Joinville         -          Domingo, 30 de Janeiro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Vinho

Santa Catarina é o segundo maior produtor nacional de vinhos, com 17 milhões de litros anuais, ou 15% do País

Consumo maior anima
vinicolas catarinenses

Produtor de vinho investe para seduzir paladar exigente

Marli Rudnik

Os brasileiros estão descobrindo a cada gole, os prazeres da degustação de vinho. O uso da bebida associado à qualidade de vida e saúde se intensificou nos últimos cinco anos e fez aumentar o consumo per capita do País, de 1,8 para 2,5 litros anuais. Ainda não é nada se comparado à sede dos italianos, que bebem 52 litros per capita anuais, mas o marketing do vinho tem incentivado produtores a investir em qualidade para seduzir o mais exigente paladar.
O volume de produção de vinhos no Estado está longe dos padrões do vizinho Rio Grande do Sul, responsável por 80% da bebida consumida no mercado nacional. Santa Catarina ocupa a segunda posição, com 15% da fabricação de cantina do País, o que representa 17 milhões de litros anuais. Somente o Vale do Rio do Peixe responde por 90% deste volume, ou 15 milhões de litros anuais. Os 10% restantes estão nas regiões Sul (Urussanga) e Vale do Itajaí (Rodeio e Nova Trento), onde a colonização italiana deixou a vinicultura como herança cultural e econômica.
Pinheiro Preto, a 20 quilômetros de Videira, no Meio-oeste, que tem uma população de 3.700 habitantes, é o maior produtor de vinhos do Estado. As 16 indústrias da cidade despejam no mercado a cada ano, cerca de 8 milhões de litros - quase 50% da produção catarinense. Em toda a região são 32 as empresas beneficiadoras registradas, mas muitas pequenas propriedades mantém a produção para entrega às grandes cantinas.
O vinho produzido no Vale do Rio do Peixe tem mercado garantido em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, que levam 70% do volume total. O restante é distribuído no Estado. Segundo o técnico em enologia Clodemir Magiolaro, responsável pela produção de vinhos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC), 80% da produção da região é vendida embalada, com rótulo da própria cantina. Somente 20% seguem a granel para engarrafadoras de outros estados.
A vinicultura ainda gera números positivos na criação de empregos. No Meio Oeste são 300 vagas diretas, que crescem 50% no período de safra, mas outras centenas de empregos surgem nos vinhedos, que não param de crescer.
Não ao estrelato
A Guerreira de "O+" experimenta o sucesso fulminante que a sensualidade proporciona. Mas a bela cabocla garante que não quer ser estrela.  AN_Tevê 
Hoje são 400 propriedades, com 1,2 mil hectares plantados, que entregam 95% da safra às cantinas. Neste ano serão plantados mais 100 hectares, e outros 300 hectares até 2002. Magiolaro explica que os novos parreirais irão suprir a demanda da indústria, que hoje beneficia cerca de 21 mil toneladas de uvas, mas produz 13 mil toneladas. "O restante, cerca de 8 mil toneladas, é comprado do Rio Grande do Sul."


