Joinville         -          Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















VALE DO VINHO

Além de enfeitar a paisagem, os parreirais garantem a uva e o vinho para o paladar dos visitantes que passam pela região: turismo apoiado nas potencialidades naturais
Foto: Arquivo AN

No meio do caminho
tinha um parreiral

E também parques, lagos, grutas, cachoeiras e outras atrações que o Vale do Rio do Peixe valoriza na rota dos turistas do Mercosul

ADILSON RODYCZ

Os municípios do Vale do Rio do Peixe estão buscando alternativas para explorar o turismo, como forma de incrementar a economia. A região está na rota de turistas que se deslocam de países vizinhos para as praias catarinenses, vindos principalmente da Argentina e Paraguai. O potencial é caracterizado a partir do aproveitamento dos recursos naturais e construídos. Já estão sendo desenvolvidos circuitos integrados de ecoturismo, ferroviário e manifestações culturais, além das tradicionais águas termais e eventos.
Os atrativos são variados, como parques florestais, cachoeiras, lagos e grutas no interior dos municípios e museus, grupos folclóricos, artesanato, escultura, águas termais, feiras e festas tradicionais. Em termos de equipamentos e serviços turísticos, a região dispõe de boa infra-estrutura. O acesso à região é feito através de três aeroportos (Caçador, Joaçaba e Videira), duas rodovias federais e seis estaduais. A área também é cortada por uma ferrovia, que deverá ser reformada para passeios turísticos.
Potencial
Brasil.com atrai interesse de investidores: Crescimento do mercado da Internet no País faz com que grandes grupos invistam capital no setor  AN_Informática 
Entre as alternativas que vêm sendo exploradas está o turismo rural e ecológico, aproveitando as potencialidades naturais e o diferencial da cultura e gastronomia típicas de países como Itália, Áustria e Alemanha. No município de Tangará, por exemplo, que tem sua base econômica ligada ao setor rural e à indústria vinícola, a idéia vem despertando interesse, e cantinas já oferecem um serviço que tem atraído dezenas de excursões, algumas com interesse comercial e outras para conhecer o segredo da fabricação dos bons vinhos.

Degustação na cantina

É o caso da Vinícola Panceri, localizada na Linha Leãozinho, inserida no projeto Vale do Vinho, que vem se destacando pelo número de visitantes que recebe, em função da qualidade dos seus produtos. Os turistas são recepcionados com uma explanação do negócio e em seguida visitam as instalações da cantina, conhecem o processo de fabricação dos vinhos e depois podem degustar os produtos. A iniciativa valeu o prêmio "Talento Empreendedor", além de ser a mais distingüida nos concursos estaduais de vinhos.
"O sucesso empresarial não consiste apenas em habilidades específicas como contabilidade e marketing. É essencialmente importante que se tenha espírito empreendedor", resumiu um dos diretores, Celso Panceri. Esse diferencial é que tem atraído as pessoas para a conhecerem o local, somado à beleza dos vinhedos, entre vales e montanhas de vegetação exuberantes.
Neste pequeno paraíso, onde a uva e o vinho estabelecem uma perfeita harmonia com a natureza, uma diversificada e saborosa gastronomia típica pode ser degustada junto ao fogão a lenha, nas casas e até mesmo na cantina. São aspectos da mais pura cultura italiana que a família Panceri oferece aos visitantes. O segredo da qualidade dos produtos é o amor e o carinho que eles colocam no processo de fabricação, aliado à tecnologia e os costumes das cantinas italianas.
"O vinho tem que ser feito com amor, esmero e profissionalismo", explica Celso. O sucesso dos vinhos também em outras cantinas está se tornando uma das principais atrações de Tangará, que descobriu na exploração do setor turístico uma das mais autênticas e eficazes ações para o desenvolvimento sócio-econômico da região. A Vinícola Panceri se espelhou no exemplo do Vale dos Vinhedos, do município gaúcho de Bento Gonçalves, onde o visitante é recebido com exposição de vídeos, elaboração dos vinhos. Sempre acompanhado de saborosa gastronomia e visita aos parreirais.
A história da família Panceri e sua caminhada no cultivo da vinha tem suas origens em Lombardia, norte da Itália. Em 1884, com a imigração de Giuseppe Panceri para o Rio Grande do Sul, a tradição familiar da vitivinicultura renascia, só que em terras brasileiras. A tradição, transmitida de geração a geração, chegou ao interior de Tangará, onde os Panceri se estabeleceram e plantaram seus vinhedos, tirando proveito da terra fértil e do clima ideal para a prática dessa cultura.

