Joinville         -          Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Tradição açoria
a revive os santos reis

Encontro, hoje, na Catedral Metropolitana da Capital, reúne grupos em torno da festa de terno-de-reis

A Fundação Franklin Cascaes (FFC), órgão de cultura de Florianópolis, promove às 19 horas de hoje, na Catedral Metropolitana, o 4º Encontro de Terno-de-reis, reunindo grupos da Grande Florianópolis e outras cidades catarinenses. Estão confirmados o Grupo Reisado (de Barreiros, São José), Grupo do Ribeirão da Ilha (Florianópolis), Grupo de Palhoça, Grupo Alegria (do Saco dos Limões, Florianópolis) e o Grupo Estrela Guia (de Imbituba).
Trazido para o Brasil pelos jesuítas e pelos colonizadores portugueses, o terno-de-reis é uma manifestação popular religiosa, mais conhecida nas cidades litorâneas. Antigamente, acontecia entre 25 de dezembro e 6 de janeiro, quando recolhia-se ofertas para novenas em homenagem ao nascimento do menino Jesus. Grupos cantadores e instrumentistas - alguns com trajes típicos - muito respeitados pela comunidade, acordavam os moradores em frente às residências e arrecadavam dinheiro, frango, lingüiça, leitão, laranja ou qualquer bem que a pessoa dispunha.
Tudo no terno-de-reis lembrava o número três: três são os reis magos - Gaspar (aquele que vai inspecionar), Melchior (que significa "meu rei é luz") e Baltazer (que quer dizer "Deus manifesta o rei"); três foram os presentes a Jesus: ouro (realeza de Jesus), mirra (paixão de Cristo) e incenso (divindade do Menino Deus). A apresentação é dividida em três partes: chegada, anúncio e despedida. Os principais cantadores também são três: o triplo ou tripa (que canta fino), o repentista (que faz os versos) e o cantor solo.
guas termais
Separadas s por uma ponte, So Carlos e guas de Chapec ainda no foram descobertas pelas companhias de turismo. AN_Turismo
Com o passar do tempo, o terno-d-reis perdeu o caráter religioso original, principalmente pelo fato de ser interpretado por crianças que visavam, unicamente, o ganho de dinheiro. Hoje, os grupos são constituídos por até 20 pessoas, formando corais e munidos de sanfona, violão, viola, rabeca, pandeiro e tambor. Em sua maioria são poetas repentistas, que improvisam versos em homenagem ao dono da casa visitada e outros alusivos aos reis magos, contando a história da estrela guia. Recebem bebidas alcoólicas e partem para outra casa.


Estrela Guia luta para
não deixar o folclore morrer

No litoral catarinense, o Natal e a festa de Reis é lembrada no dia 6 de janeiro, quando grupos folclóricos cantam pelas noites mensagens de fé, revivendo duas das principais tradições do povo litorâneo, formado principalmente por açorianos: o terno-de-reis e as cantorias do Divino. É o que vem fazendo há mais de 70 anos o Grupo Folclórico Estrela Guia, de Imbituba, capitaneado por "seu" Chico Martins de Imbituba, hoje com 83 anos de idade.
Para seu Chico, que aprendeu em 1927 o terno-de-reis com seu pai, João Martins (também criador do Grupo Estrela Guia), manter vivo o folclore açoriano com os onze componentes de seu grupo, que inclui sua esposa, filhos e netos e um primo, é um desafio para o folclore açoriano. "É uma tradição dos tempos da colonização, contra o progresso tecnológico e a sociedade consumista moderna", filosofa Ailton Martins, um dos filhos de "seu" Chico. Um dos refrões do grupo, sobre a origem dos ternos, exemplifica essa dedicação: "O nosso terno de reis/ É uma tradição divina/ De origem açoriana/ No folclore catarina".
Para seu Chico Martins, o terno-de-reis é uma manifestação de fé em Jesus Cristo, nascido em Belém de Judá e visitado pelos três magos. A tradição da primeira visita persistiu, e hoje vários grupos de ternos de reis visitam, no Natal, ano novo e no dia de Santos Reis, as casas da comunidade, levando a mensagem cristã do nascimento do menino Jesus.
Tudo no Terno de Reis lembra três, arremata seu Chico: "São três os presentes - ouro, incenso e mirra -, três os visitantes e três os principais cantadores de 'reis', que são o repentista, o tripa e o canto solo".

