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ANotícia
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SEMBLANTE
Os rostos ocultos nas telas de Sady Pereira são
responsáveis por dar a cada obra um caráter único,
revelado em um jogo particular de observação
FOTOS: Divulgação
Sob o coletivo
visível, o indivíduo
Artista joinvilense,
Sady Pereira expõe "As Interfaces" no Sesc do
Rio de Janeiro
GLEBER PIENIZ
Joinville - Buscar o verdadeiro indivíduo que está
escondido além das manifestações aparentes
da personalidade é uma das metas da psicanálise.
Muitas vezes, a procura é marcada por dúvidas,
sombras e detalhes que, a princípio, parecem incompreensíveis
e podem prejudicar a percepção completa do que
é ser humano. Este mesmo desafio é proposto pelas
telas do artista joinvilense Sady Raul Pereira, não por
acaso um psicanalista cuja formação encontra complemento
na pintura. "As Interfaces", exposição
que reúne seus trabalhos mais recentes, abre hoje na Galeria
do Sesc Tijuca, no Rio de Janeiro, e fica aberta ao público
até o dia 6 de fevereiro.
Pereira desde cedo mostrou aptidão para as artes. Aos
seis anos, deu início aos seus estudos na Escola de Artes
Fritz Alt, passando para o curso de desenho dois anos depois.
Na John Marshal High School de Cleveland, nos EUA, começou
a aprofundar seus conhecimentos e sua técnica de desenho
e pintura de modelos vivos, manifestando já aos 16 anos
um interesse pelas composições que elegem como
objeto a figura humana. De volta ao Brasil, depois de um ano
em Ohio, tornou-se aluno de Hamilton Machado. Os estudos de psicologia
iniciaram em 1983, com o ingresso na Universidade Católica
de Petrópolis (RJ), marcando também o despertar
do interesse do artista pela temática que até hoje
desenvolve: "O olhar oculto da tela que nos olha a ela olhando".
Desde 1992, Pereira está radicado em Curitiba, dividindo
seu tempo entre a clínica, a pintura e os cursos que leciona
sobre arte e psicanálise.
As telas de "As Interfaces" guardam entre si semelhanças
explícitas de estrutura, cor, ritmo e equilíbrio.
Têm em comum a presença de grandes rostos de mulheres
ocultos sob formas e os movimentos de milhares de pequenas figuras
humanas que, nos seus entremeios e linhas, permitem ver o semblante
que escondem, como se cada obra oferecesse um enigma, uma incógnita
que apenas o olhar atento pode revelar - e que, ironicamente,
está sempre olhando para o desafiado. "O olhar do
espectador é atraído para dentro da tela porque
antes mesmo de olhá-la, ele já está sendo
pelo quadro olhado", explica o artista. "Em outras
palavras, o espectador vê a si mesmo sendo visto".
Show de interpretação
Matheus Nachtergaele empresta talento a padre Miguel em "A
Muralha".
AN_Tevê |
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Se Sady Pereira substituísse o corpo
humano das telas pelas figuras de verduras e legumes, obteria
um resultado muito semelhante aos rostos propostos pelo pintor
milanês Archimboldo em meados do século 16. O catarinense,
no entanto, prefere manter seu trabalho muito próximo
da expressão humana e, se já ensaia variações
para os corpos em dança, vê no mundo infantil os
temas de repetição para novas expressões
ocultas: brinquedos já substituem incontáveis homens
e mulheres e agregam às obras um toque de diversificação
que não prescinde da individualidade de cada rosto oculto
para se manifestar.
Crítica
Suas pinturas guardam algo que vai do medieval ao maneirismo,
trabalhadas com as técnicas contemporâneas da repetição
e da acumulação; fica claro o jogo entre o continuum
do espaço e do tempo medieval, com a homogeneização
espaço-temporal da perspectiva renascentista e as múltiplas
perspectivas maneiristas, chamado atenção principalmente
para o corporal, para a presença do corpo, para o tocar.
As figuras tem sempre um duplo sentido e são tratadas
com os efeitos de ilusão de ótica. É surrealista
esse jogo trompe-l'oeil, mas é também aparentando
ao pop-art, quando as figurinhas humanas se passam por retículas
e provocadas pelos claros/escuros deixam perceber outras figuras
que se formam em sua retina: são ícones, frontais,
e que nos olham (lembram os ícones bizantinos que têm
sempre seus olhos fixos no espectador).
Chegamos assim ao significado central da obra de Sady, o olhar
(lembrando o título do livro de Didi-Huberman: "O
que Vemos, o que nos Olha"). A profusão de figurinhas
humanas, silhuetas, que são traços ou signos, retículas,
são também fantasmas de corpos, pois é impossível
abstrair completamente o corpo. As figurinhas intercaladas e
superpostas evocam planos e espaços caleidoscópicos
endereçados prioritariamente ao olhar, então ele
se aproveita de um cromatismo bem pesquisado para desafiar a
razão. "O que me determina fundamentalmente no visível
é olhar que está do lado de fora", diz Lacan
no seu Seminário 11; que olhar está do lado de
fora? Contra a tautologia de Frank Stella, "o que vemos
não é o que vemos". O quadro nos incita a
percorrê-lo com os olhos; esta maneira de constituir objetos
a partir de acumulações de restos e detritos é
parte da arte contemporânea, e aqui leva-nos à reflexão
de que o homem atual é também detrito, sobra numa
sociedade altamente industrializada e automatizada. Esta é
a maneira de Sady convidar o nosso olhar a perscrutar todas as
metamorfoses, aparentemente incansáveis, destes pequeninos
"seres" humanos que perderam definitivamente o seu
lugar quando as hipermáquinas se tornaram auto-suficientes.
