Joinville         -          Domingo, 21 de Maio de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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SC tem 3º menor
índice de analfabetismo

Apesar da boa colocação, Estado ainda apresenta municípios com números opostos

Luis Fernando Assunção

Santa Catarina tem os dois extremos em índices de analfabetismo. Bem colocado em levantamentos nacionais, o Estado apresenta duas cidades com números opostos: Pomerode quase zerou o número de analfabetos - 1,8% - e Campo Belo do Sul se aproxima dos piores índices: 26,4%. Apesar disso, a média catarinense é boa. O Estado é o terceiro no Brasil com o menor índice de analfabetismo, segundo o documento Síntese dos Indicadores Sociais 1999, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem 6,4%, ficando atrás apenas do Distrito Federal, que apresenta 5,6%, e do Rio de Janeiro, 5,9%. A região Sul e Sudeste têm os menores índices, ambas com 8,1%.
Segundo o levantamento realizado pelo IBGE, através da Síntese dos Indicadores Sociais 99, os números da educação no Brasil melhoram. Houve declínio nas taxas de analfabetismo e aumento nas taxas de escolarização e da escolaridade média da população brasileira. No entanto, a situação é ruim em algumas regiões do País. Existem, ainda, mais de 15 milhões de adultos analfabetos dos quais oito milhões residentes no Nordeste e outros quatro milhões no Sudeste. O analfabetismo continua sendo mais significativo nas áreas rurais, em especial em Alagoas, onde atinge 53,4% da população de 15 anos ou mais de idade.
Outro dado importante revelado no levantamento é a escolaridade da população brasileira que, além de baixa, é desigual. Entre os ocupados de 10 anos ou mais de idade, a média de anos de estudo é de apenas 6,2 anos, nível considerado baixo para as atuais exigências do sistema produtivo. Mas, como os mais jovens apresentam um perfil de escolaridade mais alto, a tendência é de que, a médio prazo, aumente a média de escolaridade no País. Internamente, a desigualdade educacional repete os contrastes regionais. Por exemplo: enquanto os jovens do Nordeste de 20 a 24 anos têm em média uma escolaridade de 5,8 anos de estudos, os do Sul e Sudeste já adquiriram, em média, oito anos de estudos.

ZÂMBIA E FRANÇA

Em Santa Catarina há um Zâmbia e uma França na questão do analfabetismo. Enquanto cidades como Pomerode e Tunápolis quase zeraram o analfabetismo - 1,8% e 2,2% -, Campo Belo do Sul e Paulo Lopes, por exemplo, apresentam índices altos para a realidade local: 26,4% e 23,7%, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação. O governo estadual estuda formas de melhorar os índices nessas cidades que ainda não conseguiram dominar o analfabetismo. Ano passado, foram realizadas capacitações de educadores através de convênio com o Banco do Brasil (BB Educar). Nossa intenção é erradicar o analfabetismo no Estado nos próximos anos", projeta a diretora de ensino supletivo da Secretaria de Educação, Clarice Portella de Lima. Com os números gerais de analfabetismo controlados, as metas da secretaria agora é aumentar a freqüência no ensino médio, uma tendência verificada em outros Estados brasileiros com bom desempenho nessa área.


Dificuldades são variadas

Poucos meios de transporte aumentam luta pelo estudo

Loreno Siega

Lages - Para Paula Teles de Menezes Fonte Boa, supervisora escolar da 7ª CRE, de Lages, o alto índice de analfabetismo registrado em Campo Belo do Sul e municípios vizinhos como Cerro Negro, Anita Garibaldi e Celso Ramos deve-se a alguns fatores típicos de pequenos proprietários, descapitalizados e com poucas ambições pessoais e familiares, uma característica bastante encontrada na cultura cabocla, longas distâncias e poucos meios de transporte, falta de outros meios de informação como televisão, jornais e revistas. Em grande parte das comunidades não há sequer energia elétrica), além de um bom número de professores não habilitados suficientemente.
Apesar de não questionar o índice de analfabetismo de 26,4% em Campo Belo, Paula acredita que esse percentual elevado refere-se à população com mais de 30 anos. Ela diz que várias ações ocorridas recentemente estão dando resultado para modificar o quadro. Cita uma série de iniciativas de capacitação e titulação de professores, realizadas pela 7ª CRE e pela Uniplac (Universidade de Lages), a implantação das classes de aceleração de estudos no colégio estadual local, além da recente criação de um curso superior de pedagogia no município, com 50 vagas. "Esperamos que com essas e outras medidas, os altos índices de analfabetismo sejam reduzidos ano a ano.", finalizou.


