Joinville         -          Terça-feira, 27 de Junho de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Vaticano publica texto
do 3º segredo de Fátima

Previsões apocalípticas ficam definitivamente enterradas com a versão oficial do documento

Pondo fim a decênios de especulações sobre profecias apocalípticas, o terceiro segredo de Fátima deixou de ser segredo ontem, com a publicação oficial, pelo Vaticano, do texto manuscrito de Lúcia dos Santos, uma das três crianças portuguesas que disseram ter visto a Virgem Maria em Fátima em 1917.
Ao apresentar o documento redigido por Lúcia, uma freira de 93 anos que vive enclausurada, o cardeal Joseph Ratzinger, o guardião oficial da ortodoxia católica, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, advertiu que o leitor que fizer "uma cuidadosa leitura" do texto "talvez fique desiludido ou surpreso depois de todas as especulações feitas" a respeito de seu conteúdo.
Isto porque o segredo ontem divulgado "não revelou nenhum mistério, nem descerrou o véu do futuro", disse Ratzinger, referindo-se a antevisões apócrifas de cenários apocalípticos como o de um desastre nuclear, nem faz qualquer referência ao Anticristo. O texto retoma o essencial do que foi adiantado em 13 de maio em Fátima pelo cardeal Angelo Soldano, por ocasião da beatificação de Jacinta e Francisco.
Soldano disse no mês passado que as "interpretações" das três crianças sobre sua terceira visão era a de "um bispo vestido de branco" que, enquanto avançava entre os cadáveres de mártires, "cai ao solo, aparentemente ferido, em meio a uma chuva de balas".
Os comentários de Ratzinger não contestam, mas questionam as sugestões do turco que disparou contra o papa, Mehmet Ali Agca, no sentido de que ele próprio teria sido apenas um instrumento no plano de Deus. João Paulo 2º, depois de ser ferido, opinou que a Virgem Maria desviou a trajetória da bala de seu atacante, permitindo-lhe sobreviver.


Revelação é uma ajuda para a fé

Ratzinger enfatizou ainda que os três segredos revelados pela Virgem, assim como sua interpretação autêntica, tratam de uma revelação "privada" e não "pública".
Para a doutrina católica, afirmou Ratzinger, "o Cristo Deus disse tudo (o essencial), manifestou-se a si mesmo e, portanto, a revelação foi concluída com a realização do mistério de Cristo, que encontrou sua expressão no Novo Testamento". As visões de Fátima, portanto, não acrescentam nada ao "patrimônio da fé", mas, segundo o cardeal, "a revelação privada é uma ajuda para a fé" e "digna de crédito porque remete à revelação pública", nascendo habitualmente da "devoção popular".


Oposição fica na
liderança no Zimbábue

Harare - O partido opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD), criado em setembro, liderava a apuração das eleições parlamentares do fim de semana no Zimbábue, segundo resultados divulgados ontem.
De acordo com fontes do diretório eleitoral, com 25% dos votos apurados, o MMD obteve 18 cadeiras, das 120 em disputa, nas primeiras circunscrições onde havia sido realizada a contagem de votos, que demorou muito mais que o previsto.
O partido governista União Nacional Africana do Zimbábue Frente Patriótica (Zanu-PF) conquistou 13 cadeiras.
Entre as perdas do partido governista no pleito estavam as cadeiras dos ministros do Transporte e de Assuntos Internos. O candidato oposicionista Roy Bennett, um fazendeiro branco que teve de fugir temporariamente de sua propriedade depois da ocupação por militantes da chapa governista, conquistou o distrito de Chimanimani, nas proximidades da fronteira com Moçambique.
Apesar de os resultados serem iniciais e parciais, eles confirmam os prognósticos sobre uma derrota do partido do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, que está há 20 anos no poder, desde a independência do país da Grã-Bretanha, em 1980.
Tanto o partido de Mugabe quanto o Movimento por Mudança Democrática celebraram vitória nas eleições parlamentares do fim de semana.
Depois do anúncio dos primeiros resultados na televisão nacional, partidários do MMD saíram às ruas de Harare para comemorar.
Com a economia do Zimbábue abalada, o partido de oposição oferece o mais forte desafio ao partido de Mubage, o Zanu-PF, desde que ele liderou a independência do regime de minoria branca em 1980.


