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ANotícia
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Tradição açoria
a revive os santos reis
Encontro, hoje,
na Catedral Metropolitana da Capital, reúne grupos em
torno da festa de terno-de-reis
A
Fundação Franklin Cascaes (FFC), órgão
de cultura de Florianópolis, promove às 19 horas
de hoje, na Catedral Metropolitana, o 4º Encontro de Terno-de-reis,
reunindo grupos da Grande Florianópolis e outras cidades
catarinenses. Estão confirmados o Grupo Reisado (de Barreiros,
São José), Grupo do Ribeirão da Ilha (Florianópolis),
Grupo de Palhoça, Grupo Alegria (do Saco dos Limões,
Florianópolis) e o Grupo Estrela Guia (de Imbituba).
Trazido para o Brasil pelos jesuítas e pelos colonizadores
portugueses, o terno-de-reis é uma manifestação
popular religiosa, mais conhecida nas cidades litorâneas.
Antigamente, acontecia entre 25 de dezembro e 6 de janeiro, quando
recolhia-se ofertas para novenas em homenagem ao nascimento do
menino Jesus. Grupos cantadores e instrumentistas - alguns com
trajes típicos - muito respeitados pela comunidade, acordavam
os moradores em frente às residências e arrecadavam
dinheiro, frango, lingüiça, leitão, laranja
ou qualquer bem que a pessoa dispunha.
Tudo no terno-de-reis lembrava o número três: três
são os reis magos - Gaspar (aquele que vai inspecionar),
Melchior (que significa "meu rei é luz") e Baltazer
(que quer dizer "Deus manifesta o rei"); três
foram os presentes a Jesus: ouro (realeza de Jesus), mirra (paixão
de Cristo) e incenso (divindade do Menino Deus). A apresentação
é dividida em três partes: chegada, anúncio
e despedida. Os principais cantadores também são
três: o triplo ou tripa (que canta fino), o repentista
(que faz os versos) e o cantor solo.
guas termais
Separadas s por uma ponte, So Carlos e guas
de Chapec ainda no foram descobertas pelas companhias
de turismo.
AN_Turismo |
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Com o passar do tempo, o terno-d-reis perdeu
o caráter religioso original, principalmente pelo fato
de ser interpretado por crianças que visavam, unicamente,
o ganho de dinheiro. Hoje, os grupos são constituídos
por até 20 pessoas, formando corais e munidos de sanfona,
violão, viola, rabeca, pandeiro e tambor. Em sua maioria
são poetas repentistas, que improvisam versos em homenagem
ao dono da casa visitada e outros alusivos aos reis magos, contando
a história da estrela guia. Recebem bebidas alcoólicas
e partem para outra casa.
Estrela Guia luta para
não deixar o folclore morrer
No litoral catarinense, o Natal e a festa de Reis é
lembrada no dia 6 de janeiro, quando grupos folclóricos
cantam pelas noites mensagens de fé, revivendo duas das
principais tradições do povo litorâneo, formado
principalmente por açorianos: o terno-de-reis e as cantorias
do Divino. É o que vem fazendo há mais de 70 anos
o Grupo Folclórico Estrela Guia, de Imbituba, capitaneado
por "seu" Chico Martins de Imbituba, hoje com 83 anos
de idade.
Para seu Chico, que aprendeu em 1927 o terno-de-reis com seu
pai, João Martins (também criador do Grupo Estrela
Guia), manter vivo o folclore açoriano com os onze componentes
de seu grupo, que inclui sua esposa, filhos e netos e um primo,
é um desafio para o folclore açoriano. "É
uma tradição dos tempos da colonização,
contra o progresso tecnológico e a sociedade consumista
moderna", filosofa Ailton Martins, um dos filhos de "seu"
Chico. Um dos refrões do grupo, sobre a origem dos ternos,
exemplifica essa dedicação: "O nosso terno
de reis/ É uma tradição divina/ De origem
açoriana/ No folclore catarina".
Para seu Chico Martins, o terno-de-reis é uma manifestação
de fé em Jesus Cristo, nascido em Belém de Judá
e visitado pelos três magos. A tradição da
primeira visita persistiu, e hoje vários grupos de ternos
de reis visitam, no Natal, ano novo e no dia de Santos Reis,
as casas da comunidade, levando a mensagem cristã do nascimento
do menino Jesus.
