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ANotícia
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Sem fronteiras, a
poesia desafia o tempo
Revista traça
perfil das poéticas modernas e mostra o trabalho de cinco
catarinenses

GLEBER PIENIZ
Distribuída
pelos correios para a classe literária global, meios impressos
de comunicação, bibliotecas, instituições
culturais e estabelecimentos de ensino de todos os níveis,
"Dimensão - Revista Internacional de Poesia"
chega à 29ª edição reunindo, como de
costume, trabalhos de abordagem moderna, pouco convencionais,
abertos aos desafios que a criação poética
contemporânea propõe. Prestes a completar 20 anos,
a revista - na verdade, um livro com mais de 300 páginas
- editada pelo mineiro Guido Bilharinho firma-se como ponto de
referência e confluência de experimentos formais
e semânticos, novas linguagens e diferentes visões
estéticas que estão sendo praticadas ao redor do
mundo no exato momento em que você lê este texto.
Dezesseis países de cinco continentes se fazem representar
na coletânea, obra dividida em oito seções,
cinco delas dedicadas metodicamente à criatividade: "Poemas
e Textos", "Haicais, Tankas e Epigramas", "Visuais",
"Performance" e "Seção Especial"
(neste número dedicada às poéticas paulistas
das décadas de 70 a 90 e aos novos infopoetas de São
Paulo). Completam a revista o editorial "O Moderno e o Antigo
em Arte", um bom apanhado de traduções e uma
seção que, sob o título de "Vária",
reúne menções da "Dimensão"
em revistas da França e da Itália, além
da relação de números anteriores ainda disponíveis.
Cinco catarinenses participam desta edição da revista:
Dennis Radünz assina o poema "Primitivismo", Alcides
Buss apresenta "Natural", Válter Carlos Costa
traduz "Crossing the Plain of Patience" (poema do americano
Steven White) e Hugo Mund Júnior busca o elemento visual
para "Sonho". Paulo Derengoski, de Lages, dispara dois
haicais (confira a performance dos catarinenses no quadro abaixo).
Bilharinho, no expediente de "Dimensão", faz
questão de deixar explícitos os critérios
que prevalecem na seleção dos trabalhos: "modernidade,
contenção verbal, rigor, elaboração
da linguagem e/ou pesquisa, experimentação e criação
de novas linguagens". Nenhum texto escapa do crivo crítico
do editor, autor que preza pelo enxugamento da escrita ("o
adjetivo é uma muleta de apoio", radicaliza) e que,
sozinho, define o perfil de cada edição da revista.
"O estágio atual é conseqüência
de uma prática que se cristalizou", filosofa. "O
nível de exigência vai subindo e abrange uma gama
muito grande de 'fazeres' poéticos".
"Performance", desta forma, é uma seção
que foi inaugurada na última edição e, segundo
Bilharinho, deve ganhar mais espaço se outras grandes
produções como a do paulista Moacir Amâncio
("Uniqueness", um poema longo, em inglês, dividido
em três partes) forem enviadas a "Dimensão".
"É uma parte da revista dedicada a desempenhos solo
de maior fôlego", explica o editor. Nas sessões
especiais que variam de edição para edição,
a orientação do tema é condicionada ao volume
de material oferecido pelos colaboradores. "Visuais"
- seção dedicada à poesia feita de imagens
- já é um espaço consolidado na coletânea,
exclusivamente voltado para esta forma de expressão que
cresce com incontestável velocidade e já chega,
inclusive, a revelar a existência de alguns pólos
poéticos mais atuantes. "A poesia visual é
mais difundida no Rio Grande do Norte", avisa o editor.
"São Paulo ainda é rival à altura,
mas nas próximas edições quero reunir mais
poetas visuais potiguares em uma sessão especial".
HISTÓRIA
A "Revista Internacional de Poesia"
existe desde 1980, mas a trajetória de Bilharinho como
editor começa muito antes, por volta de 1968, quando,
ainda estudante, editava um suplemento cultural que mais tarde
se transformou em uma revista. "Eu só me interessava
por romances mas, de tanto editar poesia, peguei o gosto",
lembra. O primeiro poema, dessa forma, veio à luz em 1975.
