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ANotícia
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SC tem 3º menor
índice de analfabetismo
Apesar da boa colocação,
Estado ainda apresenta municípios com números opostos
Luis Fernando Assunção
Santa
Catarina tem os dois extremos em índices de analfabetismo.
Bem colocado em levantamentos nacionais, o Estado apresenta duas
cidades com números opostos: Pomerode quase zerou o número
de analfabetos - 1,8% - e Campo Belo do Sul se aproxima dos piores
índices: 26,4%. Apesar disso, a média catarinense
é boa. O Estado é o terceiro no Brasil com o menor
índice de analfabetismo, segundo o documento Síntese
dos Indicadores Sociais 1999, elaborado pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). Tem 6,4%, ficando atrás
apenas do Distrito Federal, que apresenta 5,6%, e do Rio de Janeiro,
5,9%. A região Sul e Sudeste têm os menores índices,
ambas com 8,1%.
Segundo o levantamento realizado pelo IBGE, através da
Síntese dos Indicadores Sociais 99, os números
da educação no Brasil melhoram. Houve declínio
nas taxas de analfabetismo e aumento nas taxas de escolarização
e da escolaridade média da população brasileira.
No entanto, a situação é ruim em algumas
regiões do País. Existem, ainda, mais de 15 milhões
de adultos analfabetos dos quais oito milhões residentes
no Nordeste e outros quatro milhões no Sudeste. O analfabetismo
continua sendo mais significativo nas áreas rurais, em
especial em Alagoas, onde atinge 53,4% da população
de 15 anos ou mais de idade.
Outro dado importante revelado no levantamento é a escolaridade
da população brasileira que, além de baixa,
é desigual. Entre os ocupados de 10 anos ou mais de idade,
a média de anos de estudo é de apenas 6,2 anos,
nível considerado baixo para as atuais exigências
do sistema produtivo. Mas, como os mais jovens apresentam um
perfil de escolaridade mais alto, a tendência é
de que, a médio prazo, aumente a média de escolaridade
no País. Internamente, a desigualdade educacional repete
os contrastes regionais. Por exemplo: enquanto os jovens do Nordeste
de 20 a 24 anos têm em média uma escolaridade de
5,8 anos de estudos, os do Sul e Sudeste já adquiriram,
em média, oito anos de estudos.
ZÂMBIA E FRANÇA
Em Santa Catarina há um Zâmbia e uma França
na questão do analfabetismo. Enquanto cidades como Pomerode
e Tunápolis quase zeraram o analfabetismo - 1,8% e 2,2%
-, Campo Belo do Sul e Paulo Lopes, por exemplo, apresentam índices
altos para a realidade local: 26,4% e 23,7%, segundo dados da
Secretaria Estadual de Educação. O governo estadual
estuda formas de melhorar os índices nessas cidades que
ainda não conseguiram dominar o analfabetismo. Ano passado,
foram realizadas capacitações de educadores através
de convênio com o Banco do Brasil (BB Educar). Nossa intenção
é erradicar o analfabetismo no Estado nos próximos
anos", projeta a diretora de ensino supletivo da Secretaria
de Educação, Clarice Portella de Lima. Com os números
gerais de analfabetismo controlados, as metas da secretaria agora
é aumentar a freqüência no ensino médio,
uma tendência verificada em outros Estados brasileiros
com bom desempenho nessa área.
Dificuldades são variadas
Poucos meios de
transporte aumentam luta pelo estudo
Loreno Siega
Lages - Para Paula Teles de Menezes Fonte Boa, supervisora
escolar da 7ª CRE, de Lages, o alto índice de analfabetismo
registrado em Campo Belo do Sul e municípios vizinhos
como Cerro Negro, Anita Garibaldi e Celso Ramos deve-se a alguns
fatores típicos de pequenos proprietários, descapitalizados
e com poucas ambições pessoais e familiares, uma
característica bastante encontrada na cultura cabocla,
longas distâncias e poucos meios de transporte, falta de
outros meios de informação como televisão,
jornais e revistas. Em grande parte das comunidades não
há sequer energia elétrica), além de um
bom número de professores não habilitados suficientemente.
