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Filantropia mascarada
ludibria a boa-fé
Multiplicam-se
em Joinville entidades que visam o lucro
Luis Fernando Assunção
Era
mais um bingo de uma entidade beneficente que auxiliava idosos
em Joinville. Em dezembro de 1994, exultante, a dona de casa
Cecília Junck Garcia, 59 anos, freqüentadora assídua
das promoções, segurava a senha que instantes atrás
havia lhe garantido o prêmio maior: uma chácara
no município de Araquari, com 25 metros de frente e 80
de fundos. Cinco anos depois, Cecília ainda briga na Justiça
para receber o prêmio e a mesma entidade filantrópica
continua promovendo bingos na cidade. Em Joinville, multiplicam-se
as chamadas "pilantropias", empresas privadas que são
abertas contrariando o princípio básico de qualquer
ação filantrópica: a ausência de lucro.
Em Joinville, há dezenas de entidades filantrópicas.
Qualquer pessoa pode ter uma, desde que preencha os requisitos
exigidos pela Secretaria de Bem-estar Social ou do Ministério
da Previdência e Assistência Social. Não há
nada que impeça, por exemplo, que uma empresa comece a
arrecadar fundos - via doações ou contribuições
na conta de energia ou telefone - para determinados setores,
como ajuda a crianças, idosos, deficientes. O problema
é a falta de fiscalização. Muitas dessas
empresas abusam da boa-fé e da solidariedade das pessoas,
deixando de conduzir para os devidos fins a arrecadação
obtida.
"Hoje, qualquer pessoa pode abrir uma entidade e explorar.
Deveria haver uma lei mais rígida, principalmente quando
se buscam recursos públicos para tais associações",
admite o secretário de Bem-estar Social de Joinville,
Osmari Fritz. Segundo ele, é preciso, de alguma forma
coibir a atividade dessas empresas que utilizam a filantropia
para enriquecimento de seus proprietários. "Normalmente,
essas entidades agem em cima da boa fé. Essas doações
por telefone são exageradas e não há controle",
disse. "Precisa haver clareza nas ações das
entidades, para que não haja dúvida de sua seriedade".
Bom exemplo
A Associação Joinvilense de Obras Sociais (Ajos)
reúne mais de 50 entidades filantrópicas. ""As
nossas entidades enviam todos os meses o seu balancete e tudo
é controlado rigorosamente," explicou a presidente
da associação, Miriam Malschitzky. Segundo ela,
a Ajos conseguiu se firmar pela seriedade com que trata as questões
filantrópicas.
Idealizador das cozinhas comunitárias, que alimentam,
diariamente, 1,7 mil crianças de Joinville, o padre Luiz
Fachini também conseguiu consolidar sua idéia depois
de mostrar seriedade no trato das doações. Tudo
o que recebe é investido diretamente na melhoria das refeições
das crianças ou nas acomodações do mini-internato
que mantém na sede da Fundação Pauli-Madi
Pró-Solidariedade e Vida, da qual é fundador. "Nossas
crianças não comem migalhas. Comem o que temos
de melhor. Graças à solidariedade e à confiança
das pessoas", concluiu.
Calotes atingiram dona
de casa e comerciante
A comerciante Maria Delir Righetto e a dona de casa Cecília
Junck Garcia foram ludibriadas pela boa-fé. Cecília
ganhou uma chácara em um bingo promovido pela Sociedade
de Assistência e Amparo à Terceira Idade (Saati)
e há cinco anos luta para receber o prêmio. O mesmo
diretor da Saati, Edson Vicente dos Santos Leitão, havia
aplicado um golpe semelhante em Maria Delir há 20 anos,
quando vendeu dois terrenos e até hoje não os entregou.
"O que é estranho é que um homem desses continue
solto, e ainda por cima dono de uma entidade filantrópica,
que ajuda velhinhos", criticou Cecília.