"Dimensão" nasceu pequena, cinco anos mais tarde:
as primeiras edições eram semestrais, mas logo
se tornaram anuais, com o dobro e, às vezes, o triplo
do tamanho. "Hoje ela é dez vezes maior que o primeiro
número", calcula o poeta. O perfil internacional
veio com a décima edição, consolidando uma
tendência ensaiada desde o número três (com
a presença de um colaborador de Portugal), o número
quatro (trazendo poemas argentinos) e o número seis (com
poesia angolana). "O próximo número vem no
ano em que a revista comemora duas décadas de existência
e vai ser diferente: uma edição dedicada apenas
a temas especiais", antecipa o editor, citando como certa
a inclusão de uma visão geral sobre a poesia angolana
contemporânea. "Vamos publicar apenas colaboradores
inéditos", garante.
Trabalho
Parcerias e iniciativas empresariais são opções
utilizadas para resolver problema da falta de mão-de-obra
capacitada.
AN_Economia |
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Desde o início, a revista tem sido
impressa graças a sucessivas etapas de solitário
trabalho. "Trabalhar com muita gente não dá
certo. A revista é um projeto pessoal e, se não
for pessoal, não anda", diz o editor, embora admita
que a empreitada já esteja "ficando pesada"
para apenas uma pessoa. O número 28/29, por exemplo, deveria
estar pronto em outubro, mas só saiu da gráfica
na virada do ano. Para reduzir um pouco a interminável
lista de responsabilidades e garantir a mesma abrangência
da última edição (são 143 colaboradores;
destes, 135 são correspondentes contumazes), Bilharinho
acha que vai precisar de um profissional que se encarregue da
correspondência (recepção, seleção,
arquivamento e despacho), de uma secretária administrativa
e de um revisor. "Sacrifico muito a minha produção
na crítica de cinema e na ficção para tocar
a revista", conclui.
"Dimensão" é vendida através de
mala direta por R$ 12,00. No ano passado, Bilharinho fez uma
campanha de assinaturas no meio universitário, o que garantiu
uma penetração ainda maior da revista entre professores
e estudantes. Contatos devem ser feitos através da caixa
postal 140, CEP 38001-970, Uberaba/MG, ou pelo telefone (0XX34)
312-1545.
Lavra catarina
Poemas de autores catarinenses
publicados na revista "Dimensão"
Dennis Radünz (Blumenau)
primitivismo
1
a alma nos criva
de idade o corpo
- arca
- dúzia de flechas
- 2
no ar o arco
- socava
- carnação de incêndios
(lâmina e lava)
- 3
ata-se o colar de pedras
chave da qual cindi
- a cela
Alcides Buss (Florianópolis)
natural
Fechado de brumas,
o tempo se dá à memória.
Nem tudo termina.
O ar estaciona
no ar. Um arbusto
respira.
No dorso da embira
incomparável deleite
o mundo caminha.
Paulo Derengoski (Lages)
Tempestades noturnas
Bombardeiam o horizonte
E o grito da gralha azul
Céu tão azul
Milharal seco
As primeiras geadas
Válter Carlos Costa (Florianópolis)
Tradução para "Crossing the Plain of Patience",
de Steven White (EUA)
cruzando a planície da paciência
A volta de nosso passado foi sempre dolorosa.
Porque não era como se recobrássemos vida,
mas que a tínhamos perdido de novo
na terra coberta com o que cresce.
Nos surpreendemos
pensando no lugar baldio,
lembrando como cruzávamos
a planície da paciência
e navegávamos dunas com ventos ferozes
sob um sol que nos fitava como ferida aberta.
Ali estava o paraíso que podíamos procurar eternamente.
Apenas nossas partículas dispersas como luz.
Apenas os desertos alternados de nossas vidas.
Apenas a ausência de desejo.
O lugar onde deixamos nossos sonhos
e inundamos nossos campos
e medimos cada sílaba de água,
era o limite do oásis.
Então adentrávamos na desolação
e numa visão mais forte:
a noite tão clara
que podíamos ouvir as estrelas
e os mortos que tinham dormido como bebês
no seu útero de areia
e agora planavam sobre a grande necrópolis.
As pedras do deserto eram nosso olhos
nus, além da umidade, sem ductos.
