Joinville         -          Domingo, 20 de Fevereiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

G  
E  
R  
A  
L  













Filantropia mascarada
ludibria a boa-fé

Multiplicam-se em Joinville entidades que visam o lucro

Luis Fernando Assunção

Era mais um bingo de uma entidade beneficente que auxiliava idosos em Joinville. Em dezembro de 1994, exultante, a dona de casa Cecília Junck Garcia, 59 anos, freqüentadora assídua das promoções, segurava a senha que instantes atrás havia lhe garantido o prêmio maior: uma chácara no município de Araquari, com 25 metros de frente e 80 de fundos. Cinco anos depois, Cecília ainda briga na Justiça para receber o prêmio e a mesma entidade filantrópica continua promovendo bingos na cidade. Em Joinville, multiplicam-se as chamadas "pilantropias", empresas privadas que são abertas contrariando o princípio básico de qualquer ação filantrópica: a ausência de lucro.
Em Joinville, há dezenas de entidades filantrópicas. Qualquer pessoa pode ter uma, desde que preencha os requisitos exigidos pela Secretaria de Bem-estar Social ou do Ministério da Previdência e Assistência Social. Não há nada que impeça, por exemplo, que uma empresa comece a arrecadar fundos - via doações ou contribuições na conta de energia ou telefone - para determinados setores, como ajuda a crianças, idosos, deficientes. O problema é a falta de fiscalização. Muitas dessas empresas abusam da boa-fé e da solidariedade das pessoas, deixando de conduzir para os devidos fins a arrecadação obtida.
"Hoje, qualquer pessoa pode abrir uma entidade e explorar. Deveria haver uma lei mais rígida, principalmente quando se buscam recursos públicos para tais associações", admite o secretário de Bem-estar Social de Joinville, Osmari Fritz. Segundo ele, é preciso, de alguma forma coibir a atividade dessas empresas que utilizam a filantropia para enriquecimento de seus proprietários. "Normalmente, essas entidades agem em cima da boa fé. Essas doações por telefone são exageradas e não há controle", disse. "Precisa haver clareza nas ações das entidades, para que não haja dúvida de sua seriedade".

Bom exemplo

A Associação Joinvilense de Obras Sociais (Ajos) reúne mais de 50 entidades filantrópicas. ""As nossas entidades enviam todos os meses o seu balancete e tudo é controlado rigorosamente," explicou a presidente da associação, Miriam Malschitzky. Segundo ela, a Ajos conseguiu se firmar pela seriedade com que trata as questões filantrópicas.
Idealizador das cozinhas comunitárias, que alimentam, diariamente, 1,7 mil crianças de Joinville, o padre Luiz Fachini também conseguiu consolidar sua idéia depois de mostrar seriedade no trato das doações. Tudo o que recebe é investido diretamente na melhoria das refeições das crianças ou nas acomodações do mini-internato que mantém na sede da Fundação Pauli-Madi Pró-Solidariedade e Vida, da qual é fundador. "Nossas crianças não comem migalhas. Comem o que temos de melhor. Graças à solidariedade e à confiança das pessoas", concluiu.

Calotes atingiram dona
de casa e comerciante

A comerciante Maria Delir Righetto e a dona de casa Cecília Junck Garcia foram ludibriadas pela boa-fé. Cecília ganhou uma chácara em um bingo promovido pela Sociedade de Assistência e Amparo à Terceira Idade (Saati) e há cinco anos luta para receber o prêmio. O mesmo diretor da Saati, Edson Vicente dos Santos Leitão, havia aplicado um golpe semelhante em Maria Delir há 20 anos, quando vendeu dois terrenos e até hoje não os entregou. "O que é estranho é que um homem desses continue solto, e ainda por cima dono de uma entidade filantrópica, que ajuda velhinhos", criticou Cecília.
Leitão era dono de imobiliária na década de 80 em Joinville - a Santos Leitão Imóveis Ltda -, quando houve o boom de loteamentos em áreas de mangue, consideradas de preservação permanente. E foi nessa época que Maria Delir foi enganada. Pagou, em parcela, junto com o marido, o preço equivalente a dois terrenos no loteamento Bom Jesus, no bairro Itinga. Depois de quitado, foi até o local com o contrato de compra e venda. "Cheguei lá e me disseram que tinha outro dono. Ele prometeu dois outros terrenos, mas até hoje nada", reclamou Maria Delir.

