Joinville         -          Sábado, 8 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  


















Invenções que
nascem do monte de lixo

O chapecoense Rivelino Darold chama a atenção para a reciclagem convertendo sucata em arte exótica e equipamentos úteis

Marcos Horostecki

Se vivesse nos dias de hoje, fora das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados de Walt Disney, o professor Pardal teria inveja do operador de som Rivelino Humberto Darold, 27 anos. Louco pela arte e pela eletrônica, o jovem inventor já construiu quase de tudo com sucata e muita imaginação, numa pequena garagem no bairro Jardim Itália, na cidade de Chapecó. A sua principal invenção - um robô feito com latas de leite em pó, que fala e interage com qualquer interlocutor - já esteve até na mostra da Ciranda da Ciência, em São Paulo, e se transformou no precursor de muitos outros, não tão animados, mas capazes de surpreender pelo design futurista e pelo material utilizado: garrafas plásticas de refrigerante.
Mergulhado no seu pequeno universo, repleto de materiais que a sociedade considera lixo, Darold avalia sua obra como uma prova irrefutável de que a reciclagem vale a pena e pode ser a salvação do mundo moderno. Ele não esconde nem tem vergonha de dizer que costuma percorrer a vizinhança em busca de materiais que possam ser reaproveitados e que muitas pessoas ainda consideram essa atitude um tanto estranha e fora da realidade. Faz questão de lembrar que foram as dificuldades que o fizeram avançar, descobrir novas formas e construir novas peças. "Comecei usando nenhuma técnica e poucas ferramentas. Demorou muito até que encontrasse ou pudesse adquirir algum equipamento que atendesse às minhas necessidades", conta.
Totalmente autodidata, o inventor é capaz de montar formas inimagináveis e ainda por cima provar que elas podem ser úteis. Numa pequena exposição aberta essa semana no auditório da Rádio Chapecó, no centro da cidade, está sendo apresentada a sua mais nova criação: o protótipo de uma super cola, potente o suficiente para ser capaz de soldar o plástico das garrafas de refrigerante e fazer com que o objeto construído não se desmonte. Com o uso do novo adesivo - uma mistura de uma série de químicos - Darold deu vida à cobras gigantescas, arcos que parecem ser de metal, além de luminárias, estantes para televisão e uma infinidade de bonecos com formas "extraterrestres", que fariam a alegria de qualquer criança.
O artista já está patenteando a sua descoberta e procurando parceiros que queiram investir na idéia, embora garanta que seu único objetivo com a elaboração da cola foi dar durabilidade à sua obra. "Foram vários anos de trabalhando, buscando um material que mantivesse as peças unidas. Graças à Deus eu consegui, pois nada que esteja no mercado é capaz de dar ao plástico essa durabilidade", afirma.

Lixo artístico

Darold usa a parte de cima das garrafas plásticas para moldar corpos, pernas, braços e cabeças. Os pequenos canos que dão forma às estantes e outros objetos são feitos com a parte do meio e com os anéis que ficam abaixo do bico das mesmas garrafas. Quando a forma precisa ser menor ele usa embalagens de amaciante de roupas e de outros produtos químicos. Tudo é moldado à mão, com a ajuda de uma faca bem afiada e um pequeno torno, e ganha cores, normalmente metálicas, com a ajuda de um compressor e tinta automotiva.
Para divulgar seu trabalho, além de promover pequenas exposições com a ajuda de amigos e parentes, o artista também participa de festas na cidade e na região, apresentando um verdadeiro show com seus bonecos e invenções. O espetáculo, além do brilho exótico das criações, é acompanhado por luzes e equipamentos musicais que ele mesmo adapta. As músicas, ao estilo do grupo alemão Kraftwerk, costumam deixar o público impressionado e interessado em saber como tudo foi montado. Sobre o futuro, Darold tem uma única certeza: vai continuar liberando toda a sua criatividade e transformando lixo em esculturas e objetos exóticos. Os projetos, segundo ele, ainda são muitos e para que eles sejam concretizados, é preciso apenas que se encontre, entre o que já foi descartado, a peça ou encaixe corretos. "Faço isso com o intuito também de conscientizar as pessoas. Todos sabemos que o mundo e a natureza dependem de nós e que precisamos preservá-los, se quisermos continuar vivendo e produzindo novas descobertas".