Não fazia sentido chorar
por árvores que nunca foram.
Não havia saudade da vida
que murchou e se esvaiu na imensidão
nem de todas as vidas desaparecidas
no vácuo da história.
Porque o deserto era o vazio que cresceu
dentro de nós e, ali, nossas preces
se ergueram sem medo de um punhado de pó.
Tudo o que podíamos ter sabido
se ajoelhou ante nós
como se fôssemos maiores do que sabíamos.
Escritor conta em livro
sua peregrinação religiosa
O itajaiense Josué
Oliveira lança hoje em Joinville obra sobre viagem a Santiago
de Compostela
Joinville - Uma jornada de 840 quilômetros - a pé.
É o que narra o livro "O Cavaleiro e a Rosa Viagem
- Ao Encontro da Fé", que o autor, o itajiense Josué
Casemiro de Oliveira, lança hoje no Anfiteatro 1 da Univille.
No evento, dividido em dois períodos, às 10 e às
20 horas, o autor profere uma palestra com o tema "O Homem,
a Magia e a Fé", alvo de discussões em nível
acadêmico, e apresenta uma exposição com
diversas fotografias da viagem que inspirou o livro. O evento
tem o apoio da Univille, através da Biblioteca Universitária
e da livraria Midas.
O escritor realizou, em abril de 1998, a famosa peregrinação
do Caminho de Santiago de Compostela, entre a França e
a Espanha. Apesar da peregrinação já ter
sida relatada por muitos escritores, recebe uma nova versão
para Josué. A obra, com 132 páginas, levou aproximadamente
oito meses para ser concluída.
Ordem protetora
A antiga rota de peregrinação, que tem o seu
início na pequena cidade de St. Jean Pied de Port, um
pequeno vilarejo de características medievais incrustado
no sopé dos Pirineus franceses, e atravessa todas as províncias
da porção norte da Espanha até a cidade
de Santiago de Compostela (província de La Coruña),
foi completada em 22 dias, com uma quilometragem média
percorrida de 42 a 46 quilômetros diários.
Conforme o escritor, o livro foi concebido em duas partes distintas.
Na primeira, o autor divulga uma síntese histórica
da antiga fraternidade conhecida como a "Ordem dos Cavaleiros
Templários", uma confraria de nobres cavaleiros fundada
no ano de 1128 d.C sob o patrocínio de São Bernardo,
o abade de Clairvaux, e que tinha como objetivo proteger os peregrinos
que percorriam, a pé, àquele extenso e perigoso
trajeto. É o resultado de uma pesquisa a cujos estudos
o autor tem se dedicado no decorrer dos últimos doze anos.
"A presença desta antiga ordem pode ser detectada
ao longo de todo o percurso", conclui Josué.
Realidade e ficção
Mais vigor
A Fiat aposta na potência para aumentar as vendas do Brava.
Com o novo motor 1.8, o modelo chega a 200 km/hora.
AN_Veículos |
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Na segunda parte do livro - que utiliza a
primeira como pano de fundo - o escritor mistura a realidade
e a ficção para exteriorizar a sua visão
romântica sobre a vida, sobre a necessidade de continuarmos
sonhando e, acima de tudo, sobre a importância de olharmos
o cotidiano, não como um espaço/tempo triste e
massante, mas, como uma possibilidade real onde, com um pouco
de obstinação e perseverança, é possível
acessar os ensinamentos contidos nas entrelinhas do nosso viver
diário.
Polícia aprende CDs
da Monstro por engano
Joinville - Na última sexta-feira, um lote de discos
de vinil que havia sido prensado pela Polysom sob encomenda do
selo independente Monstro Discos foi apreendido pela delegacia
de combate à pirataria no Rio de Janeiro quando estava
prestes a ser enviado à sede da gravadora, em Goiânia.
Segundo o diretor da Monstro, Leonardo Ribeiro, os policiais
pensaram que os discos do Autoramas e do Dog School eram obra
de pirataria por "conter músicas internacionais".
