Joinville         -          Sexta-feira, 3 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















TRABALHO
Parcerias e iniciativas empresariais são opções utilizadas para resolver problema da falta de mão-de-obra capacitada

Vagas que não
conseguem ser preenchidas

Empresas tem dificuldade em obter mão-de obra especializada

Vandré Hilbrand Kramer
Editor de Economia

O nível de emprego na indústria catarinense voltou a crescer em 1999, após quatro anos de resultados negativos. Segundo a Unidade de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o número de trabalhadores no setor aumentou 1,15%. O desempenho poderia ter sido melhor. As empresas não estão conseguindo preencher as vagas disponíveis, devido à dificuldade em encontrar mão-de-obra especializada.
A principal estratégia utilizada é a realização de cursos para capacitar a mão-de-obra. A Marisol, por exemplo, está realizando "cursinhos preparatórios" para interessados em trabalhar na empresa.
Parcerias com órgãos como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e universidades também acabam sendo fundamentais para conseguir pessoal qualificado. Em São Bento do Sul e Criciúma foram criados, respectivamente, cursos técnicos nas áreas moveleira e cerâmica. Os centros de treinamento acabaram se tornando referência nacional, fazendo com que profissionais formados sejam assediados por empresas de São Paulo e Espírito Santo
A elevada procura por trabalhadores especializados no setor moveleiro acabou se tornando um problema para São Bento do Sul. As empresas locais tem dificuldade para preencher o quadro funcional em um dos melhores momentos do setor nos últimos anos. A desvalorização contribuiu para ampliar as vendas externas. O número de postos de trabalho na indústria moveleira cresceu 14,44% no ano passado.

Importação

Empresas do pólo metal-mecânico de Jaraguá do Sul e agroindústrias no Oeste estão indo além. A carência de profissionais especializados está sendo contornada com a importação de mão-de-obra de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.


Parcerias facilitam acesso
à educação para trabalhador

Empresas fazem convênios com instituições de ensino e oferecem subsídios para quem quer se aperfeiçoar

Joinville - Empresas de diferentes setores estão investindo na qualificação da mão-de-obra para compensar a falta de formação profissional de seus colaboradores. Através de parcerias com entidades e instituições de ensino, elas possibilitam aos funcionários acesso desde o ensino fundamental até cursos especializados.
Um exemplo é a Tupy, maior fundição independente da América Latina, que no ano passado investiu R$ 1,5 milhão em educação e desenvolvimento de recursos humanos. Na média foram 170,9 horas/homem de cursos. Além disso foram aplicados mais R$ 342 mil em atividades sociais, entre elas o mutirão da alfabetização. Dos 1.645 trabalhadores, 1.208 já completaram o ensino médio, disse o diretor de valores humanos, Richard Spirandeli. O ensino fundamental é totalmente pago pela Tupy. A partir do ensino médio, uma parte do custo fica por conta do funcionário.

BRASMOTOR

O grupo Brasmotor aplicou no ano passado R$ 5,3 milhões em educação e treinamento. Cada funcionário recebeu em média 38 horas/ano de cursos e especializações. A Embraco - Empresa Brasileira de Compressores, que integra o grupo, possibilita aos seus funcionários o acesso a todos os níveis de estudos e capacitações profissionais. Quem deseja fazer o ensino médio ou curso superior, recebe uma bolsa de estudos de até 50% do valor total. Os cursos de inglês e italiano são prioridades, e os funcionários, de acordo com alguns critérios, bancam metade do custo, informa o gestor de recursos humanos, Renato Butzke. Do total de 4.600 funcionários, 2.817 tem o ensino médio, 798 curso superior e 281 pós-graduação, mestrado e doutorado.
A Multibrás Eletrodomésticos, que também pertence ao grupo Brasmotor, atualmente só contrata funcionários que tenham concluído ou estejam finalizando o ensino médio, afirma o gerente geral de manufatura Joinville e São Bernardo do Campo, Nelson Possamai. Por convênio com a Fundação Bradesco, a Multibrás possibilita que seus funcionários tenham acesso ao ensino fundamental e médio. Atualmente, 1.897 tem o ensino médio completo.