Satisfação

Software
Indstrias de software de Santa Catarina ampliam solues e conquistam novos mercados no Brasil e no exterior. AN_Informtica
Seu Chico está orgulhoso, porque apesar de avançada idade teve fôlego para gravar o CD "Folclore Açoriano Catarinense", todo acústico e original, que teve edição esgotada em poucos dias, desde o lançamento em Porto Belo, em julho passado, durante a Festa do 6º Açor. A satisfação de ter materializado em disco a tradição açoriana passa para sua esposa, seus filhos e netos: "É um grande desafio para toda a família e para a sobrevivência do nosso folclore açoriano do litoral, que enfrenta muitas as dificuldades, incluindo a falta de recursos financeiros. Como é o povo que determina o gosto pela arte, temos recebido muito apoio de todas as rádios que tem tocado o folclore e atendido os ouvintes", reforça o repentista e poeta Almir Martins, filho de seu Chico.


Banda Ira! lança o CD
"Isso é Amor" na Ilha

Grupo premiado em São Paulo faz show sexta, em Canasvieiras

Florianópolis - A cidade tem mais uma casa de espetáculos desde quarta-feira, quando foi inaugurada em Canasvieiras a Kinto Elemento. Na próxima sexta, acontece o primeiro grande show no local: em turnê nacional, a banda paulista Ira! lança o novo CD, "Isso é Amor".
Com uma longa trajetória em defesa do legítimo rock-pop nacional (desde um festival de colégio em 1981), o Ira! também entrou na onda das regravações, que não dão tanto trabalho e aumentam as chances de emplacar nas rádios. Além de novas versões de sucessos antigos, como "Mudança de Comportamento" (1985) e "Abraços e Brigas" (1989), o quarteto se lançou a uma série de covers.
Há "releituras" de canções que marcaram época na MPB, como "Chorando no Campo", de Lobão; "Telefone", da Gang 90 (com participação de Fernanda Takai, do Pato Fu); "A Vida Tem Dessas Coisas", de Ritchie; "Flashback", de Dalto; "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", de Lô Borges (com participação de Samuel Rosa, do Skank); "Jorge Maravilha", de Chico Buarque; "O Que Me Importa", de Tim Maia; "Bebendo Vinho", de Wander Wilder; e "Teorema", do Legião Urbana. As influências dos anos 60 aparecem em "Minha Gente Amiga", de Ronnie Von, e "Sentado à Beira do Caminho", de Erasmo Carlos.
A Associação Paulista de Críticos de Arte não se importou com o fato de "Isso é Amor" trazer apenas canções antigas e concedeu ao Ira! o título de melhor grupo de música popular de 1999.
Instalada num prédio em forma de castelo pintado de preto, a Kinto Elemento tem quatro pistas de dança, cada uma dedicada a um gênero de música. Há shows diários (com exceção das segundas-feiras, quando a casa não abre) programados até 20 de janeiro. Quem se apresenta sábado é a Primavera nos Dentes, e no domingo é a vez de John Bala Jones. Semana que vem as atrações serão Johnny Lee, Kanka Jackson, Os Chefes, Iriê, Immigrant e Phunky Buddha, alguns dos melhores representantes da música catarinense.

O QUÊ: show "Isso é Amor", do Ira!, com abertura da banda Candy Bar. QUANDO: por volta de 0h30. ONDE: Kinto Elemento (rodovia SC-401, 18.070, Canasvieiras, Florianópolis, fone: 0xx48 228-0289). QUANTO: R$ 15,00 (à venda no local do show e nas lojas Sul Nativo, em Canasvieiras, Shopping Beira-Mar e rua Álvaro de Carvalho).

