Joinville         -          Sexta-feira, 16 de Junho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Requinte e exclusividade
a mais de 230 km/h

Metade do primeiro lote de 100 unidades do TT Roadster já está vendida, apesar do preço salgado de R$ 155 mil do conversível

No mercado de veículos superluxo, os roadsters funcionam como "vitrines" de cada marca. Ostentam charme e tecnologia para seduzir a parcela mais rica da população. Mesmo que vendam poucas unidades, carros como BMW Z3 e Mercedes-Benz SLK funcionam como poderosos "puxadores" de vendas de outros modelos de suas marcas. Na Audi, o modelo escalado para essa função é o TT Roadster, a versão conversível do TT Cupê que desembarca esse mês no mercado nacional.
O conversível, que começa a ser importado para o mercado brasileiro, já traz a resposta da Audi a acidentes que ocorreram com a versão anterior do TT a mais de 180 km/h. A repercussão desses acidentes comprometeu as vendas do modelo na Europa e fez com que os proprietários das cerca de 50 mil unidades vendidas em todo o mundo fossem "convidados" pela Audi a comparecer às concessionárias da marca para instalar um pequeno aerofólio na traseira e recalibrar as suspensões, se os proprietários assim o desejassem. O novo TT Roadster já desembarca no Brasil com essas mudanças. Por sinal, a Audi Senna aproveitou o lançamento do Roadster para "relançar" também, discretamente, o Cupê TT já com aerofólio e suspensão recalibrada de fábrica.
Se o TT Cupê já era um carro para poucos, o Roadster é ainda mais elitizado. Custará, no Brasil, R$ 155 mil. Ainda mais que a versão com teto rígido, que vai dos R$ 126 mil na versão básica aos R$ 145 mil na versão top. O conversível da Audi também é mais caro que os dois principais concorrentes, o Mercedes-Benz SLK e o BMW Z3, que no Brasil são comercializados, respectivamente, por R$ 147 mil e R$ 119,8 mil.
Apesar do preço, o TT Roadster conta com elementos para atiçar a cobiça do requintado consumidor deste tipo de veículo. Ou seja, da parcela abonada da população que pode se dar ao luxo de desembolsar o valor de um bom apartamento em um automóvel destinado mais aos passeios de final de semana que para o dia-a-dia. O TT Roadster tem um design singular, arredondado e agressivo, que não deixa dúvidas sobre sua vocação esportiva. Além disso, esbanja luxo e requinte e conta com uma motorização exuberante, que promete fortes emoções com seus 225 cavalos.

Linhas arredondadas

Por fora, o TT Roadster apresenta o mesmo visual clean do TT Cupê, com carroceria arredondada caracterizada pela quase inexistência de cantos vivos. A diferença está mesmo na ausência da capota, que deixa à mostra dois bancos e dois santantônios e ressalta o aspecto aerodinâmico do pára-brisa. Já por baixo da carroceria e na parte interna, o TT Roadster conta com inúmeros equipamentos de conforto e tecnologia. Para o Brasil, a versão importada é a top de linha européia, que incorpora desde itens tradicionais, como direção hidráulica, trio elétrico e ar-condicionado, até equipamentos que são opcionais por lá, como airbags laterais, acionamento elétrico da capota e vidro traseiro elétrico contra turbulência.
Para empurrar a "fera", o TT Roadster vendido por aqui contará com o mesmo motor "nervosinho" que já equipa as versões mais "invocadas" do Audi A3 e Volkswagen Golf - cada qual com suas respectivas calibragens. No Roadster, o motor turbinado de cinco válvulas para cada um dos quatro cilindros e 1.8 litro de capacidade volumétrica desenvolve seus 225 cv de potência máxima a 5.900 giros e 29,1 kgfm de torque máximo entre 2.200 e 5.500 giros. Com ele, segundo a Audi, o modelo alcança a velocidade máxima de 237 km/h, acelera de zero a 100 km/h em ótimos 6,7 segundos e ainda consegue, segundo a Audi, fazer 8 km/l na cidade e até 13 km/l na estrada. Tudo gerenciado por um câmbio manual de seis marchas e com paradas endossadas por freios a disco ventilado nas quatro rodas sobreassistidos por ABS.