Leitão era dono de imobiliária na década
de 80 em Joinville - a Santos Leitão Imóveis Ltda
-, quando houve o boom de loteamentos em áreas de mangue,
consideradas de preservação permanente. E foi nessa
época que Maria Delir foi enganada. Pagou, em parcela,
junto com o marido, o preço equivalente a dois terrenos
no loteamento Bom Jesus, no bairro Itinga. Depois de quitado,
foi até o local com o contrato de compra e venda. "Cheguei
lá e me disseram que tinha outro dono. Ele prometeu dois
outros terrenos, mas até hoje nada", reclamou Maria
Delir.
Chácara
Com Cecília, a história foi semelhante. Já
sob o guarda-chuvas de uma entidade filantrópica, Leitão
começou a promover bingos com a promessa de construir,
em alguns anos, um centro de vivência da terceira idade
(Ceviti). Cecília ganhou o prêmio maior: uma chácara
de 25 metros de frente por 80 de fundos em Araquari. Com o contrato
de compra e venda em mãos, alguns dias depois Cecília
foi até o local e soube que o terreno estava em nome de
um tal Antonio Alves de Oliveira. "Sempre freqüentei
esses bingos e ganho esse calote. Não sei a quem mais
recorrer. A questão está na Justiça mas
esse senhor continua aprontando das suas", reclamou.
Os bingos - sempre realizado em um clube da cidade - promovido
pela Saati tem todos os brilhos de um grande show. Música,
cânticos, danças, espetáculos para chamar
a atenção do público. Nos últimos
bingos, assustado com as denúncias, Leitão tem
oferecido prêmios mais modestos - que pode pagar sem ter
prejuízo - como máquina de lavar, liquidificador,
bicicletas, televisores. Em todos os eventos, dezenas de velhinhos
se empurram para encontrar a melhor mesa ou adquirir mais cartelas.
"Não sei até onde ele vai. Se a Justiça
não fizer alguma coisa, as pessoas vão continuar
sendo enganadas", completou Cecília.
Penhora
Leitão nega o calote. "No caso da dona Cecília,
quem promoveu o bingo para a Saati foi uma outra empresa. E quanto
à dona Maria, o terreno acabou penhorado". A Saati
tem estatutos e é de interesse filantrópico. Na
prática, entretanto, é uma empresa privada, que
vende plano de assistência médica e utiliza indevidamente
o termo filantropia. Arrecada, em média, R$ 30 mil só
com o convênio com a Celesc, sem contar os bingos. Esse
dinheiro seria investido na construção do centro
de vivência, que não saiu do papel.
As contribuições de R$ 10,00, R$ 15,00 e R$ 30,00
debitados na conta de luz são mensalidades por serviços
prestados, como atendimento médico e de ambulância.
"Oferecemos remédios com descontos e médicos
por R$ 15,00", enumera Leitão. Uma empresa da cidade
doou, recentemente, duas ambulâncias para a Saati. Leitão
está se mudando com a família, nos próximos
dias, para uma residência com piscina, 18 cômodos,
localizada no bairro Bucarein, zona Sul da cidade. (LFA)
Fundação mantém
crianças e credibilidade
Pauli-Madi alimenta
1.700 menores vivendo da solidariedade
Joinville - Iniciativas sérias continuam mantendo a
credibilidade da filantropia. Há cinco anos a Fundação
Pauli-Madi Pró-Solidariedade luta, sempre com doações,
contra um problema crônico do Brasil: a fome. Um projeto
pioneiro desenvolvido pelo padre Luiz Fachini está conseguindo
alimentar 1.700 crianças pobres de Joinville, através
de 17 cozinhas comunitárias, oferecendo almoço
e reforço escolar. Além disso, a fundação
mantém um mini-internato para crianças encaminhadas
pelo Conselho Tutelar que precisem de um local para permanecer
provisoriamente, até serem adotadas ou devolvidas para
a família. Outro projeto é o cidadão do
futuro, que introduz adolescentes em atividades profissionalizantes.