A polícia, segundo Ribeiro, pediu provas por telefone
de que as bandas eram realmente brasileiras e de que a prensagem
dos discos não configurava cópia ou apropriação
ilegal de produto artístico. Não satisfeitos, os
policiais foram até a sede da Polysom, onde puderam comprovar
a legitimidade das informações, liberando os discos
já na segunda-feira. "Os caras queriam achar coisa
onde não tinha", ironiza Ribeiro. Os lançamentos
dos Autoramas e do Dog School já podem ser encomendados
através do correio, no endereço da Monstro Discos:
caixa postal 10065 - Goiânia/GO - CEP 74021-971.
Filme brasileiro disputa
festival de cinema francês
Paris - A 12ª edição dos Encontros de Cinema
Latino de Toulouse (Sul da França) acontece este ano entre
os dias 20 e 28 de março, com a estréia de premiadas
e recentes produções do Brasil, México,
Chile, Argentina e Venezuela, conforme anunciaram os organizadores.
Esther Saint Dizier, responsável pela mostra, se concentrou
na "renovação" que está acontecendo
no cinema latino, com cineastas jovens e filmes "não
convencionais". "Toulouse se reafirma como um espaço
onde o cinema do novo mundo conta com forte apoio", afirmou
Saint Dizier, ao anunciar as novidades deste ano.
Toulouse vai exibir seis filmes que competirão pelo Grande
Prêmio "Coup de Coeur". São eles: "Hans
Staden", de Luis Alberto Pereira (Brasil); "Mundo Grúa",
de Pablo Trapero (Argentina); "Cien Años de Perdón",
de José Gluzman (Argentina); "El Chacotero Sentimental",
de Cristián Agraz (Chile); "Santitos", de Alejandro
Springall (México) e "A la Media Noche y Media",
de Mariana Randón e Marité Urgas (Venezuela). Na
seção Panorama, os cinéfilos poderão
conhecer produções recentes de cineastas já
consagrados, como "Mauá, o Imperador do Rei",
do brasileiro Sérgio Rezende (Brasil).
Os organizadores dos Encontros dedicarão este ano um grande
espaço ao estreito vínculo entre a música
e o cinema nas produções latinas. Serão
exibidos 42 filmes em que a música é o foco central.
O chileno Jorge Arriagada merecerá uma menção
à parte. Pela primeira vez, em Toulouse e na Europa, a
Orquestra Nacional do Capitólio de Toulouse interpretará
uma composição sua ao vivo, enquanto o público
poderá assistir ao filme mudo "It's All True",
de Orson Welles, filmado no Brasil em 1942.
Clones de Xuxa infestam
as manhãs das crianças
Programas de Eliana, Angélica
e Jaqueline até tentam, mas não saem da mesmice
Fernando Miragaya
TV Press
O telespectador-mirim não tem muita escolha. Apesar
de cada emissora ter o seu programa infantil, o formato explorado
pelas produções do gênero são tão
parecidos que não chegam a ser opções para
os "baixinhos". Reflexo do formato explorado por Xuxa
nos anos 80, que alavancou uma legião de fãs e
se alastrou como uma praga por todas as emissoras. O que se vê
é uma enxurrada de louras fazendo brincadeiras com crianças
e recheando as manhãs de desenhos animados.
O caso mais grave talvez seja exatamente o infantil da Globo,
principal agente de contaminação. Angélica
hoje tem um programa desfigurado. "Angel Mix" traz
poucas e repetitivas brincadeiras. A bela lourinha praticamente
só faz as chamadas dos desenhos animados que infestam
a produção. Salvam-se ali as sempre divertidas
histórias do "A Turma da Mônica", além
da novelinha "Flora Encantada", que apesar da boa atuação
da apresentadora e das mensagens ecologicamente corretas, deve
sair do ar em breve. Na verdade, Angélica parece mais
preocupada com o novo programa que passa a comandar em abril,
chamado "Globinho da Angélica". De qualquer
maneira, a mudança vai ser um alívio, tanto para
a apresentadora como para quem assiste.
O pior é constatar que brincar com o controle remoto e
mudar o canal não adianta muita coisa. No SBT, o público
infantil se depara com outra loura: Jaqueline Petkovic. Com menos
experiência à frente de programas infantis - ela
estreou no final de 98 no comando do "Bom Dia & Cia"
- a lourinha ainda mostra pouca naturalidade para apresentar
uma atração do gênero. Nem contracenando
com os bonecos a moça se mostra mais à vontade.
