Joinville         -          Terça-feira, 13 de Junho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















PIB catarinense
cresce acima da média

Com diversos mercados abertos, as indústrias exportam mais

Vitor Hugo Louzado

Os percentuais podem variar em ponto para baixo ou para cima, mas economistas e empresários acreditam que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficará pouco abaixo do previsto pelo governo federal (4%) nesse ano: em torno de 3%. "É preciso esperar o encerramento do semestre para avaliar melhor o cenário econômico, mas os dados disponíveis do primeiro quadrimestre já permitem estimar que o PIB vai crescer mesmo cerca de 3,2%, ficando muito próximo dos cálculos do Banco Mundial para os países do hemisfério Norte, mais ou menos 3%, e bem acima da estimativa para a América Latina, 2,5%", disse o diretor do Centro Sócio-econômico da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Hermes Tadeu Zapelim.
Um bom indicador nacional para Zapelim é a producão da indústria automobilística. "Ela está produzindo aproximadamente 150 mil veículos/mês. Dsempenho igual só foi registrado em julho de 1998."
As indústrias, diz o economista, estão se aproveitando do bom período para exportações, com vários mercados abertos a produtos brasileiros e um câmbio favorável. A expectativa, é que o dólar chegue ao final do ano valendo entre US$ 1,85 e US$ 1,90. Já a demanda interna, acrescentou, tem crescido pouco e lentamente.
A economia catarinense, na avaliação do professores, deverá apresentar um desempenho semelhante ou até pouco superior a média brasileira. Os indícios desta avaliação são as evoluções no total arrecadado em ICMS pelo governo do estadual. Para esse ano, a previsão da Secretaria Estadual da Fazenda é bater em R$ 2,52 bilhões, contra R$ 2,275 bilhões ano passado e R$ 2,026 bilhões em 1998.
Os industriais catarinenses estão cada vez mais otimistas. O diretor de Desenvolvimento da Federacão das Indústrias de Santa Catarina, Henry Quaresma, estima que o país e o Estado devam crescer 4% em 2000. A classe empresarial tem se empenhado em atingir esta meta do governo, diz Quaresma. Isso fica claro no empenho para a redução de custos lojísticos, na redução das importações - que provoca um aumento no consumo de matéria-prima nacional - e aumento do consumo de energia elétrica pelo setor industrial, entre outros fatores.
Algumas quebras no volume de exportações registrada em abril se devem a greves de servidores públicos, como da Receita Federal, e pela sazonalidade do setor têxtil, adverte Quaresma. "Além disso, houve uma redução dos dias trabalhados, 19 contra 23 em março."
Mesmo assim, "a economia catarinense está aquecida e, prova disso, é o percentual médio da utilização da capacidade instalada, o melhor do Brasil, com 87,1%. Isso tem levado os empresários a buscar alternativas de investimento. Só no setor de fomento da Fiesc, que conta com apoio da Financeiadora de Estudos e Projetos (Finep), Badesc e Brde, entre outras instituições, em dois meses de trabalho já foram totalizados R$ 100 milhões em consultas para obtencão de linhas de crédito. Tem demonstrado mais interesse em buscar dinheiro para investimento os setores ligados ao consumo direto.
A prova que a demanda interna tem crescido pouco e, mesmo assim, muito lentamente, pode ser conseguida na Junta Comercial de Santa Catarina. De acordo com seu presidente, Antônio Henrique Bulcão Vianna, o volume de empresas abertas no primeiro quadrimestre do ano está muito parecido com o dos anos anteriores. Pela sua estimativa, o total anual também deve ser muito similar ao de 1999.


Tabelas da Junta Comercial

Empresas em Santa Catarina
Ano Abertura Baixa
1995 29.071 1.688
1996 26.331 2.303
1997 28.929 2.853
1998 25.559 3.734
1999 24.275 4.294
Comportamento nos principais municípios do Estado
Janeiro de 1995 a abril de 2000
Cidade Abertura Baixa
Blumenau 10.466 2.200
Brusque 2.920 735
Chapecó 5.256 637
Criciúma 5.329 631
Florianópolis 11.049 1.929
Itajaí 5.174 659
Jaraguá do Sul 3.320 242
Joaçaba 984 166
Joinvile 13.270 2.029
Lages 3.278 405
Rio do Sul 1.934 370
São José 6.099 756
Tubarão 2.837 477

