Joinville         -          Sexta-feira, 9 de Junho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Estréia: Carolina Dieckmann, Reynaldo Gianecchini e Vera Fischer estão no elenco da produção das oito

Dramas familiares
na hora do jantar

"Laços de Família" estréia amanhã e marca volta de Vera Fischer

André Bernardo
TV Press

Ao longo dos anos, o autor Manoel Carlos e a atriz Vera Fischer já cogitaram trabalhar juntos por diversas vezes. A parceria, no entanto, nunca aconteceu. No início do ano, assim que soube que estava escalado para escrever a próxima novela das oito da noite, Manoel Carlos providenciou logo um papel para Vera. A personagem, como não poderia deixar de ser, chama-se Helena, a sexta da carreira do autor. "Laços de Família" estréia amanhã, às 20h30. "Se Vera não tivesse aceito o convite, teria de escrever outra novela. Não havia substitutas para ela", afirma.
Como já se tornou habitual na carreira do autor, "Laços de Família" enfoca os dramas do dia-a-dia de diversos núcleos familiares. Um deles é o de Helena, a dona de uma clínica estética que se apaixona por Edu, um rapaz 15 anos mais jovem, vivido por Reynaldo Gianecchini. O outro é o de Miguel, um editor de livros interpretado por Tony Ramos, que se recupera da perda da mulher em companhia dos filhos, papéis de Flávio Silvino e Júlia Feldens. Um terceiro núcleo é o formado por Pedro, o administrador de um haras interpretado por José Mayer. Na juventude, ele teve um caso com a prima Helena. Do namorico, nasceu Camila, papel de Carolina Dieckmann. Para o diretor Ricardo Waddington, de "História de Amor" e "Por Amor", "Laços de Família" deve manter a audiência do horário na faixa dos 40 pontos em função dos temas familiares. "O público vai se identificar porque família todo mundo tem. Não importa se boa ou má, unida ou desunida", raciocina o diretor.
"Laços de Família" tem início quando Helena se apaixona por Edu depois de conhecê-lo num acidente de trânsito. A história do casal sofre uma reviravolta quando Helena perde o namorado para a própria filha. Para piorar a situação, ela ainda descobre que a filha sofre de leucemia e precisa urgentemente de um transplante de medula. Como não encontra doadores, se vê obrigada a procurar Pedro. Numa atitude desesperada, propõe ao sujeito ter outro filho para que a criança seja doadora de Camila. "Nunca me identifiquei tanto com um personagem quanto este. Também sou do tipo de mulher que sofre, mas vence no final", orgulha-se.

Tony Ramos e Flávio Silvino interpretam pai e filho que vivem na telinha um drama igual ao que o jovem ator experimentou na vida real
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

 

A trama marca o retorno de Vera Fischer às novelas. O último trabalho da atriz na tevê foi em 1995, quando ela foi afastada do elenco de "Pátria Minha" por indisciplina. De lá para cá, ela se limitou a fazer participações em "O Rei do Gado" e "Pecado Capital". O papel de Vera, no entanto, não foi o único escrito sob medida.. O autor planejava trabalhar com Flávio Silvino desde "Por Amor", de 1997. Em "Laços de Família", o ator interpreta Paulo, um rapaz de 24 anos que apresenta graves seqüelas em decorrência de um acidente de carro. "Há tempos sonhava em voltar ao trabalho e só estava esperando uma oportunidade dessas", festeja o ator.
Ao contrário de Flávio, Tony Ramos é um velho conhecido de Manoel Carlos. Juntos, os dois já fizeram "Baila Comigo", "Sol de Verão" e "Felicidade". "O Tony é um grande ator, além de ser disciplinado e de bom caráter. Se pudesse, o teria em todas as minhas novelas", exagera.
Mas nem só de veteranos, como Vera Fischer e Tony Ramos, é formado o elenco de "Laços de Família". Ricardo Waddington resolveu apostar no carisma de dois ex-modelos: Reynaldo Gianecchini e Paulo Zulu. O primeiro faz o papel de um jovem médico recém-formado, enquanto o segundo interpreta um instrutor de esqui-aquático. O diretor não parece preocupado por ter entregue dois papéis de razoável visibilidade nas mãos inexperientes de dois estreantes. "Os dois são talentosos e esforçados. Se trabalharem bastante, vão se sair muito bem", acredita.


