Joinville         -          Quinta-feira, 11 de Maio de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Policiais acusados de dar
proteção à rede do tráfico

Diretor da Deic diz que civis dificultavam as investigações

Marco Aurélio Braga

Pelo menos três policiais civis de Joinville dão proteção para uma rede de traficantes que age na região Norte do Estado e no Paraná. A informação foi repassada ontem pelo diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), o delegado Dirceu Silveira Júnior, durante a gravação do programa X da Questão, formado por um pool de empresas de comunicação de Joinville. O programa vai ao ar às 15h30 de sábado pelo canal 20 da Net. "A proteção que ele (Romário Krehnke, preso no mês passado sob acusação de tráfico de drogas) tinha de alguns policias civis locais dificultava a ação policial", garantiu Silveira.
Dirceu Silveira citou os policiais Gustavo Griesang (preso em abril, que já está em liberdade), Marcelo Stachow (foragido) e Edilamar Lúcia Correia (detida no Presídio de Jaraguá do Sul) de fazer parte do grupo de policiais que davam proteção às atividades desenvolvidas por Romário Krehnke, preso no dia 14 do mês passado, sob acusação de tráfico de drogas, e que teria ligação com Ismael Buono, que continua preso em Florianópolis.
"Esses policiais davam proteção para a rede de traficantes", revelou o delegado. Silveira disse ainda que existe investigação envolvendo policiais civis, militares e federais, mas não quis divulgar nomes.
Para o diretor da Deic, está praticamente confirmada a participação de Romário Krehnke com o tráfico. Mesmo que o prazo de sua prisão temporária se encerre daqui a uma semana, o delegado garantiu que tem provas para mantê-lo detido. "Há informações sobre o Romário que o incriminam", enfatizou.
O policial Gustavo Griesang, 25 anos, foi preso no seu apartamento no centro de Joinville, no início do mês passado, por policiais da Deic. A acusação sobre o policial aponta que ele seria ligado a Ismael Buono. A também policial Edilamar Correia, 39, foi presa dois dias depois, suspeita de praticar estelionato e furto. Edilamar revelou em entrevista para A Notícia (na edição do dia 12 de abril) que a polícia tinha uma lista extensa com nomes de policiais civis usuários de drogas ou envolvidos com o tráfico. Marcelo Stachow, lotado na 5ª Delegacia de Polícia, e que está foragido, tem prisão decretada pela Justiça.

Novas prisões

Dirceu Silveira garantiu também, durante a gravação do programa, que novas prisões devem ocorrer em Joinville nos próximos dias, todas envolvendo tráfico de drogas e crime organizado, a partir de informações obtidas pela CPI do Narcotráfico. Ele assegurou que a Deic, que faz parte da força-tarefa da CPI, vai chegar aos chefões do tráfico no Estado.
A Deic continua fazendo proteção para a família de Josias Buono, tio de Ismael Buono. Segundo Silveira, o depoimento de Josias à CPI foi importante, porque ele descreveu um mapa do tráfico em Joinville. Josias, segundo Dirceu Silveira, deverá ser incluído no serviço nacional de proteção a testemunhas do governo federal.

Depoimentos

Sensualidade brejeira
Carla Regina experimenta primeiro personagem importante da carreira em "Marcas da Paixão".  AN_Tevê 
A CPI do Narcotráfico ouve hoje, a partir das 9h30, no plenarinho da Assembléia Legislativa, o policial civil Marco Antônio Coutinho e o ex-sargento da PM João Batista Arruda, ambos de Tijucas. Coutinho foi condenado a seis anos e oito meses de prisão por envolvimento com o narcotráfico. Arruda é acusado de participar de assaltos a bancos.
Com o depoimento dos dois, a CPI terá ouvido 15 testemunhas para apurar a extensão do braço do crime organizado na região de Tijucas. (Com colaboração de Marco Antonio Zanfra)


Criciúma ajudará em investigações

Criciúma - A relação direta entre o roubo de cargas, caminhões e o desmanche de veículos está na mira da Comissão Especial instalada ontem à noite na Câmara de Vereadores de Criciúma. As investigações locais vão ajudar no trabalho desenvolvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico e do Crime Organizado da Assembléia Legislativa. A instalação da CE foi prestigiada por deputados, vereadores, policiais e lideranças de Criciúma.
Conforme o presidente da CPI, deputado João Henrique Blasi (PMDB), as informações repassadas através do disque-denúncia serão fundamentais para os trabalhos da CE. "Haverá troca de informações. O que eles acharem importante em Criciúma irão nos passar", disse Blasi. Nas denúncias feitas por telefone, foram citadas cidades como Criciúma, Laguna, Tubarão, Araranguá e Içara.
A proximidade com a BR-101 e a interferência de grupos organizados no Rio Grande do Sul são aspectos destacados pelos deputados. "Esses grupos também agem aqui na região Sul", ressaltou o deputado Pedro Uczai (PT). Para ele, as quadrilhas têm uma ação efetiva em crimes como roubo de cargas e caminhões. "Isso influencia o surgimento de desmanches de veículos", acrescentou Uczai.
A instalação da Comissão Especial foi rápida. Os deputados participaram de uma sessão especial, prestigiada pelo prefeito Paulo Meller (PMDB), e depois se reuniram reservadamente.
Na reunião fechada, os deputados e os oito vereadores que vão integrar a comissão discutiram os próximos passos. "Procuramos trocar experiências já adquiridas nesses 40 dias de trabalho", explicou Blasi. Ele informou que não há números específicos sobre crimes ou pessoas ligadas ao crime organizado na região. "As denúncias devem aumentar a partir de agora", pondera Blasi. (Marli Vitali)