Apesar de não questionar o índice de analfabetismo
de 26,4% em Campo Belo, Paula acredita que esse percentual elevado
refere-se à população com mais de 30 anos.
Ela diz que várias ações ocorridas recentemente
estão dando resultado para modificar o quadro. Cita uma
série de iniciativas de capacitação e titulação
de professores, realizadas pela 7ª CRE e pela Uniplac (Universidade
de Lages), a implantação das classes de aceleração
de estudos no colégio estadual local, além da recente
criação de um curso superior de pedagogia no município,
com 50 vagas. "Esperamos que com essas e outras medidas,
os altos índices de analfabetismo sejam reduzidos ano
a ano.", finalizou.
Campo Belo contesta os números
Loreno Siega
Campo Belo do Sul - O prefeito José Davi Pereira (PFL)
e o secretário municipal de Educação de
Campo Belo do Sul, Nílson Barbosa Filho, refutaram com
veemência o índice de 26,4% de analfabetismo divulgados
pela Diretoria de Ensino Supletivo da Secretaria de Estado da
Educação (que seria o pior índice de Santa
Catarina). Eles alegam não terem visto equipes do IBGE
irem até o município nos últimos anos para
verificar a real situação. "Reconheço
que podíamos apresentar esses índices há
mais de 10 anos, quando o analfabetismo de outros municípios
da região também eram elevados, devido a uma série
de fatores. Mas hoje não dá para aceitar isso como
verdadeiro, nem se levarmos em conta apenas a população
com mais de 30 anos", declarou Nílson.
Os dois desafiam os técnicos do IBGE e da Secretaria de
Estado da Educação a encontrarem um índice
superior a 5% de analfabetismo entre a população
com menos de 20 anos. "Quando a gente fica sabendo de algum
pai que não quer matricular os filhos, por um motivo ou
outro, vamos até lá e o convencemos do contrário.
E se ele não aceitar, acionamos o conselho tutelar e até
a promotoria pública", deixou claro o secretário
de Educação. "Ensino Fundamental é
uma obrigação do município. E nós,
apesar das longas distâncias, dos poucos recursos próprios
e da quase ausência do governo estadual, estamos fazendo
a nossa parte", assegurou. Informou ainda que os investimentos
da educação correspondem a 33,7% do total da arrecadação,
e que isso representa algo em torno de R$ 90 mil por mês.
Campo Belo do Sul dispõe de 27 escolas municipais no interior
e duas na cidade, onde estão matriculados 1.904 alunos
no ensino fundamental e médio. O município conta
ainda com 242 alunos no pré-escolar, totalizando 2.146
alunos freqüentando a escola ou 24% da população.
São 64 professores municipais, sendo 12 com curso superior
(seis deles com pós-graduação) e 18 cursando
pedagogia no próprio município, num curso em regime
especial implantado neste ano pela Uniplac (de Lages).
Grande parte das unidades do interior funcionam como escolas
multisseriadas (apenas um professor cuida de um grupo de alunos
das quatro primeiras séries do ensino fundamental). O
ensino médio só existe na cidade, no colégio
mantido pelo Estado. Uma novidade é a "Escola Itinerante".
Trata-se de um sistema alternativo, de 5ª a 8ª série,
para fazer frente às dificuldades de transporte do meio
rural até a sede do município (distância
que, em alguns casos, chega até a 56 quilômetros).
Desafios diários começam
muito cedo
Nas terças, quartas e quintas-feiras um grupo de cinco
professores, uma cozinheira e um motorista partem às 5h30
até três pontos distintos do interior (um dia em
cada local, muitas vezes atravessando até rios sem ponte
). Ali reúnem-se os alunos para terem aulas durante todo
aquele dia, de forma intensiva. O mesmo micro-ônibus utilizado
para transportar os professores, antes e após as aulas,
faz diversas viagens para buscar os estudantes das comunidades
vizinhas. Em alguns casos, até camionetes fechadas na
carroceria e com bancos adaptados são utilizadas para
esse trabalho. "É preferível que andem nos
bancos de uma camionete do que não terem transporte e
ficar sem estudar", justifica o secretário de Educação.
