Joinville         -          Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Tragédia mata mais
de 40 pessoas na BR-470

Acidente com três ônibus abala Santa Catarina

Mais de 40 pessoas morreram e 46 ficaram feridas ontem no mais grave acidente registrado nas rodovias catarinenses, segundo as polícias rodoviárias Estadual e Federal. A tragédia ocorreu às 5h30, no km 196 da BR-470, município de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, e abalou todo o Estado. Trinta e oito vítimas fatais são turistas argentinos.
Havia desencontro de informações ontem sobre o total de mortos. Nenhuma lista completa com a relação de nomes foi fornecida. Enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizava 41 mortes, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Walmor Backes, confirmava a 42ª vítima fatal.
O acidente envolveu três ônibus, dois argentinos que iam em direção a Balneário Camboriú e um brasileiro, num dos trechos mais perigosos da BR-470. O local é conhecido como Serra dos Ilhéus ou curva da Santinha. Segundo a PRF, alta velocidade e neblina espessa foram as prováveis causas da colisão.
De acordo com policiais, o ônibus da empresa Norte Bus (nome fantasia de Gimenez Viajes), placa RYA 277, da província de Tucumán, perdeu-se na primeira curva à direita, na descida da serra, tombou de lado e a parte dos passageiros invadiu a pista contrária. O veículo tinha 54 turistas a bordo, incluindo os dois motoristas. Foi quando o ônibus Scania da empresa Reunidas, placa LZB 3730, que fazia a linha Florianópolis a São Miguel do Oeste, que vinha na pista contrária, bateu em cheio na carroceria do veículo tombado. Com o impacto, toda a parte superior da lataria do ônibus argentino foi arrancada.
Na seqüência, o microônibus placa RTT 718, da mesma empresa argentina, com 26 pessoas a bordo, bateu atrás dos dois ônibus que haviam se chocado instantes antes. "O pessoal do primeiro ônibus argentino foi prensado entre os dois veículos", contou Sérgio Luiz Werlang, do Corpo de Bombeiros de Curitibanos, que atendeu a ocorrência. "Em mais de 16 anos de profissão, nunca tinha presenciado tanto sangue e mortes ao mesmo tempo. A gente vai ficar com essas imagens na cabeça por muitos dias. O que mais entristeceu foi tirar crianças das ferragens, aos pedaços", contou.
Os corpos das 38 pessoas que morreram no local do acidente foram carregados em uma caçamba e levados ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio do Sul. Os feridos foram conduzidos aos hospitais de Rio do Sul (Hospital Regional), Pouso Redondo, Otacílio Costa, Curitibanos e Lages. Trabalharam no resgate policiais, bombeiros e moradores próximos à região.
Maxidesvalorização do real
Novas tensões surgirão a partir de março com tentativas de reajustes de preços e negociações salariais.  AN_Economia 
O trânsito ficou interditado completamente até às 9 horas, quando foi liberado em meia-pista, formando cerca de sete quilômetros de engarrafamento dos dois sentidos da rodovia. O tráfego só voltou ao normal após as 10h30.
Os outros dois ônibus da excursão chegaram em Balneário Camboriú por volta das 12 horas de ontem, depois de percorrerem 2.600 quilômetros. O grupo saiu domingo de Tucumán, que fica na região oeste de Buenos Aires, fronteira com o Chile.

Corpos mutilados dificultam
trabalho de identificação

O estado de mutilação dos corpos dificultou o trabalho de identificação das vítimas fatais. Familiares dos turistas argentinos eram aguardados na noite de ontem para fazer o reconhecimento. Os corpos foram acondicionados numa câmara frigorífica e, por determinação do juiz da Comarca de Trombudo Central, toda a estrutura do cartório do município de Agronômica foi transferida para a delegacia de Rio do Sul. A proposta era de agilizar a emissão das certidões de óbitos para os familiares.
Até as 22 horas de ontem só haviam sido divulgados os nomes de quatro vítimas fatais: o do motorista do ônibus da Reunidas, João Tedoro Campos, de 57 anos, residente em Curitibanos, de Carlos Antonio Tobaldini, que morreu na UTI do Hospital Regional de Rio do Sul, de uma criança, Maria Raquel Chavez, e uma mulher, Agostina Flores, ambas argentinas. Elas foram reconhecidas por parentes que se deslocaram de Balneário Camboriú (faziam parte do grupo que estava nos dois primeiros ônibus que já haviam chegado ao litoral).
A lista de nomes das outras pessoas que morreram no acidente só deverá ser liberada após o trabalho de reconhecimento dos corpos.

Sinalização

Segundo o Ministério dos Transportes, as condições da pista, pavimentação e sinalização são boas na BR-470, no trecho onde ocorreu o acidente. "No local encontram-se placas verticais, alertando para curvas perigosas e para a necessidade de redução da velocidade", disse o ministro Eliseu Padilha. Segundo o ministro, há olhos de gato e pintura especial no solo para melhorar a visibilidade em caso de neblina.
Eliseu Padilha descartou a possibilidade de o motorista do ônibus argentino não estar habilitado para dirigir em rodovias brasileiras. "A legislação de trânsito do Mercosul é comum", afirmou. "Não há como alegar que o motorista tenha desconhecimento da sinalização."
O ministro afirmou ainda que o Ministério das Relações Exteriores e o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estão buscando com as autoridades argentinas uma forma de punir os motoristas infratores de um país que trafegarem nas rodovias da nação vizinha. Existem várias reclamações nos Estados do Sul de que motoristas argentinos desrespeitam as regras de trânsito brasileiras.

"Nunca havia
me chocado tanto"

Pouso Redondo - Os soldados Sérgio Vieira de Mello, Luiz Carlos e Alberto, da Polícia Militar de Pouso Redondo, foram os primeiros a chegar ao local da tragédia, cerca de 20 minutos após o acidente. Logo depois, chegaram patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil dos municípios de Curitibanos, Lages, Rio do Sul, Otacílio Costa e Pouso Redondo.
Abalado e comovido, Sérgio confessou que será muito difícil esquecer das cenas observadas. "Tenho anos de trabalho, mas nunca havia me chocado tanto", admitiu. "O que mais me entristeceu foi ver crianças entre as dezenas de vítimas fatais", declarou.
Para Sérgio, as freqüentes tragédias na BR- 470 provam que o trecho deveria ser modificado. Ele sugere melhorias na sinalização horizontal e vertical, além de possíveis obras para diminuir e suavizar as curvas.