EM TANGARÁ
Municípios já desenvolvem circuitos integrados de turismo, sem descuidar das crianças
Foto: Divulgação

Fique por dentro

Onde dormir

O município de Tangará não dispõe de empreendimentos hoteleiros, por isso a opção de pernoite é Treze Tílias ou Joaçaba.

Em Treze Tílias

  • Alpenrose Hotel: Rua Ministro João Cleophas
    fone (0XX49)537-0273
  • Hotel Tirol: Rua São Vicente de Paulo
    fone (0XX49)537-0125
  • Hotel Dreizehnlinden: Rua Leoberto Leal
    fone (0XX49)537-0297
    Diárias entre R$ 36,00 e R$ 80,00 para um casal

Em Joaçaba

  • Hotel Jaraguá: Rua 7 de Setembro, 113
    fone (0XX49)522-3244
  • Hotel do Comércio: Rua 7 de Setembro, 183
    fone (0XX49)522-2211
  • Link Hotel: Avenida 15 de Novembro, 373
    fone (0XX49)522-1161
    Diárias entre R$ 30,00 e R$ 70,00 para um casal


Como viajar para fora do
País sem complicações

Duas entidades oferecem dicas para turistas mais jovens

São Paulo - Como ainda é tempo de férias, o Student Travel Bureau (STB) e a Federatioof International Youth Travel Organizatio(FIYTO), uma organização dinamarquesa que promove turismo juvenil, selecionaram algumas dicas e orientações importantes para quem pensa em viajar para o exterior.
Está certo que a temporada de férias já se avizinha do final para a maior parte dos estudantes, mas sempre restará a expectativa do período de descanso na metade do ano ou o planejamento para a próxima temporada de verão.
A principal das dicas é bem simples: pesquisar como são as pessoas do lugar a ser visitado, quais seus costumes e descobrir as palavras que não significam a mesma coisa em outros países. Certa vez, um empresário brasileiro, que mora em Barcelona, pediu a sua secretária portuguesa para comprar um rolo de durex. A secretária ficou muito envergonhada e disse a seu chefe que não sabia onde comprar durex em rolo, que nunca tinha visto isso e se ele não ficasse chateado, ela preferiria não ter de ir comprar este tipo de durex na Sexy Shop. Foi assim, que o empresário descobriu que durex, tanto em Portugal como na Espanha, significa preservativo e não fita gomada.
Crise no campo
Falta de dinheiro reduz comércio e ameaça tornar inviável a administração de municípios de menor porte  AN_Economia 
Antes de embarcar, é importante ler tudo sobre os destinos que vai visitar, especialmente sobre costumes, saúde, leis e riscos. Deixe em casa todos os detalhes possíveis sobre o seu roteiro, para o caso de você precisar ser encontrado com urgência. Outro cuidado importante é com relação à saúde: leve sempre um seguro-médico com validade internacional e tenha a certeza de que você está com todos os documentos em ordem antes de partir. Consulte seu médico sobre quesitos de saúde e providencie com antecedência todas as vacinas necessárias.

Orientações úteis

Leve artigos de primeiros-socorros e os remédios que está acostumado a usar.

Não ande com muito dinheiro ou objetos de valor; utilize sempre um moneyport, que é colocado entre a calça e o estômago. Sempre que possível, utilize os cofres dos hotéis.

Sua bagagem deve estar sempre ao seu alcance. Não a deixe por um segundo sequer fora de seu controle e não peça para outras pessoas tomarem conta dela, pois além de ser arriscado, ninguém gosta de fazer isto.

Tenha sempre a certeza de onde você vai se hospedar no dia da chegada, principalmente se for chegar à noite. Nos aeroportos, estações de trem, navio ou metrô, evite estranhos que se aproximam lhe oferecendo facilidades em serviços duvidosos.

