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ANotícia
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Fé com método

Uma das fotos da exposição "A
Última Lua do Império Guarany" mostra as ruínas
de São Miguel, no lado brasileiro, uma das mais conservadas
de todo o conjunto que se espalha pela Argentina e Paraguai
Retratos da aventura
em estado de ruína
Exposição
que abre hoje na capital enfoca as missões jesuíticas
no Sul
A
fotógrafa gaúcha Edelweiss Bassis percorreu as
ruínas das missões jesuíticas da América
do Sul durante dois anos captando imagens que registram o que
sobrou de um dos mais grandiosos episódios da história
do Continente. Encantada pela saga dos jesuítas europeus
que chegaram da Europa no século 17 para afirmar o catolicismo
e catequizar os índios latino-americanos, ela produziu
ao longo dessa andança um lote de 2 mil fotografias. Parte
desse trabalho, composto por 48 imagens e batizado de "A
Última Lua do Império Guarany", será
exposto a partir de hoje no Espaço Lindolf Bell do Museu
da Imagem e do Som (MIS).
Para produzir a série de fotografias, Edelweiss visitou
as ruínas das missões de São Miguel Arcanjo
(localizada no Noroeste do Rio Grande do Sul), San Ignácio
Miní e Santa Ana (na Argentina) e Santíssima Trinidad
del Parana, San Cosme y Damian e Jesus de Tavarangue (encravadas
em território do Paraguai). As fotos registram igrejas
e povoados do século 17 que abrigaram índios guarani
e os missionários da Companhia de Jesus. Além de
mostrar a grandiosidade do que restou dos empreendimentos, Edelweiss
apresenta a quem não conhece esses conjuntos verdadeiras
relíquias que, com exceção da missão
de San Cosme y Damian, são todas tombadas como Patrimônio
Cultural da Humanidade pela Unesco.
Localizada no Sul do Brasil, a missão de São Miguel
Arcanjo é considerada pela fotógrafa como uma das
mais bem conservadas. Erguida a partir do início do século
17 e concluída quase cem anos depois, em seu interior
chegaram a morar cerca de 7 mil índios. Fundada em 1685,
a missão paraguaia de Jesus de Tavarangue é um
templo imenso, com muros e pilares centrais de grande dimensão.
Atualmente, passa por escavações arqueológicas
e restauração das casas dos indígenas. Na
parte argentina, a missão de San Ignácio Miní,
erguida em 1610, é um marco dos conflitos que ocorreram
a ocupação das missões no país.
A fotógrafa lembra que cada missão tinha dois ou
três padres no meio de milhares de índios. Para
não serem "devorados" por um universo tão
grande de gente, os padres usavam diversas técnicas, como
não tirar o poder dos caciques e não forçar
os indígenas a mudar suas crenças de uma hora para
outra. Para que não faltasse comida, as missões
tinham enormes pomares, criações de gado e um conhecimento
técnico que ia da agricultura à astronomia. Em
1750, existiam 30 missões jesuíticas na América
do Sul. A partir desse período, temendo o crescimento
dos empreendimentos e descontrole do poder que tinham sobre eles,
os europeus começaram a desmontar os projetos, massacrando
índios e padres.
Anos 50
Ex-modelo, Christine Fernandes, agora atriz, busca inspiração
nas musas dos anos 50 para compor a enigmática Flávia
Regina, em "Esplendor".
AN_Tevê |
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O QUÊ:
abertura da exposição de fotografias "A
ÚLTIMA LUA DO IMPÉRIO GUARANY", de Edelweiss
Bassis. QUANDO: hoje, às
19 horas; visitação até 29 de fevereiro,
de segunda a sexta-feira, das 10 às 21 horas, sábados
e domingos, das 17 às 21 horas. ONDE:
Espaço Lindolf Bell do Museu da Imagem e do Som (MIS),
anexo ao Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen,
5.6000, Florianópolis, tel.: (0 XX 48) 333-2166.