Relação de nomes

Vítimas fatais (identificadas)

Nome da vítima

  • João Teodoro Campos, de 57 anos, de Curitibanos (SC), motorista da Reunidas
  • Maria Raquel Chavez, da Argentina (identificada por parentes)
  • Augustina Flores, da Argentina (identificada por parentes)
  • Carlos Antonio Tobaldini (morreu na UTI do Hospital Regional de Rio do Sul)
  • Antônio César Macino, da Argentina
  • Ale Javier Júlio Ale, da Argentina

Feridos (identificados)

Nome da vítima

  • Algarete Gioto Borghete
  • Anarolindo Hoffmann
  • Claudete Alves Antunes
  • Dolores Salsero Deviruel
  • Emirta Álvares
  • Ernani de Magalhãos Rigon
  • Estelo Fernandes
  • Francisco Gimenez
  • Generosa Espada da Silva
  • Gislaine Generosa de Jesus
  • Heverton Rossden Tscher
  • Ignês P. Junha
  • Jaime Vitor Hugo
  • Juliam Silveira D'Avila
  • L. Takita
  • Luciano Almado Mozemo
  • Marcelo Gioto Bogheti
  • Marcelo Tomé Jack
  • Marcos Antonio Borgheti
  • Maria Androlina Hoffmann
  • Maria Augustina Mirueli
  • Marileuza Vieira
  • Mario Agostina Birollo
  • Marta de Jesus da Rosa
  • Matheus Gioto Borgheti
  • Mirta Alvarez
  • Modesta Albo
  • Mônica Fernandes
  • Morete Alibe
  • Norma Uoles de Flores
  • Pedro Paulo Quintere
  • Régis Pizzatto
  • Rozana Alves dos Santos
  • Santiago Quintiago
  • Shirley M. Nazoto
  • Shizuka Le Noya
  • Terezinha D. Boyer
  • Ivandez Padilha
  • Pablo Dantur
  • Dora Elisa
  • Nomar Aurélio
  • Rosimar Masson
  • Patrícia Noêmia Dares
  • Jorge Luís Moreno
  • José Luís Iroel
  • Lurdes Flores

    Fonte: Polícia Rodoviária Federal e hospitais da região que atenderam as vítimas


Mais de 100 mortes em
rodovias na temporada

Polícias haviam registrado de dezembro até ontem 64 vítimas fatais

Florianópolis - Mais de 100 pessoas já morreram nas estradas catarinenses desde a abertura da temporada de verão, em dezembro do ano passado. Até o acidente de ontem, com mais de 40 vítimas fatais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) havia registrado 39 mortes em acidentes nas rodovias federais, desde o início da Operação Verão, em 17 de dezembro. Na Polícia Rodoviária Estadual (PRE), onde a operação especial de veraneio começou no dia 3 de dezembro, haviam sido registradas até ontem 25 mortes.
A PRE não tem registros de acidentes com elevado número de vítimas em sua história. O maior deles - e ainda recente ­ foi o capotamento de um Fiat 147 na SC-401, em Florianópolis, com a morte de seis pessoas. O acidente aconteceu por volta das 21h30, em 25 de junho de 1999. O Fiat LXL-4165, levando seis funcionários de uma empresa de concreto localizada no Saco Grande, a Concrebrás, desgovernou-se na altura do quilômetro 7 da SC-401, em Santo Antônio de Lisboa, capotou e caiu dentro de uma vala à beira da rodovia.
Um dos ocupantes do veículo foi lançado para fora do carro e os outros cinco ficaram presos nas ferragens, mas todos morreram na hora. As vítimas foram Ricardo Arruda Alves, 26 anos, José de Assis Barbosa, 27 anos, Cristiano Souza Rodrigues, 26 anos, Rudimar Martins, 25 anos, Aldir Tessari, 26 anos, e Rafael de Souza, 21 anos.
Em outro acidente na Capital, também atendido pela Polícia Rodoviária Estadual, não houve mortes, mas as características são mais próximas do acidente de ontem: também envolveu um ônibus de turistas argentinos. Aconteceu no dia 26 de março do ano passado, à tarde, no trecho da SC-404 (rodovia Admar Gonzaga) que atravessa o Morro da Lagoa da Conceição. O ônibus, transportando argentinos que estavam hospedados em Balneário Camboriú, descia o morro, perdeu os freios e tombou.
Dos 38 passageiros, 31 ficaram feridos, dois deles com gravidade. O veículo ficou uma semana jogado sobre uma vala à beira da SC-404, até que um guincho argentino veio transportá-lo de volta.

Caminhões batem e causam
engarrafamento de 10 km

Ibirama - Outra colisão frontal ontem entre dois caminhões na BR-470 (no quilômetro 112,9, divisa entre Ibirama e Apiúna), deixou um saldo de quatro feridos. A rodovia ficou fechada por três horas, causando 10 quilômetros de engarrafamento. O acidente foi às 13 horas, na ponte sobre o rio Itajaí-açu.
Segundo testemunhas, o caminhão Mercedes Benz de placas LZQ-9316, de Rio do Oeste, tentava uma ultrapassagem sobre a ponte quando bateu de frente com o Scânia de placas MAE-8006, de Catanduvas. O motorista do Scânia, Omerito Luiz Nora, 34 anos, sofreu lesões graves na perna e tórax. Foi conduzido ao hospital de Ibirama e depois transferido a Rio do Sul.
O motorista do Mercedes, Dirceu Berkenborck, 21 anos, sofreu fratura na perna. Outros dois ocupantes do caminhão - Mário Bertoldi, 47 anos e Ivan Fiamoncini, 23 anos - também foram hospitalizados com fraturas de membros.

História

Em 1996, outros dois acidentes envolvendo ônibus provocaram mortes na BR-470. No dia 16 de janeiro de 96 o ônibus da empresa Auto Viação Catarinense, que fazia a linha de Assunção (Paraguai) a Florianópolis, tombou no km-195, às 5 horas. Três turistas paraguaios morreram e 28 ficaram feridos.
O outro acidente foi no dia 18 de outubro. Um ônibus levando estudantes de Campos Novos para o Beto Carrero World tombou no km-195 da BR-470 e caiu em uma ribanceira. Seis pessoas morreram no local e 28 pessoas ficaram feridas.


Mutilações dificultam
o reconhecimento

Identificação dos corpos começa hoje de manhã com ajuda dos familiares que vieram da Argentina

Rio do Sul/Florianópolis/Navegantes - Mutilações e inchaços devem comprometer o reconhecimento das vítimas do acidente em Pouso Redondo, previsto para iniciar às 8 horas no IML. O Cartório de Registro Civil de Pouso Redondo foi deslocado para o Fórum da cidade, a fim de agilizar a emissão de certidões de óbitos. Esse trabalho será centralizado no salão do júri. Ontem, até as 16 horas, o IML havia reconhecido somente três corpos: o do motorista do ônibus da Reunidas, João Tedoro Campos, de 57 anos, residente em Curitibanos; de uma criança, Maria Raquel Chavez, e uma mulher, Agostina Flores, ambas argentinas. Elas foram reconhecidas por parentes que se deslocaram de Balneário Camboriú.
Celito Cardioli, diretor da Polícia Técnica Civil, lembrou que a maioria dos envolvidos no acidente não portava documentos. Com a lista dos passageiros do ônibus argentino, os policiais buscavam informações pertences das vítimas e depois disso iniciaria a identificação pelas impressões digitais. "Foi feita a coleta das impressões digitais de todas as vítimas e de posse dos documentos poderemos concluir as identificações", adiantou. A liberação dos corpos vai depender da identificação visual por parte de familiares que virão da Argentina.
Para hoje, são válidos os mesmos avisos divulgados ontem por parte dos bombeiros e da diretoria da Fundação de Saúde do Alto Vale do Itajaí: pedidos de que a população do Alto vale só procure pelos serviços do Regional em extrema necessidade, e de que se apresentem voluntários para traduções de espanhol e para doar sangue.

