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Governo tem liberdade para
usar livremente R$ 40 bilhões
Emenda de desvinculação
de receita, aprovada ontem, era considerada fundamental pelo
presidente
O
governo federal conseguiu ontem uma importante vitória
no Congresso e teve aprovada a emenda constitucional que desvincula
20% das receitas da União, essencial para a execução
do Orçamento deste ano. Apesar dos esforços dos
partidos de oposição, a emenda foi aprovada por
343 votos favoráveis - 13 votos acima do computado pelos
operadores políticos do Palácio do Planalto - e
137 contra, com a presença de 481 deputados no plenário
da Câmara.
Substituta do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF),
a desvinculação das receitas permitirá ao
Executivo usar livremente 20% dos seus recursos, o equivalente
a R$ 40 bilhões.
A mobilização dos parlamentares aconteceu após
o presidente Fernando Henrique Cardoso ter conversado com os
líderes de todos os partidos aliados na noite da terça-feira
e acionado os ministros políticos para a votação
de ontem. Outro motivo influenciou a bancada governista: hoje
todos os recursos de emendas parlamentares que estavam parados
desde o ano passado foram liberados, segundo um dos articuladores
políticos do governo.
O contingenciamento das verbas era o principal foco de irritação
de deputados da base governista do chamado baixo clero. Os líderes
do governo ainda tentavam hoje responder a reclamações
de colegas. Uma das negociações envolvia a bancada
do Rio de Janeiro, inconformada com a medida provisória
que transferiu do Rio para Brasília a sede da Agência
Nacional de Saúde, que trata dos planos de saúde.
"Estamos dando um jeito, de forma que a agência tenha
fórum em Brasília, mas funcione no Rio", contou
o líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio
(PSDB-AM).
Antes do início da sessão, o líder do PSDB,
deputado Aécio Neves, calculava em "mais de 330"
o número de votos favoráveis à proposta
da DRU. O líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA),
apostava que 80 dos 100 parlamentares da bancada iriam votar
a favor da DRU. "A chance de vencer é grande",
dizia Aécio. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira
(PE) mostrava confiança. "Nunca vi a base tão
tranqüila."
Aclamado líder do PFL para um novo mandato, o deputado
Inocêncio obteve ainda o apoio de seus colegas de partido
para disputar a presidência da Câmara em fevereiro
do ano que vem.
"Posso trazer minha palavra de reconhecimento do quanto
ele se desdobra para atender à bancada", disse o
vice-presidente da República, Marcos Maciel. Para o presidente
do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o deputado é "o
líder guerreiro e leal, condutor de nossas idéias".
Deputados lembram lei de imprensa
O clima esquentou ontem durante reunião do colégio
de líderes de partidos na Câmara para a busca de
entendimento em torno da pauta da convocação extraordinária.
Os deputados trocaram farpas e alguns chegaram a lembrar da lei
de imprensa - em tramitação e ainda não
votada - ao reclamarem das críticas que vem sendo feitas
sobre a produtividade dos parlamentares durante a primeira semana
da convocação. Os líderes acham que injustiças
têm sido cometidas e reclamam das notícias de que
estão recebendo R$ 16 mil pela atividade extra sem trabalhar.
"Todos os líderes estão reclamando do posicionamento
da imprensa, mas eu, pessoalmente, não me surpreendo",
afirmou o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA),
um dos presentes a falar da lei de imprensa. "Levantei (durante
o encontro) o que já tinha tido antes; que ninguém
discute o assunto", afirmou. "Falei, como constatação
apenas, que a Casa permanentemente se acovarda em relação
à lei de imprensa."
O líder do PPB, Odelmo Leão (MG), disse que não
defendeu sua votação como represália às
críticas ao trabalho na convocação. "Eu
disse apenas que há uma lei a ser discutida, mas não
defendi sua votação", ressaltou. "Foi
força de expressão", disse Leão.
Embora apenas Geddel e Leão tenham lembrado da existência
da lei de imprensa, a reclamação foi generalizada.
"Cada um fez uma introdução de que havia injustiças",
contou o presidente da Câmara. "A resposta para isso
é votar as matérias importantes, e estamos fazendo
isso", sustentou Michel Temer. O líder do governo
na Câmara, deputado Arnaldo Madeira lembrou que os deputados
estavam chateados por causa de interpretações equivocadas.
"Nos primeiros dias da convocação, na semana
passada, não podia ter ordem do dia, ou seja, não
tem votação", explicou.