Mercado é promissor
para os produtos nobres

Rodeio - Se o mercado é promissor para os vinhos comuns, o otimismo é ainda maior entre os produtores de vinhos nobres. No Médio Vale do Itajaí, a Vinícola San Michele, de Rodeio, uma das principais cantinas de vinhos de guarda do sul do Brasil, aumentou em 30% a produção em 1999, e mesmo assim não tinha mais estoque em outubro. Seu faturamento deu um salto de 45% no período.
A Vinícola Neo Trentina, de Nova Trento, deve incrementar em 20% o volume de vinhos na safra que está começando. Os proprietários testam o plantio de novas variedades de uvas européias para melhorar a qualidade dos vinhos.
A experiência com vinhos nobres no Vale do Itajaí começou em 1992, quando sete descendentes de italianos de Rodeio retornaram de um curso de enologia na Europa, e em conjunto com o Circolo Trentino e a província de Trento, introduziram a técnica e tecnologia da produção européia na cantina San Michele.
A vinícola de Nova Trento nasceu do mesmo projeto, mas ao contrário da de Rodeio, não prosperou. Desde o ano passado as duas empresas são administradas pelos sócios Marcelo Sardagna e Silnei Furlan, empreendedores de Rodeio que ficaram no negócio.
As vinícolas San Michele e Neo Trentina produzem juntas, mais de 300 mil garrafas por ano. Na primeira, os vinhos saem com os nomes fantasia Ritrato (cabernet, riesling e moscato) e Torre di Luna (tinto, rosé e branco, todos suaves). Há três anos a empresa tirou seu produto das prateleiras de supermercados e apostou exclusivamente na venda direta dentro da cantina.
Parte da produção abastece as festas típicas italianas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. A fábrica de Nova Trento está sendo reestruturada, mas vai manter a marca fantasia Trento Clássico, com objetivo de alcançar os mercados do litoral e Florianópolis.
Sardagna e Furlan estão investindo agora no plantio de dez variedades de uvas européias na região. A idéia é concentrar toda a produção da matéria-prima próximo das cantinas para poder controlar detalhes como acidez e maturação, que interferem diretamente no aroma, cor e sabor do vinho. Das 290 toneladas de uvas viníferas que serão beneficiadas nesta safra nas duas unidades, apenas 30% são produzidos na região. A intenção é atingir 100% em quatro anos. (MR)


Epagri está investindo no plantio de mudas de uva na região de Urussanga

Medicina e novelas de
época estimulam vendas

Produtor artesanal cede espaço às indústrias preocupadas com as exigências do mercado

Blumenau - A febre do consumo de vinhos vem crescendo a cada ano, e os técnicos encontram três motivos para comemorar a grande procura do produto nos supermercados e casas especializadas. A primeira razão é médica. Estudos divulgados por institutos europeus comprovam que o consumo diário de vinho seco e puro se mostra eficiente na redução do colesterol ruim (LDL), diminuindo riscos de doenças cardíacas. A recomendação é de consumo máximo de duas taças ao dia para mulheres (150 ml) e quatro para homens (300 ml).
O marketing espontâneo das novelas de época tem sido um grande incentivador do consumo. Quando galãs sessentões brindam uma taça de cobre entre olhares insuspeitos com a mocinha mais cobiçada da telinha em horário nobre, o vinho se torna referência de status e todos aderem, na opinião do produtor Marcelo Sardagna, da Vinícola San Michele, de Rodeio. Mas o aumento do consumo também está associado à melhoria na qualidade do produto nacional. "O consumidor está cada vez mais exigente e a indústria está sabendo corresponder", garante Sardagna.
Nos últimos três anos a indústria investiu na qualidade e quantidade de vinho nacional, obedecendo a necessidade do consumidor. O enólogo da Epagri em Videira, Clodemir Magiolaro, afirma que a preocupação com a modernização das cantinas da região gerou investimentos de R$ 1 milhão em equipamentos e produtos. "É uma atividade em franca expansão, que está se profissionalizando e buscando novas tecnologias", diz ele.
As propriedades que fabricavam vinhos artesanais há três gerações estão dando lugar a indústrias preocupadas com as exigências e demanda do mercado. Magiolaro analisa que a vinicultura catarinense pode crescer 50% nos próximos anos e tem mercado garantido para isso.

Incentivos

A Epagri está incentivando a produção de mudas de uva em Urussanga. "Hoje, as mudas vêm do Rio Grande do Sul, e cada uma custa R$ 2,00", informa Della Bruna. São necessárias 2,3 mil mudas para um hectare. Há cinco anos foi criada a Associação dos Produtores de Vinho Colonial de Urussanga, que serve para os vinicultores se reunirem, trocarem idéias e participarem de cursos de capacitação.


