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ANotícia
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Invenções que
nascem do monte de lixo
O chapecoense Rivelino
Darold chama a atenção para a reciclagem convertendo
sucata em arte exótica e equipamentos úteis
Marcos Horostecki
Se
vivesse nos dias de hoje, fora das histórias em quadrinhos
e dos desenhos animados de Walt Disney, o professor Pardal teria
inveja do operador de som Rivelino Humberto Darold, 27 anos.
Louco pela arte e pela eletrônica, o jovem inventor já
construiu quase de tudo com sucata e muita imaginação,
numa pequena garagem no bairro Jardim Itália, na cidade
de Chapecó. A sua principal invenção - um
robô feito com latas de leite em pó, que fala e
interage com qualquer interlocutor - já esteve até
na mostra da Ciranda da Ciência, em São Paulo, e
se transformou no precursor de muitos outros, não tão
animados, mas capazes de surpreender pelo design futurista e
pelo material utilizado: garrafas plásticas de refrigerante.
Mergulhado no seu pequeno universo, repleto de materiais que
a sociedade considera lixo, Darold avalia sua obra como uma prova
irrefutável de que a reciclagem vale a pena e pode ser
a salvação do mundo moderno. Ele não esconde
nem tem vergonha de dizer que costuma percorrer a vizinhança
em busca de materiais que possam ser reaproveitados e que muitas
pessoas ainda consideram essa atitude um tanto estranha e fora
da realidade. Faz questão de lembrar que foram as dificuldades
que o fizeram avançar, descobrir novas formas e construir
novas peças. "Comecei usando nenhuma técnica
e poucas ferramentas. Demorou muito até que encontrasse
ou pudesse adquirir algum equipamento que atendesse às
minhas necessidades", conta.
Totalmente autodidata, o inventor é capaz de montar formas
inimagináveis e ainda por cima provar que elas podem ser
úteis. Numa pequena exposição aberta essa
semana no auditório da Rádio Chapecó, no
centro da cidade, está sendo apresentada a sua mais nova
criação: o protótipo de uma super cola,
potente o suficiente para ser capaz de soldar o plástico
das garrafas de refrigerante e fazer com que o objeto construído
não se desmonte. Com o uso do novo adesivo - uma mistura
de uma série de químicos - Darold deu vida à
cobras gigantescas, arcos que parecem ser de metal, além
de luminárias, estantes para televisão e uma infinidade
de bonecos com formas "extraterrestres", que fariam
a alegria de qualquer criança.
O artista já está patenteando a sua descoberta
e procurando parceiros que queiram investir na idéia,
embora garanta que seu único objetivo com a elaboração
da cola foi dar durabilidade à sua obra. "Foram vários
anos de trabalhando, buscando um material que mantivesse as peças
unidas. Graças à Deus eu consegui, pois nada que
esteja no mercado é capaz de dar ao plástico essa
durabilidade", afirma.
Lixo artístico
Darold usa a parte de cima das garrafas
plásticas para moldar corpos, pernas, braços e
cabeças. Os pequenos canos que dão forma às
estantes e outros objetos são feitos com a parte do meio
e com os anéis que ficam abaixo do bico das mesmas garrafas.
Quando a forma precisa ser menor ele usa embalagens de amaciante
de roupas e de outros produtos químicos. Tudo é
moldado à mão, com a ajuda de uma faca bem afiada
e um pequeno torno, e ganha cores, normalmente metálicas,
com a ajuda de um compressor e tinta automotiva.
Para divulgar seu trabalho, além de promover pequenas
exposições com a ajuda de amigos e parentes, o
artista também participa de festas na cidade e na região,
apresentando um verdadeiro show com seus bonecos e invenções.
