Joinville         -          Sexta-feira, 16 de Junho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















LAZER
Cidade de Mondaí, no Extremo-oeste catarinense, nasceu e cresceu num dos pontos mais bonitos do "Velho Uruguai"

Um lugar ao sol
no mapa turístico

Encontro do rio Uruguai com o das Antas vale visita a Mondaí

Edson Fuhrmann

Com 10 mil habitantes, 78 anos de emancipação e muita história para contar, Mondaí, no Extremo-oeste do Estado, começou nos últimos anos a aspirar a um lugar ao sol no mapa turístico de Santa Catarina. Como em outros municípios do Oeste catarinenses - como as vizinhas Itapiranga e Palmitos -, o rio Uruguai, que margeia a cidade, é um grande aliado para a implantação de um complexo de atrações que convença o turista a uma visita até lá.
O "Velho Uruguai" foi condescendente para com Mondaí. A cidade nasceu e cresceu em um dos pontos mais bonitos do rio, em uma curva onde ocorre o encontro das águas do Uruguai com as do rio das Antas. Neste local, há cerca de 15 anos, foi construído o Parque Municipal de Exposições, dando origem também, mais recentemente, a uma área de lazer pública, que, se mantidos os investimentos, deverá se transformar nos próximos anos em um dos principais pontos turísticos do Oeste do Estado, com o desenvolvimento de esportes náuticos e da pesca artesanal.
Venda no comércio cresce 15% em Joinville
Município arrecadou R$ 6 mi de ISS entre janeiro e abril, o que representa incremento de 22% sobre igual período de 99.  AN_Economia 
A área fica distante dois quilômetros do centro da cidade, às margens da SC-283, ainda dentro do perímetro urbano da cidade. O local tem 24 hectares de mata reflorestada, circundando um complexo que inclui as tradicionais churrasqueiras públicas, local para instalação de barracas, água encanada, energia elétrica, telefone, banheiros e lanchonete. Há cerca de dois anos, a Associação Mondaiense de Recuperação Ambiental (Amora) e Associação Amigos do Rio Uruguai, com apoio da Prefeitura, soltaram centenas de animais silvestres no local. São quatis, tatus, coelhos e outros bichos que por muitas vezes dão o ar da graça entre os visitantes.

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Árvores frutíferas
no centro de Mondaí

Município do Oeste é capital da fruta em Santa Catarina

Edson Fuhrmann

Mondaí - Mondaí talvez seja se não a única uma das únicas cidades do Estado em que o embelezamento de ruas e canteiros não é feito com flores ou plantas ornamentais, mas sim com árvores frutíferas com frutas cítricas. E é nesta época do ano que a cidade se veste de amarelo, com as centenas de pés de bergamota e laranja nos canteiros centrais da cidade. A população pode colhê-las, mas há uma conscientização para que os frutos fiquem nos pés para cumprir a função ornamental. O município vem se firmando cada vez mais como a capital estadual da fruta, com a realização, no último final de semana, da 9ª Festa da Fruta.
Colonizada por imigrantes alemães a partir de 1922, Mondaí é rica em histórias que muitas vezes se confudem com a própria história político-econômica do País. Um dos episódios que marcaram a região e especialmente Mondaí foi a chegada do revolucionário Luiz Carlos Prestes em janeiro de 1925, que deixou na então Porto Feliz um rastro de morte causada pela epidemia de tifo, que dizimou grande parte da população.
Também foi em Mondaí que morou Zeca Vacariano, o mais temido bandoleiro que já habitou o Oeste de Santa Catarina. Zeca Vacariano, que viveu na região na década de 20, foi integrante do bando que assaltou um trem pagador, no Meio-oeste do Estado. A casa onde morou o bandido existe até hoje na área de lazer. Foi restaurada e atualmente é sede dos escoteiros de Mondaí.