Tempo bom garante safra
melhor no Sul catarinense

Marli Vitali

Urussanga - O vinicultor Geraldo Trevisol, 30 anos, não esconde a satisfação ao passar pelos parreirais de sua família. O tempo colaborou, nenhum doença ou praga atingiu a plantação e a expectativa é colher cerca de 40 toneladas de uva, 33,3% a mais que em 1999. Tantos quilos de uva devem se transformar em 25 mil litros de vinho, produzido artesanalmente e com segredos que passaram de bisavô para avô, pai e filho.
A tradição da família Trevisol em produzir vinho é tão conhecida na região que eles não precisam fazer qualquer esforço para vender a produção. "O pessoal vem comprar o vinho aqui em casa", comenta Angelin Trevisol, 61, um descendente de italianos da comunidade de Rio Caeté, no interior de Urussanga. Tanta tradição se explica. Já em 1940 o pai de seu Angelin, Pedro Trevisol, tinha uma cantina registrada.
O trabalho com as uvas começou com o imigrante José Trevisol que veio da Itália e se instalou junto com outras famílias de imigrantes em Urussanga. Os segredos foram sendo passados pelas gerações. "Aos poucos estamos aprimorando as técnicas, os equipamentos e fazendo cursos. Isso está servindo para melhorar a produção", destaca Geraldo. Segundo ele, não se pode errar nenhum passo, desde a escolha do local para o plantio, a seleção das mudas, até a colheita e o armazenamento. "Tudo isso vai influenciar na qualidade do vinho", afirma.
Numa área de 3,5 hectares, a família Trevisol cultiva uvas Terci, Niagara e Goethe, as duas últimas usadas para produção do vinho branco. No ano passado foram colhidas cerca de 30 toneladas e produzidos 16 mil litros de vinho. O preço mínimo do litro é de R$ 1,50. A expectativa é aumentar em 50% a colheita dessa safra. "Se o tempo continuar colaborando, e não chover muito, teremos um aumento na produção", destaca Geraldo.
Mas não é só o vinho que incrementa a renda da família. O suco de uva, feito de forma artesanal por seu Angelin, também é bastante procurado. Feito com a uva "Terci", o litro do suco é vendido a R$ 3,00. De cada 10 quilos de uva, são produzidos nove de suco. "Acredito que conseguiremos fazer dois mil litros de suco este ano", admite ele.


Plantio tem raízes italianas

Criciúma - Urussanga mantêm muito forte a tradição dos imigrantes italianos que chegaram no final do século passado. O terreno acidentado acabou servindo para que a produção de uva surgisse como uma boa opção. Cerca de 10% da área destinada às parreiras no Estado estão na região. "Acreditamos que os parreirais ocupam mais de 300 hectares, sendo que destes, 80% são mantidos por pequenos produtores", ressalta Arnaldo Zanatta Contessi, responsável pela produção na Estação Experimental da Epagri em Urussanga.
Invasão coreana
A minivan Atos Prime, com motor 1.0 litro e três opções de câmbio, é um dos novos veículos que a Hyundai traz para o mercado brasileiro.  AN_Veículos 
Hoje um dos principais problemas que dificultam a ampliação da área plantada é o alto custo. Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Emílio Della Bruna, são necessários cerca de R$ 20 mil para plantar um hectare de uva. "O custo das mudas, arames e mão-de-obra necessária são elevados o que dificulta o início do trabalho." O vinicultor só começa a recuperar o investimento depois de três anos. (MV)


Cooperalfa apresenta
novas tecnologias rurais

Produtores vão conhecer, em Chapecó, novos insumos agrícolas

Chapecó - Quando chega a hora de plantar, adquirir um adubo, defensivo ou implemento agrícola, o produtor rural sempre fica em dúvida. Não sabe se leva o produto que já conhece ou opta por outro, acreditando na conversa do vendedor, que lhe mostra a última novidade do mercado e afirma que o desempenho e a produtividade serão excelentes. Culpa das evoluções tecnológicas, que ocorrem em ritmo acelerado, mas demoram a chegar até a propriedade rural.
Para acabar com as dúvidas dos produtores e mostrar na prática o desempenho dessas novidades, a Cooperativa Regional Alfa (Cooperalfa) realiza de terça-feira a sexta-feira, em Chapecó, o 5º Campo Demonstrativo Alfa (CDA). Uma feira diferente, montada sobre uma lavoura experimental, onde as empresas responsáveis pelo desenvolvimento das novas tecnologias terão espaço para apresenta-las.
O CDA está sendo organizado para receber mais de 15 mil agricultores de toda a região Oeste e até das regiões vizinhas dos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Os associados da Cooperalfa estarão sendo transportados de ônibus, desde as suas propriedades até Campo Demonstrativo, onde serão divididos em grupos e devem passar o dia percorrendo as lavouras e estandes e conversando com técnicos e promotores.