O espetáculo, além do brilho exótico das
criações, é acompanhado por luzes e equipamentos
musicais que ele mesmo adapta. As músicas, ao estilo do
grupo alemão Kraftwerk, costumam deixar o público
impressionado e interessado em saber como tudo foi montado. Sobre
o futuro, Darold tem uma única certeza: vai continuar
liberando toda a sua criatividade e transformando lixo em esculturas
e objetos exóticos. Os projetos, segundo ele, ainda são
muitos e para que eles sejam concretizados, é preciso
apenas que se encontre, entre o que já foi descartado,
a peça ou encaixe corretos. "Faço isso com
o intuito também de conscientizar as pessoas. Todos sabemos
que o mundo e a natureza dependem de nós e que precisamos
preservá-los, se quisermos continuar vivendo e produzindo
novas descobertas".
Curador de Veneza elogia 2ª
Bienal
Florianópolis - Foi Leonor Amarante, curadora-adjunta
da 2ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, que definiu o
suíço Harald Szeemann, ao fazer sua apresentação
para o público gaúcho: "Tudo o que ele toca,
transforma". Szeemann é o responsável pela
Bienal de Veneza e considerado o mais poderoso curador de artes
plásticas do mundo. Na noite de quarta-feira, no auditório
do Margs, ele falou informalmente para um auditório lotado,
em boa parte formado por artistas plásticos locais, sobre
sua trajetória e a arte que ele se depara no mundo.
Beleza selvagem
A atriz Alessandra Negrini se despojou da sensualidade que a
marcou em "Engraadinha" para interpretar uma
mulher forte na macrossrie "A Muralha".
AN_Tev |
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Sua observação sobre a II Bienal
de Artes do Mercosul, que termina domingo: "Muito das obras
que vi nesta Bienal poderiam estar em Veneza". Ele gostou
mais intensamente do que viu no espaço do Deprc, que achou
muito parecido com o Arsenal, uma das áreas de exposição
da Bienal de Veneza.
Sem querer citar nomes, acabou revelando o que mais lhe impressionou:
a obra do uruguaio Federico Arnaud (que usa imagens religiosas
num jogo de Fla-Flu), "pela concepção do trabalho
e a forma como trabalha artesanalmente a madeira". Destacou
também, "pela elegância", a escultura
de aço, ao ar livre, da paulista Márcia Grostein
e os trabalhos das gaúchas Élida Tessler e Rochelle
Costi. Ele ainda elogiou o escultor Nélson Félix
e o fotógrafo brasileiro Arthur Omar, além do uruguaio
Álvaro Zinno.
Nascido em Berna, Harald Szeemann é PhD em história
da arte, estudou arqueologia, jornalismo, foi ator e diretor
de teatro e também acompanhou, como protagonista, muita
vezes, algumas das mais importantes manifestações
artísticas da Europa, nos últimos 40 anos. Sobre
seu trabalho como curador de obra de arte, disse que muitas vezes
vale mais a pena ser amigo do capitão do Corpo de Bombeiros
da cidade onde os eventos se realizam do que ter muitas relações
no meio artístico.
Livro faz retrospectiva
da arquitetura em SC
"Panorama
da Arquitetura Catarinense" lançado dia 14
Florianópolis - Com a dupla função de
ser uma retrospectiva da arquitetura em Santa Catarina nas últimas
três décadas e portfólio dos profissionais
que atuam no Estado, o livro "Panorama da Arquitetura Catarinense"
será lançado na próxima sexta-feira. Trata-se
de uma edição sofisticada, com 340 páginas
coloridas em papel couché e 540 fotografias em cromo,
que estará à venda nas livrarias por R$ 110,00.
Concebido e executado pela arquiteta Cristina Piazza, 39 anos,
o livro consumiu dez meses de trabalho. A idéia surgiu
em novembro, quando o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB)
completou 30 anos de atividades em Santa Catarina. "Não
havia uma publicação que registrasse a trajetória
da arquitetura catarinense, então decidi enfrentar o desafio
de produzi-la", lembra Cristina.
O primeiro passo foi selecionar, entre os 200 associados à
seção catarinense do IAB, 50 arquitetos (ou equipes)
que tivessem uma trajetória significativa e concordassem
em produzir material para ocupar as oito páginas reservadas
a cada participante. "Avaliei a importância das obras
e me preocupei em incluir representantes de todas as regiões
do Estado. Há projetos que são ícones da
arquitetura catarinense e não poderiam ficar de fora",
conta Cristina. Dos 50 convidados, nove não apresentaram
material com a qualidade esperada e foram excluídos do
livro.