Região desenvolve
projeto junto com o Paraná

São Miguel do Oeste - O Extremo-oeste de Santa Catarina está desenvolvendo o primeiro grande projeto voltado para a área turística, com a participação de 19 municípios, incluindo dois do Paraná ­ Barracão e Flor da Serra do Sul ­ situados na divisa com Santa Catarina. O projeto prevê a sinalização turística regional, desenvolvida pela empresa Única Consultores de Engenharia Urbana Ltda., de Florianópolis. O custo será de R$ 30 mil, valor rateado entre as 19 prefeituras.
Sem nunca ter recebido um centavo de verbas federais ou estaduais para o setor turístico, o Extremo-oeste precisa deste projeto para pleitear recursos que estão em aberto no Programa de Desenvolvimento do Turismo na Região Sul (Prodetur). Para Santa Catarina, o recurso disponível é de US$ 3 milhões. A Organização para o Desenvolvimento do Turismo no Extremo-oeste Caminhos da Fronteira, que coordena as ações, ainda não sabe o valor a ser pleiteado. Segundo a vice-presidente da entidade, Maria Zanin, é necessário primeiro concluir o projeto, previsto para ser entregue no final de julho. Ele será enviado, então, para a Embratur e Prodetur.
A sinalização turística será de vital importância para a identificação das potencialidades turísticas de cada cidade. O projeto prevê sinalização do trânsito, de serviços e de pontos turísticos. O Extremo-oeste há alguns anos vem se mobilizando para entrar na rota turística do Estado, de olho principalmente no chamado turismo de passagem. Por aqui passam obrigatoriamente todos os estrangeiros que rumam para o litoral catarinense. Segundo Maria Zanin, por aqui passam também os turistas do Rio Grande do Sul rumo ao Pantanal Mato-grossense e ao Salto do Yacuman, na divisa entre Santa Catarina e Paraná.
Hoje o Extremo-oeste ainda não tem muito a oferecer em termos de infra-estrutura, mas há uma boa rede de serviços. Donos de postos de gasolina e lojistas vêm sendo conscientizados para dar tratamento diferenciado aos estrangeiros, que sempre acabam trazendo para a região o cobiçado dólar. A estratégia começa a dar certo. No último verão, centenas de argentinos acabaram entrando em São Miguel do Oeste e fazendo compras no comércio local. (EF)

Fique por dentro

Distâncias

  • 697 quilômetros de Florianópolis
  • 140 quilômetros de Chapecó
  • 65 quilômetros de São Miguel do Oeste

Como chegar

  • A partir de São Miguel do Oeste, pela SC-472, passando por Descanso e Iporã do Oeste, pega-se então a SC-283. A rodovia é asfaltada e está em excelentes condições.

Onde ficar

  • O Hotel Brasil é o único da cidade. Fica na avenida Laju, 270, no centro. Fone (0XX49) 874-0366. Tem quartos e apartamentos com diária entre R$ 15,00 e R$ 25,00.

Onde comer

  • Restaurante do Hotel Brasil: buffet e churrascaria
  • Restaurante Bar do Peixe: pratos à base de peixe


EMOÇÕES NO FRIO
Pistas de esquis e modernos meios de elevação integram infra-estrutura oferecida pelas estações argentinas
Foto: Divulgação

 

Uma festa para os amantes da Neve

Argentina dá o sinal verde para quem gosta de frio visitar estações de esqui e roteiro de inverno do País

Bariloche - A Secretaria de Turismo de La Nación, órgão máximo do turismo na Argentina, já deu o sinal verde para os amantes do frio e dos esportes de neve incluírem as sete estações de esqui do país em seus roteiros de inverno. O Brasil responde atualmente por 20% dos turistas estrangeiros na Argentina e, no ano passado, deixaram em média US$ 20 milhões naquele país.
A neve é o principal produto turístico da Argentina, ao lado da sempre elegante Buenos Aires. Nos últimos anos, governos estaduais e empresários perceberam a importância de profissionalizar a atração, desenvolvendo os centros de esqui já existentes e construindo novos. Hoje, a Argentina conta com sete estações - Cerro Catedral, Caviahue, Cerro Bayo, Cerro Castor, Chapelco, La Hoya e Las Leñas - especializadas em oferecer prazer e emoção ao turista, desde o mais avançado esquiador até o principiante que deseja só ver a neve de perto.
Um dos mais modernos e importantes centros de esqui da América do Sul, Cerro Catedral está situado em Bariloche, e tem fácil acesso para automóveis e ônibus turísticos ou regulares. A temperatura, no inverno oscila entre zero e doze graus. As cerca de 15 pistas são próprias para esqui alpino e snowboard. O complexo conta com os mais modernos meios de elevação, com capacidade de transporte de 10.500 esquiadores por hora.
Situada no Extremo-sul do município de Neuquén, na margem norte do lago Nahuel Huapi, a Villa La Angostura foi fundada em 1932 por um grupo de pioneiros. Nos anos 70 começaram as primeiras práticas de esqui na cidade e percebeu-se a possibilidade de desenvolver uma pista na montanha Cerro Bayo. Este centro recebe neve, geralmente, de junho a outubro. São 26 km de pistas para a prática do esqui alpino, em um cenário de grande beleza. O complexo tem nove meios de elevação.

