Joinville         -          Terça-feira, 4 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Autonomia
Com novo motor 1.6 16 V a Scénic alcançou a média de consumo de 8,5 km/l, contra 7,9 km/l da versão com propulsor 2.0
Foto: Divulgação

Preço mais baixo puxa
as vendas da Scénic RT 1.6

Tecnologia do motor 16 V é destaque do monovolume

A monovolume Scénic começou a ser vendida nas versões RXE e RT com motor 2.0 em março de 1999, mas ganhou uma versão 1.6 16 válvulas em julho último. Esta versão, denominada RT 1.6, mexeu com as vendas da linha Scénic. Com preço de R$ 29,4 mil - a RT 2.0 sai por R$ 30,5 mil e a top de linha RXE 2.0, por R$ 35,6 mil - a RT 1.6 vem registrando vendas crescentes desde seu lançamento: vendeu 363 unidades em julho, 440 em agosto, 458 em setembro, 459 em outubro e 572 em novembro.
Já a RT 2.0 caiu de 384 em julho para 117 em novembro, enquanto a RXE oscilou entre 334 em julho, 1.792 em agosto e 607 em novembro. No total, a linha Scénic somou 13,9 mil unidades vendidas este ano, sendo 7.772 da RXE, 3.837 da RT 2.0 e 2.292 da RT 1.6 - que está há menos tempo no mercado.
Na prática, a RT 1.6 está roubando mercado mesmo da RT 2.0. Além do preço, a principal razão para isso é a eficiência do motor 1.6 16 válvulas. Mais moderno que o 2.0, inclui tecnologias como, por exemplo, balancins roletados, eixo de comando de válvulas tubular, válvulas acionadas por tuchos hidráulicos e coletor de admissão de plástico. Com essas tecnologias, o motor 1.6 é 17 kg mais leve que o 2.0 e tem 50% menos atrito entre as partes móveis. Resultado: rende 110 cv de potência a 5.750 giros e torque de 15,1 kgfm a 3.750 giros - apenas 5 cv e 2,4 kgfm menos que os gerados pelo 2.0.
Além do motor e da interessante relação custo/benefício por ele proporcionada, a Scénic ainda tem outros aspectos atraentes. Um deles é a própria configuração monovolume da carroceria. Mas, ao contrário, por exemplo, do Mercedes-Benz Classe A, que causou estranheza ao consumidor brasileiro pelo visual e preço, a Scénic ganhou a simpatia popular com sua cara de carro familiar.
Isso não aconteceu de graça. A Scénic transporta com bastante conforto cinco passageiros e mais 410 litros de bagagens, oferece amplo espaço interno e dá a impressão de ser maior do que é na verdade - mede apenas 4,13 m, o mesmo comprimento de um Chevrolet Astra hatch - , em função do teto alto.

Itens de série

O conforto é reforçado por um número razoável de itens de série: desembaçador traseiro, cinco encostos de cabeça, limpador/lavador traseiro, brake light, cinco cintos de três pontos, direção hidráulica, lanterna retro-neblina, trava central elétrica, vidros dianteiros elétricos e luzes de leitura individuais. A Renault, porém, fez a lição de casa e, bem de acordo com o perfil do mercado brasileiro, oferece ar-condicionado, duplo airbag e rádio/toca-fitas com comando satélite atrás do volante como opcionais.
Os bancos da monovolume brasileira são um capítulo à parte. Com grande distância entre o assento e o assoalho, resultam em confortável posição de dirigir e boa visibilidade dos instrumentos. Por outro lado, dificultam o acesso a alguns comandos, especialmente o freio de mão e os botões do painel.
Agricultura
Aumento nos preços e a renegociação das dívidas não garantiram melhoria da situação no campo.  AN_Economia 
Os bancos traseiros são removíveis, reclináveis, rebatíveis e reposicionáveis. Ou seja, é possível até retirar um ou mais deles, modulando o interior e aumentando a capacidade de carga de acordo com as necessidades.
O banco central traseiro ainda se transforma em uma mesinha com porta-copos. Com isso, o porta-malas da Scénic pode ter de 218 a 1.800 litros de capacidade.