Leve consigo cartões de telefone que possibilitem fazer ligações internacionais. Eles serão importantíssimos em situações de emergência.

Não peça carona, principalmente se estiver sozinho. Antes de se aventurar no que pode ser uma enrascada, peça conselhos apenas nos escritórios de turismo local.

Não ande sozinho à noite em locais desconhecidos. Descubra quais são os locais apropriados para você passear.

Não utilize e não permita que o façam portar drogas.

Cuidado para não ser contaminado pelo vírus da Aids, ou qualquer outra doença sexualmente transmissível. Usar preservativos é a melhor proteção.

De preferência, não consuma bebidas alcoólicas. Esteja ciente que o abuso da bebida alcoólica pode afetar o seu julgamento e mesmo causar algum mal.

Procure estar o mais próximo possível do motorista ou do cobrador quando estiver em transporte público.

Se estiver viajando de carro, quando estacioná-lo não deixe malas ou objetos de valor visíveis.

Seja pontual nos compromissos assumidos, tais como jantares cinema, teatros, pois um atraso é recebido como desrespeito à pessoa que ficou esperando.

Procure trocar seus traveller's check (cheques de viagem) ou dinheiro em uma das agências do Banco do Brasil existentes na maioria das grandes cidades do mundo - a taxa normalmente é a melhor.

Certamente todas as pessoas querem preservar as belezas naturais e culturais do mundo; sendo assim, não deixe lixo atrás de você e também não leve qualquer coisa que é considerada uma parte integrante do meio ambiente.

Aprenda tanto quanto puder o idioma local, pois uma melhor comunicação é de grande importância para um relacionamento mais caloroso. Esforce-se para compreender o comportamento das pessoas locais, como seu jeito de vestir ou sua religião (por exemplo: não se esqueça de tirar seus sapatos quando entrar em um templo e não se vista de maneira que possa ofender os costumes locais). Saiba que para algumas culturas, tirar uma simples fotografia é um tabu.

Saiba mais

Unidades do STB na região Sul do Brasil

  • Blumenau
    Alameda Duque de Caxias, 20, 2º andar, fone (0XX47)326-3500
  • Florianópolis
    Avenida Rio Branco, 740, sala 2, fone (0XX48)223-0339
  • Curitiba
    Rua Angelo Sampaio, 1762, fone (0XX41)233-0981
  • Porto Alegre
    Rua Quintino Bocaiúva, 267, fone (0XX51)346-2774

Mais informações


BOA DE NAMORO
Barcos, gôndolas e restaurantes a céu aberto fazem de Veneza um dos destinos mais sonhados para lua-de-mel
Foto: AFP

Itália, para os
olhos e o paladar

Encantos vão das belezas históricas até o aroma e o sabor de uma das cozinhas mais famosas do planeta

São Paulo - A Itália é um país de muitos atrativos para qualquer tipo de turista. Desde os aficcionados por moda até o mais crítico apreciador de boa comida e bom vinho. Isso sem contar a simpatia do povo italiano, que acaba proporcionando uma viagem agradável, divertida e cheia de boas recordações.
No mapa, a Itália se parece com uma bota, o que a torna extremamente visível. Para os amantes, não há lugar melhor para curtir uma longa lua-de-mel do que em Veneza, com o charme das gôndolas e dos restaurantes a céu aberto. E é no Veneto que a aventura tem início.
É ali que fica a mais agitada estação de neve, que recebe pessoas do mundo inteiro durante o inverno italiano. Outras regiões para a prática do esporte podem ser a Toscana, Abruzzi, Piemonte, Lombardia e Trentino Alto Adige. Nesses locais, bons hotéis recebem turistas com atendimento cinco estrelas. As agências de viagens recomendam excelentes pacotes, incluindo outras cidades.
Na verdade, vale a pena preparar um roteiro que inclua todas as regiões italianas para conhecer a pujança do Norte e a simpatia do Sul. Acompanhar sem pressa seus costumes, seus hábitos e sua cultura. E desfrutrar de sua gastronomia, uma das mais famosas do planeta.