MEC investe R$ 252 mi
em livros didáticos este ano
Valor é
para aquisição e distribuição de
73 milhões de unidades para 33 milhões de alunos
no País
Brasília - O Ministério da Educação,
através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE), investe neste ano R$ 252 milhões na aquisição
e distribuição de 73 milhões de livros para
este ano letivo. Cerca de 33 milhões de alunos do ensino
fundamental matriculados em 170 mil escolas públicas no
País inteiro terão acesso aos livros didáticos.
Essa é uma prioridade do ministro Paulo Renato que, no
próximo dia 7, abre o ano letivo, em Parintins, Amazonas.
Na cerimônia de abertura, o ministro lança, ainda,
a cartilha e o selo comemorativo do Programa Nacional do Livro
Didático.
Fazer chegar às mãos dos alunos da rede pública
de ensino fundamental livros didáticos de excelente qualidade,
mesmo nos mais longínquos municípios do País,
constitui o principal objetivo do Programa Nacional do Livro
Didático. A opinião é da secretária-Executiva
do FNDE, Mônica Messenberg, que esclarece: "Para atingir
esse objetivo, é organizada uma verdadeira "operação
de guerra", desde a inscrição, avaliação,
compra e produção dos livros até a distribuição,
envolvendo milhares de pessoas e gerando cerca de 200 mil empregos
no setor editorial".
O FNDE, em parceria com os Correios, garante a entrega dos livros
antes do início do ano letivo. Para não faltarem
livros nas escolas, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep) fornece os dados do censo escolar do ano
anterior com projeção do número de matrículas
a serem feitas eventualmente depois do censo. O fundo envia a
quantidade de livros de acordo com essa projeção
e remete ainda uma reserva técnica de 3% para as secretarias
estaduais de Educação distribuírem às
escolas novas que surgirem depois do censo escolar.
Os Números
Para este ano de 2000, 170 mil escolas públicas solicitaram
e receberão 73 milhões de livros para 33 milhões
de alunos matriculados no ensino fundamental (1ª a 8ª
séries). O quantitativo de livros é o somatório
dos sistemas centralizado e descentralizado. O Fundo Nacional
de Desenvolvimento da Educação comprou e entregou,
de fato, 60 milhões de livros para todos os Estados, exceto
São Paulo e Minas Gerais. Esses Estados optaram pela forma
descentralizada, recebendo recursos do FNDE, ficando a cargo
das secretarias estaduais de Educação o processo
de aquisição e distribuição dos livros
às escolas.
Para São Paulo, foram destinados R$ 26,4 milhões
para aquisição e distribuição de
6,8 milhões de livros, enquanto Minas Gerais recebeu R$
19,9 milhões para 5,6 milhões de livros.
Em 1999, foram investidos R$ 373 milhões na compra e distribuição
de 109,1 milhões de livros para 33 milhões de alunos
matriculados no ensino fundamental público. Esses livros
são destinados para todos os estudantes da 1ª série
(que são repostos anualmente), da 2ª a 4ª série
(complementação, referente ao acréscimo
de alunos matriculados de um ano para outro) e da 5ª a 8ª
séries.
Distribuição
A distribuição é feita em todo o País
com a supervisão de técnicos do FNDE, que verificam
a produção dos livros juntos às editoras,
supervisionam a remessa das obras pelos Correios e, finalmente,
acompanham a distribuição nas escolas. Após
a entrega pelos Correios, os livros passam a pertencer às
escolas, devendo os de 2ª a 8ª séries ser reutilizados
por três anos. Este ano foram cerca de 1.300 títulos
de 26 editoras. As escolas públicas cadastradas no censo
escolar de 1999 receberam livros didáticos das áreas
de português, matemática, história, geografia
e ciências para todos os alunos da 1ª série
e, para os de 2ª a 8ª séries, complementações
dos mesmos títulos escolhidos pelos professores.
Os últimos dados fornecidos pelos Correios dão
conta de que 95% dos livros já estão nas escolas
dos mais de cinco mil municípios do País, mesmo
nos lugares de difícil acesso, onde os livros chegam de
barco, bicicleta ou até mesmo em carro de boi. Em sete
diasm finalizarão as últimas remessas.