Apesar da pouca idade, Ludmila já decidiu: "Não quero uma carreira meteórica, mas envelhecer fazendo o que gosto"
Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

 

Trabalho de gente grande

Ludmila Dayer mostra a força do seu talento em "Malhação"

André Bernardo
TV Press

Apesar de só ter 16 anos, Ludmila Dayer já administra a carreira como gente grande. No início de abril, ela foi convidada pelo diretor de núcleo de "Malhação", Marcos Paulo, para interpretar o papel de Joana na novelinha da Globo. Como já tinha se comprometido em participar do filme "O Memorial de Maria Moura", adaptação de Leilany Fernandes para o romance de Rachel de Queiroz, a atriz conversou com Marcos Paulo sobre a possibilidade de conciliar os dois trabalhos. "Vou adiantar algumas cenas para ficar um tempo sem gravar. Aí, faço o filme e, depois, volto para as gravações", adianta.
Não demorou muito para atriz e emissora chegarem a um acordo. Segundo Ludmila, o que mais a encorajou a aceitar o convite da Globo foi o fato de Joana ser um papel que obedece a um critério que ela própria estabeleceu para a sua carreira. A atriz garante que prefere recusar trabalhos a repetir tipos. Por isso mesmo, o personagem da menina engajada que lidera uma campanha antiviolência em "Malhação" parecia ser o ideal para suceder o da garota atrapalhada e de forte conotação cômica que fez em "Corpo Dourado", de 1997. "Deste modo, ninguém vai poder me catalogar de seja lá o que for. Tenho horror a rótulos", frisa.
O papel de Joana não exigiu maiores sacrifícios físicos ou arroubos de composição por parte da atriz. Afinal, segundo a atriz, as duas fazem o tipo determinado, sabem o que querem da vida e não ligam para a opinião das pessoas. A única diferença entre atriz e personagem diz respeito ao engajamento político da Joana. Ludmila confessa que nunca foi ligada a grêmio estudantil. O máximo que conseguiu foi ser eleita representante de turma. Em vez de participar do grêmio, ela preferia freqüentar as aulas de teatro do colégio. A vocação artística, inclusive, vem de longe. Ainda criança, gostava de improvisar peças infantis e encená-las para os vizinhos do prédio. O que não passava de brincadeira de criança virou assunto sério quando foi convidada pela diretora Carla Camurati para fazer "Carlota Joaquina" aos dez anos. "Naquele tempo, só pensava em fazer direito. Afinal, nasci numa família de advogados", recorda.
A profissão de advogada, no entanto, ficou para trás. Ainda mais quando o despretensioso "Carlota Joaquina" transformou-se numa espécie de divisor de águas na retomada do cinema nacional. "O sucesso de 'Carlota' pegou todo mundo de surpresa. Ninguém esperava que o filme fosse chegar onde chegou", lembra. De quebra, Ludmila ainda ganhou o prêmio de atriz revelação de 1995, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. "Aquele prêmio foi um incentivo danado. Era sinal que as pessoas estavam gostando do meu trabalho", raciocina.
E estavam mesmo. O tarimbado Walter Avancini foi um dos primeiros a convidar a menina para aparecer na tevê. Em "Xica da Silva", da Manchete, ela interpretou Isabel, uma garota mimada que não pensava em outra coisa a não ser casar. Logo em seguida, fez o papel de Tati, a namorada de Fabinho, personagem de Bruno de Lucca, no primeiro ano de "Malhação". "Hoje em dia, 'Malhação' toca em assuntos que os próprios jovens não têm coragem de abordar em casa", valoriza.
Apesar de ter recebido diversos convites para teatro, tevê e cinema, Ludmila Dayer adotou um critério seletivo na escolha dos personagens. Depois de fazer uma princesa horrorosa em "Carlota Joaquina", interpretou uma ninfeta diabólica em "Traição", de Cláudio Torres. Ainda este ano, ela volta a fazer cinema como a romântica Marialva, de "O Memorial de Maria Moura". "Não quero ter uma carreira meteórica. Pelo contrário. Quero envelhecer fazendo o que gosto", avisa.
Quando aceitou o convite do diretor Cláudio Torres para fazer "Traição", ela não imaginava que o personagem fosse causar tanto rebuliço. E não é para menos. No curta adaptado da obra de Nélson Rodrigues, ela faz o papel de uma menina de 13 anos que seduz o próprio cunhado, interpretado por Daniel Dantas. Segundo ela, foi a primeira vez que um texto do polêmico dramaturgo foi adaptado com uma atriz da idade da personagem. Apesar de ter pouca experiência no ramo, Ludmila se cercou de alguns cuidados para evitar que o trabalho deixasse qualquer tipo de má impressão. Ela pediu a Cláudio que o roteiro de "Traição" passasse por algumas alterações. Numa delas, foi suprimida a cena em que os dois simulavam uma transa na cama. Em outra, o suposto beijo na boca foi apenas sugerido pelo casal. A maior preocupação da atriz foi não vulgarizar a atuação ou comprometer o trabalho.