Premiê japonês diz
que não fará mudanças

Tóquio - Apesar de uma eleição que retirou a maioria parlamentar de seu partido, o primeiro-ministro japonês, Yoshiro Mori, disse ontem que sua coalizão sobreviveu e que o Japão não deve esperar mudanças na economia ou na política externa.
Apesar de os três partidos governistas terem sofrido perdas, a contagem final divulgada ontem mostrou que eles ainda controlarão uma confortável maioria - 271 das 480 cadeiras da câmara baixa, a mais poderosa das duas casas do parlamento. Antes da votação de domingo, a coalizão detinha 336 assentos.
O resultado da eleição garantiu a continuação da política de gastos públicos do Partido Liberal Democrático (PLD), de Mori, e de seus parceiros da coalizão num momento em que o Japão tenta dar uma nova largada em sua economia.
Os resultados foram típicos das eleições japonesas - uma opção pelo velho e familiar sobre o novo e desconhecido. Apesar de escândalos e tempos difíceis, os liberal-democratas têm governado a nação quase continuamente pelos últimos 50 anos.
Os japoneses creditam aos liberal-democratas o dramático crescimento econômico do país depois da Segunda Guerra Mundial. E eleitores conservadores ainda confiam em seus políticos - a quem chamam de "sensei", ou "senhores" - para levar para casa o pão.
Mori praticamente garantiu sua reeleição como primeiro-ministro numa votação largamente ritual que será realizada em 4 de julho no Parlamento.
"A vontade do povo expressa na eleição é de que a coalizão de três partidos seja mantida", disse Mori. Ele adiantou que deve promover reformas em seu gabinete, mas que os ministros das Finanças e das Relações Exteriores irão provavelmente ser mantidos.


Cães - Dois cães de ataque mataram a mordidas um garoto de seis anos de idade quando ele ia para a aula de natação na manhã de ontem, ao lado de 10 colegas de classe, em uma escola de Hamburgo. Pouco depois, policiais mataram os cães a tiros. A mais recente morte causada por ataques de cães ocorre em meio a um debate na Alemanha sobre a eventual proibição de se criar esse tipo de cachorro depois de uma idosa ter sido morta em um incidente semelhante. As crianças que testemunharam o ataque ficaram em estado de choque, informou a polícia alemã.

Pobreza - Uma estratégia composta por sete objetivos para reduzir os sofrimentos causados pela miséria foi apresentada ontem, em Genebra, em um documento elaborado conjuntamente pela ONU, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), pelo FMI e pelo Banco Mundial. Os principais objetivos da proposta são a drástica redução do número de pessoas que vivem na pobreza mais absoluta, que atualmente somam 1,2 bilhão, a escolarização universal, assim como a redução da mortalidade infantil e a proteção do meio ambiente.

Renúncia - O ministro do Petróleo do Kuwait anunciou sua renúncia ontem devido a uma explosão que causou a morte de cinco funcionários, no dia anterior, na maior das três refinarias de petróleo do país. "Apesar de eu não ter responsabilidade criminal, minha responsabilidade política levou-me a renunciar esta manhã perante sua alteza o emir", disse o xeque Saud Nasser Al Sabah no parlamento.
A explosão teria sido provocada por um vazamento de gás, mas as causas do incêndio ainda são desconhecidas. A refinaria emprega 1.450 trabalhadores.

Militares - Um grupo de militares venezuelanos na ativa criou uma organização cívico-militar para enfrentar o governo e tentar obter, por via pacífica, a renúncia do presidente Hugo Chávez. Num caso sem precedentes, os militares decidiram participar abertamente da vida política do país criando a Junta Patriótica Venezuelana, uma organização opositora. A existência do grupo opositor foi denunciada ontem pelo presidente da Frente Institucional Militar, o vice-almirante reformado Rafael Huizi Clavier, que deu entrevista aos jornalistas.