 

Caetano Veloso indicado
à 42ª edição do Grammy

Músico pode ser o quarto brasileiro a levar o prêmio

Nova York - O cantor e compositor Caetano Veloso pode se tornar o quarto músico brasileiro a conquistar um Grammy na categoria de melhor álbum de world music. Seu CD "Livro", lançado no mercado norte-americano no ano passado, vai concorrer com os novos trabalhos do grupo irlandês Afro Celt Sound System, da cantora caboverdiana Cesária Évora e dos músicos malinenses Salif Keita e Ali Farka Toure. Dori Caymmi também disputa uma das 96 categorias do Grammy, a de melhor arranjo instrumental.
O anúncio dos indicados à 42ª edição do Grammy, o equivalente ao Oscar da música americana, foi feito na terça-feira, em Los Angeles. A festa de entrega acontece no dia 23 de fevereiro e será transmitida ao vivo para todo mundo.
O roqueiro nascido no México Carlos Santana lidera as indicações do evento, num total de dez categorias, incluindo as de melhor gravação (Smooth) e álbum do ano ("Supernatural"). Em 30 anos de carreira, Santana nunca havia obtido tanto êxito comercial nos EUA quanto agora com o recém lançamento de "Supernatural" (com mais de 2 milhões de cópias vendidas). Os concorrentes desse guitarrista de 52 anos incluem as febres de adolescentes Ricky Martin e Backstreet Boys.
Considerado pelo jornal "New York Times" como um dos melhores álbuns lançados nos EUA no ano passado, "Livro" rende a Caetano Veloso sua primeira indicação ao Grammy de World Music. O primeiro brasileiro a vencer na categoria foi Sérgio Mendes, em 1992, com o CD Brasileiro.
Mílton Nascimento (por "Nascimento") e Gilberto Gil ("Quanta Gente Veio Ver") receberam suas estatuetas respectivamente em 1998 e 99. Se Caetano vencer o prêmio, esta será a terceira vez em seguida que a caboverdiana Cesária Évora é derrotada por um brasileiro.
Cesária e Caetano já gravaram juntos, em 1996, a canção é "Preciso Perdoar". Em sua segunda indicação ao Grammy (a primeira foi em 1991 pelo álbum "Serenata Brasileira"), Caymmi disputa o prêmio de arranjo instrumental pela faixa "Pink Panther" (do filme "A Pantera Cor-de-Rosa") do seu novíssimo álbum "Cinema: Romantic Vision", gravado no Japão.