Chácara

Com Cecília, a história foi semelhante. Já sob o guarda-chuvas de uma entidade filantrópica, Leitão começou a promover bingos com a promessa de construir, em alguns anos, um centro de vivência da terceira idade (Ceviti). Cecília ganhou o prêmio maior: uma chácara de 25 metros de frente por 80 de fundos em Araquari. Com o contrato de compra e venda em mãos, alguns dias depois Cecília foi até o local e soube que o terreno estava em nome de um tal Antonio Alves de Oliveira. "Sempre freqüentei esses bingos e ganho esse calote. Não sei a quem mais recorrer. A questão está na Justiça mas esse senhor continua aprontando das suas", reclamou.
Os bingos - sempre realizado em um clube da cidade - promovido pela Saati tem todos os brilhos de um grande show. Música, cânticos, danças, espetáculos para chamar a atenção do público. Nos últimos bingos, assustado com as denúncias, Leitão tem oferecido prêmios mais modestos - que pode pagar sem ter prejuízo - como máquina de lavar, liquidificador, bicicletas, televisores. Em todos os eventos, dezenas de velhinhos se empurram para encontrar a melhor mesa ou adquirir mais cartelas. "Não sei até onde ele vai. Se a Justiça não fizer alguma coisa, as pessoas vão continuar sendo enganadas", completou Cecília.

Penhora

Leitão nega o calote. "No caso da dona Cecília, quem promoveu o bingo para a Saati foi uma outra empresa. E quanto à dona Maria, o terreno acabou penhorado". A Saati tem estatutos e é de interesse filantrópico. Na prática, entretanto, é uma empresa privada, que vende plano de assistência médica e utiliza indevidamente o termo filantropia. Arrecada, em média, R$ 30 mil só com o convênio com a Celesc, sem contar os bingos. Esse dinheiro seria investido na construção do centro de vivência, que não saiu do papel.
As contribuições de R$ 10,00, R$ 15,00 e R$ 30,00 debitados na conta de luz são mensalidades por serviços prestados, como atendimento médico e de ambulância. "Oferecemos remédios com descontos e médicos por R$ 15,00", enumera Leitão. Uma empresa da cidade doou, recentemente, duas ambulâncias para a Saati. Leitão está se mudando com a família, nos próximos dias, para uma residência com piscina, 18 cômodos, localizada no bairro Bucarein, zona Sul da cidade. (LFA)


Fundação mantém
crianças e credibilidade

Pauli-Madi alimenta 1.700 menores vivendo da solidariedade

Joinville - Iniciativas sérias continuam mantendo a credibilidade da filantropia. Há cinco anos a Fundação Pauli-Madi Pró-Solidariedade luta, sempre com doações, contra um problema crônico do Brasil: a fome. Um projeto pioneiro desenvolvido pelo padre Luiz Fachini está conseguindo alimentar 1.700 crianças pobres de Joinville, através de 17 cozinhas comunitárias, oferecendo almoço e reforço escolar. Além disso, a fundação mantém um mini-internato para crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar que precisem de um local para permanecer provisoriamente, até serem adotadas ou devolvidas para a família. Outro projeto é o cidadão do futuro, que introduz adolescentes em atividades profissionalizantes.
A Pauli-Madi sempre viveu exclusivamente da solidariedade das pessoas e empresas. Desde 1998, a Prefeitura de Joinville também decidiu contribuir com um auxílio mensal. Para manter toda a estrutura, a fundação necessita de R$ 12 mil mensais. Só as cozinhas consomem R$ 9,3 mil. Para organizar a fundação, Fachini sacrificou seus próprios bens. Vendeu um terreno e um barco de pesca para começar a empreitada. "Quando completei 25 anos de padre decidi que era o momento de fazer alguma coisa", relembra.
O trabalho começou com as cozinhas comunitárias. Os voluntários da fundação mapearam em Joinville 21 focos de fome, localizados na periferia da cidade. Traçaram um plano de erguer em cada um deles, uma cozinha comunitária. Já conseguiram 17, faltam três. "Estamos construindo a 18ª cozinha no Jardim Edilene e depois a meta é o Morro do Amaral", projeta Fachini. Todos os que trabalham na cozinha são voluntários do próprio bairro. "Acho que estamos conseguindo ajudar a debelar esses focos de fome."