A Pauli-Madi sempre viveu exclusivamente da solidariedade das
pessoas e empresas. Desde 1998, a Prefeitura de Joinville também
decidiu contribuir com um auxílio mensal. Para manter
toda a estrutura, a fundação necessita de R$ 12
mil mensais. Só as cozinhas consomem R$ 9,3 mil. Para
organizar a fundação, Fachini sacrificou seus próprios
bens. Vendeu um terreno e um barco de pesca para começar
a empreitada. "Quando completei 25 anos de padre decidi
que era o momento de fazer alguma coisa", relembra.
O trabalho começou com as cozinhas comunitárias.
Os voluntários da fundação mapearam em Joinville
21 focos de fome, localizados na periferia da cidade. Traçaram
um plano de erguer em cada um deles, uma cozinha comunitária.
Já conseguiram 17, faltam três. "Estamos construindo
a 18ª cozinha no Jardim Edilene e depois a meta é
o Morro do Amaral", projeta Fachini. Todos os que trabalham
na cozinha são voluntários do próprio bairro.
"Acho que estamos conseguindo ajudar a debelar esses focos
de fome."
Futuro
O cidadão do futuro é outro projeto desenvolvido
pela Pauli-Madi. Os requisitos são pertencer a uma família
pobre e estar matriculado em alguma escola da cidade. Na sede
da fundação, os adolescentes realizam trabalhos
profissionalizantes intercalados com lazer e relações
humanas. Neste ano, a idéia é manter 20 meninas
pela manhã e 20 meninos à tarde. "Nesses projetos,
profissionais de diversas podem contribuir com trabalho voluntário.
Doar uma hora para construir uma paz interior que não
tem preço. E essa hora não fará falta",
reflete Fachini.
A Fundação Pauli-Madi também mantém
em sua sede um mini-internato com capacidade para 36 crianças.
Elas são acompanhadas por religiosas, dia e noite. "Já
tivemos por aqui 24 crianças. Hoje não temos nenhuma",
revela Fachini. "Conseguimos reatar laços familiares
de crianças maltratadas, em situação de
risco". Se não houver conciliação com
a família, o caminho é o da adoção.
(Luis Fernando Assunção)
Saiba mais
- O que deve conter o estatuto para conseguir registro no Conselho
Nacional de Assistência Social:
- A atividade pode ser de assistência social, educação,
saúde, cultura, pesquisa, ecológica e outras
- A entidade deve aplicar suas rendas, seus recursos e eventual
resultado operacional integralmente no território nacional
e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos
institucionais
- Seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores,
benfeitores ou equivalentes não devem receber remuneração,
vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por
qualquer forma ou título, em razão das competências,
funções ou atividades que lhe sejam atribuídas
pelos respectivos atos constitutivos
- A entidade deve prestar serviço permanente e sem qualquer
discriminação de clientela.
- As entidades devem promover:
- Proteção à família, criança,
maternidade, adolescência e velhice
- Amparo a crianças e adolescentes carentes
- Ações de prevenção, habilitação,
reabilitação e integração à
vida comunitária de pessoas portadoras de deficiência
- A integração ao mercado de trabalho
- A assistência educacional ou de saúde
- O desenvolvimento da cultura
- O atendimento e assessoramento aos benefícios da Lei
Orgânica da Assistência Social e a defesa da garantia
de seus direitos.
Fonte: Ministério da Previdência e Assistência
Social.
Aids, um drama
também na terceira idade
Número de
notificações entre pessoas com mais de 50 anos
já chega a 400 em SC, 5,6% dos contaminados
Silvia Pinter
Florianópolis - Uma noite de prazer extraconjugal era
tudo o que aquele senhor de cabelos brancos e bisavô de
dois meninos queria. A vontade foi saciada num motel com a amiga
da mulher com quem estava casado há mais de 35 anos. Tudo
parecia bem. Até que um dia, o senhor, de 58 anos, emagreceu
repentinamente e a família o levou para o hospital. Foi
então que todos receberam a triste notícia: ele
havia sido infectado pelo vírus HIV/Aids, e estava com
a doença, ainda incurável. "Não imaginava
que isso poderia acontecer comigo. Se pudesse voltar no tempo
jamais faria o que fiz", garante o homem, que pediu para
que o seu nome e as iniciais não fossem revelados. "Nem
imaginava que poderia ter sido infectado. Quando peguei o resultado
fiquei chocado. E a minha família pior ainda. Mas graças
a Deus não contaminei a minha mulher", conta o doente,
que chegou a pesar 49 quilos. Atualmente ele pesa 78 quilos.