Curador de Veneza elogia 2ª Bienal

Florianópolis - Foi Leonor Amarante, curadora-adjunta da 2ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, que definiu o suíço Harald Szeemann, ao fazer sua apresentação para o público gaúcho: "Tudo o que ele toca, transforma". Szeemann é o responsável pela Bienal de Veneza e considerado o mais poderoso curador de artes plásticas do mundo. Na noite de quarta-feira, no auditório do Margs, ele falou informalmente para um auditório lotado, em boa parte formado por artistas plásticos locais, sobre sua trajetória e a arte que ele se depara no mundo.
Beleza selvagem
A atriz Alessandra Negrini se despojou da sensualidade que a marcou em "Engraćadinha" para interpretar uma mulher forte na macrossérie "A Muralha".  AN_Tevź 
Sua observação sobre a II Bienal de Artes do Mercosul, que termina domingo: "Muito das obras que vi nesta Bienal poderiam estar em Veneza". Ele gostou mais intensamente do que viu no espaço do Deprc, que achou muito parecido com o Arsenal, uma das áreas de exposição da Bienal de Veneza.
Sem querer citar nomes, acabou revelando o que mais lhe impressionou: a obra do uruguaio Federico Arnaud (que usa imagens religiosas num jogo de Fla-Flu), "pela concepção do trabalho e a forma como trabalha artesanalmente a madeira". Destacou também, "pela elegância", a escultura de aço, ao ar livre, da paulista Márcia Grostein e os trabalhos das gaúchas Élida Tessler e Rochelle Costi. Ele ainda elogiou o escultor Nélson Félix e o fotógrafo brasileiro Arthur Omar, além do uruguaio Álvaro Zinno.
Nascido em Berna, Harald Szeemann é PhD em história da arte, estudou arqueologia, jornalismo, foi ator e diretor de teatro e também acompanhou, como protagonista, muita vezes, algumas das mais importantes manifestações artísticas da Europa, nos últimos 40 anos. Sobre seu trabalho como curador de obra de arte, disse que muitas vezes vale mais a pena ser amigo do capitão do Corpo de Bombeiros da cidade onde os eventos se realizam do que ter muitas relações no meio artístico.