Futuro

O cidadão do futuro é outro projeto desenvolvido pela Pauli-Madi. Os requisitos são pertencer a uma família pobre e estar matriculado em alguma escola da cidade. Na sede da fundação, os adolescentes realizam trabalhos profissionalizantes intercalados com lazer e relações humanas. Neste ano, a idéia é manter 20 meninas pela manhã e 20 meninos à tarde. "Nesses projetos, profissionais de diversas podem contribuir com trabalho voluntário. Doar uma hora para construir uma paz interior que não tem preço. E essa hora não fará falta", reflete Fachini.
A Fundação Pauli-Madi também mantém em sua sede um mini-internato com capacidade para 36 crianças. Elas são acompanhadas por religiosas, dia e noite. "Já tivemos por aqui 24 crianças. Hoje não temos nenhuma", revela Fachini. "Conseguimos reatar laços familiares de crianças maltratadas, em situação de risco". Se não houver conciliação com a família, o caminho é o da adoção. (Luis Fernando Assunção)

Saiba mais

  • O que deve conter o estatuto para conseguir registro no Conselho Nacional de Assistência Social:
  • A atividade pode ser de assistência social, educação, saúde, cultura, pesquisa, ecológica e outras
  • A entidade deve aplicar suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais
  • Seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes não devem receber remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhe sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos
  • A entidade deve prestar serviço permanente e sem qualquer discriminação de clientela.
  • As entidades devem promover:
  • Proteção à família, criança, maternidade, adolescência e velhice
  • Amparo a crianças e adolescentes carentes
  • Ações de prevenção, habilitação, reabilitação e integração à vida comunitária de pessoas portadoras de deficiência
  • A integração ao mercado de trabalho
  • A assistência educacional ou de saúde
  • O desenvolvimento da cultura
  • O atendimento e assessoramento aos benefícios da Lei Orgânica da Assistência Social e a defesa da garantia de seus direitos.

Fonte: Ministério da Previdência e Assistência Social.


Aids, um drama
também na terceira idade

Número de notificações entre pessoas com mais de 50 anos já chega a 400 em SC, 5,6% dos contaminados

Silvia Pinter

Florianópolis - Uma noite de prazer extraconjugal era tudo o que aquele senhor de cabelos brancos e bisavô de dois meninos queria. A vontade foi saciada num motel com a amiga da mulher com quem estava casado há mais de 35 anos. Tudo parecia bem. Até que um dia, o senhor, de 58 anos, emagreceu repentinamente e a família o levou para o hospital. Foi então que todos receberam a triste notícia: ele havia sido infectado pelo vírus HIV/Aids, e estava com a doença, ainda incurável. "Não imaginava que isso poderia acontecer comigo. Se pudesse voltar no tempo jamais faria o que fiz", garante o homem, que pediu para que o seu nome e as iniciais não fossem revelados. "Nem imaginava que poderia ter sido infectado. Quando peguei o resultado fiquei chocado. E a minha família pior ainda. Mas graças a Deus não contaminei a minha mulher", conta o doente, que chegou a pesar 49 quilos. Atualmente ele pesa 78 quilos.
Parece ficção, mas casos como o deste homem, vêm causando preocupação nos últimos dois anos no Estado. A chefe do Programa Estadual DST/Aids da Secretaria Estadual da Saúde, Elma Fior da Cruz garante que Santa Catarina lidera o índice de idosos com Aids no País. O Estado não têm dados estatísticos que comprovem esta liderança, mas a Secretaria de Saúde se baseia nos índices gerais que colocam três cidades catarinenses - Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis - no topo do ranking da Aids no Brasil, proporcionalmente.
Os números são poucos, mas significativos. Dos 6.322 casos notificados no Estado, 355 são de pessoas acima de 50 anos de idade, um percentual de 5,6%. Isso sem falar no número de infectados. Apesar de ainda não fazerem parte dos relatórios oficiais, o Ministério da Saúde estima que, no Brasil, para cada pessoa doente haja três outras infectadas. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é mais pessimista. Para a OMS há para cada doente, de oito a 50 infectados, dependendo da região. "Temos um novo desafio a ser vencido", admite Elma Fior da Cruz, referindo-se à falta de um programa de prevenção específico para idosos.
Ela lembra que antigamente os idosos infectados pelo vírus HIV/Aids eram esporádicos. E a principal causa era a transfusão sangüinea, já que se tinha a ilusão de que "velho não transava". Os tempos mudaram e, com a ajdua da ciência, tabus como os da impotência sexual e de que a mulher transava apenas para procriação foram desmitificados.
O problema, segundo Elma, é que tanto os órgãos não-governamentais (ONGs) e o próprio poder público se esqueceram disso. Hoje, 90% dos idosos vítimas da Aids foram infectados por via sexual e os outros 10% por transfusão sangüínea. Entre os contaminados, 20% mantiveram relação homossexual e o restante heterossexual.