Parece ficção, mas casos como o deste homem, vêm
causando preocupação nos últimos dois anos
no Estado. A chefe do Programa Estadual DST/Aids da Secretaria
Estadual da Saúde, Elma Fior da Cruz garante que Santa
Catarina lidera o índice de idosos com Aids no País.
O Estado não têm dados estatísticos que comprovem
esta liderança, mas a Secretaria de Saúde se baseia
nos índices gerais que colocam três cidades catarinenses
- Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis
- no topo do ranking da Aids no Brasil, proporcionalmente.
Os números são poucos, mas significativos. Dos
6.322 casos notificados no Estado, 355 são de pessoas
acima de 50 anos de idade, um percentual de 5,6%. Isso sem falar
no número de infectados. Apesar de ainda não fazerem
parte dos relatórios oficiais, o Ministério da
Saúde estima que, no Brasil, para cada pessoa doente haja
três outras infectadas. A estimativa da Organização
Mundial da Saúde (OMS) é mais pessimista. Para
a OMS há para cada doente, de oito a 50 infectados, dependendo
da região. "Temos um novo desafio a ser vencido",
admite Elma Fior da Cruz, referindo-se à falta de um programa
de prevenção específico para idosos.
Ela lembra que antigamente os idosos infectados pelo vírus
HIV/Aids eram esporádicos. E a principal causa era a transfusão
sangüinea, já que se tinha a ilusão de que
"velho não transava". Os tempos mudaram e,
com a ajdua da ciência, tabus como os da impotência
sexual e de que a mulher transava apenas para procriação
foram desmitificados.
O problema, segundo Elma, é que tanto os órgãos
não-governamentais (ONGs) e o próprio poder público
se esqueceram disso. Hoje, 90% dos idosos vítimas da Aids
foram infectados por via sexual e os outros 10% por transfusão
sangüínea. Entre os contaminados, 20% mantiveram
relação homossexual e o restante heterossexual.
Trabalho diferenciado
"O trabalho de prevenção direcionado a
idosos tem que ser diferente daquele destinado a adolescentes.
É uma outra cultura", alerta a chefe do programa
DST/Aids, Elma Fior da Cruz, que não visualiza solução
para o problema enquanto o grupo em risco não se organizar.
"Não há saída enquanto a sociedade
como um todo não se conscientizar", complementa Elma,
lembrando da indústria de turismo que incentiva bailes,
festas e viagens para a terceira idade. "São nestes
eventos que acontecem os encontros afetivos".
A coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção
da Aids, Helena Edília Lima Pires, lembra ainda que
na era do Viagra, estimulante sexual, a situação
do idoso é delicada. "Quem pensa que eles (idosos)
não fazem sexo está enganado. É necessário
fazer com que eles entendam que sexo é gostoso, mas que
com essa epidemia não pode transar sem camisinha. Ma aí
é que está o problema. A maioria deles ainda resiste
a essa idéia. Primeiro porque acham que nunca serão
infectados. E segundo porque acham a camisinha incômoda",
explica Helena.
"Não sei de
quem contraí o vírus"
Florianópolis - O senhor de cabelos brancos e bisavô
de dois meninos jura que foi contaminado por "sacanagem"
da jovem com quem saiu. Lembra que a camisinha que usou estava
furada. "Foi a garota que furou com um alfinete por sacanagem.