Comparativo do movimento da Junta Comercial
Referências 1 a 5 de 1999 1 a 5 de 2000 Variação %
Total de processos 24.154 26.250 +2.096 8,7
Protocolos na sede 8.455 20.221 +11.766 139,1
Protocolos nas regionais 15.699 6.029 -9.670 61,6
Costituição de empresas 10.302 10.440 +138 1,3
Baixas de empresas 1.419 2.312 +893 62,9
Concordatas 4 1 -3 75
Falências 36 27 -9 25
Fonte: Junta Comercial de Santa Catarina

Exportações
Abril/00 (US$ fob) Março/00 (US$ fob) %
Brasil 4.181.446.996 4.471.669.346 -6,5
Santa Catarina 214.133.677 250.683.995 -14,6

Exportações
Abril/2000 (US$ fob) Abril/1999 (US$ fob) %
Brasil 4.181.446.996 3.706.750.870 12,81
Santa Catarina 214.133.677 202.944.898 5,51

Exportações
Jan. /abr. /2000 (US$ fob) Jan. /abr. /1999 (US$ fob) %
Brasil 16.229.554.483 13.752.185.640 18,01
Santa Catarina 838.537.454 747.509.383 12,18

Dez produtos mais exportados no primeiro quadrimestre
Produto 2000 (US$ milhões fob) 1999 (US$ milhões fob) %
Motocompressor hermético 88,6 87,6 1,15
Pedaços de frangos 71,6 70,5 1,54
Móveis de Madeira 59,5 44,6 33,5
Roupas de toucador 57,6 49,6 16,1
Ladrilhos/cerâmica 35,8 31,4 14,09
Frango sem corte 34,7 33,2 4,33
Madeira de coníferas 27,7 23,8 16,41
Papel 25,9 22,5 15,36
Portas 19,8 16,5 20,05
Blocos para motores 19,6 1,2 1600,43

Principais países de destino das exportações - primeiro quadrimestre
Países 2000 (US$ milhões fob) 1999 (US$ milhões fob) %
Estados Unidos 223,3 187,8 18,9
Argentina 87,5 83,2 5,14
Alemanha 59,9 52,3 14,4
Reino Unido 45,1 38,8 16,21
Paises Baixos 37,0 30,1 23,04
Japão 36,6 33,22 10,28
Chile 25,7 16,8 53,1
França 24 20 20,43
Itália 20,3 20,5 -1,3
Uruguai 19,7 14,2 38,9

Desempenhos setoriais - março/fevereiro 2000 (%)
Gêneros Vendas Reais Salário Líquido Horas Trabal. Prod. Capacidade Inst. (março/00)
Produtos minerais 5,62 2,57 4,36 91,87
Cerâmicas 3,22 4,07 5,19 92,63
Cristais 14,16 -0,70 1,79 98,49
Metalúrgica 5,25 2,33 2,85 91,29
Mecânica 11,28 9,63 5,33 93,39
Material Elétrico -10,10 6,59 9,14 71,97
Material de Transporte 12,70 3,51 10,51 88,47
Madeira 0,34 0,92 4,45 82,02
Mobiliário 2,69 4 5,76 81,47
Papel e Papelão 6,89 1,73 2,49 95,14
Química 8,39 1,35 0,16 80,80
Prod. Mat. Plástica 1,74 1,37 2,31 79,36
Têxtil 13,01 4,84 7,26 87,95
Vestuário e Calçados 46,91 3,21 15,66 94,59
Produtos Alimentares 19,4 2,74 3,68 93,92
Bebidas 9,97 -4,9 -0,81 54,88
Editorial e Gráfica 2,84 -9,71 14,32 84,51
Diversos 21,01 4,1 7,22 71,33
Total 10,82 3,38 5,73 88,35
Fonte: Fiesc


Carne
Abate em alta e consumo estável fazem cair preço de produtos como carne de suíno e de frango