Trabalho diferenciado

"O trabalho de prevenção direcionado a idosos tem que ser diferente daquele destinado a adolescentes. É uma outra cultura", alerta a chefe do programa DST/Aids, Elma Fior da Cruz, que não visualiza solução para o problema enquanto o grupo em risco não se organizar. "Não há saída enquanto a sociedade como um todo não se conscientizar", complementa Elma, lembrando da indústria de turismo que incentiva bailes, festas e viagens para a terceira idade. "São nestes eventos que acontecem os encontros afetivos".
A coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids, Helena Edília Lima Pires, lembra ainda que na era do Viagra, estimulante sexual, a situação do idoso é delicada. "Quem pensa que eles (idosos) não fazem sexo está enganado. É necessário fazer com que eles entendam que sexo é gostoso, mas que com essa epidemia não pode transar sem camisinha. Ma aí é que está o problema. A maioria deles ainda resiste a essa idéia. Primeiro porque acham que nunca serão infectados. E segundo porque acham a camisinha incômoda", explica Helena.

"Não sei de
quem contraí o vírus"

Florianópolis - O senhor de cabelos brancos e bisavô de dois meninos jura que foi contaminado por "sacanagem" da jovem com quem saiu. Lembra que a camisinha que usou estava furada. "Foi a garota que furou com um alfinete por sacanagem. Ela estava drogada. Havia cheirado cocaína", detalha o homem, que tinha consciência do risco que estava correndo ao entrar em um motel da Grande Florianópolis.
"Sabia que ela tinha Aids, mas mesmo assim resolvi transar. Foi uma tentação", justifica o senhor, que recebeu o perdão da família. Mas confessa que no início não foi nada fácil. Lembra que só realizou os exames porque começou a emagrecer rapidamente.
O homem acredita que não foi discriminado pela família - mulher, quatro filhos, três netos e dois bisnetos - porque é um bom pai. "Seria natural que eles (os familiares) não me aceitassem dentro de casa. Sei que o que aconteceu foi algo raro, já que o preconceito é grande", diz o senhor, que não admite que transou com a garota para se auto-afirmar como homem. Porém, é categórico ao afirmar que o homem depois dos 60 anos "é pifado". "Tenho certeza que eu não estou", diz.
Enquanto o bisavô de dois meninos recebeu amparo da família, o também portador do vírus HIV/Aids de 62 anos não suportou a vergonha e o desprezo da mulher, dos três filhos e dos cinco netos. Saiu de casa quando soube do resultado positivo do exame e foi morar com um rapaz de 23 anos com quem se relaciona há quatro anos. "Não sei de quem eu contraí o vírus. Durante os 38 anos que fui casado, tive casos extraconjugais esporádicos. Tinha tendência homossexual", detalha o homem, que contaminou a agora ex-mulher.
"Sempre transei sem camisinha. Às vezes porque não tinha ou porque o parceiro não queria. E também porque não é tão confortável. Mas nunca imaginei que um dia fosse pegar Aids", lembra o senhor, que levou um "choque" quando viu o resultado.
"Foi um desespero total. Minha mulher até tentou o suicídio. Ela quase cortou os pulsos, mas consegui evitar", lembra. Hoje ele vive um paradoxo. O senhor diz que não se arrepende do seu passado, mas sente falta da família. (SP)