Ele alega que os recursos repassados pelo Estado para custear
o transporte escolar representam cerca de 20% dos gastos. "Esse
dinheiro sempre chega atrasado, criticou.
Denise Guisolfi, 20 anos, estuda na 8ª série da Escola
Itinerante, na comunidade de Monte Alegre (distante cerca de
40 quilômetros da sede de Campo Belo). Como mora no município
de Cerro Negro, não dispõe de transporte escolar
patrocinado por Campo Belo do Sul. Sai de casa às 6 horas,
caminha oito quilômetros a pé, come um lanche levado
de casa na hora do almoço e assiste aulas até às
15h30 (com intervalo de apenas 50 minutos ao meio-dia). Depois
retorna, novamente a pé. "É muito sacrifício,
principalmente no inverno, quando dá geada ou chove. Mas
estou feliz porque é a única forma que encontrei
para continuar estudando", afirma com um largo sorriso.(LS)
Pomerode tem sistema
educacional eficiente
Consciência
das famílias, necessidades do mercado e boa estrutura
da rede pública garantem qualidade
Marli Rudnik
Pomerode - Não é só nos trajes típicos
e na gastronomia que Pomerode justifica o título de cidade
mais alemã do Brasil. A forte tradição germânica
ajudou a construir um sistema educacional eficiente, em que a
idade escolar começa aos 4 anos e 100% das crianças
de até 14 anos freqüentam a escola. Neste ano um
terço da população de Pomerode - 7,2 mil
pessoas - está matriculado no ensino regular, da educação
infantil ao ensino médio, ou em programas de supletivo
para formação de adultos. A consciência das
famílias, aliada às necessidades do mercado de
trabalho e uma boa estrutura da rede pública de ensino,
confere ao município o melhor índice de alfabetização
do País, com 98,2% da população.
A rede municipal de ensino de Pomerode conta com 20 escolas municipais,
três estaduais e quatro estabelecimentos particulares,
além do centro supletivo para adultos, mantido pelo Estado.
Com esta estrutura e a boa distribuição das unidades
pelas localidades do interior (nenhum aluno mora a mais de 3
quilômetros de sua escola), o município consegue
oferecer ensino público para crianças a partir
de 4 anos e garantir que todas as crianças em idade para
o ensino fundamental estejam matriculadas. Segundo o secretário
municipal de Educação, Valmor Kamchen, a iniciativa
dos pais é espontânea: "quando chega o período
de matricular seus filhos eles mesmos procuram", afirma.
Para evitar a evasão escolar, principalmente nas zonas
rurais, a secretaria conta com a ajuda dos agentes de saúde,
que mantêm um cadastro e visitam mensalmente todas as famílias
residentes na cidade. Quando é detectada uma desistência
a Educação aciona o Conselho Tutelar que providencia
o retorno da criança à escola. Estes casos, porém,
são esporádicos. "Em Pomerode as famílias
são conscientes e as empresas também têm
influenciado, exigindo escolaridade em qualquer contratação",
afirma o secretário.
O envolvimento dos pais com a educação dos filhos
já superou a mera participação em reuniões
bimestrais para assinatura de boletins. Graças à
mobilização das associações de pais
e professores, muitas escolas públicas oferecem estrutura
de particulares. É o caso da Escola Básica Doutor
Amadeu da Luz, na localidade de Testo Alto, onde as campanhas
comunitárias permitiram a instalação de
ar condicionado em todas as salas de aula e a implantação
de um laboratório de informática para formação
dos alunos. Na Escola Básica Olavo Bilac, em Testo Salto,
as turmas são controladas por circuito interno de TV e
todas as salas de aula dispõem de televisão com
vídeocassete para uso didático.
Município faz sua parte
e mantém
um corpo docente bem qualificado
Em busca da qualidade de ensino, o município faz sua
parte na formação docente. Quase todos os professores
estão habilitados de acordo com a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação e alguns já investiram
em pós-graduação ou mestrado. Um convênio
com a Fundação Educacional Regional Jaraguaense
criou o projeto Professor Competente, que recicla anualmente
os docentes e avalia o sistema de ensino.