Cristina teve que correr atrás dos R$ 126 mil necessários
para a produção de 2 mil exemplares. Quase desanimou
com o desinteresse das empresas sediadas em Santa Catarina. "São
marcas com a qual lidamos o tempo todo e que não deram
a força esperada. Constatei que nossos empresários
preferem o que é feito em outros estados", lamenta.
Mas ela persistiu até conquistar três parceiros
de peso - a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e a Universidade
de Joinville (Univille).
Software
Indstrias de software de Santa Catarina ampliam solues
e conquistam novos mercados no Brasil e no exterior.
AN_Informtica |
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A intenção de divulgar a arquitetura
catarinense em outros estados se concretizará com a distribuição
da obra a livrarias especializadas de todo o Brasil. E o objetivo
de fortalecer o IAB também foi alcançado. Como
só os associados à entidade teriam chance de participar
do livro, a quantidade de sócios subiu em poucos meses
de 120 para 200. Mas a adesão ainda é pequena,
diante da estimativa de que há 1200 profissionais da área
atuando no Estado.
O livro foi organizado por ordem alfabética dos arquitetos,
mas há também um índice por área
de atuação. "Procurei fazer uma seleção
que abrangesse todos os gêneros praticados pelos nossos
profissionais", descreve Cristina. Entre as 28 áreas
listadas há arquitetura residencial, comercial, industrial,
bancária, hospitalar, hoteleira, religiosa, naval (desenho
do navio e instalação de equipamentos), de interiores,
de habitação popular, design, luminotécnica,
programação visual, restauro e urbanismo.
A instalação do IAB em Santa Catarina foi um momento
marcante da arquitetura em Santa Catarina, comparável
à criação do curso na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC) em meados da década de 70. Na
semana passada tomou posse o novo presidente da seção
catarinense da entidade, Roberto Simon, que substitui Osvaldo
Pontalti Filho. O lançamento do livro acontece na próxima
sexta, 14 de janeiro, às 19h30, na Galeria de Arte Beatriz
Telles Ferreira do Shopping Beiramar, em Florianópolis.
Hilda Hilst integra os
"Cadernos de Literatura"
São Paulo - "Sou eu esta mulher que anda comigo/
e renova a minha fala e ao meu ouvido/ Se não fala de
amor, logo se cala?". Os versos são da intensa, apaixonada
e também provocativa Hilda Hilst, cujo universo literário
chega renovado aos leitores com a publicação de
mais um belíssimo volume dos "Cadernos de Literatura
Brasileira" (Instituto Moreira Salles, 144 págs.,
R$ 22,00), o de nº 8.
Diferentemente dos volumes anteriores, este vem com um presente
especial para o leitor: uma separata com dois poemas inéditos
da autora, uma das mais importantes da literatura de língua
portuguesa de todos os tempos, e dois de seu pai, Apolônio
de Almeida Prado Hilst, ele também um poeta, publicados
em jornais de Jaú, nas décadas de 20 e 30. "Meu
pai foi a razão de eu ter me tornado escritora",
revelou Hilda, entre outras coisas, ao diretor editorial dos
"Cadernos", Antônio Fernando De Franceschi, e
ao editor executivo, Rinaldo Gama.
A publicação, que traz logo no início uma
cronologia da autora, reúne depoimentos de pessoas importantes
na vida de Hilda, como o da amiga há quase 50 anos e também
escritora Lygia Fagundes Telles, o do editor Massao Ohno, responsável
pela edição de muitos de seus livros, o do ex-reitor
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e poeta Carlos
Vogt, que nos anos 80 a convidou para integrar o Projeto do Artista
Residente da instituição, além de uma longa
carta inédita enviada a ela pelo então jovem escritor
Caio Fernando Abreu, em 1969.