Campo Belo contesta os números

Loreno Siega

Campo Belo do Sul - O prefeito José Davi Pereira (PFL) e o secretário municipal de Educação de Campo Belo do Sul, Nílson Barbosa Filho, refutaram com veemência o índice de 26,4% de analfabetismo divulgados pela Diretoria de Ensino Supletivo da Secretaria de Estado da Educação (que seria o pior índice de Santa Catarina). Eles alegam não terem visto equipes do IBGE irem até o município nos últimos anos para verificar a real situação. "Reconheço que podíamos apresentar esses índices há mais de 10 anos, quando o analfabetismo de outros municípios da região também eram elevados, devido a uma série de fatores. Mas hoje não dá para aceitar isso como verdadeiro, nem se levarmos em conta apenas a população com mais de 30 anos", declarou Nílson.
Os dois desafiam os técnicos do IBGE e da Secretaria de Estado da Educação a encontrarem um índice superior a 5% de analfabetismo entre a população com menos de 20 anos. "Quando a gente fica sabendo de algum pai que não quer matricular os filhos, por um motivo ou outro, vamos até lá e o convencemos do contrário. E se ele não aceitar, acionamos o conselho tutelar e até a promotoria pública", deixou claro o secretário de Educação. "Ensino Fundamental é uma obrigação do município. E nós, apesar das longas distâncias, dos poucos recursos próprios e da quase ausência do governo estadual, estamos fazendo a nossa parte", assegurou. Informou ainda que os investimentos da educação correspondem a 33,7% do total da arrecadação, e que isso representa algo em torno de R$ 90 mil por mês.
Campo Belo do Sul dispõe de 27 escolas municipais no interior e duas na cidade, onde estão matriculados 1.904 alunos no ensino fundamental e médio. O município conta ainda com 242 alunos no pré-escolar, totalizando 2.146 alunos freqüentando a escola ou 24% da população. São 64 professores municipais, sendo 12 com curso superior (seis deles com pós-graduação) e 18 cursando pedagogia no próprio município, num curso em regime especial implantado neste ano pela Uniplac (de Lages).
Grande parte das unidades do interior funcionam como escolas multisseriadas (apenas um professor cuida de um grupo de alunos das quatro primeiras séries do ensino fundamental). O ensino médio só existe na cidade, no colégio mantido pelo Estado. Uma novidade é a "Escola Itinerante". Trata-se de um sistema alternativo, de 5ª a 8ª série, para fazer frente às dificuldades de transporte do meio rural até a sede do município (distância que, em alguns casos, chega até a 56 quilômetros).