Futurista
Linhas do Audi TT Roadster são arrojadas por fora e por dentro. Conversível conta com ampla lista de equipamentos de conforto e segurança
Fotos: Divulgação

Tração nas 4 rodas e
EDS garantem a estabilidade

O ar de brinquedo do TT Roadster torna difícil disfarçar o sorriso de quem assume o volante dele pela primeira vez. Passado o inconveniente inicial da colocação do cinto de segurança - que fica numa posição muito recuada e baixa, difícil de alcançar -, o carro mostra que não está para brincadeiras: reage com voracidade logo à primeira pressão no pedal direito. Como o ronco grave do motor instiga um estilo mais agressivo de dirigir, é natural que se chegue às curvas numa velocidade superior à recomendável.
É nesse momento que o discreto logotipo "Quattro", situado na grade do motor e na tampa do porta-malas, mostra seu significado. A tração nas quatro rodas com bloqueio eletrônico de diferencial EDS, aliada ao acelerador eletrônico drive-by-wire - onde o cabo do acelerador é substituído por fios e sensores -, transmitem absoluta sensação de segurança. O carro está sempre "na mão", até mesmo em curvas feitas de forma imprudente.
Se nas curvas o TT Roadster já impressiona, nas retas o motor 1.8 turbinado de 20 válvulas esbanja saúde e permite retomadas de velocidade de tirar o fôlego. Nessa hora, acelerando forte com os cabelos ao vento, mesmo o mais compenetrado motorista se sente como um moleque que desce pela primeira vez a ladeira em seu carrinho de rolimã. (Luiz Humberto Monteiro Pereira)



Top
RXE custa a partir de R$ 35, 5 mil e possui mais opcionais que os nacionais
Fotos: Divulgação

Mégane hatch RXE ganha na relação custo/benefício

Modelo argentino tem visual remoçado e chega completo para concorrer com médios nacionais

Os retoques no visual da linha Mégane são as armas da Renault para se manter competitiva no segmento de carros médios brasileiro, que anda agitado pela briga entre Golf, Astra, Brava e Escort. Apesar de ter sido lançado em abril no País, o novo Mégane efetivamente começa a chegar só agora com regularidade importado da Argentina.
A Renault já regularizou o fornecimento do novo Mégane e investe principalmente no modelo hatch, que tem previsão de representar 65% das vendas da linha, para fazer frente aos adversários com visual remoçado, novo motor e uma boa relação custo/benefício, principalmente na versão "top" RXE. O novo Mégane hatch RXE honra o posto de versão mais requintada e sai de fábrica completo, com direção hidráulica, trio elétrico, rádio/CD player com comandos em uma alavanca na coluna de direção, ar-condicionado, airbag duplo, ABS e computador de bordo. O airbag e o ABS eram opcionais no antigo modelo e o computador de bordo é uma novidade do novo painel exibido pelo Mégane reestilizado.
Com estes equipamentos, o Mégane hatch RXE básico custa R$ 33.500, o que é mais do que o preço inicial de concorrentes nacionais como o Astra GL 1.8 e Golf 1.6, que custam cerca de R$ 28.500, e Brava ELX, que tem preço de R$ 31.906. Mas os rivais brasileiros com os mesmos itens do hatch da Renault ficam com preço bem mais salgado. Completos, mas sem computador de bordo, o Golf 1.6 sai por R$ 36.562, o Astra GL custa R$ 36.284 e o Brava ELX, R$ 36.143. Mesmo em comparação com outros veículos importados, o Mégane hatch leva vantagem no preço. O também argentino Peugeot 306 Passion completo custa R$ 34.200, e o uruguaio Citroën Xsara GLX 1.8 tem preço de R$ 33.840, mas não possui ABS.

Força
Motor 1.6 é mais leve e gera 110 cavalos

Motor 1.6 16V é o mesmo utilizado na Scénic RT

O custo/benefício do Mégane hatch RXE fica mais interessante porque o modelo passa a usar o moderno motor 1.6 16V também utilizado na Scénic RT. Este propulsor substitui o antigo 2.0 oito válvulas - projetado na década de 1970 - e, apesar da diferença de cilindrada, não faz feio em relação ao antecessor. O motor 1.6 16V atinge 110 cv de potência a 5.750 rpm e torque de 15,1 kgfm a 3.750 rpm, contra 115 cv e 17,5 kgfm do antigo propulsor. Só que o novo motor, segundo a Renault, é 17 kg mais leve e sofre 50% menos de atrito do que o 2.0. Esta diferença se deve ao projeto atual do propulsor 1.6 16V, que exibe eixo de comando oco, balancins roletados e velas com bobinas individuais, entre outros. Com isso, o Mégane hatch RXE atinge a velocidade máxima de 185 km/h.
Com preço competitivo, "upgrade" de equipamentos de série e novo motor, a Renault tentou equilibrar o conjunto do Mégane com retoques visuais, para maquiar a defasagem do desenho do carro lançado mundialmente em 1995. A parte frontal ficou mais fluida com o novo capô com uma leve depressão na parte central, que segue até a nova grade bipartida do motor com contornos cromados. Os faróis têm formato de gota e lentes lisas. Já os pára-choques estão mais arredondados, e na dianteira conta com uma grande entrada de ar na parte inferior e faróis de neblina. O Mégane hatch RXE ainda ganhou rodas de liga- leve de desenho esportivo e lanternas com lentes transparentes. Tudo isso para deixar o veículo com aspecto mais jovem e torná-lo também interessante visualmente.

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