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Amin sanciona
hoje o orçamento
Governo e Assembléia
finalizam acertos na lei aprovada em 99 e definem emendas a serem
vetadas
Mirela Maria Vieira
O
governador Esperidião Amin (PPB) sanciona hoje a proposta
orçamentária do Estado para o ano 2000, depois
de acertar com o presidente da Assembléia Legislativa,
Gilmar Knaesel (PPB), quais emendas parlamentares serão
vetadas. O projeto do orçamento foi encaminhado ao Palácio
Santa Catarina ontem no final da tarde pelo secretário
estadual da Fazenda, Antônio Carlos Vieira (PPB), depois
das correções feitas por técnicos da Fazenda
e da Comissão do Orçamento da Assembléia.
"Não posso mexer nas emendas, pois foram aprovadas
em plenário. A única solução para
aprovar o orçamento e permitir que o governo continue
a trabalhar é o governador vetar algumas das emendas individuais,
que depois seriam rediscutidas na volta do recesso, quando teremos
que apreciar os vetos", disse Knaesel, que reuniu-se ontem
à noite com a Comissão do Orçamento, já
que não pode participar do encontro na Fazenda.
Knaesel salientou que não vai abrir mão dos R$
29 milhões para o orçamento regionalizado, prioridade
também para os líderes do PPB na AL, Ivan Ranzolin,
e do PDT, Jaime Mantelli.
No total, o orçamento de 2000 prevê R$ 4,2 bilhões,
sendo que para investimentos, diretos e das empresas estatais,
o montante não chega a R$ 1 bilhão. Na tarde de
ontem, a Comissão do Orçamento da AL corrigiu as
"falhas técnicas", acertando débito e
crédito divergentes no texto da lei e no anexo, justamente
porque os deputados elaboraram emendas e não atualizaram
os valores, segundo Vieira.
Knaesel reconheceu que os parlamentares se excederam na apresentação
de emendas individuais, para as quais o governo estadual destinou
R$ 12 milhões, ou R$ 300 mil para cada um dos 40 deputados.
O próprio relator da proposta, deputado João Rosa
(PTB), denunciou a desfiguração do projeto aprovado
em plenário na última sessão da AL, em dezembro.
Erros técnicos
No entanto, o governo também incorreu numa série
de erros técnicos, como preferem classificar os deputados.
Isto, apesar de todo o trabalho de análise e adequação
de emendas parlamentares e do orçamento regionalizado
ter sido feito em conjunto por profissionais da Secretaria da
Fazenda e da AL.
"Fui o responsável pela emenda que garante as verbas
para o cumprimento do artigo 170 (para bolsas de estudo no ensino
superior catarinense). Outra emenda destinou recursos para obras
do DER, em que estava orçada a construção
de uma rodovia, mas esqueceram de orçar o projeto de engenharia,
que vem antes. Creio que as duas assessorias técnicas
(Fazenda e AL) não conseguiram se entender", critica
Joares Ponticelli (PPB), líder do governo na AL.
Papanduva
Localizada no Planalto Norte e com pouco mais de 16 mil habitantes,
Papanduva ainda conserva a mata intocada.
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O pedetista Jaime Mantelli também aponta
erros do Executivo, mas condena a avalanche de proposições
individuais feitas pelos parlamentares, prejudicando o regionalizado,
que seria uma forma de impedir o uso eleitoral de recursos pelos
deputados junto às suas bases.
Sejam quais forem as emendas vetadas pelo governador, deverão
ser objetos de negociação quando a AL apreciar
os vetos, em fevereiro, quando também já devem
estar definidos os recursos que o governo federal vai destinar
a Santa Catarina no seu orçamento para 2000.
Desarticulação palaciana
causa descontentamentos na AL
Cláudio Prisco
A sorte do governo é que não vai ter auto-convocação
da Assembléia para apreciar a problemática das
rodovias e respectivas concessões. Boa parte dos líderes
da base de apoio oficial não esconde o profundo descontentamento
com o comportamento do Palácio Santa Catarina neste episódio
dos vetos. Destaque para as declarações do penta-secretário,
Celestino Secco, que criticou duramente os parlamentares pela
baixa qualidade dos projetos apresentados e aprovados no apagar
das luzes do ano passado, antes do recesso do Legislativo.
O mal-estar gerado pela afirmações de Secco foi
de tal ordem que o secretário, principal articulador político
do governo, sequer apareceu no encontro de segunda-feira dos
deputados com o governador Esperidião Amin, no próprio
palácio. Alguns parlamentares manifestaram ao governador
"inconformidade" com a postura adotada pelo colaborador
palaciano. Amin desviou a atenção do assunto, alegando
não ter lido as colocações do titular da
Casa Civil.