Mérida é Capital
Americana da Cultura

São Paulo - A cidade mexicana de Mérida, capital do Estado de Yucatán, passa formalmente a partir de hoje a ser a primeira Capital Americana da Cultura da história deste continente. Serão diversos os atos de abertura formal da capitalidade cultural de Mérida, entre eles a solenidade celebrada no Teatro Peon Contreras, com a presença de altas personalidades da vida política, social e cultural de Mérida, Yucatán, México e de outros países da América. No dia 7, acontece o espetáculo "Mérida, em todos los tiempos: luz y fiesta de la ciudad", evento que contará com a participação de mais de 200 artistas e vários grupos folclóricos de Mérida.
A iniciativa de designar anualmente, a partir do próximo ano, uma cidade de algum dos 35 países do continente americano como Capital Cultural, pretende contribuir para que haja um melhor conhecimento entre os povos da América e projetar a cultura americana aos demais continentes. Também favorecerá o conhecimento e a difusão da cultura e história dos povos da América, a conservação e proteção do patrimônio cultural, os intercâmbios culturais, a criação artística e literária, incluindo o setor audiovisual e o fomento da cooperação entre os países, tanto do continente americano como dos demais.
A idéia surgiu em 1997, tomando-se como referência a Capital Européia da Cultura, instaurada em 1985. Após constituir-se uma organização internacional não-governamental para desenvolver o projeto, a iniciativa foi apresentada à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em 1998, foram enviadas as informações sobre a instauração da Capital Americana da Cultura às cidades dos 35 países do continente americano. Cerca de 30 cidades demonstraram interesse em obter a nomeação para o ano 2000. O processo de seleção finalizou-se com a eleição de Mérida e sua capitalidade cultural será até 31 de dezembro deste ano.
Mérida está localizada no coração da cultura maia, sobre os vestígios da antiga cidade de T'Hó, um dos centros políticos e religiosos mais importantes do antigo Mayab. Conta-se que as ruínas daquele evidente esplendor arquitetônico, comparável com os vestígios romanos da Mérida
espanhola, inspirou os conquistadores a batizar a cidade como Mérida, em memória de Emérita Augusta. Foi fundada em 1542 por Francisco de Montejo. Em 1565, instalou-se o primeiro governo da cidade e, em 1821, acontece sua independência da Espanha juntamente com o restante do México.
A população atual de Mérida é de aproximadamente 700 mil pessoas. O meridano possui uma ampla herança cultural, a qual proteje e fomenta. Existem na cidade 50 bibliotecas públicas, duas hemerotecas, quatro museus, 14 teatros e outros centros de grande projeção cultural, além de cerca de 900 centros educacionais.
O patrimônio arqueológico municipal de Mérida é de 87 sítios. No eixo da zona maia de Yucatán, existem mais de 1.600 sítios. Destacam-se as cidades maias de Chichén, Itzá e Dzibilchaltún. Por outro lado, Mérida é a cidade
sede do Ki-huic turístico, o evento anual mais importante do mundo maia, que reúne empresários dos cinco países (México, Guatemala, Honduras, Belize e El Salvador) e cinco Estados mexicanos (Yucatán, Campeche, Quintana Roo, Tabasco e Chiapas), que fazem parte do mundo maia.
Maiores informações podem ser obtidas na Capital Americana de La Cultura - Delegação de São Paulo, rua Dionísio da Costa, 11, CEP 04.117-110 - São Paulo - SP. Fone/Fax:(0xx11) 575-8963.


Instituto Histórico
abre concurso


Florianópolis - Estudantes de história podem participar do 1º Concurso de História para Universitários promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. As inscrições devem ser feitas até o dia 1º de abril deste ano e os cinco trabalhos premiados serão editados em livro pela UFSC. Cada vencedor terá direito a 20 exemplares.
Textos relacionados ao tema "Santa Catarina nos 500 anos de Brasil" poderão ser apresentados por alunos matriculados em qualquer curso de graduação em história em território catarinense, com a orientação de um professor. As pesquisas devem ser inéditas e ter entre 20 e 25 páginas, impressas em papel A4 em corpo Times New Times tamanho 12, com margens esquerda e direita de 3,17 centímetros, superior e inferior de 2,5 centímetros. Informações pelo fone (0xx48) 222-5111.


Celine Dion
é a artista do século

Toronto, Canadá - A Sociedade Discográfica Canadense apontou a cantora canadense Celine Dion como a artista do século, depois que a mesma vendeu mais de 120 milhões de discos em todo o mundo.
O presidente da sociedade, Brian Robertson, explicou a escolha. "No final de 1999, Celine dion vendeu quase 9 milhões de discos no Canadá. É preciso acrescentar a isso que a venda de álbuns em todo o mundo ultrapassa a marca das 110 milhões de cópias", assinalou Robertson.
Segundo um estudo realizado pela Sociedade Discográfica Canadense, a cantora americana de country Shania Twain e o roqueiro Bryan Adams também venderam muitos discos no Canadá e no exterior.
Celine Dion se despediu temporariamente na última sexta-feira em Montreal do mundo do espetáculo com um show excepcional no qual festejou o réveillon.


Jane Fonda e Ted Turner se separam

Washington - A atriz Jane Fonda e o magnata Ted Turner anunciaram na terça-feira sua separação, após oito anos de casamento. "Chegamos a uma situação onde cada um quer mais tempo para si mesmo. Então, decidimos em comum acordo passar algum tempo separados", informou o casal.
Ted Turner, 61 anos, é vice-presidente do grupo Time Warner e fundador da rede de televisão CNN. Jane Fonda, 62 anos, que deixou o cinema em 1990, foi símbolo sexual dos anos 60, musa da esquerda americana nos anos 70 e rainha da ginástica nos anos 80. Nos últimos anos, ela vem participando de uma campanha para reduzir o número de gravidez entre as adolescentes. O casal se casou dia 21 de dezembro de 1991. Foi o terceiro casamento de ambos.