Variedades

Nas lavouras experimentais, plantadas como nas propriedades dos agricultores, estarão em exposição 56 variedades de milho, produzidas por 12 empresas do setor. Uma ao lado da outra, elas serão a principal atração do evento. Os desempenhos de cada uma irão servir de incentivo aos produtores que estão pensando em abandonar o cultivo do cereal - considerado o principal insumo do setor agroindustrial
Nas áreas plantadas com soja estará sendo apresentado o desempenho de defensivos químicos, próprios para a eliminação das ervas daninhas - plantas que atrapalham o desenvolvimento das lavouras e trazem prejuízos aos produtores. As empresas ainda estarão mostrando, em lavouras de feijão, o desempenho dos produtos antifúngicos, que também contribuem para a melhoria da produtividade.


Suíno light é destaque

O suíno híbrido MS-60, com mais carne e menos gordura, será a grande atração da parte agropecuária do CDA. Ele estará sendo comparado com outros animais das raças Landrace e Large White (tradicionais na região) e com seu antecessor, o MS-58, que já está presente num grande número de propriedades. Técnicos da Coopercentral e da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia, estarão presentes para esclarecerem as dúvidas dos criadores.
Outra novidade, que deve chamar a atenção de um grande número de criadores, é o equipamento que mede a espessura do toucinho dos suínos, sem que eles precisem ser abatidos. "Esse equipamento ajuda o agricultor a tabular seus resultados e selecionar o seu plantel. As agroindústrias pagam mais pelo animal com mais carne magra", comentou o presidente da Cooperalfa, Mário Lanznaster.
Buscas
O sucesso de uma pesquisa na Internet depende principalmente de como o internauta organiza sua procura.  AN_Informática 
Para os criadores de bovinos de leite estarão sendo apresentados métodos para silagem de grão úmido. A técnica ajuda os produtores a reduzir os custos e manter a produção durante o inverno, quando as pastagens secam. Animais das raças jersey e holandesa, também estarão em exposição.
Um horto medicinal, instalado dentro do CDA e que vai produzir mudas de plantas medicinais para as mulheres dos agricultores, será inaugurado pelo governador do Estado, Esperidião Amin, na tarde de quarta-feira, quando acontece a abertura oficial do evento.

Manchetes AN

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16/01 - Catarinenses buscam dinheiro no exterior
09/01 - Reflexos da maxidesvalorização do real
02/01 - Agricultura busca novos rumos
26/12 - Os novos rumos da economia catarinense
19/12 - A face positiva da desvalorização do real
12/12 - Comércio catarinense: Balanço & perspectivas

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Guerra no espaço
virtual em Santa Catarina

Mercado de acesso à Internet entra em ebulição com disputa entre provedores pagos e gratuitos