SISTEMAS
A preocupação com a alfabetização
em massa talvez seja a principal diferença entre as regiões
colonizadas por alemães e as de formação
lusitana, por exemplo. Segundo o antropólogo Salvio Müller,
de Blumenau, nos dois primeiros séculos de ocupação
do Brasil as colônias portuguesas mantinham economias fundamentadas
na agricultura e pecuária. Criar um sistema educacional
não era prioridade porque as famílias abastadas
mandavam seus filhos estudar na Europa, e os pobres se ocupavam
apenas do trabalho.
LUTERANOS
Já nas colônias alemãs iniciadas em meados
do século passado predomina a influência de Martinho
Lutero, que queria o acesso irrestrito do povo às sagradas
escrituras e por isso investiu na alfabetização
comunitária. Os imigrantes trouxeram esta formação
cultural quando se instalaram na região, o que possibilitou
também a industrialização acelerada das
novas colônias. Ao formar um novo núcleo, as primeiras
construções comunitárias que surgiam eram
a igreja e a escola. O secretário de Educação
de Pomerode afirma que em 1880 praticamente todas as comunidades
tinham seus "deutsche schulgemeinden", escolas públicas
que ensinavam em língua alemã.
REPRESSÃO
Nem a repressão do governo brasileiro aos costumes
germânicos, na campanha de nacionalização
da 2ª Guerra Mundial inibiu esta formação.
Proibidas de ensinar em alemão, muitas escolas foram fechadas
e professores substituídos neste período. Em Pomerode,
a rede municipal de ensino de Blumenau passou a assumir gradativamente
a educação, que só voltou a ser dominada
pela comunidade pomerana com a emancipação, em
1959. Hoje a situação se inverte. Preocupada em
resgatar e preservar a cultura dos primeiros imigrantes, a Secretaria
de Educação instituiu a obrigatoriedade da língua
alemã no currículo de 5ª a 8ª séries,
ao lado do inglês, ensinado desde a 1ª série.(MR)
Terapia holística mais acessível
Arroio Trinta terá
clínica de formação e atendimento
Arroio Trinta - O município de Arroio Trinta, Meio-oeste,
vai sediar uma clínica-escola para formação
profissional de terapeutas holísticos, na área
de terapias alternativas, aprovadas pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) e Conselho Federal de Terapias.
O projeto já está sendo executado e terá
uma área construída de 700 metros quadrados, com
seis salas de atendimento, recepção, administração,
cozinha, restaurante e auditório para palestras e cursos
com capacidade para 300 pessoas. Ainda serão construídas
20 suítes para abrigar os participantes dos cursos, reciclagem
e adestramento.
A clínica prevê atendimento de 36 mil pessoas por
ano e a formação de aproximadamente mil profissionais,
em cursos com duração média de oito dias.
Seis terapeutas vão atender permanentemente a população.
A iniciativa é do terapeuta holístico Valdomiro
Comelli, que nasceu em Arroio Trinta e depois de formado já
atendeu mais de 20 mil pessoas com os mais variados problemas
de saúde, tanto física quanto emocional, mental
ou espiritual.
Os clientes vem de todas as partes do Brasil e do exterior, como
Suíça, Alemanha, Inglaterra e Argentina. O sucesso,
na avaliação do terapeuta, deve-se ao desenvolvimento
de técnicas próprias para aceleração
do processo de cura das doenças. Em média, segundo
Comelli, o tratamento não passa de três meses, enquanto
com outras terapias o tempo mínimo de recuperação
é de oito a 12 meses.
O terapeuta explica que em geral as doenças são
causadas por desequilíbrios energéticos dos corpos
emocional, mental e espiritual. "São esses corpos
que detém a energia vital, que dá origem à
vida de todos os seres", ensina. "Em desequilíbrio,
essas energias não conseguem atuar de forma plena e constante
no sistema glandular humano, impedindo que as glândulas
produzam os anticorpos necessários à defesa de
todas as doenças", completou.