SBT descaracteriza Babi e tira
o brilho do "Programa Livre"

Apresentadora está pouco à vontade no novo formato da atração juvenil

Leandro Calixto
TV Press

Numa só tacada, o SBT conseguiu descaracterizar totalmente o "Programa Livre" e Ana Bárbara Xavier, a Babi. A bela apresentadora, que ganhou projeção depois que comandou com desenvoltura o "MTV Erótica", na MTV, bem que tentou imprimir um estilo próprio na sua estréia como titular do programa. Soltava gírias sob medida para os adolescentes e demonstrava entusiasmo com o público e convidados, que também deram uma "forcinha" para apresentadora. Mas toda esta ajuda não bastou. O novo "Programa Livre" perdeu o que tinha de melhor: debates de alto nível numa linguagem coloquial e o espaço que sempre foi dado para todas as vertentes da Música Popular Brasileira e também internacional.
Um agravante foi o horário escolhido para a exibição: meia-noite e meia. O público jovem que acompanhava o programa no SBT até estava acostumado com horários estapafúrdios - durante o reinado de Serginho Groisman, o "Programa Livre" mudou de horário umas 40 vezes -, mas em nenhuma delas teve de brigar com o sono da madrugada. A sonolência também tem a colaboração da falta de dinamismo que assolou o programa por ter deixado de ser ao vivo e passar a ser totalmente gravado. Num programa em que a contundência das perguntas dos adolescentes era um dos atrativos, o processo de edição significou uma espécie de pasteurização.
No programa de estréia, Babi recebeu duas atrações musicais. O primeiro foi o cantor Jerry Adriani, que fez uma rápida apresentação em play-back de uma música de Renato Russo. Não deixa de ser melancólico ver um cantor com tantos anos de carreira utilizar a semelhança vocal que tem com outro que surgiu bem depois. Depois veio o grupo Ex-Nativus. Babi teve pouco tempo para entrevistá-los em razão da avalanche de atrações do programa. Ela ainda recebeu a comediante Dercy Gonçalves, que também estreou um programa no SBT, um administrador de cemitério, o presidente nacional do Prona, Enéas Carneiro, e ainda o ginecologista Malcom Montgomery. Todas estas atrações foram espremidas em quase um hora de programa, incluindo aí os intervalos comerciais.
Malcom foi o único que despertou algum interessante, principalmente porque falava de sexo, assunto que deixa Babi mais à vontade. Dercy simplesmente ignorava as perguntas que lhes eram feitas para elogiar rasgadamente Silvio Santos e falar mal da Globo. Já Paulo Rodrigues, administrador do cemitério do Caju do Rio de Janeiro, levantou histórias escabrosas que teriam acontecido no cemitério carioca, que pouco interessaram ao público. Até a própria Babi ficou constrangida com o convidado, que garantiu que uma pessoa presenciou o vulto do cantor Tim Maia no cemitério. Enéas Carneiro, que disputou por três vezes as eleições presidenciais, teve mais do que seus famosos 16 segundos para falar -tempo de Enéas no horário eleitoral gratuito. E não soube aproveitar.
Babi também não aproveitou bem a estrutura do programa. O estúdio e cenário, os mesmos usados nos tempos de Serginho Groisman, aparentemente causaram certa aflição na moça. Ela estava acostumada com um público mais intimista. Agora, na emissora do SBT, ela recebe mais de 400 convidados por dia. Por enquanto, ela ainda não está totalmente à vontade com uma platéia tão numerosa. Tanto que quando o público intercedia nas entrevistas, Babi nem se dava ao trabalho de perguntar o nome da pessoa.
Babi certamente renderia muito mais se voltasse a comandar um programa do mesmo estilo da MTV. O próprio diretor artístico do SBT, Eduardo Lafon, já admitiu que, se a fórmula atual não corresponder às expectativas, há a possibilidade da nova contratada apresentar um programa parecido com o "MTV Erótica". Seria a decisão mais acertada, já que Babi tem um contrato de quatro anos na nova emissora.