TREM A VAPOR

Palco de eventos mundiais, a estação La Hoya nasceu de sua proximidade com o município de Chubut e do entusiasmo das pessoas que queriam transformá-la num centro de esportes de inverno. A 300 km de Bariloche e com fácil acesso terrestre e aéreo, a estação apresenta diversas atividades para os turistas: visita ao parque nacional Los Alerces, passeio de trem a vapor e visita à colônia gaulesa de Trevelin, entre outros. O turista pode utilizar as 24 pistas, numa superfície de 22 km, contando com a facilidade de nove modernos meios de elevação.
Inaugurado em julho de 1999, o complexo de Cerro Castor fica a 200 km de Rio Grande (Terra do Fogo). A metade de sua superfície é coberta pela vegetação típica da região - bosque fueguino -, o que dá um caráter de magia ao lugar. A parte superior da montanha não possui vegetação, permitindo que se aprecie a beleza dos Andes do Sul. A estação de fácil acesso aéreo, terrestre e marítimo. No inverno, a temperatura varia entre 15 graus negativos e 6 graus positivos.

TRENÓS COM CÃES

O desenvolvimento da província de Neuquén se iniciou há 14 anos, com a instalação do primeiro hotel e construção das pistas. A partir daí, teve lugar a fundação de Caviahue. A base da montanha fica a 1.600 metros de altura, junto a um bosque de araucárias de cerca de 800 anos. As pistas são ideais para a prática do esqui alpino e de esqui de aventura. Caviahue conta também com uma das melhores pistas para esquiadores profissionais da América do Sul. É possível fazer excursões de trenós puxados por cachorros ou visitar as termas de Copahue, que contam com 16 lagos de diferentes propriedades de cura.
De qualquer uma das plataformas de Cerro Chapelco têm-se uma visão panorâmica do lago Lácar e do Vulcão Lanín, tendo ao fundo a cordilheira dos Andes. Distante 19 km da cidade de San Martin de Los Andes, conta com diversos restaurantes, casas noturnas, cassino, cinema e teatro. No inverno, as temperaturas variam entre quatro graus negativos e 11 graus positivos. São 31 pistas esquiáveis, com 12 meios de elevação que permitem transportar 11.718 passageiros por hora.
Localizado em Las Leñas, ao sul do município de Mendonza, o Valle de Las Leñas é de fácil acesso terrestre ou aéreo. Criado essencialmente para práticas de esqui e esportes de montanha, conta com os mais modernos meios de elevação, com capacidade para transportar 9.200 esquiadores por hora. São 64 km de pistas, com uma super-estrutura de segurança. Um moderno equipamento importado da Alemanha assegura a perfeita condição do centro de esqui. Las Leñas oferece berçários, jardim de neve, hotéis, restaurantes, hotéis, centros de compras, centro médico, entre outras.

Fique por dentro

Saiba como obter mais informações sobre as estações de esqui da Argentina

Cerro Catedral
Telefax: (00XX54) 2944-423776, ramal 178
Site: http://www.altapatagonia.com
E-mail: altapatagonia@bariloche.com.ar

Cerro Bayo
Telefax: (00XX54) 2944-494189
Site: http://www.cerrobayoweb.com
E-mail: informes@cerrobayoweb.com

Cerro Castor
Fone: (00XX54) 2901-432001

La Hoya
Fone: (00XX54) 2294-454954
Site: http://www.camlahoya.com.ar
E-mail: camlahoya@camlahoya.com

Caviahue
Fone: (00XX54) 2948-495115
E-mail: farallon@zapala.com.ar

Cerro Chapelco
Telefax: (00XX54) 2972-427157
E-mail: nievescerro@smandes.com.br

Valle de Las Leñas
Fone: (00XX54) 2627-471100


EMOÇÕES NO CALOR
Linha "Cuba and Caribe Express" na ilha controlada há 43 anos por Fidel Castro
Foto: Arquivo AN 21/11/94