Livro faz retrospectiva
da arquitetura em SC

"Panorama da Arquitetura Catarinense" lançado dia 14

Florianópolis - Com a dupla função de ser uma retrospectiva da arquitetura em Santa Catarina nas últimas três décadas e portfólio dos profissionais que atuam no Estado, o livro "Panorama da Arquitetura Catarinense" será lançado na próxima sexta-feira. Trata-se de uma edição sofisticada, com 340 páginas coloridas em papel couché e 540 fotografias em cromo, que estará à venda nas livrarias por R$ 110,00.
Concebido e executado pela arquiteta Cristina Piazza, 39 anos, o livro consumiu dez meses de trabalho. A idéia surgiu em novembro, quando o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) completou 30 anos de atividades em Santa Catarina. "Não havia uma publicação que registrasse a trajetória da arquitetura catarinense, então decidi enfrentar o desafio de produzi-la", lembra Cristina.
O primeiro passo foi selecionar, entre os 200 associados à seção catarinense do IAB, 50 arquitetos (ou equipes) que tivessem uma trajetória significativa e concordassem em produzir material para ocupar as oito páginas reservadas a cada participante. "Avaliei a importância das obras e me preocupei em incluir representantes de todas as regiões do Estado. Há projetos que são ícones da arquitetura catarinense e não poderiam ficar de fora", conta Cristina. Dos 50 convidados, nove não apresentaram material com a qualidade esperada e foram excluídos do livro.
Cristina teve que correr atrás dos R$ 126 mil necessários para a produção de 2 mil exemplares. Quase desanimou com o desinteresse das empresas sediadas em Santa Catarina. "São marcas com a qual lidamos o tempo todo e que não deram a força esperada. Constatei que nossos empresários preferem o que é feito em outros estados", lamenta. Mas ela persistiu até conquistar três parceiros de peso - a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e a Universidade de Joinville (Univille).
Software
Indústrias de software de Santa Catarina ampliam solućões e conquistam novos mercados no Brasil e no exterior.  AN_Informática 
A intenção de divulgar a arquitetura catarinense em outros estados se concretizará com a distribuição da obra a livrarias especializadas de todo o Brasil. E o objetivo de fortalecer o IAB também foi alcançado. Como só os associados à entidade teriam chance de participar do livro, a quantidade de sócios subiu em poucos meses de 120 para 200. Mas a adesão ainda é pequena, diante da estimativa de que há 1200 profissionais da área atuando no Estado.
O livro foi organizado por ordem alfabética dos arquitetos, mas há também um índice por área de atuação. "Procurei fazer uma seleção que abrangesse todos os gêneros praticados pelos nossos profissionais", descreve Cristina. Entre as 28 áreas listadas há arquitetura residencial, comercial, industrial, bancária, hospitalar, hoteleira, religiosa, naval (desenho do navio e instalação de equipamentos), de interiores, de habitação popular, design, luminotécnica, programação visual, restauro e urbanismo.
A instalação do IAB em Santa Catarina foi um momento marcante da arquitetura em Santa Catarina, comparável à criação do curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em meados da década de 70. Na semana passada tomou posse o novo presidente da seção catarinense da entidade, Roberto Simon, que substitui Osvaldo Pontalti Filho. O lançamento do livro acontece na próxima sexta, 14 de janeiro, às 19h30, na Galeria de Arte Beatriz Telles Ferreira do Shopping Beiramar, em Florianópolis.


Hilda Hilst integra os
"Cadernos de Literatura"

São Paulo - "Sou eu esta mulher que anda comigo/ e renova a minha fala e ao meu ouvido/ Se não fala de amor, logo se cala?". Os versos são da intensa, apaixonada e também provocativa Hilda Hilst, cujo universo literário chega renovado aos leitores com a publicação de mais um belíssimo volume dos "Cadernos de Literatura Brasileira" (Instituto Moreira Salles, 144 págs., R$ 22,00), o de nº 8.
Diferentemente dos volumes anteriores, este vem com um presente especial para o leitor: uma separata com dois poemas inéditos da autora, uma das mais importantes da literatura de língua portuguesa de todos os tempos, e dois de seu pai, Apolônio de Almeida Prado Hilst, ele também um poeta, publicados em jornais de Jaú, nas décadas de 20 e 30. "Meu pai foi a razão de eu ter me tornado escritora", revelou Hilda, entre outras coisas, ao diretor editorial dos "Cadernos", Antônio Fernando De Franceschi, e ao editor executivo, Rinaldo Gama.
A publicação, que traz logo no início uma cronologia da autora, reúne depoimentos de pessoas importantes na vida de Hilda, como o da amiga há quase 50 anos e também escritora Lygia Fagundes Telles, o do editor Massao Ohno, responsável pela edição de muitos de seus livros, o do ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e poeta Carlos Vogt, que nos anos 80 a convidou para integrar o Projeto do Artista Residente da instituição, além de uma longa carta inédita enviada a ela pelo então jovem escritor Caio Fernando Abreu, em 1969.
É pela mão deles que o leitor forma, aos poucos, um retrato da poeta sob diversos ângulos, para depois completá-lo ao ler uma entrevista que durou mais de três horas, durante as quais ela respondeu a mais de 130 perguntas feitas por De Franceschi, Gama e seus convidados - o humorista Millôr Fernandes, a professora da Universidade de São Paulo Telê Ancona Lopez, o professor e historiador de arte Jorge Coli, a crítica literária e professora convidada também da USP Nelly Novaes Coelho.
Os textos são entremeados por imagens da infância e da juventude da escritora, que neste ano completa 70 anos de vida e 50 da publicação do primeiro livro, e por magníficas fotos de Eduardo Simões, que registrou recantos da casa e da chácara Casa do Sol, em Campinas, onde ela mora desde a década de 60, de objetos que fazem parte de seu cotidiano e de alguns de seus numerosos cachorros.
Os "Cadernos de Literatura Brasileira" podem ser encontrados nas livrarias do País ou por assinatura pelo telefone (0xx11) 212-2100 ou no endereço da Internet www.ims.com.br.