Desafios diários começam muito cedo

Nas terças, quartas e quintas-feiras um grupo de cinco professores, uma cozinheira e um motorista partem às 5h30 até três pontos distintos do interior (um dia em cada local, muitas vezes atravessando até rios sem ponte ). Ali reúnem-se os alunos para terem aulas durante todo aquele dia, de forma intensiva. O mesmo micro-ônibus utilizado para transportar os professores, antes e após as aulas, faz diversas viagens para buscar os estudantes das comunidades vizinhas. Em alguns casos, até camionetes fechadas na carroceria e com bancos adaptados são utilizadas para esse trabalho. "É preferível que andem nos bancos de uma camionete do que não terem transporte e ficar sem estudar", justifica o secretário de Educação. Ele alega que os recursos repassados pelo Estado para custear o transporte escolar representam cerca de 20% dos gastos. "Esse dinheiro sempre chega atrasado, criticou.
Denise Guisolfi, 20 anos, estuda na 8ª série da Escola Itinerante, na comunidade de Monte Alegre (distante cerca de 40 quilômetros da sede de Campo Belo). Como mora no município de Cerro Negro, não dispõe de transporte escolar patrocinado por Campo Belo do Sul. Sai de casa às 6 horas, caminha oito quilômetros a pé, come um lanche levado de casa na hora do almoço e assiste aulas até às 15h30 (com intervalo de apenas 50 minutos ao meio-dia). Depois retorna, novamente a pé. "É muito sacrifício, principalmente no inverno, quando dá geada ou chove. Mas estou feliz porque é a única forma que encontrei para continuar estudando", afirma com um largo sorriso.(LS)


Pomerode tem sistema
educacional eficiente

Consciência das famílias, necessidades do mercado e boa estrutura da rede pública garantem qualidade

Marli Rudnik

Pomerode - Não é só nos trajes típicos e na gastronomia que Pomerode justifica o título de cidade mais alemã do Brasil. A forte tradição germânica ajudou a construir um sistema educacional eficiente, em que a idade escolar começa aos 4 anos e 100% das crianças de até 14 anos freqüentam a escola. Neste ano um terço da população de Pomerode - 7,2 mil pessoas - está matriculado no ensino regular, da educação infantil ao ensino médio, ou em programas de supletivo para formação de adultos. A consciência das famílias, aliada às necessidades do mercado de trabalho e uma boa estrutura da rede pública de ensino, confere ao município o melhor índice de alfabetização do País, com 98,2% da população.
A rede municipal de ensino de Pomerode conta com 20 escolas municipais, três estaduais e quatro estabelecimentos particulares, além do centro supletivo para adultos, mantido pelo Estado. Com esta estrutura e a boa distribuição das unidades pelas localidades do interior (nenhum aluno mora a mais de 3 quilômetros de sua escola), o município consegue oferecer ensino público para crianças a partir de 4 anos e garantir que todas as crianças em idade para o ensino fundamental estejam matriculadas. Segundo o secretário municipal de Educação, Valmor Kamchen, a iniciativa dos pais é espontânea: "quando chega o período de matricular seus filhos eles mesmos procuram", afirma.
Para evitar a evasão escolar, principalmente nas zonas rurais, a secretaria conta com a ajuda dos agentes de saúde, que mantêm um cadastro e visitam mensalmente todas as famílias residentes na cidade. Quando é detectada uma desistência a Educação aciona o Conselho Tutelar que providencia o retorno da criança à escola. Estes casos, porém, são esporádicos. "Em Pomerode as famílias são conscientes e as empresas também têm influenciado, exigindo escolaridade em qualquer contratação", afirma o secretário.
O envolvimento dos pais com a educação dos filhos já superou a mera participação em reuniões bimestrais para assinatura de boletins. Graças à mobilização das associações de pais e professores, muitas escolas públicas oferecem estrutura de particulares. É o caso da Escola Básica Doutor Amadeu da Luz, na localidade de Testo Alto, onde as campanhas comunitárias permitiram a instalação de ar condicionado em todas as salas de aula e a implantação de um laboratório de informática para formação dos alunos. Na Escola Básica Olavo Bilac, em Testo Salto, as turmas são controladas por circuito interno de TV e todas as salas de aula dispõem de televisão com vídeocassete para uso didático.


Município faz sua parte e mantém
um corpo docente bem qualificado

Em busca da qualidade de ensino, o município faz sua parte na formação docente. Quase todos os professores estão habilitados de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e alguns já investiram em pós-graduação ou mestrado. Um convênio com a Fundação Educacional Regional Jaraguaense criou o projeto Professor Competente, que recicla anualmente os docentes e avalia o sistema de ensino.

