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Amin interessado na rolagem
da dívida das letras de PE
Federalização
do débito sem autorização do Senado irrita
presidente da CAE e causa corrida por informações
A
federalização da dívida de R$ 859 milhões
contraída pelo governo do Pernambuco com a emissão
e venda de títulos públicos para pagamento de precatórios
(dívidas vencidas na Justiça) despertou a atenção
do governador Esperidião Amin (PPB) e do senador Jorge
Bornhausen. É que Santa Catarina, em operação
semelhante a Pernambuco, também emitiu R$ 605 milhões
em títulos (as famosas letras) em 1996 sem ter precatórios
no mesmo valor, lançando a transação às
margens da ilegalidade.
O refinanciamento do débito pernambuco pela União
deixou o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE) do Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), irritado. A autorização
não foi submetida à análise e aprovação
da CAE. O secretário do Tesouro Nacional, Fábio
Barbosa, que autorizou a negociação, já
foi convocado para depor na comissão na semana que vem.
Suassuna garante que, se for constatada alguma irregularidade
no processo, será pedida sua anulação. O
governador catarinense Esperidião Amin já entrou
em contato com o Senado para ver de perto como esta situação
vai evoluir e também para pedir todas as informações
sobre a negociação, informam fontes do Senado.
O senador Jorge Bornhausen e funcionários da representação
do governo do Estado, em Brasília, também estão
buscando informações. Se a operação
de Pernambuco for aprovada também pela CAE, Santa Catarina
poderá tentar reaver parte do dinheiro pago ao Banco Vetor,
durante a negociação dos títulos. Entre
deságio e "taxa de sucesso", o governo catarinense
pagou cerca de R$ 120 milhões, o que corrigido pode chegar
hoje a cerca de R$ 250 milhões, um reforço de caixa
interessante ao governo estadual.
Nesta operação, a União resgataria os títulos
comprados pelas instituições financeiras, repassando
recursos para o Estado, que, por sua vez, pagaria a dívida
com a União em até 120 parcelas iguais e sucessivas.(Cid
Furtado Filho)
Resolução 78 pode
ser desculpa
Segundo análises iniciais de técnicos do Senado,
o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa,
pode alegar que a resolução 78 do Senado pode ser
usada como desculpa para justificar a negociação.
A resolução define as regras para a contratação
de operações financeiras por Estados e municípios.
O texto da resolução diz que "os títulos
públicos emitidos até 13 de dezembro de 1995, para
pagamento de precatórios judiciais, excluídos os
não negociados, poderão ser refinanciados junto
a União em até 120 parcelas iguais e sucessivas,
desde que Estados e municípios emissores comprovem que
tomaram as providências judiciais cabíveis, visando
o ressarcimento dos valores referentes a deságios concedidos
e "taxas de sucesso" pagas". (CFF)
Economia
Câmara corta extras
Içara - Os vereadores de Içara voltaram às
atividades normais na segunda-feira, com a primeira sessão
do ano. Em novembro de 1999, o Legislativo decidiu alterar o
regimento interno da Câmara e reduzir o período
de férias. Dos três meses de recesso anuais, os
vereadores passam a ter um mês de descanso no ano como
os demais trabalhadores, entre 15 de dezembro e 15 de janeiro.
"Foi uma forma encontrada para intensificar o trabalho",
ressaltou o vereador Valmor Rosso (PMDB), autor da proposta.
Outra novidade, aprovada segunda-feira pela Câmara, foi
o corte no pagamento das sessões extraordinárias,
convocadas pelo presidente do Legislativo ou pelo prefeito. "Não
vamos mais receber por essas sessões", explica Rosso.
Os 13 vereadores recebiam, cada um, R$ 330,00 em cada convocação.
De acordo com o presidente da Câmara, Francisco Hortêncio
Mota (PFL), não houve objeções na hora de
votar.
As alterações na forma de trabalhar no Legislativo
de Içara já começam a chamar a atenção.
Para o prefeito Deobaldo Pacheco (PMDB), a redução
nas férias será fundamental para que projetos importantes
sejam discutidos mais rapidamente. "Estamos servindo como
exemplo", destaca Mota.
A iniciativa dos vereadores parece que já despertou interesses
maiores. De acordo com o presidente, representantes de outras
câmaras do Estado já ligaram solicitando informações.
Prefeito de Rio
Negrinho é contra reeleição
Rio Negrinho - O prefeito de Rio Negrinho, Mauro Mariani (PMDB),
é contra a reeleição e acredita que, ao
contrário do que se comenta, os atuais prefeitos que disputarem
a eleição deste ano serão prejudicados e
não beneficiados pela máquina administrativa.