Ministério Público
quer prisão de Naya
Rio de Janeiro- O Ministério Público do
Rio ingressou ontem com um pedido de revisão da revogação
da prisão do empresário e deputado cassado Sérgio
Naya, colocado em liberdade ontem à noite. O pedido deve
ser julgado hoje pelo desembargador Alberto Cravero, da 5ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Naya
foi posto em liberdade por decisão do juiz da 33ª
Vara Criminal do Rio, Heraldo Saturnino de Oliveira. O ex-parlamentar
estava preso desde o dia 15 de dezembro em uma cela especial
da Polinter, onde passou o Natal e o réveillon.
A promotora Cláudia Perlingeiro ingressou também
com recurso em sentido estrito na própria 33ª Vara
Criminal pedindo que Saturnino reconsidere a sua decisão.
Como o recurso não tem efeito suspensivo, e seu julgamento
pode demorar até seis meses, o MP impetrou, ao mesmo tempo,
um mandado de segurança, com pedido de liminar, visando
suspender a decisão do juiz, que será julgado por
Cravero. O desembargador é o mesmo que, há 20 dias,
votou favoravelmente a concessão de habeas corpus para
Naya. Na ocasião, Cravero foi voto vencido. Os outros
dois desembargadores Manuel Alberto Maranhão e Sérgio
Verani foram contra o recurso.
No recurso, Nilo Batista, advogado de Naya alegava que o empressário
tinha endereço certo e que, por isso, não estaria
atrapalhando o trabalho da Justiça, como alegava o MP.
Antes do julgamento do habeas corpus, o próprio Cravero
havia votado contra o pedido de liminar no mesmo mandado de segurança,
mas, em seguida, na apreciação do mérito
mudou seu voto. "O desembargador deveria se julgar impedido,
porque a argumentação do MP continua a mesma: ou
seja, que Naya nunca foi encontrado pelos oficiais de Justiça
no endereço fornecido por ele", disse o advogado
Nélio de Andrade, assistente da acusação,
que também ingressou com recursos no mesmo sentido.
Segundo o subprocurador de Justiça do Estado, Élio
Fischberg, o mandado de segurança foi distribuído
para a 5ª Câmara Criminal porque o desembargador Paulo
Gomes, presidente de plantão do Tribunal de Justiça,
entendeu que o caso já havia sido apreciado pelos desembargadores
daquela Câmara e que por isso deveria continuar ali.
Deputado quer MP para
monitorar preço de remédios
Brasília - O relator da CPI dos Medicamentos,
deputado Ney Lopes (PFL-RN), defendeu ontem a edição
de uma medida provisória para articular as ações
dos órgãos do governo federal visando um monitoramento
mais direto dos preços dos remédios. A mesma MP
daria ainda poderes de sanção à Secretaria
de Acompanhamento Econômico (Seae), que passaria a ter
condições de multar os laboratórios por
prática de preços abusivos. Lopes diz que a medida,
de caráter regulatório, deveria ser adotada imediatamente
para proteger o consumidor. Segundo o deputado, o Brasil é
uma "nau sem rumo em termos de monitoramento de preços
de remédios". O ministro da Fazenda, Pedro Malan,
que depôs hoje na CPI por quatro horas, discorda.
Malan garante que o governo monitora os preços para evitar
aumentos abusivos. Quando detectados aumentos abusivos, disse,
o Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade) representa
administrativamente. Em seu depoimento à CPI, o ministro
disse ser contra ao congelamento de preços dos medicamentos,
argumentando que esse mecanismo é ineficaz para reduzir
valores. Segundo ele, além de não resolver a questão
de preços, o congelamento prejudica a livre concorrência.
Para Malan, essa medida tem "efeito deletério".
Ao depor na CPI, no ano passado, o ministro da Saúde,
José Serra, sugeriu a volta do controle de preços.
Malan sugeriu ainda a adoção de uma política
articulada de saúde de caráter nacional e a aplicação
da Lei dos Genéricos, aprovada ano passado pelo Congresso,
como meios para reduzir preços. Disse apoiar a produção
de remédios por laboratórios oficiais para atender
a população mais carente. Segundo Ney Lopes, no
entanto, faltam ao governo instrumentos legais que permitam uma
fiscalização mais rígida sobre a comercialização
de remédios no País.