SISTEMAS

A preocupação com a alfabetização em massa talvez seja a principal diferença entre as regiões colonizadas por alemães e as de formação lusitana, por exemplo. Segundo o antropólogo Salvio Müller, de Blumenau, nos dois primeiros séculos de ocupação do Brasil as colônias portuguesas mantinham economias fundamentadas na agricultura e pecuária. Criar um sistema educacional não era prioridade porque as famílias abastadas mandavam seus filhos estudar na Europa, e os pobres se ocupavam apenas do trabalho.

LUTERANOS

Já nas colônias alemãs iniciadas em meados do século passado predomina a influência de Martinho Lutero, que queria o acesso irrestrito do povo às sagradas escrituras e por isso investiu na alfabetização comunitária. Os imigrantes trouxeram esta formação cultural quando se instalaram na região, o que possibilitou também a industrialização acelerada das novas colônias. Ao formar um novo núcleo, as primeiras construções comunitárias que surgiam eram a igreja e a escola. O secretário de Educação de Pomerode afirma que em 1880 praticamente todas as comunidades tinham seus "deutsche schulgemeinden", escolas públicas que ensinavam em língua alemã.

REPRESSÃO

Nem a repressão do governo brasileiro aos costumes germânicos, na campanha de nacionalização da 2ª Guerra Mundial inibiu esta formação. Proibidas de ensinar em alemão, muitas escolas foram fechadas e professores substituídos neste período. Em Pomerode, a rede municipal de ensino de Blumenau passou a assumir gradativamente a educação, que só voltou a ser dominada pela comunidade pomerana com a emancipação, em 1959. Hoje a situação se inverte. Preocupada em resgatar e preservar a cultura dos primeiros imigrantes, a Secretaria de Educação instituiu a obrigatoriedade da língua alemã no currículo de 5ª a 8ª séries, ao lado do inglês, ensinado desde a 1ª série.(MR)


Terapia holística mais acessível

Arroio Trinta terá clínica de formação e atendimento

Arroio Trinta - O município de Arroio Trinta, Meio-oeste, vai sediar uma clínica-escola para formação profissional de terapeutas holísticos, na área de terapias alternativas, aprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Conselho Federal de Terapias. O projeto já está sendo executado e terá uma área construída de 700 metros quadrados, com seis salas de atendimento, recepção, administração, cozinha, restaurante e auditório para palestras e cursos com capacidade para 300 pessoas. Ainda serão construídas 20 suítes para abrigar os participantes dos cursos, reciclagem e adestramento.
A clínica prevê atendimento de 36 mil pessoas por ano e a formação de aproximadamente mil profissionais, em cursos com duração média de oito dias. Seis terapeutas vão atender permanentemente a população. A iniciativa é do terapeuta holístico Valdomiro Comelli, que nasceu em Arroio Trinta e depois de formado já atendeu mais de 20 mil pessoas com os mais variados problemas de saúde, tanto física quanto emocional, mental ou espiritual.
Os clientes vem de todas as partes do Brasil e do exterior, como Suíça, Alemanha, Inglaterra e Argentina. O sucesso, na avaliação do terapeuta, deve-se ao desenvolvimento de técnicas próprias para aceleração do processo de cura das doenças. Em média, segundo Comelli, o tratamento não passa de três meses, enquanto com outras terapias o tempo mínimo de recuperação é de oito a 12 meses.
O terapeuta explica que em geral as doenças são causadas por desequilíbrios energéticos dos corpos emocional, mental e espiritual. "São esses corpos que detém a energia vital, que dá origem à vida de todos os seres", ensina. "Em desequilíbrio, essas energias não conseguem atuar de forma plena e constante no sistema glandular humano, impedindo que as glândulas produzam os anticorpos necessários à defesa de todas as doenças", completou.
A terapia, segundo ele, através do equilíbrio dos chacras (rodas energéticas), eliminam os bloqueios de vida do passado longínquo, traumas do passado recente, bem como do presente, visando não apenas a supressão da patologia, mas a volta de um estado natural e desejável de saúde, bem estar e felicidade, sem o uso de qualquer medicamente nem regime alimentar. Entre os métodos utilizados por Comelli estão a radiestesia, reiki, holotron, pilha cósmica, bastões de força, cristais e alteração do corpo energético vibracional.