Preço baixo prejudica agroindústria

Excesso na oferta ameaça provocar crise no setor

Marcos Horostecki

Chapecó - Se dependesse apenas dos resultados conseguidos pelas agroindústrias, o desempenho econômico apresentaria crescimento negativo nesses seis primeiros meses deste ano. O excesso de oferta de carne nos mercados nacional e internacional fez os preços dos principais produtos despencarem e ameaça provocar uma séria crise caso os empresários não reduzam os volumes de produção. O problema foi detectado pelas lideranças do setor ainda no final do ano passado, mas mesmo assim a produção de carne de frango já cresceu esse ano cerca de 14%, enquanto o consumo se manteve estável. O mesmo aconteceu com a carne suína, cuja produção teve um incremento de cerca de 10%.
Um relatório divulgado essa semana pelo Sindicato da Indústria da Carne de Santa Cataria (Sindicarnes) mostra que, dentre os oito maiores abatedouros de frangos do Estado, apenas o Macedo Koerich não elevou sua produção de frangos, num comparativo entre os abates de abril desse ano e abril do ano passado. Os maiores incrementos ocorreram na unidade da Perdigão em Capinzal, no Meio-oeste do Estado, que passou de 7,4 mil cabeças para 10,14 mil, e na Seara Alimentos, de Seara, que passou de 2,029 mil para 7,55 mil cabeças.
Entre os abatedouros de suínos, pelo quadro comparativo, apenas a Sadia, a Perdigão e o Frigorífico Gumz, de Jaraguá do Sul, não aumentaram suas produções. A Aurora aumentou o seu abate em mais de 10 mil cabeças. O Frigorífico Chapecó, que ainda está retomando suas atividades produziu em abril desse ano 12 mil cabeças a mais que em abril do ano passado. No total as empresas produziram 54 mil cabeças a mais em abril desse ano do que em abril do ano passado.
Com o excesso de produção e a estabilidade do consumo o preço do quilo do frango caiu de R$ 1,34 para R$ 0,80, o que beneficia o consumidor, mas deve reduzir significativamente o faturamento das agroindústrias. O mesmo acontece com o preço do quilo do suíno, que está se aproximando da média de R$ 1,00, mas já foi vendido a R$ 1,14. Segundo o presidente do Grupo Aurora, Aury Luiz Bodanese, as empresas já estão adequando suas produções e esperam melhorar seus desempenhos no segundo semestre, quando a situação também deve melhorar no cenário internacional.


Setor têxtil impulsiona
crescimento em Blumenau

Abertura de empresas e consultas ao SPC tem alta

Ula Weiss

Blumenau - Indicadores de fontes diferentes demonstram que a economia de Blumenau está mais aquecida em relação aos cinco primeiros meses de 1999. Na Junta Comercial, a média de abertura de novas empresas neste ano tem sido de 300 registros mensais, contra 260 no mesmo período do ano passado, segundo Roberto Essig, chefe do escritório local. As vendas no comércio varejista, assegura o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alexandre Ranieri Peters, experimentaram alta de 10%, com número de consultas superior mês a mês, de janeiro a maio. Este quadro tem origem no incremento da atividade no setor têxtil, que é o sustentáculo da geração de riquezas no Médio Vale.
O aumento de vagas, com maior procura que oferta de mão-de-obra, prova isso. De 19 mil passou para 21 mil o número de postos no parque fabril de Blumenau. Os negócios foram reativados por efeito de longo prazo da mudança da política cambial, no princípio de 1999. As exportações estão sendo feitas em volumes maiores, e com reflexos visíveis porque a região é um dos pólos com expressivo participação no mercado externo entre as empresas do país. Apenas para citar um exemplo, a Karsten S/A, sozinha, é responsável por cerca de 60% das exportações brasileiras de toalhas de mesa e 30% das vendas de toalhas felpudas no exterior.
No primeiro quadrimestre, o número disponível na Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) é de que as exportações setoriais foram acrescidas em 27,3% na comparação com os US$ 309 milhões embarcados em 1999 e os US$ 394 milhões contabilizados neste ano. No Médio Vale, as informações são de que o crescimento gira perto deste percentual.
"Com mais dinheiro nas indústrias têxteis, mais empregos são gerados, e se há mais pessoas trabalhando, mais dinheiro entra no comércio", raciocina o presidente da CDL. Além disso, o dirigente observa que os consumidores estão mais confiantes. É que quando o real foi desvalorizado frente ao dólar, houve um receio generalizado de que a estabilidade da moeda estaria ameaçada. "As vendas simplesmente estancaram na ocasião", recorda. Mas agora, finalmente, o que se verifica é um quadro ascendente que persiste, e promete um 2000 com melhor desempenho.