Viagem

Na noite de ontem, o governo do Estado disponibilizou três ônibus, no aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, para transportar os familiares das vítimas argentinas para Rio do Sul. Até o fechamento desta edição, a direção do aeroporto ainda não tinha conhecimento do plano de vôo do avião da presidência argentina que traria os familiares.
O assessor de comunicação do governador, José Carlos Soares, garantiu, porém, que os familiares desceriam em Florianópolis e de ônibus iriam direto para o IML de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. Uma equipe formada por psicólogos, funcionários do Palácio Santa Catarina e da Santa Catarina Turismo (Santur) acompanhariam os argentinos.
Um avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) chegou ontem à tarde no aeroporto de Navegantes e está a espera dos corpos dos turistas argentinos para repatriá-los. A aeronave foi disponibiliza pelo Ministério da Defesa. Funcionários da Sala de Controle do aeroporto informaram que o C-130 deve decolar hoje pela manhã para a Argentina.

Atendimento
recebeu reforços

Rio do Sul - Depois da tragédia, a falta de infraestrutura ameaçou ontem o trabalho dos grupos de salvamento e identificação. Antes das 10 horas, carregados por uma caçamba, a maior parte dos corpos já se encontrava no IML de Rio do Sul, onde a situação era precária, não dispondo de espaço físico para acomodar a todos. Colocação de pedras de gelo no interior do IML, no início da tarde, foi o recurso utilizado para evitar a decomposição dos corpos. Um pouco mais tarde, eles foram acondicionados em um caminhão frigorífico e rapidamente coberto com lona.
Quatro legistas do Alto Vale, mais três assistentes efetuaram as autópsias. Para ajudar na identificação, foi chamado um perito da polícia técnica de Florianópolis. O legista Maurício Ortiga relatou que depois de chegar no caminhão, os corpos foram colocados em lonas, até serem examinados. Depois iam sendo dispostos "dois a dois nas mesas, sendo efetuados os exames praticamente na mesma hora para a identificação", detalhou. Ele garantiu que no IML de Rio do Sul já atendeu ocorrências com até 20 mortos.
Fiat Brava
Desempenho do propulsor deixa a desejar e contrasta com o instigante visual do novo médio da Fiat no País.  AN_Veículos 
Ao mesmo tempo em que recebia a visita imprevista do secretário de Segurança Pública, Antenor Chinatto Ribeiro, o delegado regional Roberto Schulze confirmou que a documentação das vítimas já estava na delegacia da comarca aguardando a identificação. Ele considerou a possibilidade de encaminhar corpos para cidades vizinhas como Blumenau e Lages, mesmo contando com a geladeira emprestada pelo Hospital Regional.
Giovani Nicoletti, funcionário da Metalúrgica Riosulense, atuou como tradutor voluntário de espanhol na delegacia. Tanto ali como no Hospital Regional houve dificuldades de comunicação por parte de brasileiros que precisavam atender os pedidos de informações que não paravam de chegar da Argentina.

Hospitais de toda a
região receberam vítimas

Lages - O Hospital Regional de Rio do Sul, que recebeu 27 feridos do acidente da BR-470, foi o mais movimentado após a tragédia. Ontem, por volta do meio-dia a diretora administrativa, Miriam Unberhaun Silva, informou que apesar da grande movimentação o único problema era a falta de alguns tipos de sangue. "Mas já estamos avisando nas rádios locais e os doadores estão vindo em socorro". Ela informou ainda que foram envolvidos cerca de 15 médicos no atendimento nas diversas especialidades.
No Hospital Hélio dos Anjos Ortiz, em Curitibanos, ontem à tarde apenas dois pacientes argentinos encontravam-se internados: Pablo Dantur, 26 anos, e Dora Elisa, 47. Homar Aurélio, 28, e Rosimar Masson, 32, (provavelmente da Argentina), haviam sido medicados e já liberados. Havia ainda o corpo de um turista argentino, sem identificação, que morreu no caminho do hospital. Mais tarde, o corpo também foi transportado para o IML de Rio do Sul onde foi centralizado trabalho de identificação e expedição da certidão de óbito.
No Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, quatro turistas argentinos encontravam-se internados: Patrícia Noêmia Oares, Jorge Luís Moreno, José Luís Iroel e uma quarta pessoa (uma mulher) sem identificação. Os três primeiros encontravam-se em estado regular e a pessoa não identificada está na UTI, em estado grave. Uma menina de apenas um ano de idade, Lurdes Flores, que perdeu o restante dos familiares no acidente, está internada no Hospital Infantil Seara do Bem, em Lages. Seu estado inspira cuidados.
No Hospital Anegrete Neidzke, de Pouso Redondo, a funcionária Carmen Guzzo informou que foram atendidas pela manhã 24 pessoas. Deste total, oito foram transferidas para Rio do Sul e as demais foram medicadas e liberadas. Ontem à noite não havia mais nenhum ferido em Pouso Redondo. O mesmo aconteceu em Otacílio Costa, cujos pacientes foram todos transferidos para Lages ainda pela manhã.
O maior problema, em todos os hospitais, foi o excesso de telefonemas (a maioria da Argentina, além da imprensa nacional) buscando informações. Em alguns momentos o congestionamento era tanto que foram colocados funcionários à disposição só para atender o caso da tragédia.


Amin acompanha
socorro a feridos em hospital

Estado montou superestrutura em Rio do Sul para prestar atendimento

Rio do Sul - O governador Esperidião Amin estava visitando o Oeste do Estado ontem, verificando os estragos da estiagem, quando interrompeu sua viagem e foi a Rio do Sul acompanhar o atendimento às vítimas. "O governador recebeu telefonemas do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e do ministro da Defesa, Élcio Álvares", informou o assessor de imprensa do governo, José Carlos Soares. No início da tarde, Amin já estava em Rio do Sul. "Estamos aqui para garantir nossa solidariedade", disse o governador Esperidião Amin, por volta das 14 horas, durante visita ao feridos que estavam sendo atendidos no Hospital Regional.
O governo do Estado se prontificou a pagar as despesas de embalsamento e transporte dos corpos dos turistas argentinos, assim como dar toda assistência aos parentes das vítimas. Os detalhes foram acertados em uma reunião, pela manhã em Florianópolis, entre o chefe da Casa Civil, Celestino Secco, o secretário do Desenvolvimento Econômico e Integração ao Mercosul, Paulo Gouvêa, o presidente da Santa Catarina Turismo (Santur), Flávio de Almeida Coelho, e o superintendente do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Roberto Ribas, com a participação de representantes das Polícias Civil e Militar.
Os Ministérios da Defesa, dos Transportes e da Justiça também se mobilizaram para dar apoio logístico ao governo de Santa Catarina, em socorro às vítimas do acidente na BR-470. Os ministros da Justiça, José Carlos Dias e dos Transportes, Eliseu Padilha, colocaram à disposição do governador Espiridião Amin helicópteros e viaturas.

