogos comuns".
A própria chatice que virou as transmissões é outro agravante. Tanto na Globo, com Galvão Bueno e sua turma, quanto na Band, com a equipe de Luciano do Valle, acompanhar um jogo vira um teste de paciência. Na Globo, Galvão insiste em ser a principal estrela do espetáculo. Discute com os comentaristas, costuma "cortar" os repórteres de campo e ainda tenta jogar a torcida contra um atleta ou um treinador.


Dança - Hoje, o Centro de Dança e Pesquisa Flávia Vargas em parceria com o Shopping Center Americanas, de Joinville, inicia uma série de apresentações especiais de natal com a suíte do tradicional balé "O Quebra Nozes". A entrada é franca e o espetáculo começa sempre às 20 horas. Na semana que vem, a apresentação se repete nos dias 7, 8 e 9, na praça de eventos do shopping. O balé é coreografado em dois atos e três quadros e tem música de Tchaikovski e foi criado e Saint Petersburg, em 1892.

Lançamento - Saul Brandalise Jr. lança na próxima terça-feira, dia 5, no Paula Ramos Esporte Clube, em Florianópolis, o livro "O Despertar da Consciência" (Editora Best Seller). A obra, com prefácio do escritor Lair Ribeiro, reúne narrativas de acontecimentos marcantes na vida do empresário nascido em Videira. Ao falar sobre seqüestros, acidentes e perdas, o autor ensina como vencer obstáculos, manter o otimismo e o entusiasmo. A arrecadação dos direitos autorais será repassada integralmente a instituições carentes.


 
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