Maiores pagadores de ISS
são bancos e setor gráfico

Um dado que chama atenção no contexto econômico de Blumenau é que as empresas de serviço não estão arrecadando mais. Pelos relatórios da Secretaria de Finanças, observa-se que a receita do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) teve apenas um aumento em janeiro e fevereiro, decorrente de uma fiscalização realizada. Mas depois disso, a média mensal vem se mantendo em torno de R$ 1 milhão, que em 1999 acabou por totalizar em 12 meses R$ 12,7 milhões dessa fonte. Os maiores pagadores de ISS em Blumenau são as empresas do setor gráfico e os bancos, estes últimos com alíquota de 7,5%. Os dois ramos recolhem aproximadamente 50% dos valores apurados com este imposto.
No comércio, um aspecto positivo é a queda da inadimplência, da média de 10,5% das vendas à crédito, para 9,5%. O índice é alto ainda, mas administrável, porque dos 42 mil registros existentes, a direção da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) informa que são de 18 mil consumidores.
Com relação às consultas dos comerciantes junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para autorização de novas vendas a prazo, há aumento. Em janeiro de 1999 foram 45.588 contra 48.958 neste ano; em fevereiro saiu de 48.440 para 58.938; em março de 46.743 para 59.698; em abril de 56.384 para 59.314; e em maio, de 64.661 para 70.326.
A Junta Comercial esclarece que não só a abertura de empresas cresceu em Blumenau e região. Também as baixas. Mas não de firmas em operação que encerraram as atividades e sim de razões sociais que existem somente no papel, que estão sendo regularizadas com baixas, por causa da fiscalização da receita estadual, federal, INSS e FGTS. "São pessoas jurídicas que estão acertando as contas com o fisco", analisa Roberto Essig, ao apontar que nos primeiros meses do ano passado a média mensal era de 40 e passou para 60 neste ano.


Varig e TAM lançam site
em conjunto na Internet

São Paulo - A Varig e a TAM vão lançar dentro de 90 dias, na Internet, um portal de turismo e viagens voltado para o consumidor da América Latina, com investimentos de US$ 50 milhões. A parceria resultará na criação da empresa Plata, que deverá abrir capital e receber a adesão de outras companhias no futuro.
Segundo o presidente da TAM, Rolim Amaro, o projeto está aberto a empresas aéreas, hotéis e locadoras de veículos. Entre os parceiros potenciais, ele citou a Transbrasil, a Lan Chile e a Aerolineas Argentinas. A participação da Varig no portal será de 60% inicialmente e a da TAM, de 40%. As duas companhias negaram que a Plata seja o início de uma fusão e informaram que vão manter seus sites individuais de vendas de passagens.
"Não vamos fazer uma Ambev voadora", afirmou Rolim. "As duas empresas vão continuar operando de forma absolutamente independente e buscando seu foco no mercado", disse o presidente da Varig, Ozires Silva. No ano passado, a Varig vendeu US$ 1 milhão em passagens pelo programa Smiles, ou 1% da sua receita. A TAM comercializou, via Internet, 3% de sua receita de 99, o equivalente a US$ 2 milhões. Rolim acrescentou que um dos objetivos do portal é ampliar a participação das empresas brasileiras no tráfego aéreo latino-americano.

Manchetes AN

Das últimas edições de AN Economia
10/06 - Inverno torna-se sinônimo de turismo em SC
03/06 - SC torna-se pólo nacional da nova economia
27/05 - Construção civil na dependência do governo
20/05 -  Comércio eletrônico movimenta a economia
13/05 0 Empresas buscam a juventude e a experiência
06/05 - Melhoria das relações trabalhistas em SC
28/04 - Setor elétrico vai receber US$ 4 bi em investimentos

Leia também


Exigência de notas fiscais por parte da população aumenta arrecadação municipal

Venda no comércio
cresce 15% em Joinville

Município arrecadou R$ 6 mi de ISS entre janeiro e abril, o que representa incremento de 22% sobre igual período de 99

Silvia Pinter

Joinville - A economia catarinense mostra sinais de recuperação. Em Joinville, no Norte do Estado, o volume de vendas no comércio teve um aumento de quase 15% nos primeiros cinco meses deste ano, comparados com o mesmo período de 1999. E só de Imposto Sobre Serviços (ISS) o município arrecadou R$ 6 milhões, entre janeiro e abril de 2000, o que representa um incremento de 22% aos cofres da cidade em relação a igual período do ano passado. Mas o desemprego continua elevado e a quebradeira de empresas da microrregião aumentou de um ano para o outro.
"O município também aumentou a arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Até abril deste ano foram registrados 17% a mais que o arrecadado no mesmo período do ano passado. A economia estadual está crescendo", atesta o secretário da Fazenda de Joinville, Luiz Carlos Meinert, que acredita num percentual de crescimento do produto interno bruto (PIB) maior que o previsto pelo governo federal para este ano, 4%.