É a repetição até a saturação,
o "maneirismo" do esgotamento das repetições
"pops", mas a forma unitária, total, é
restabelecida nas figuras invisíveis do trompe-l'oeil.
Como as figurinhas apresentam gestos de dança ou movimentos
de corpos, nosso olho se vê também obrigado a dançar
e a se movimentar no momento em que o quadro é oferecido
ao nosso olhar capaz da descoberta de seu mistério.
Concluo citando ainda uma vez mais Lacan: "...em presença
da representação (...) me garanto como consciência
que sabe que é apenas representação e que
há, mais além, a coisa, a coisa em si".
E agora vamos ao exercício do olhar...
- Fernando A. F. Bini, professor de história
da arte e estética
Novo programa de esportes
da Band usa tática do passado
"Game Gol",
com Luciano Vanucci, estréia dia 16 apostando em disputas
entre personalidades
Fernando Miragaya
TV Press
Quando saiu da Globo, Fernando Vanucci alegou que queria fazer
um trabalho diferente na televisão. No primeiro mês
de 2000, o jornalista esportivo de 48 anos vai poder pôr
em prática um novo projeto a partir de uma idéia
já manjada e que dá certo. Além de apresentar
os quadros "Show Sport Club", "Geral" e "Sua
Vida" dentro do "Show do Esporte", Vanucci estréia
no comando do "Game Gol", nova atração
do programa dominical da Band, no dia 16 de janeiro. O programa
vai utilizar o velho formato de disputa entre equipes compostas
de personalidades que vão testar seus conhecimentos. "Não
é uma idéia nova, mas é vitoriosa",
avisa Vanucci.
Um dos quadros do "Game Gol" mostra bem o quanto o
formato é manjado. No "Melhor de Todos", duas
equipes de 11 integrantes vão ter de responder a perguntas
sobre esporte. Cada um dos times vai ser escolhido e liderado
por um atleta conhecido. Bem parecido com outros games como "Passa
ou Repassa" ou "Quem Sabe Mais", do "Planeta
Xuxa". No outro quadro, "Seu Limite", uma personalidade
vai escolher um assunto específico: uma modalidade esportiva,
um clube ou um torneio. Com base nisso, o participante vai respondendo
perguntas que vão ficando mais difíceis progressivamente.
Qualquer semelhança com o "O Céu é
o Limite", quadro que J. Silvestre apresentava na extinta
Tupi e no SBT, não é coincidência. "Não
há como negar que o quadro foi inspirado no programa",
reconhece Vanucci, ressaltando que o "Game Gol" terá
nos recursos tecnológicos o grande diferencial. "A
idéia é antiga, mas vamos dar uma nova roupagem",
ressalta.
A informática vai ser imprescindível. No "Melhor
de Todos", por exemplo, a cada resposta errada, uma engenhoca
eletrônica vai dar um cartão amarelo e, em caso
de duplo erro, um vermelho. Isso sem falar nos aparelhos que
vão mostrar pontuação e as perguntas. "O
programa envolve muita informática. Tem de ser perfeito,
não pode haver erros", alega. O jornalista ainda
destaca o caráter social do "Melhor de Todos",
pois as equipes já começam com 11 prêmios.
A cada resposta errada, o time perde um prêmio que vai
ser destinado a uma instituição de caridade.
Devido exatamente aos recursos tecnológicos, o "Game
Gol" acabou tendo a estréia adiada de novembro para
janeiro. Vanucci conta que vários pilotos do programa
estão sendo feitos para corrigir os erros e aprimorar
o formato do jogo. O apresentador está animado, principalmente
quando lembra do primeiro piloto. "Foi terrível.
Falhou tudo e o software estava muito lento. Mas fomos aprimorando
o quadro", admite.
O "Game Gol" é uma idéia antiga de Vanucci.
Desde que foi contratado pela empresa de marketing esportivo
Traffic para integrar a nova equipe de esportes da Band, em maio
de 1999, que o jornalista vem conversando com a direção
da emissora sobre o programa. Além do mais, Vanucci tinha
consciência que na Globo não havia espaço
para implantar seus projetos. Fora o episódio do biscoito,
quando foi flagrado comendo uma bolacha no ar durante o "Esporte
Espetacular", que culminou com a suspensão do apresentador
e foi a gota d'água para Vanucci sair da emissora. "Saí
de lá para poder me reciclar. Na Band estou tendo esta
oportunidade", garante.
O otimismo não é para menos. Afinal, na Band, o
jornalista sabe que não há grandes preocupações
com a audiência. O objetivo inicial do "Game Gol"
é manter os bons índices do "Show do Esporte".
Desde que o apresentador estreou no remodelado programa, a atração
dominical vem registrando entre 6 e 10 pontos no Ibope. "Não
temos a pretensão de brigar com o Faustão, mas
sabemos que vamos atingir índices melhores", torce
o jornalista.
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