Joinville         -          Sábado, 2 de Dezembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















ILHABELA
Litoral de São Paulo, um dos destinos para quem procura belezas naturais com requinte
Foto: AE Sebastião Moreira

 

Descanso com charme e sofisticação

Pousadas aliam localização privilegiada e bons serviços

Mary Persia de Oliveira
Agência Estado

Ilha do Breu (RJ), São Francisco Xavier (SP), Praia do Forte (BA), São Sebastião (SP), Ouro Preto (MG). Lugares como esses têm riquezas históricas ou belezas naturais imperdíveis e pousadas charmosas que aliam a perfeição do serviço à localização privilegiada, com uma vista que deixa os concorrentes com inveja e um atendimento digno de realeza.
No litoral norte de São Paulo, destacam-se duas pousadas, separadas por apenas 15 minutos de balsa: Pousada Beira da Prainha, na Praia Preta do Centro, em São Sebastião, e Hotel Maison Joly, em Ilhabela. A localização da primeira não seria lá grandes coisas, pois a Praia Preta é uma daquelas que margeiam o centro urbano das cidadezinhas litorâneas, imprópria para banho e com aspecto que deixa a desejar. Mas fica no alto de um morro, oferecendo aos seus 23 apartamentos uma bela vista do canal de São Sebastião e de Ilhabela.
Mais requintado, a 15 minutos mar adentro, em Ilhabela, fica o Hotel Maison Joly. Toalhas felpudas e travesseiros recheados com penas de ganso são uma pequena parte do conforto oferecidos. Localiza-se no alto do Morro do Cantagalo, que fica atrás da Igreja Nossa Senhora d'Ajuda, construída em 1803, e da Praça Professor Alfredo Oliani. O hotel, que não aceita crianças com menos de 12 anos, é um lugar para poucos. Possui apenas 10 apartamentos, que já receberam hóspedes ilustres, como a corte da Suécia, músicos da banda Rolling Stones, artistas e esportistas de sucesso, políticos e empresários daqui e de fora.

INTERIOR DE SP

Distrito de São José dos Campos, no interior de São Paulo, a vila de São Francisco Xavier dista 55 km do centro da cidade. Localizada na Serra da Mantiqueira, a 1.300 metros de altitude, é coberta por mata atlântica e considerada área de proteção ambiental, onde vivem diversas espécies de plantas e animais, como o macaco muriqui (ou monocarvoeiro), símbolo da região. A cerca de 9 km das ruas de asfalto da vila, fica a Pousada Sal da Terra, que tem cinco chalés com lareira e varanda, onde pode-se pendurar uma rede para curtir a paisagem. Os cuidados que oferece ao hóspede são de primeira linha, dos sabonetes naturais e toalhas felpudas à música ambiente do chalé-sede à hora das refeições, geralmente jazz entremeado por música clássica.
Em Joanópolis, também no interior paulista, a dica é uma espécie de spa zen. O Hotel Ponto de Luz fica a 19 km do centro da cidade, entre as curvas das montanhas da região. Na área do hotel, há um rio e algumas quedas d'água para o hóspede relaxar a mente e o corpo. Se ele não conseguir, tudo bem: o forte do local são os serviços zen, como meditações ativa e passiva, palestras e atividades corporais com o auxílio de terapeutas as trilhas pelo meio do mato também ajudam.

Ouro Preto e Praia do Forte

Patrimônio cultural da humanidade, Ouro Preto (MG), distante 90 km de Belo Horizonte, tem muita história para contar e natureza para contemplar. Num casarão do final do século 19, decorado com diversas obras de arte, fica o Solar Nossa Senhora do Rosário. Com 37 apartamentos, fica no centro da cidade, em frente à igreja homônima. Da piscina, na cobertura, tem-se uma vista panorâmica da região, repleta de construções históricas. Com inspirações mineira, francesa e mediterrânea, o restaurante do hotel serve de frutos do mar a javali e feijão tropeiro.
Abençoado pelo verão eterno do Nordeste, o Praia do Forte Resort tem de tudo para o hóspede esquecer o estresse. Situado 80 km ao norte do Estado da Bahia, no município de Mata de São João, é cercado por mais de 12 km de praias e mata atlântica. O EcoResort, "setor ecológico" do hotel, tem quatro piscinas. Para quem gosta de areia, o negócio é curtir a Praia do Forte, com piscinas naturais nas redondezas e boa infra-estrutura. Quando a fome bater, é possível comer na praia um bolinho de peixe ou uma moqueca de lula. (MPO)