Tudo no Terno de Reis lembra três, arremata seu Chico:
"São três os presentes - ouro, incenso e mirra
-, três os visitantes e três os principais cantadores
de 'reis', que são o repentista, o tripa e o canto solo".
Satisfação
Software
Indstrias de software de Santa Catarina ampliam solues
e conquistam novos mercados no Brasil e no exterior.
AN_Informtica |
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Seu Chico está orgulhoso, porque apesar
de avançada idade teve fôlego para gravar o CD "Folclore
Açoriano Catarinense", todo acústico e original,
que teve edição esgotada em poucos dias, desde
o lançamento em Porto Belo, em julho passado, durante
a Festa do 6º Açor. A satisfação de
ter materializado em disco a tradição açoriana
passa para sua esposa, seus filhos e netos: "É um
grande desafio para toda a família e para a sobrevivência
do nosso folclore açoriano do litoral, que enfrenta muitas
as dificuldades, incluindo a falta de recursos financeiros. Como
é o povo que determina o gosto pela arte, temos recebido
muito apoio de todas as rádios que tem tocado o folclore
e atendido os ouvintes", reforça o repentista e poeta
Almir Martins, filho de seu Chico.
Banda Ira! lança o CD
"Isso é Amor" na Ilha
Grupo premiado
em São Paulo faz show sexta, em Canasvieiras
Florianópolis - A cidade tem mais uma casa de espetáculos
desde quarta-feira, quando foi inaugurada em Canasvieiras a Kinto
Elemento. Na próxima sexta, acontece o primeiro grande
show no local: em turnê nacional, a banda paulista Ira!
lança o novo CD, "Isso é Amor".
Com uma longa trajetória em defesa do legítimo
rock-pop nacional (desde um festival de colégio em 1981),
o Ira! também entrou na onda das regravações,
que não dão tanto trabalho e aumentam as chances
de emplacar nas rádios. Além de novas versões
de sucessos antigos, como "Mudança de Comportamento"
(1985) e "Abraços e Brigas" (1989), o quarteto
se lançou a uma série de covers.
Há "releituras" de canções que
marcaram época na MPB, como "Chorando no Campo",
de Lobão; "Telefone", da Gang 90 (com participação
de Fernanda Takai, do Pato Fu); "A Vida Tem Dessas Coisas",
de Ritchie; "Flashback", de Dalto; "Um Girassol
da Cor de Seu Cabelo", de Lô Borges (com participação
de Samuel Rosa, do Skank); "Jorge Maravilha", de Chico
Buarque; "O Que Me Importa", de Tim Maia; "Bebendo
Vinho", de Wander Wilder; e "Teorema", do Legião
Urbana. As influências dos anos 60 aparecem em "Minha
Gente Amiga", de Ronnie Von, e "Sentado à Beira
do Caminho", de Erasmo Carlos.
A Associação Paulista de Críticos de Arte
não se importou com o fato de "Isso é Amor"
trazer apenas canções antigas e concedeu ao Ira!
o título de melhor grupo de música popular de 1999.
Instalada num prédio em forma de castelo pintado de preto,
a Kinto Elemento tem quatro pistas de dança, cada uma
dedicada a um gênero de música. Há shows
diários (com exceção das segundas-feiras,
quando a casa não abre) programados até 20 de janeiro.
Quem se apresenta sábado é a Primavera nos Dentes,
e no domingo é a vez de John Bala Jones. Semana que vem
as atrações serão Johnny Lee, Kanka Jackson,
Os Chefes, Iriê, Immigrant e Phunky Buddha, alguns dos
melhores representantes da música catarinense.
O QUÊ: show "Isso é Amor", do
Ira!, com abertura da banda Candy Bar. QUANDO: por volta
de 0h30. ONDE: Kinto Elemento (rodovia SC-401, 18.070,
Canasvieiras, Florianópolis, fone: 0xx48 228-0289). QUANTO:
R$ 15,00 (à venda no local do show e nas lojas Sul Nativo,
em Canasvieiras, Shopping Beira-Mar e rua Álvaro de Carvalho).