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Das últimas edições de Anexo
05/01 - Guerreiro italiano passado em revista
04/01 - "Baguás", Os negros reprodutores de São Miguel
03/01 - Confissões de uma mulher madura
02/01 - "Dogma" reinterpreta a fé católica
31/12 - Ano 2000 é tema de livros para todos os gostos
30/12 - Bordando com 80 anos de experiência
29/12 - Homenagem aos doidos de pedra

Leia também

Reginaldo Rossi
amplia o seu "reinado"

O auto-intitulado "rei do brega" lança novo CD e ganha homenagem de artistas do Nordeste

Rubens Herbst

Joinville - O mundo dá mesmo muitas voltas. Veja o caso de Reginaldo Rossi, um egresso da segunda divisão da Jovem Guarda que até um ano e meio atrás vivia de seu sucesso no eixo norte/nordeste, onde vende barbaridade e é comparado a Roberto Carlos. Um disco ao vivo com seus maiores hits e o estouro de "Garçom" o transformaram de ídolo local em febre nacional, e o brega voltou a ser cool como nos tempos do "Cassino do Chacrinha". Diante da aclamação popular, Reginaldo se autoproclamou "rei". Faz parte do marketing. Assim, não surpreende que seu novo trabalho e o CD em sua homenagem levem títulos tão majestosos - "Rossi The King" (Sony) e "Reiginaldo Rossi - Um Tributo" (Abril Music), respectivamente.
A arrogância é apenas uma das facetas do cantor pernambucano. Ele também encarna outros personagens que ajudam a vender o peixe: o corno, o sedutor, o último romântico, o amante experiente, o cafajeste, entre outros. A figura um tanto excêntrica, como se ele ainda vivesse nos anos 60, completam a "realeza" de Reginaldo Rossi, cuja voz emposta lembra a do outro rei. Quanto à música, nada de mais, apenas a velha ladainha sobre corações partidos e dores de cotovelo envolta em arranjos de gosto pra lá de duvidosos. Brega cult por brega cult, melhor ficar com Odair José.
"The King" chega para ratificar a gloriosa nova fase da carreira de Rossi, desde 1965 na batalha. Para tanto, aposta na mesma fórmula que o consagrou, com a ajudinha de alguns amigos ilustres. E já começa fazendo propaganda de si na faixa-título, onde diz que "Se o Elvis fosse vivo/ Teria raiva de mim/ Diria: my God, como é que pode?/ Nem o sinatra fez tanto sucesso assim". A música é medíocre, mas pelo menos mostra que bom humor não falta. Já "Foi Duro Meu Amigo" é imperdoável, uma vez que verte para o português raso a clássica "Pround Mary", do Creedence Clearwater Revival. Dos anos 60 também vem "Prova de Fogo", a mais famosa canção de Wanderléa, ela mesma presente na faixa. A Ternurinha deve estar precisando de grana.
O espírito da Jovem Guarda, aliás, se faz presente em boa parte das 14 faixas do disco. Os dinossáuricos Golden Boys engrossam o coro de "Fumacê", e até "Whisky a Go-Go", aquela mesma dos Fevers, obrigatória em casamentos e bailes de formatura, segue a linha do iê-iê-iê. Simplórias, mas reforçadas pela produção classe A, canções como "Um Pedaço do Céu", "Tiazinha Story" e "Morrendo de Amor" - todas da labra do cantor - não são muito diferentes do que fazem Zezé di Camargo ou Daniel, apenas emulam um certo clima iê-iê-iê e são mais diretas em seu discurso de rádio AM.
Versos como "Me pega, me aperta, me amassa, me mostra teu céu" revelam, com clareza, que Reginaldo Rossi é para ser consumido por fãs de Wando, Elymar Santos e Roberta Miranda (batendo ponto com "Vá com Deus") - com certeza, os menos exigentes da face da Terra. É por isso que a presença do Planet Hemp na regravação de "Negro Gato", célebre na voz de Roberto Carlos, deve ser encarada como um erro de prensagem. A banda carioca não pagaria tamanho mico. Ou pagaria?