Ela estava drogada. Havia cheirado cocaína", detalha
o homem, que tinha consciência do risco que estava correndo
ao entrar em um motel da Grande Florianópolis.
"Sabia que ela tinha Aids, mas mesmo assim resolvi transar.
Foi uma tentação", justifica o senhor, que
recebeu o perdão da família. Mas confessa que
no início não foi nada fácil. Lembra que
só realizou os exames porque começou a emagrecer
rapidamente.
O homem acredita que não foi discriminado pela família
- mulher, quatro filhos, três netos e dois bisnetos - porque
é um bom pai. "Seria natural que eles (os familiares)
não me aceitassem dentro de casa. Sei que o que aconteceu
foi algo raro, já que o preconceito é grande",
diz o senhor, que não admite que transou com a garota
para se auto-afirmar como homem. Porém, é categórico
ao afirmar que o homem depois dos 60 anos "é pifado".
"Tenho certeza que eu não estou", diz.
Enquanto o bisavô de dois meninos recebeu amparo da família,
o também portador do vírus HIV/Aids de 62 anos
não suportou a vergonha e o desprezo da mulher, dos três
filhos e dos cinco netos. Saiu de casa quando soube do resultado
positivo do exame e foi morar com um rapaz de 23 anos com quem
se relaciona há quatro anos. "Não sei de
quem eu contraí o vírus. Durante os 38 anos que
fui casado, tive casos extraconjugais esporádicos. Tinha
tendência homossexual", detalha o homem, que contaminou
a agora ex-mulher.
"Sempre transei sem camisinha. Às vezes porque não
tinha ou porque o parceiro não queria. E também
porque não é tão confortável. Mas
nunca imaginei que um dia fosse pegar Aids", lembra o senhor,
que levou um "choque" quando viu o resultado.
"Foi um desespero total. Minha mulher até tentou
o suicídio. Ela quase cortou os pulsos, mas consegui evitar",
lembra. Hoje ele vive um paradoxo. O senhor diz que não
se arrepende do seu passado, mas sente falta da família.
(SP)
Cartilha orienta mulheres
contra doença na área rural
Florianópolis - Com apoio da Unesco e da Comissão
Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis
(DSTs/Aids), o Movimento de Mulheres Agricultoras (MMA/SC) acaba
de lançar a cartilha "Aids - Conhecer para Evitar".
A intenção é repassar informações
sobre as formas de transmissão de agentes causadores destas
doenças. As cartilhas serão entregues em encontros
organizados pelo MMA/SC para debater o assunto com agricultoras
em mais de 150 municípios do Estado. "Lutar pela
saúde é lutar pela vida", apontam as coordenadoras
do MMA/SC.
Em Santa Catarina, um dos Estados onde mais avançam os
dados epidemiológicos referentes às DSTs e HIV/Aids,
já estão registrados na zona rural 139 casos, dos
mais de 6 mil notificados pela Secretaria de Estado da Saúde.
O MMA, conforme a coordenação, trava "verdadeira
guerra" contra o vírus da Aids na área rural.
A campanha visa principalmente à conscientização
de mulheres agricultoras sobre o risco provocado pela desinformação.
Os tabus, como o mito da fidelidade, e a falta de diálogo
sobre sexo, são considerados os principais obstáculos
à prevenção.
Em encontros realizados no ano passado, as coordenadoras do MMA
puderam constatar que a situação é alarmante.
Falta informação para pessoas que portam o vírus
da Aids, denunciam.
Número de idosos
cresce no interior
São Paulo - Há quase duas décadas as
estatísticas registram o envelhecimento da população
brasileira. Já não há mais dúvidas
quanto ao aumento da porcentagem de pessoas idosas. O que ainda
não está claro é a conseqüência
desse fenômeno para o País, em termos sociais e
econômicos. Na opinião do geógrafo Odeibler
Santo Guidugli, um estudioso do assunto, o debate está
atrasado. Já passou da hora, segundo o especialista, de
se estabelecer políticas públicas para enfrentar
o envelhecimento.