Caetano Veloso indicado
à 42ª edição do Grammy
Músico pode
ser o quarto brasileiro a levar o prêmio
Nova York - O cantor e compositor Caetano Veloso pode se tornar
o quarto músico brasileiro a conquistar um Grammy na categoria
de melhor álbum de world music. Seu CD "Livro",
lançado no mercado norte-americano no ano passado, vai
concorrer com os novos trabalhos do grupo irlandês Afro
Celt Sound System, da cantora caboverdiana Cesária Évora
e dos músicos malinenses Salif Keita e Ali Farka Toure.
Dori Caymmi também disputa uma das 96 categorias do Grammy,
a de melhor arranjo instrumental.
O anúncio dos indicados à 42ª edição
do Grammy, o equivalente ao Oscar da música americana,
foi feito na terça-feira, em Los Angeles. A festa de entrega
acontece no dia 23 de fevereiro e será transmitida ao
vivo para todo mundo.
O roqueiro nascido no México Carlos Santana lidera as
indicações do evento, num total de dez categorias,
incluindo as de melhor gravação (Smooth) e álbum
do ano ("Supernatural"). Em 30 anos de carreira, Santana
nunca havia obtido tanto êxito comercial nos EUA quanto
agora com o recém lançamento de "Supernatural"
(com mais de 2 milhões de cópias vendidas). Os
concorrentes desse guitarrista de 52 anos incluem as febres de
adolescentes Ricky Martin e Backstreet Boys.
Considerado pelo jornal "New York Times" como um dos
melhores álbuns lançados nos EUA no ano passado,
"Livro" rende a Caetano Veloso sua primeira indicação
ao Grammy de World Music. O primeiro brasileiro a vencer na categoria
foi Sérgio Mendes, em 1992, com o CD Brasileiro.
Mílton Nascimento (por "Nascimento") e Gilberto
Gil ("Quanta Gente Veio Ver") receberam suas estatuetas
respectivamente em 1998 e 99. Se Caetano vencer o prêmio,
esta será a terceira vez em seguida que a caboverdiana
Cesária Évora é derrotada por um brasileiro.
Cesária e Caetano já gravaram juntos, em 1996,
a canção é "Preciso Perdoar".
Em sua segunda indicação ao Grammy (a primeira
foi em 1991 pelo álbum "Serenata Brasileira"),
Caymmi disputa o prêmio de arranjo instrumental pela faixa
"Pink Panther" (do filme "A Pantera Cor-de-Rosa")
do seu novíssimo álbum "Cinema: Romantic Vision",
gravado no Japão.
Mérida é Capital
Americana da Cultura
São Paulo - A cidade mexicana de Mérida, capital
do Estado de Yucatán, passa formalmente a partir de hoje
a ser a primeira Capital Americana da Cultura da história
deste continente. Serão diversos os atos de abertura formal
da capitalidade cultural de Mérida, entre eles a solenidade
celebrada no Teatro Peon Contreras, com a presença de
altas personalidades da vida política, social e cultural
de Mérida, Yucatán, México e de outros países
da América. No dia 7, acontece o espetáculo "Mérida,
em todos los tiempos: luz y fiesta de la ciudad", evento
que contará com a participação de mais de
200 artistas e vários grupos folclóricos de Mérida.
A iniciativa de designar anualmente, a partir do próximo
ano, uma cidade de algum dos 35 países do continente americano
como Capital Cultural, pretende contribuir para que haja um melhor
conhecimento entre os povos da América e projetar a cultura
americana aos demais continentes. Também favorecerá
o conhecimento e a difusão da cultura e história
dos povos da América, a conservação e proteção
do patrimônio cultural, os intercâmbios culturais,
a criação artística e literária,
incluindo o setor audiovisual e o fomento da cooperação
entre os países, tanto do continente americano como dos
demais.