Erros e acertos

Se "Rossi The King" tem endereço certo, "Reiginaldo Rossi - Um Tributo" tem tudo para virar um disputado pau-de-sebo. O disco, projeto gestado pelo selo Mangroove durante um ano e meio, reúne novas revelações da cena musical pernambucana e medalhões da MPB reinterpretando (literalmente_ 16 canções gravadas pelo "rei". Eis aí o "x" da questão: os admiradores de Rossi podem não engolir tanta experimentação em torno da obra do ídolo, enquanto os interessados em novidades vão ignorar um produto com a marca de um notório cantor brega. No entanto, quem se dignar a ouvir o CD vai se deparar com algumas boas surpresas.
O tributo pode ser dividido em três partes. A primeira, reunindo versões bastante fiéis às originais, inclui Lenine ("A Raposa e as Uvas"), Lula Queiroga ("Pedaço de Mau Caminho"). A segunda abrange tentativas mais ousadas, mas que se restringem a acelerar ou desacelerar as canções, caso do rock comportado de Paulo Francis Vai Pro Céu ("O Pão"), a pauleira punk do Devotos ("O Rock Vai Voltar") e do Querosene Jacaré ("Tô Doidão"), o sotaque caipira de Geraldo Azevedo ("As Quatro Estações") e o arrasta-pé nordestino de Zé Ramalho ("Era Domingo").
A subdivisão termina com o mergulho na alquimia sonora, na qual os artistas mantém a espinha dorsal da composição para daí partir para algo novo, às vezes tornando-a irreconhecível. Os resultados, claro, nem sempre são satisfatórios. Não é o caso de Stela Campos, que se uniu ao velho herói do underground brasileiro Loop B para transformar "Tão Sofrido" em um torpedo sônico à base de eletrônica carregado de melancolia. Batidas tecno também dão o tom em "Cuca Fresca", associação do Eddie com a DJ Dolores. "No Claro e no Escuro", com D.M.P. e os Fulanos, envereda pelo hip hop, enquanto "Desterro" ficou parecendo trilha de roda de capoeira, com as vozes e percussões de Comadre Florzinha.
Se mundo livre S/A ("Mon Amour Meu Bem Ma Famme") e Via Sat ("Complexo de Cachorro") não saem do lugar-comum, o Véio Mangaba só irrita com sua miscelânia de estilos misturada com teatrinho, em "Ai Amor!". O Cascabulho funde percussão, ska, samba e toques latinos para implantar o baile em "Deixa de Banca (Borogodá)". E "Garçom"? O maior hit de Reginaldo ficou por conta de Otto, que promoveu uma verdadeira desconstrução musical. Sem idéias melhores, ele empilhou samples de guitarras, locuções fantasmas, batucadas e sons de sirene para emoldurar o desabafo do bebum cuja amada vai casar com outro. Além de não combinar, a nova versão ficou inaudível.


Lançamentos

"Disco Clubbing 2 - Mestre de Cerimônias" (Edson Cordeiro) - A guinada rumo ao pop continua rendendo bons frutos a Cordeiro. Como fez em seus dois últimos álbuns, ele revisita a disco music, mas com uma roupagem tecno mais radical. Com sua voz de múltiplas possibilidades, ele comanda uma festa dançante regada a hits de Bee Gees, Donna Summer, Santa Esmeralda, Roberta Flack, Culture Club e até Gretchen e Frenéticas. O cantor ainda recupera "Primavera (Vai Chuva)", composição de Cassiano célebre na voz de Tim Maia, e apresenta uma canção inédita da gaúcha Laura Finocchiaro, "Amor de Rua". Para usar uma gíria bem anos 70, um disco para fazer ferver a pista. (Sony/Columbia). (RH)