OURO PRETO
Conforto para curtir patrimônio cultural da humanidade
Foto: AE Agliberto Lima

 

Montanhas e litoral do Rio

Nas montanhas do Rio de Janeiro, o Solar Fazenda do Cedro, em Itaipava, possui uma área de 80 alqueires cercada pelo verde da mata atlântica. A 30 km da imperial Petrópolis, tem cinco apartamentos e quatro chalés. Conta com um centro hípico, ciclovia, trilhas para caminhada, quadra de vôlei e basquete para os mais ativos, e salão de jogos, jardim de inverno, bistrô com lareira, piscina e sauna, para os mais ociosos. Para matar a fome, a fazenda oferece um menu de inspiração francesa, mas com um toque de comida do interior.
Se a opção é pelo litoral, a Ilha do Breu é uma boa pedida. Fica a 1,5 km (mar adentro) da Praia de Tarituba, distante 37 km ao norte do centro de Parati (RJ). São 12 suítes que acomodam até cinco pessoas e três cabanas para até dez pessoas, todas construídas com pedras, madeira e terra da própria ilha. O clima rústico quase esbarra no conforto: as fontes de energia - gás, vento e luz solar - propõem um banho menos demorado e forçam a escassez de eletroeletrônicos (esqueça a tv). Passeios de barco, mergulhos, esqui, trilhas e uma paisagem deslumbrante entretêm o hóspede. (MPO)

Mais informações

Fones e sites para ficar por dentro das pousadas


RÉPLICA
Museu lembra propriedades dos imigrantes
Fotos: Thomaz Antônio

 

Orleans, um encontro do passado com o presente

Preservação da história se une à modernização da economia

Adriana Oliveira
Especial para A Notícia

Orleans - Localizada a 175 quilômetros de Florianópolis, Orleans é uma típica cidade do interior. Colonizado por imigrantes italianos e encravado num vale verdejante, o município encanta pela arquitetura, pelas paisagens exuberantes e pela hospitalidade de sua gente, manifestada num dos cartões postais, o pórtico de boas-vindas construído em comemoração ao centenário da colonização (1884-1984).
A história de Orleans começa por volta de 1864, quando o Conde D'Eu ganhou como dote, por ter casado com a Princesa Isabel, cerca de 523 milhões de metros quadrados de terra entre o rio Tubarão e o rio Braço do Norte. Na época a região era habitada por índios botocudos.
Vinte anos depois, em 1884 o Conde D'Eu veio conhecer o dote recebido de dom Pedro 2º e resolveu chamar a região de Nova Orleans do Sul. Zeloso, determinou que a colônia fosse construída nas colinas, para evitar o perigo das enchentes. O local foi desmatado e lotes de terra começaram a ser vendidos aos imigrantes italianos que chegavam à Vila de Orleans, que pertencia ao município de Tubarão.
Após os italianos, chegaram alemães, portugueses e poloneses, entre outros. Atraídos pela promessa de terra fértil e abundância do carvão mineral, os imigrantes trouxeram seus costumes, contribuindo para a construção de uma nova nação. Em 1913, Orleans foi emancipada de Tubarão, tornando-se uma das cidades mais importantes do Sul do Estado.

A MESMA PRAÇA

O modo de vida dos colonizadores não foi esquecido com o passar do tempo. A praça localizada bem no centro da cidade ainda é a mesma onde os imigrantes se encontravam. Lugar tranqüilo e inspirador, a pracinha é o ponto de encontro preferido dos jovens. A sombra das centenárias árvores e a brisa mansa que sopra são convites para um descanso nos bancos da pracinha. O chafariz, onde nadam carpas e bagres, lembra aquelas cidades aonde o tempo parece não passar.
No centro também fica outra marca registrada do município, a igreja matriz de Santa Otília. Como a maior parte dos moradores de Orleans é de católicos, a igreja virou palco de diversas atividades religiosas desenvolvidas ao longo do ano pelos fiéis. Com cerca de 30 mil habitantes, o município alia a cultura dos antepassados à tecnologia do presente, através de grandes indústrias, principalmente, do setor de plásticos, que exportam para diversas partes do mundo.