É pela mão deles que o leitor forma, aos poucos,
um retrato da poeta sob diversos ângulos, para depois completá-lo
ao ler uma entrevista que durou mais de três horas, durante
as quais ela respondeu a mais de 130 perguntas feitas por De
Franceschi, Gama e seus convidados - o humorista Millôr
Fernandes, a professora da Universidade de São Paulo Telê
Ancona Lopez, o professor e historiador de arte Jorge Coli, a
crítica literária e professora convidada também
da USP Nelly Novaes Coelho.
Os textos são entremeados por imagens da infância
e da juventude da escritora, que neste ano completa 70 anos de
vida e 50 da publicação do primeiro livro, e por
magníficas fotos de Eduardo Simões, que registrou
recantos da casa e da chácara Casa do Sol, em Campinas,
onde ela mora desde a década de 60, de objetos que fazem
parte de seu cotidiano e de alguns de seus numerosos cachorros.
Os "Cadernos de Literatura Brasileira" podem ser encontrados
nas livrarias do País ou por assinatura pelo telefone
(0xx11) 212-2100 ou no endereço da Internet www.ims.com.br.
Seis histórias cheias
de angústia e sofrimento
Ricardo de Souza
Agência Estado
Cataguases é uma pequena cidade da Zona da Mata mineira
com cerca de 50 mil habitantes. Da aparente tranqüilidade
da cidade e de seus habitantes o escritor Luiz Ruffato - nascido
em Cataguases - extraiu um universo rico em dramas e sentimentos
quase sempre infelizes. Essa foi a matéria-prima de seu
primeiro livro, "Histórias de Remorsos e Rancores",
de 1998.
Agora, Ruffato, que é secretário de Redação
do "Jornal da Tarde", volta a transformar sua cidade
natal num palco por onde desfilam personagens marcados pela angústia,
frustração e ambição. Em "Os
Sobreviventes, que deve ser lançado em fevereiro, o escritor
amplia histórias fadadas a um ambiente microscópico
e as transforma numa fascinante análise da condição
humana. "É uma tentativa de resgatar histórias
para observá-las de fora", explica Ruffato.
O livro é dividido em seis contos - ou histórias,
como prefere o autor -, todos recheados de personagens tristes
e ligados a Cataguases, direta ou indiretamente. Não são
histórias reais. Nem a cidade é exatamente como
o autor descreve. "Não reconheço a cidade
como escrevo; dei um sentido mítico a ela", afirma
Ruffato.
Cada história parte, de maneiras e estilos diferentes,
da insatisfação do homem com sua condição
de ser finito e sua consciência disso. Em "A Solução",
Ruffato narra a história de operárias cansadas
da rotina do trabalho na fábrica de tecidos e que sonham
com a chegada do grande amor. O escritor Malcolm Silverman escreve,
no prefácio, que esse amor confirma-se como uma ilusão:
"Elas são cinderelas brasileiras, cujos clichês
familiares dicotomizam-se em papéis convencionais dentro
de variações imemoráveis".
O estilo usado por Ruffato para passear com seus personagens
por presente e passado é uma das razões pelas quais
seu trabalho anterior recebeu elogios da crítica. Em "Carta
a uma Jovem Senhora", o protagonista relembra, num quarto
de hotel de quinta categoria, entre um cigarro e um gole de uísque,
seu grande amor na juventude. Ruffato divide a narrativa entre
presente, passado distante e passado recente para mostrar o sofrimento
do personagem com a frustração amorosa. Que ninguém
espere um final feliz.
O autor retorna ao vaivém temporal em "Aquário",
último conto de "Os Sobreviventes". O protagonista,
Carlos, volta a Cataguases para o enterro do pai. Decide levar
a mãe para Guarapari (ES). Num diálogo com a mãe
durante a viagem, ele repensa sua vida, passada quase toda fora
da cidade natal. Surgem dúvidas e também certezas
de que foi melhor manter-se afastado da família.
Ruffato confirma o talento mostrado no trabalho anterior. Sua
personalidade e originalidade para criar sua dimensão
lúgubre habitada por personagens tristes ainda devem dar
no que falar.
"Globo Ciência"
mostra a
evolução das viagens aéreas
Programa de hoje
também demonstra os mecanismos que nos permitem voar
Quem não tem medo de voar? Será que dá
para dizer que o friozinho na barriga não passa de uma
ilusão? O "Globo Ciência" de hoje vai
levar o telespectador para uma viagem pelo mundo da aviação.