Estilo: Lorena não se preocupa em ficar marcada como jornalista de cultura: "É o que gosto"

Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Tempo de reciclar

Apresentadora deixa o "Metrópolis" e parte para o comando de dois novos programas

Rodrigo Teixeira
TV Press

Reciclagem é a atual palavra-chave de Lorena Calábria. Após sete anos no "Metrópolis", revista cultural da Rede Pública de Televisão, a carioca de 35 anos resolveu mudar de ares. Preocupada por estar muito associada à produção transmitida pela TV Cultura e Rede Brasil, a jornalista resolveu aceitar o convite do Multishow, canal da Globosat, para comandar dois programas semanais. "Bate-papo Digital", em que aborda produções culturais, e "Ensaio-geral", focado especificamente em MPB. "Bate-papo Digital", que estréia amanhã, às 23 horas, foi idealizado pela própria jornalista. Com 30 minutos de duração, a produção tem o objetivo de revelar o universo cultural que inspirou cada entrevistado. "Quero aprofundar as entrevistas usando não só a Internet, mas também imagens de arquivo do Multishow", explica Lorena.
Já "Ensaio-geral" terá 60 minutos e tem estréia prevista para 28 de junho, às 21h30. Com passagens pela Manchete, Globo, MTV e SBT, a jornalista garante que nunca pensou em se distanciar da área cultural. Principalmente do cinema e da música, seus assuntos prediletos. "Não me preocupo em ficar marcada como uma jornalista de cultura, pois é o que gosto de fazer", afirma.

Entrevista / Lorena Calábria

Por que você optou por um canal por assinatura?
Lorena Calábria - Acho que a tevê a cabo é um caminho natural para quem faz jornalismo cultural, pois as emissoras abertas não têm muito espaço para esse tipo de trabalho. Também não tenho mais aquela ansiedade de trabalhar em canal aberto e falar para uma audiência maior, pois já passei por essa experiência. Na época que apresentava o "Clip Clip", na Globo, em 1986, o programa tinha uma média de 20 pontos. Isso me empolgou. Mas agora estou mais interessada na qualidade do que vou produzir.

Foi este interesse que a levou a aceitar o convite do Multishow?
Lorena - A gente já conversava há dois anos, mesma época em que comecei a apresentar o "Cinema Motion", no USA, da Net, do qual agora tive de sair. Mas o que mais me animou no Multishow é que o canal por assinatura tem um compromisso com os assinantes que, por estarem pagando, querem uma programação de qualidade. O que não só eleva o nível dos programas, mas possibilita maior aprofundamento nos assuntos. Já na tevê aberta você tem de atingir a um público gigante, o que dilui o trabalho. Por outro lado, o Multishow cumpre bem o papel de divulgar a música brasileira.

O fato de você comandar seus próprios programas foi fundamental para você deixar o "Metrópolis"?
Lorena - É lógico que contribuiu, mas não foi só isso. Já estava há sete anos no comando do programa e isso começou a me incomodar. Já tinha feito de tudo no "Metrópolis", desde pauta até reportagens externas. A minha imagem já estava cansando e achei que era a hora de fazer outra coisa e me reciclar. Consegui deixar a produção numa boa, pois já tinha trabalhado o sentimento de posse antes de sair. Além disso, acho que o "Metrópolis" estava precisando de novas caras e gosto do estilo da nova apresentadora Laura Wie.