Seis histórias cheias
de angústia e sofrimento

Ricardo de Souza
Agência Estado

Cataguases é uma pequena cidade da Zona da Mata mineira com cerca de 50 mil habitantes. Da aparente tranqüilidade da cidade e de seus habitantes o escritor Luiz Ruffato - nascido em Cataguases - extraiu um universo rico em dramas e sentimentos quase sempre infelizes. Essa foi a matéria-prima de seu primeiro livro, "Histórias de Remorsos e Rancores", de 1998.
Agora, Ruffato, que é secretário de Redação do "Jornal da Tarde", volta a transformar sua cidade natal num palco por onde desfilam personagens marcados pela angústia, frustração e ambição. Em "Os Sobreviventes, que deve ser lançado em fevereiro, o escritor amplia histórias fadadas a um ambiente microscópico e as transforma numa fascinante análise da condição humana. "É uma tentativa de resgatar histórias para observá-las de fora", explica Ruffato.
O livro é dividido em seis contos - ou histórias, como prefere o autor -, todos recheados de personagens tristes e ligados a Cataguases, direta ou indiretamente. Não são histórias reais. Nem a cidade é exatamente como o autor descreve. "Não reconheço a cidade como escrevo; dei um sentido mítico a ela", afirma Ruffato.
Cada história parte, de maneiras e estilos diferentes, da insatisfação do homem com sua condição de ser finito e sua consciência disso. Em "A Solução", Ruffato narra a história de operárias cansadas da rotina do trabalho na fábrica de tecidos e que sonham com a chegada do grande amor. O escritor Malcolm Silverman escreve, no prefácio, que esse amor confirma-se como uma ilusão: "Elas são cinderelas brasileiras, cujos clichês familiares dicotomizam-se em papéis convencionais dentro de variações imemoráveis".
O estilo usado por Ruffato para passear com seus personagens por presente e passado é uma das razões pelas quais seu trabalho anterior recebeu elogios da crítica. Em "Carta a uma Jovem Senhora", o protagonista relembra, num quarto de hotel de quinta categoria, entre um cigarro e um gole de uísque, seu grande amor na juventude. Ruffato divide a narrativa entre presente, passado distante e passado recente para mostrar o sofrimento do personagem com a frustração amorosa. Que ninguém espere um final feliz.
O autor retorna ao vaivém temporal em "Aquário", último conto de "Os Sobreviventes". O protagonista, Carlos, volta a Cataguases para o enterro do pai. Decide levar a mãe para Guarapari (ES). Num diálogo com a mãe durante a viagem, ele repensa sua vida, passada quase toda fora da cidade natal. Surgem dúvidas e também certezas de que foi melhor manter-se afastado da família.
Ruffato confirma o talento mostrado no trabalho anterior. Sua personalidade e originalidade para criar sua dimensão lúgubre habitada por personagens tristes ainda devem dar no que falar.