Guidugli, que é professor da Universidade Estadual Paulista
(Unesp) acaba de concluir um amplo estudo sobre o crescimento
da população de idosos em São Paulo. Ele
verificou que as maiores taxas de envelhecimento populacional
são verificadas nos pequenos municípios do interior,
justamente aqueles com poucas fontes de arrecadação
própria e, portanto, com menos recursos para dar bom atendimento
aos idosos.
Considerando que São Paulo é o Estado com as maiores
taxas de envelhecimento, pode-se dizer que o estudo é
um retrato antecipado do que ocorrerá no resto do País.
"O que está acontecendo aqui se repetirá daqui
a 10 anos na maioria dos Estados", diz Guidugli.
Em seu trabalho, o pesquisador da Unesp fez uma análise
das estatísticas do IBGE para os 625 municípios
existentes em São Paulo. Verificou que em 120 deles a
taxa média de crescimento da população com
mais de 60 anos já é o dobro da taxa que mede o
crescimento total da população.
Delegacia
No papel desde outubro e 1998, São Bento do Sul conseguiu
a instalação da delegacia da mulher. A delegada
Ângela Roesler, lotada como delegada da mulher, mas atua
na delegacia da comarca, já obteve garantia de parceria
da Prefeitura na construção da sede, com o pagamento
da mão-de-obra. O material para a construção
será obtido através de doações de
empresários.
Casas 1
A Prefeitura de Papanduva assumiu a conclusão de 59 casas
da Cohab. O conjunto habitacional começou a ser construído
em 1996, mas as obras foram paralisadas durante o governo Paulo
Afonso, porque não houve repasses do órgão
estadual. O débito para com a empreiteira responsável
era de R$ 74 mil. As 59 famílias que vão ocupar
as casas já estão definidas
Casas 2
O prefeito Mauri Grein (PPB) conseguiu junto ao governo estadual
a liberação de R$ 50 mil para pagar a dívida.
A prefeitura comprometeu-se a pagar os outros R$ 24 mil para
a empreiteira, em seis parcelas. Além disso a prefeitura
arcará com os custos de conclusão da obra, que
apresenta 70% já edificada. O restante fica pronto em
120 dias.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
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Professor troca salas de aula por
criação de cabras
Alternativa financeira
levou à investimento na área rural
Frutuoso Oliveira
Caçador - Desiludido com a álgebra e as salas
de aula e buscando uma nova alternativa financeira, o professor
de matemática, José Francisco da Silva, 42 anos,
se recolheu para a tranqüilidade da vida no campo. Na pequena
propriedade de 10 hectares, localizada no quilômetro 11
da SC-302, na localidade de Cerro Branco, interior de Caçador,
ele cuida com disposição do rebanho de 47 cabras,
entre matrizes e reprodutores. Onze delas contribuem para a produção
de 15 a 20 litros de leite diários que, vendidos, ajudam
no orçamento da família, que é completado
com o salário da mulher que continua lecionando.
"Sempre tive o sonho de estruturar uma criação
de cabras", conta Silva, que foi professor por 17 anos e
há dois abandonou o giz e os livros para comprar o primeiro
lote de animais. "Eram caprinos campeiros. São muito
resistentes, mas produzem pouca carne e leite", explica
o criador, lembrando que o próximo passo foi melhorar
a qualidade do rebanho. Com essa idéia na cabeça,
Silva investiu na raça Saanen, que mantém até
hoje. "Estas cabras produzem mais leite", afirma. De
acordo com ele, enquanto a campeira produzia um litro de leite
por dia a Saanen produz três com um período de lactação
que chega a durar de cinco a seis meses.
Conforme o criador, a falta de tradição do consumo
de leite de cabra na região, interfere negativamente tanto
na venda da produção, quanto na troca de experiências.