OMS aprova proposta brasileira

Genebra, Suíça - A proposta brasileira sobre a criação de um banco de dados para os medicamentos do coquetel contra Aids foi aprovada durante a 53ª Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça, mas a discussão sobre aleitamento materno, também apresentada pelo Brasil, foi adiada para janeiro por pressão dos representates europeus e norte-americanos. Hoje, o representante brasileiro no Conselho Executivo Organização Mundial de Saúde (OMS), João Yunes, afirmou que acompanhará pessoalmente a tramitação das duas propostas.
As propostas, segundo o jornal "The New York Times", "desencadearam a fúria dos grandes laboratórios farmacêuticos internacionais". A sugestão de que a OMS recomende seis meses de vida de aleitamento a desagradou a direção suíça da multinacional Nestlé. Um representante da empresa chegou a se encontrar com um dos representantes brasileiros, que participam das discussões no encontro. A direção suíça da empresa, que aplica sem problemas a lei dos países onde esta implantada, como é o caso do Brasil, argumenta que se deve deixar cada país fixar a idade mínima para o uso dos substitutos do leite materno.
A proposta brasileira sobre aleitamento mexeu na agenda da assembléia e o adiamento do debate para o Conselho Executivo perturba a preparação do próximo encontro. A OMS esperava poder continuar suas avaliações e estudos, sem precipitação, sobre a questão do Código de Comercialização dos substitutos do leite materno, até agora regulada por normas flexíveis. Apesar da pressão dos países da União Européia e dos EUA para derrubar a proposta, cerca de 50 países do terceiro mundo conseguiram adiar sua discussão para o Conselho Executivo da OMS, onde a presença do brasileiro João Yunes é uma garantia de continuidade.

Propostas

Segundo João Yunes, as resolução do Brasil sobre os remédios do coquetel contra a Aids foi aprovada, após muita discussão e seis horas de debates. "A proposta é objetiva e visa democratizar as informações sobre os preços desses remédios para favorecer os países mais pobres. Vai favorecer o acesso dos países pobres aos países que produzem mais barato".


Governo evita na
votação de PEC para saúde

Brasília - Os ministros da Fazenda, Pedro Malan e da Saúde, José Serra, evitarão o confronto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na discussão da proposta de emenda constitucional (PEC) que vincula recursos da União, Estados e municípios à saúde. A base governista não quer impor um desgaste ao presidente Fernando Henrique Cardoso e aposta na recusa dos dois ao convite feito pela CCJ para que participem, no dia 30, de um debate sobre a matéria.
"Pelo menos publicamente, os ministros vão contornar os conflitos", disse o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), que participa das negociações, ao lado do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), para adiar a votação da proposta em plenário. Essa também é a avaliação do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Os parlamentares que fazem oposição à PEC da saúde, que se transformou numa das bandeiras políticas do ministro da Saúde, consideram que a proposta não será votada neste ano.
A proposta foi aprovada pela CCJ na quarta-feira mas, não deve ser apreciada em plenário logo. ACM disse que ela não será votada no dia 7, como querem os defensores da PEC, entre eles, o PMDB e o PT. Soma-se a esta determinação do presidente do Senado a articulação para que sejam feitas emendas à PEC de forma a atrasar o trâmite.