"Globo Ciência" mostra a
evolução das viagens aéreas

Programa de hoje também demonstra os mecanismos que nos permitem voar

Quem não tem medo de voar? Será que dá para dizer que o friozinho na barriga não passa de uma ilusão? O "Globo Ciência" de hoje vai levar o telespectador para uma viagem pelo mundo da aviação. O programa vai ao ar às 7h20, mostrando a evolução das viagens aéreas, do sonho de Ícaro ao 14 Bis, do vôo dos pássaros aos jatos modernos.
Desta vez, a turma comandada pela cientista Mila (Palomas Riani) está ocupada em produzir um artigo sobre a aviação. Alice (Sabrina Rosa), Téo (Oberdan Júnior) e Gabriel (Daniel Lobo), auxiliados por Galileu (Charles Paraventi), o personagem virtual, vão dar asas a imaginação para mostrar os primeiros passos da arte de voar. Galileu vai explicar que o movimento das asas dos pássaros é igual ao de uma pessoa nadando o estilo borboleta, enquanto imagens mostram que a ave faz com o ar o mesmo que fazemos com a água ao nadar: os braços ajudam a flutuar e, simultaneamente, empurram a água para trás, para que o corpo seja impulsionado para a frente.
Ao mesmo tempo em que Gabriel desenvolve um planador e explica que estes, assim como os pássaros, conseguem planar porque a pressão debaixo da asa é maior do que em cima, Téo, desapontado, percebe que precisará alterar a asa que produz depois dessa explicação. Enquanto isso, Alice concentra-se em leituras e anotações. É ela quem conta para o telespectador que os primeiros vôos bem-sucedidos com pessoas a bordo foram feitos em balões, cheios de ar quente ou de algum gás mais leve do que o ar, como o hélio.
O grupo também usa imagens de computador para ilustrar o artigo. Entram em cena Santos Dumont e seus dirigíveis, além do primeiro vôo do 14-Bis. Paris festeja o momento em que o homem voava pela primeira vez em um veículo mais pesado que o ar. Mas nem todas as experiências deram certo. O programa mostra o famoso dirigível alemão, o Zepelin, em chamas: o balão usava hidrogênio, um gás muito mais leve que o hélio e de mais fácil combustão.
Mas a aula do Globo Ciência vai além. A tela do computador auxilia Galileu a explicar que os aparelhos mais pesados que o ar, como aeroplanos e aviões, só tiveram sucesso quando os componentes de vôo, planagem e impulso foram separados. Isso significa que as asas rígidas fornecem a sustentação da aeronave e as outras "asas" - as hélices - a propulsão. Acionadas por motores, eles empurram o ar para trás e impulsionam o avião para a frente. Galileu também conta que o princípio de vôo dos pássaros foi seguido à risca por Santos Dumont ao inaugurar em Paris, em 1906, o vôo com aeroplanos, dois anos após a primeira experiência dos irmãos Wright.
Além do funcionamento de um simulador de vôo, o programa também mostra que no helicóptero é a própria hélice que sustenta o aparelho no ar. Criado pelo engenheiro russo Sikorski, ele mais se parece com um inseto do que com uma aeronave. O funcionamento das turbinas de um jato também surpreende: em cada uma delas existe uma pequena hélice que funciona como um aspirador de pó, jogando o ar dentro dela. Lá, o combustível queima, provocando uma poderosa explosão, que expulsa o ar para fora em grande velocidade. Isto é que empurra o avião para a frente.
O cientista Marcelo Gleiser comenta os meios de transporte de longa distância imaginados para este século, como os aviões supersônicos, o retorno dos grandes dirigíveis, os foguetes suborbitais etc.
Produzido pela TV Zero para a Fundação Roberto Marinho, o Globo Ciência tem direção de Duda Vaisman e direção-geral de Roberto Berliner. A consultoria de criação é de Doc Comparato. O "Globo Ciência" também vai ao ar, aos sábados, nas seguintes emissoras e horários: Canal Futura, às 21h30; TVE, às 8h30; GloboNews, às 9h05; Globo Internacional, às 7 horas.