Manipulações
trazem dúvidas

Washington - Craig Venter, presidente da Celera Genomics, e Daniel Cohen, do grupo francês Genset, propuseram a criação de um parlamento mundial para estabelecer critérios éticos universais, até agora inexistentes, sobre as potenciais aplicações da decodificação do genoma humano.
"O que propomos é a criação de uma espécie de câmara alta parlamentar mundial", que seria "um órgão de deliberação composto por cientistas e filósofos experientes, com cerca de 60 membros", disseram os dois cientistas, em uma coluna de opinião publicada ontem pelo jornal "Los Angeles Times".
Os parlamentares teriam um mandato de dois anos e prestariam assessoria às autoridades competentes em matéria de negócios e política, "com o peso de sua autoridade coletiva". "Este órgão, quem sabe patrocinado pelas Nações Unidas, daria informações ao público sobre os dilemas de um avanço científico e proporia soluções", detalharam Venter e Cohen.
"Uma vez possuindo o mapa total do genoma humano, poderemos, na teoria, conceber um ser humano", explicaram, justificando a necessidade de legalizar as manipulações genéticas.
Beleza italiana
Equipado com motor V12 de 5.5 litros e 48 válvulas, a Ferrari Rossa foi uma das atrações do Salão de Turim, vitrine do design automotivo que completou cem anos.  AN_Veículos 
Venter revelou que a decodificação do genoma de cinco pessoas de origem e cor diferentes mostra que o conceito de raça não tem fundamento genético.
"Fizemos a seqüência do genoma de três mulheres e dois homens, que se definiam como de origem hispânica, asiática, caucásica (branca) e afro-americana (negra), explicou Venter.
"Não o fizemos visando à exclusão, e sim para respeitar a diversidade da América e mostrar que o conceito de raça não tem fundamento genético ou científico", acrescentou o pesquisador.
O presidente da Celera Genomics anunciou ainda a realização de uma versão própria do genoma humano, utilizando um método diferente do empregado pelos pesquisadores do setor público.

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Anunciado mapa do
código genético humano

Descoberta abre novas perspectivas para o tratamento de doenças com causa genética

Washington - Cientistas trabalhando para o governo dos EUA e para empresas privadas anunciaram ontem que está virtualmente pronto o primeiro mapa do código genético humano, conquista definida pelo presidente Bill Clinton como "um dia para a história".
Clinton, que fez o anúncio acompanhado pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair - "presente" graças a uma transmissão via satélite - saudou a conclusão do trabalho, depois de um esforço de dez anos e de um custo de bilhões de dólares. "Hoje aprendemos o idioma com que Deus escreveu a vida", disse o presidente Bill Clinton. "E aumentamos nosso espanto perante a complexidade, a beleza e a maravilha do maior presente de Deus".
Clinton comparou o mapeamento do código genético às descobertas de Galileu e ao trabalho de Lewis e Clark, dois exploradores que mapearam o interior da América do Norte.

Valor

Francis Collins, chefe do Projeto Genoma Humano do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, disse que a descoberta permite que os seres humanos "leiam o próprio manual de instruções". Segundo Blair, em termos de valor para a medicina o genoma supera, "em muito", a descoberta dos antibióticos.
Para mapear o genoma humano, o Projeto Genoma Humano, financiado pelo governo dos EUA, e o programa paralelo desenvolvido pela empresa Celera Genomics tiveram que decodificar cerca de 3,1 bilhões de subunidades de DNA. O DNA contém 500.000 genes, que determinam as características que o indivíduo herda dos pais e a forma como suas células funcionarão durante a vida.
O mapeamento do DNA abre novas perspectivas para a medicina. Doenças com causa genética poderão vir a ser tratadas diretamente na raiz, no nível molecular. É possível que o mapa de genes permita detectar, no nascimento, a quais doenças uma pessoa é mais vulnerável, e iniciar um tratamento capaz de estender a expectativa de vida além do que já se considerou possível.


