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Vaticano publica texto
do 3º segredo de Fátima
Previsões
apocalípticas ficam definitivamente enterradas com a versão
oficial do documento
Pondo
fim a decênios de especulações sobre profecias
apocalípticas, o terceiro segredo de Fátima deixou
de ser segredo ontem, com a publicação oficial,
pelo Vaticano, do texto manuscrito de Lúcia dos Santos,
uma das três crianças portuguesas que disseram ter
visto a Virgem Maria em Fátima em 1917.
Ao apresentar o documento redigido por Lúcia, uma freira
de 93 anos que vive enclausurada, o cardeal Joseph Ratzinger,
o guardião oficial da ortodoxia católica, como
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,
advertiu que o leitor que fizer "uma cuidadosa leitura"
do texto "talvez fique desiludido ou surpreso depois de
todas as especulações feitas" a respeito de
seu conteúdo.
Isto porque o segredo ontem divulgado "não revelou
nenhum mistério, nem descerrou o véu do futuro",
disse Ratzinger, referindo-se a antevisões apócrifas
de cenários apocalípticos como o de um desastre
nuclear, nem faz qualquer referência ao Anticristo. O texto
retoma o essencial do que foi adiantado em 13 de maio em Fátima
pelo cardeal Angelo Soldano, por ocasião da beatificação
de Jacinta e Francisco.
Soldano disse no mês passado que as "interpretações"
das três crianças sobre sua terceira visão
era a de "um bispo vestido de branco" que, enquanto
avançava entre os cadáveres de mártires,
"cai ao solo, aparentemente ferido, em meio a uma chuva
de balas".
Os comentários de Ratzinger não contestam, mas
questionam as sugestões do turco que disparou contra o
papa, Mehmet Ali Agca, no sentido de que ele próprio teria
sido apenas um instrumento no plano de Deus. João Paulo
2º, depois de ser ferido, opinou que a Virgem Maria desviou
a trajetória da bala de seu atacante, permitindo-lhe sobreviver.
Revelação é
uma ajuda para a fé
Ratzinger enfatizou ainda que os três segredos revelados
pela Virgem, assim como sua interpretação autêntica,
tratam de uma revelação "privada" e não
"pública".
Para a doutrina católica, afirmou Ratzinger, "o Cristo
Deus disse tudo (o essencial), manifestou-se a si mesmo e, portanto,
a revelação foi concluída com a realização
do mistério de Cristo, que encontrou sua expressão
no Novo Testamento". As visões de Fátima,
portanto, não acrescentam nada ao "patrimônio
da fé", mas, segundo o cardeal, "a revelação
privada é uma ajuda para a fé" e "digna
de crédito porque remete à revelação
pública", nascendo habitualmente da "devoção
popular".
Oposição fica na
liderança no Zimbábue
Harare - O partido opositor Movimento pela Mudança
Democrática (MMD), criado em setembro, liderava a apuração
das eleições parlamentares do fim de semana no
Zimbábue, segundo resultados divulgados ontem.
De acordo com fontes do diretório eleitoral, com 25% dos
votos apurados, o MMD obteve 18 cadeiras, das 120 em disputa,
nas primeiras circunscrições onde havia sido realizada
a contagem de votos, que demorou muito mais que o previsto.
O partido governista União Nacional Africana do Zimbábue
Frente Patriótica (Zanu-PF) conquistou 13 cadeiras.
Entre as perdas do partido governista no pleito estavam as cadeiras
dos ministros do Transporte e de Assuntos Internos. O candidato
oposicionista Roy Bennett, um fazendeiro branco que teve de fugir
temporariamente de sua propriedade depois da ocupação
por militantes da chapa governista, conquistou o distrito de
Chimanimani, nas proximidades da fronteira com Moçambique.
Apesar de os resultados serem iniciais e parciais, eles confirmam
os prognósticos sobre uma derrota do partido do presidente
zimbabuano, Robert Mugabe, que está há 20 anos
no poder, desde a independência do país da Grã-Bretanha,
em 1980.
Tanto o partido de Mugabe quanto o Movimento por Mudança
Democrática celebraram vitória nas eleições
parlamentares do fim de semana.
Depois do anúncio dos primeiros resultados na televisão
nacional, partidários do MMD saíram às ruas
de Harare para comemorar.