Por conta do sucesso do livro didático, a Empresa de Correios
e Telégrafos preparou um selo comemorativo: a estampa
traz a reprodução do mapa do Brasil com os meios
de transporte utilizados para a distribuição -
o avião, o carro e o barco. Além disso, aparecem
figuras de algumas crianças em idade escolar representando
a diversidade das raças existentes no Brasil.
Diretor de "Macunaíma"
homenageado com mostra
Rio - Pela primeira vez no País, vão ser exibidas
cópias recentemente restauradas das obras de Joaquim Pedro
de Andrade, diretor do filme "Macunaíma". A
mostra acontece no Rio, de hoje a 13 de fevereiro, no Museu de
Arte Moderna (MAM), e em São Paulo, de 17 a 21 de fevereiro,
na Cinemateca Brasileira.
O evento é promovido pela Secretaria do Audiovisual do
Ministério da Cultura, Cinemateca Brasileira, MAM e faz
parte do Grande Prêmio Cinema Brasil, criado para divulgar
a mais nova fase do cinema brasileiro. A cerimônia que
premiará os melhores do cinema nacional será realizada
no próximo dia 12, em Petrópolis (RJ).
A mostra Joaquim Pedro de Andrade é uma homenagem ao cineasta,
que faleceu em 1988, aos 56 anos. Em "Macunaíma"
(1969), sua produção mais famosa, inovou a estética
do Cinema Novo por incorporar elementos da chanchada e utilizar
o tropicalismo para transfigurar fatos da vida política,
que invadem o relato épico das andanças de Macunaíma
entre figuras da mitologia popular brasileira. Filme emblemático,
atualizou o legado do modernismo e estabeleceu a tão buscada
relação do Cinema Novo com o grande público.
Além de "Macunaíma", poderão ser
vistos os outros cinco longas de Joaquim Pedro: "Garrincha,
Alegria do Povo" (1963), "O Padre e a Moça"
(1965), "Os Inconfidentes" (1972), "Guerra Conjugal"
(1975) e "O Homem do Pau-brasil" (1981).
Também será realizada uma palestra sobre os processos
de realização e restauração - feita
com recursos do Ministério da Cultura e da União
Latina de Filme Documentário - dos filmes exibidos na
mostra, ministrada por Alice de Andrade, filha do cineasta.
Concurso internacional
literário abre inscrições
Joinville - O 5º Concurso Internacional Literário
de Outono está com inscrições abertas e
recebe contos, poesias e crônicas até o dia 31 de
março. Promovido pela Edições AG, o concurso
selecionará trabalhos para a publicação
em regime cooperativado do livro "500 Outonos de Poesia
e Prosa". No ano passado, o concurso contou com a participação
de escritores de Portugal, dos Estados Unidos e da Alemanha,
conferindo caráter internacional à seleção.
Cada candidato pode concorrer com até quatro trabalhos
em cada uma das categorias, desde que cada obra não ultrapasse
quatro páginas numeradas, datilografadas ou digitadas
em apenas um lado do papel, em espaço dois, assinadas
com pseudônimo. O tema é livre. Em um envelope separado,
o concorrente deve enviar breve currículo incluindo nome,
pseudônimo, categorias nas quais concorre, endereço,
telefone e e-mail para contato.
Potencial
Brasil.com atrai interesse de investidores: Crescimento do mercado
da Internet no País faz com que grandes grupos invistam
capital no setor
AN_Informática |
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Trabalhos por e-mail serão aceitos
apenas se enviados no corpo da mensagem (jamais em attached file),
respeitado o limite de apenas um texto em cada transmissão.
O currículo deve ser enviado em e-mail separado. Os resultados
da seleção serão divulgados até o
dia 25 de abril e os autores escolhidos serão contatados
pela Edições AG para a publicação
do livro, cuja impressão deve acontecer em julho.