Informações ficarão disponíveis gratuitamente para o público

Em Londres, Michael Dexter, do Wellcome Trust, que participou do projeto junto com o governo americano, disse que as informações do genoma serão postas à disposição do público. "Isto não será propriedade exclusiva de uma única pessoa, empresa ou país", afirmou.
A empresa Celera Genomics vai divulgar gratuitamente, no outono (do Hemisfério Norte), seu mapa do genoma humano, mas venderá suas interpretações do mapa entre pesquisadores e empresas farmacêuticas, anunciou ontem seu presidente, Craig Venter. Atualmente as informações sobre o genoma estão disponiveis apenas para assinantes das informações da Celera.
A empresa afirma ter um mapa do genoma mais completo do que o do consórcio público "Projeto Genoma". Enquanto o consórcio cobre 97% da informação genética, com 85% em ordem, a Celera diz que mapeou 99% do genoma, totalmente em ordem.

Estratégia

O diretor da Celera explicou a estratégia comercial da companhia: "como empresa, decidimos que o seqüenciamento do genoma na espécie humana é um evento tão importante, e que poríamos nossas informações gratuitamente à disposição dos pesquisadores do mundo inteiro.
Venter explicou que o genoma era "importante, mas não verdadeiramente útil em si mesmo", e que seria preciso dispor do genoma de outras espécies, cachorros, chimpanzés ou ratos antes de poder realmente interpretar o genoma humano. Os lucros da Celera "virão da interpretação das informações gratuitas", concluiu Venter.
O presidente Bill Clinton propôs que os Estados Unidos e os países que assim desejarem colaborem para definir os critérios éticos e legais para a exploração da decodificação do genoma humano.


Políticos e cientistas
saúdam avanço histórico

Paris - O anúncio solene da decodificação do genoma humano, em várias capitais, foi saudado como um avanço histórico por políticos e cientistas, mas ao mesmo tempo fica em aberto o debate sobre o uso que a humanidade fará desta conquista.
O premiê Yoshiro Mori, do Japão - país que contribuiu com cerca de 8% para a façanha, foi o primeiro a aclamar o que chamou de conquista sumamente importante: "esta descoberta dará uma contribuição enorme ao tratamento e à prevenção das enfermidades, e à manutenção de uma sociedade ativa, apesar da média de idade elevada da população japonesa".
O presidente americano, Bill Clinton, fez o anúncio durante cerimônia realizada na Casa Branca, considerando-a "a mais importante e surpreendente conquista da humanidade". Clinton estava acompanhado dos dois americanos mais comprometidos nesta aventura científica: Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano (NHGRI), e Craig Venter, da empresa privada Celera Genomics que também conseguiu determinar a seqüência do genoma.
O ministro francês da Ciência e Tecnologia, Roger Gerard Schwartzenberg, ao anunciar que um consórcio integrado por 18 países e financiado com dinheiro público havia traçado um mapa quase completo do genoma humano, destacou que este conhecimento "deve pertencer a todos". O genoma humano é "patrimônio da humanidade e (...) não pode ser apropriado por alguns, deve pertencer a todos", declarou.
Ao citar a reunião de ministros da Ciência e Tecnologia dos países mais industrializados do mundo, G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Canadá e Rússia), realizado no final de semana em Bordeaux (Sudoeste da França), Schwartzenberg precisou que "as seqüências em bruto do genoma humano não podem ser patentadas", como o querem algumas empresas privadas. "Não se pode confiscar o saber genético", afirmou.
Os cientistas chineses, apesar da modesta contribuição, estimada em 1% dos trabalhos, congratularam-se pela participação numa pesquisa internacional desta envergadura.
O mesmo entusiasmo era visível entre os cientistas britânicos, que destacam o tratamento do câncer ou o prolongamento da vida humana como possíveis aplicações desta descoberta, a que comparam, em importância, com a invenção da roda, a revolução copernicana ou a teoria de Darwin.
John Sulston, considerado o pai do projeto público britânico, expressou esperanças de que "a polêmica aberta em torno das patentes" seja encerrada. "Infelizmente, o trabalho americano ficou dividido entre o esforço público e o privado", lembrou, destacando: "temos que lutar para que a informação seja de domínio público, o que é importante" (...).
Em Bruxelas, o chefe da delegação européia da pesquisa, Philippe Busquin, saudou a "decodificação" quase completa do genoma humano e, "em particular, o que será passado para o domínio público". "Agora, será necessário um esforço concentrado para explorar este enorme potencial médico, social e econômico", prosseguiu Busquin.


 
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