Joinville         -          Sábado, 29 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















FOCO
Operadoras em Santa Catarina criaram planos específicos para atender ao consumidor

Consumidor ganha na
guerra dos celulares

Disputa entre Global e TIM causa redução nos preços e diversificação nos serviços oferecidos

Redução dos preços das tarifas, diversificação de serviços e criação de planos adaptados ao bolso dos clientes foram os principais benefícios da concorrência na telefonia celular em Santa Catarina, na opinião dos usuários. "Até a privatização, havia fila para comprar celular. Hoje, o cliente já sai da loja conversando pelo aparelho", afirma o diretor comercial da TIM Celular para Santa Catarina, Ari Boehme. Os preços das tarifas cobradas pela empresa caíram 26%, desde que a Global Telecom entrou em operação, há um ano.
Com os preços mais em conta, muita gente que não imaginou um dia ter acesso aos celulares participa hoje da conquista. O mais forte indicador disso é a demanda pelo Pronto, o celular da TIM que usa cartão e dispensa conta telefônica. Atualmente, ele representa 70% das vendas.
Para a cabelereira Vanderlete Meyer, o celular adquirido em 1996 foi a única solução para garantir o contato com família e clientes, a qualquer hora do dia. "Na época, o telefone fixo no bairro Vila Nova (na zona Oeste de Joinville) custava R$ 4,5 mil e demorava anos para ser ligado". Mas a solução, segundo ela, virou um problema mensal, no momento em que chegava a conta para pagar. "Eu pagava uns R$ 250,00 por mês, com a entrada da Global, a TIM lançou o pacote extra-light. Hoje, minha conta não ultrapassa R$ 50,00."
Mesmo com a vantagem, Vanderlete reclama que os preços das tarifas continuam altos. Em todo o País, as operadoras do sistema justificam as tarifas cobradas pelo investimentos efetuados, principalmente para ampliar a cobertura.
Aventura em livro
A jornalista Leilane Neubarth relata a experiência do rali Granada-Dacar no livro "Faróis de Milha".  AN_Tevê 
A velocidade do crescimento da área de atuação impressiona. Até fevereiro, a Global Telecom pretende alcançar uma faixa de cobertura em Santa Catarina que a concorrente levou quase sete anos para conseguir. A TIM, atualmente, atinge 80% do Estado. (Adriana Zoch)

Saiba mais sobre a telefonia celular

Área de cobertura

Refere-se à área geográfica onde é possível que um aparelho celular se comunique com uma estação e receba, assim, as ligações.

Área de concessão
Refere-se à área geográfica delimitada pelo Ministério das Comunicações onde uma concessionária pode explorar serviços de telefonia. No caso da Global Telecom, a área de concessão são os estados do Paraná e de Santa Catarina. A TIM opera nos dois Estados e na região de pelotas

Banda A
Foi a concessão inicial para implantação do sistema de telefonia celular dada às antigas estatais de telecomunicações (no caso de Santa Catarina). O braço dessas empresas que opera com telefonia celular foi privatizado no ano passado e funciona em uma faixa de freqüência próxima a 800 megahertz. com a privatização, a Telesc Celular rompeu o vínculo com a Telesc (que opera exclusivamente com telefonia fixa). Os serviços de telefonia celular em vigor atualmente são analógicos. Agora é que estão iniciando as operações do sistema digital, disponibilizados tanto pelas empresas concessionárias da Banda A como da Banda B.

Banda B
Designa outra faixa de freqüência (praticamente o dobro da freqüência da Banda A) onde vão funcionar os sistemas de telefonia celular digital das empresas concorrentes das estatais privatizadas. A Global Telecom tem a concessão exclusiva para operar na Banda B em Santa Catarina e no Paraná. Na faixa de freqüência da Banda B, a penetração do sistema é mais restrita, o que exige torres mais próximas ou aumento da potência para atingir uma área de cobertura maior. É neste ponto em que estão concentrados os investimentos das empresas concorrentes, como a Global Telecom. Quanto maior a área de cobertura, menor o risco de ouvir a gravação que mais incomoda o usuário atual: "O telefone está fora da área de serviço".

CDMA
(Code Division Multiple Access ou Acesso Múltiplo por Divisão de Código). É o padrão digital adotado pela Global Telecom. A capacidade de operação do CDMA é de três vezes maior que o TDMA. Ou seja, uma estação de transmissão de sinais via CDMA tem capacidade triplicada em comparação com a do TDMA.