Os trabalhos do 5º Concurso Internacional Literário
de Outono devem ser enviados para a Estrada do Campo Limpo, 6903,
cj.152 - São Paulo/SP - CEP 05.787-000 ou para os e-mails
agiraldo@yahoo.com ou
agiraldo@uol.com.br.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone
(0xx11) 3749-7152 ou em www.giraldo.org
e www.geocities.com/Paris/9721.
Assassinato de Júlio César
narrado em tom policial
Roma - Um livro em forma de narrativa policial acaba de ser
editado na Itália, despertando curiosidade entre os leitores
ao reconstruir o assassinato de Júlio César, uma
das figuras mais importantes da história romana. "Vinte
e Três Punhaladas" é o título do livro
de Furio Sampoli, da editora Guida, no qual o autor narra, com
a ajuda de uma série de monólogos, cartas e confissões,
o dia em que Júlio César foi assassinado.
O novo livro sobre Júlio César, glorioso conquistador
da Gália, ditador com poderes soberanos, líder
de um exército de devotos legionários, soma-se
à lista de best-sellers recentemente publicados na Itália
sobre um dos fundadores do poderoso império romano. Depois
dos ensaios de Luciano Cánfora, Luca Canali e Martin Jahne,
apareceu o curioso livro de Sampoli, que conta os fatos através
de várias pessoas, em forma de romance policial, com a
linguagem das testemunhas e conspiradores do assassinato.
Tenda dos milagres
Falta de qualidade
e espécie de vale tudo na grade comprometem a programação
da Rede TV!
Rodrigo Teixeira
TV Press
Três meses depois de sua estréia, decididamente
a Rede TV! está longe de ser uma opção de
qualidade. Ao contrário do que pregou quando entrou no
ar a nova programação, em novembro, a emissora
oferece atualmente uma das piores grades da tevê brasileira.
Em seu curto período de existência, a Rede TV! enxugou
a programação e demitiu funcionários, além
de ameaçar não pagar os salários atrasados
dos empregados que herdou da extinta Manchete. A balbúrdia
por que passa a emissora pode ser flagrada logo que é
sintonizada. Sem critérios e numa espécie de vale
tudo, a Rede TV! virou abrigo de intermináveis programas
de televendas e religiosos.
Só a Igreja da Graça ocupa três horas da
programação, sem contar mais 60 minutos dedicados
ao Ministério da Comunidade Cristã. Os pastores
se sucedem no ar, pedindo para os espectadores não deixarem
de pagar o dízimo. É por essas e outras que a Rede
TV! parece cada vez mais um clone fajuto da Manchete. Até
mesmo o "Cine Total", projeto interativo parecido com
o "Intercine" da Globo, já foi descaracterizado.
O precário acervo da Rede TV! impediu o esforçado
Rubens Ewald Filho de levar o projeto adiante.
Os programas religiosos disputam espaço com vários
programas de televendas. "Brasil TV", "Telemarketing"
e "Brazil Connection" anunciam todo tipo de produto:
facas que cortam pedra, aparelhos de ginástica e panelas
de mil utilidades. O problema aumenta quando reprisam o mesmo
produto várias vezes. Um exemplo é o aparelho eletrônico
para exercícios localizados que tem Joana Prado, a Feiticeira,
como garota propaganda. O paupérrimo slogan "não
é feitiçaria, é tecnologia", anunciado
pela vitaminada Feiticeira em trajes ínfimos, é
transmitido a exaustão tanto à noite como de dia,
o que demonstra que a Rede TV! não tem material suficiente
e diversificado para preencher sua programação.
Na verdade, reprisar é o que mais a Rede TV! vem fazendo.
As séries "Jeannie é um Gênio"
e "A Feiticeira" são bons exemplos. Mesmo sendo
exibidas entre 12h30 e 13h30, não deixam de ocupar o horário
nobre da programação, entre 20 e 21 horas. Isso
porque as séries americanas, que datam da década
de 60, dão razoáveis índices de Ibope. Enquanto
"A Casa é Sua", por exemplo, dificilmente passa
dos dois pontos, as séries chegam a dar o dobro da audiência.