OTIMISMO

O mesmo otimismo é compartilhado pelo vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da cidade (CDL/Joinville), Gilson Bohn. Segundo ele, a economia está estável e a tendência é continuar assim. "O incremento de 15% dos primeiros meses deste ano nas vendas no comércio, em relação ao ano passado, deve se manter no segundo semestre. Tradicionalmente, esse período é melhor para o consumo, já que temos datas como o Natal", explica o dirigente.
"A estabilidade e a empregabilidade são fatores que ajudam nesse crescimento. E amarrado a isso temos a facilidade de crediário", assinala o gerente comercial do grupo Salfer, Márcio Kienbaum. A rede de lojas registrou nos primeiros cinco meses deste ano um incremento de 18% nas vendas, comparado com o mesmo período de 1999. E a perspectiva de faturamento de 2000 é de 30% a mais que o alcançado no ano passado.
"Só para ter uma idéia de como a Salfer está acreditando no mercado, estamos investindo na abertura de mais quatro lojas no Estado e na construção de um centro de administração com mais de cinco mil metros quadrados", afirma o gerente. A ampliação exigirá investimento de R$ 1,5 milhão, segundo cálculos de Kienbaum.


Sobe número de falências

Apesar dos sinais de crescimento da economia, nem tudo vai bem. O fechamento das empresas da microrregião de Joinville, por exemplo, alcançou índices elevados nos primeiros quatro meses deste ano, comparado com igual período de 1999. Estatísticas do escritório da Junta Comercial da cidade revelam um aumento de 107,5% de um ano para o outro, computando empresas comandadas por sócios (Ltda) e por uma única pessoa (individuais). Isso não significa que novos empreendimentos deixaram de surgir neste período. Mas o crescimento foi pequeno, em torno de 3%.
O agente administrativo do escritório da junta, Odair Inácio, credita o alto índice de falências a duas questões: falta de informação sobre o número absurdo de impostos existentes e a emissão obrigatória de notas fiscais - norma que entrou em vigor efetivamente no início de abril - que pretende acabar com a sonegação em todo o País. "Em função disso o número de empresas que fecharão as portas na microrregião vai aumentar", prevê Inácio.
Um outro indicador negativo é o de desemprego no comércio local. Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Joinville, Luiz Carlos Xavier, o número de comerciários despedidos nos primeiros meses deste ano é basicamente o mesmo do ano passado: cerca de mil. "Se o volume de vendas aumentou, o nível de desemprego se manteve no mesmo patamar", assinala o sindicalista. (SP)


Produtores de autopeças
no Estado ampliam vendas

Aumento na produção de veículos anima setor

Claudine Nunes

Joinville - Nunca está bom para todos. Se um setor vai bem, pode acabar interferindo negativamente em outros ramos da economia. Este é o sentimento quando se compara o ramo automotivo e o da construção civil, com reflexos nas atividades interligadas. Entre comprar um carro e arrumar a casa, o consumidor está preferindo a primeira opção. A produção de carros em maio no Brasil foi a melhor em 23 meses. O setor de autopeças sente o reflexo. Segundo o vice-presidente da Câmara de Autopeças do Sistema Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Daniel Camilotti, o incremento nacional foi de 20% de fevereiro a maio de 2000 comparado com o mesmo período em 99, e Santa Catarina acompanha o desempenho.
A Caribor, empresa que preside em Joinville, registrou crescimento de 25% nas vendas comparadas às do ano passado. Ela produz peças de borracha principalmente para o setor automotivo, além do metal-mecânico e linha branca (como refrigeradores). Previsões otimistas também no setores mecânico e metalúrgico, que fornecem insumos para indústria automobilística, indicam os sindicatos da indústria e dos trabalhadores do setor mecânico de Joinville e região, e, ainda, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville.
No setor mecânico, pesquisa da Fiesc mostra crescimento de 4,87% nas vendas até abril. O ramo da ferramentaria, um dos mais fortes, enfrenta inclusive falta de profissionais qualificados e disputa os trabalhadores disponíveis. Praticamente todas as rescisões estão sendo motivadas pela troca de empresa, que supervalorizam os salários, elevando em consequência os custos.