Como surgiu a idéia de fazer o "Bate-papo Digital"?
Lorena - Já tinha proposto esse projeto para a Cultura, mas as negociações não evoluíram. A minha intenção é fazer entrevistas e mostrar o universo cultural dos convidados. Não falar só do trabalho em si. Mas uma viagem, um livro ou mesmo uma música que tenha influenciado o processo de criação do entrevistado. Já estão confirmados o Arnaldo Antunes, a Denise Fraga e, na estréia, o Antônio Fagundes. Outra idéia é que as matérias serão realizadas em externas, onde o convidado sugerir e que tenha a ver com o que ele está fazendo. A conversa vai começar uma hora antes pelo chat da globo.com.

Ao contrário do "Bate-papo Digital", o "Ensaio-geral" é um projeto da própria Multishow?
Lorena - Exatamente, mas aceitei na hora. A idéia é divulgar músicos novos e resgatar movimentos do passado. Vamos utilizar o arquivo do Multishow e também mostrar os músicos, passando o som antes dos shows. Um dos quadros se chama "Brasil com Z" e vai enfocar brasileiros com destaque no exterior. Outro quadro é o "Dicionário", que explica expressões que aparecem em letras, como ganzá. A idéia é semanalmente dar uma visão atualizada do que acontece na música brasileira.

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A semana

Sexo frágil?
"O Século das Mulheres no Brasil" (TV Cultura e Rede Pública) volta suas atenções para as letras, tintas e sapatilhas. A marca feminina nesses campos é retratada no programa de hoje, às 20 horas, assim como a dificuldade de superar a predominância masculina e conquistar seu espaço. Com exemplos como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, que revolucionaram a arte na Semana de Arte Moderna de 1922, e Nélida Piñon, a primeira mulher a assumir a presidência da Academia Brasileira de Letras, o especial traz depoimentos de Tadeu Chiarelli, curador do Museu de Arte Moderna, das escritoras Lygia Fagundes Telles e Ruth Rocha, e da bailarina Ana Botafogo, dentre outros.

Mais um desafio
O coração dos fanáticos torcedores brasileiros vai bater mais forte de novo hoje, a partir das 17 horas. A Seleção Brasileira de Futebol enfrenta o Peru, sob o comando do técnico Wanderley Luxemburgo, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. O jogo tem transmissão da Band e Globo. Esta será a terceira partida da seleção, que luta com mais nove países da América do Sul por uma das quatro vagas garantidas para o continente. Até novembro de 2001, o Brasil fará ao todo 18 jogos em busca da classificação para aquela que será a primeira Copa realizada em duas sedes simultâneas - Japão e Coréia.

Conflitos femininos
A Record põe ao ar nesta segunda, às 21 horas, "Olhar de Mulher". Produzida pela TV Azteca, do México, e com direção de Bernardo Romero, a novela tem como eixo central Maria Inês, uma mulher que avalia sua sexualidade, a relação com seus filhos, suas frustrações e conquistas. Com os ingredientes de sempre - uma mulher abandonada, um marido frio e filhos rebeldes -, a produção traz uma história cheia de sonhos, decepções amorosas e, é claro, promessa de muitas lágrimas para o espectador.

Brasil na Libertadores
Pelo menos um time na final da Copa Libertadores 2000 já é brasileiro. Resta saber quem vai representar o País, Palmeiras ou Corinthians. As duas equipes vão a campo nesta terça, às 21h25, dispostas a fazer de tudo para garantir uma vaga naquela que é considerada uma das principais competições do futebol sul-americano. Quem ganhar enfrentará o time que sair do confronto entre Boca Juniors e América do México. O Palmeiras, campeão do ano passado, luta pelo bi. Já o Corinthians tenta conquistar o título pela primeira vez. Transmissão pela Band.

Novidades na TV

Cotada
Eva Wilma está na mira de Antônio Calmon. O autor quer a atriz em "Um Anjo Caiu do Céu", próxima novela das sete da Globo, para interpretar a esposa do personagem de Tarcísio Meira, que morre no primeiro capítulo mas é trazido de volta pelo anjo que será vivido por Fábio Assunção.