Roaming
É o nome dado à mudança de uma área de serviço para outra. É o roaming que
possibilitará o uso de seu aparelho fora
da área de concessão da empresa onde foi habilitado.

Sistema Analógico
Utiliza transmissão de dados em forma de ondas de rádio, mais suscetíveis a ruídos e interferências, além de consumir mais bateria.

Sistema Digital
Utiliza como forma de transmissão sinais binários, como nos computadores, que requer menor consumo de bateria, dá maior segurança e permite agregar recursos como bina (identificador de chamadas) e possibilidade de receber mais de uma ligação ao mesmo tempo.

TDMA
(Time Division Multiple Access ou Acesso Múltiplo por Divisão de Tempo). É o padrão digital adotado pela TIM Celular. A capacidade de operação do TDMA é de 3 vezes a do sistema analógico.

Fontes: Global Telecom e TIM Celular


Procura por celular é
grande em S. Catarina

Operadoras fazem esquema especial para atender os turistas no litoral

Joinville - Os números das duas concessionárias de telefonia celular no Estado comprovam o crescimento rápido e expressivo de usuários do sistema. A Global Telecom esperava sair do zero em janeiro de 99 para 150 mil clientes nos estados do Paraná e Santa Catarina, até o final do ano passado. Fechou com 170 mil, dos quais 30% em Santa Catarina.
Na TIM Celular, a carteira de clientes no Estado aumentou 70% em 1999, alcançando hoje 450 mil. O número de funcionários na operadora triplicou e lá para cá, chegando a 1,2 mil. Para este ano, a TIM quer atrair mais 500 mil novos usuários nos dois estados.
Mas o número de clientes quase virou problema com a chegada do verão. Entre os clientes da TIM Celular, as queixas eram constantes. Ligar da praia para a cidade de origem era um verdadeiro exercício de paciência. O resultado foram longas filas nos orelhões. O diretor Ari Boehme, afirma que os problemas não foram tão grandes no litoral catarinense. A concessionária envolveu 200 técnicos em novembro para garantir o atendimento dos usuários nas praias, para onde foram deslocadas estações móveis e instaladas novas.
Para evitar problemas, a Global reforçou a infra-estrutura para atender os veranistas. Praticamente dobrou a cobertura no litoral catarinense. Só no Norte foram instaladas nove estações em São Francisco do Sul, Barra Velha, Piçarras, Penha e Barra do Sul. O investimento foi de R$ 8 milhões. (AZ)

Disputa causa embaraço
entre os consumidores

Joinville - A guerra dos celulares, como é classificada a disputa pelo mercado entre as operadoras, ainda provoca muita confusão entre os consumidores. No momento em que ocorre um problema no serviço, o cliente tende a culpar imediatamente a operadora escolhida.
Do início da concorrência para cá, os usuários digitais do sistema no Estado se livraram de outros apuros. Um deles, era a disputa para conseguir um aparelho novo, ou na troca do analógico por um digital. Inicialmente, todos os aparelhos eram importados ­ muitos já estão sendo fabricados no Brasil -, tantos os da tecnologia CDMA (Global) quanto da TDMA (TIM). Em alguns períodos muitos ficaram escassos nas lojas, o que dificultava ao pretendente a usuário comparar preços e vantagens tecnológicas. Além da alta demanda, que eleva preços, a desvalorização do dólar criou um embaraço adicional.
Rápidas nas soluções, as operadoras passaram a bancar parte do custo do cliente com o aparelho, como ocorre ainda hoje, só que em menor escala. Dependendo do potencial de uso do cliente, ele levava o aparelho de graça. Atualmente, sobram aparelhos e há inúmeros pontos de vendas, entre lojas próprias e terceirizados. Há um ano, o aparelho mais barato saía por R$ 379,00. Hoje, em tempos de promoção, já chegou a custar apenas R$ 179,00.


Produtores colhem mais
uvas na região de Videira

Município é responsável por quase 30% da safra de SC

Frutuoso Oliveira

Videira - A safra de uva deste ano em Videira, o principal pólo produtor no Estado, ficará dentro da expectativa dos produtores, superando a produção do ano passado. Segundo a secretaria municipal de agricultura, devem ser colhidas cerca de 10 mil toneladas da fruta, 4% a mais que no ano passado. A uva está sendo comercializada entre R$ 0,40 e R$ 0,60 o quilo nas cantinas e R$ 1,50 para o consumo in natura. Segundo o secretário João Munaro, a produção deve ficar em torno de 18 toneladas por hectare plantado. Em Videira são 680 hectares da fruta, mas cerca de 20% deles ainda não estão em produção total.
Para os próximos anos é bem provável que haja um crescimento na produção, principalmente pelo fato de que estão surgindo até 40 hectares por ano de novos parreirais. Eles vem carregados de novas tecnologias e recebem acompanhamento especializado, que garantirá uma boa produção no futuro.
A variedade Niagara, segundo levantamentos preliminares, deve produzir menos neste ano, em comparação com 1999. A Isabel, por sua vez, deverá apresentar modesto crescimento. "Em Videira já chegaram a ser colhidas 21 mil toneladas de uva e houve realmente uma queda na produção, mas a tendência a partir de agora é que ela volte a crescer."