Manchetes AN

Das últimas edições de Geral
20/05 - Segue impasse entre governo e professores
19/05 - Professores e governo negociam proposta
18/05 - Governo estadual recebe professores amanhã
17/05 - Prefeituras e empresas vão contestar Funai
16/05 - Funai mantêm ampliação de área
15/05 - Faltam 1.600 vagas no sistema carcerário
14/05 - Arquitetura alemã será protegida em SC

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Anchieta incentiva novo
modelo de agricultura

Cidade recebeu o título de capital do milho crioulo

Edson Fuhrmann

Anchieta - Uma festa realizada neste final de semana no pequeno município de Anchieta, no Extremo-oeste do Estado, inaugura um título que a comunidade, formada na maioria por pequenos agricultores, vem perseguindo há cerca de quatro anos: o de capital catarinense do milho crioulo. A instituição do título foi aprovada pela Assembléia Legislativa em reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido no município para a implantação e difusão de um tipo de agricultura que remonta há milhares de anos, mas que no Brasil, a partir de 1930, começou a ser destruído pelo surgimento das sementes híbridas, criadas nos Estados Unidos em 1889.
A 1ª Festa Estadual do Milho Crioulo reuniu cerca de sete mil pessoas em Anchieta, das quais muitos pesquisadores, técnicos ligados ao setor agrícola e empresários cada vez mais de olho no futuro mercado dos produtos alimentícios produzidos de forma ecologicamente correta. Com a primeira edição do evento, Anchieta deu o pontapé inicial para a divulgação a nível estadual e nacional da agroecologia que no município não produz apenas milho livre de produtos químicos, mas também arroz, soja e até melancia crioula. Outra novidade apresentada durante a festa foram as sete raças de suíno crioulo, que já vêm sendo criadas em grande escala na região.

Domínio

O desmonte da agricultura tradicional praticada pelo homem há séculos começou em 1889 nos Estados Unidos, com o surgimento das sementes híbridas, que nos anos que se seguiram se espalharam pelo mundo e deram origem às superpotências multinacionais da produção destas sementes. Por serem muito caros, os híbridos começaram a ser produzidos no Brasil apenas em 1930. Em Santa Catarina, o início da assistência técnica através do extensionismo rural em 1948 desencadeou a difusão dos pacotes tecnológicos da revolução verde pregada pelos Estados Unidos. Foi a arrancada para a popularização das sementes híbridas e o uso indiscriminado dos adubos químicos e dos agrotóxicos, apresentados como "a salvação da lavoura". O sistema agroquímico foi largamente incentivado pelo regime militar, que governou o Brasil de 64 a 85.
Junto com a mecanização do campo nos anos 70, a produção agrícola no Brasil encareceu, especialmente a de cereais. Além de ter que adquirir a semente em todo início de plantio, o agricultor gasta com o calcário, a uréia, o adubo e defensivos agrícolas para dezenas de pragas. No início dos anos 80, setores contrários a este sistema começaram a se mobilizar no Brasil. Surgiu então o ciclo no início chamado Movimento da Agricultura Alternativa, hoje rotulado de agroecologia.

Fôlego

Em Santa Catarina, algumas organizações não-governamentais (ONGs), como a Associação de Pequenos Agricultores do Oeste (Apaco) e o Centro Vianei de Educação Popular de Lages, há mais de 15 anos contribuem para que a produção de sementes se torne realidade. Apesar disso, o modelo agroquímico ainda impera em todo o Brasil e no Estado. No mundo o modelo implantado há mais de um século pelos países desenvolvidos ganha novo fôlego, com a manipulação genética das plantas, batizadas de transgênicas e que reforçam ainda mais o poderio das multinacionais da semente.