A idéia surgiu em 1997, tomando-se como referência
a Capital Européia da Cultura, instaurada em 1985. Após
constituir-se uma organização internacional não-governamental
para desenvolver o projeto, a iniciativa foi apresentada à
Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em 1998, foram enviadas as informações sobre a
instauração da Capital Americana da Cultura às
cidades dos 35 países do continente americano. Cerca de
30 cidades demonstraram interesse em obter a nomeação
para o ano 2000. O processo de seleção finalizou-se
com a eleição de Mérida e sua capitalidade
cultural será até 31 de dezembro deste ano.
Mérida está localizada no coração
da cultura maia, sobre os vestígios da antiga cidade de
T'Hó, um dos centros políticos e religiosos mais
importantes do antigo Mayab. Conta-se que as ruínas daquele
evidente esplendor arquitetônico, comparável com
os vestígios romanos da Mérida
espanhola, inspirou os conquistadores a batizar a cidade como
Mérida, em memória de Emérita Augusta. Foi
fundada em 1542 por Francisco de Montejo. Em 1565, instalou-se
o primeiro governo da cidade e, em 1821, acontece sua independência
da Espanha juntamente com o restante do México.
A população atual de Mérida é de
aproximadamente 700 mil pessoas. O meridano possui uma ampla
herança cultural, a qual proteje e fomenta. Existem na
cidade 50 bibliotecas públicas, duas hemerotecas, quatro
museus, 14 teatros e outros centros de grande projeção
cultural, além de cerca de 900 centros educacionais.
O patrimônio arqueológico municipal de Mérida
é de 87 sítios. No eixo da zona maia de Yucatán,
existem mais de 1.600 sítios. Destacam-se as cidades maias
de Chichén, Itzá e Dzibilchaltún. Por outro
lado, Mérida é a cidade
sede do Ki-huic turístico, o evento anual mais importante
do mundo maia, que reúne empresários dos cinco
países (México, Guatemala, Honduras, Belize e El
Salvador) e cinco Estados mexicanos (Yucatán, Campeche,
Quintana Roo, Tabasco e Chiapas), que fazem parte do mundo maia.
Maiores informações podem ser obtidas na Capital
Americana de La Cultura - Delegação de São
Paulo, rua Dionísio da Costa, 11, CEP 04.117-110 - São
Paulo - SP. Fone/Fax:(0xx11) 575-8963.
Instituto Histórico
abre concurso
Florianópolis - Estudantes de história podem participar
do 1º Concurso de História para Universitários
promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico
de Santa Catarina. As inscrições devem ser feitas
até o dia 1º de abril deste ano e os cinco trabalhos
premiados serão editados em livro pela UFSC. Cada vencedor
terá direito a 20 exemplares.
Textos relacionados ao tema "Santa Catarina nos 500 anos
de Brasil" poderão ser apresentados por alunos matriculados
em qualquer curso de graduação em história
em território catarinense, com a orientação
de um professor. As pesquisas devem ser inéditas e ter
entre 20 e 25 páginas, impressas em papel A4 em corpo
Times New Times tamanho 12, com margens esquerda e direita de
3,17 centímetros, superior e inferior de 2,5 centímetros.
Informações pelo fone (0xx48) 222-5111.
Celine Dion
é a artista do século
Toronto, Canadá - A Sociedade Discográfica Canadense
apontou a cantora canadense Celine Dion como a artista do século,
depois que a mesma vendeu mais de 120 milhões de discos
em todo o mundo.
O presidente da sociedade, Brian Robertson, explicou a escolha.
"No final de 1999, Celine dion vendeu quase 9 milhões
de discos no Canadá. É preciso acrescentar a isso
que a venda de álbuns em todo o mundo ultrapassa a marca
das 110 milhões de cópias", assinalou Robertson.
Segundo um estudo realizado pela Sociedade Discográfica
Canadense, a cantora americana de country Shania Twain e o roqueiro
Bryan Adams também venderam muitos discos no Canadá
e no exterior.
Celine Dion se despediu temporariamente na última sexta-feira
em Montreal do mundo do espetáculo com um show excepcional
no qual festejou o réveillon.
Jane Fonda e Ted Turner se separam
Washington - A atriz Jane Fonda e o magnata Ted Turner anunciaram
na terça-feira sua separação, após
oito anos de casamento. "Chegamos a uma situação
onde cada um quer mais tempo para si mesmo. Então, decidimos
em comum acordo passar algum tempo separados", informou
o casal.