Entenda o caso

Fevereiro/2000

29 - No primeiro dia de trabalho da CPI nacional do Narcotráfico em Curitiba (PR), uma das principais testemunhas, o artesão Marcelo dos Santos, afirmou que policiais civis da capital paranaense se deslocavam até Joinville para extorquir traficantes de drogas da cidade.

Março/2000

01 - Os deputados federais da CPI nacional do Narcotráfico revelaram convicção de existir uma conexão entre Santa Catarina e Paraná no tráfico de drogas.
02 - O ex-policial civil do Paraná Gilberto Chagas Ramos, o Marrom, cita o nome de Ismael como sendo policial em Joinville e que lhe teria vendido drogas.
03 - Deputado federal gaúcho Pompeo de Mattos (PDT) solicita a abertura de uma CPI do Narcotráfico em Santa Catarina para apurar denúncias da conexão SC-PR.
08 - Deputados estaduais cogitam ir a Brasília para saber mais informações sobre a participação do Estado no tráfico de drogas.
20 - Ismael Buono é preso pela Polícia Militar depois de envolver-se em um tiroteio no bairro Espinheiro.
21 - Em entrevista para A Notícia, Buono diz que não é o Ismael que a polícia está procurando.
22 - Ismael é transferido para o presídio de segurança máxima de Florianópolis por medidas de segurança.
31 - Assembléia Legislativa instala a CPI do Narcotráfico e do Crime Organizado no Estado.

Abril/2000

03 - O deputado federal Padre Roque Zimermann (PT-PR) diz que várias rotas, inclusive aérea, abastecem traficantes de drogas de Santa Catarina e do Paraná. A droga viria da Bolívia.
04 - O policial civil Gustavo Griesang é preso em Joinville. Em seu apartamento a polícia encontra pouca quantidade de maconha e três armas com numeração de série raspadas. O policial teria ligações com Ismael Buono.
06 - Família de Josias Buono, tio de Ismael Buono, recebe proteção durante 24 horas da Deic. Josias teria revelado todo o esquema do tráfico envolvendo o sobrinho. Policial civil Edilamar Lúcia Correia é presa praticar estelionato e furto.
10 - Josias Buono e o policial civil Gustavo Griesang prestam depoimento na CPI do Narcotráfico. Ismael Buono se nega a depor.
11 - Edilamar acusa, em entrevista para A Notícia, Gustavo, Ismael e o policial Marcelo Stachow (que está foragido) de fazer extorsões.
14 - Deic apresenta Romário Krehnke e Isaías Buono, suspeitos de formação de quadrilha e participação no tráfico de drogas. A polícia chegou até a dupla depois de depoimentos na CPI do Narcotráfico.
18 - CPI anuncia que vai solicitar quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de cinco suspeitos de participarem do tráfico de drogas no Estado.
20 - Policial Gustavo Griesang é colocado em liberdade pela Justiça, mas permanece afastado de sua função.


Magnatas
Com estilos opostos, Bill Gates e Larry Ellison comandam as duas maiores empresas de informática do mundo.  AN_Informática 
Gervásio - O vice-presidente do Besc, Gervásio Maciel, suplente de deputado federal pelo PPB, comunicou ontem ao presidente do banco, Victor Fontana, que deixa o cargo no dia 31 para disputar a Prefeitura de Ituporanga. Gervásio participa dia 27 das prévias do PPB municipal que indicarão o candidato. Ele já foi prefeito da cidade e deputado estadual.

Cassação de Frozza 1 - A Comissão Especial Inquérito do Narcotráfico e do Crime Organizado da Câmara de Concórdia deve solicitar a abertura do processo de cassação do vereador Nilo Frozza (PMDB) no dia 22 de maio. Até lá, a CEI espera receber os documentos do Fórum de Concórdia e da CPI do Narcotráfico que comprovam a falta de decoro parlamentar de Frozza.

Cassação de Frozza 2 - O vereador é acusado de formação de quadrilha, receptação de cargas e caminhões roubados e sonegação fiscal. Preso desde 24 de fevereiro, Nilo Frozza solicitou licença da Câmara de Vereadores. Já o PMDB preferiu afastá-lo até que o seu caso seja julgado pela Justiça. Para o presidente da CEI, Paulo Pastore (PFL), caso as evidências contra o vereador possam ser provadas, a cassação do mandato irá acontecer rapidamente.