Projeto atrai novos produtores

Em três anos, município conseguiu frear o êxodo rural

Anchieta - Os ensaios teóricos para a implantação da agricultura ecologicamente correta em Anchieta começaram em 1996, através da Secretaria Municipal da Agricultura e Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Anchieta (Sintraf). A produção de sementes de milho crioulo foi o carro-chefe do projeto. Em 1997 as primeiras lavouras começaram a ser plantadas, numa extensão de quatro hectares, com algumas famílias pioneiras que aderiram à idéia. Passados quatro anos, o município já está com 900 hectares plantados com variedades de milho crioulo. "Das 1.050 famílias rurais de Anchieta, 5,76% já abandonaram totalmente as sementes híbridas e passaram a produzir variedades e plantar apenas milho crioulo", informa o técnico agrícola Adriano Canci, que coordena os trabalhos.
Anchieta está colhendo este ano 60 mil sacas de milho crioulo das 20 variedades plantadas. Parte da produção fica nas lavouras para consumo próprio e o restante será comercializado no mercado regional, em forma de sementes ou para produção de alimentos. Boa parte da safra é constituída por milho 100% orgânico, sem uréia, sem adubação química e nem uma gota de defensivos.
Segundo Adriano Canci, o mais importante é que as sementes crioulas já chamam a atenção de outras regiões do País. A produção do município deverá chegar à Europa no próximo ano. O sindicato e os grupos de agricultores estão fechando contrato com uma empresa da exportação de cereais do Paraná para a venda de 360 toneladas que serão exportadas para Europa. Cada agricultor participante do negócio ganhará US$ 10 dólares a saca, mais do que o dobro pago hoje no mercado nacional.

Valor agregado

Os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo do Estado, também foram utilizados de forma diferenciada em Anchieta. Foi o único município do Estado a carrear toda a verba, de R$ 316 mil, em instalação de pequenas agroindústrias administradas pelos próprios agricultores. Até agora, quatro agroindústrias foram instaladas, duas de produção açúcar mascavo e cachaça, uma de doces e conservas e uma na área de laticínios. A matéria-prima sai da própria produção das lavouras. O sindicato, Secretaria Municipal da Agricultura e demais entidades comunitárias criaram o Feirão da Terra, que todas as semanas vende diretamente ao consumidor 50 itens de produtos coloniais sem a presença de produtos químicos.
Projetos voltados ao incentivo aos pequenos agricultores começam a dar os primeiros resultados. Nos últimos anos o município vem conseguindo frear o êxodo rural. Adriano Canci salienta que os colonos ganharam uma nova perspectiva no campo, baseada na valorização da agricultura familiar. "O detalhe mais significativo é que as famílias rurais estão novamente adquirindo a auto-estima". (EF)


"Hoje me sobra mais dinheiro"

O agricultor Dorvalino Facco, 70 anos, gaúcho de Julio de Castilho e há 38 anos em Anchieta, é um dos mais entusiastas quando o assunto é a produção agrícola orgânica. Proprietário de 27 hectares de terra na Linha Gaúcha, ainda lembra dos tempos em que os próprios colonos produziam suas sementes. Segundo ele, quando chegou em Anchieta só plantava milho crioulo, até que os agrônomos e técnicos agrícolas conseguiram convencê-lo a aderir às sementes híbridas, como todo mundo já vinha fazendo.
Mesmo desconfiado da nova tecnologia, ele resolveu experimentar. Entretanto, em um canto, próximo a lavoura de milho híbrido, ele manteve uma pequena roça de variedade crioula, para comparar. Dorvalino garante que, mesmo com todo o adubo químico, uréia e defensivos agrícolas recomedados pelos técnicos, o seu milho crioulo se igualava e até ganhava em termos de vitalidade e produtividade. Quando o sindicato começou a desenvolver os projetos de agroecologia, ele foi um dos primeiros a aderir. Hoje, Dorvalino só planta milho crioulo e usa apenas adubação verde e defensivos orgânicos em sua propriedade onde, além de milho, cultiva feijão, arroz, verduras e produz leite.
"Hoje me sobra mais dinheiro na guaiaca", garante Dorvalino, que tem uma produção média de 400 sacas de milho por ano. Segundo afirma, a produtividade é de 92 sacas por hectare, quando a média do Estado é cerca de 45. Além de vender facilmente a safra, Dorvalino também comercializa sementes com outros agricultores vizinhos e consegue até R$ 42,00 por saca. (EF)