Com a economia do Zimbábue abalada, o partido de oposição
oferece o mais forte desafio ao partido de Mubage, o Zanu-PF,
desde que ele liderou a independência do regime de minoria
branca em 1980.
Premiê japonês diz
que não fará mudanças
Tóquio - Apesar de uma eleição que retirou
a maioria parlamentar de seu partido, o primeiro-ministro japonês,
Yoshiro Mori, disse ontem que sua coalizão sobreviveu
e que o Japão não deve esperar mudanças
na economia ou na política externa.
Apesar de os três partidos governistas terem sofrido perdas,
a contagem final divulgada ontem mostrou que eles ainda controlarão
uma confortável maioria - 271 das 480 cadeiras da câmara
baixa, a mais poderosa das duas casas do parlamento. Antes da
votação de domingo, a coalizão detinha 336
assentos.
O resultado da eleição garantiu a continuação
da política de gastos públicos do Partido Liberal
Democrático (PLD), de Mori, e de seus parceiros da coalizão
num momento em que o Japão tenta dar uma nova largada
em sua economia.
Os resultados foram típicos das eleições
japonesas - uma opção pelo velho e familiar sobre
o novo e desconhecido. Apesar de escândalos e tempos difíceis,
os liberal-democratas têm governado a nação
quase continuamente pelos últimos 50 anos.
Os japoneses creditam aos liberal-democratas o dramático
crescimento econômico do país depois da Segunda
Guerra Mundial. E eleitores conservadores ainda confiam em seus
políticos - a quem chamam de "sensei", ou "senhores"
- para levar para casa o pão.
Mori praticamente garantiu sua reeleição como primeiro-ministro
numa votação largamente ritual que será
realizada em 4 de julho no Parlamento.
"A vontade do povo expressa na eleição é
de que a coalizão de três partidos seja mantida",
disse Mori. Ele adiantou que deve promover reformas em seu gabinete,
mas que os ministros das Finanças e das Relações
Exteriores irão provavelmente ser mantidos.
Cães
- Dois cães de ataque mataram a mordidas um garoto de
seis anos de idade quando ele ia para a aula de natação
na manhã de ontem, ao lado de 10 colegas de classe, em
uma escola de Hamburgo. Pouco depois, policiais mataram os cães
a tiros. A mais recente morte causada por ataques de cães
ocorre em meio a um debate na Alemanha sobre a eventual proibição
de se criar esse tipo de cachorro depois de uma idosa ter sido
morta em um incidente semelhante. As crianças que testemunharam
o ataque ficaram em estado de choque, informou a polícia
alemã.
Pobreza - Uma estratégia
composta por sete objetivos para reduzir os sofrimentos causados
pela miséria foi apresentada ontem, em Genebra, em um
documento elaborado conjuntamente pela ONU, pela Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
(OCDE), pelo FMI e pelo Banco Mundial. Os principais objetivos
da proposta são a drástica redução
do número de pessoas que vivem na pobreza mais absoluta,
que atualmente somam 1,2 bilhão, a escolarização
universal, assim como a redução da mortalidade
infantil e a proteção do meio ambiente.
Renúncia
- O ministro do Petróleo do Kuwait anunciou sua renúncia
ontem devido a uma explosão que causou a morte de cinco
funcionários, no dia anterior, na maior das três
refinarias de petróleo do país. "Apesar de
eu não ter responsabilidade criminal, minha responsabilidade
política levou-me a renunciar esta manhã perante
sua alteza o emir", disse o xeque Saud Nasser Al Sabah no
parlamento.
A explosão teria sido provocada por um vazamento de gás,
mas as causas do incêndio ainda são desconhecidas.
A refinaria emprega 1.450 trabalhadores.
Militares -
Um grupo de militares venezuelanos na ativa criou uma organização
cívico-militar para enfrentar o governo e tentar obter,
por via pacífica, a renúncia do presidente Hugo
Chávez. Num caso sem precedentes, os militares decidiram
participar abertamente da vida política do país
criando a Junta Patriótica Venezuelana, uma organização
opositora. A existência do grupo opositor foi denunciada
ontem pelo presidente da Frente Institucional Militar, o vice-almirante
reformado Rafael Huizi Clavier, que deu entrevista aos jornalistas.
Manipulações
trazem dúvidas
Washington - Craig Venter, presidente da Celera Genomics,
e Daniel Cohen, do grupo francês Genset, propuseram a criação
de um parlamento mundial para estabelecer critérios éticos
universais, até agora inexistentes, sobre as potenciais
aplicações da decodificação do genoma
humano.