Entre os programas produzidos pela emissora, "SuperPop",
"Te Vi na TV" e "Interligado" são
os que vêm tendo melhor retorno de Ibope. A produção
comandada por Adriane Galisteu já atingiu picos de dez
pontos, mesmo após ser enxugado em 30 minutos. Na verdade,
os três programas são os únicos que continuam
seguindo o objetivo inicial proposto pela emissora: interagir
com o espectador, ter uma linguagem voltada para o público
jovem e explorar um visual próximo ao das tevês
a cabo, tanto nos cenários como nas vinhetas.
Vale do vinho
Além de enfeitar a paisagem, os parreirais garantem a
uva e o vinho para o paladar dos visitantes que passam pelo Vale
do Rio do Peixe.
AN_Turismo |
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A prova de que a Rede TV! está longe
de conseguir uma identidade própria é que a emissora
não pára de anunciar mudanças e projetos.
Valéria Monteiro vai produzir matérias em Nova
York, após seu lugar ser ocupado por Meire Nogueira na
"A Casa é Sua". O "TV Fama", após
ser extinto, pode ressurgir remodelado em março. Paulo
Ricardo deve ter um musical e Andréa Sorvetão um
game show. Projetos sem a devida originalidade para melhorar
a qualidade da programação da Rede TV!, que precisa
urgentemente dar o passo básico e fundamental passo conquistar
audiência: ter uma grade estável.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Vanessa Rangel passa
na prova do segundo disco
"Mediterrâneo"
mostra maturidade, equilíbrio e emplaca, de novo, faixa
em novela global
REGIS MALLMANN
A cantora e compositora fluminense Vanessa Rangel ficou conhecida
do grande público quando, há cerca de três
anos, estourou com a música "Palpite", tema
que embalou o enlace romântico dos personagens de Du Moskovis
e Carolina Ferraz na novela global "Por Amor". O sucesso
estrondoso rendeu o primeiro disco, prova de fogo para ver se
Vanessa sobreviveria à síndrome da estréia
que já engoliu muitas outras promessas do mercado fonográfico.
Mas parece que a artista passou incólume pela barreira.
É o que se vê pelo resultado de seu segundo trabalho,
"Mediterrâneo", CD que a gravadora EMI colocou
nas lojas de todo o País no começo de fevereiro.
Com 11 músicas - dez assinadas pela cantora - o disco
repete o ritmo já consagrado em "Palpite" com
um tom marcadamente romântico ao qual a voz cristalina
da cantora imprime um charme todo especial. O destaque fica por
conta das referências que ela faz ao rock de raízes
mineiras: apesar de Vanessa ter nascido em Niterói, no
Rio de Janeiro, confessa ter uma ligação muito
próxima com o movimento musical que revelou talentos como
Beto Guedes, Lô Borges, Flávio Venturini e Milton
Nascimento, integrantes do Clube da Esquina. A afinidade justifica
a escolha de "Paisagem da Janela" para integrar o repertório,
surgindo em regravação que empresta um tom nostálgico
ao trabalho.
Saudosismo à parte, o disco de Vanessa Rangel se firma
mesmo é no pop, praia em que ela desenvolve melhor seus
talentos de jovem compositora e cantora. Aos 28 anos, compõe
desde a adolescência, quando ensaiou os primeiros passos
na arte da música - por isso a marca tão forte
dos mineiros que estavam no topo das paradas à época.
Não foi logo, porém que ela caiu de cabeça
no mundo musical. Primeiro formou-se em direito e trabalhou no
Poder Judiciário até 1995, quando abandonou a área
e decidiu dedicar-se somente à música. A sorte
foi aliada quando ganhou espaço na trilha da novela das
oito, primeiro passo para lançar-se à carreira
profissional.
ENTRE TERRAS
O álbum "Mediterrâneo" ganhou este
nome depois que Vanessa Rangel fez uma viagem à Espanha,
no ano passado. Alguns dias em Valencia, cidade banhada pelo
mar Mediterrâneo, trouxeram inspiração suficiente
para a artista compor a canção que empresta o título
ao disco. Ao descobrir o significado do nome - "entre terras,
no meio de terras, interior" - achou que a palavra tinha
tudo a ver com seu trabalho, marcadamente variado, com influências
brasileiras, européias e norte-americanas bem definidas.