O programa vai ao ar às 7h20, mostrando a evolução
das viagens aéreas, do sonho de Ícaro ao 14 Bis,
do vôo dos pássaros aos jatos modernos.
Desta vez, a turma comandada pela cientista Mila (Palomas Riani)
está ocupada em produzir um artigo sobre a aviação.
Alice (Sabrina Rosa), Téo (Oberdan Júnior) e Gabriel
(Daniel Lobo), auxiliados por Galileu (Charles Paraventi), o
personagem virtual, vão dar asas a imaginação
para mostrar os primeiros passos da arte de voar. Galileu vai
explicar que o movimento das asas dos pássaros é
igual ao de uma pessoa nadando o estilo borboleta, enquanto imagens
mostram que a ave faz com o ar o mesmo que fazemos com a água
ao nadar: os braços ajudam a flutuar e, simultaneamente,
empurram a água para trás, para que o corpo seja
impulsionado para a frente.
Ao mesmo tempo em que Gabriel desenvolve um planador e explica
que estes, assim como os pássaros, conseguem planar porque
a pressão debaixo da asa é maior do que em cima,
Téo, desapontado, percebe que precisará alterar
a asa que produz depois dessa explicação. Enquanto
isso, Alice concentra-se em leituras e anotações.
É ela quem conta para o telespectador que os primeiros
vôos bem-sucedidos com pessoas a bordo foram feitos em
balões, cheios de ar quente ou de algum gás mais
leve do que o ar, como o hélio.
O grupo também usa imagens de computador para ilustrar
o artigo. Entram em cena Santos Dumont e seus dirigíveis,
além do primeiro vôo do 14-Bis. Paris festeja o
momento em que o homem voava pela primeira vez em um veículo
mais pesado que o ar. Mas nem todas as experiências deram
certo. O programa mostra o famoso dirigível alemão,
o Zepelin, em chamas: o balão usava hidrogênio,
um gás muito mais leve que o hélio e de mais fácil
combustão.
Mas a aula do Globo Ciência vai além. A tela do
computador auxilia Galileu a explicar que os aparelhos mais pesados
que o ar, como aeroplanos e aviões, só tiveram
sucesso quando os componentes de vôo, planagem e impulso
foram separados. Isso significa que as asas rígidas fornecem
a sustentação da aeronave e as outras "asas"
- as hélices - a propulsão. Acionadas por motores,
eles empurram o ar para trás e impulsionam o avião
para a frente. Galileu também conta que o princípio
de vôo dos pássaros foi seguido à risca por
Santos Dumont ao inaugurar em Paris, em 1906, o vôo com
aeroplanos, dois anos após a primeira experiência
dos irmãos Wright.
Além do funcionamento de um simulador de vôo, o
programa também mostra que no helicóptero é
a própria hélice que sustenta o aparelho no ar.
Criado pelo engenheiro russo Sikorski, ele mais se parece com
um inseto do que com uma aeronave. O funcionamento das turbinas
de um jato também surpreende: em cada uma delas existe
uma pequena hélice que funciona como um aspirador de pó,
jogando o ar dentro dela. Lá, o combustível queima,
provocando uma poderosa explosão, que expulsa o ar para
fora em grande velocidade. Isto é que empurra o avião
para a frente.
O cientista Marcelo Gleiser comenta os meios de transporte de
longa distância imaginados para este século, como
os aviões supersônicos, o retorno dos grandes dirigíveis,
os foguetes suborbitais etc.
Produzido pela TV Zero para a Fundação Roberto
Marinho, o Globo Ciência tem direção de Duda
Vaisman e direção-geral de Roberto Berliner. A
consultoria de criação é de Doc Comparato.