A terapia, segundo ele, através do equilíbrio dos
chacras (rodas energéticas), eliminam os bloqueios de
vida do passado longínquo, traumas do passado recente,
bem como do presente, visando não apenas a supressão
da patologia, mas a volta de um estado natural e desejável
de saúde, bem estar e felicidade, sem o uso de qualquer
medicamente nem regime alimentar. Entre os métodos utilizados
por Comelli estão a radiestesia, reiki, holotron, pilha
cósmica, bastões de força, cristais e alteração
do corpo energético vibracional.
OMS aprova proposta brasileira
Genebra, Suíça - A proposta brasileira
sobre a criação de um banco de dados para os medicamentos
do coquetel contra Aids foi aprovada durante a 53ª Assembléia
Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça,
mas a discussão sobre aleitamento materno, também
apresentada pelo Brasil, foi adiada para janeiro por pressão
dos representates europeus e norte-americanos. Hoje, o representante
brasileiro no Conselho Executivo Organização Mundial
de Saúde (OMS), João Yunes, afirmou que acompanhará
pessoalmente a tramitação das duas propostas.
As propostas, segundo o jornal "The New York Times",
"desencadearam a fúria dos grandes laboratórios
farmacêuticos internacionais". A sugestão de
que a OMS recomende seis meses de vida de aleitamento a desagradou
a direção suíça da multinacional
Nestlé. Um representante da empresa chegou a se encontrar
com um dos representantes brasileiros, que participam das discussões
no encontro. A direção suíça da empresa,
que aplica sem problemas a lei dos países onde esta implantada,
como é o caso do Brasil, argumenta que se deve deixar
cada país fixar a idade mínima para o uso dos substitutos
do leite materno.
A proposta brasileira sobre aleitamento mexeu na agenda da assembléia
e o adiamento do debate para o Conselho Executivo perturba a
preparação do próximo encontro. A OMS esperava
poder continuar suas avaliações e estudos, sem
precipitação, sobre a questão do Código
de Comercialização dos substitutos do leite materno,
até agora regulada por normas flexíveis. Apesar
da pressão dos países da União Européia
e dos EUA para derrubar a proposta, cerca de 50 países
do terceiro mundo conseguiram adiar sua discussão para
o Conselho Executivo da OMS, onde a presença do brasileiro
João Yunes é uma garantia de continuidade.
Propostas
Segundo João Yunes, as resolução do Brasil
sobre os remédios do coquetel contra a Aids foi aprovada,
após muita discussão e seis horas de debates. "A
proposta é objetiva e visa democratizar as informações
sobre os preços desses remédios para favorecer
os países mais pobres. Vai favorecer o acesso dos países
pobres aos países que produzem mais barato".
Governo evita na
votação de PEC para saúde
Brasília - Os ministros da Fazenda, Pedro Malan e da
Saúde, José Serra, evitarão o confronto
na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado na discussão da proposta de emenda constitucional
(PEC) que vincula recursos da União, Estados e municípios
à saúde. A base governista não quer impor
um desgaste ao presidente Fernando Henrique Cardoso e aposta
na recusa dos dois ao convite feito pela CCJ para que participem,
no dia 30, de um debate sobre a matéria.
"Pelo menos publicamente, os ministros vão contornar
os conflitos", disse o senador Lúcio Alcântara
(PSDB-CE), que participa das negociações, ao lado
do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA), e do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB),
para adiar a votação da proposta em plenário.
Essa também é a avaliação do líder
do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Os
parlamentares que fazem oposição à PEC da
saúde, que se transformou numa das bandeiras políticas
do ministro da Saúde, consideram que a proposta não
será votada neste ano.