Não é à toa que o programa é praticamente
só desenhos.
O "Eliana & Alegria", da Record, é o que
explora um pouco mais o lado lúdico. A também lourinha
Eliana comanda uma produção que mescla um pouco
de conceitos pedagógicos com entretenimento. A atração
matinal diária promove jogos educativos com as crianças
convidadas e a própria Eliana ganha ares de professora
ao explicar pequenas experiências científicas. O
"Eliana & Alegria" também leva para o estúdio
atrações circenses que chamam a atenção
das crianças. Isso sem contar o engraçado Chiquinho,
seu assistente de palco, que também faz externas explicando
desde a fabricação de uma máquina até
as regras básicas de um esporte.
Mas o formato do "Eliana & Alegria" segue o mesmo
padrão do "Angel Mix" e do "Bom Dia &
Cia.". Todos os programas matinais mesclam desenhos com
brincadeiras entre crianças. O reflexo disso é
a audiência bem próxima entre os três. A atração
da Angélica disputa a liderança com Eliana, entre
oito e nove pontos de média cada, enquanto a produção
de Jaqueline vem logo atrás com seis.
Programa
Esporte com sotaque carioca: Ângela Brito alia beleza e
conteúdo à frente do "Esporte Prêmio,
na Record.
AN_Tevê |
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Para encontrar alguma diversidade na programação
infantil de tevê aberta, só mesmo recorrendo a outros
horários. Caso do "Galera da TV", da Rede TV!,
apesar de ser comandado também por uma loura, a ex-paquita
Andréa Faria, a Sorvetão. Apesar da fraca produção
e do cenário pobre, pelo menos difere dos formatos matutinos.
Ambientado em uma lanchonete, a atração traz histórias
divertidas e educativas. Além do mais, no "Galera
da TV", Andréa dá conta do recado interpretando
tipos engraçados e atrapalhados, bem ao estilo dos que
fazia em "Os Trapalhões". Caso também
do "Disney Club", do SBT, no qual a turma do "TV
Cruj" dá dicas voltadas para uma educação
tanto escolar, como social e cultural.
Não há como não sentir saudade da proposta
educativa e divertida de programas infantis como "Vila Sésamo",
"Sítio do Pica-pau Amarelo", "Globinho",
e até mais recentes como "Castelo Rá-tim-bum"
e "Cocoricó". Tais produções eram
feitas em função do público infantil e não
para louras conseguirem o estrelato.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
A babel de estilos
da arte postal
Muse de Arte de
Joinville reedita, a partir de hoje, exposição
pioneira de seis atrás
GLEBER PIENIZ
Joinville - Fruto das ousadias formais do dadaísmo,
do futurismo e do novo realismo, elemento para os experimentos
estéticos e comportamentais do Grupo Fluxus e tantas outras
ameaças às correntes artísticas tradicionais,
forma de comunicar revelada mesmo em cartas de Van Gogh, Marcel
Duchamp e Maiakovsky, a arte postal (mail art) divide opiniões
por reunir, de um lado, quem a considere uma expressão
menor, acessória, funcional, quase uma atividade lúdica
e, do outro, defensores de seu caráter democrático,
revolucionário, acessível e popular. Para alimentar
a discussão e fomentar a formação de opiniões,
o Museu de Arte de Joinville (MAJ) reedita a partir de hoje uma
exposição que, há quase seis anos, reuniu
pela primeira vez em Santa Catarina as obras de artistas de mais
de 30 países, dedicados à expressão da arte
através dos correios.
"Relendo Arte Postal 94 - Joinville Cidade das Flores e
das Bicicletas" apresenta mais de 600 trabalhos confeccionados
ao redor do mundo, abordando estes dois símbolos máximos
de Joinville como tema, obras que foram apresentadas pela primeira
vez ao público na 1ª Mostra Internacional de Arte
Postal de Joinville, entre novembro e dezembro de 1994, na agência
central do Banco do Brasil. A reedição da exposição
abre o calendário de eventos do MAJ para o ano 2000 e
integra a programação das comemorações
dos 149 anos do município. A mostra acontece graças
à doação deste material pelo artista plástico
Charles Narloch (ex-curador da mostra internacional e aficionado
por arte postal) ao acervo do Museu de Arte de Joinville. "São
trabalhos que, devido ao material com que são feitos,
têm vida efêmera porque podem se estragar facilmente",
explica o joinvilense radicado em Florianópolis. "Desta
forma, estariam melhor no MAJ, onde podem ser expostos, do que
comigo, em casa".