O "Globo Ciência" também vai ao ar, aos
sábados, nas seguintes emissoras e horários: Canal
Futura, às 21h30; TVE, às 8h30; GloboNews, às
9h05; Globo Internacional, às 7 horas.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
O show da vida
não pode parar
Em "Vida - O Filme",
o escritor americano Neal Gabler critica a mídia pelo
culto à celebridade que avança sobre o mundo todo
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Neal Gabler sabe que se expõe a críticas, mas
não hesita em apontar o que lhe parece o fenômeno
mais importante do fim do milênio: a substituição
das ideologias tradicionais pelo verdadeiro culto da celebridade
que, dos Estados Unidos, avança sobre o mundo todo. Gabler
é um intelectual respeitado na América. Assina
resenhas para jornais importantes, é autor de "A
Empire of Their Own: How the Jews Invented Hollywood". Gabler
também é o autor de "Vida - O Filme"
(Companhia das Letras, 280 páginas, R$ 28,50). O subtítulo
diz tudo sobre as intenções do autor: "Como
o Entretenimento Conquistou a Realidade". Gabler quer mostrar
que, cada vez mais, a ficção tem de competir com
as histórias da vida real.
Ele esclarece que não se trata de repetir o clichê
de que a vida imita a arte, se bem que, ressalta, "há
um fundo de verdade nisso". Nem é dizer que a arte
inventou seus métodos artísticos e inverteu o processo
- a arte imita a vida, "ainda que isso também seja
verdade", faz outra ressalva. A questão é
outra, diz Gabler. O que verdadeiramente caracteriza esse processo
é o fato de o homo sapiens estar transformando-se no homo
scaenicus - o homem-artista. Exemplos não faltam para
que ele prove sua tese. Há pouco tempo, Warren Beatty
demonstrou interesse em concorrer à Presidência
dos Estados Unidos, mas voltou atrás.
"Num passado recente, tivemos o caso de um presidente vindo
de Hollywood, Ronald Reagan; Beatty quer provar que uma repetição
do fenômeno é possível". Qual é
a qualificação de Beatty para ser presidente, pergunta
Gabler? "Ele não é político profissional
nem possui um projeto para o país". Beatty tem a
seu favor o carisma de astro de Hollywood e a disposição
de ser uma alternativa de esquerda, já que Reagan era
claramente uma alternativa de direita. Ao contrário do
que comumente se anuncia, essas definições ainda
não perderam o significado, observa Gabler.
"Todo o mundo sabe o que é esquerda ou direita, mesmo
num país tão intensamente apolítico, como
os Estados Unidos". Ele lembra que Philip Roth foi o primeiro
a chamar a atenção sobre o que estava ocorrendo.
Em 1960, o autor de "O Complexo de Portnoy" levantou
uma questão que, na época, não parecia tão
pertinente, mas hoje é fundamental. Quais as chances de
a ficção poder continuar competindo com as histórias
da vida real? Gabler cita Roth: "Está aqui: o escritor
norte-americano da metade do século 20 dá um duro
danado para tentar entender, depois descrever e, em seguida,
tornar crível boa parte da realidade americana".
E Gabler segue citando Roth: "A realidade bestifica, enoja,
enfurece e acaba sendo uma espécie de constrangimento
à parca imaginação do autor; nossos talentos
são superados pela atualidade e a cultura produz quase
todo o dia dados de fazer inveja a qualquer romancista".
Encenação
Gabler observa que Roth não foi o único a perceber
o fenômeno. Quase na mesma época, o historiador
Daniel Boorstin, em seu estudo pioneiro intitulado "The
Image: A Guide to Pseudo-Events in America", dizia que,
por todos os lados, o fabricado, o inautêntico e o teatral
estavam expulsando da vida o natural, o genuíno e o espontâneo,
a tal ponto que a própria realidade estava convertendo-se
numa encenação. "Ele percebeu que os Estados
Unidos estavam a ponto de tornar-se o primeiro povo da história
a ser capaz de fazer suas ilusões tão convincentes
e 'realistas' que até podemos viver nelas".
"Pois bem, os temores de Boorsin acabaram por concretizar-se",
diz Gabler. "Não sei como é no Brasil e nem
falo pela Europa, embora esteja convencido de que se trata de
um fenômeno mais ou menos universal, mas nos Estados Unidos
o entretenimento invadiu a realidade". Pense na Guerra do
Golfo, na vida e morte da princesa Diana, em Monica Lewinsky
e o charuto do presidente Bill Clinton, no julgamento de O.J.