Vitor Hugo Louzado

O mercado catarinense de acesso a Internet está em ebulição. Em jogo, o cadastro de 150 mil usuários da rede mundial de computadores (3,3 milhões em todo o país), que tem um crescimento estimado em 15%, só para esse ano. Ele é disputado por grandes provedores pagos e gratuitos.
Sem grande alarde, os servidores gratuitos já desembarcaram no Estado: IG, em www.ig.com.br; e o do Banco do Brasil, em www.bb.com.br e o SuperNet11. Nos próximos dias, dois outros devem apresentar seus canais de acesso: o Terra Livre, ligado ao Zaz/Terra e o Tutopia.
Enquanto os grandes provedores catarinenses se preparam para enfrentar as gigantes do mercado e seus acessos gratuitos criando fórmulas atrativas e investindo sobre os pequenos, estes procuram alternativas para fugir da concorrência agressiva. A tendência, no entanto, é que desapareçam."Às vezes me sinto com asfalto em baixo do rolo compressor", desabafa um dos sócios da Porta Digital, Rogério Ristow, que ano passado recusou oferta da Brasilnet.
Três empresas do Estado foram compradas por grupos estrangeiros nos três últimos meses. A última transação ocorreu dias atrás, quando a Brasilnet - de Florianópolis - foi repassada para um grupo estrangeiro, com presença em mais de 10 países. Os novos donos, no entanto, preferem evitar a divulgação de dados sobre a aquisição, investimentos e até o nome da empresa compradora.
Segundo os empresários do setor, este grupo é dono do provedor Tutopia. Ele deve começar a funcionar nos próximos dias, em Florianópolis, com uma infra-estrutura igual ou superior a da Matrix e da IG no Estado.
Na operação anterior, no final de dezembro, o Zaz adquiriu a Braznet, o maior provedor de Blumenau. O Zaz anunciou nessa semana que investirá R$ 1 milhão na abertura de unidades no Estado, com preferência para Chapecó, Lages e Tubarão.
Em novembro, a Primus Telecommunications, dos Estados Unidos, adquiriu 51% da Matrix. Nos planos da nova empresa estão investimentos pesados em banda larga e na construção de um teleporto (R$ 5 milhões), ligado à rede de 29 satélites de comunicações controlados pela Primus. Ele permitirá a realização de videoconferências.
Quinto maior provedor do País, com 60 mil assinantes, a Matrix não pretende ver o mercado brasileiro e, em especial o catarinese, ser dominado por multinacionais e grandes empresas brasileiras como o UOL, dos grupos Abril e Folha de S.Paulo; o IG, dos grupos Opportunity e GP Investimentos; Zaz/Terra, da Telefónica; bancos Bradesco e do Brasil e AOL.
Como parte do primeiro contra-ataque, a Matrix está negociando a compra de sete provedores nacionais em São Paulo, Santa Catarina e três no Nordeste. E ainda vai inaugurar mais quatro filias. A empresa tem em caixa US$ 25 milhões para essa operação.
A Matrix, garante seu presidente, não participará da disputa pelo acesso gratuito a internet agora, pois ainda não encontrarou "uma fórmula que permita fornecer este serviço". Isso não significa que está fora da jogada. Se a política vier a ser adotada, assegura Lacerda, está descartada o uso de um braço para disponibilizar o serviço. Esta foi a estratégia usada pela Zaz/Terra, criando a Terra Livre, e UOL, jogando o acesso grátis para a NetGratuita.


Tendência na Internet é
domínio de grandes grupos

Multinacionais estão ganhando mais espaço no mercado do País

Florianópolis - A disputa pelo mercado da Internet se intensifica no Brasil. Dos cerca de 780 provedores de acesso à rede em funcionamento no País há cerca de quatro anos, apenas 285 existem atualmente. A expectativa é que, até o final do ano, não passarão de 20. A chegada de grandes grupos internacionais, como a American OnLine (AOL), está restringindo o mercado para as pequenas empresas. Mesmo grupos maiores, como o Zaz, acabaram sendo vendidos para multinacionais, no caso a Telefônica, grupo espanhol que detém a telefonia fixa em São Paulo. Essa é uma tendência mundial.
Empresários ligados ao setor acreditam que, assim como os BBS - primeiros bancos de dados que ofereciam acesso via rede telefônica - foram devorados pelos atuais provedores, detentores de mais estrutura e capital, processo análogo vai acontecer com as pequenas empresas, mesmo que elas migrem para o mercado corporativo. Só para se manter um link dedicado básico, 24 horas por dia, custa entre R$ 600,00 e R$ 1 mil. São poucas as empresas catarinenses que podem arcar com um custo operacional destes.
A hipótese mais provável é que a Internet, no Brasil, fique semelhante as emissoras de televisão de sinal fechado (via cabo ou satélite) e de sinal aberto, ou seja: haverá um grupo que terá acesso a todo o conteúdo gratuito disponível na rede mundial e outro, que paga mensalmente o acesso, com direito a fazer uso de conteúdos exclusivos, como revistas, jornais, entrevistas, fotos, entre outras coisas.
Uma das possibilidades mais prováveis a curto prazo é que os acessos gratuitos vão provocar duas medidas imediatas. A primeira é uma redução dos preços das mensalidades cobradas pelos provedores de conteúdo, que hoje gira em torno de R$ 30,00, para cerca de R$ 20,00. A outra, uma busca frenética por conteúdo diferenciado, que já começou em São Paulo.
Na luta pela sobrevivência, o dono do Porta Digital, Rogério Ristow, acredita ter encontra uma solução. "Vamos passar a atender o mercado corporativo. Acho que nossas chances de sucesso são boas, pois podemos fazer atendimento personalizado, ao contrário das grandes empresas." Para reforçar seu quadro de serviços, ele montou parceira com a WebcallBrasil. Com a diversificação, pretende integrar Internet e o sistema de tele-atendimento pelo 0800.