"O que propomos é a criação de uma
espécie de câmara alta parlamentar mundial",
que seria "um órgão de deliberação
composto por cientistas e filósofos experientes, com cerca
de 60 membros", disseram os dois cientistas, em uma coluna
de opinião publicada ontem pelo jornal "Los Angeles
Times".
Os parlamentares teriam um mandato de dois anos e prestariam
assessoria às autoridades competentes em matéria
de negócios e política, "com o peso de sua
autoridade coletiva". "Este órgão, quem
sabe patrocinado pelas Nações Unidas, daria informações
ao público sobre os dilemas de um avanço científico
e proporia soluções", detalharam Venter e
Cohen.
"Uma vez possuindo o mapa total do genoma humano, poderemos,
na teoria, conceber um ser humano", explicaram, justificando
a necessidade de legalizar as manipulações genéticas.
Beleza italiana
Equipado com motor V12 de 5.5 litros e 48 válvulas, a
Ferrari Rossa foi uma das atrações do Salão
de Turim, vitrine do design automotivo que completou cem anos.
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Venter revelou que a decodificação
do genoma de cinco pessoas de origem e cor diferentes mostra
que o conceito de raça não tem fundamento genético.
"Fizemos a seqüência do genoma de três
mulheres e dois homens, que se definiam como de origem hispânica,
asiática, caucásica (branca) e afro-americana (negra),
explicou Venter.
"Não o fizemos visando à exclusão,
e sim para respeitar a diversidade da América e mostrar
que o conceito de raça não tem fundamento genético
ou científico", acrescentou o pesquisador.
O presidente da Celera Genomics anunciou ainda a realização
de uma versão própria do genoma humano, utilizando
um método diferente do empregado pelos pesquisadores do
setor público.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Anunciado mapa do
código genético humano
Descoberta abre
novas perspectivas para o tratamento de doenças com causa
genética
Washington - Cientistas trabalhando para o governo dos EUA
e para empresas privadas anunciaram ontem que está virtualmente
pronto o primeiro mapa do código genético humano,
conquista definida pelo presidente Bill Clinton como "um
dia para a história".
Clinton, que fez o anúncio acompanhado pelo primeiro-ministro
britânico Tony Blair - "presente" graças
a uma transmissão via satélite - saudou a conclusão
do trabalho, depois de um esforço de dez anos e de um
custo de bilhões de dólares. "Hoje aprendemos
o idioma com que Deus escreveu a vida", disse o presidente
Bill Clinton. "E aumentamos nosso espanto perante a complexidade,
a beleza e a maravilha do maior presente de Deus".
Clinton comparou o mapeamento do código genético
às descobertas de Galileu e ao trabalho de Lewis e Clark,
dois exploradores que mapearam o interior da América do
Norte.
Valor
Francis Collins, chefe do Projeto Genoma Humano do Instituto
Nacional de Saúde dos EUA, disse que a descoberta permite
que os seres humanos "leiam o próprio manual de instruções".
Segundo Blair, em termos de valor para a medicina o genoma supera,
"em muito", a descoberta dos antibióticos.
Para mapear o genoma humano, o Projeto Genoma Humano, financiado
pelo governo dos EUA, e o programa paralelo desenvolvido pela
empresa Celera Genomics tiveram que decodificar cerca de 3,1
bilhões de subunidades de DNA. O DNA contém 500.000
genes, que determinam as características que o indivíduo
herda dos pais e a forma como suas células funcionarão
durante a vida.
O mapeamento do DNA abre novas perspectivas para a medicina.
Doenças com causa genética poderão vir a
ser tratadas diretamente na raiz, no nível molecular.
É possível que o mapa de genes permita detectar,
no nascimento, a quais doenças uma pessoa é mais
vulnerável, e iniciar um tratamento capaz de estender
a expectativa de vida além do que já se considerou
possível.
Informações ficarão
disponíveis gratuitamente para o público
Em Londres, Michael Dexter, do Wellcome Trust, que participou
do projeto junto com o governo americano, disse que as informações
do genoma serão postas à disposição
do público. "Isto não será propriedade
exclusiva de uma única pessoa, empresa ou país",
afirmou.