Cartilha orienta mulheres
contra doença na área rural

Florianópolis - Com apoio da Unesco e da Comissão Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs/Aids), o Movimento de Mulheres Agricultoras (MMA/SC) acaba de lançar a cartilha "Aids - Conhecer para Evitar". A intenção é repassar informações sobre as formas de transmissão de agentes causadores destas doenças. As cartilhas serão entregues em encontros organizados pelo MMA/SC para debater o assunto com agricultoras em mais de 150 municípios do Estado. "Lutar pela saúde é lutar pela vida", apontam as coordenadoras do MMA/SC.
Em Santa Catarina, um dos Estados onde mais avançam os dados epidemiológicos referentes às DSTs e HIV/Aids, já estão registrados na zona rural 139 casos, dos mais de 6 mil notificados pela Secretaria de Estado da Saúde.
O MMA, conforme a coordenação, trava "verdadeira guerra" contra o vírus da Aids na área rural. A campanha visa principalmente à conscientização de mulheres agricultoras sobre o risco provocado pela desinformação. Os tabus, como o mito da fidelidade, e a falta de diálogo sobre sexo, são considerados os principais obstáculos à prevenção.
Em encontros realizados no ano passado, as coordenadoras do MMA puderam constatar que a situação é alarmante. Falta informação para pessoas que portam o vírus da Aids, denunciam.

Número de idosos
cresce no interior

São Paulo - Há quase duas décadas as estatísticas registram o envelhecimento da população brasileira. Já não há mais dúvidas quanto ao aumento da porcentagem de pessoas idosas. O que ainda não está claro é a conseqüência desse fenômeno para o País, em termos sociais e econômicos. Na opinião do geógrafo Odeibler Santo Guidugli, um estudioso do assunto, o debate está atrasado. Já passou da hora, segundo o especialista, de se estabelecer políticas públicas para enfrentar o envelhecimento.
Guidugli, que é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) acaba de concluir um amplo estudo sobre o crescimento da população de idosos em São Paulo. Ele verificou que as maiores taxas de envelhecimento populacional são verificadas nos pequenos municípios do interior, justamente aqueles com poucas fontes de arrecadação própria e, portanto, com menos recursos para dar bom atendimento aos idosos.
Considerando que São Paulo é o Estado com as maiores taxas de envelhecimento, pode-se dizer que o estudo é um retrato antecipado do que ocorrerá no resto do País. "O que está acontecendo aqui se repetirá daqui a 10 anos na maioria dos Estados", diz Guidugli.
Em seu trabalho, o pesquisador da Unesp fez uma análise das estatísticas do IBGE para os 625 municípios existentes em São Paulo. Verificou que em 120 deles a taxa média de crescimento da população com mais de 60 anos já é o dobro da taxa que mede o crescimento total da população.


Delegacia
No papel desde outubro e 1998, São Bento do Sul conseguiu a instalação da delegacia da mulher. A delegada Ângela Roesler, lotada como delegada da mulher, mas atua na delegacia da comarca, já obteve garantia de parceria da Prefeitura na construção da sede, com o pagamento da mão-de-obra. O material para a construção será obtido através de doações de empresários.

Casas 1
A Prefeitura de Papanduva assumiu a conclusão de 59 casas da Cohab. O conjunto habitacional começou a ser construído em 1996, mas as obras foram paralisadas durante o governo Paulo Afonso, porque não houve repasses do órgão estadual. O débito para com a empreiteira responsável era de R$ 74 mil. As 59 famílias que vão ocupar as casas já estão definidas

Casas 2
O prefeito Mauri Grein (PPB) conseguiu junto ao governo estadual a liberação de R$ 50 mil para pagar a dívida. A prefeitura comprometeu-se a pagar os outros R$ 24 mil para a empreiteira, em seis parcelas. Além disso a prefeitura arcará com os custos de conclusão da obra, que apresenta 70% já edificada. O restante fica pronto em 120 dias.

Manchetes AN

Das últimas edições de Geral
19/02 - Caminhão de gás atinge três casas
18/02 - Situação explosiva em cinco presídios
17/02 - Enchente interdita BR-101 em Araranguá
16/02 - Chuvas voltam a castigar o Sul
15/02 - Chuva provoca alagamentos em Palhoça e Praia Grande
14/02 - Três empresas farão a recuperação da BR-470
13/02 - AN lança canal ecológico na Internet