Comércio virtual atrai
interesse das empresas

Joinville - Uma previsão de Michael Dertouzos, diretor do americano Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, ilustra os potenciais do comércio eletrônico, a venda de produtos e serviços através da Internet. Um mercado em que até pequenas empresas catarinenses, através do Via Sebrae, estão de olho. Em um cidade qualquer alemã, a loja World Shop é constituída de 35 cubículos, chamadas de cabines. Em cada uma delas, os usuários têm a disposição vídeo, teclado, microfone capaz de reconhecer a voz e luvas e óculos eletrônicos. É através desse óculos que estudantes universitárias observam como determinado vestido, escolhido segundos antes na tela, ficaria no corpo. Elas escolhem as roupas, que depois serão entregues em casa. Não há estoques na World Shop.
E com as luvas especiais, um homem experimenta como dirigir um Mercedes esportivo. Pelo movimento das luvas, é possível até "examinar" a diferença entre a cabeça e o teto do carro. Em outra cabine, um homem compra quadros após navegar em pinacotecas de todo mundo. Essa é parte da história contada por Dertouzos em "O Que Será" (Companhia das Letras, 1997).
Na América Latina, o comércio eletrônico dentro das fronteiras brasileiras abocanha uma fatia de 88% no continente, movimentando uma cifra próxima a R$ 900 milhões. O mercado ainda está engatinhando. Nos Estados Unidos, o comércio pela Internet faturou US$ 360 bilhões no ano passado. E nos EUA, os analistas ainda acreditam que esse valor é muito baixo, embora a expansão do e-commerce esteja em aceleração: o temor com as fraudes está diminuindo. Não é à toa que especialistas apontam que o comércio eletrônico vai faturar US$ 1 trilhão até o final de 2001.
Na terra de Jeff Bezos, o criador da Amazon, o mitológico site de de vendas, o comércio eletrônico ainda tende a crescer bastante, mas nada que se compare ao Brasil, onde mais de dois terços dos habitantes jamais navegou na Internet.


Número de usuários
no Brasil fica estável

São Paulo - O número de internautas no Brasil não cresceu nos últimos seis meses, continua em 3,3 milhões, apurados em junho do ano passado. Mas o percentual de internautas que fazem compras pela Internet aumentou de 11% para 15%. Os números são da quinta pesquisa sobre a Internet no Brasil que o Ibope divulgou na sexta
O levantamento, feita semestralmente desde março de 1998, ouviu mais de 15 mil pessoas em nove capitais brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal. A projeção de 3,3 milhões de internautas representa 9% do universo da população das nove cidades incluídas na pesquisa.
De acordo com o estudo feito pelo diretor de audiência do Ibope Mídia, Antônio Ricardo Alves Ferreira, também cresceu o número das pessoas que usam a rede com maior freqüência e intensidade passou de 47% para 53% do total. Também houve crescimento significativo no percentual de microcomputadores com acesso à Internet, que subiu de 40% para 53%.

 
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