Solidariedade

Questionado quanto à precariedade das instalações físicas do IML de Rio do Sul - com capacidade para o máximo de 10 corpos - o governador reafirmou que o Presidente da República, Ministro da Defesa e Chefe da Aeronáutica, "já colocaram aviões para o transporte dos corpos dos mortos e também dos feridos que precisam ser removidos". Amin lembrou no entanto, que a situação era "excepcional e quase ninguém está preparado para isso, mas com criatividade e solidariedade esta emergência será enfrentada e superada, tanto pelas forças da comunidade do Alto vale, Curitibanos, Lages e pelas autoridades envolvidas."

Itamaraty
reduz a burocracia

Brasília - Os governos de Brasil e Argentina se mobilizaram rapidamente para prestar ajuda aos parentes dos turistas argentinos vítimas do acidente. Depois de receber informações sobre a tragédia, o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, procurou o Ministro da Defesa Élcio Álvares, para pedir que o governo brasileiro ajudasse na liberação e translado dos corpos.
O Ministério da Defesa pediu ao Comando da Aeronáutica a disponibilização de um avião Hércules da Força Aérea Brasileira, para o transporte dos corpos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, além disso, as autoridades locais devem prestar todo apoio a parentes das vítimas que chegarem ao Estado. O Itamaraty pode ainda prestar apoio no caso de a Embaixada ou consulado argentino solicitar intervenção para facilitar o tramite burocrático na liberação de corpos e outros problemas legais.
A embaixada Argentina, em Brasília, informou que o governo daquele país também mandou para o Brasil um avião e uma equipe de profissionais para atender os familiares das vítimas. Logo que foi informado da tragédia, o Embaixador Jorge Hugo Herrera Vegas decidiu ir para Santa Catarina, acompanhado de dois funcionários da embaixada. Outros funcionários de consulados argentinos no Brasil também foram enviados ao Estado para se juntar a equipe vinda de Buenos Aires. Segundo avaliação do Ministério das Relações Exteriores, a tramitação do processo burocrático deve ser facilitada.

Autoridades argentinas
se dizem chocadas

Buenos Aires - O chanceler argentino Rodriguez Giavarini informou que o governo argentino está chocado com gravíssimo acidente ocorrido ontem no Brasil envolvendo turistas daquele país. Um funcionário do Governo adiantou que o presidente Fernando de la Rua ordenou a mobilização de aviões e a disposição de qualquer ajuda que forem necessários para amenizar a situação. "Não queremos ter dúvida a esse respeito. O número de vítimas está em 39, mas Deus queira que o número seja menor".
O funcionário disse que o governo poderia enviar um DC-130 da Força Aérea para ajudar, mas isso dependerá de decisão do ministro de Defesa, Ricardo Lopez Murphy. Segundo o funcionário, o secretário de Cultura e Comunicação, Darío Lopérfido, divulgará um comunicado oficial e que, provavelmente, o presidente fará um pronunciamento sobre o assunto.
Já o ministro de Assuntos Sociais da província argentina de Tucumán, Jose Luis Sarsano, informou que viajaria ao Brasil para tratar da liberação dos corpos e dos feridos. "Devemos também decretar luto oficial na província", adiantou.
No fim da tarde, a assessoria de imprensa do Palácio Santa Catarina informou que chegariam a Florianópolis Jorge de La Rua, secretário-geral e irmão do presidente argentino, Fernando de La Rua, junto com os familiares dos mortos no acidente, para a devida identificação dos corpos.


Passageiros conseguiram
pular pela janela

Muitos sobreviventes de ônibus brasileiro revelaram que tiveram dificuldades em usar saída de emergência

Pouso Redondo - No Hospital Comunitário Annegret Neitzke, de Pouso Redondo, onde 24 pessoas foram atendidas, 11 foram transferidas para o Hospital Regional, quatro permaneceram em observação e os demais foram atendidos e liberados. No local, com pequenas escoriações as primas Shizuka Oginoya, de 20 anos, e Lilian Takita, de 17, que ocupavam as poltronas 11 e 12 do ônibus da Reunidas contaram que a maioria dos 31 passageiros dormia e foi acordada pelo barulho de uma freada. Os passageiros da empresa catarinense Reunidas teriam encontrado dificuldades para abrir a saída de emergência instantes depois da tragédia.
Shizuka e Lilian viajavam de Florianópolis para Curitibanos e depois do acidente comemoravam o fato de rapidamente terem encontrado uma janela para pular. "Conseguimos atravessar a pista e nos livrarmos do impacto da batida", lembrou Shizuka que assim como os outros sobreviventes do veículo não sabiam informar se houve troca de motorista desde a saída em Florianópolis, até o local do acidente, a aproximadamente 35 quilômetros de Rio do Sul.
Everton Rosscheutscher, de 17 anos, tomou o ônibus em Balneário Camboriú, com destino à Campos Novos, já que é residente em Tangará. Ele confirmou que todos estavam "meio dormindo", mas lembrou dos momentos de pânico quando notou "que a galera estava muito agitada e tentando inutilmente abrir a janela de emergência, que na hora emperrou", confirmou. "Depois abriu, mas eu encontrei uma janela pequena mesmo e consegui sair antes", relatou o jovem, com muitas escoriações na cabeça, mas que assim como as jovens, aguardavam familiares que viriam logo buscá-los.

Comboio

Ainda no local do acidente, o guia Juarez Rerivola relatou que cerca de 150 argentinos viajavam em três ônibus que saíram às 9 horas da manhã de São Miguel de Tucumán, capital da Província de Tucumán. Considerando as filas de veículos que se formaram - cinco quilômetros congestionados entre o km 195.5 e Curitibanos e oito entre a Serra de Ilhéus e Pouso Redondo - o guia não soube dizer o paradeiro dos outros ônibus que conduziam turistas argentinos ao Balneário de Camboriú.
Dois ônibus que também formavam o comboio em direção ao litoral catarinense já haviam chegado a Balneário Camboriú ontem, por volta do meio-dia. Muito abalados depois de comunicados sobre a tragédia, os turistas foram direto para os quartos e não quiseram comentar o desastre com seus compatriotas.