Leia também

Professor troca salas de aula por criação de cabras

Alternativa financeira levou à investimento na área rural

Frutuoso Oliveira

Caçador - Desiludido com a álgebra e as salas de aula e buscando uma nova alternativa financeira, o professor de matemática, José Francisco da Silva, 42 anos, se recolheu para a tranqüilidade da vida no campo. Na pequena propriedade de 10 hectares, localizada no quilômetro 11 da SC-302, na localidade de Cerro Branco, interior de Caçador, ele cuida com disposição do rebanho de 47 cabras, entre matrizes e reprodutores. Onze delas contribuem para a produção de 15 a 20 litros de leite diários que, vendidos, ajudam no orçamento da família, que é completado com o salário da mulher que continua lecionando.
"Sempre tive o sonho de estruturar uma criação de cabras", conta Silva, que foi professor por 17 anos e há dois abandonou o giz e os livros para comprar o primeiro lote de animais. "Eram caprinos campeiros. São muito resistentes, mas produzem pouca carne e leite", explica o criador, lembrando que o próximo passo foi melhorar a qualidade do rebanho. Com essa idéia na cabeça, Silva investiu na raça Saanen, que mantém até hoje. "Estas cabras produzem mais leite", afirma. De acordo com ele, enquanto a campeira produzia um litro de leite por dia a Saanen produz três com um período de lactação que chega a durar de cinco a seis meses.
Conforme o criador, a falta de tradição do consumo de leite de cabra na região, interfere negativamente tanto na venda da produção, quanto na troca de experiências. "É um animal que poucos se dedicam, pela dificuldade de manuseio e estrutura que exige", analisa. Outra dificuldade que Silva encontra é o clima da região com invernos rigorosos que interferem na qualidade do pasto. O criador está preparando uma pastagem com novas variedades de vegetação à base de festuca, trevo e cornixão, que darão aos animais alimento o ano inteiro.

Realização e insegurança

Na hora da lida com o rebanho a família Silva se realiza. Porém quando vai vender a produção a realização dá espaço à insegurança. O leite da cabra, apesar de seu alto teor nutritivo, não é muito difundido e sua venda é limitada. Dos 15 a 20 litros de leite produzidos diariamente, apenas 10 são comercializados. Com o restante a família faz derivados para o consumo próprio. Cada litro é vendido a R$ 1,50.
Os ganhos ainda são pequenos, mas as esperanças são muitas. Com a comercialização mensal de leite (cerca de R$ 450,00), o faturamento já se equipara ao salário mensal de um professor da rede estadual de ensino que, de acordo com dados do Sinte/SC, recebe R$ 452,00 por 40 horas de trabalho mensal.

Valor nutritivo aliado à aplicações terapêuticas

A ausência de aglutinina - substância que impede a ligação dos glóbulos de gordura - facilita ainda mais a digestão e a absorção do leite de cabra, que é utilizado por pessoas com úlceras estomacais e indicado para mulheres e crianças como excelente fonte de cálcio e vitaminas. Alguns pesquisadores citam que em pacientes com câncer, submetidos à quimioterapia, o leite de cabra ajuda a diminuir os efeitos colaterais.
Características referentes ao leite de cabra possibilitam aplicações terapêuticas. As mais comuns são o consumo por pessoas com distúrbios gastrointestinais e crianças com intolerância ao leite de vaca. Antes de passar a consumir leite de cabra, a pessoa deve procurar orientação médica.

Alergias

O leite de cabra é um alimento de alto valor nutritivo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 7,5% das crianças na primeira infância chegam a apresentar sintomatologia de alergia às proteínas do leite bovino, incluindo rinite, dores de cabeça, asma, bronquite, urticária, eczema, vômitos, diarréia, colite e dores abdominais. Entre 40 e 100% destes pacientes são capazes de tolerar o leite de cabra, já que sua composição proteica é semelhante ao do leite humano, com menores teores das substâncias que desencadeiam o processo alérgico na maioria dos casos. Um litro de leite de cabra equivale a oito ovos, 150 gramas de carne de frango ou 900 gramas de batata.
Pessoas com deficiência de determinadas lactoenzimas conservam a lactose por mais tempo no intestino, local onde é fermentada pela ação dos coliformes intestinais, produzindo gases e ácidos que resultam em vômito, diarréia e desidratação. Com o uso do leite de cabra, os sintomas desaparecem. O leite de cabra é nutritivo, rico em vitaminas (A e D), cálcio, fósforo, sais minerais, albumina, globina, globulina e ácidos graxos. Entretanto, é menos gorduroso que o leite de vaca. O leite de cabra também pode ser usado como produto dietético ideal no tratamento de diabete e arteriosclerose.