Ted Turner, 61 anos, é vice-presidente do grupo Time Warner
e fundador da rede de televisão CNN. Jane Fonda, 62 anos,
que deixou o cinema em 1990, foi símbolo sexual dos anos
60, musa da esquerda americana nos anos 70 e rainha da ginástica
nos anos 80. Nos últimos anos, ela vem participando de
uma campanha para reduzir o número de gravidez entre as
adolescentes. O casal se casou dia 21 de dezembro de 1991. Foi
o terceiro casamento de ambos.
SBT descaracteriza Babi e tira
o brilho do "Programa Livre"
Apresentadora está
pouco à vontade no novo formato da atração
juvenil
Leandro Calixto
TV Press
Numa só tacada, o SBT conseguiu descaracterizar totalmente
o "Programa Livre" e Ana Bárbara Xavier, a Babi.
A bela apresentadora, que ganhou projeção depois
que comandou com desenvoltura o "MTV Erótica",
na MTV, bem que tentou imprimir um estilo próprio na sua
estréia como titular do programa. Soltava gírias
sob medida para os adolescentes e demonstrava entusiasmo com
o público e convidados, que também deram uma "forcinha"
para apresentadora. Mas toda esta ajuda não bastou. O
novo "Programa Livre" perdeu o que tinha de melhor:
debates de alto nível numa linguagem coloquial e o espaço
que sempre foi dado para todas as vertentes da Música
Popular Brasileira e também internacional.
Um agravante foi o horário escolhido para a exibição:
meia-noite e meia. O público jovem que acompanhava o programa
no SBT até estava acostumado com horários estapafúrdios
- durante o reinado de Serginho Groisman, o "Programa Livre"
mudou de horário umas 40 vezes -, mas em nenhuma delas
teve de brigar com o sono da madrugada. A sonolência também
tem a colaboração da falta de dinamismo que assolou
o programa por ter deixado de ser ao vivo e passar a ser totalmente
gravado. Num programa em que a contundência das perguntas
dos adolescentes era um dos atrativos, o processo de edição
significou uma espécie de pasteurização.
No programa de estréia, Babi recebeu duas atrações
musicais. O primeiro foi o cantor Jerry Adriani, que fez uma
rápida apresentação em play-back de uma
música de Renato Russo. Não deixa de ser melancólico
ver um cantor com tantos anos de carreira utilizar a semelhança
vocal que tem com outro que surgiu bem depois. Depois veio o
grupo Ex-Nativus. Babi teve pouco tempo para entrevistá-los
em razão da avalanche de atrações do programa.
Ela ainda recebeu a comediante Dercy Gonçalves, que também
estreou um programa no SBT, um administrador de cemitério,
o presidente nacional do Prona, Enéas Carneiro, e ainda
o ginecologista Malcom Montgomery. Todas estas atrações
foram espremidas em quase um hora de programa, incluindo aí
os intervalos comerciais.
Malcom foi o único que despertou algum interessante, principalmente
porque falava de sexo, assunto que deixa Babi mais à vontade.
Dercy simplesmente ignorava as perguntas que lhes eram feitas
para elogiar rasgadamente Silvio Santos e falar mal da Globo.
Já Paulo Rodrigues, administrador do cemitério
do Caju do Rio de Janeiro, levantou histórias escabrosas
que teriam acontecido no cemitério carioca, que pouco
interessaram ao público. Até a própria Babi
ficou constrangida com o convidado, que garantiu que uma pessoa
presenciou o vulto do cantor Tim Maia no cemitério. Enéas
Carneiro, que disputou por três vezes as eleições
presidenciais, teve mais do que seus famosos 16 segundos para
falar -tempo de Enéas no horário eleitoral gratuito.
E não soube aproveitar.
Babi também não aproveitou bem a estrutura do programa.
