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Governo e AL batem de frente
no orçamento regionalizado
Knaesel insistirá
hoje, em reunião com o secretário da Fazenda, na
manutenção das verbas regionais
Mirela Maria Vieira
A
rejeição do orçamento regionalizado pelo
governo Esperidião Amin (PPB) vai colocar a Assembléia
Legislativa (AL) mais uma vez em rota de colisão com o
Executivo, caso o presidente da AL, Gilmar Knaesel (PPB), e o
secretário da Fazenda, Antônio Carlos Vieira (PPB),
não cheguem a um consenso na reunião marcada para
hoje em torno da lei orçamentária para 2000. Até
agora, o orçamento deste ano ainda não foi sancionado
pelo governador. "O orçamento regionalizado é
um compromisso dos 40 deputados. Podemos derrubar emendas individuais,
mas vamos manter os R$ 29 milhões do regionalizado",
garante Knaesel.
O orçamento para este ano é de R$ 4 bilhões,
para custeio, pagamento de dívidas e investimentos nas
diversas áreas. "O deputado me pediu para conversarmos
sobre a lei orçamentária. Basicamente sobre os
equívocos cometidos pela AL na lei", sintetizou Vieira.
O embate foi gerado pelas declarações feitas pelo
Palácio e por Vieira, na semana passada, após o
governador vetar 79 dos 105 projetos de lei aprovados em dezembro.
O secretário da Casa Civil, Celestino Roque Secco (PPB),
acusou os parlamentares de desconhecerem princípios básicos
para a formulação de leis. Vieira também
disparou contra os parlamentares, anunciando que a maior parte
das emendas estava eivada de erros e inconstitucionalidades,
além de extrapolar o limite de R$ 12 milhões imposto
pelo Executivo.
"Recomendei ao governador que aprovasse com as emendas mesmo
e sugeri um veto no corpo da lei", disse Vieira, assinalando
que seria impossível a execução das emendas
fora do limite. O dispositivo no corpo da lei refere-se à
obrigatoriedade do Executivo em cumprir o orçamento regionalizado.
Comentário
Desmotivação desafia
cúpula
Cláudio Prisco
O senador Geraldo Althoff (PFL) tem pela frente um grande
desafio: mobilizar o partido com vistas às eleições
municipais de outubro. Nestes dois meses e meio em que o deputado
Paulo Bornhausen estiver no exterior, a missão do presidente
interino é introduzir um cronograma de viagens capaz de
motivar a sigla, que anda meio desalentada nas diversas regiões
do Estado. Os motivos são vários: desde as constantes
oscilações da cúpula até a inexpressiva
representatividade da legenda na administração
estadual.
Com a ausência de Paulo Bornhausen, os dirigentes municipais
da Frente Liberal ficam mais à vontade para focalizar
questões controvertidas, a começar pelas guinadas
das direções estadual e nacional em Santa Catarina.
Em 90, coligação com o então PPR de Esperidião
Amin, com ele correndo ao Senado e Vilson Kleinübing ao
governo. Em 94, apoio a Paulo Afonso Vieira (PMDB), no segundo
turno contra Angela Amin. Em 98, Jorge Bornhausen formando uma
nova dobradinha com Esperidião Amin, que já havia
sido vencedora em 82.
São José é um exemplo típico: apesar
de pesadas divergências locais, ao longo da história
recente, PPB e PFL sempre procuraram composições
para atender ao apelo dos caciques políticos. Em 96, o
PFL foi induzido a acertar os ponteiros com o PMDB. Depois de
quase quatro anos, a sintonia é perfeita. A solução
natural seria repetir a dose. Mas agora a orientação
é em sentido inverso. O problema é que as arestas
entre liberais e progressistas se acentuaram consideravelmente.
O prefeito Dário Berger tem um quadro delicado a ser contornado.
Com a morte de Geraldo Werninghaus (Jaraguá do Sul), o
PFL praticamente só ficou com São José,
dentro dos 12 maiores municípios catarinenses. O empenho
será para reeleger Dário, garantir o retorno às
prefeituras de Lages e Brusque dos deputados Raimundo Colombo
e Ciro Roza, e a eleição do secretário Paulo
Gouvêa da Costa, em Blumenau. Só assim para o partido
ficar com 1/3 das cidades de grande porte. E aí em condições
políticas de pleitear uma maior participação
no governo Amin, a começar pelo primeiro escalão.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Deputados estão
inconformados
Inconformados com a desmoralização promovida
pelo Executivo, os deputados acionaram os técnicos da
comissão do orçamento na AL, além de suas
próprias assessorias para analisar o parecer da Fazenda.
"O governo deixou furos, como, por exemplo, não destinou
recursos para cumprir com o artigo 170 (concessão de bolsas
para o ensino superior), que este ano necessita de R$ 15 milhões.
Outro exemplo a não previsão de recursos para construção
das rodovias que estão orçadas", revela Gilmar
Knaesel, e acusando o Executivo de ter tentado "dar um rasteira"
no parlamento.
"O João Rosa (PTB, relator do orçamento),
acabou incluindo cinco dispositivos do texto da lei do orçamento
do ano passado", explicou Gley Fernando Sagaz, assessor
parlamentar da Casa Civil, sobre os problemas com a proposta
orçamentária. (MMV)
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