Empresário promete
trem lendário para Cuba

Havana - Depois do Expresso do Oriente, o Blue Train e do Royal Scotman, um outro trem a ser lançado em Cuba promete entrar para a galeria dos comboios lendários. O empresário Thierry Nicolas, um belga amante dos trens, quer lançar na ilha comunista o palácio sobre rodas mais luxuoso das Américas.
Depois de quatro anos de esforços e dezenas de viagens à ilha, Thierry Nicolas anunciou para dezembro de 2001 a abertura de sua linha Cuba and Caribe Express. "Esse será não somente o único trem de luxo no Caribe, mas sem dúvidas o mais confortável das Américas. Também será certamente o hotel mais belo de Cuba", afirma.
O trem é parte da paisagem cubana há muito tempo: em 1837, antes de surgir na Espanha, a metrópole colonial recebeu a malha ferroviária do "caminho de ferro". Várias gerações depois estes trens continuam na ilha transportando cana-de-açúcar dos campos aos mercados centrais, assim como passageiros, em condições rústicas e pouco confortáveis.

LINHA DE LUXO

O empresário garante que pesou na decisão o fato de Cuba ser o único país do Caribe que possui uma verdadeira rede ferroviária. Por isto, ele viu a oportunidade de criar uma linha luxuosa que atravessará a ilha de lado a lado, de Havana a Santiago de Cuba, distantes 944 km.
Futurista
Linhas do Audi TT Roadster são arrojadas por fora e por dentro. Conversível conta com ampla lista de equipamentos de conforto e segurança.  AN_Veículos 
O projeto foi concretizado em maio, após a assinatura de um acordo com a empresa belga Chemis de Fer Belge (SNCB) para a constituição de uma sociedade mista encarregada de administrar o futuro do Cuba and Caribe Express.
O investimento total será de US$ 28 milhões e inclui a transformação de 21 vagões tradicionais em camarotes, restaurantes, salões e bares de grande luxo, assim como a reabilitação das locomotivas movidas a diesel. Serão 136 passageiros por trem e 48 viagens programadas por ano.

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03/05 - O passado caudilho da Capital do Oeste do Estado
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Pinhão, motivo extra para visitar Lages

Festa que abre amanhã deve atrair cerca de 300 mil pessoas ao Planalto Serrano até o dia 25

Loreno Siega

Lages - Começa quinta-feira e vai até o dia 25 a 12ª edição da Festa Nacional do Pinhão, no Parque de Exposições do Conta Dinheiro, em Lages. A festa modifica a paisagem da principal cidade do Planalto Serrano e se transforma numa atração extra para o turista visitar a região nesta época do ano.
Além dos shows, bailes, festivais de música, comidas típicas, mostras de arte e venda de produtos regionais, os visitantes poderão apreciar as belas paisagens serranas nas dezenas de fazendas de turismo rural. Outro atrativo é o frio. Devido ao bom nível dos shows programados para este ano e ao conjunto das atrações, os organizadores esperam um público de pelo menos 300 mil pessoas nos 11 dias do evento.
Algumas das principais atrações musicais deste ano são os shows de Zezé di Camargo e Luciano (dia 16), de Os Raimundos (dia 17), de Jam Pow e LS Jack (dia 18), de Zé Ramalho (dia 21), de Djavan (dia 22), de Dazaranha e Karametade (dia 23) e do Barão Vermelho (dia 24). Nas madrugadas, sempre depois das grandes apresentações há bailes sob lonas ou em outros espaços no interior do parque
A gastronomia é uma atração à parte. Vale a pena experimentar a paçoca de pinhão, o "entrevero" (uma mistura de pinhão, carne e temperos), o pastel de pinhão, o arroz de carreteiro, o frescal e o ponche (uma bebida à base de vinho e gemada), entre outras iguarias. Os preços variam de acordo com o tipo de prato e a porção. Durante o dia, tudo isto pode ser apreciado no calçadão central da cidade, no "Recanto do Pinhão".