O estúdio e cenário, os mesmos usados nos tempos
de Serginho Groisman, aparentemente causaram certa aflição
na moça. Ela estava acostumada com um público mais
intimista. Agora, na emissora do SBT, ela recebe mais de 400
convidados por dia. Por enquanto, ela ainda não está
totalmente à vontade com uma platéia tão
numerosa. Tanto que quando o público intercedia nas entrevistas,
Babi nem se dava ao trabalho de perguntar o nome da pessoa.
Babi certamente renderia muito mais se voltasse a comandar um
programa do mesmo estilo da MTV. O próprio diretor artístico
do SBT, Eduardo Lafon, já admitiu que, se a fórmula
atual não corresponder às expectativas, há
a possibilidade da nova contratada apresentar um programa parecido
com o "MTV Erótica". Seria a decisão
mais acertada, já que Babi tem um contrato de quatro anos
na nova emissora.
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| Manchetes AN |
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Reginaldo Rossi
amplia o seu "reinado"
O auto-intitulado
"rei do brega" lança novo CD e ganha homenagem
de artistas do Nordeste
Rubens Herbst
Joinville - O mundo dá mesmo muitas voltas. Veja o
caso de Reginaldo Rossi, um egresso da segunda divisão
da Jovem Guarda que até um ano e meio atrás vivia
de seu sucesso no eixo norte/nordeste, onde vende barbaridade
e é comparado a Roberto Carlos. Um disco ao vivo com seus
maiores hits e o estouro de "Garçom" o transformaram
de ídolo local em febre nacional, e o brega voltou a ser
cool como nos tempos do "Cassino do Chacrinha". Diante
da aclamação popular, Reginaldo se autoproclamou
"rei". Faz parte do marketing. Assim, não surpreende
que seu novo trabalho e o CD em sua homenagem levem títulos
tão majestosos - "Rossi The King" (Sony) e "Reiginaldo
Rossi - Um Tributo" (Abril Music), respectivamente.
A arrogância é apenas uma das facetas do cantor
pernambucano. Ele também encarna outros personagens que
ajudam a vender o peixe: o corno, o sedutor, o último
romântico, o amante experiente, o cafajeste, entre outros.
A figura um tanto excêntrica, como se ele ainda vivesse
nos anos 60, completam a "realeza" de Reginaldo Rossi,
cuja voz emposta lembra a do outro rei. Quanto à música,
nada de mais, apenas a velha ladainha sobre corações
partidos e dores de cotovelo envolta em arranjos de gosto pra
lá de duvidosos. Brega cult por brega cult, melhor ficar
com Odair José.
"The King" chega para ratificar a gloriosa nova fase
da carreira de Rossi, desde 1965 na batalha. Para tanto, aposta
na mesma fórmula que o consagrou, com a ajudinha de alguns
amigos ilustres. E já começa fazendo propaganda
de si na faixa-título, onde diz que "Se o Elvis fosse
vivo/ Teria raiva de mim/ Diria: my God, como é que pode?/
Nem o sinatra fez tanto sucesso assim". A música
é medíocre, mas pelo menos mostra que bom humor
não falta. Já "Foi Duro Meu Amigo" é
imperdoável, uma vez que verte para o português
raso a clássica "Pround Mary", do Creedence
Clearwater Revival. Dos anos 60 também vem "Prova
de Fogo", a mais famosa canção de Wanderléa,
ela mesma presente na faixa. A Ternurinha deve estar precisando
de grana.
O espírito da Jovem Guarda, aliás, se faz presente
em boa parte das 14 faixas do disco. Os dinossáuricos
Golden Boys engrossam o coro de "Fumacê", e até
"Whisky a Go-Go", aquela mesma dos Fevers, obrigatória
em casamentos e bailes de formatura, segue a linha do iê-iê-iê.
Simplórias, mas reforçadas pela produção
classe A, canções como "Um Pedaço do
Céu", "Tiazinha Story" e "Morrendo
de Amor" - todas da labra do cantor - não são
muito diferentes do que fazem Zezé di Camargo ou Daniel,
apenas emulam um certo clima iê-iê-iê e são
mais diretas em seu discurso de rádio AM.