A proposta foi aprovada pela CCJ na quarta-feira mas, não
deve ser apreciada em plenário logo. ACM disse que ela
não será votada no dia 7, como querem os defensores
da PEC, entre eles, o PMDB e o PT. Soma-se a esta determinação
do presidente do Senado a articulação para que
sejam feitas emendas à PEC de forma a atrasar o trâmite.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Anchieta incentiva novo
modelo de agricultura
Cidade recebeu
o título de capital do milho crioulo
Edson Fuhrmann
Anchieta - Uma festa realizada neste final de semana no pequeno
município de Anchieta, no Extremo-oeste do Estado, inaugura
um título que a comunidade, formada na maioria por pequenos
agricultores, vem perseguindo há cerca de quatro anos:
o de capital catarinense do milho crioulo. A instituição
do título foi aprovada pela Assembléia Legislativa
em reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido no município
para a implantação e difusão de um tipo
de agricultura que remonta há milhares de anos, mas que
no Brasil, a partir de 1930, começou a ser destruído
pelo surgimento das sementes híbridas, criadas nos Estados
Unidos em 1889.
A 1ª Festa Estadual do Milho Crioulo reuniu cerca de sete
mil pessoas em Anchieta, das quais muitos pesquisadores, técnicos
ligados ao setor agrícola e empresários cada vez
mais de olho no futuro mercado dos produtos alimentícios
produzidos de forma ecologicamente correta. Com a primeira edição
do evento, Anchieta deu o pontapé inicial para a divulgação
a nível estadual e nacional da agroecologia que no município
não produz apenas milho livre de produtos químicos,
mas também arroz, soja e até melancia crioula.
Outra novidade apresentada durante a festa foram as sete raças
de suíno crioulo, que já vêm sendo criadas
em grande escala na região.
Domínio
O desmonte da agricultura tradicional praticada pelo homem
há séculos começou em 1889 nos Estados Unidos,
com o surgimento das sementes híbridas, que nos anos que
se seguiram se espalharam pelo mundo e deram origem às
superpotências multinacionais da produção
destas sementes. Por serem muito caros, os híbridos começaram
a ser produzidos no Brasil apenas em 1930. Em Santa Catarina,
o início da assistência técnica através
do extensionismo rural em 1948 desencadeou a difusão dos
pacotes tecnológicos da revolução verde
pregada pelos Estados Unidos. Foi a arrancada para a popularização
das sementes híbridas e o uso indiscriminado dos adubos
químicos e dos agrotóxicos, apresentados como "a
salvação da lavoura". O sistema agroquímico
foi largamente incentivado pelo regime militar, que governou
o Brasil de 64 a 85.
Junto com a mecanização do campo nos anos 70, a
produção agrícola no Brasil encareceu, especialmente
a de cereais. Além de ter que adquirir a semente em todo
início de plantio, o agricultor gasta com o calcário,
a uréia, o adubo e defensivos agrícolas para dezenas
de pragas. No início dos anos 80, setores contrários
a este sistema começaram a se mobilizar no Brasil. Surgiu
então o ciclo no início chamado Movimento da Agricultura
Alternativa, hoje rotulado de agroecologia.
Fôlego
Em Santa Catarina, algumas organizações não-governamentais
(ONGs), como a Associação de Pequenos Agricultores
do Oeste (Apaco) e o Centro Vianei de Educação
Popular de Lages, há mais de 15 anos contribuem para que
a produção de sementes se torne realidade. Apesar
disso, o modelo agroquímico ainda impera em todo o Brasil
e no Estado. No mundo o modelo implantado há mais de um
século pelos países desenvolvidos ganha novo fôlego,
com a manipulação genética das plantas,
batizadas de transgênicas e que reforçam ainda mais
o poderio das multinacionais da semente.
Projeto atrai novos produtores
Em três anos,
município conseguiu frear o êxodo rural
Anchieta - Os ensaios teóricos para a implantação
da agricultura ecologicamente correta em Anchieta começaram
em 1996, através da Secretaria Municipal da Agricultura
e Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Anchieta
(Sintraf). A produção de sementes de milho crioulo
foi o carro-chefe do projeto. Em 1997 as primeiras lavouras começaram
a ser plantadas, numa extensão de quatro hectares, com
algumas famílias pioneiras que aderiram à idéia.
Passados quatro anos, o município já está
com 900 hectares plantados com variedades de milho crioulo. "Das
1.050 famílias rurais de Anchieta, 5,76% já abandonaram
totalmente as sementes híbridas e passaram a produzir
variedades e plantar apenas milho crioulo", informa o técnico
agrícola Adriano Canci, que coordena os trabalhos.