AKROS

O presidente da Akros, do grupo Amanco, Erich Casanova, afirmou que o mercado está aquecido para profissionais qualificados. "Eles é que estão podendo escolher." Segundo ele, há dificuldades de encontrar bons profissionais que estejam desempregados e a negociação com quem está empregado é mais difícil. Na Akros há subsídios de 30% ou 50% do valor das mensalidades, de acordo com a aplicação ou não do curso na empresa. A Akros só admite pessoas com no mínimo ensino fundamental.
Programa
Esporte com sotaque carioca: Ângela Brito alia beleza e conteúdo à frente do "Esporte Prêmio, na Record.  AN_Tevê 
Para a Busscar, as maiores dificuldades de contratação são para os cargos mais técnicos e específicos. No entanto, a situação é minimizada com a parceria de empresa terceirizada que possui um banco de currículos e com pessoas já pré-selecionadas.
A Koentopp Veículos, que emprega 170 funcionários, tem procurado manter todos com níveis especializados para atender melhor seus clientes. Os cursos são pagos pela empresa que anualmente investe entre R$ 30 mil e R$ 32 mil, disse o gerente de serviço de pós-venda, Evelin Roth.


Reciclagem torna-se obrigatória

A modernização tecnológica, que está revolucionando os métodos de produção nas empresas, força os funcionários a uma reciclagem constante. Em muitos casos, os colaboradores correm atrás do prejuízo. Com a ameaça do desemprego, eles aproveitam os cursos internos oferecidos pelas indústrias onde trabalham e concluem o ensino fundamental e médio. Os que aproveitam as chances e conseguem se especializar tem como consequência melhoria nos salários e promoções.
Na Tupy, unidade Joinville, o número de funcionários com ensino médio completo ou em andamento já superou os que possuem o ensino fundamental. Hilário Gengnagel, 36 anos, trabalha há cinco anos na fundição como operador de forno. Nos últimos três anos e meio ele fez o ensino fundamental e concluiu, em dezembro, o ensino médio. Vislumbrando melhores oportunidades, decidiu iniciar este ano o curso de técnico mecânico no Centro Interescolar de 2º Grau (CIS). Durante dois anos, irá estudar à noite e trabalhar das 6 às 14 horas.
Evandro Luiz Ferreira, 26 anos, é outro exemplo. Ele é mecânico de veículos e trabalha na Koentopp Veículos há mais de três anos. Concluiu o ensino fundamental e este ano começará o 1º ano do ensino médio. Por iniciativa própria, também resolveu estudar inglês. Desde 1991, ele já contabiliza dez cursos de especialização. Conforme foi se especializando, o salário melhorou. Segundo ele, o setor automotivo avança tanto em termos tecnológicos que os funcionários das concessionárias não podem parar no tempo.

FALTA QUALIFICAÇÃO

A dificuldade em localizar um trabalhador que tem em seu currículo cursos técnicos e experiência é uma realidade no Sistema Nacional de Emprego (Sine) e em agências de emprego. No Sine, por exemplo, de janeiro até a última semana, havia vagas para almoxarife, contador e gerente de banco. Segundo a coordenadora Izabel Amaral, a maioria dos desempregados que busca uma ocupação tem no máximo o 1º grau. A instituição atende uma média de 200 pessoas por dia.
Na Ethicompany Consultoria em Recursos Humanos, vagas para operadores de CNC, ferramenteiros, afiadores de ferramentaria e torneiros mecânicos são as mais difíceis de serem preenchidas. O gerente de negócios de Santa Catarina, João Guilherme Roseira, disse que a exigência das empresas é cada vez maior.