Procura por
lembranças

Pouso Redondo - O motorista Sezano Pedro, 45 anos, conduzia um terceiro ônibus da empresa Norte Bus (nome fantasia de "Gimenez Viajes") de São Miguel de Tucuman em direção a Balneário Camboriú. Ele vinha atrás dos dois primeiros ônibus argentinos que se envolveram no acidente. Com muita sorte, conseguiu segurar o veículo a tempo de evitar o choque.
O comboio saiu no domingo à noite da Argentina e parou em diversos locais pelo caminho. Ontem chegariam em Balneário Camboriú, onde permaneceriam por diversos dias hospedados no mesmo local (seria o Hotel LM, localizado na Rua 1901). "Havia muita neblina", disse. "De repente observei que a estrada estava interrompida à frente, com dois ônibus atravessados na pista. Havia muitos gritos e correria, além de uma nuvem de poeira (que provavelmente levantou das freadas e do contato com o solo)", explicou.
Sezano foi um dos primeiros motoristas a socorrer as vítimas. "Não sabíamos o que fazer. Muita gente entrou em desespero na hora", contou. Três horas após o acidente, ainda transtornado, ele lembrou de procurar lembranças dos colegas mortos entre os destroços. "Pode ser que haja alguma coisa importante por aqui. Vou recolher e levar aos familiares", contou. Naquele horário (por volta das nove horas), Sezano ainda não sabia se seguiria viagem até Camboriú ou se retornaria com o ônibus até a Argentina.

Mãe salvou a filha que
completava um ano de idade

Pouso Redondo - Marta de Jesus da Rosa, 27 anos, reside em Florianópolis e viajava no ônibus da Reunidas até Campos Novos. Juntamente com a pequena Gislaine, que completou um ano de vida ontem, sofreu apenas hematomas na cabeça e arranhões pelo corpo. "Deus olhou pela gente e nos salvou. Minha filha não poderia morrer no dia do primeiro aniversário", declarou no Hospital Regional de Rio do Sul.
Marta contou que viajava acordada quando presenciou um ônibus virado no meio da pista, à frente. "O motorista no nosso ônibus freou. Mas não conseguiu segurar a tempo de bater", explicou. Juntamente com a mãe Generosa Spada Silva, 64 anos, além da pequena Gislaine, elas viajavam nas poltronas nº 3 e 4 (logo atrás do motorista). "Assim que o estrondo acabou, começou uma gritaria. Eu fui logo procurando a Gislaine que estava embaixo do banco. Dei um soco e quebrei a vidraça do lado. Foi por ali que conseguimos sair". As três conseguiram sobreviver.
Marileusa Vieira, 24 anos, residente em Itapema, viajava na poltrona 27 do mesmo ônibus em companhia do filho Julian, de dois anos. "Estávamos contentes pois meu filho queria ver os avós, em São Miguel do Oeste", disse. "Depois de tudo o que aconteceu ainda estou muito feliz. Escapamos com vida, o que é o mais importante".

Sobrevivente
agradece a Deus

Rio do Sul - Mônica Fernandes, 24 anos, uma das sobreviventes do ônibus argentino, que sobreviveu ao acidente, agradecia a Deus, ontem, no Hospital Regional de Rio do Sul. Dizendo ter recebido a vida pela segunda vez, sofreu apenas ferimentos leves nos dois joelhos, mãos e alguns hematomas pelo corpo. Mônica viajava em companhia da mãe Mirta Álvares, 42 anos, no microônibus que bateu atrás dos dois ônibus que sofreram maiores danos. Ela contou que estava feliz por conhecer Balneário Camboriú, onde permaneceria com o grupo de argentinos por nove dias. Informou que na hora da tragédia estava dormindo. De repente ouviu um grande estrondo e estilhaços de vidro. Sua primeira reação foi procurar pela mãe, que estava bastante ferida no assento ao lado. Abalada e cansada, ainda no Hospital Regional de Rio do Sul, não parava de atender telefonemas da Argentina.


Amin entrega
máquinas contra seca

Chapecó - Os municípios do Oeste receberam ontem do governo do Estado um conjunto de equipamentos para ajudar no combate à estiagem, que atinge a região e tem deixado comunidades inteiras sem água potável. Foram repassados às comissões de Defesa Civil, durante solenidades realizadas em Guatambu e Seara, seis caminhões-pipa, cinco retroescavadeiras e uma perfuratriz. O governador Esperidião Amin (PPB) esteve presente em Guatambu e visitou a barragem do rio Tigre, onde o nível das águas ainda precisa subir pelo menos três metros para atingir as tubulações da Casan, que levam água até Chapecó.
De acordo com Amin, além de prestar todo o auxílio possível às comunidades atingidas pela seca, o governo também deve passar a investir, a partir desse ano, em educação ambiental. O governador acredita que através disso será possível instruir a população a proteger suas fontes e mananciais de água e evitar maiores problemas durante os períodos de estiagem prolongada.
O Estado também deve investir, conforme Amin, na realização de pesquisas sobre a possibilidade de utilização do aqüífero (um grande lençol de água subterrâneo) que atravessa o Estado e pode ser utilizado no abastecimento das cidades. Ele está sendo apontado como a grande solução contra a seca. No Oeste, onde os mananciais de água estão contaminados por dejetos de suínos, ele garantiria água de qualidade para centenas de propriedades rurais e mais segurança para a agroindústria, que precisa manter o padrão fitossanitário para exportar o que produz.
O problema da poluição dos rios e riachos pelos dejetos de suínos também deve ser atacado pelo Estado. A intenção é investir na conscientização dos agricultores e até mesmo na construção de novas bioesterqueiras para o armazenamento dos dejetos e posterior aproveitamento nas lavouras. O trabalho garantiria uma água livre de coliformes fecais durante os períodos de seca, quando tradicionalmente a poluição tem aumentado.

Chuva traz esperança de
normalização no Oeste

Concórdia/Chapecó - A chuva que caiu até a madrugada de ontem no Alto Uruguai serviu para trazer de volta a esperança aos agricultores. Apesar do sol ter predominado a partir da tarde, a expectativa é de que continue chovendo e o abastecimento de água volte ao normal. A precipitação atingiu 21,8 milímetros, cerca de 30% do registrada em janeiro. Mesmo assim, os 16 municípios da região mantiveram os decretos de situação de emergência.
Até agora, na média, choveram 65 milímetros no Alto Uruguai. Como em janeiro a precipitação histórica chega a 180 milímetros, a tendência é que o mês feche com no máximo 60% do que normalmente chove no período.
Em Chapecó, enquanto chegam os primeiros equipamentos para a abertura de poços, a seca continua trazendo prejuízos. A chuva que caiu na região nos últimos três dias ainda não foi suficiente para fazer subir os níveis dos mananciais de água.
Segundo o prefeito de Paial e presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amauc), Névio Mortari, centenas de comunidades ainda convivem com a falta d'água e precisam ser abastecidas com carros pipas.
Chapecó, a maior cidade da região, mesmo com a pouca água na barragem do rio Tigre, em Guatambu, já teve o abastecimento normalizado. A barragem do rio São José atingiu no início da manhã de ontem a vasão de 411 litros por segundo, considerada normal pelos técnicos da Casan.