Para o novo disco, Vanessa conta mais uma vez com a sorte de
ter uma música incluída em novela da Globo. Desta
vez é "Avesso", que toca em "Vila Madalena",
no horário das 19 horas. Destaque ainda para "Canção
do Sol" e a debochada "Dial 190", uma abordagem
sobre o cotidiano de violência urbana e a descrença
que as pessoas têm na polícia e no governo. Para
não tornar o repertório monótono, os arranjos
levam guitarras, trompetes e trombones, instrumentos que dão
um embalo diferente e bem característico ao CD, sem deixar
os baixos, a percussão, o violão e os teclados
de lado. "Mediterrâneo" ainda não é
um disco definitivo, mas demonstra que Vanessa Rangel tem tudo
para trilhar um caminho longo no cenário nacional.
Forró ganha nova roupagem
e tenta conquistar o Sul
As gravadoras tentam de todas as formas impor o forró
em domínios além das fronteiras do Nordeste, onde
esse ritmo é um dos mais executados em festas, rádios
e televisão. Depois de ter conquistado São Paulo,
terra onde "tudo se plantando dá", o gênero
parece ganhar um espaço, apesar de bastante modesto, no
Sul do País, região mais avessa às investidas
de modismos desse tipo. Apostando nessa fatia de mercado, a BMG
(nova distribuidora da Natasha Records) lança agora os
dois primeiros CDs do Trio Forrozão, grupo que desde 1998
vem conquistando seguidores.
"Trio Forrozão" e "Agitando a Rapaziada"
são verdadeiros retratos do forró, com repertórios
que incluem desde clássicos do gênero até
novos formatos para músicas próprias para animar
quermesses ou qualquer outro tipo de festa popular. "Xote
das Meninas" (de Zé Dantas e Luiz Gonzaga), "Capim
Novo" (de Luiz Gonzaga e José Clementino) e "Zé
Esteves" (de Caetano Veloso) são algumas das músicas
que valem a pena e que remetem às raízes do estilo.
Conta o folclore que o forró surgiu quando os soldados
americanos estiveram no Rio Grande do Norte durante a Segunda
Guerra Mundial, e foram convidados para as festas "for all"
("para todos"), expressão que aos ouvidos dos
nordestinos virou forró. Apesar de conter composições
de verdadeiras lendas, os dois discos são produtos destinados
apenas para quem gosta do gênero. (RM)
Crônica
O ANO 2000, ANTES
Salim Miguel
Antecipação, premonição, previsão,
oráculo, futurologia, tudo isso e muito mais nessa linha
vem fascinando há séculos o ser humano, sempre
tentando desvelar o amanhã. Mas sem dúvida, no
campo das previsões catastróficas, Nostradamus
continua imbatível, sendo as suas as que mais inquietam
e atemorizam a humanidade, ressurgindo de quando em quando, especialmente
em datas redondas. Veja-se o quanto se falou em fim do mundo
às vésperas deste ano 2000.
Claro que Nostradamus não foi o primeiro, nem será
o último a tentar prever o futuro, seja positiva ou negativamente.
Bem antes dele temos o oráculo de Delfos. E mais perto
de nós, os jogadores de búzios ou as cartomantes,
para ficarmos apenas nesses dois exemplos.
Também na ficção pululam, mesmo antes da
ficção científica, os que buscavam ver além
do hoje - e mesmo o hoje pode ser imprevisível. Tome-se
o caso de Julio Verne, que antecipou a chegada à Lua ou
a descida ao fundo do mar com seu submarino. E dentro de outra
perspectiva pode-se falar num Aldous Huxley, com seu "Admirável
Mundo Novo" ou George Orwell, com seu "1984".
Se eu quisesse especular mais, poderia acrescentar que, para
além da fantasia, da imaginação, pesquisadores
e cientistas também contribuem para mexer com a imaginação
e o inconsciente coletivo. Por vezes até acertam, errando.