Versos como "Me pega, me aperta, me amassa, me mostra teu
céu" revelam, com clareza, que Reginaldo Rossi é
para ser consumido por fãs de Wando, Elymar Santos e Roberta
Miranda (batendo ponto com "Vá com Deus") -
com certeza, os menos exigentes da face da Terra. É por
isso que a presença do Planet Hemp na regravação
de "Negro Gato", célebre na voz de Roberto Carlos,
deve ser encarada como um erro de prensagem. A banda carioca
não pagaria tamanho mico. Ou pagaria?
Erros e acertos
Se "Rossi The King" tem endereço certo, "Reiginaldo
Rossi - Um Tributo" tem tudo para virar um disputado pau-de-sebo.
O disco, projeto gestado pelo selo Mangroove durante um ano e
meio, reúne novas revelações da cena musical
pernambucana e medalhões da MPB reinterpretando (literalmente_
16 canções gravadas pelo "rei". Eis aí
o "x" da questão: os admiradores de Rossi podem
não engolir tanta experimentação em torno
da obra do ídolo, enquanto os interessados em novidades
vão ignorar um produto com a marca de um notório
cantor brega. No entanto, quem se dignar a ouvir o CD vai se
deparar com algumas boas surpresas.
O tributo pode ser dividido em três partes. A primeira,
reunindo versões bastante fiéis às originais,
inclui Lenine ("A Raposa e as Uvas"), Lula Queiroga
("Pedaço de Mau Caminho"). A segunda abrange
tentativas mais ousadas, mas que se restringem a acelerar ou
desacelerar as canções, caso do rock comportado
de Paulo Francis Vai Pro Céu ("O Pão"),
a pauleira punk do Devotos ("O Rock Vai Voltar") e
do Querosene Jacaré ("Tô Doidão"),
o sotaque caipira de Geraldo Azevedo ("As Quatro Estações")
e o arrasta-pé nordestino de Zé Ramalho ("Era
Domingo").
A subdivisão termina com o mergulho na alquimia sonora,
na qual os artistas mantém a espinha dorsal da composição
para daí partir para algo novo, às vezes tornando-a
irreconhecível. Os resultados, claro, nem sempre são
satisfatórios. Não é o caso de Stela Campos,
que se uniu ao velho herói do underground brasileiro Loop
B para transformar "Tão Sofrido" em um torpedo
sônico à base de eletrônica carregado de melancolia.
Batidas tecno também dão o tom em "Cuca Fresca",
associação do Eddie com a DJ Dolores. "No
Claro e no Escuro", com D.M.P. e os Fulanos, envereda pelo
hip hop, enquanto "Desterro" ficou parecendo trilha
de roda de capoeira, com as vozes e percussões de Comadre
Florzinha.
Se mundo livre S/A ("Mon Amour Meu Bem Ma Famme") e
Via Sat ("Complexo de Cachorro") não saem do
lugar-comum, o Véio Mangaba só irrita com sua miscelânia
de estilos misturada com teatrinho, em "Ai Amor!".
O Cascabulho funde percussão, ska, samba e toques latinos
para implantar o baile em "Deixa de Banca (Borogodá)".
E "Garçom"? O maior hit de Reginaldo ficou por
conta de Otto, que promoveu uma verdadeira desconstrução
musical. Sem idéias melhores, ele empilhou samples de
guitarras, locuções fantasmas, batucadas e sons
de sirene para emoldurar o desabafo do bebum cuja amada vai casar
com outro. Além de não combinar, a nova versão
ficou inaudível.
Lançamentos
"Disco Clubbing 2 - Mestre de Cerimônias"
(Edson Cordeiro) - A guinada rumo ao pop continua rendendo bons
frutos a Cordeiro. Como fez em seus dois últimos álbuns,
ele revisita a disco music, mas com uma roupagem tecno mais radical.
Com sua voz de múltiplas possibilidades, ele comanda uma
festa dançante regada a hits de Bee Gees, Donna Summer,
Santa Esmeralda, Roberta Flack, Culture Club e até Gretchen
e Frenéticas. O cantor ainda recupera "Primavera
(Vai Chuva)", composição de Cassiano célebre
na voz de Tim Maia, e apresenta uma canção inédita
da gaúcha Laura Finocchiaro, "Amor de Rua".