Manchetes AN

Das últimas edições de Anexo
07/01 - O messianismo que ensangüentou o Contestado
06/01 - Tradição açoria a revive os santos reis
05/01 - Guerreiro italiano passado em revista
04/01 - "Baguás", Os negros reprodutores de São Miguel
03/01 - Confissões de uma mulher madura
02/01 - "Dogma" reinterpreta a fé católica
31/12 - Ano 2000 é tema de livros para todos os gostos

Leia também

O show da vida
não pode parar

Em "Vida - O Filme", o escritor americano Neal Gabler critica a mídia pelo culto à celebridade que avança sobre o mundo todo

Luiz Carlos Merten
Agência Estado

Neal Gabler sabe que se expõe a críticas, mas não hesita em apontar o que lhe parece o fenômeno mais importante do fim do milênio: a substituição das ideologias tradicionais pelo verdadeiro culto da celebridade que, dos Estados Unidos, avança sobre o mundo todo. Gabler é um intelectual respeitado na América. Assina resenhas para jornais importantes, é autor de "A Empire of Their Own: How the Jews Invented Hollywood". Gabler também é o autor de "Vida - O Filme" (Companhia das Letras, 280 páginas, R$ 28,50). O subtítulo diz tudo sobre as intenções do autor: "Como o Entretenimento Conquistou a Realidade". Gabler quer mostrar que, cada vez mais, a ficção tem de competir com as histórias da vida real.
Ele esclarece que não se trata de repetir o clichê de que a vida imita a arte, se bem que, ressalta, "há um fundo de verdade nisso". Nem é dizer que a arte inventou seus métodos artísticos e inverteu o processo - a arte imita a vida, "ainda que isso também seja verdade", faz outra ressalva. A questão é outra, diz Gabler. O que verdadeiramente caracteriza esse processo é o fato de o homo sapiens estar transformando-se no homo scaenicus - o homem-artista. Exemplos não faltam para que ele prove sua tese. Há pouco tempo, Warren Beatty demonstrou interesse em concorrer à Presidência dos Estados Unidos, mas voltou atrás.
"Num passado recente, tivemos o caso de um presidente vindo de Hollywood, Ronald Reagan; Beatty quer provar que uma repetição do fenômeno é possível". Qual é a qualificação de Beatty para ser presidente, pergunta Gabler? "Ele não é político profissional nem possui um projeto para o país". Beatty tem a seu favor o carisma de astro de Hollywood e a disposição de ser uma alternativa de esquerda, já que Reagan era claramente uma alternativa de direita. Ao contrário do que comumente se anuncia, essas definições ainda não perderam o significado, observa Gabler.
"Todo o mundo sabe o que é esquerda ou direita, mesmo num país tão intensamente apolítico, como os Estados Unidos". Ele lembra que Philip Roth foi o primeiro a chamar a atenção sobre o que estava ocorrendo. Em 1960, o autor de "O Complexo de Portnoy" levantou uma questão que, na época, não parecia tão pertinente, mas hoje é fundamental. Quais as chances de a ficção poder continuar competindo com as histórias da vida real? Gabler cita Roth: "Está aqui: o escritor norte-americano da metade do século 20 dá um duro danado para tentar entender, depois descrever e, em seguida, tornar crível boa parte da realidade americana".
E Gabler segue citando Roth: "A realidade bestifica, enoja, enfurece e acaba sendo uma espécie de constrangimento à parca imaginação do autor; nossos talentos são superados pela atualidade e a cultura produz quase todo o dia dados de fazer inveja a qualquer romancista".