RELIGIÃO NA ROCHA
Nove painéis com motivos bíblicos foram esculpidos pelo artista Zé Diabo no paredão de pedra à margem do rio

Uma aula de
história ao ar livre

Quem passa por Orleans não pode deixar de visitar o Museu ao Ar Livre, uma das principais atrações para quem busca história e cultura. A idéia de construir uma réplica fiel das propriedades rurais dos colonos da região foi do padre João Dall'Alba. Em 1975, após a enchente que devastou o Sul, o padre resolveu arrecadar utensílios domésticos, móveis e objetos pertencentes à história da colonização. O resultado foi o museu, construído numa área de 20 mil metros quadrados.
Os visitantes entram em contato com o passado, através de objetos reais que fizeram parte da história dos colonizadores. Diferente dos livros, onde as gravuras se distanciam da realidade, no museu a história está mais viva do que nunca. O monjolo (peça usada no beneficiamento de cereais) ainda é o mesmo que estava em funcionamento na localidade de Morro da Palha, no começo do século.
A estudante canadense Kathleen Dempsey, 18 anos, está no Brasil participando de um intercâmbio e ficou fascinada com o que viu no museu. "É muito importante que as pessoas não esqueçam de onde vieram", salienta a estudante.
No museu, a capela, o engenho de açúcar ou de farinha, a estrebaria, a olaria e até a cantina de vinho são cópias fiéis das antigas propriedades. Na casa do colono é possível conhecer todos os utensílios e móveis da época. A cozinha é construída na parte externa, exatamente como os colonos costumavam fazer para evitar incêndios. As panelas de ferro são as mesmas utilizadas para preparar os alimentos.
Montada em um porão construído com pedras de granito, a cantina conserva os equipamentos para a produção de vinho, queijo, torresmo e salame. Num outro galpão estão expostos os meios de transporte da época: carroças e cargueiros são os mesmos que no passado eram puxados pelos animais para transportar produtos da serra para a cidade. (AO)

CARTÃO POSTAL
Pórtico dá boas-vindas aos visitantes

Arte onde menos se espera

Em Orleans, a arte pode estar nos lugares menos esperados. Como no paredão de pedra à margem do rio, onde está esculpido um painel com motivos bíblicos que atrai visitantes de todos os lugares. A escultura ao ar livre sobre é obra do artista José Fernandes, o Zé Diabo, como é conhecido na região.
A vontade de realizar a obra surgiu na infância. Quando menino, trabalhou em uma pedreira com o pai e foi entre o corte de uma pedra e outra que surgiu a idéia de deixar o registro de sua arte nas rochas da região. "Passei toda minha infância aqui na beira do rio. Olhava para este paredão e pensava que um dia ainda haveria de deixar minha marca aqui", lembra. Artista habilidoso, o menino cresceu e o tempo não foi capaz de apagar a paixão pelas pedras. De desenhista no colégio a pintor das capelas da região, Zé Diabo foi exercitando sua arte.
Em 1980, Zé Diabo começou a realizar seu desejo. Um projeto ousado permitiu o início das obras do paredão. Durante oito anos, as mãos calejadas do artista entalharam na pedra painéis com motivos bíblicos. "Todos os desenhos foram criados por mim. Eu lia um trecho da Bíblia, imaginava a cena e desenhava no papel", observa Zé Diabo. Em 160 metros quadrados de área esculpida, os painéis mostram desde a criação do homem até os últimos profetas do Antigo Testamento.
Do projeto inicial, que previa 20 painéis, apenas nove foram concluídos. A falta de incentivo e de patrocínio silenciaram as ferramentas do artista. Abandonado por muito tempo, o paredão começa a ser novamente cuidado. O mato que desfigurou os personagens esculpidos com tanto zelo está sendo retirado e o estacionamento foi arrumado.
A arte de Zé Diabo também está registrada nas igrejas. Na capela de São Bom Jesus de Iguape, na localidade de Rio Belo, está a mais recente obra: o painel central com a crucificação, morte e ressurreição de Cristo e o altar da igreja. Detalhista, o artista mostra com orgulho as expressões do rosto de cada um de seus personagens.
Aos 70 anos, o escultor conserva a mesma paixão pela arte. Porém, os anos dedicados à vida artística trouxeram dores, além de alegrias. O ombro do artista já não suporta mais o desgaste que o trabalho de escultor provoca, e por isso pincéis, martelos e formões estão parados. "Agora, quero ensinar minha arte às novas gerações", planeja. (AO)