Simpson ou em Elizabeth Taylor, que "transformou sua vida
pessoal, cheia de romances e doenças, em algo que supera,
para o público, qualquer uma de suas interpretações
na tela".
É justamente essa a questão: "A própria
vida transformou-se num veículo de comunicação,
como a televisão, o rádio, a imprensa e o cinema,
e todos nós nos tornamos ao mesmo tempo atores e platéia
de um espetáculo muitas vezes mais rico, complexo e fascinante
do que qualquer coisa concebida para os veículos de comunicação
convencionais". Gabler volta a Roth para afirmar que a vida
acabou por transformar-se mesmo num filme.
O cinema contribuiu para isso, o desenvolvimento da fotografia
na imprensa que antes era só escrita, também. Criaram
uma mitologia da imagem. "Já estamos naquele futuro
referido por Andy Warhol, que dizia que um dia todos teríamos
nossos 15 minutos de fama", lembra Gabler. Ele cita o caso
emblemático. "Até chegar ao Dakota, o assassino
de John Lennon ainda não estava certo de que lhe pediria
um autógrafo ou dispararia seu revólver".
Se tivesse pedido o autógrafo, Mark Chapman teria permanecido
anônimo. Atirando, virou protagonista do filme da vida.
Teatro realista
Nunca se lavou tanta roupa suja em público. Há
mesmo revistas e programas de televisão especializados
em mostrar pessoas anônimas ou celebridades, não
importa, dispostas a revelar um segredo, de preferência
bem sórdido. "Os anônimos ficam famosos e ganham
seus minutos de celebridade, os que já são famosos
viram mitos, como se fosse uma grande coisa", observa Gabler.
Nossa necessidade de espetáculo é tão grande
que a Guerra do Golfo virou na TV uma fantasia hollywoodiana
carregada de efeitos. Nossa fome por escândalo é
tão intensa que Gabler lembra, uma das juradas do caso
O.J. Simpson virou musa e até posou nua para a "Playboy".
A aplicação deliberada de técnicas teatrais
em política, religião, educação,
literatura, comércio, guerra, crime, em tudo, enfim, converteu-os
todos em ramos da indústria do entretenimento, na qual
o objetivo supremo é ganhar e satisfazer uma audiência.
Existem sites na Internet explorando a intimidade de pessoas
anônimas e Timothy Leary, outrora defensor de alucinógenos,
usou uma página da web para fazer um relato detalhado
da deterioração do seu organismo, provocada por
um câncer da próstata. Gabler aproveita para dizer
que o fenômeno já foi satirizado por Hollywood ("O
Show de Truman, o Show da Vida", de Peter Weir). Ele não
vê perspectiva de mudança para o futuro.
Critica a imprensa americana por ser conivente demais com o fenômeno
e até contribuir para ele, muitas vezes por pressões
de anunciantes e do próprio público, dentro daquilo
que se chama de concorrência. Se Beatty chegasse a presidente,
outro capítulo dessa história estaria sendo escrito.
O filme da vida seguirá em cartaz com ampla aceitação
- dos atores e sua platéia.
Hebdomadário
Os amigos do passarinho
José Silveira
Conquanto você nada me tenha perguntado, digo-lhe que
moro só. É um terceiro andar com o nariz de frente
para duas montanhas que incendeiam minhas janelas com o fogo
verde do seu fragoroso cenário vegetal. Tendo atravessado
a vida metido em multidões, cercado por todos os gemidos
e estrondos das cidades grandes, eis-me agora apagado monge desta
solidão à qual me converti com a alma e o bico
de um sossegado passarinho de gaiola.
Alguns amigos trazem-me água e alpiste. Quando a agulha
de alguma inquietude fere minha paz, vou ao Eclesiastes, que
é o livro de todas as sabedorias. "Melhor é
o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato".
O zelador traz os jornais. Na primeira página, um menino
de 13 anos tenta o suicídio porque estava desempregado.