Encenação

Gabler observa que Roth não foi o único a perceber o fenômeno. Quase na mesma época, o historiador Daniel Boorstin, em seu estudo pioneiro intitulado "The Image: A Guide to Pseudo-Events in America", dizia que, por todos os lados, o fabricado, o inautêntico e o teatral estavam expulsando da vida o natural, o genuíno e o espontâneo, a tal ponto que a própria realidade estava convertendo-se numa encenação. "Ele percebeu que os Estados Unidos estavam a ponto de tornar-se o primeiro povo da história a ser capaz de fazer suas ilusões tão convincentes e 'realistas' que até podemos viver nelas".
"Pois bem, os temores de Boorsin acabaram por concretizar-se", diz Gabler. "Não sei como é no Brasil e nem falo pela Europa, embora esteja convencido de que se trata de um fenômeno mais ou menos universal, mas nos Estados Unidos o entretenimento invadiu a realidade". Pense na Guerra do Golfo, na vida e morte da princesa Diana, em Monica Lewinsky e o charuto do presidente Bill Clinton, no julgamento de O.J. Simpson ou em Elizabeth Taylor, que "transformou sua vida pessoal, cheia de romances e doenças, em algo que supera, para o público, qualquer uma de suas interpretações na tela".
É justamente essa a questão: "A própria vida transformou-se num veículo de comunicação, como a televisão, o rádio, a imprensa e o cinema, e todos nós nos tornamos ao mesmo tempo atores e platéia de um espetáculo muitas vezes mais rico, complexo e fascinante do que qualquer coisa concebida para os veículos de comunicação convencionais". Gabler volta a Roth para afirmar que a vida acabou por transformar-se mesmo num filme.
O cinema contribuiu para isso, o desenvolvimento da fotografia na imprensa que antes era só escrita, também. Criaram uma mitologia da imagem. "Já estamos naquele futuro referido por Andy Warhol, que dizia que um dia todos teríamos nossos 15 minutos de fama", lembra Gabler. Ele cita o caso emblemático. "Até chegar ao Dakota, o assassino de John Lennon ainda não estava certo de que lhe pediria um autógrafo ou dispararia seu revólver". Se tivesse pedido o autógrafo, Mark Chapman teria permanecido anônimo. Atirando, virou protagonista do filme da vida.

Teatro realista

Nunca se lavou tanta roupa suja em público. Há mesmo revistas e programas de televisão especializados em mostrar pessoas anônimas ou celebridades, não importa, dispostas a revelar um segredo, de preferência bem sórdido. "Os anônimos ficam famosos e ganham seus minutos de celebridade, os que já são famosos viram mitos, como se fosse uma grande coisa", observa Gabler. Nossa necessidade de espetáculo é tão grande que a Guerra do Golfo virou na TV uma fantasia hollywoodiana carregada de efeitos. Nossa fome por escândalo é tão intensa que Gabler lembra, uma das juradas do caso O.J. Simpson virou musa e até posou nua para a "Playboy".
A aplicação deliberada de técnicas teatrais em política, religião, educação, literatura, comércio, guerra, crime, em tudo, enfim, converteu-os todos em ramos da indústria do entretenimento, na qual o objetivo supremo é ganhar e satisfazer uma audiência. Existem sites na Internet explorando a intimidade de pessoas anônimas e Timothy Leary, outrora defensor de alucinógenos, usou uma página da web para fazer um relato detalhado da deterioração do seu organismo, provocada por um câncer da próstata. Gabler aproveita para dizer que o fenômeno já foi satirizado por Hollywood ("O Show de Truman, o Show da Vida", de Peter Weir). Ele não vê perspectiva de mudança para o futuro.
Critica a imprensa americana por ser conivente demais com o fenômeno e até contribuir para ele, muitas vezes por pressões de anunciantes e do próprio público, dentro daquilo que se chama de concorrência. Se Beatty chegasse a presidente, outro capítulo dessa história estaria sendo escrito. O filme da vida seguirá em cartaz com ampla aceitação - dos atores e sua platéia.