Entidades oferecem especialização

Em Joinville, entidades como a Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc), Fundamas e Senai oferecem cursos técnicos, de especialização e superiores para quem pretende se especializar. A Sociesc, por exemplo, mantém convênios com as principais empresas da região e, em parceria com o Instituto Superior de Tecnologia (IST) e Centro Federal de Tecnologia (Cefet), tem cursos superiores de automação industrial e mecânica desde 1999. Planeja para o segundo semestre deste ano os cursos de Tecnologia em Materiais e bacharelado em Tecnologia da Informação, disse o diretor do IST, Romeu Kühl.
As duas unidades do Senai, que funcionam em Joinville, oferecem anualmente dezenas de cursos técnicos e de especialização. Os preços variam conforme a duração e o currículo. A Escola Sul é voltada ao setor automobilístico e de panificação e confeitaria. Entre os cursos estão o técnico de panificação e confeitaria (1.200 horas), qualificação profissional em confeiteiro (100 horas), qualificação profissional em mecânico de automóveis (300 horas), eletromecânica de automóveis (600 horas), especialização em injeção eletrônica e instalação de som e alarme automotivo.
Na Escola Norte, os cursos de especialização são voltados para mecânica industrial e têxtil. Desde setembro do ano passado, tornou-se Centro Nacional de Tecnologia em Eletrometalmecânica, referência para os demais Senais do País.
Segundo o coordenador de unidade Senai Sul, Carlos Godói, a procura pelos cursos é muito grande. O teste de seleção geralmente tem quatro candidatos por vaga. Ele disse que os preços dos cursos do Senai são inferiores aos concorrentes que atuam na cidade. Cursos como de mecânica e elétrica de automóveis e técnico automobilístico tiveram um incremento de 40% este ano em relação ao último ano.
Evaldo Soares, 37 anos, que atualmente trabalha como mecânico na Dicave Automóveis, começou o curso técnico em automobilística no Senai no início de 1999. "Quero me especializar na área para ter um salário melhor e ser mais valorizado no mercado." Ele atua no ramo há mais de dez anos.


Empresas criam
cursinho para futuro empregado

Setor privado busca alternativas para não ter que importar mão-de-obra no PR e RS

Ney Bueno

Jaraguá do Sul - As indústrias do setor têxtil e metal-mecânico da microrregião de Jaraguá do Sul, terceiro pólo industrial do Estado, enfrentam constantemente a falta de mão-de-obra especializada, que tem que ser "importada" do Rio Grande do Sul, Paraná e Florianópolis. Para solucionar este problema, empresas como a Marisol desenvolvem cursos preparatórios para seus futuros funcionários, enquanto a Associação Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul (Acijs) pretende iniciar uma campanha para que o governo federal torne obrigatória a conclusão do ensino médio.
Segundo o presidente da Acijs e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas na região, Eduardo Ferreira Horn, a desqualificação da mão-de-obra na região está prejudicando a competitividade das empresas com outras localizadas na Europa e Estados Unidos, em função do nível de escolaridade dos seus funcionários ser bem maior em comparação ao dos brasileiros.
O dirigente lembra que as empresas estão conscientes deste problema e investindo cada vez mais na educação e qualificação de sua mão-de-obra. "Incentivamos diariamente nossos funcionários a estudarem. Não podemos obrigar, mas aqueles que quiserem se manter no mercado devem ter consciência de que é preciso se capacitar continuamente."

Politécnica

Mais vigor
A Fiat aposta na potência para aumentar as vendas do Brava. Com o novo motor 1.8, o modelo chega a 200 km/hora.  AN_Veículos 
Para resolver este problema na região, Horn disse que a classe empresarial está reivindicando há mais de dois anos a implantação da escola politécnica federal na cidade.
Segundo o dirigente empresarial, os recursos já foram aprovados pelo governo federal, mas ela ainda não saiu do papel. Nesta unidade serão desenvolvidos cursos profissionalizantes de eletrônica, edificação, técnico têxtil, técnico em computação, alimentos e eletrônica.