BOA DE MESA

A culinária, aliás, é um atrativo à parte, à base de massas com molhos tão saborosos quanto simples, como o da receita no quadro abaixo.
E se comer bem é a pedida, não dá para deixar Roma fora do roteiro. Come-se muito bem na capital italiana, que ainda tem a virtude de reunir alternativas da cozinha de todo o país. Mas vale um alerta para quem chega: desconfie de restaurantes vazios. Os italianos são apreciadores de boa mesa e sempre lotam os melhores estabelecimentos.
E a variedade de espaços gastronômicos é tamanha que outras cozinhas já fazem parte do cardápio italiano, como a chinesa, a japonesa, a indiana e a árabe.
Outra curiosidade: não espere encontrar nas pizzarias italianas as mesmas opções disponíveis nas cidades brasileiras. Apesar de os italianos serem os "pais" da pizza, a variedade encontrada no Brasil é criação dos próprios brasileiros.

BOA DE ARTE

À parte o roteiro gastronômico, convém reservar bastante tempo para apreciar as intermináveis belezas históricas da Itália. Não pode faltar neste trajeto a cidade de Florença, considerada o berço do Renascimento. A cidade teve seu apogeu nos séculos 15 e 16 e abrigou figuras culminantes das artes e da literatura, como Dante Alighieri, Michelangelo, Leonardo Da Vinci e Sandro Botticelli. Uma das recomendações é visitar a praça Michelangelo, onde, além de contemplar réplicas do escultor, pode-se ver um panorama espetacular de toda a cidade, com destaque para a cúpula da Igreja Santa Maria del Fiore.
O Museu Arqueológico também é programa obrigatório para os apreciadores de artes. Ele é rico em esculturas gregas e etruscas. Já na Galeria da Academia encontra-se uma das mais expressivas esculturas de Michelangelo, o famoso "David".

BOA DE HISTÓRIA
Berço do Renascimento, Florença ainda preserva belezas dos séculos 15 e 16, quando viveu seu apogeu com Dante
Foto: Reprodução

Vinho e alegria
na barroca Lecce

A cidade mais barroca da Itália é Lecce, localizada na Puglia, marcada pelo mapa como o salto da "bota". Lecce é uma das principais cidades desta região pouco conhecida no Brasil. É a mais sofisticada e célebre não apenas pela arquitetura barroca, mas também pelos habitantes de espírito vivo e alegre.
No que diz respeito à cultura, a cidade também não deixa a desejar. A universidade de Lecce, por exemplo, é muito conceituada por suas faculdades de direto, história e economia. Muitas colunas e balcões, onde estão habilmente esculpidas personagens imaginárias, marcam a arquitetura de Lecce.
Pelo centro histórico, vale uma visita à animada Piazza Santo Oronzo. Muitas igrejas também devem ser observadas com atenção. A riqueza de detalhes barrocos encantam os visitantes. Comer em Lecce também é uma boa opção. O turista deve-se preparar para uma verdadeira festa. Além dos pratos típicos italianos, os restaurantes preparam especialidades regionais, à base de carneiro de Puglia, assado sobre galhos de ervas, cozido com cebola, pesil, tomate e muito queijo de ovelha ralado.
A região também é conhecida por seus frutos do mar, especialmente as ostras, principalmente nas cidades de Gallipoli e Taranto. Os vinhos brancos produzidos em Lecce também são um atrativo à parte. O moscato de Trani é recomendado para os que apreciam vinho doce.

BOA DE JARDINS

Muitas são as belezas da terra dos grandes desfiles de moda e do povo alegre e festeiro. Em toda a Itália há dúzias de belos jardins para serem apreciados, em especial no verão. Antes mesmo de serem belos, todos têm história, o que dá uma certa nobreza aos locais. Em geral, eles foram criados entre os séculos 16 e 17, resultado da vontade de nobres em possuir autênticas obras de arte ao redor de seus palácios e de arquitetos que eram ao mesmo tempo designers de paisagens.
No bolso
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Os jardins tornaram-se extensões do estilo e do conforto das mansões senhoriais. Por isso, a grande maioria dos jardins tem como peça central uma vila encravada em um ponto privilegiado da propriedade.
E a Itália ainda tem muito mais. Tem a Sicília, Palermo, Verona, Calábria... Infinitas cidades, tanto ao Norte quanto ao Sul, que tornam a boa e velha "bota" um dos lugares mais belos de toda a Europa.