Se qualquer matéria encaminhada pelo Executivo fosse hoje
submetida à consideração da Assembléia,
seria derrota na certa. Vale lembrar que o preenchimento da última
vaga de conselheiro do Tribunal de Contas está prevista
para a segunda quinzena de fevereiro. Se até lá
o quadro não for revertido, as oposições
até poderiam ressurgir da cinzas, com perspectivas, quem
sabe, de emplacar a vaga do TCE.
ELEIÇÕES
Outra situação que está causando desconforto
à coligação Mais Santa Catarina tem relação
direta com o pleito de Blumenau. O governo está abertamente
apostando todas as suas fichas na candidatura do secretário
do Desenvolvimento Econômico e Mercosul, Paulo Gouvêa
da Costa (PFL).
Está acordado entre Amin e o senador Jorge Bornhausen
(PFL) que o PPB precisa fechar com o PFL em Blumenau e Lages,
elegendo um deputado federal (Paulo Gouvêa) e o primeiro
suplente Raimundo Colombo no principal município da Serra.
Bem sucedida essa operação, com a eleição
da dupla pefelista, Pedro Bittencourt seria efetivado na Câmara.
Esse compromisso de Bornhausen seria cumprido com quem presidiu
o PFL catarinense num momento delicado (transição
entre a coalizão do PFL com o governo Paulo Afonso e a
posterior aliança com o PPB). E ainda perdeu a convenção
do partido na disputa com Paulo Bauer, quando foi escolhido,
em 98, o vice de Amin.
Para o governador bancar esse acordo pefelista, teria que contemplar
politicamente o deputado Ivan Ranzolin e atropelar o correligionário
João Alberto Pizzolatti no processo de Blumenau.
Ele até pode não ter densidade eleitoral para disputar
com Paulo Gouvêa, mas um gesto de rebeldia, passando a
apoiar o PMDB de Renato Vianna ou o PT de Décio Lima,
poderia determinar o resultado da eleição que,
como se sabe, não terá segundo turno.
Conselho adia
intervenção em seis municípios
Florianópolis - Embora solicitasse dos membros do Conselho
de Governo uma cobrança "mais acintosa" dos
prefeitos cujos municípios estão ameaçados
de intervenção pelo não pagamento de precatórios
(dívidas vencidas na Justiça), o governador Esperidião
Amin (PPB) não decretou intervenção em nenhum
dos seis cujos processos foram apreciados ontem.
Por enquanto, os municípios de Corupá, Jaguaruna,
Porto União, São Joaquim, Gravatal e Criciúma
estão livres da intervenção do Estado, medida,
que segundo o procurador-geral do Estado, Walter Zigelli (PFL),
"não teria muito efeito prático". O próprio
Estado é objeto de oito ordens de intervenção
originadas de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)
e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A estratégia adotada pelos membros do Conselho de Governo
é pressionar os prefeitos para incluir em seus orçamentos
o pagamento dos precatórios, principalmente os trabalhistas,
abrindo prazos para a solução das dívidas.
"O pagamento de crédito trabalhista tem que ser priorizado",
salientou o governador na reunião de ontem.
Prazos
Porto União que tem um passivo sobre desapropriação
de imóvel cujo processo contabiliza R$ 500 mil, ganhou
um prazo de 60 dias, solicitado pelo relator do processo no Conselho,
deputado Ivan Ranzolin (PPB). No caso, a Prefeitura rejeita o
valor apontado e avalia a dívida em R$ 150 mil. Junto
com o prazo concedido ao município, Amin passou a Ranzolin
mais dois novos pedidos de intervenção em Porto
União.
Gravatal, que está pagando precatórios trabalhistas
no valor de R$ 12 mil, também conseguiu 60 dias de prazo,
para acertar outro débito trabalhista avalizado em R$
45 mil.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
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Pendências
Corupá - precatório trabalhista
Decisão - aguardar o julgamento do recurso impetrado
pela Prefeitura no Tribunal Superior do Trabalho (TST)
Jaguaruna - precatório trabalhista de R$ 1,3
mil
Decisão - sobrestamento do processo até
que seja quitada a última parcela do precatório,
em fevereiro
Porto União - precatórios trabalhistas e
desapropriação de imóvel
Decisão - prazo de 60 dias para apresentação
do parecer conclusivo
São Joaquim - Precatórios trabalhista e
judicial
Decisão - prefeito será comunicado sobre
exigência legal de quitar os passivos
Gravatal - precatórios trabalhistas
Decisão - prazo de 60 dias para apresentação
do parecer, já que um precatório, no valor de R$
45 mil, está sendo negociado. O outro, de R$ 12 mil, foi
acertado
Criciúma - precatórios trabalhistas e judiciais
Decisão - parecer será apresentado na reunião
do conselho na segunda quinzena de fevereiro
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