PREÇOS

Neste ano, a festa oferecerá ingressos pela metade do preço aos estudantes identificados com carteirinha, além de aposentados. Para os demais participantes, o valor máximo do ingresso será de R$ 10,00 (dias de grandes shows) e R$ 5,00 (datas com atrações de menor expressão). Outra novidade é que em quatro noites não será cobrada entrada (nos dias 15, 19, 20 e 25), para facilitar o acesso à população de baixa renda. Também há o passaporte do pinhão, que dá direito a entrar no parque todos os dias, com um pagamento antecipado de R$ 50,00. Os ingressos só serão vendidos nas bilheterias da festa, para evitar a exploração dos cambistas.
Para os cerca de 30% dos freqüentadores da festa que são de fora da cidade, os mil leitos da rede hoteleira de Lages serão insuficientes. A maioria dos estabelecimentos já esgotaram as reservas. O mesmo acontece com as fazendas de turismo rural da região, que costumam ficar abarrotadas no período.
Para quem ainda pretende ir a Lages no período e não fez reservas, a solução é recorrer a amigos ou parentes ou buscar junto à Serratur (órgão oficial de turismo de Lages, promotor do evento) vagas em casas ou apartamentos alugados por famílias. Outra opção é acampar próximo ao Parque de Exposições, no Camping do Pinhão.

Mais informações na Serratur, pelos fones (0XX49) 222-5225 ou 221-1096.

Frio por fora, quente por dentro

Paulo Ramos Derengoski
Especial para A Notícia

De todas as grandes festas populares que se realizam no meio do ano pelo vasto interior do Brasil, a Festa Nacional do Pinhão, de Lages, é a mais quente, a maior e a mais movimentada. Isso porque reúne algumas coisas fundamentais para um grande agito: muita música com variedade enorme de shows, gente bonita de todas as idades de todo o País e comida (e bebida) farta.
Música, fartura e beleza: tudo isso acontece nos dias mais frios da região mais gelada do Sul, quando as primeiras geadas intensas cobrem com seu manto branco os campos de Lages, fazendo a temperatura descer a zero e as primeiras nevascas se acumularem na linha do horizonte, entre o crepitar do fogo nas cozinhas de chão e os gritos de alegria da gralha azul, o misterioso pássaro que planta o pinhão.
Nesses dias frios por fora e quentes por dentro, milhares pessoas se dirigem a Lages para participar dos shows musicais, bailes, exposições, feiras e festivais que acontecem no Parque de Exposições do Conta Dinheiro, uma área silvestre com 148 mil metros quadrados, que se transforma na Cidade da Farra do Pinhão.
Mas a diversidade da Festa do Pinhão não está apenas na música. Ela se diferencia também na alimentação farta, rica e nutritiva. É o momento de fazer pausa das dietas para degustar centenas de pratos oferecidos aos turistas, dentre os quais se destacam os que são feitos à base da semente do pinheiro araucária: o pinhão, fruto dourado do sol, altamente alimentício e afrodisíaco. Isto sem falar dos churrascos de Lages, dos carreteiros à moda tropeira paulista, das fornidas feijoadas brasileiras, das macarronadas italianas, das cervejadas na cuia e do bom, generoso e inspirador vinho gaúcho.
A estrutura do parque - antigo posto de grandes negócios de gado - conta com bares, restaurantes, farmácias, creches, postos médicos, padarias, policiamento, comunicações, transporte e tudo o mais necessário para uma gigantesca festa. Que além de música, bailes, mulheres bonitas, juventude e calor humano tem também características culturais e ecológicas, com palestras, debates, vídeos, cavalgadas, gineteadas, domas selvagens, concursos e agitos permanentes que fazem o som do bumbo legüeiro - tambor dos índios - atravessar as noites, varando as madrugadas em êxtase de alegria. É a explosão do carnaval dos campos. Frio por fora, quente por dentro.

Pinhão com picadinho de carne

Confira a seguir uma receita à base de pinhão, uma contribuição do jornalista Paulo Ramos Derengoski, que mora em Lages.

Ingredientes

  • 1/2 kg de pinhões descascados cozidos em água e sal, cortados em rodelinhas
  • 1 kg de alcatra limpa e cortada em pedaços pequenos
  • 1 cebola ralada
  • 6 tomates picados sem casca e sem sementes
  • 2 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • 4 colheres das de sopa de óleo
  • 1 colher das de sopa de manteiga ou margarina
  • Salsa, cebolinha verde, sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de fazer

  • Doure a carne no óleo com manteiga
  • Quando a carne estiver dourada, junte a cebola e o alho socado com sal e pimenta-do-reino
  • Refogue bem e depois adicione os tomates e os pinhões
  • Torne a refogar e adicione água suficiente para a carne cozinhar e formar o picadinho com boa porção de molho
  • Adicione a salsa e a cebolinha verde
  • Deixe levantar a fervura e retire do fogo
  • Sirva junto com arroz branco, couve à mineira e banana à milanesa

 
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