Show de interpretação
Matheus Nachtergaele empresta talento a padre Miguel em "A Muralha".  AN_Tevê 
Rede de drenagem - A Prefeitura de Brusque está construindo a rede de drenagem de águas pluviais nas imediações do Lar dos Idosos, na rua Guilherme de Mello, bairro Cedrinho. Serão instalados 110 tubos de 400 milímetros, 180 tubos de 150 mm, 280 tubos de 100 mm, duas fossas sépticas e filtros anaeróbicos e 45 caixas de inspeção. Além da rede de drenagem de águas pluviais, informa o secretário de Obras Carlos Heil, serão feitas as ligações de todos os banheiros e apartamentos à obra.

Manchetes AN

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Tragédia abalou "jardim" da Argentina

Pânico atingiu parentes de turistas argentinos

Tucumán - Um dos dias mais tristes da história do "Jardim da República da Argentina", o título ostentado com orgulho pelo quase 500 mil habitantes de São Miguel de Tucumán - noroeste da Argentina, quase na fronteira com o Chile -, começou com a inquietação sobre o pacote lançado há alguns dias pelo presidente Fernando de La Rúa, o "impuestazo". Uma preocupação de todos os argentinos. Ontem, subiu o preço das passagens de ônibus. A discussão seria esquecida rapidamente: pouco depois das 9 horas, os tucumanos entravam em pânico com primeiros flashes veiculados pela televisão sobre o acidente em Santa Catarina. Centenas de pessoas correram para a aristocrática Crisóstomo Alvarez, rua onde está localizada a agência de viagens Giménez.
Pouco antes das 11 horas da manhã, meia dúzia de agentes da Defesa Civil tentavam controlar a confusão instalada na agência de viagens. Até uma ambulância foi colocada de prontidão. Familiares e curiosos buscavam desesperadamente por informações. Nada. Sem condições de controlar a pequena multidão, o polícia fechou o trânsito na região. O pânico se instalou quando começaram a pipocar na TV as imagens do acidente. Os destroços eram a prova da tragédia.
Atordoados, os funcionários da Giménez recomendaram que os familiares se dirigissem ao salão branco da Casa de Governo de Tucumán. Lá foi revelada a informação de que uma avião da presidência levaria cem pessoas ao Brasil. A aeronave só levantaria vôo no final da noite. E a falta de informações só aumentava o drama dos tucumanos. "A espera é angustiante. Ninguém nos diz nada, assim, só me resta rezar para que minha filha esteja com vida", comentou ao jornal La Gaceta, Eva Reyes, mãe de Alejandra Reyes, professora de 25 anos que seguiu, em férias, para Balneário Camboriú. Alejandra viajou com as colegas na Escuela 111 de Cruz Alta. Desesperado, Juan José Herrera, aguardava com pavor a chegada da lista dos sobreviventes. "No ônibus viajava minha mãe, Argentina Atala, e minha tia". Com a viagem, Argentina queria afastar um pouco a depressão sofrida desde a morte de seu marido.
Sabendo apenas do frio número de 39 mortos, a incerteza crescia com a passar do tempo. "Me enlouquece não saber o que aconteceu. Quero viajar agora nesse avião para o Brasil", afirmou Miguel Angel Romano, impaciente com a falta de informações sobre sua irmã, Romina Romano, de 52 anos.

Dois ônibus chegam antes

Balneário Camboriú - Os dois ônibus da empresa argentina Gimenez SRL que também saíram de Tucumán chegaram ontem por volta do meio-dia a Balneário Camboriú. Esses dois ônibus faziam parte do grupo em que estava o veículo acidentado em Pouso Redondo, na madrugada de ontem.
Os cerca de 80 argentinos que estavam nos ônibus não quiseram conversar com os jornalistas e preferiram permanecer o resto da tarde trancados em seus apartamentos no hotel HM, próximo a Barra Sul, para onde também iriam os integrantes do ônibus acidentado. Os dois ônibus da empresa ficaram estacionados em frente ao hotel.
Um argentino, que preferiu não se identificar, disse que "todos que estavam nos outros dois ônibus estão bastante nervosos, há um clima de tensão, as pessoas estão apreensivas". As pessoas do ônibus acidentado iam hospedar-se no hotel HM. "Os outros dois ônibus não ficariam aqui, mas em virtude do acidente eles estão aqui para decidir o que fazer", adiantou um funcionários da recepção do hotel.
Os argentinos ocupam 10 apartamentos. Devem decidir se permanecem em Balneário ou se retornam a Argentina. Os que ficariam em Balneário permaneceriam na cidade uma semana. Antes de chegar a Balneário os três ônibus fizeram uma pernoite em Foz do Iguaçu (Paraná).
Saíram de Foz às 15 horas e seguiram para Balneário. Segundo um dos argentinos que estava hospedado no hotel "é costume os ônibus pararem a cada quatro horas para as pessoas caminharem um pouco". Segundo esse mesmo argentino, os ônibus de excursão costumam viajar ao Brasil com três motoristas que se revezam na direção.
O prefeito Leonel Pavan (PDT) disse que estava profundamente consternado com o acidente com o grupo de turistas argentinos da província de Tucumán. Uma missa em memória das vítimas será celebrada nesta quinta-feira, às 19h30, na Igreja Matriz Santa Inês. "O povo catarinense está de luto em solidariedade aos irmãos argentinos e brasileiros que perderam seus familiares nesta tragédia", disse Pavan.


Curva da Santa é ponto crítico na BR-470

Acidentes com ônibus mataram pelo menos 50 pessoas desde 96

Joinville - Acidentes graves envolvendo ônibus de turistas marcam o trajeto da BR-470 na curva da Santa, em Pouso Redondo. Um dos acidentes mais graves na rodovia foi em 18 de outubro de 1996, quando um ônibus levando estudantes de Campos Novos ao parque Beto Carrero World, em Penha, despencou em uma ribanceira e matou seis ocupantes e 30 ficaram feridos. Nove meses antes, um ônibus tombou também na região de Pouso Redondo matando três pessoas e outros 28 feridos. Os dois casos aconteceram no quilômetro 195, exatamente o mesmo ponto do acidente com o ônibus argentino.
O que deveria ser uma excursão de alunos de sétima e oitava séries do Colégio Auxiliadora, de Campos Novos, ao Beto Carrero World, em Penha, transformou-se numa tragédia para os 40 ocupantes do ônibus da empresa de turismo Manfredi. O motorista do ônibus teria perdido o controle do veículo ao tentar fazer a curva. No momento do acidente, às 7 horas, havia muita neblina e a pista estava molhada.
Alguns estudantes conseguiram escapar pulando do ônibus ainda em movimento. Três ficaram presos nas ferragens. Os 30 feridos foram levados para hospitais da região. Dos seis mortos, quatro eram estudantes, um motorista e uma professora.

Óleo na pista

O caso ocorreu no mesmo local onde nove meses antes um ônibus da empresa Auto Viação Catarinense, que fazia a linha Assunção-Florianópolis, tombou matando três turistas paraguaios e outros 28 feridos. O motorista perdeu o controle da direção do veículo e tombou.
A Polícia Civil chegou a abrir inquérito policiais para apurar as causas do acidente. Segundo denúncia, pessoas estariam colocando óleo na pista para forçar acidente e levar proveito das tragédias. No entanto, nada ficou provado a respeito da colocação de óleo na pista.
O óleo na pista e a péssimo estado da rodovia foram apontados como a causa principal do acidente. Parte dos passageiros estavam indo para Balneário Camboriú.