PLÁSTICO

O Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado de Santa Catarina (Simpesc), por outro lado, verifica que de janeiro a maio, o volume de resina processada manteve-se estável em comparação com os cinco primeiros meses de 99 no Norte do Estado, onde está concentrado 65% do setor. Pesquisa estadual da Fiesc confirma os números. Houve aumento de 0,80% nas vendas de janeiro a abril, em relação a 99.
O presidente da Cecrisa Revestimentos Cerâmicos S.A, Cesario Rogério, diz que a empresa previa faturamento 12% maior do que o ocorrido. De janeiro a maio deste ano o faturamento cresceu 4,4% em relação ao mesmo período de 99, mas o volume vendido ficou negativo em 2,3% no total. A explicação encontra-se nas exportações. O faturamento com as vendas externas cresceu 21,4% e o volume vendido para o exterior subiu 27,9%, permitindo faturamento positivo até maio. A Cecrisa contratou 1,8% mais que nos primeiros cinco meses de 99.


Jaraguá do Sul
registra crescimento real

Para segundo semestre deste ano, previsão é mais otimista

Ney Bueno

Jaraguá do Sul - A redução da alíquota na cobrança do Imposto Sobre Serviços (ISS), em média 20% para todos os setores desde janeiro, além da maior conscientização da pessoas em exigir notas de serviços e fiscais em suas compras à vista, está resultado no crescimento da economia do município. A Prefeitura arrecadou R$ 1,730 milhão, 5,20% a mais do que foi arrecadado no mesmo período do ano passado. A previsão para o segundo semestre é ainda mais otimista devido a medidas do governo federal que facilitarão a diminuição dos juros, prevê o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Hilário Corrêa.
Segundo o secretário municipal de Administração e Finanças, José Olívio Papp, no ano passado o município arrecadou com o ISS R$ 4.030 milhões, um crescimento de 8,79% em relação a 1998. Para este ano há uma previão de crescimento de mais 10%, mesmo com a redução de alíquota, que resgatou vários profissionais para cobrança do imposto. Este crescimento vem ocorrendo de forma constante e podem até aumentar, caso a população cobre a confecção de notas fiscais em suas compras, prevê.
O desempenho da economia jaraguaense pode ser sentida também na Junta Comercial, que em 1999 registrou a abertura de 377 empresas, dos quais 175 comércio, 154 serviços e 48 indústrias. Nos primeiros seis meses deste ano, já foram abertas 176 novas empresas (77 comércio, 21 indústria e 78 comércio). Em relação ao cancelamento destas empresas, explica a secretária da Junta Comercial, Solange de Almeida, há poucos dados oficiais, devido muitos não oficializarem o ato no escritório local e existir dados apenas de toda microrregião, que envolve mais de sete municípios.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Hilário Corrêa, relata que ocorreu uma redução de 15% no número de pesquisas feitas pelo comércio para vendas à prazo nos primeiros seis meses deste ano em comparação ao mesmo período ano passado. Para ele, essa redução quer dizer que ocorreu redução nas vendas a longo prazo, mas em contrapartida está havendo um aumento nas vendas à vista. Para Corrêa as pessoas estão procurando comprar suas mercadorias em menos tempo possível, por isso está ocorrendo este fator no município. "Não temos números de venda à vista, mas caiu em 50% as vendas acima de seis vezes", destaca.


Bretzke amplia
exportação de
seus produtos

Jaraguá do Sul - A terceira maior fabricante de achocolatados no Brasil, a Bretzke Alimentos, resolveu em 1998 priorizar o mercado internacional, criando um departamento próprio para atender as exportações da empresa. Líder de mercado no Paraguai e Uruguai, com seu principal produto, o achocolatado Muky, a Bretzke aumentou sua presença no mercado e pretende até final deste ano atender toda a América Latina. A Bretzke não descarta abrir filiais ou adquirir empresas nestes paises ou no Leste da Europa, onde a empresa tem forte presença com mistura para bolos, gelatinas e miçangas (confeites de bolo), além do muky.
Segundo o gerente para negócios internacionais, Guido Jackson Bretzke, até 1998, a empresa atuava no mercado de exportação sem um departamento próprio. Para fortalecer a presença internacional e fortalecer a marca no Brasil atuando no máximo de paises possíveis, Guido deixou a diretoria comercial e de marketing da empresa, priorizando o mercado externo. A Bretzke exportava seus produtos para Paraguai, Argentina, Uruguai, Japão, Russia, Eslovênia e Eslováquia. Essa exportação não chegava a 5% de seu faturamento. Agora, com a nova estrutura, o volume vem aumentando gradativamente. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram exportados todo o volume produzido ano passado Em 1999, a exportação representava 7% do faturamento, este ano chegará a 15% e em 2001 deverá chegar a 40%, prevê o empresário.(Ney Bueno)