A exposição que abre hoje à noite no MAJ
apresenta trabalhos feitos em vários formatos, no conteúdo
ou no envelope de cartas que, obrigatoriamente, devem passar
pelo sistema de distribuição dos correios. Esta
é uma premissa essencial da arte postal, já que
torna a obra de arte conhecida não apenas por quem a cria
e a recebe, mas também por quem, no correio, carimba,
seleciona, despacha, confere e entrega. "A mail art tem
essa característica de ser democrática tanto no
momento da confecção quanto no momento da exposição",
resume Narloch que, um ano antes da primeira exposição,
enviou comunicados a vários países informando sobre
a intenção de fazer uma mostra. "Em arte postal
não existe convite: todo o trabalho que vier é
exposto", declara.
Sobre papel ou cartão, sobre fotos, recortes, papéis
de embrulho ou envelopes, os adeptos da arte postal parecem não
conhecer fronteiras quando o assunto é suporte. Este tipo
de expressão permite a utilização de diversos
materiais (lápis, aquarela, giz de cera etc.) e diferentes
técnicas de trabalho, indo do simples desenho à
pintura, passando pela fotografia, pela colagem e pela fotocópia;
pelo decalque, pelo carimbo e pela computação gráfica,
entre tantas outras formas de confecção apresentadas
na exposição. "Em 1994, esta mostra levantou
o nível da discussão conceitual da arte e ajudou
a divulgar Joinville fora do País", lembra Narloch.
Participam da mostra, além de artistas joinvilenses, aficionados
da mail art de todo o mundo, uma babel de estilos e propostas
sobre um mesmo tema que coloca lado a lado nomes famosos e crianças
que pintaram seus cartões dentro de alguma sala de aula
do primeiro mundo. De Joinville, destacam-se os trabalhos de
Cássia Mascarenhas, Linda Suzana Poll, Édson Cordeaca,
Francisco do Amaral, Crisantos e Carlos Alberto Franzoi. Da Alemanha,
Aloys Ohlmann chama a atenção através de
um trabalho auto-referencial; a Itália, bem representada,
traz os carimbos de Sbietti Stefano, os selos de Ruggero Maggi,
as caricaturas de Roberto Scala e as aquarelas de Bruno Talpo.
As cores propostas pelos postais do português Jaime Baptista
e da finlandesa Ilka Juhani contrastam, na exposição,
com as linhas simples vindas da Estônia pelas mãos
de Ilmar Kruusamae. Dos Estados Unidos vêm os delírios
transgressivos em selos e trabalhos de computação
gráfica do grupo Nonlocal Variable, enquanto a Argentina
se faz representar por Edgardo Antônio Vigo, artista que
já havia levado suas correspondências à Bienal
Internacional de São Paulo.
Participam da exposição, ainda, artistas de todo
o Brasil, do Canadá, da Colômbia, da Espanha, da
Áustria, do Japão (destaque para as aquarelas de
Tensaku Murata), da Bélgica, da Austrália, da Escócia,
da Grécia, da França e da Holanda; da Inglaterra,
da Polônia, do Uruguai, da Noruega, do Panamá, da
Suíça e da Suécia; da Iugoslávia,
da Irlanda, da Romênia e até da República
Tcheca. A exposição "Relendo Arte Postal 94
- Joinville Cidade das Flores e das Bicicletas" fica aberta
à visitação até o dia 19 de março,
no Museu de Arte de Joinville.
Marcado pela polêmica,
Narloch abandona a arte
A doação de Charles Narloch de toda uma coleção
de obras em arte postal ao Museu de Arte de Joinville coincide
com a decisão do joinvilense de abandonar o mundo das
artes. Radicado em Florianópolis desde 1995, o ex-diretor
de artes da Fundação Catarinense de Cultura admite
"uma certa frustração" com a atividade
artística e justifica sua atitude de afastar-se da criação
em virtude da "falta de mercado para quem faz e para quem
administra a arte".