Colisão em Itapema deixou 19 mortes e 34 feridos em agosto de 1989

Joinville - O segundo maior acidente em rodovias catarinenses havia ocorrido em agosto de 1989 quando um ônibus de romeiros se deslocava para a festa de Azambuja, em Brusque, e colidiu frontalmente com uma carreta no quilômetro 154 da BR-101, no município de Itapema. Morreram no local 19 romeiros e 34 ficaram feridos. Os parentes das vítimas criticaram a atitude da Polícia Rodoviária Federal que demorou para socorrer os feridos.
Foi o maior acidente nas estradas catarinenses nos últimos tempos. A violência do impacto destruiu para parte frontal de ônibus. Várias pessoas ficaram presas nas ferragens do ônibus, que era projetado para transporte de passageiros em zonas urbanas.
A hipótese mais provável na época para definir o acidente foi o choque frontal quando o caminhão fazia uma ultrapassagem arriscada. Entre as 19 vítimas estava crianças e pessoas da mesma família. As críticas foram contra o comportamento da Polícia Rodoviária Federal de Camboriú que mesmo informada do acidente pela manhã chegou no local duas horas depois quando equipes de Florianópolis já haviam socorrido grande parte dos feridos.
No mesmo ano, em 26 de março, um choque entre um caminhão e um ônibus da Viação Guaratuba, no quilômetro 85 da BR-101, em Barra Velha, matou 14 pessoas. O motorista do caminhão, que estava carregado com melâncias, perdeu o controle da direção vindo de encontro ao coletivo, que fazia o trajeto Joinville-Itajaí
Outro acidente grave envolvendo ônibus aconteceu em 29 de abril. Um ônibus da Pluma, que fazia o trajeto Porto Alegre-Curitiba colidiu com uma carreta tanque, nas proximidades de Joinville, matando uma pessoa e ferindo 18.

Tragédia marca argentinos

Novo Hamburgo (RS) - Os argentinos parecem predestinados a serem vítimas de tragédias nas rodovias brasileiras. Nos últimos 10 anos, aconteceram três acidentes em estradas gaúchas envolvendo ônibus de turistas que tinham como destino o Balneário Camboriú, com um total de 33 mortos e 74 feridos.
No dia 17 de janeiro de 1990, 18 pessoas morreram e 23 ficaram feridas na BR-290 depois que um ônibus capotou numa ponte próximo à divisa de Gravataí e Santo Antônio da Patrulha. Era madrugada, quando o coletivo caiu de uma altura de 10 metros.
Outra tragédia aconteceu na madrugada de 3 de março de 1993. O ônibus com 49 pessoas saiu da cidade de Muro. No quilômetro 514 da BR-290 entre Alegrete e Rosário do Sul, o veículo também caiu em uma ponte sobre o arroio Caverazinho: 11 mortos e 26 feridos.
O terceiro acidente ocorreu em 15 de janeiro de 1997. Quatro argentinos morreram e outros 25 ficaram feridos no quilômetro 37 da BR-101, em Três Forquilhas. O ônibus que transportava 52 pessoas para o litoral catarinense se envolveu em um acidente com um caminhão.

Rodovia está em situação precária em toda sua extensão

Blumenau - As condições precárias da BR-470 em quase toda extensão de 360 quilômetros não podem ser apontadas como causa do acidente que matou pelo menos 41 pessoas em Pouso Redondo, mas na opinião do engenheiro Gabriel Ribeiro Vieira, diretor da Ecovale (Empresa Concessionária de Rodovias do Vale do Itajaí), a tragédia vai despertar a preocupação de autoridades para agilizar a liberação das concessões que permitem iniciar as obras de recuperação das rodovias em todo o Estado. "Nós passamos 1999 alertando que é preciso fazer algo urgente e esperamos que agora haja esta consciência", justifica.
Vieira lamentou a tragédia mas evitou ligar a fatalidade à morosidade do Estado em resolver a situação das privatizações das rodovias. Para ele é imaturo afirmar que se as melhorias previstas no plano emergencial tivessem sido feitas no prazo estabelecido o acidente seria evitado. "Não se sabe a causa e por isso não se pode culpar ninguém", afirma. Porém, o engenheiro analisa que a prevenção de muitos acidentes e mortes ocorridos em 1999 seria facilitada se a rodovia estivesse em condições de tráfego e sinalizada.
As obras emergenciais de recuperação da BR-470 deveriam ter iniciado em 17 de janeiro de 1999 e concluídas seis meses depois, num investimento de R$ 42 milhões. Estava prevista uma operação tapa-buracos, recuperação de pontes, sinalização vertical e horizontal e melhoria nos acostamentos. Nos 24 anos de direito a exploração dos pedágios que serão instalados, a Ecovale se compromete a investir R$ 800 milhões na duplicação de 309 quilômetros, restauração de 1.366 quilômetros, implantação de 18 quilômetros de contornos e construção de 97 pontes e viadutos.
Porém, um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), apontando irregularidades no edital de licitação das concessões, motivou um pedido de anulação do processo na Assembléia Legislativa. Por causa das denúncias e investigações, a ordem de serviço para início das obras foi cancelada várias vezes, adiando a transferência da rodovia à Ecovale, que venceu a licitação para o sistema BR-470.

Falta de manutenção

A BR-470 não recebe manutenção desde dezembro de 1998, quando o Departamento Nacional de Estradas de rodagem (DNER) repassou ao governo do Estado a responsabilidade pela rodovia. Com os contratos de conservação suspensos, ela se tornou uma estrada sem dono e os buracos tomaram conta da pista. O mato invadiu os acostamentos e encobriu as placas de sinalização. A situação é pior a partir de Ibirama em direção ao Alto Vale, onde os deslizamentos de aterros atingem os acostamentos e ameaçam o tráfego.
Gabriel Vieira informou que a Ecovale está preparada para iniciar as obras emergenciais assim que receba o sinal verde do Estado. Enquanto isso, assume os custos de projeto, da instalação da sede administrativa em Blumenau, do pessoal já contratado e dos seguros que garantem o cumprimento dos compromissos assumidos na concessão. Somente a despesa operacional da empresa é de R$ 100 mil por mês.

Acidentes marcantes

20 de agosto de 1989 - Choque frontal entre um ônibus de romeiros e um caminhão resulta na morte de 19 pessoas e 34 feridos, no km 154 da BR-101. O acidente ocorreu quando o caminhão fazia um ultrapassagem forçada. Os romeiros se dirigiram para a festa de Azambuja, em Brusque.

16 de janeiro de 1996 - Ônibus da empresa Auto Viação Catarinense, que fazia a linha de Assunção (Paraguai) a Florianópolis, tomba no km 195 da BR-470, às 5 horas. Três turistas paraguaios morreram e 28 ficaram feridos. Óleo na pista foi apontada como a causa do acidente.