"Se o prefeito-candidato atende ao pedido do cidadão
que necessita de uma obra, é acusado de usar a máquina
administrativa para fins eleitoreiros. Se não atende,
deixa de cumprir sua função de prefeito. É
muito complicado", avalia. Para Mariani, enquanto os prefeitos
precisarão estar na Prefeitura, administrando, os demais
candidatos terão todo tempo livre para dedicarem-se à
campanha eleitoral.
O peemedebista, no entanto, não descarta a possibilidade
de ser candidato. "Quando se está na política
não se tem o direito de tomar decisões sozinho.
É preciso respeitar a vontade do partido". Em Rio
Negrinho, o PMDB coligou-se ao PPB nas últimas eleições
municipais. Para este ano, Mariani garante que o quadro é
de total indefinição graças ao bom entendimento
entre as lideranças políticas dos partidos locais.
"Aqui, em Rio Negrinho, não existe uma forte rixa
política, por isso qualquer aliança é possível",
avisa.
A morte do ex-prefeito de Rio Negrinho Romeu de Albuquerque,
principal nome pepebista na disputa da Prefeitura, tornou o quadro
político de Rio Negrinho ainda mais indefinido. Algumas
lideranças já apontam a viúva do ex-prefeito,
Yelva de Albuquerque, que também é vereadora, como
possível vice-prefeita numa nova composição
com Mariani.
O prefeito não descarta a hipótese de composição,
que pode ocorrer tanto com o PPB quanto com o PFL, mas não
acredita numa chapa única, apesar do bom entendimento
entre os partidos. "É preciso que a comunidade tenha
opção. O debate político é o mais
importante numa campanha eleitoral porque é a hora de
se afinar a orquestra, avaliando os pontos negativos e positivos
para o desenvolvimento da cidade", entende.
Justiça nega recurso de
dois vereadores cassados
Barra Velha - Os vereadores de Barra Velha João Ronaldo
Dutra Leites e Malmede da Cunha, do PMDB, tiveram mandado de
segurança negado na justiça. O juiz substituto
da Comarca de Barra Velha Edson Marcos de Mendonça julgou
improcedente a ação que apontava irregularidades
na comissão processante que resultou no afastamento de
três vereadores no final de dezembro. Os dois peemedebistas
poderão recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ), em
Florianópolis.
Os vereadores do PMDB foram cassados pela Câmara de Vereadores
no final de dezembro depois da abertura de uma comissão
processante que analisou as denúncias do ex-servidor público
Elieu Lino de Aviz sobre irregularidades na administração
pública. As acusações também resultaram
no afastamento do prefeito de Barra Velha, Orlando Nogaroli (PMDB),
e de seu secretário de Administração e Finanças,
João Carlos D'Avila Bittencourt, dos cargos. Nogaroli
terá seu futuro decidido em 3 de fevereiro, quando o TJ
irá julgar o seu recurso para retornar à Prefeitura.
O mandado de segurança só foi solicitado por dois
dos três vereadores cassados. Dinoral Ramos Duarte Ribeiro
(PMDB), filho do prefeito em exercício João Luzia
Ribeiro (PMDB), não entrou com ação para
retornar o cargo. Leites e Cunha argumentaram que foram cerceados
do direito à ampla defesa e que havia irregularidades
no processo de cassação instaurado pela Câmara
de Vereadores de Barra Velha. O juiz taxou o pedido como improcedente.
O vereador Ronaldo Dutra Leites foi apontado como responsável
pela realização de uma licitação
irregular para compra de merenda escolar e pela aquisição
de equipamentos de informática pagos com dinheiro da administração
municipal e depois instalados em seu escritório particular.
Nessa época, em 1998, Leites exercia o cargo de secretário
de Administração e Finanças do município.
Contra o vereador Malmede da Cunha há denúncia
de ter construído uma escola municipal para a Prefeitura
com a empreiteira de mão-de-obra FLP, que é comandado
pelo vereador, mas estaria registrada no nome de seu cunhado.
Já Dinoral Ribeiro é acusado de manter contrato
de prestação de serviços para a Prefeitura
com o aluguel de uma Kombi para transporte de pessoas. (Marco
Aurélio Braga)
Governo veta 43 projetos da AL
Entre os projetos
está o que regulamenta a farra do boi
Florianópolis - O governador Esperidião Amin
(PPB) vetou integral e parcialmente 43 dos 50 projetos aprovados
pela Assembléia Legislativa no último esforço
concentrado do ano passado. Inconstitucionalidade e contrariedade
aos interesses públicos foram as alegações
do governo do Estado ao número de vetos. Entre os projetos
barrados por Amin estão o que institui o Simples, o do
Prodec, o que regulamenta a farra do boi, a briga de galo e o
que estimula o primeiro emprego aos 40 anos.