Sabor italiano

Spaghetti com abobrinhas

Tempo de preparo: 40 minutos

Ingredientes (para quatro pessoas)

  • 300 g de spaghetti
  • quatro abobrinhas
  • cinco colheres de azeite extravirgem de oliva
  • salsa
  • sal

Modo de preparar

  • Coloque água abundante numa panela, deixe-a ferver e ponha sal.
  • Enquanto a água ferve, lave as abobrinhas, descasque-as e corte-as em rodelas.
  • Em recipiente apropriado, coloque o azeite de oliva, esquente-o bem, doure as abobrinhas, mexa-as com uma colher de pau e ponha sal a gosto.
  • Lave, escorra a água e pique bem fininho a salsa.
  • Quando a água da panela tiver fervido, coloque os spaghetti e cozinhe-os al dente. Em seguida escorra-os e coloque-os numa travessa.
  • Tempere com as abobrinhas e o óleo de fritura, espalhe a salsa cortada, misture bem e sirva quente na mesa.
  • Para que o sabor legítimo do prato seja apreciado, evite usar queijo ralado.

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Viagem inesquecível

Pelos caminhos do Chile, um país de extremos

Sara Caprario

Visita a vinhedos, esqui na Cordilheira dos Andes, passeios no centro histórico e no porto de Valparaíso. Cada viagem ao Chile pode ter um roteiro diferente, só depende de você. O país rico em minerais, principalmente o cobre, acolhe os turistas e oferece alternativas de férias que vão desde as tranqüilas caminhadas nos parques, zoológicos ou nas praias até as aventuras nas montanhas ou no deserto do Atacama.
Na nossa viagem no inverno de 1999, descobrimos que o Chile tem mesmo várias faces. Por ter o mar e a Cordilheira sempre por perto, o país tem muitas latitudes e portanto temperaturas e paisagens díspares. Entre tantas opções, resolvemos seguir os conselhos do nosso agente de viagens. Como era nossa primeira ida ao Chile e tínhamos pouco tempo disponível ­ apesar de ser a nossa lua-de-mel ­ o melhor era irmos de avião até a capital, Santiago, e dali seguir por passeios diários às regiões próximas. O resultado foi muito bom.
Sem horários fixos e programações prévias, apenas com algumas dicas de lugares para conhecer, aproveitamos cada momento para aprender sobre esse curioso país. Mas, como em qualquer lugar que desenvolve atividades turísticas, é sempre bom estar alerta em relação aos serviços especializados. Um exemplo são as empresas que oferecem os city-tours. Indicado pelos recepcionistas do Hotel Plaza San Francisco ­ bem no centro de Santiago, ao lado da Igreja de San Francisco, a edificação mais antiga ainda de pé ­, onde estávamos hospedados, o guia de turismo terminou o tour parando a van em uma loja de artesanatos. Nós e os outros turistas compramos pouco. Ainda bem, já que no dia seguinte descobrimos que as feiras nas ruas vendiam os mesmos produtos por preços muito mais baratos, como artefatos de couro, lã e peças com a pedra típica da região, a lápis lazuli.
Comentado o assunto, um funcionário do hotel sugeriu um motorista com carro pequeno para fazermos os passeios de acordo com as nossas preferências. O preço, um pouco mais caro, compensava se fizéssemos um pacote de três dias: um para conhecer a famosa vinícola Concha y Toro, outro para ir a Viña del Mar e Valparaíso e mais um dia para subir ao Valle Nevado, no alto da Cordilheira dos Andes. Valeu a pena. Renán, o motorista, era divertido e hospitaleiro. Fez de tudo para nos agradar e incluiu Isla Negra no caminho de volta de Valparaíso, onde pudemos conhecer por dentro a casa que foi de Pablo Neruda e hoje é um museu, mantendo intacta a maioria dos aposentos.
O escritor chileno, Prêmio Nobel de Literatura, é lembrado com orgulho pelos conterrâneos. Assim como o tenista Marcelo Ríos, citado como grande propagador do esporte no país. Elogie os dois que você ganha qualquer chileno, mas não comente nada sobre política, porque as feridas do golpe militar de 73 ainda não cicatrizadas e a polêmica sobre a extradição ou não de Augusto Pinochet os deixam constrangidos.
Na subida ao Valle Nevado, o diferencial de termos alugado um carro pequeno foi não conseguir continuar viagem sobre a estrada coberta de neve. Renán esqueceu as correntes para colocar nos pneus, mas conseguiu que uma van nos levasse até o pico para curtirmos a bela paisagem e a estação de esqui.
À noite íamos caminhar pela Alameda, apelido da grande avenida Libertador O'Higgins, a coluna vertebral de Santiago, ou nos divertir nos pubs da rua Suécia, no bairro da Providencia. Aliás, percorrendo a Alameda - que termina no moderno distrito de Las Condes - é possível conhecer praticamente a cidade inteira. Utilizar o metrô também é uma boa pedida. Rápido e barato, o meio de transporte é o melhor para quem já se acostumou com a cidade.
Apesar da cotação do dólar estar desfavorável, adoramos a viagem, já que pudemos extrair muitos conhecimentos em cada visita. Além, é claro, de termos tido o privilégio de ver o Oceano Pacífico em belos dias de sol!