Disputa política
Mais uma política vai aparecer na cidade fictícia de Barro Alto, da novela "Marcas da Paixão". Trata-se de Tereza, papel de Verônica Macedo, que entra na trama a partir do dia 12 de junho para se tornar a adversária política de Zefinha, personagem de Tânia Alves. As duas serão candidatas a prefeita. Por essa razão, o elenco da novela permanece gravando em Junko, no sertão baiano.

Estratégia
É no mínimo estranho uma emissora estar investindo na reestruturação de seu departamento de teledramaturgia e estrear uma novela mexicana. Mas é exatamente o que vai fazer a Record ao iniciar, nesta segunda, às 21 horas, "Olhar de Mulher". No entanto, a emissora está, na verdade, testando o horário, para ver como se comporta o público, para inaugurar posteriormente uma nova faixa de novelas brasileiras. "Vou começar dirigindo 'Marcas da Paixão', largo a trama para pensar na sucessora e depois começar a estruturar o segundo horário", avisa o diretor Atílio Riccó.

Saúde renovada
O "Alternativa: Saúde" vai sofrer mudanças estéticas. O programa do canal por assinatura GNT, da Globosat, vai ganhar novos cenários, vinhetas e trilha sonora. Além disso, a produção comandada por Patrícia Travassos promete mais interatividade com o telespectador.


Tagarelice infantil

Band se rende ao modismo e estréia programa voltado aos pequenos

Ticiana Magalhães
TV Press

A Band está fazendo uma aposta que não pode ser acusada de original. A emissora estréia neste sábado, dia 10, às 22 horas, "Tagarelas", que representa uma rendição à febre de programas feitos por baixinhos que contamina a televisão brasileira. E não à toa. Crianças têm sido sinônimo de audiência e de um polpudo retorno publicitário. Mas para criar um diferencial em relação ao demais do gênero, a Band pretende usar crianças comuns e não indicadas por agências. Elas serão escolhidas nas escolas ou indicadas pelo público.
O apresentador do programa, o ator Carlos Mariano - que já foi um dos peixinhos do extinto "Glub Glub", da TV Cultura -, acredita que a tática pode dar certo. "A garotada estará à vontade para falar, ao contrário das que querem ser profissionais", explica. Apesar de recorrer a expedientes idênticos ao demais programas do gênero, como as entrevistas com artistas e personalidades. "Mas aqui não formulamos a pergunta", defende-se o apresentador.
A produção do programa também defende a tese de que assim a meninada, com idade entre três e 11 anos, não será mera repetidora dos adultos. "Não queremos espetáculo, crianças excepcionais. Procuramos explorar justamente o lado infantil de cada uma delas", teoriza o diretor Antônio Carlos Rebesco. O diretor é também responsável por outra estréia na emissora, no dia 9, no mesmo horário: o game show "Surpresa e 1/2", apresentado por Eloy Nunes e Silvinha Franceschi. Uma espécie de "Porta da Esperança" sem Silvio Santos, que tem como quadro principal a realização de sonhos dos participantes.
Tanto "Surpresa e 1/2" quanto "Tagarelas" são produzidos pela empresa argentina Promofilm, que realiza os mesmos programas em Bueno Aires. Agora, a filial brasileira da Promofilm começa a produzir os programas em parceria com a Band. "Na Argentina o sucesso dos programas é tão absurdo que o apresentador de "Tagarelas" é representante da Unicef, como acontece aqui com Renato Aragão", empolga-se o diretor. Até mesmo pelo horário, "Tagarelas", não tem crianças como público-alvo, mas adultos que busquem algo leve e divertido no sábado à noite. Carlos vai comparar situações contadas pelas crianças com alguma vivida por pessoas da platéia, que será composta somente de adultos. Assim, o programa busca uma identidade com o espectador mais velho.
Dentre os quadros do programa, o principal será um bate-papo, em que uma ou duas crianças discutem com Carlos Mariano diversos assuntos, explorando ao máximo a imaginação. "Como elas encontram em mim alguém disposto a ouvi-las, e a acompanhar seu raciocínio, chegam a teorias inimagináveis, quase fora de controle", diverte-se o apresentador.

 
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