A empresa Celera Genomics vai divulgar gratuitamente, no outono
(do Hemisfério Norte), seu mapa do genoma humano, mas
venderá suas interpretações do mapa entre
pesquisadores e empresas farmacêuticas, anunciou ontem
seu presidente, Craig Venter. Atualmente as informações
sobre o genoma estão disponiveis apenas para assinantes
das informações da Celera.
A empresa afirma ter um mapa do genoma mais completo do que o
do consórcio público "Projeto Genoma".
Enquanto o consórcio cobre 97% da informação
genética, com 85% em ordem, a Celera diz que mapeou 99%
do genoma, totalmente em ordem.
Estratégia
O diretor da Celera explicou a estratégia comercial
da companhia: "como empresa, decidimos que o seqüenciamento
do genoma na espécie humana é um evento tão
importante, e que poríamos nossas informações
gratuitamente à disposição dos pesquisadores
do mundo inteiro.
Venter explicou que o genoma era "importante, mas não
verdadeiramente útil em si mesmo", e que seria preciso
dispor do genoma de outras espécies, cachorros, chimpanzés
ou ratos antes de poder realmente interpretar o genoma humano.
Os lucros da Celera "virão da interpretação
das informações gratuitas", concluiu Venter.
O presidente Bill Clinton propôs que os Estados Unidos
e os países que assim desejarem colaborem para definir
os critérios éticos e legais para a exploração
da decodificação do genoma humano.
Políticos e cientistas
saúdam avanço histórico
Paris - O anúncio solene da decodificação
do genoma humano, em várias capitais, foi saudado como
um avanço histórico por políticos e cientistas,
mas ao mesmo tempo fica em aberto o debate sobre o uso que a
humanidade fará desta conquista.
O premiê Yoshiro Mori, do Japão - país que
contribuiu com cerca de 8% para a façanha, foi o primeiro
a aclamar o que chamou de conquista sumamente importante: "esta
descoberta dará uma contribuição enorme
ao tratamento e à prevenção das enfermidades,
e à manutenção de uma sociedade ativa, apesar
da média de idade elevada da população japonesa".
O presidente americano, Bill Clinton, fez o anúncio durante
cerimônia realizada na Casa Branca, considerando-a "a
mais importante e surpreendente conquista da humanidade".
Clinton estava acompanhado dos dois americanos mais comprometidos
nesta aventura científica: Francis Collins, diretor do
Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano (NHGRI),
e Craig Venter, da empresa privada Celera Genomics que também
conseguiu determinar a seqüência do genoma.
O ministro francês da Ciência e Tecnologia, Roger
Gerard Schwartzenberg, ao anunciar que um consórcio integrado
por 18 países e financiado com dinheiro público
havia traçado um mapa quase completo do genoma humano,
destacou que este conhecimento "deve pertencer a todos".
O genoma humano é "patrimônio da humanidade
e (...) não pode ser apropriado por alguns, deve pertencer
a todos", declarou.
Ao citar a reunião de ministros da Ciência e Tecnologia
dos países mais industrializados do mundo, G8 (Estados
Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha,
Itália, Canadá e Rússia), realizado no final
de semana em Bordeaux (Sudoeste da França), Schwartzenberg
precisou que "as seqüências em bruto do genoma
humano não podem ser patentadas", como o querem algumas
empresas privadas. "Não se pode confiscar o saber
genético", afirmou.
Os cientistas chineses, apesar da modesta contribuição,
estimada em 1% dos trabalhos, congratularam-se pela participação
numa pesquisa internacional desta envergadura.
O mesmo entusiasmo era visível entre os cientistas britânicos,
que destacam o tratamento do câncer ou o prolongamento
da vida humana como possíveis aplicações
desta descoberta, a que comparam, em importância, com a
invenção da roda, a revolução copernicana
ou a teoria de Darwin.
John Sulston, considerado o pai do projeto público britânico,
expressou esperanças de que "a polêmica aberta
em torno das patentes" seja encerrada. "Infelizmente,
o trabalho americano ficou dividido entre o esforço público
e o privado", lembrou, destacando: "temos que lutar
para que a informação seja de domínio público,
o que é importante" (...).
Em Bruxelas, o chefe da delegação européia
da pesquisa, Philippe Busquin, saudou a "decodificação"
quase completa do genoma humano e, "em particular, o que
será passado para o domínio público".
"Agora, será necessário um esforço
concentrado para explorar este enorme potencial médico,
social e econômico", prosseguiu Busquin.
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