Por dentro

Fones úteis para quem pretende se alimentar ou pernoitar na cidade

Onde comer
Restaurante Bela Vista: fone (48) 466-0800.
Churrascaria Azulão: fone (48) 466-0006.
Churrascaria Aipim: fone (48) 466-0224.
La Choupana: fone (48) 466-2365.

Onde ficar
Pousada Dona Ignes: fone (48) 466-0272.
Hotel São Francisco: fone (48) 466-0282.

Museu ao Ar Livre
Aberto todos os dias até 19 horas. Ingresso para particulares custa R$ 2,00. Em excursões, o preço é de R$ 1,40 por pessoa. Fone (48) 466-0011.

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Bahia oferece um porto seguro para suas férias

Sol durante o dia, folia à noite, belezas naturais e história são atrações na Costa do Descobrimento

Carol Nascimento
Agência Estado

Porto Seguro - O pedaço de terra em que começa a história do Brasil conserva a beleza natural, com as praias, rios, mangues e recifes que encantaram os portugueses que ali chegaram. Porto Seguro atrai milhares de turistas todos os anos, especialmente no verão, quando o sol brilha mais forte, as areias ficam repletas de gente e as barracas de praia, lotadas de turistas.
Infra-estrutura não falta à cidade, terceiro parque hoteleiro do País, depois de São Paulo e Rio de Janeiro: 27 mil leitos e 900 restaurantes, pizzarias, bares, sorveterias e lanchonetes. Assim é Porto Seguro, cidade localizada no Sul da Bahia, a 707 quilômetros de Salvador, na chamada Costa do Descobrimento.
Durante o dia, os 90 quilômetros de areias e águas salgadas, os rios que vão de encontro com o mar, as piscinas naturais do Recife de Fora e as barracas de praia garantem a diversão do turista. À noite, festas regadas a capeta (bebida típica da cidade) e embaladas a axé tomam conta da Passarela do Álcool, avenida repleta de lojinhas e restaurantes típicos.
No centro histórico e na região ao norte, em Santa Cruz Cabrália, a história do País é contada em cada monumento. Sob sol ou à luz da lua, o que não falta são opções para transformar as férias de quem aporta neste porto seguro em pura alegria. E para descansar, nada melhor que um cochilo numa rede, sob a luz fraca de fim de tarde e com a brisa do mar refrescando o calor de 30 graus.

AXÉ E BARRACAS

Não é à toa que os grandes sucessos da música baiana começam a tocar em Porto Seguro e só depois estouram nas rádios, bares e danceterias da Bahia e do Brasil. A cidade é festa o dia todo, todos os dias. Não há trégua para a preguiça. Nas barracas de praia - que estão longe de serem simples barracas de praia devido ao enorme espaço físico e infra-estrutura -, o que se vê é gente dançando, seja de dia ou de noite, ao som dos novos sucessos do axé.
No palco, ao lado das bandas ou ao som de música mecânica, bailarinos ensinam as novas danças do verão. No chão, turistas se balançam tentando entrar em sincronia com os bailarinos, os nativos e com o ritmo do axé. É preciso ter sangue baiano, ou muita inspiração, para não se perder entre braços que rodam, pernas que tremem, quadris que circulam sobre o nem sempre firme apoio dos pés.

PASSARELA DO ÁLCOOL

Apesar de ser o forte da cidade, não é só axé o que se ouve em Porto Seguro. A partir das 17 horas começa a agitação na Avenida Portugal, há mais de 20 anos conhecida como Passarela do Álcool por concentrar bares, restaurante e barracas de bebidas decoradas com frutas tropicais, que vendem o tão conhecido capeta, bebida mais pedida na região e que ajuda a levantar o ânimo dos turistas.
Nos bares e restaurantes da Passarela do Álcool, o que se escuta é muita MPB. Em alguns locais é possível comer uma boa moqueca ao som de voz e violão. O cardápio vai desde comidas típicas à cozinha internacional. Em meio aos restaurantes e barracas de bebidas, camelôs, boutiques e lojas de artesanato vendem roupas, bolsas, redes e lembranças da cidade. O que chama a atenção não é apenas o comércio e a comida, mas a charmosa arquitetura: casinhas coloniais e coloridas enfeitam toda a avenida numa profusão de cores e sabores.