Fabricantes de móveis de São Bento do Sul trabalham a plena capacidade para atender pedidos destinados à exportação

Arrecadação cresce
21,7% em São Bento

No comércio, o número de consultas ao SPC subiu seis por cento nos cinco primeiros meses de 2000

Marília Maciel

São Bento do Sul - A economia de São Bento do Sul registra melhor desempenho nos primeiros meses deste ano em relação a igual período do ano passado. A prefeitura municipal, por exemplo, teve um incremento de 21,7% na arrecadação do ISS, Imposto Sobre Serviço. No primeiro semestre do ano passado foram arrecadados R$ 913.453,38. Este ano, até o final de junho, a prefeitura vai arrecadar aproximadamente R$ 1.112.246,00 só com esse tributo.
Na comparação mês a mês, a maior diferença foi registrada no mês de março quando foram recolhidos R$ 202.799,38 em ISS contra os R$ 147.510,69 no ano passado. A média de arrecadação mensal saltou de R$ 152.242,00 para R$ 185.374,00. A unificação da alíquota de recolhimento contribuiu para o aumento. Contribuintes que pagavam 4% passaram a pagar a taxa unificada de 5%.
Os dados do SPC, Serviço de Proteção ao Crédito, mostram um crescimento de 6% no número de consultas na comparação dos cinco primeiros meses de 2000 com o mesmo período do ano passado. O número de registros na lista dos inadimplentes caiu 16% de janeiro a maio, comparado a 1999. As reabilitações também tiveram queda de 32% no mesmo período. "A partir deste ano as consultas são 100% locais, feitas apenas em Santa Catarina, por isso a grande queda nos registros e reabilitações. Mas o número de consultas mostra aumento real nas compras a prazo", explica a chefe do SPC, Silvana Machado.
O setor de serviços e o comércio de roupas e pequenos eletrodomésticos são apontados como os principais responsáveis pelo crescimento das vendas, além dos materiais de construção. Na loja Breithaupt as vendas de material de construção cresceram 15% no primeiro quadrimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 1999. De janeiro a maio deste ano, 123 novas empresas abriram suas portas em São Bento do Sul, 16 a mais que no mesmo período do ano passado. Vinte e cinco empresas foram fechadas este ano, quatro a mais que nos primeiros cinco meses de 1999.


Setor moveleiro é impulsionado pelas vendas para o mercado externo

O setor moveleiro continua impulsionando a economia são-bentense. São cerca de 400 indústrias que empregam cerca de 20 mil pessoas. Maior pólo exportador de móveis do País, São Bento do Sul, é responsável pela metade das vendas externas do setor em Santa Catarina. Por sua vez é de Santa Catarina que saem 50% dos móveis vendidos pelo Brasil ao exterior. Por tudo isso o comércio local tem bons motivos para torcer pelo crescimento das vendas de móveis. As indústrias exportadoras estão trabalhando a todo vapor para dar conta dos pedidos.
Santa Catarina teve um incremento de 36,43% nas exportações moveleiras no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A tendência é de crescimento. A Artefama, por exemplo, que é a maior exportadora de móveis do País, está trabalhando com 90% de sua capacidade instalada. As vendas da empresa tiveram crescimento de 5% neste primeiro semestre e a expectativa é chegar até o final do ano com 10% de incremento para atingir um faturamento de US$ 20 milhões. Toda produção é exportada, 65% vai para os Estados Unidos e o restante para a Europa.
A Móveis Weihermann estipulou como meta para este ano um crescimento de 50% na produção o que implica em ampliar em 20% o quadro de funcionários. A expectativa é faturar US$ 10 milhões neste ano. Enquanto os exportadores comemoram, a produção moveleira para o mercado interno está praticamente estagnada. A Móveis Seiva possui duas unidades fabris. Uma trabalha apenas com exportação e a segunda com vendas no Brasil.

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicação e Internet