Anchieta está colhendo este ano 60 mil sacas de milho
crioulo das 20 variedades plantadas. Parte da produção
fica nas lavouras para consumo próprio e o restante será
comercializado no mercado regional, em forma de sementes ou para
produção de alimentos. Boa parte da safra é
constituída por milho 100% orgânico, sem uréia,
sem adubação química e nem uma gota de defensivos.
Segundo Adriano Canci, o mais importante é que as sementes
crioulas já chamam a atenção de outras regiões
do País. A produção do município
deverá chegar à Europa no próximo ano. O
sindicato e os grupos de agricultores estão fechando contrato
com uma empresa da exportação de cereais do Paraná
para a venda de 360 toneladas que serão exportadas para
Europa. Cada agricultor participante do negócio ganhará
US$ 10 dólares a saca, mais do que o dobro pago hoje no
mercado nacional.
Valor agregado
Os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf), do governo do Estado, também foram
utilizados de forma diferenciada em Anchieta. Foi o único
município do Estado a carrear toda a verba, de R$ 316
mil, em instalação de pequenas agroindústrias
administradas pelos próprios agricultores. Até
agora, quatro agroindústrias foram instaladas, duas de
produção açúcar mascavo e cachaça,
uma de doces e conservas e uma na área de laticínios.
A matéria-prima sai da própria produção
das lavouras. O sindicato, Secretaria Municipal da Agricultura
e demais entidades comunitárias criaram o Feirão
da Terra, que todas as semanas vende diretamente ao consumidor
50 itens de produtos coloniais sem a presença de produtos
químicos.
Projetos voltados ao incentivo aos pequenos agricultores começam
a dar os primeiros resultados. Nos últimos anos o município
vem conseguindo frear o êxodo rural. Adriano Canci salienta
que os colonos ganharam uma nova perspectiva no campo, baseada
na valorização da agricultura familiar. "O
detalhe mais significativo é que as famílias rurais
estão novamente adquirindo a auto-estima". (EF)
"Hoje me sobra mais dinheiro"
O agricultor Dorvalino Facco, 70 anos, gaúcho de Julio
de Castilho e há 38 anos em Anchieta, é um dos
mais entusiastas quando o assunto é a produção
agrícola orgânica. Proprietário de 27 hectares
de terra na Linha Gaúcha, ainda lembra dos tempos em que
os próprios colonos produziam suas sementes. Segundo ele,
quando chegou em Anchieta só plantava milho crioulo, até
que os agrônomos e técnicos agrícolas conseguiram
convencê-lo a aderir às sementes híbridas,
como todo mundo já vinha fazendo.
Mesmo desconfiado da nova tecnologia, ele resolveu experimentar.
Entretanto, em um canto, próximo a lavoura de milho híbrido,
ele manteve uma pequena roça de variedade crioula, para
comparar. Dorvalino garante que, mesmo com todo o adubo químico,
uréia e defensivos agrícolas recomedados pelos
técnicos, o seu milho crioulo se igualava e até
ganhava em termos de vitalidade e produtividade. Quando o sindicato
começou a desenvolver os projetos de agroecologia, ele
foi um dos primeiros a aderir. Hoje, Dorvalino só planta
milho crioulo e usa apenas adubação verde e defensivos
orgânicos em sua propriedade onde, além de milho,
cultiva feijão, arroz, verduras e produz leite.
"Hoje me sobra mais dinheiro na guaiaca", garante Dorvalino,
que tem uma produção média de 400 sacas
de milho por ano. Segundo afirma, a produtividade é de
92 sacas por hectare, quando a média do Estado é
cerca de 45. Além de vender facilmente a safra, Dorvalino
também comercializa sementes com outros agricultores vizinhos
e consegue até R$ 42,00 por saca. (EF)
Libertado
ex-diretor da Condema
Mafra - O ex-diretor da Companhia de desenvolvimento de Mafra
(Condema), Zênio Reinauld está fora da prisão.