18 de outubro de 1996 - Um ônibus levando estudantes de Campos Novos para o Beto Carrero World tomba no km 195 da BR-470 e cai em uma ribanceira. Seis pessoas morrem no local - quatro são estudantes, o motorista e uma professora - 28 pessoas ficaram feridas. A Polícia Rodoviária Federal concluiu que havia uma forte neblina e a pista molhada no local do acidente.

12 de janeiro de 2000 - Acidente envolvendo três ônibus mata pelo menos 41 pessoas no km 195 da BR-470, em Pouso Redondo

RAIO X

Os números da BR-470

Extensão: 358,9 quilômetros, de Navegantes à divisa com o Rio Grande do Sul
Abrangência: 28 municípios catarinenses, com 860 mil habitantes
Tráfego: 38 mil veículos/dia
Maior fluxo: trecho Blumenau-Indaial, com 20 mil veículos/dia
Tráfego na Sera da Santinha: 4 mil veículos/dia
Mortes em 1999: 150 pessoas

O Sistema BR-470

Período da concessão para a Ecovale: 24 anos
Investimento global: R$ 800 milhões
Obras previstas: 309 km de duplicação, 1.366 km de restauração, 18 km de implantação de contornos, construção de 38 pontes e 59 viadutos, 355 acessos diversos e 110 paradas de ônibus
Infra-estrutura de socorro a ser implantada: médico e mecânico, com disposição de ambulâncias e UTI's móveis, paramédicos, telefones de emergência entre outros


Privatização da 101 deve ocorrer este ano

Licitações para concessão e para duplicação do trecho entre Palhoça e Osório estão previstas para o 1º semestre

Brasília - O trecho de 375 quilômetros da BR-101, que liga Curitiba (PR) à Florianópolis, deve ser privatizado ainda este ano, juntamente com outros trechos reformados. A licitação da concessão está prevista para até o meio do ano. No trecho seguinte da BR-101, que liga a Capital do Estado à divisa com o Rio Grande do Sul, a meta é ter o projeto de engenharia concluído nos próximos meses e até meados de julho ser realizada a licitação para a obra de duplicação das pistas, nos 295 quilômetros.
Pela estimativa, cerca de R$ 750 milhões serão investidos na duplicação das pistas que ligam Palhoça à Osório, no Rio Grande do Sul. Esta nova etapa da obra pode ser iniciada ainda em 2000 e tem prazo de entrega marcado para dois anos após a licitação. Segundo o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a concessão dos novos trechos da BR-101, em todo o País, deve levar em conta a redução do valor dos pedágios. As opções encontradas até o momento, apontam para a redução de serviços prestados aos motoristas nas estradas. Segundo pesquisa encomendada pelo ministério, os usuários das estradas não querem perder os serviços mas reclamam dos preços de pedágios. O mesmo estudo aponta que mais de 50 % do valor das tarifas de pedágio são provenientes dos custos com serviços.
Atualmente o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), está concluindo o trecho da BR-101 que liga o Paraná à Palhoça, num total de 216 quilômetros. Até agora, a obra custou R$ 488,5 milhões, de um total de R$ 565,2 milhões. Já estão liberados para o tráfego normal, 172 quilômetros e 39 pontes. A expectativa é de que até julho todo o trecho esteja concluído e pronto para privatização. Pelas contas do governo a duplicação e privatização do trecho catarinense da BR-101 deve estar concluído no final de 2002.


Granizo deixa Biguaçu em situação de emergência

Pedras de até meio quilo atingiram 150 famílias

Biguaçu - Depois do flagelo da seca no Oeste, Santa Catarina sofre com a chuva. Ontem mais de 150 famílias de Três Riachos, interior de Biguaçu, passaram o dia tentando recuperar os estragos causados por uma chuva de granizo, no final da tarde de terça-feira. A precipitação destruiu telhados, áreas de agricultura, pontes, matou animais e deixou 10 famílias sem comunicação. O prefeito de Biguaçu, Arlindo Corrêa (PPB), decretou situação de emergência.
Os prejuízos devem ultrapassar R$ 200 mil. O levantamento oficial da situação será divulgado hoje. As 10 famílias que ficaram sem comunicação continuavam isoladas no final da tarde de ontem já que a ponte que ligava a área rural onde moram com o centro da cidade foi levada pelas águas.
Os moradores da localidade garantem que a última chuva de granizo ocorreu há 18 anos. "Mas não foi igual a essa. As pedras de gelo pesavam mais de meio quilo cada uma e foi um verdadeiro horror. Se a chuva prolongasse mais um pouco desabaria tudo em cima da gente. Naqueles minutos pensei somente em Deus. Pedia a ele misericórdia", contou a aposentada Olga Maria de Andrade, 62 anos, na tarde de ontem, enquanto observava os telhados de sua casa e do galpão ao lado serem repostos. A chuva de pedra iniciou às 16h45 e durou pelo menos 15 minutos.
A agricultora Orcilina Isabel Pereira também foi outra vítima da precipitação. Junto com o marido, Emílio Rodolfo Pereira, 68 anos, ela conta que se abrigou embaixo da mesa da cozinha para fugir do granizo e da forte chuva.
O lavrador Lucimar Manoel Rosa, 52 anos, contou que um dos seus vizinhos teve os braços machucados pelo granizo. "Ele tentou se abrigar dentro de casa com uma cadeira, mas a chuva era tão forte que uma pedra o atingiu", detalhou Rosa.

Fenômeno deve continuar hoje e amanhã no Estado

As chuvas de granizo são consideradas normais nesta época do ano. A metereologista do Centro Integrado de Recursos Hídricos (Climerh), Marilene de Lima, explica que nos últimos dias a atmosfera está instável e que em função disso há um constraste térmico, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical - aquelas carregadas de granizo.
"Como durante o dia há um aquecimento muito grande com temperatura média de 30 graus esses tipos de nuvens, conhecidas como cumulunimbos, se desenvolvem rapidamente. Muitas chegam a ter 12 quilômetros de altura", acrescenta a metereologista, prevendo que hoje e amanhã continuará a chover nos finais de tarde com possibilidade de granizo. No final de semana, porém, choverá em todo o Estado. "Santa Catarina receberá uma frente fria", complementa Marilene.
As cidades mais castigadas com chuvas de granizo se concentram nas regiões Oeste e Meio-oeste catarinense. Somente na semana passada mais de dez cidades foram atingidas. O município de Urussanga, no Sul do Estado, registrou a maior temperatura neste verão, 39,8 graus. As mais de 150 famílias atingidas em Três Riachos, em Biguacu, receberão assistência do prefeito da cidade, Arlindo Corrêa (PPB).
O chefe do executivo, o vice-prefeito, Pedro Cardoso (PFL) e a secretária de Assistência Social, Débora Matos, passaram toda à tarde de ontem vistoriando a área atingida. O chefe de gabinete da prefeitura, Clésio Henrique Franzoi, garante que hoje o levantamento oficial será divulgado.

 
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