SP encerrou o
ano com 88 chacinas
São Paulo - Quatro pessoas foram encontradas mortas
na noite de terça-feira - entre elas três menores
- com vários tiros, na esquina das ruas Carvalho do Brasil
e Flor de Maio, na região de Itaquera, zona leste de São
Paulo. Foi a terceira chacina do ano registrada na região
metropolitana do Estado, totalizando dez mortes.No ano passado,
de acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança
Pública, foram registradas 88 chacinas, com 302 mortos.
Houve apenas um crime do gênero a menos do que em 1998.
Eram 22 horas quando os moradores da região ouviram tiros.
Assustados, ligaram para o número 190 da Polícia
Militar, mas era tarde: os quatro rapazes já estavam mortos
na calçada. Os assassinos fugiram sem deixar pistas. Nenhum
morador do bairro conseguiu dar aos policiais alguma descrição
dos criminosos.Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal
(IML), em Artur Alvim, na zona leste. As vítimas foram
identificadas como: Vladimir Teixeira dos Santos, de 16 anos,
Ricardo Izidoro, de 16, Jackson Leal, de 14, e Rubens Bezerra
de Mello, de 20.
O caso foi registrado no 63º Distrito Policial, na Vila
Jacuí. Uma equipe do Departamento de Homicídio
e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar
o caso. A polícia suspeita que o crime possa ter sido
motivado por vingança ou acerto de contas.
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| Leia também |
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Seca deixa 86 municípiosgaúchos
em emergência
Porto Alegre - Subiu para 86 o número de municípios
gaúchos em situação de emergência
por causa da estiagem que castiga algumas regiões do Estado.
Ontem, chegaram à Coordenadoria da Defesa Civil do Rio
Grande do Sul os decretos de mais 12 municípios: Bagé,
Dom Pedrito, Soledade, Espumoso, Caçapava do Sul, Campo
Novo, Áurea, Putinga, Piratini, Santa Maria, Nova Palma
e Novo Machado. Na semana passada, uma avaliação
da Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural (Emater) do Rio Grande do Sul indicou perda média
de 75% da lavoura de milho no noroeste do Estado, a mais atingida
pela escassez de chuvas. Há redução, em
algumas áreas, de até 25% da produção
de leite, em decorrência do mau estado das pastagens. Sexta-feira,
a Emater/RS fará novo levantamento da situação.
A 8º Distrito de Meteorologia de Porto Alegre prevê
tempo instável para hoje, com pancadas de chuva, primeiramente
no norte e oeste do Rio Grande do Sul. Depois, haverá
chuvas também nas demais regiões. Na sexta-feira,
mais chuvas isoladas, com ligeiro declínio da temperatura,
que terá mínima de 16 graus e máxima de
34. No sábado, novas pancadas de chuva no centro e norte.
Estava previsto, ainda ontem, um encontro de um grupo de 40 prefeitos
das regiões mais atingidas com autoridades do governo
estadual, no Palácio Piratini. Os prefeitos estão
pedindo a destinação de verbas de emergência
para combater a seca. Antes, eles se reuniram na Assembléia
Legislativa para elaborar uma proposta. Ela envolve o uso de
R$ 24 milhões, reservados para a reforma agrária
estadual, mais R$ 3 milhões do seguro agrícola,
nos municípios atingidos pela estiagem. E solicitariam
ajuda de R$ 23 milhões ao governo federal.
A iniciativa do governo estadual - que distribui 560 mil quilos
de sementes de milho, mais verba de R$ 1,5 milhão como
crédito de emergência aos pequenos agricultores
- é considerada insuficiente.
LEIA MAIS SOBRE SECA NA PÁGINA ECONOMIA
São Paulo
- Duas pessoas morreram - um adulto e uma criança - soterradas
em um barraco na Estrada da Água Santa, no bairro Eldorado,
na divisa entre São Paulo e o município de Diadema.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, quatro pessoas foram levadas
ao Pronto-Socorro de Diadema.
MACONHA 1 - O ministro-chefe
do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto
Cardoso, anunciou ontem que as Forças Armadas deixarão
entre os dias 20 e 30 o chamado Polígono da Maconha, em
Pernambuco. Mas integrantes da Polícia Federal e das polícias
locais continuarão a atuar no combate ao plantio de maconha
e ao narcotráfico.
MACONHA 2 - Segundo o ministro
Cardoso , a ação permanente na região é
importante pois envolve uma área estratégica. Ele
citou duas medidas que serão adotadas em breve. Será
instalada em Salgueiro uma delegacia da Polícia Federal
e em Petrolina será criada uma Superintendência
Especial do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra).
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