"É um animal que poucos se dedicam, pela dificuldade
de manuseio e estrutura que exige", analisa. Outra dificuldade
que Silva encontra é o clima da região com invernos
rigorosos que interferem na qualidade do pasto. O criador está
preparando uma pastagem com novas variedades de vegetação
à base de festuca, trevo e cornixão, que darão
aos animais alimento o ano inteiro.
Realização
e insegurança
Na hora da lida com o rebanho a família Silva se realiza.
Porém quando vai vender a produção a realização
dá espaço à insegurança. O leite
da cabra, apesar de seu alto teor nutritivo, não é
muito difundido e sua venda é limitada. Dos 15 a 20 litros
de leite produzidos diariamente, apenas 10 são comercializados.
Com o restante a família faz derivados para o consumo
próprio. Cada litro é vendido a R$ 1,50.
Os ganhos ainda são pequenos, mas as esperanças
são muitas. Com a comercialização mensal
de leite (cerca de R$ 450,00), o faturamento já se equipara
ao salário mensal de um professor da rede estadual de
ensino que, de acordo com dados do Sinte/SC, recebe R$ 452,00
por 40 horas de trabalho mensal.
Valor nutritivo aliado à
aplicações terapêuticas
A ausência de aglutinina - substância que impede
a ligação dos glóbulos de gordura - facilita
ainda mais a digestão e a absorção do leite
de cabra, que é utilizado por pessoas com úlceras
estomacais e indicado para mulheres e crianças como excelente
fonte de cálcio e vitaminas. Alguns pesquisadores citam
que em pacientes com câncer, submetidos à quimioterapia,
o leite de cabra ajuda a diminuir os efeitos colaterais.
Características referentes ao leite de cabra possibilitam
aplicações terapêuticas. As mais comuns são
o consumo por pessoas com distúrbios gastrointestinais
e crianças com intolerância ao leite de vaca. Antes
de passar a consumir leite de cabra, a pessoa deve procurar orientação
médica.
Alergias
O leite de cabra é um alimento de alto valor nutritivo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde
(OMS), até 7,5% das crianças na primeira infância
chegam a apresentar sintomatologia de alergia às proteínas
do leite bovino, incluindo rinite, dores de cabeça, asma,
bronquite, urticária, eczema, vômitos, diarréia,
colite e dores abdominais. Entre 40 e 100% destes pacientes são
capazes de tolerar o leite de cabra, já que sua composição
proteica é semelhante ao do leite humano, com menores
teores das substâncias que desencadeiam o processo alérgico
na maioria dos casos. Um litro de leite de cabra equivale a oito
ovos, 150 gramas de carne de frango ou 900 gramas de batata.
Pessoas com deficiência de determinadas lactoenzimas conservam
a lactose por mais tempo no intestino, local onde é fermentada
pela ação dos coliformes intestinais, produzindo
gases e ácidos que resultam em vômito, diarréia
e desidratação. Com o uso do leite de cabra, os
sintomas desaparecem. O leite de cabra é nutritivo, rico
em vitaminas (A e D), cálcio, fósforo, sais minerais,
albumina, globina, globulina e ácidos graxos. Entretanto,
é menos gorduroso que o leite de vaca. O leite de cabra
também pode ser usado como produto dietético ideal
no tratamento de diabete e arteriosclerose.
Jardim de teatro será reformulado
Paisagismo pretende
valorizar o prédio, em Blumenau
Blumenau - Um novo projeto paisagístico começa
a ser executado nos jardins do Teatro Carlos Gomes, com o objetivo
de valorizar a imponente arquitetura construída nos anos
30. As obras iniciaram na segunda-feira, com a relocação
dos arbustos que escondem a fachada no estilo art deco. A praça
do principal monumento cultural da cidade deve ficar pronta em
dois meses. O projeto assinado pela paisagista Ana Holzer está
sendo executado pela construtora Hahne e patrocinado pelo empresário
Wander Weege, de Jaraguá do Sul, que não informou
o valor do investimento.
A reforma paisagística vai seguir a linha arquitetônica
do teatro, que é dividido simetricamente em duas partes.
