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Lei da Mordaça
ameaça acesso à informação
Entidades e políticos
reagem contra projeto que proíbe divulgação
de dados sobre processos em andamento
Mirela Maria Vieira
A
aprovação, nesta semana, do texto da reforma do
Judiciário com um dispositivo que proíbe membros
do ministério público e juízes de revelar
ou permitir que os meios de comunicação tenham
acesso a informações sobre processos em curso,
revelou a terceira frente montada pelo Palácio do Planalto
sobre o mesmo tema. "Eles (planalto e aliados) estão
com medo. Por isso querem cercear o direito à informação,
porque as falcatruas estão sendo reveladas, estão
chegando ao conhecimento da população brasileira.
Goebbels seria um garoto de calças curtas perto do que
eles estão fazendo", comparou o deputado federal
Carlito Merss (PT), referindo-se a Paul Josef Goebbels, ministro
da Informação e Propaganda de Adolf Hitler, a partir
de 1933.
Só isso justificaria, afirma, o fato de haver dois projetos
sobre abuso de poder, batizados pela imprensa de leis da mordaça,
além da surpresa embutida no texto da reforma do Judiciário.
"É a estratégia deles. Se não consegue
aprovar do seu jeito, entra pelo Senado, através de um
aliado, ou pela Câmara. Ou simplesmente passa despercebido
numa emenda como a reforma do Judiciário", raciocina
Merss. De novembro de 99 até o primeiro mês deste
ano, deputados e senadores aceleraram ou encaminharam dois projetos
de lei sobre o mesmo tema (confira no quadro). O primeiro, de
autoria do ministro da Justiça do primeiro mandato de
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Nelson Jobim, dormia desde
1997 nas gavetas do Congresso.
Ranço
Em novembro de 99, quando esquentava a CPI do Narcotráfico,
tiraram a poeira do documento, através de um "acordão"
capitaneado pelo seu relator na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto 2.961, em 15 de
dezembro com algumas mudanças que, segundo Biscaia, o
tornaram menos "truculento", porém ainda "cerceador
da liberdade de imprensa".
A esperança das oposições e de organizações
como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj),
Associação Brasileira de Imprensa (ABI), sindicatos,
Conselho Nacional dos Procuradores, era enterrar a Lei da Mordaça
através de uma ação junto aos senadores.
Guerra dos celulares
Disputa entre Global e TIM causa redução nos preços
e diversificação nos serviços oferecidos.
AN_Economia |
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No entanto, ainda em dezembro, o senador Jorge
Bornhausen (PFL) apresentou a sua proposta de "mordaça",
que na verdade resgata o texto original do ex-ministro Jobim.
"Não vai cercear o acesso à informação,
apenas vai resguardar o direito do cidadão de não
ter sua honra, sua vida, destruída por causa de divulgação
irresponsável feita por autoridades", insiste em
afirmar o senador.
Saiba mais
As três frentes
no Congresso que reimplementam, na prática, a censura
aos meios de comunicação:
1. Projeto de
emenda constitucional sobre a reforma do Judiciário
Autor - Originado no Executivo, substitutivo ficou
a cargo da deputada Zulaiê Cobra (PSDB).
Tramitação - Foi aprovado no dia 20,
em 1ª votação, por 456 votos a favor, 21 contra
e uma abstenção. Precisa que os destaques sejam
votados antes de voltar a 2ª votação em plenário,
para em seguida seguir para apreciação do Senado.
A "mordaça" - Surpreendendo a todos,
principalmente aos setores organizados da imprensa, o texto base
incluiu dispositivo que proíbe juízes e membros
do ministério público de "revelar ou permitir
que cheguem ao conhecimento de terceiro ou aos meios de comunicação
fatos ou informações de que tenham ciência
em razão do cargo e que violem o sigilo legal, a intimidade
e a honra das pessoas".
As penas - Perda do cargo por decisão do Conselho
Nacional de Justiça, no caso de juiz, e por decisão
do Conselho Nacional do Ministério Público, no
caso de membros da Procuradoria, tomada pelo voto de três
quintos dos membros.