CANTINAS

O crescimento se justifica principalmente pela demanda. Toda a produção é consumida absorvida pelas cantinas da região que ainda importam uva do Rio Grande do Sul para dar conta da produção de vinho.
Segundo o presidente da Coopervil, Luiz Vicente Suzin, as empresas que integram o Sindicato do Vinho devem importar juntas cerca de 3 mil toneladas da fruta. Esta mesma quantidade é o que a Cooperativa sozinha consome anualmente para produzir seus vinhos.

Produtor quer
mais qualidade

A safra de uva na região - Videira, Tangará, Pinheiro Preto, Iomerê, Rio das Antas e Fraiburgo - deve atingir 23 mil toneladas, 65,71% da produção previsto para Santa Catarina. A produção deverá atingir 35 mil toneladas. O gerente regional da Epagri de Videira, Edgar Luiz Peruzzo, afirma que mais do que a preocupação com a quantidade de uva produzida na região, os produtores estão interessados em aumentar a qualidade do produto oferecido aos consumidores.
Picapes do século 21
Salão de automóveis norte-americano é um verdadeiro show de carros-conceito e de novas tecnologias.  AN_Veículos 
Há dez anos iniciou-se um trabalho em torno da promoção da uvas especificamente elaboradas para o consumo "in natura" e hoje os resultados são os melhores possíveis. "Quem está implantando parreiral hoje procura assistência técnica que lhe dê acompanhamento", destaca Peruzzo.
A retomada no plantio de parreirais iniciou há dois anos e num futuro próximo deve acabar com a importação de uva de outros Estados pelos fabricantes de vinho. "Hoje o produtor sabe que é muito mais interessante plantar uva do que trabalhar com o pêssego e ameixa e isso está motivando a implantação de novos parreirais." (FO)


Pessego 1 - A safra de pessego em Arroio Trinta, um dos principais produtores catarinenses, registrou uma quebra de 20%. Os 120 fruticultores deixaram de colher 600 toneladas. As perdas foram causadas pelas fortes geadas durante a primavera, período em que acontece a floração, e pela estiagem em novembro. A colheita se concentrou num único período, o que causou superoferta e a retração nos preços. Os produtores recebem R$ 0,30 por quilo.

Pessego 2 - A falta de câmara-fria para armazenar as frutas também preocupa os fruticultores. "O município só conta com quatro câmaras, com quarenta toneladas de capacidade cada uma, o que permite apenas estocar 6,67% da safra. "Se houvesse mais câmaras, a fruta poderia ficar estocada de vinte a trinta dias, o que não causaria uma superoferta." O baixo poder aquisitivo da população também é outro aspecto negativo.

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09/01 - Reflexos da maxidesvalorização do real
02/01 - Agricultura busca novos rumos
26/12 - Os novos rumos da economia catarinense
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Ambulantes reclamam da queda nas vendas

Vendedores nas praias dizem que argentinos estão comprando menos

Florianópolis/Balneário Camboriú - As vendas caíram e os brasileiros estão comprando mais do que os argentinos. Esta é a opinião dos vendedores ambulantes, que circulam pelas praias de Florianópolis durante esta temporada de verão. A praia da Joaquina, em dias de campeonato de surf, é junto com Canasvieiras um dos locais preferidos. Ao chegar na Joaquina já se vê uma pequena feira de produtos artesanais, que reúne uma dezena de barracas. Ali vende-se camisetas, vestidinhos em pano de fralda, cangas e algumas bijuterias. Maura Ignácio monta seu pequeno estande por volta das 7 horas e só o fecha após o por do sol. A vendedora diz que neste ano as vendas estão bem mais fracas que nos anos anteriores, embora o movimento de turistas esteja visivelmente maior. "Este ano vendi cerca de 60% do que fiz no ano passado neste mesmo período." Um dos vizinhos de Maura, Veroni Albino disse que nestes dois meses vendeu apenas R$ 2 mil.
Na areia, as figuras mais conhecidas são os nordestinos vendendo mantas e redes. Francisco Fernando de Souza veio da Paraíba há três meses para trabalhar na praia. Ele acha que nesta época há pelo menos mil paraibanos fazendo o mesmo. Pela manhã eles vão buscar a mercadoria em caminhões, que ficam estacionados próximos à cabeceira insular da Ponte Colombo Salles. Em seguida vão às praias e depois devolvem aos caminhões o que não foi comercializado. Francisco diz que a diferença do ano passado para este é que neste ano os brasileiros compram tanto quanto os argentinos.
A única reclamação dos ambulantes é com a fiscalização da Prefeitura Municipal de Florianópolis. "Eles estão sempre no pé da gente, e já chegam tirando o material", denuncia.