A trajetória de Narloch nas artes plásticas é
marcada pela polêmica criada menos pelo impacto das obras
do que pela interpretação maldosa de alguns setores
da sociedade frente aos signos que apresenta. Convidado para
expor na Univille, seu painel com infogravuras foi considerado
ofensivo e retirado dos corredores da instituição.
Recentemente, uma pintura com ícones primitivos representando
homens acéfalos foi apagada de um muro de Joinville por
representar, segundo algumas concepções, uma referência
à vulgaridade. Como aconteceu na Univille, o artista também
havia sido convidado para expor seu trabalho e mostrar, desta
vez sua visão da dança às vésperas
do Festival de Joinville.
Narloch é, por formação, engenheiro agrônomo.
Ao Anexo, diz que agora vai se dedicar ao mestrado em biotecnologia
da UFSC e sugere que, se voltar à arte, será para
tratar de temas relacionados a esta área do conhecimento.
A cessão de material de arte postal ao MAJ faz parte de
um processo de desprendimento que, segundo o artista, não
vai poupar nem mesmo as obras que produziu durante os últimos
anos. (GP)
Furb promove mostra
de artes até 16 de março
Blumenau - A Universidade Regional de Blumenau (Furb) abriu
na última segunda-feira seu calendário de eventos
de arte com a "Mostra de Artistas Blumenauenses do Acervo
de Artes Plásticas da Furb". O conjunto de obras
está exposto no saguão da reitoria, no bloco A,
e poderá ser visitado por toda a comunidade até
o próximo dia 16 de março, das 8 às 21 horas.
Entre os integrantes da mostra - vários deles reconhecidos
em âmbito estadual - se encontram os artistas Erica Araújo,
Sueli Beduschi, Lindolf Bell, Pita Camargo, Silvia Teske, Alfredo
Tadeu Bittencourt, Tchello d'Barros, Rose Darius, Edla Pfau,
Rosina de Franceschi Fiamoncini, Telomar Florêncio, Vânia
Guedes, Lucimar Bello Frange, Arian Grasmuck, Elke Hering, Reinaldo
Pfau, Elio Hahnemman, Sueli Guerreiro, Guido Heuer, Roseli Kietzer,
Roy Kellermann, Eliana Von Hohendorff, Orlando Ferreira de Mello,
Denise Patricio, Ligia Roussenq Neves, Rubens Oestroem, Simone
Raizer, Analise Probst, Irae Heusi Reichow e Simone Tanaka.
Crônica
Mais causos de literatos
Salim Miguel
Parece que as historinhas com escritores interessam. E não
só ao escrevinhador. A resposta dos leitores foi positiva.
Também querem mais. E como a memória é um
poço inesgotável, lá estou eu me lembrando
de outros episódios curiosos, pitorescos, estranhos. Começo
por Graciliano Ramos. Outro dia ainda, indo da Cachoeira do Bom
Jesus para a Praia Brava, meu filho me chamou a atenção
dizendo: "Olha ali, Servidão Graciliano Ramos!".
Será que alguém por estas bandas se lembrou do
mestre Graça? Se foi, ótimo. Se não foi,
lembro eu aqui duas ou três passagens. A primeira, quando
o autor de "Vidas Secas" recebeu um exemplar de seu
livro publicado em russo. Olhou a capa, a folha de rosto, a última
de capa, folheou o miolo, depois exclamou: "Ainda dizem
que sou homem que sabe ler e escrever; pois bem, este livro é
meu e não consigo entender uma mísera palavra do
que nele se encontra".
Continuo com o autor de "Angústia", agora tendo
Florianópolis como tema. Ia se realizar, em 1950, um Congresso
de Escritores em Porto Alegre. Graciliano resolveu viajar por
terra. Ele, mais a filha Clarita, mais o ensaísta Miécio
Tati e o poeta E. Carrera Guerra. Pernoitou em Florianópolis.
De noite, foram a um bar, mestre Graça pediu uma cachacinha,
pitou seu inseparável cigarro. De repente, notou que a
maioria dos freqüentadores olhava para a mesa onde eles
estavam. Por mais modesta que uma pessoa seja, ser reconhecida
massageia o ego. Pensou: será que estão mesmo me
reconhecendo? Tardou a se dar conta de que não era assim.