"World Coming Down" (Type O Negative) - Se o Type O Negative fosse um veículo, ele seria um tanque de guerra: lento, pesado e com grande poder de fogo, porém limitado. Em seu quinto disco, o grupo americano - um dos expoentes do chamado doom metal - capricha nos vocais cavernosos, no peso monumental e nos andamentos arrastados, mas cansa o ouvinte com a falta de dinâmica. Ainda assim, faixas como "Sinus", "Everyone I Love is Dead" e "Everything Dies" revelam talento para transformar filmes de terror em música. E a versão "fim do mundo" para "Day Tripper", dos Beatles, ficou bem bacana. (Roadrunner). (RH)

"All the Way... A Decade of Song" (Celine Dion) - Por incrível que pareça, a diva canadense atravessou os anos 90 derramando açúcar nas paradas, emplacando um hit após o outro e vendendo teneladas de disco. Símbolo do que existe de pior na indústria fonográfica, ela dá agora seu golpe de misericórdia: sem material inédito suficiente para fazer um disco inteiro, ela reuniu seus maiores sucessos e sete novas composições e embulhou tudo nesta coletânea picareta. "All By Myself", "Immortality" e "My Heart Will Go On" dividem espaço com novas "pérolas" do pop baba. Há até uma versão de "All the Way", clássico de Frank Sinatra que, graças aos milagres da tecnologia, conta com a presença do próprio. O velho Frank não merecia isso. (Sony/Epic). (RH)

"Heartbreakers" (Bonnie Tyler) - Alguém lembra de Bonnie Tyler, aquela do megahit "Total Eclipse of the Heart"? Antes de se aventurar pelo pop descartável, a cantora inglesa era adepta do folk, com eventuais incursões pelo rock e o rhythm'n'blues, o que reforça a pecha de "Rod Stewart de saias". Mesmo ser merecer, Bonnie tem seus primórdios resgatados do limbo dos anos 70 nesta coletânea de 20 faixas, que traz, entre outras coisas, o sucesso "It's a Heartache". Há canções fortes, como "Los in France", "More than a Lover", "Here Am I" e "Louisiana Rain", de Tom Petty, e bobagens, como a versão para "Piece of my Heart", célebre na voz de Janis Joplin. No geral, vale como curiosidade. (Castle/Abril Music). (RH)

"E o Povo Ao Vivo de Novo" (Ara Ketu) - E o sofrimento se repete! Mas dessa vez há uma desculpa: o primeiro disco ao vivo do grupo baiano vendeu nada menos do que 1 milhão de cópias, e reprisar o esquema logo na seqüência era certeza de bolsos ainda mais cheios. Assim, dois shows lotados em Salvador renderam mais um CD com "mãozinhos para o alto" e "só vocês cantando". Animado feito um velório, o disco tem axé, funk, pagode e romantismo, tudo pobre, rasteiro e sem um pingo de imaginação, algo comum aos nomes do estilo. Os pout-pourris (obrigatórios) da vez homenageiam Tim Maia e ressuscitam a lambada, praga que assolou as paradas nacionais nos anos 80. É o que se pode chamar de desserviço à nação. (Sony/Columbia). (RH)

"Reload" (Tom Jones) - Esperto o veterano cantor inglês. Depois de ressurgir em alto estilo na década passada, ele une sua voz de barítono a respeitáveis nomes do pop mundial (veteranos ou não) num disco pra lá de recomendável. Entre tantos bons momentos, a de se destacar os duetos com Stereophonics, Robbie Williams, Van Morrison e Portishead, além das versões de "Burning Down the House" (Talking Heads), com The Cardigans, e "Lust for Life" (Iggy Pop), com os Pretenders. Mas se nada disso prestasse, o CD ainda valeria por uma única faixa: a emocionante "I'm Left, You're Right, She's Gone", que Jones divide com James Dean Bradfield, líder dos Maniac Street Preachers. Divina é pouca. (Roadrunner). (RH)

 
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