  • Sara Caprario é jornalista em Florianópolis

Você também pode participar deste espaço do leitor, relatando em 30 linhas sua viagem inesquecível. Envie texto e fotografia para a Editoria de Turismo, rua Caçador, 112, Joinville, ou pelo e-mail anoticia@an.com.br


Pesquisa define perfil do turista estrangeiro

Brasília - Pesquisa encomendada pela Embratur revela que 77,61% dos estrangeiros que visitam o Brasil estão em viagem de turismo, 18,05% chegam a negócios, 3,17% para congressos e convenções e 1,17% por outros motivos. Florianópolis desbancou São Paulo no ranking das cidades mais visitadas e aparece em segundo lugar na preferência, com 17,69%. O Rio de Janeiro continua na liderança, com 32,54%. São Paulo tem 13,74% e Salvador, 12,67%.
Ainda conforme o levantamento da Embratur, os turistas estrangeiros gastam, em média, US$ 79,08 por dia, numa permanência média de duas semanas. Dos turistas entrevistados, 91,88% revelaram que pretendem voltar, 5,98% estavam indecisos e apenas 2,14% dizem que não voltarão.
Os americanos, seguidos dos franceses, são os turistas que mais gastam por dia de permanência: US$ 115,57 e US$ 101,16, respectivamente. Mas os italianos e alemães são os que ficam mais tempo no País: uma média de 24 e 21 dias, respectivamente. A má sinalização turística continua sendo apontada como a maior queixa dos visitantes (19,24%), seguida da limpeza pública (14,56%), comunicações (14,2) e informações turísticas (12,26%).
São Paulo (28,74%), Rio de Janeiro (22,97%) e Rio Grande do Sul (16,03%) são os três Estados de residência permanente dos brasileiros que viajam ao exterior. Em seguida aparecem Pernambuco (5,56%), Bahia (4,75%) Paraná (3,90%), Ceará (2,88%), Minas Gerais (2,67%), Santa Catarina (2,56%) e Distrito Federal (2,19%).
Desses turistas, 71,03% já haviam viajado pelo Brasil. E iam ao exterior em 60,13% dos casos por turismo. A viagem tinha como principal motivação o atrativo turístico, seguido de visita a amigos e parentes. Só 35,95% dos brasileiros recorreram a agências para organizar a viagem. O principal destino continua sendo os Estados Unidos (52,56%), seguido de França (10,52%), Itália, Espanha, Argentina e Portugal.
A pesquisa obedece a normas técnicas: considera turista a pessoa que viaja a um país diferente do local de residência habitual e efetua uma permanência de pelo menos uma noite e menos de um ano no país visitado. O motivo principal pode ser classificado em lazer, negócios, estudos, saúde, peregrinações. E receita turística inclui gastos de consumo em bens e serviços no País e exclui os gastos com transportes internacionais. As informações fazem parte do Estudo da Demanda Turística Internacional/1999, publicada pela Embratur.

 
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