Disposição para enfrentar
o pesado trânsito urbano

Desempenho - A eficiência do motor 1.6 16 válvulas com 110 cv de potência confere à Scénic uma versatilidade rara em modelos semelhantes. O carro apresenta uma performance adequada no trânsito urbano, quase sem registrar "buracos" na aceleração, como é comum nos multiválvulas. Ao mesmo tempo, permite manter velocidade de cruzeiro de 120 km/h e ultrapassagens seguras em estradas, sem perder força nas subidas de serra. O carro atinge a velocidade máxima de 175 km/h - apenas 10 km/h menos que a Scénic 2.0 - e acelera de zero a 100 km/h em razoáveis 12,5 segundos - é 0,7 s mais lenta que a versão top.

Dirigibilidade - Uma das grandes vantagens da Scénic é sua altura de 1,61 m, que dá ao motorista visão mais elevada que a fornecida, por exemplo, por um sedã. o que melhora a visibilidade periférica. A grande distância entre o assento e o assoalho não deixa o motorista de pernas esticadas, evita o cansaço em percursos mais longos. A direção é leve e facilita as manobras. Estacionar o carro, porém, não é tão fácil, já que a frente curta e a limitada visibilidade traseira atrapalham as manobras.

Nível de conforto - A agradável posição elevada do banco não traz só benefícios - o motorista tem de se curvar na hora de acionar os comandos do painel e, principalmente, o freio de mão, que fica muito baixo. Atrás, pelo mesmo motivo, passageiros com 1,80 m ou mais raspam a cabeça no teto, mas isso não apaga o brilho do habitáculo confortável, espaçoso e sobretudo funcional da Scénic.

Preço - Custando R$ 29,4 mil, a Scénic RT 1.6 tem relação custo/benefício melhor que da RT 2.0 e mesmo da top RXE 2.0. Com todos os opcionais, porém, o preço pula para R$ 33,9 mil, o que reduz um pouco a atratividade.

Consumo - A Scénic não é exatamente um exemplo de carro econômico. Fez a média de 8,5 km/l, gastando pouco menos que a RXE 2.0, que fez 7,9 km/l.

Segurança - Na versão RT 1.6, a van de médio-porte fica devendo neste item. Vem equipada com cinco cintos de três pontos e cinco apoios de cabeça, mas o duplo airbag é opcional - no "popular" Clio, por exemplo, é de série - e os freios ABS não existem nem como opcionais, embora constem como tal para a top RXE.

Estilo - Embora compartilhe a área frontal com toda a linha Mégane, a Scénic mostra personalidade pelo desenho ovalado, incomum, principalmente, em paragens tupiniquins, e pela altura. Consegue ser simpática e divertida ao mesmo tempo, sem causar estranheza como outro monovolume brasileiro, o Mercedes-Benz Classe A.

Destaque - O grande atrativo da Scénic é o moderno motor 1.6, mas vale ressaltar, também, a funcionalidade do interior modular.


Dupla personalidade
Linhas contidas escondem a vocação esportiva do Evoluzione. Motor biturbo tem potência de 335 cv
Foto: Divulgação

Maserati alia
sobriedade e desempenho

Com motor biturbinado, o Quattroporte Evoluzione chega aos 270 km/h e faz de zero a 100 km/h em 5,8 s