Jardim de teatro será reformulado

Paisagismo pretende valorizar o prédio, em Blumenau

Blumenau - Um novo projeto paisagístico começa a ser executado nos jardins do Teatro Carlos Gomes, com o objetivo de valorizar a imponente arquitetura construída nos anos 30. As obras iniciaram na segunda-feira, com a relocação dos arbustos que escondem a fachada no estilo art deco. A praça do principal monumento cultural da cidade deve ficar pronta em dois meses. O projeto assinado pela paisagista Ana Holzer está sendo executado pela construtora Hahne e patrocinado pelo empresário Wander Weege, de Jaraguá do Sul, que não informou o valor do investimento.
A reforma paisagística vai seguir a linha arquitetônica do teatro, que é dividido simetricamente em duas partes. A praça terá uma linha imaginária no centro, aberta em grandes rótulas calçadas para acesso ao prédio e promoção de eventos ao ar livre. Quatro grandes áreas verdes serão delimitadas com canteiros de flores perenes e os arbustos altos serão substituídos por plantas topiadas (aquelas podadas em vários formatos). A escultura em bronze do artista Pedro Dantas Rodrigues, que representa todas as formas de arte, será valorizada com a transferência para o centro da praça, em um pequeno espelho d'água.
Nas duas laterais do jardim, cortinas de palmeiras imperiais darão uma visão perspectiva, centralizando a arquitetura do teatro. As varandas dos dois pisos serão coloridas por flores pendentes, e a cobertura do hall de entrada será transformada num grande jardim suspenso. Espelhos d'água, grandes vasos de folhagens, bancos, sonorização e iluminação especiais, e ainda, tótens informativos, complementam o projeto de Ana Holzer.

Praça vai ser extensão de rua histórica

Todas as calçadas dos jardins do Teatro Carlos Gomes serão revestidas com as mesmas lajotas do projeto de reurbanização da rua 15 de Novembro, fazendo da praça uma extensão da rua histórica de Blumenau.
A lateral esquerda da varanda terá um deck aberto, onde a direção do teatrovai instalar um bar/café, ligado a outra área interna onde se pretende abrir uma adega. "Será um ponto de encontro para atrair as pessoas a visitar o teatro", afirma o presidente, Hans Dieter Didjurgeit. Ele afirma que a idéia de reconstruir o jardim vinha sendo adiada há anos por falta de recursos, mas era um pleito da própria comunidade, que considerava a praça incompatível com a riqueza arquitetônica e cultural do teatro. O projeto de Ana Holzer foi aprovado pelo Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau.
Já o projeto de reforma geral das instalações do Teatro Carlos Gomes, no valor de R$ 2,2 milhões, ainda está indefinido em Brasília. O Ministério da Cultura anunciou a aprovação da proposta através da Lei do Mecenato, mas esta liberação ainda está condicionada ao pagamento de impostos de R$ 100 mil, que o teatro não tem como quitar.
Somente a Prefeitura de Blumenau deve R$ 60 mil em serviços prestados em 1999 (eventos sediados no teatro). Neste projeto estão incluídas obras de modernização de salas e auditórios, melhorias na estrutura técnica, instalação de sistema de ar-condicionado central, elevadores e rampas para deficientes físicos.


Fórum debate redução de idade penal

Rio Negrinho - A redução da idade penal estará em discussão em fórum regional que acontece nesta segunda-feira, na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, com representantes do Fórum Catarinense pelo Fim da Violência Infanto-juvenil das cidades de São Bento do Sul, Campo Alegre, Mafra, Itaiópolis, Papanduva, Monte Castelo, além de Rio Negrinho. O evento começa às 15 horas com palestra do promotor Gercino Gerson Gomes Neto, do Centro de Promotorias da Infância, de Florianópolis.
O fórum pretende mostrar que reduzir a idade penal não é o caminho certo para combater a violência. "Não é prendendo crianças que se vai resolver o problema, pelo contrário: na cadeia estes menores só vão ter maus exemplos", comenta Osmair Baier, presidente do fórum. Durante as discussões, que são abertas à comunidade, serão apresentados os programas previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e que visam a recuperação dos menores infratores.
Conselhos Tutelares, Associação dos Magistrados, Conselho dos Direitos da Criança, Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania são algumas das entidades que apóiam o evento. Baier lembra que, em setembro do ano passado, quando Rio Negrinho sediou um fórum pelo fim da violência, houve boa adesão da comunidade. "Estudantes, professores, autoridades, todos se engajaram e é bom que isso ocorra novamente".

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicaçăo e Internet