"O governador esteve na Assembléia Legislativa,
em sua posse, quando jurou que cumpriria e faria cumprir integralmente
a lei. Ao vetar o que é inconstitucional, está
honrando com o seu compromisso", argumentou ontem o secretário
da Casa Civil, Celestino Secco. Segundo o secretário,
os vetos do governador são apenas um cuidado para que
não seja criado "um arcabouço jurídico
sem solução".
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Gilmar
Knaesel (PPB), diz que irá pedir uma reunião das
comissões técnicas da casa para ver porque há
tantos vetos. "Mas uma coisa é certa: o número
de iniciativas parlamentares também está sendo
inédito."
Mais matérias
Segundo Knaesel, em nenhum outro ano o número de propostas
e projetos legislativos superou a quantidade de matérias
encaminhadas pelo Poder Executivo. "E isto ocorreu em 1999",
comemorou. "No meio de tantas matérias pode ser que
tenha havido alguns erros. E, depois, nem tudo que é ilegal
é imoral", justificou Knaesel, lembrando o projeto
de origem parlamentar que prevê a reserva de vagas nas
universidades para alunos carentes. "Este projeto está
entre os 43 vetados, porque vai contra a lei, mas a intenção
de seu ator é louvável, pois tenta corrigir em
termos um problema social", argumenta o presidente da Assembléia.
Knaesel reforça ainda que nunca o Legislativo derrubou
tantos vetos do governador quanto no último ano. "Também
estes vetos vamos analisar. A Assembléia Legislativa tem
a condição de promulgar as leis, derrubando os
vetos do governador. Mas, se fizerem isto, estarão sujeitos
à várias ações jurídicas cabíveis",
avisa o secretário Secco. (Janine Koneski de Abreu)
Leia mais sobre os vetos do governo Amin na página ECONIMIA
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| Leia também |
PT acerta hoje prévias
para escolher candidato
Florianópolis - O diretório municipal do PT
reúne-se hoje à noite para alinhavar o calendário
das prévias que o partido pretende realizar dia 25 de
março para definir o candidato à Prefeitura de
Florianópolis. Esse calendário prevê a realização
de plenárias com os filiados e debates públicos
sobre dois temas principais. O primeiro é programa de
governo e o segundo - e mais delicado - é política
de alianças. Os dois candidatos às prévias,
o suplente de deputado federal Vânio dos Santos e a deputada
estadual Ideli Salvatti, divergem nessa questão.
O grupo ao qual é ligado o ex-deputado federal Vânio
dos Santos, que venceu a eleição ao diretório
municipal com 53% dos votos, defende o rompimento com a Frente
Popular. As principais restrições quanto a alianças
são com o PDT, PPS, PSB, PV e PMN. Defensor de uma coligação
a partir de princípios ideológicos, ele diz que
é contrário a um "ajuntamento de letras".
Vânio lembra que o encontro municipal que deliberou sobre
as restrições foi "o maior da história
do partido na cidade, com cerca de 300 participantes". Militante
da tendência Movimento Socialista, ele cita como partidos
com maiores chances de compor com o PT o PSTU e o PC do B. Contudo,
o PC do B já manifestou sua proposta de reedição
da Frente.
Alianças
Essa também é a postura de Ideli Salvatti, representante
de outra tendência petista, a Unidade na Luta. Tanto que,
junto ao registro de seu nome às prévias, ela protocolou
no diretório municipal um pedido para a realização
de uma plenária para que seja retomada a discussão
da política de alianças.
"Espero que nossa candidatura sirva para reabrir essa discussão
tanto internamente quanto para fora do partido", diz Ideli,
que considera que a decisão do encontro municipal "repercutiu
mal no próprio PT e na sociedade". Ela também
espera que a reunião que empossa o novo diretório
nacional petista, do qual passa a fazer parte, e que acontece
no final de semana, possa definir diretrizes que possibilitem
a reversão da decisão tirada em Florianópolis.
Além de Vânio e Ideli um terceiro nome que se apresentava
como pré-candidato à Prefeitura acabou não
registrando sua candidatura às prévias exatamente
pela discordância com a política de alianças.
Foi Afrânio Boppré, ex-vice-prefeito da Capital,
que perdeu para Angela Amin (PPB) no segundo turno do pleito
de 1996 e é atual suplente de deputado estadual. "Defendo
uma frente que tenha as características da resolução
do PT estadual, que inclui PDT, PSB, PV e discussões caso
a caso em relação ao PPS", diz o militante
da Força Socialista que deve apoiar Ideli.
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