Era arrimo de família. Na quinta página, o Brasil
vai bem, muito bem, segundo o presidente e o ministro da Fazenda.
Entra o Maceió. Senta-se na poltrona veludo-pêssego,
tiro dois dedos de prosa e desaparece tão rápido
na saída como na chegada. O telefone toca. É José
Raimundo Prado avisando que vem à dobradinha. Joel Gehler,
que vinha todas as tardes, folhear livros, contar e ouvir histórias,
há dias não traz o ar da graça. O telefone
toca, é ele. Está no Rio, prelando um livro. Joel
é uma das melhores cabeças a serviço do
texto incomparável.
São dessas mãos que me chegam o alpiste e a água
que sustentam o pássaro na sua solidão dourada,
entre varetas de onde saem os poleiros onde ponho os pés
aflitos e flutuo vôos fugazes. José Manoel Duarte
(Zinho) é o que mais visita a gaiola, o que abre a porta
e deixa-me voar a liberdade. Os Duartes, de Taís à
Fátima, são meus pés e minhas asas.
(Crônica inédita de José Silveira)
Lazer 1- Depois
de um curto período de férias (anunciadas com a
apresentação do grupo vocal Estação
Brasil, em dezembro), o bar e restaurante Casablanca retoma as
atividades normais ampliando seus horários de atendimento
para oferecer também as noites de domingo como uma opção
de lazer para o joinvilense. Trabalhando agora com mesas ao ar
livre, a casa reabre as portas fortalecendo o compromisso de
oferecer boa música ao seu público, especialmente
MPB, jazz e bossa nova. O Casablanca fica na rua Visconde de
Taunay, 456.
Lazer 2 - Hoje,
a partir das 20 horas, quem comanda as jams é o baterista
Adalberto Silva. Amanhã, é a dupla Robert &
Serginho que se apresenta no palco da casa. Ex-integrantes das
bandas Atrito e Invasão Básica, os músicos
têm no repertório canções de Rod Stewart,
Djavan, Queen, Clapton, Caetano, Dylan, Animals, Cazuza, Beatles
e Hendrix, entre outros nomes consagrados. O show inicia às
20 horas e reservas podem ser feitas pelos telefones (0xx47)
433-9636 ou 9994-3606.
Michael Douglas anuncia
casamento pela Internet
Los Angeles, EUA - Michael Douglas, de 55 anos, anunciou quinta-feira
que pediu em casamento a atriz galesa Catherine Zeta-Jones, de
30 anos, e que ela já aceitou. Douglas comunicou a notícia
em sua página da Internet, www.michaeldouglas.com.
"Estou muito contente de anunciar que estou comprometido
com Catherine Zeta-Jones", escreveu ao ator. "Eu pedi
a mão de Catherine no réveillon em minha casa em
Aspen, no Colorado, nos EUA". "Conheci a Catherine
no Festival de Cinema de Deauville, na França, em agosto
de 1998, estamos saindo juntos desde março de 1999",
disse ele. "Planejamos nos casar em algum momento deste
ano, a data ainda não está fixada. Maiores detalhes
podem ser vistos na minha página na Internet".
Douglas e Zeta-Jones iam anunciar este compromisso numa festa
em Malibu no último dia 25 de setembro, quando os dois
fizeram aniversário, mas, não se sabe porquê,
adiaram o noivado. Douglas se separou de Diandra, 41 anos, com
quem foi casado durante 18 anos, em 1995.
Catherine Zeta-Jones comprometeu-se em não reclamar parte
alguma da imensa fortuna do ator em caso de divórcio,
afirmou ontem o "The Sun". Michael Douglas é
gato escaldado por causa do interminável processo de divórcio
de Diandra, que negava oficializar a separação
até que obtivesse parte da fortuna de 288 milhões
de dólares do ator, e só aceitou o divórcio
ao levar 70 milhões de dólares. O divórcio
foi pronunciado no final de dezembro, quatro dias antes de Douglas
pedir a mão de Catherine.
A imprensa britânica já aventou algumas datas para
o casamento, inclusive o dia do aniversário de ambos.
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