Um museu a céu aberto

A cidade de Porto Seguro e seus arredores compõem um museu muito diferente, natural, ao ar livre, a céu aberto. A coleção de obras-primas é composta por acidentes geográficos, núcleos urbanos, fauna, flora, dispostos em galerias naturais: praias, vales e trilhas ao longo de 78 quilômetros de costa, que vai desde Prado até Santa Cruz Cabrália, composta por cinco áreas principais: Foz do Rio Caí, Parque Nacional do Monte Pascoal, Quadrilátero do Parque, Porto Seguro e Coroa Vermelha.
Antiga Vila de Nossa Senhora da Pena, a cidade alta foi fundada em 1535 como sede da Capitania Hereditária de Porto Seguro. Hoje, as ruínas e os principais monumentos falam de diferentes tempos da história. Foi ali que se estabeleceu um dos primeiros povoados do país.
Entrando na cidade pela Praça da Misericórdia, está a Igreja da Misericórdia, construída em 1526, considerada a mais antiga do País. A decoração interior é simples e rústica. Seguindo em direção à Praça Pero Campos de Tourinho, ao longe avista-se as construções coloniais e o Marco do Descobrimento (ou de Posse), com o litoral azul de Porto Seguro como pano de fundo, porque a cidade encontra-se no alto de um morro. Na praça estão a Matriz Nossa Senhora da Pena e a Antiga Casa de Câmara e a Cadeia.
A igreja guarda em seu interior imagens sacras dos séculos 16 e 17, destacando-se a de São Francisco de Assis, de 1503, a mais antiga do país. A Casa de Câmara e Cadeia, com suas grades de ferro e pau-brasil, hoje abriga o Museu da Cidade. Construída pelos jesuítas em 1772, era temida em toda Bahia, pois conta-se que quem entrava ali não saía vivo. (CN)

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Entre falésias, recifes e piscinas naturais

Estradas pouco cuidadas até as melhores paisagens

Porto Seguro - Passar minutos, ou até horas, numa estrada mal-cuidada de terra, sacudindo dentro de um carro não parece ser a melhor forma de passar as férias, mas os fins justificam os meios. Na reta final, a beleza das falésias, as piscinas naturais formadas pelos recifes de corais, a areia clara, o mar azul e o céu turquesa preenchem e dominam os pensamentos.
Enfrentar estradas de terra é a única alternativa para conhecer as verdadeiras belezas da Costa do Descobrimento e, arriscando ir um pouco mais além, da Costa das Baleias. As praias da cidade são animadas, mas já não conservam o encanto e beleza paradisíaca de praias como as de Trancoso, Cumuruxatiba ou Caraíva, ao sul de Porto Seguro, conhecidas por serem reduto de naturalistas e artistas famosos.
Ao norte está a cidade histórica de Santa Cruz Cabrália e a praia de Coroa Vermelha, onde foi realizada a primeira missa do Brasil, que também guardam muito do seu encanto. Seguindo em direção à cidade de Prado, ao sul de Porto Seguro, começa o verdadeiro show de beleza. O que se vê em quase todo litoral são coqueiros na areia e recifes de corais no mar, que na maré baixa formam piscinas naturais.
Nesta direção, as primeiras praias são as de Arraial D'Ajuda, onde está o maior parque aquático ecológico da América do Sul, o Paradise Water Park. Em seguida, após um percurso pela estrada de terra, chega-se a Trancoso. Na Praia do Rio da Barra, antes ainda das praias badaladas de Trancoso - Praia de Nativos e de Coqueiros -, o turista pode descansar à vontade. A região é um dos locais de desova de tartarugas. É na praia da Pedra Grande, cerca de 3 km ao sul do platô onde se encontra o distrito, que está a área onde alguns adeptos do nudismo se encontram para realmente ficar à vontade.