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Amin diz que assina documento se a União tirar "contrato filhote"

Mirela Maria Vieira

Florianópolis - As brechas abertas na interpretação jurídica entre os prazos determinados pela resolução 38 do Senado - que autoriza Santa Catarina a refinanciar cerca de R$ 581 milhões em letras do Tesouro vendidas irregularmente por Paulo Afonso Vieira (PMDB) -, o artigo 23 da medida provisória 2.023, e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que impede o aumento da dívida pública, ainda podem beneficiar Santa Catarina.
"Na minha interpretação, temos prazo para assinar o contrato, caso a União não nos imponha os contratos 'filhotes'. Só assino o contrato com a União. Com essa gente que estamos em litígio na Justiça (detentores dos títulos), eu não assino", afirmou o governador Esperidião Amin (PPB) ontem à noite, salientando ainda que isso só depende do governo federal.
"Eu não vou fazer nenhum contato a este respeito. O ministro (Pedro Malan, da Fazenda) sabe da minha posição e eu não vou procurá-los para isso. Para mim, este assunto não ocupa mais as minhas preocupações." Amin se recusou a assinar o contrato aprovado pelo Senado na semana passada, que prevê pagamento de caução mensal de R$ 4 milhões à União até que a Justiça decida se a operação das letras foi legal.
Pelo artigo 4º da resolução aprovada na última quinta-feira, a autorização para que o Estado refinancie o montante junto à União vale por 270 dias, o que, para o governador e também para o secretário da Fazenda, Antônio Carlos Vieira (PPB), significa que a formalização do contrato está autorizada independente da LRF. Já para o procurador-geral do Estado, Walter Zigelli (PFL), a LRF já está valendo e o prazo da resolução não valeria.
Além da resolução, o artigo 23 da MP 2.023, editada pela 50ª vez no dia 24 de abril por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), dá nova redação à lei 9496, de 1997, autorizando a União a assumir a "dívida pública mobiliária" emitida por Estados após 13 de dezembro de 1995 até 31 de maio. Caso o governo federal volte atrás na questão dos contratos "filhotes", restariam ainda mais dois empecilhos que, segundo o governador, podem ser driblados. O primeiro refere-se à caução de R$ 4 milhões mensais que a União acabou exigindo para fazer o refinanciamento. "Não havendo decisão judicial final, eu simplesmente não pago."
O segundo obstáculo, resultante de uma emenda de autoria dos senadores Jorge Bornhausen e Geraldo Althoff (PFL) que abria caminho para uma cobrança com decisão liminar da Justiça (tutela antecipada), está sendo retirado do caminho pelo senador petista José Eduardo Jorge, que oficializou proposta ontem para retirada do parágrafo da resolução.


Oposição na AL
pressiona Amin a negociar

Florianópolis - As bancadas do PMDB e PT iniciaram ontem uma obstrução sistemática a qualquer votação em plenário de projetos de origem do Executivo enquanto o governo não abrir negociações com os professores estaduais de modo a pôr fim à greve da categoria. Na sessão de ontem, os oposicionistas abandonaram o plenário e impediram a votação do pedido de licença do governador Esperidião Amin (PPB) para viajar amanhã à Província de Chaco, na Argentina, para participar do 9º Fórum de Governadores do Codesul e Crecenea-litoral.
O pedido volta à pauta hoje, mas o vice-líder do governo, Joares Ponticelli (PPB), admitiu a dificuldade de se alcançar quórum apenas com os deputados da situação. Eles somam 23, mas Ponticelli observou que vários deles estão viajando e "será um pouco complicado" reuni-los numa quinta-feira à tarde, quando as sessões têm sido sistematicamente encerradas por falta de quórum. Se a viagem não for autorizada hoje pelo Legislativo, o governador não poderá ir ao encontro, disse o vice-líder.
Ponticelli pretendia se reunir ontem à noite com o líder do governo, Paulo Bornhausen (PFL), que não esteve presente à sessão, para discutir formas de reunir hoje em plenário o maior número de deputados governistas, e com o secretário da Casa Civil e do Governo, Celestino Secco, para encaminhar sugestões para acabar com a greve. "Se o governo não apresentou propostas até agora foi porque não pode, e não porque não quis", disse.

Vale-alimentação

Ponticelli, presidente da Comissão de Educação da Assembléia, iria sugerir a Secco a realização de nova audiência pública, no Legislativo, no início da semana que vem, quando pretende recolocar em discussão a concessão de vale-alimentação para os professores. "Pode ser uma solução", disse.
O líder do PMDB, Ronaldo Benedet, deu a entender que vários situacionistas devem apoiar a obstrução, nem que de forma velada. "Basta não aparecerem no plenário, como já fizeram hoje (ontem)", afirmou. Ele tinha como certa a adesão dos deputados Jaime Mantelli (PDT) e Jaime Duarte (PPS).


 
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