2. Projeto de
lei nº 2.965, de 1997
Autor - Ex-ministro da Justiça Nelson Jobim
incluía em seu texto original os dispositivos do projeto
de autoria do senador Jorge Bornhausen. Modificada através
de um "acordão" entre oposições
e governistas.
Tramitação - Foi tirada da gaveta às
pressas no mês de novembro de 98. Aprovada em plenário
no dia 15 de dezembro. Aguarda para ser apreciada pela CCJ no
Senado.
A "mordaça" - Na mudança do
artigo 4º da lei 4.898, sobre Abuso de Autoridade, de 9
de dezembro de 1965. Artigo 4º - Constitui abuso de autoridade:
l) manifestar o magistrado, o membro do ministério público,
o membro do Tribunal de Contas, a autoridade policial ou a autoridade
administrativa, por qualquer meio de comunicação,
opinião sobre investigação, inquérito
ou processo, ou revelar ou permitir que cheguem ao conhecimento
de terceiros fatos ou informações de que tenha
ciência em razão do cargo e que violem o interesse
público e o sigilo legal, a intimidade, a vida privada,
a honra e a imagem das pessoas.
As penas - Estabelece indenização ao
atingido no valor de R$ 5 mil a R$ 200 mil. Além disso,
detenção de seis meses a dois anos e perda do cargo
e inabilitação para o exercício de função
pública pelo prazo de três anos.
3. Projeto alterando
a lei 4.898, de dezembro de 1965
Autor - Senador Jorge Bornhausen (PFL)
Tramitação - Aprovado por unanimidade
pela Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado, com duas emendas.
A "mordaça" - Está na nova
redação dada ao artigo 4º da lei de 65. Artigo
4º - Constitui abuso de autoridade: l) manifestar o magistrado,
o membro do Ministério Público, o membro de Tribunal
de
Contas, a autoridade policial ou a autoridade administrativa,
por qualquer meio de comunicação, opinião
sobre investigação, inquérito ou processo
sob seus cuidados ou no qual haja oficiado ou deva oficiar;
m) revelar a autoridade pública a terceiros, ou permitir
que seja revelado, fato ou informação de que tenha
ciência em razão do cargo e cujo conhecimento por
terceiros viole ou possa violar o interesse público, a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas;
As penas
Prevê pagamento de indenização pela autoridade
ou servidor público responsável em valor não
inferior a uma nem superior a 20 vezes o rendimento bruto mensal
do lesado. Além disso, detenção de seis
meses a dois anos e multa; perda do cargo e inabilitação
de 3 a 6 anos para o exercício de qualquer função
pública.
Presidente da OAB aponta
retrocesso na democracia
"Enquanto só eram expostos na mídia os
pretos, as putas e os pobres, o Legislativo nunca se preocupou
com abusos. Agora que deputados, senadores, magistrados, autoridades,
são expostos pela mídia, aí não pode
mais", ironiza o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil
em Santa Catarina (OAB), Jefferson Kravchychyn. Fazendo coro
com o procurador-geral do Estado, Walter Zigelli, e com o procurador-geral
de Justiça, José Galvani Alberton, Kravchychyn
classifica as iniciativas de retrocesso no processo democrático,
além de redundantes.
"Todas as penalidades estão previstas nas leis existentes.
É só cumprir o código penal, civil, a lei
de imprensa. É só o Judiciário, por exemplo,
impôr indenizações milionárias a quem
abusar de suas prerrogativas", argumenta, criticando a pretensa
defesa do cidadão argüida por Jorge Bornhausen (PFL)
na defesa do seu projeto.
"O Congresso e o governo federal não estão
interessados em restabelecer a cidadania. Eles estão querendo
proteger o poder. Precisam tomar vergonha e parar de exercer
o poder em favor de interesses internacionais, de bancos, deles
próprios", sentencia Jefferson.
Cuidadoso, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado,
Gilmar Knaesel (PPB), evita corroborar o argumento de que os
políticos estejam legislando em causa própria.
Já o líder do PMDB na AL, Herneus de Nadal, condena
totalmente qualquer lei que restrinja o acesso da imprensa e
conseqüentemente da população às informações.
