Joinville         -          Quarta-feira, 26 de Julho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Avelar Lívio dos Santos
http://www.bancatai.com
avelar@torque.com.br

Internet não
dá voto mesmo

Os presidentes das sete nações mais ricas do mundo fizeram uma mea culpa. Eles decidiram, na última reunião do G8, que inclui a Rússia, que não podem mais cruzar os braços diante segregação sócio-cultural de que vêm sendo vítimas as nações subdesenvolvidas com dificuldades de acesso à tecnologia de informação. O aceno é paternalista, demagógico e certamente esconde segundas intenções, mas serve de alerta para os eleitores brasileiros e principalmente para os políticos que acreditam na máxima de que "Internet não dá voto", assunto tratado aqui na semana passada, com grande repercussão. E não dá mesmo, porque se a maioria da população tivesse acesso à Internet nossos atuais políticos jamais seriam eleitos.
Internet é auto-aprendizado, busca de conhecimento, acesso rápido a serviços, canal aberto à livre manifestação do pensamento, ou seja, ela reúne sagrados privilégios que as classes dominantes jamais pensaram dividir tão cedo. Quase todas as repartições públicas deste País contam com acesso à grande rede, custeado e ao mesmo tempo fora do alcance da massa contribuinte, da mesma forma como os castelos medievais escondiam os livros pagos pela plebe ignara.
Mesmo num País onde apenas 5% da população (80% das classes A e B) gozam do privilégio de acesso à Internet, esta pode fazer alguma diferença nestas eleições municipais, a menos que os excluídos tenham consciência zero dos seus direitos. Em Santa Catarina devemos ter 14.941 candidatos@municiipio.gov.br, mas o eleitor deve ficar atento porque existe uma grande diferença entre ter um e-mail promocional e estar seriamente comprometido com a democratização da informação.
É claro que em meio a tanta demagogia fica difícil saber quais os candidatos estão verdadeiramente comprometidos com a democratização da informação e os que tentam tirar proveito da situação. Comece excluindo aqueles que já estiveram no poder e não moveram uma palha em favor dos excluídos. Faça-o sem dó, porque pensando bem, são eles os responsáveis pela falta de emprego, pela miséria de salário, pela péssima qualidade da educação, pela falta de perspectivas para a juventude que chega ao mercado de trabalho, pelo contraste de renda num país tido como a oitava economia mundo. Eleja-o e seu filho, que sequer teve acesso ao livro, estará mais distante do biblioteca global.
Uma segunda medida é se informar sobre o currículo e as propostas dos candidatos no campo tecnológico. Bons candidatos certamente terão projetos factíveis no sentido de conectar escolas públicas, oferecer cursos de informática às comunidades carentes, instalar redes municipais de acesso gratuito, criar incentivos fiscais e financiamentos para a compra de equipamentos, oferecer serviços básicos on-line que facilitem a vida dos cidadãos e abrir espaço para que o contribuinte possa fiscalizar, se manifestar e interferir na gestão da coisa pública.
É claro que existem outras virtudes até mais importantes para se escolher bem um representante público, mas esteja certo que esta questão da democratização da informação pode representar uma queima de etapas para que o País encontre seu caminho no novo milênio.

Incontrolável

Para o deputado Nelson Proença (PMDB-RS), a Internet pode ser facilmente controlada por uma lei eleitoral. Faltando menos de três meses para as eleições municipais ele apresentou um projeto na Câmara visando regulamentar a propaganda on-line. Entre outras medidas, defende o fim das enquetes com identificação de candidatos, proibição de imagens, montagens, charges e vídeos que denigrem o conceito de candidatos, bem como o fim dos debates e salas de bate-papo que não tenham representantes de todos os partidos. O projeto proíbe ainda os provedores de dar tratamento privilegiado a candidatos, partidos e coligações, assim como a cobrança de propaganda com preço superior ao de mercado. Quem descumprir a lei terá 24 horas para tirar a propaganda ilegal do ar além de estar sujeito a outras punições. Proença perdeu o controle.

Fiéis da balança

Vistos como cidadãos de segunda categoria, os hispânicos ganharam melhor status diante das previsões de que serão os fiéis da balança nas próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Esta tese vem ganhando força desde 1998, quando o senador democrata Harry Reid reconheceu publicamente que se elegeu graças ao apoio do boxeador Oscar de la Hoya, que conseguiu mobilizar a maioria dos 278 mil eleitores hispânicos do Estado de Nevada a seu favor. Reid venceu o pleito com uma vantagem de apenas 428 votos. Como a disputa entre Al Gore (Democrata) e George Bush (Republicano) promete ser das mais apertadas, os partidos estão investindo alto para seduzir os seis milhões de eleitores latinos cadastrado nos EUA. Como o índice de abstenção nesta comunidade é muito alto, os presidenciáveis esnobam slogans em espanhol em todos os discursos e seus sites não economizam espaço para celebrar a importância dos hispânicos no modo de vida americano.

e-PT

O Partido dos Trabalhadores sempre foi referência quando o assunto merchandising político. Nestes tempos de Internet, o destaque vai para o site da candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, que tenta tirar proveito da interatividade da rede para reforçar o fundo de campanha. O site da petista (http://ww.martasuplicy.com.br), conta com uma lojinha on-line onde o internauta pode comprar chaveiros, broches, bandeiras, camisetas e outros souvenires do PT. O serviço estaria completo não fosse a falta de opção para o pagamento on-line, seja por cartão de crédito ou depósito bancário. Após escolher o produto, preencher o formulário e clicar no botão comprar, o cliente recebe apenas um aviso de que será contactado mais tarde para a concretização do negócio. Mesmo assim a candidata tem esperança de que a loja cubra parte dos custos de sua campanha, orçada em R$ 7 milhões.

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Redescobrimento 1

Focus chega em outubro ao mercado brasileiro
Duas versões fabricadas na Argentina desembarcam no País para concorrer com Astra, Golf e Brava.  AN_Veículos 
Os portugueses querem redescrobrir o Brasil através da Internet. A intenção foi anunciada oficialmente por Edgar Secca, presidente da Netie, uma associação que reúne mais de cem empresas lusas ligadas à tecnologia de informação. O objetivo é investir pesado na promoção do comércio e do turismo português no mercado verde-amarelo, tirando vantagem da identidade cultural. Os portugueses contam com moeda forte, mas não conseguem avançar muito devido limitação do seu mercado interno.

Redescobrimento 2

Investir no Brasil significa para os portugueses multiplicar por sete o número de consumidores. Ocorre que o mundo mudou muito nos últimos 500 anos e, no que tange o uso de novas tecnologia, os papéis se inverteram: Hoje está mais fácil a ex-colônia descobrir Portugal. Apesar do dinheiro, os portugueses reclamam que não conseguem concretizar as parcerias necessárias para levar adiante este projeto de ampliação de mercado.

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