Cada uma das grandes marcas italianas explora um nicho específico. A Fiat fica com os modelos mais populares e a Lancia explora o segmento de pequenos carros requintados. A Alfa Romeo produz máquinas de luxo com sangue quente, enquanto as supermáquinas dos sonhos são obras primas da Ferrari. Já a Maserati, inaugurada em 1914, também tem sua missão: produzir carros que combinem todo o requinte de um sedã luxuoso com o fôlego de um superesportivo. Tudo isso sem chamar muita atenção. Nenhum modelo representa melhor que o já lendário Quattroporte, na sua versão atual, o Evoluzione, a proposta da marca do tridente, que pertence ao grupo Fiat desde 93 e atualmente é administrada pela Ferrari.
O Quattroporte Evoluzione está disponível no Brasil somente na versão V8 por US$ 150 mil, cerca de R$ 276 mil - com o dólar a R$ 1,84 -, a versão mecânica, e US$ 160 mil, ou R$ 294 mil, a automática. A carroceria de linhas quadradonas e sóbrias deixa clara a preocupação da marca em manter o carro discreto. Pelo menos quando está parado. Já que sob o grande capô vincado repousa o poderoso motor V8 de 3.2 litros com 32 válvulas e biturbinado. Este é o mesmo propulsor que impulsiona o novo Maserati 3200 GT e, quando exigido, gera estrondosos 335 cv e o abastado torque de 45,8 kgfm. São números suficientes para levar o modelo a violentos 270 km/h e acelerar de zero a 100 km/h em apenas 5,8 s.
Apesar da performance estrondosa, do lado de dentro o que se encontra é um interior onde a prioridade é o requinte e a comodidade. Nada que possa sequer lembrar todo o desempenho que aguarda os ocupantes na ponta do acelerador. O couro na cor bege dá o tom do revestimento nos bancos, laterais, console central e painel. A madeira também está presente por todos os lados, inclusive no volante e na manopla de câmbio. Nas portas e no teto o refinamento ainda ganha o reforço dos apliques de camurça.
Além do acabamento de primeira classe, o Quattroporte vem recheado de equipamentos. Começa pelo trivial "feijão-com-arroz" de equipamentos como ar, direção, trio-elétrico e toca-fitas com CD player de mala, passa pelos retrovisores que rebatem eletricamente e chega, por exemplo, aos bancos elétricos e suspensão com quatro níveis de ajustes também elétricos.

Apesar de não ser muito famosa, marca do tridente é sinônimo de velocidade

Assumir os comandos do Maserati Quattroporte é como conduzir um pouco da história da indústria automobilística italiana. Apesar de pouco conhecida, é inegável a importância da marca do tridente. Em 1927, por exemplo, um Maserati bateu o recorde mundial de velocidade, com a marca de 246 km/h.
O Quattroporte teve a quem puxar. Afinal o modelo chega aos 270 km/h. Os dois turbos mostram ao que vieram a partir dos 3.500 rpm, quando fazem o carro jogar os ocupantes contra os encostos dos bancos. Apesar de tanta disposição, o modelo é silencioso, o que juntamente com a boa ergonomia interna, garante o conforto do motorista. Já quem vai atrás, onde é melhor só irem duas pessoas, sente com o caimento acentuado do teto, que provoca raspões com a cabeça.
Praia Grande
Cidade encravada entre os parques de Aparados e da Serra Geral carrega no nome a história de uma visão deslumbrante.  AN_Turismo 
Os quatro ajustes da suspensão também colaboram com a comodidade - calibragem macia - ou permitem uma condução mais arrojada - calibragem dura. Este recurso, porém, não elimina a necessidade de um controle de tração, ausência paradoxal em um carro de luxo com violentos 45,8 kgfm. Mas alguns dos maiores destaques do Quattroporte não estão ligados apenas ao desempenho e ao requinte, que, no final das contas, é o mínimo que se espera de um modelo de US$ 150 mil. O Maserati mostra que tem refinamento singular em detalhes, como os botões da trava central e a moldura dos comandos dos vidros elétricos em madeira e a costura aparente na forração de couro dos bancos e no apoio de braço. Pequenos requintes só encontrados em um sedã superluxo feito para poucos.

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