Clarita estava usando slacks, os jeans de hoje. E uma jovem num
bar à noite, ainda mais de calças compridas, na
provinciana Ilha da década de 50, era inimaginável.
Basta dizer que não se ia a um cinema sem paletó.
Outra ainda com o autor de "Memórias do Cárcere",
também em Florianópolis. Eu morava na Agronômica,
num bairro novo, com ruas projetadas. Lembrei-me de dar o nome
de Graciliano Ramos à rua onde ficava nossa casa. Pedi
ao vereador Manoel Alves Ribeiro, o Mimo, que apresentasse o
projeto. Foi recusado. Câmara de conservadores, onde se
viu dar o nome de um notório comunista a uma rua da cidade!
Segunda tentativa, em vão. Sugeri um artifício
ao vereador: alegar que o Ramos de Alagoas era um ramo desgarrado
dos Ramos que dominavam a terrinha. O projeto foi aprovado por
unanimidade e até hoje lá está a rua
que a viúva de Graciliano, quando anos depois veio a Florianópolis,
fez questão de conhecer.
Já contei, em conversa anterior, historinhas com Marques
Rebelo. Aí vai mais uma. Nos finais de semana, amigos
se reuniam no apartamento dele nas Laranjeiras, no Rio. Lá
era comum encontrar-se um João Cabral de Mello Neto, um
Antônio Houaiss, um Paulo Silveira, um Herberto Sales,
um catarinense como Hamilton Ferreira, um Walter Benevides, um
Nássara e este que vos relata o fato. A conversa corria
solta, falava-se de tudo, até de literatura. Rebelo era
implacável. Mas era igualmente amigo indiscutível.
De um escritor de quem não gostava, Osvaldo Orico, dizia
que a única boa produção dele, ainda assim
em parceria, era a "canja Orico". Apaixonado pelo América,
onde jogara, fazia Elza, sua mulher, vestir-se de vermelho, cor
do clube, nos dias de jogo. Foi crítico acerbo da ABL,
até que um dia cedeu e se candidatou. Ao ser eleito, telegrafei-lhe
dando parabéns à Academia; e, no primeiro encontro,
cobrei: "E as críticas?". Rebelo tentou sair
pela tangente, riu, disse que a gente, envelhecendo, gosta de
ter um cantinho, o encontro às quintas com os amigos,
os papos descontraídos e por aí foi. Mas
não resistiu a uma de suas tiradas. E rindo disse: "Você
sabe de uma coisa, morrer está caro, está pela
hora da morte, e a Academia tem um mausoléu que é
uma beleza..."
Será que muitos, mesmo idosos, para não falar nos
jovens, ainda se lembram ou ouviram falar no Barão de
Itararé, o Brando, como gostava de assinar, numa brincadeira
facilmente interpretável. Aporelly, outro pseudônimo
que usava, tinha um tablóide humorístico chamado
"A Manha" e depois um almanhaque. Aparício Torelly
é considerado até hoje o mais importante humorista
de nossa história. Comunista de carteirinha, foi preso
várias vezes e a polícia entrava batendo.
Então ele colocou na porta da redação um
aviso: "Entre sem bater", de claro e duplo sentido.
O Barão de Itararé gostava de fazer jogo de palavras
e brincadeiras com nomes. Nas décadas de 40/50, um poeta
romântico, com alguma ressonância nos meios intelectuais,
era Olegário Mariano, também hoje nome quase (ou
totalmente) esquecido. O Barão não largava do pé
do poeta, inventava umas trovas pífias assinando-as Olemário
Galiano.
Concluo com uma de humor negro, do romancista Érico Veríssimo.
Insistentemente convidado para se candidatar a uma vaga na Academia
Brasileira de Letras, toda vez que morria um imortal, sempre
se recusava. Mas a insistência continuava, até que,
certo dia, não se conteve: "Não posso me candidatar
porque já sou quase uma vaga".
Se estes causos continuarem interessando, posso ir desencavando
mais alguns. E lá do mais fundo da memória começam
a pipocar nomes de escritores catarinenses, como do professor
Henrique da Silva Fontes e Othon da Gama D'Eça.
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