Graham Bell achava que o telefone era uma simples brincadeira
e os irmãos Lumière afirmavam que o cinema não
passava de uma distração de feira.
Tudo isso vem a propósito de uma limpeza, dessas que fazemos
periodicamente, jogando no lixo recortes, que logo serão
substituídos por outros. Só que, por maior que
seja a quantidade do que queremos (ou precisamos) dispensar,
pois estão atulhando a casa, a curiosidade é mais
forte. Ficamos examinando, sempre com uma dúvida, uma
interrogação, será que amanhã isso
não me vai fazer falta? Mas a decisão (heróica
ou precipitada ou ambas as coisas) já foi tomada. Amanhã,
depois de depois de amanhã pode até vir o arrependimento;
para fechar um texto, para colher uma informação,
lá se foi no lixo aquilo de que precisávamos.
Chego agora, só agora, ao que pretendia nesta quintaferina
conversa. No meio da papelada que ia ser dispensada, me deparo
com ampla matéria sobre Emílio Salgari. Por certo
os jovens de hoje não terão idéia de quem
foi Salgari, que se tornou conhecido por seus romances de aventura.
Seus livros emocionavam, levando o leitor para um mundo exótico,
irreal, que excitava a imaginação. Ninguém
estava preocupado com estilo, com forma, com estrutura narrativa.
O que interessava era o enredo, as mirabolantes peripécias,
implausíveis porém empolgantes.
Autor de mais de 200 romances entre compridos e curtos, o italiano
mais lido do mundo, à frente de Dante e do pai de Pinocchio,
isto no dizer de Paulo Mendes Campos, sempre viveu à beira
da miséria e teve uma vida trágica que culminou
no suicídio. Não é bem da vida do escritor
e de sua obra que quero aqui falar. Mas de um romance de antecipação,
intitulado "As Maravilhas do Ano 2000". Valho-me, para
tanto, de matéria do já citado Paulo Mendes Campos,
poeta e cronista. Como acabamos de entrar no referido ano, vale
a pena ver de que maneira Salgari imaginou o novo século
e milênio.
Salgari parte de um artifício nem tão novo. Em
1903, um inglês e seu amigo médico são congelados,
para voltar à vida cem anos depois, em 2003. A verossimilhança
pouco interessa. Interessa acompanhar as peripécias e
de que maneira os dois se colocam num mundo tão diferente
do que haviam deixado.
Primeira surpresa: deparam-se com um avião de quatro asas,
que batem como a dos pássaros e que alcançam a
espantosa velocidade de 150 quilômetros horários,
voando a 150 metros de altura.
Segunda surpresa: em Nova York existem edifícios de até
30 andares, um despropósito.
Terceira surpresa: a televisão permite que os acontecimentos
sejam captados no ato e retransmitidos de um hemisfério
para outro.
Quarta surpresa: para não perder tempo na faina contínua,
os operários se alimentam com dez minúsculas pílulas
e as roupas são de fibras vegetais.
Mas as surpresas, para os dois transplantados de um século
para outro, não se esgotam por aí. São poucos
os operários, porque utilizam-se muitos autômatos,
mas os lavradores e pescadores são muitos. Desde 1940
(como é que isto ainda não chegou aqui!) manadas
de elefantes mecânicos fazem a limpeza das ruas, dos jardins,
dos parques. A energia no Brasil, independente de usinas hidrelétricas,
vem toda ela da Corrente do Golfo. Os presos não mais
ocupam espaço na face da Terra, são mantidos em
bolsões submarinos, explodidos ao menor sinal de rebelião.
E para concluir (a matéria, já que o espaço
acabou, não outras inventivas invenções),
jatos d'água eletrizados são lançados contra
manifestantes. Pelo que se deduz do texto do Paulo Mendes Campos,
o romancista aprovava tais métodos, o que deve ter contribuído
para a simpatia que despertava em Mussolini. É bom acrescentar
que, na data, a comunicação com os marcianos já
era coisa corriqueira. Quem desejar mais que vá ao livro...
caso o encontre.
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