"Os atos dos homens públicos têm que ser transparentes
e não se pode recuar no tempo, para antes da democracia",
assinala, afinado com Walter Zigelli (PFL) e com o próprio
governador Esperdião Amin (PPB), aliados políticos
de Bornhausen.
Empenhados em formar uma frente para pressionar os parlamentares
e impedir a volta dos "tempos negros da ditadura militar",
lideranças da Federação Nacional dos Jornalistas
(Fenaj), da Confederação Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), sindicatos e do Conselho Nacional dos Procuradores,
reúnem-se nesta semana para discutir o que fazer. "O
pior é que da forma como estão passando, isso só
vai ser estancado através de uma ação concreta
do Palácio do Planalto", avalia Sérgio Murilo,
delegado da Fenaj em Santa Catarina.
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Salão de automóveis norte-americano é um
verdadeiro show de carros-conceito e de novas tecnologias.
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A confiança demonstrada por Bornahusen
na aprovação de sua proposta aumenta a probabilidade
levantada por Murillo. "Não tenho dúvidas
de que vai ser aprovado durante a autoconvocação",
afirmou, sorrindo, no início da semana. (MMV)
Frases
"Isto traz de volta
os tempos negros da ditadura. Não vai impedir que continuemos
trabalhando, mas vai impedir que a imprensa e conseqüentemente
o povo saiba o que os homens públicos fazem com o patrimônio
público."
José Galvani Alberton, procurador-geral do
ministério público de Santa Catarina, em novembro
de 98.
"O caso da Escola
Base é o grande exemplo dos abusos cometidos por autoridades
interessadas em se autopromover. Com a minha proposta, vamos
resgatar a defesa da cidadão. Isso não vai impedir
o trabalho da imprensa."
Jorge Bornhausen, senador e presidente do PFL
"Se esse tipo de lei
do silêncio estivesse valendo em 92, Collor teria ficado
na presidência. O Sérgio Naya não teria sido
preso, nem o Hildebrando Pascoal."
Sérgio Murillo, delegado da Fenaj em Santa
Catarina.
"Esse tipo de projeto
é derivado dos sobreviventes da época da ditadura
militar e dos falsos democratas."
Jefferson Kravchychyn, presidente da OAB/SC.
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| Leia também |
Deputada condena saída
de estruturas federais de SC
Extinção
de escritórios é desprestígio, acusa Luci
Cid Furtado Filho
Especial para A Notícia
Brasília - As estruturas do governo federal que dão
suporte a políticas públicas e prestam serviços
estão passando por um desmonte em Santa Catarina. A denúncia
é da deputada federal Luci Choinacki (PT), que acrescenta:
muitas das representações oficiais estão
apenas se transferindo para o Paraná ou Rio Grande do
Sul, mostrando um claro desprestígio do Estado junto à
União.
Segundo a deputada, o Estado já perdeu definitivamente
a Delegacia Regional do Ministério da Educação
e a Secretaria de Assistência Social da Previdência.
Para resolver qualquer problema relacionado a estas duas entidades,
agora, os catarinenses devem se dirigir a Brasília, o
que causa transtornos e aumenta os custos para o cidadão,
dificultando uma solução.
Em fase de desmonte estão a Delegacia Regional do Ministério
da Fazenda, que está sendo transformada num escritório
de representação, e o Departamento de Fiscalização
e Controle do Banco Central. O escritório regional da
Fazenda vai para Curitiba (PR) e o do Banco Central foi desativado.
Na mira deste processo estão as representações
do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra), Departamento Nacional de Estradas de
Rodagem (DNER), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama),
Ministério da Agricultura e Ministério das Comunicações.
Oficialmente, informa Luci, ainda não existem decisões
sobre a mudança destes órgãos, no entanto,
circulam informações no governo apontando o Paraná
como nova sede regional destas representações.
Na avaliação da deputada catarinense, "o governo
Amin precisa ter um pulso mais firme com o governo federal"
para tentar manter a estrutura pública da União
no Estado. "É um desprestígio político
do governador Amin, ainda mais depois de sempre concordar com
o governo federal. Esses órgãos são importantes
para Santa Catarina. Precisamos dessas estruturas para atender
a população", defende a petista.