Para usar uma gíria bem anos 70, um disco para fazer ferver
a pista. (Sony/Columbia). (RH)
"World Coming Down" (Type O Negative) - Se
o Type O Negative fosse um veículo, ele seria um tanque
de guerra: lento, pesado e com grande poder de fogo, porém
limitado. Em seu quinto disco, o grupo americano - um dos expoentes
do chamado doom metal - capricha nos vocais cavernosos, no peso
monumental e nos andamentos arrastados, mas cansa o ouvinte com
a falta de dinâmica. Ainda assim, faixas como "Sinus",
"Everyone I Love is Dead" e "Everything Dies"
revelam talento para transformar filmes de terror em música.
E a versão "fim do mundo" para "Day Tripper",
dos Beatles, ficou bem bacana. (Roadrunner). (RH)
"All the Way... A Decade of Song" (Celine
Dion) - Por incrível que pareça, a diva canadense
atravessou os anos 90 derramando açúcar nas paradas,
emplacando um hit após o outro e vendendo teneladas de
disco. Símbolo do que existe de pior na indústria
fonográfica, ela dá agora seu golpe de misericórdia:
sem material inédito suficiente para fazer um disco inteiro,
ela reuniu seus maiores sucessos e sete novas composições
e embulhou tudo nesta coletânea picareta. "All By
Myself", "Immortality" e "My Heart Will Go
On" dividem espaço com novas "pérolas"
do pop baba. Há até uma versão de "All
the Way", clássico de Frank Sinatra que, graças
aos milagres da tecnologia, conta com a presença do próprio.
O velho Frank não merecia isso. (Sony/Epic). (RH)
"Heartbreakers" (Bonnie Tyler) - Alguém
lembra de Bonnie Tyler, aquela do megahit "Total Eclipse
of the Heart"? Antes de se aventurar pelo pop descartável,
a cantora inglesa era adepta do folk, com eventuais incursões
pelo rock e o rhythm'n'blues, o que reforça a pecha de
"Rod Stewart de saias". Mesmo ser merecer, Bonnie tem
seus primórdios resgatados do limbo dos anos 70 nesta
coletânea de 20 faixas, que traz, entre outras coisas,
o sucesso "It's a Heartache". Há canções
fortes, como "Los in France", "More than a Lover",
"Here Am I" e "Louisiana Rain", de Tom Petty,
e bobagens, como a versão para "Piece of my Heart",
célebre na voz de Janis Joplin. No geral, vale como curiosidade.
(Castle/Abril Music). (RH)
"E o Povo Ao Vivo de Novo" (Ara Ketu) - E
o sofrimento se repete! Mas dessa vez há uma desculpa:
o primeiro disco ao vivo do grupo baiano vendeu nada menos do
que 1 milhão de cópias, e reprisar o esquema logo
na seqüência era certeza de bolsos ainda mais cheios.
Assim, dois shows lotados em Salvador renderam mais um CD com
"mãozinhos para o alto" e "só vocês
cantando". Animado feito um velório, o disco tem
axé, funk, pagode e romantismo, tudo pobre, rasteiro e
sem um pingo de imaginação, algo comum aos nomes
do estilo. Os pout-pourris (obrigatórios) da vez homenageiam
Tim Maia e ressuscitam a lambada, praga que assolou as paradas
nacionais nos anos 80. É o que se pode chamar de desserviço
à nação. (Sony/Columbia). (RH)
"Reload" (Tom Jones) - Esperto o veterano
cantor inglês. Depois de ressurgir em alto estilo na década
passada, ele une sua voz de barítono a respeitáveis
nomes do pop mundial (veteranos ou não) num disco pra
lá de recomendável. Entre tantos bons momentos,
a de se destacar os duetos com Stereophonics, Robbie Williams,
Van Morrison e Portishead, além das versões de
"Burning Down the House" (Talking Heads), com The Cardigans,
e "Lust for Life" (Iggy Pop), com os Pretenders. Mas
se nada disso prestasse, o CD ainda valeria por uma única
faixa: a emocionante "I'm Left, You're Right, She's Gone",
que Jones divide com James Dean Bradfield, líder dos Maniac
Street Preachers. Divina é pouca. (Roadrunner). (RH)
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