Reinauld ficou preso por trinta dias, acusado de não preservar
o dinheiro público e de contratar serviço de contabilidade
sem licitação. O pedido de habbeas corpus foi revisto
pelo Tribunal que ordenou a liberação. "O
Tribunal teve outro convencimento dentro da Lei, ou seja, houve
uma apreciação diferente da mesma prova",
disse o promotor de Justiça, Joel Furtado Júnior,
autor das denúncias.
O advogado do ex-diretor, Carlos Von Linsingen, destacou que
o habbeas corpus já havia sido concedido uma vez pela
Justiça, mas Reinauld não chegou a ser solto porque
outra acusação feita pela promotoria o manteve
preso. "Mais uma vez foi preciso que o Tribunal de Justiça
decretasse a ilegalidade e violência da decisão
do juiz da comarca, cassando a tal decisão", disse
Von Linsingen, após a soltura de seu cliente. O advogado
insiste no argumento de que a prisão foi ilegal e compara:
"A acusação, mesmo que infundada, é
como um saco de penas solto ao vento, você pode recuperar
uma porção delas, mas jamais poderá recolher
todas".
O promotor de Justiça destaca que a prisão de Reinauld
foi legal, pois os delitos de que o ex-presidente da Condema
foi acusado são penalizados por reclusão. Outras
denúncias estão sendo investigadas e serão
ajuizadas assim que houver provas suficientes. Criada em 1997,
a Condema tinha por finalidade fomentar obras de interesse público,
com recursos da Prefeitura. O estopim da prisão foi a
descoberta de uma nota fiscal adulterada referente à publicação
do estatuto da Condema.
Programa 1
Técnicos da Secretaria da Justiça e Cidadania estarão
segunda e terça-feira percorrendo os municípios
de Palmitos, Cunha Porã, Maravilha, Anchieta, Campo Erê,
São Lourenço do Oeste, São Domingos, Abelardo
Luz e Seara, com o objetivo da implantação em sistema
de cooperação técnico financeira de programas
para a execução das medidas sócio-educativas
de Liberdade Assistida e Prestação de Serviços
à Comunidade.
Programa 2
De caráter eminentemente pedagógico, os programas
integram o elenco das medidas sócio-educativas previstas
no Estatuto da Criança e do Adolescente, a serem aplicadas
pelo Ministério Público e Juizados da Infância
e da Juventude das comarcas, aos adolescentes autores dos atos
infracionais. O programa objetiva a implantação
e o aperfeiçoamento dos programas de meio aberto nas 92
comarcas do Estado.
Golpe
O Fundação de Esportes de Balneário Camboriú
identificou as pessoas que estavam arrecadando dinheiro cidade
em nome da Prefeitura. Um pessoa foi presa em flagrante, mas
segundo informações de comerciantes, um grupo estava
agindo na cidade. O prefeito Leonel Pavan alerta e pede para
que comerciantes e empresários não entreguem contribuição
para pessoas desconhecidas.
Mercado 1
A retomada das obras do Mercado do Pescador na Barra Sul foi
condicionada, pela Justiça, à retirada de trapiches
clandestinos instalados no Rio Camboriú. No dia 16, a
prefeitura coordenou a retirada de três trapiches instalados
de forma irregular na margem esquerda do Rio, mais precisamente
nas imediações da Rua 4.500. O Mercado do Pescador,
que será edificado neste local, constitui-se em mais uma
atração turística com fins sociais.
Mercado 2
A prefeitura aguarda para o dia 29 de maio, data da audiência
marcada para assinatura do termo de ajustamento de conduta entre
o município, ministério público e a justiça,
assim, finalmente será definida a data para retomada das
obras do Mercado. Os proprietários dos equipamentos -
Carlos Cesário Pereira, Archimedes Limoli e a empresa
Jet Point - haviam sido notificados na semana passada, que determinou
a retirada dos trapiches.
Mercado 3
Como a determinação não foi cumprida dentro
do prazo estipulado, o trabalho de remoção foi
executado pela municipalidade. A medida se fez necessária
tendo em vista o desenvolvimento do projeto do Mercado. O prefeito
Leonel Pavan afirma que o Ministério Público está
fazendo um excelente trabalho na fiscalização e
prevenção de abusos contra o meio ambiente.
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