Governo contesta as acusações
Na avaliação do governo Amin, as afirmações
da deputada Luci Choinacki (PT) não fazem sentido e estão
distantes da realidade. Segundo o secretário estadual
da Administração e Casa Civil, Celestino Secco
(PPB), as declarações são políticas,
sem nada para embasar o seu discurso. Secco lembra que a defesa
da manutenção das estruturas públicas federais
no Estado faz parte do programa de governo de Esperidião
Amin (PPB), e que este programa foi apresentado à apreciação
da Assembléia Legislativa.
Para Secco, as decisões de fechar escritórios e
delegacias federais em SC são unicamente do governo FHC
e o Estado sequer é consultado. Mesmo assim, o governador
Amin já conseguiu uma vitória nesta batalha: a
reabertura da Delegacia de Patrimônio da União,
afirma. Agora, a luta do governo catarinense é para trazer
para ao Estado uma escritório regional da Anatel, para
substituir a delegacia regional do Ministério das Comunicações,
extinta com a privatização do setor de telecomunicações.
Um dos principais aliados do governador Amin, o senador Jorge
Bornhausen (PFL) também discorda a declaração
de que o Estado esteja sendo desprestigiado pelo governo federal
e aponta a federalização do Besc e a duplicação
da BR-101 como algumas das conquistas junto à União.
"Por mim, o Estado seria menor e mais eficiente. Sou contra
o corporativismo estatal", afirma Bornhausen. (CFF)
Décio define
estratégias para este ano
Blumenau - O secretariado do prefeito de Blumenau, Décio
Neri de Lima (PT), passa o fim de semana enclausurado no Hotel
Fazenda Santo Antonio, em Luiz Alves, participando do seminário
de planejamento estratégico para a última e decisiva
etapa do governo popular. Na pauta, discussões sobre as
prioridades para este ano, e as possíveis composições
nas eleições de 3 de outubro.
Esta é também a oportunidade dos comissionados
de primeiro escalão interessados em concorrer confirmar
sua intenção, dando início oficialmente
à reforma administrativa. Pelo menos 10 secretários
devem se desligar até 2 de abril, prazo previsto pela
lei eleitoral.
O seminário é um fórum de idéias,
mas a lista de ações que vão nortear os
investimentos do governo já foi rezada pelo prefeito desde
o início. Colocar a folha de pagamento da Prefeitura em
dia e evitar atrasos nos salários dos servidores é
o item que encabeça as prioridades.
No campo das obras, os investimentos devem obedecer primeiro
as propostas definidas pelo orçamento participativo, em
que a comunidade sugere os projetos a executar. No ano do sesquicentenário
da cidade, Décio Lima pede aos assessores uma agenda de
eventos de grande atrativo popular. As políticas sociais
serão intensificadas, com os atuais e novos programas
para a infância, adolescência, idosos, erradicação
da pobreza e do desemprego.
O prefeito candidato à reeleição não
se preocupa que o teor das propostas seja considerado eleitoreiro.
Décio justifica que todas as prioridades elencadas são
compromissos do PT e não há como abstraí-las
da pauta de 2000. "Emprego, salários e combate à
pobreza são questões de honra no partido e metas
desde o início do governo", analisa.
Ele prefere chamar 2000 de ano de realizações e
garante que o planejamento, embora ousado, não se fixa
na "irresponsabilidade da gastança". "Posso
perder as eleições, mas não quero perder
a credibilidade", afirma, pregando o equilíbrio das
contas.
REFORMA
As articulações eleitorais também passam
pela agenda do seminário. Décio pediu que até
o final do encontro todos os assessores que desejam se candidatar
se manifestem. Mesmo prevendo a baixa de pelo menos 10 colaboradores
o prefeito acha que não terá dificuldades em definir
uma nova equipe e dar continuidade aos planos da administração.
"Nestes três anos muita gente se revelou preparada,
tanto internamente como na sociedade", afirma.
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