A praça terá uma linha imaginária no centro,
aberta em grandes rótulas calçadas para acesso
ao prédio e promoção de eventos ao ar livre.
Quatro grandes áreas verdes serão delimitadas com
canteiros de flores perenes e os arbustos altos serão
substituídos por plantas topiadas (aquelas podadas em
vários formatos). A escultura em bronze do artista Pedro
Dantas Rodrigues, que representa todas as formas de arte, será
valorizada com a transferência para o centro da praça,
em um pequeno espelho d'água.
Nas duas laterais do jardim, cortinas de palmeiras imperiais
darão uma visão perspectiva, centralizando a arquitetura
do teatro. As varandas dos dois pisos serão coloridas
por flores pendentes, e a cobertura do hall de entrada será
transformada num grande jardim suspenso. Espelhos d'água,
grandes vasos de folhagens, bancos, sonorização
e iluminação especiais, e ainda, tótens
informativos, complementam o projeto de Ana Holzer.
Praça vai ser extensão
de rua histórica
Todas as calçadas dos jardins do Teatro Carlos Gomes
serão revestidas com as mesmas lajotas do projeto de reurbanização
da rua 15 de Novembro, fazendo da praça uma extensão
da rua histórica de Blumenau.
A lateral esquerda da varanda terá um deck aberto, onde
a direção do teatrovai instalar um bar/café,
ligado a outra área interna onde se pretende abrir uma
adega. "Será um ponto de encontro para atrair as
pessoas a visitar o teatro", afirma o presidente, Hans Dieter
Didjurgeit. Ele afirma que a idéia de reconstruir o jardim
vinha sendo adiada há anos por falta de recursos, mas
era um pleito da própria comunidade, que considerava a
praça incompatível com a riqueza arquitetônica
e cultural do teatro. O projeto de Ana Holzer foi aprovado pelo
Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau.
Já o projeto de reforma geral das instalações
do Teatro Carlos Gomes, no valor de R$ 2,2 milhões, ainda
está indefinido em Brasília. O Ministério
da Cultura anunciou a aprovação da proposta através
da Lei do Mecenato, mas esta liberação ainda está
condicionada ao pagamento de impostos de R$ 100 mil, que o teatro
não tem como quitar.
Somente a Prefeitura de Blumenau deve R$ 60 mil em serviços
prestados em 1999 (eventos sediados no teatro). Neste projeto
estão incluídas obras de modernização
de salas e auditórios, melhorias na estrutura técnica,
instalação de sistema de ar-condicionado central,
elevadores e rampas para deficientes físicos.
Fórum debate redução
de idade penal
Rio Negrinho - A redução da idade penal estará
em discussão em fórum regional que acontece nesta
segunda-feira, na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho,
com representantes do Fórum Catarinense pelo Fim da Violência
Infanto-juvenil das cidades de São Bento do Sul, Campo
Alegre, Mafra, Itaiópolis, Papanduva, Monte Castelo, além
de Rio Negrinho. O evento começa às 15 horas com
palestra do promotor Gercino Gerson Gomes Neto, do Centro de
Promotorias da Infância, de Florianópolis.
O fórum pretende mostrar que reduzir a idade penal não
é o caminho certo para combater a violência. "Não
é prendendo crianças que se vai resolver o problema,
pelo contrário: na cadeia estes menores só vão
ter maus exemplos", comenta Osmair Baier, presidente do
fórum. Durante as discussões, que são abertas
à comunidade, serão apresentados os programas previstos
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e que visam
a recuperação dos menores infratores.
Conselhos Tutelares, Associação dos Magistrados,
Conselho dos Direitos da Criança, Secretaria de Estado
de Justiça e Cidadania são algumas das entidades
que apóiam o evento. Baier lembra que, em setembro do
ano passado, quando Rio Negrinho sediou um fórum pelo
fim da violência, houve boa adesão da comunidade.
"Estudantes, professores, autoridades, todos se engajaram
e é bom que isso ocorra novamente".
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