BALNEÁRIO CAMBORIÚ

O comércio de ambulantes nos sete quilômetros de orla marítima da praia Central de Balneário Camboriú reúne pessoas de vários Estados. Marlene Diogo da Silva, 44 anos, está em Balneário Camboriú há seis. Natural de União da Vitória, interior do Paraná, veio com a família ganhar a vida no maior pólo turístico de Santa Catarina. Sua jornada começa às 5 da manhã e estende-se até as 18, 19 horas. Este ano trouxe sua filha de 20 anos, Janaina Nunes de Faria, para ajudá-la. "Por enquanto a temporada está ótima', salienta Marlene. "Se trabalhar bastante dá para tirar até R$ 3 mil no final do mês", afirma.
Outro que passa o verão trabalhando é Jairo Luís Monteiro Filho. Aos 18 anos ele vende há pelo menos nove produtos na beira da praia. Deixou o ramo de alimentação para dedicar-se a venda de vestidos. "Vende bem, as argentinas são minhas melhores clientes", afirma o rapaz que diz ganhar R$ 600 por mês durante a temporada de verão. "No resto do ano não faço nada, os empregos de inverno dão muito pouco dinheiro", continua. Ele trabalha das 10 às 20 horas.
A dona de um ponto de venda de milho e churros está mais animada com esta temporada de verão. "No final da temporada dá para tirar uns R$ 7 mil", explica Maria Aparecida Dias dos Santos, de 28 anos. (Janine Koneski de Abreu e Cristiano Escobar Maia)

Vendedores de redes usam bom humor como marketing

Balneário Arroio do Silva - A alegria talvez seja o principal atrativo dos vendedores de rede de Paraíba. Os irmãos Luziver, 23 anos, e Luzivan Bezzerra de Araújo, 21, deixaram a pequena São Bento do Paraíba, para vender suas redes nas praias do litoral catarinense e gaúcho. A alegria e a facilidade com que conseguem fazer amizade com turistas e moradores locais, é, com certeza, a melhor arma de marketing que possuem. Isso, sem contar as redes fabricadas de forma artesanal.
"Era isso que a gente fazia antes de sair por essas estradas vendendo", diz Luzivan apontando para as redes. Segundo ele, a cidade de São Bento pode ser considerada a capital brasileira da rede. Os irmãos Araújo saíram do interior paraibano junto com mais dois amigos no final de outubro para trabalhar no litoral sul. Essa já é a segunda vez que passam pelo Balneário Arroio do Silva, no Sul do Estado, e pretendem ficar até final de fevereiro.
De acordo com Luzivan, quando as vendas estão boas, cada um chega a vender até 400 peças. "Esse ano não está bom, mas também não podemos nos queixar", afirma ele, que acredita chegar a 300 peças durante esta temporada. O preço das redes varia entre R$ 20,00 e R$ 80,00. As mais caras recebem um acabamento maior.
Cada peça rende aos vendedores 15% do seu valor. Quanto acaba o estoque de redes, os vendedores entram em contato com os fabricantes em São Bento, que enviam mais mercadorias. Durante os meses de frio, os vendedores retornam para sua cidade e voltam a trabalhar na confecção das redes que irão vender durante a temporada de verão.
O comércio informal no centro de Balneário Arroio do Silva teve um acréscimo de quase 30% este ano. De acordo Arvil Anselmo Hilário, do setor de Tributação da prefeitura, estão cadastradas cerca de 70 lojas de confecção e mais de 20 barracas montadas ao redor da praça Central. O número de ambulantes, vendedores de bebidas, água, sucos, picolés e redes, que transitam pela praia, também aumentou, chegando a quase 30 este ano. (Marli Vitali)

 
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