MERGULHO

Navegar pelas águas de Porto Seguro é um passeio imperdível. Além de descansar a bordo de uma escuna ou lancha é uma oportunidade única de entrar em contato direto com a fauna marinha da região - o mergulho é a maior atração. Navegando pelo rio Tiba, ao longo da ilha de corais que separa o rio do mar, a 16 km da costa, chega-se a Coroa Alta, uma mistura de banco de areia com belos corais.
Com a maré baixa, piscinas naturais formadas entre os corais servem de campo de estudo para mergulhadores iniciantes e profissionais. Se a preferência é pela terra firme, pode-se caminhar pelo banco de areia, formado no decorrer de milhões de anos a partir de detritos marinhos. O mais procurado e também o mais bonito é o passeio ao Parque Marinho de Recife de Fora, o terceiro maior do País. (CN)

Noite para
todos os gostos

Isolada na Ilha Pacuio, no rio Buranhém, a Capitania dos Peixes é a mais nova atração noturna da cidade, com danceteria, bares e restaurantes, como o sushi bar, a creperia e a choperia. Para chegar à Capitania dos Peixes é preciso pegar uma escuna, que sai da Cia. do Mar. Chegando à ilha, um caminho de pedras, rodeado por coqueiros, leva os visitantes aos aquários de água salgada - o maior deles tem 220 mil litros de água - que abrigam espécies marinhas, como tubarões.
Passando a balsa e caindo em Arraial D'Ajuda ou Trancoso, a noite também é promissora. Em Arraial, a diversão noturna fica por conta dos bares e luaus no Wind Point Parracho e Platô. No calçadão da Bróduei, local mais movimentado do vilarejo e onde circulam pessoas de todas as tribos, ficam concentrados bares, restaurantes e lojas de suvenires. Ainda em Arraial, o pop e o rock do Café da Mata, uma boate ao ar livre, que já recebeu nomes como Lobão e Luís Melodia, e o house e o dancing do Gringo Loco agitam a noite local.
Em Trancoso, próximo à praça do Quadrado Histórico, fica o Pára-Raio, uma das casas noturnas mais conhecidas do município. Ainda nesta região, um pouco antes de cair noite, é possível assistir todas as segundas, quartas e sextas-feiras a roda de capoeira na Casa da Cultura, uma escola local de circo, teatro e capoeira. No Loucos Opões, tem xote nas quartas-feiras, reggae nas quintas e forró nas sextas. Para comer, serve grelhados, sushis, sashimis e lanches. A maior parte das casas de show só funciona no verão. (CN)

Praias parecem até o paraíso

Quem pretende se aventurar além dos limites de Trancoso deve alugar um carro e escolher o destino. Depois, o melhor se preparar para pernoitar em alguma pousada no caminho: após enfrentar um estrada de terra e passar o dia debaixo do sol quente, dirigir de volta será a última opção a ser cogitada.
Entre tantas praias paradisíacas, algumas destacam-se no roteiro: Caraíva, Barra do Caí, Cumuruxatiba, Tororão e Guaratiba. Em Caraíva não há energia elétrica e o vilarejo é habitado por descendentes da tribo dos índios pataxó e turistas, que resolveram armar moradia no lugar.
Em meio à simplicidade do local, pode-se imaginar a beleza e conservação das praias da região. Foi na Barra do Caí, onde o Rio Caí se encontra com o mar, que chegaram os portugueses. Não encontrando um lugar propício para atracar, seguiram mais para o norte.

TAPETE VERDE

Cumuruxatiba é uma praia com maior infra-estrutura, mas que conserva as suas praias e ainda fica no meio do caminho entre Caraíva e Tororão. A 33 km de Prado, fica no maior e mais procurado povoado do município. O Tororão destaca-se pela quantidade de recifes na beira da praia, muitos recobertos por um tapete verde
formando piscinas naturais.
A praia de Guatatiba destaca-se pela infra-estrutura. Localizada dentro do condomínio Praia de Guaratiba, possui barracas de praia bem organizadas, dispostas ao longo do litoral. Para entrar, basta identificar-se. O ideal é hospedar-se cerca de 3 a 4 dias em Prado, Cumuruxatiba ou Alcobaça e conhecer aos poucos a região. Depois disso, seguir viagem pela estrada de terra torna-se a tarefa mais fácil. Difícil é querer ir embora. (CN)

 
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