Hebdomadário

Os amigos do passarinho

José Silveira

Conquanto você nada me tenha perguntado, digo-lhe que moro só. É um terceiro andar com o nariz de frente para duas montanhas que incendeiam minhas janelas com o fogo verde do seu fragoroso cenário vegetal. Tendo atravessado a vida metido em multidões, cercado por todos os gemidos e estrondos das cidades grandes, eis-me agora apagado monge desta solidão à qual me converti com a alma e o bico de um sossegado passarinho de gaiola.
Alguns amigos trazem-me água e alpiste. Quando a agulha de alguma inquietude fere minha paz, vou ao Eclesiastes, que é o livro de todas as sabedorias. "Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato". O zelador traz os jornais. Na primeira página, um menino de 13 anos tenta o suicídio porque estava desempregado. Era arrimo de família. Na quinta página, o Brasil vai bem, muito bem, segundo o presidente e o ministro da Fazenda.
Entra o Maceió. Senta-se na poltrona veludo-pêssego, tiro dois dedos de prosa e desaparece tão rápido na saída como na chegada. O telefone toca. É José Raimundo Prado avisando que vem à dobradinha. Joel Gehler, que vinha todas as tardes, folhear livros, contar e ouvir histórias, há dias não traz o ar da graça. O telefone toca, é ele. Está no Rio, prelando um livro. Joel é uma das melhores cabeças a serviço do texto incomparável.
São dessas mãos que me chegam o alpiste e a água que sustentam o pássaro na sua solidão dourada, entre varetas de onde saem os poleiros onde ponho os pés aflitos e flutuo vôos fugazes. José Manoel Duarte (Zinho) é o que mais visita a gaiola, o que abre a porta e deixa-me voar a liberdade. Os Duartes, de Taís à Fátima, são meus pés e minhas asas.

(Crônica inédita de José Silveira)


Lazer 1- Depois de um curto período de férias (anunciadas com a apresentação do grupo vocal Estação Brasil, em dezembro), o bar e restaurante Casablanca retoma as atividades normais ampliando seus horários de atendimento para oferecer também as noites de domingo como uma opção de lazer para o joinvilense. Trabalhando agora com mesas ao ar livre, a casa reabre as portas fortalecendo o compromisso de oferecer boa música ao seu público, especialmente MPB, jazz e bossa nova. O Casablanca fica na rua Visconde de Taunay, 456.

Lazer 2 - Hoje, a partir das 20 horas, quem comanda as jams é o baterista Adalberto Silva. Amanhã, é a dupla Robert & Serginho que se apresenta no palco da casa. Ex-integrantes das bandas Atrito e Invasão Básica, os músicos têm no repertório canções de Rod Stewart, Djavan, Queen, Clapton, Caetano, Dylan, Animals, Cazuza, Beatles e Hendrix, entre outros nomes consagrados. O show inicia às 20 horas e reservas podem ser feitas pelos telefones (0xx47) 433-9636 ou 9994-3606.


Michael Douglas anuncia
casamento pela Internet

Los Angeles, EUA - Michael Douglas, de 55 anos, anunciou quinta-feira que pediu em casamento a atriz galesa Catherine Zeta-Jones, de 30 anos, e que ela já aceitou. Douglas comunicou a notícia em sua página da Internet, www.michaeldouglas.com.
"Estou muito contente de anunciar que estou comprometido com Catherine Zeta-Jones", escreveu ao ator. "Eu pedi a mão de Catherine no réveillon em minha casa em Aspen, no Colorado, nos EUA". "Conheci a Catherine no Festival de Cinema de Deauville, na França, em agosto de 1998, estamos saindo juntos desde março de 1999", disse ele. "Planejamos nos casar em algum momento deste ano, a data ainda não está fixada. Maiores detalhes podem ser vistos na minha página na Internet".
Douglas e Zeta-Jones iam anunciar este compromisso numa festa em Malibu no último dia 25 de setembro, quando os dois fizeram aniversário, mas, não se sabe porquê, adiaram o noivado. Douglas se separou de Diandra, 41 anos, com quem foi casado durante 18 anos, em 1995.
Catherine Zeta-Jones comprometeu-se em não reclamar parte alguma da imensa fortuna do ator em caso de divórcio, afirmou ontem o "The Sun". Michael Douglas é gato escaldado por causa do interminável processo de divórcio de Diandra, que negava oficializar a separação até que obtivesse parte da fortuna de 288 milhões de dólares do ator, e só aceitou o divórcio ao levar 70 milhões de dólares. O divórcio foi pronunciado no final de dezembro, quatro dias antes de Douglas pedir a mão de Catherine.
A imprensa britânica já aventou algumas datas para o casamento, inclusive o dia do aniversário de ambos.

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque ComunicaÁ„o e Internet