Libertado
ex-diretor da Condema

Mafra - O ex-diretor da Companhia de desenvolvimento de Mafra (Condema), Zênio Reinauld está fora da prisão. Reinauld ficou preso por trinta dias, acusado de não preservar o dinheiro público e de contratar serviço de contabilidade sem licitação. O pedido de habbeas corpus foi revisto pelo Tribunal que ordenou a liberação. "O Tribunal teve outro convencimento dentro da Lei, ou seja, houve uma apreciação diferente da mesma prova", disse o promotor de Justiça, Joel Furtado Júnior, autor das denúncias.
O advogado do ex-diretor, Carlos Von Linsingen, destacou que o habbeas corpus já havia sido concedido uma vez pela Justiça, mas Reinauld não chegou a ser solto porque outra acusação feita pela promotoria o manteve preso. "Mais uma vez foi preciso que o Tribunal de Justiça decretasse a ilegalidade e violência da decisão do juiz da comarca, cassando a tal decisão", disse Von Linsingen, após a soltura de seu cliente. O advogado insiste no argumento de que a prisão foi ilegal e compara: "A acusação, mesmo que infundada, é como um saco de penas solto ao vento, você pode recuperar uma porção delas, mas jamais poderá recolher todas".
O promotor de Justiça destaca que a prisão de Reinauld foi legal, pois os delitos de que o ex-presidente da Condema foi acusado são penalizados por reclusão. Outras denúncias estão sendo investigadas e serão ajuizadas assim que houver provas suficientes. Criada em 1997, a Condema tinha por finalidade fomentar obras de interesse público, com recursos da Prefeitura. O estopim da prisão foi a descoberta de uma nota fiscal adulterada referente à publicação do estatuto da Condema.


Programa 1
Técnicos da Secretaria da Justiça e Cidadania estarão segunda e terça-feira percorrendo os municípios de Palmitos, Cunha Porã, Maravilha, Anchieta, Campo Erê, São Lourenço do Oeste, São Domingos, Abelardo Luz e Seara, com o objetivo da implantação em sistema de cooperação técnico financeira de programas para a execução das medidas sócio-educativas de Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade.

Programa 2
De caráter eminentemente pedagógico, os programas integram o elenco das medidas sócio-educativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, a serem aplicadas pelo Ministério Público e Juizados da Infância e da Juventude das comarcas, aos adolescentes autores dos atos infracionais. O programa objetiva a implantação e o aperfeiçoamento dos programas de meio aberto nas 92 comarcas do Estado.

Golpe
O Fundação de Esportes de Balneário Camboriú identificou as pessoas que estavam arrecadando dinheiro cidade em nome da Prefeitura. Um pessoa foi presa em flagrante, mas segundo informações de comerciantes, um grupo estava agindo na cidade. O prefeito Leonel Pavan alerta e pede para que comerciantes e empresários não entreguem contribuição para pessoas desconhecidas.

Mercado 1
A retomada das obras do Mercado do Pescador na Barra Sul foi condicionada, pela Justiça, à retirada de trapiches clandestinos instalados no Rio Camboriú. No dia 16, a prefeitura coordenou a retirada de três trapiches instalados de forma irregular na margem esquerda do Rio, mais precisamente nas imediações da Rua 4.500. O Mercado do Pescador, que será edificado neste local, constitui-se em mais uma atração turística com fins sociais.

Mercado 2
A prefeitura aguarda para o dia 29 de maio, data da audiência marcada para assinatura do termo de ajustamento de conduta entre o município, ministério público e a justiça, assim, finalmente será definida a data para retomada das obras do Mercado. Os proprietários dos equipamentos - Carlos Cesário Pereira, Archimedes Limoli e a empresa Jet Point - haviam sido notificados na semana passada, que determinou a retirada dos trapiches.

Mercado 3
Como a determinação não foi cumprida dentro do prazo estipulado, o trabalho de remoção foi executado pela municipalidade. A medida se fez necessária tendo em vista o desenvolvimento do projeto do Mercado. O prefeito Leonel Pavan afirma que o Ministério Público está fazendo um excelente trabalho na fiscalização e prevenção de abusos contra o meio ambiente.

 
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