CAPACITAÇÃO
Empresas investem em qualificação para ampliar competitividade

Marisol forma
aprendizes em confecção

A Marisol, terceira indústria do setor vestuarista do Brasil, para preparar sua mão-de-obra desenvolve há mais de dois anos um curso preparatório denominado de "Curso de Aprendizes de Confecção", onde as interessadas em trabalhar na empresa recebem toda orientação para a função durante 60 dias e aquelas que forem aprovadas são contratadas.
Para a nova unidade da empresa, que será inaugurada em março em Jaraguá do Sul e irá gerar 450 empregos diretos, estão sendo preparadas as futuras funcionárias em turmas separadas. Atualmente há 182 aprendizes que se formam dia 13, mas haverá mais duas turmas nos próximos 120 dias.
O diretor-presidente da Marisol, Vicente Donini, diz que na sua opinião a classe empresarial deve investir na qualidade de sua mão-de-obra, tanto que é dada preferência a pessoas sem experiência alguma em outras empresas, No ano passado, a Marisol investiu R$ 342 mil em educação e treinamento de seus funcionários.
O curso é desenvolvido em convênio com o Senai e aqueles que não são contratados recebem um certificado que as habilita a trabalhar em qualquer outra confecção. O gerente de recursos humanos da Marisol, Otasio Weigmann, diz que há grande disputa pela mão-de-obra especializada na região, já que atualmente a maioria das empresas do setor estão ampliando suas atividades. A Marisol tem 3.250 funcionários e para a nova unidade que será inaugurada em março serão contratadas mais 450 costureiras.
As únicas exigências para essas contratações é primeiro grau completo e serem maiores de 16 anos. Durante o curso de 60 dias, as aprendizes recebem transporte, alimentação, atendimento médico e seguro totalmente gratuito.
No ano passado foram treinados 700 costureiros, dos quais 387 foram contratados. Todo material confeccionado pelos aprendizes no curso preparatório, que é desenvolvido durante todo ano, é doado para as prefeituras da região que depois repassam para famílias carentes. Em média são confeccionados 800 quilos de peças de roupas.
Para funções mais especializadas são contratados profissionais proveniente de grandes centros e que recebem durante todo ano curso de treinamento para atuarem em suas áreas de atuação. (NB)


Capacitação torna-se
compromisso com cliente

Empresas ligadas ao setor moveleiro dão preferência a técnicos da região de São Bento

Marília Maciel

São Bento do Sul - O crescimento de 25% nas exportações de móveis catarinenses aumentou a necessidade de mão de obra especializada. Em busca da qualidade total, várias empresas do setor em São Bento do Sul ­ principal pólo exportador de móveis ­ assumiram compromisso com clientes de qualificar todo o seu quadro funcional. Empresas de recrutamento de empregados são a opção da maioria das indústrias para buscar profissionais especializados.
A Kastrup & Junqueira, pioneira no ramo de recrutamento de pessoal em São Bento do Sul, recebe, em média, oito currículos de técnicos por semana. Quando há anúncio publicado na imprensa o número sobe para vinte. "Muito pouco para atender à demanda. Começamos o mês com três ou quatro vagas ofertadas para técnicos e terminamos com um acúmulo de 25 a 30 ", explica Cláudio Villas Boas Sobrinho, diretor da Kastrup.
A escassez se agrava ainda mais porque outras regiões de Santa Catarina, como Fraiburgo, por exemplo, e indústrias moveleiras de outros estados, principalmente São Paulo e Espírito Santo, também tentam captar em São Bento do Sul a mão-de-obra que necessitam. O salário de um técnico na área moveleira varia de R$ 500,00 para os iniciantes até R$ 1.000,00,.
A instalação de novas empresas, como a Terranova Brasil, em Rio Negrinho, por exemplo, que exportará madeira de pinus serrada sem nós, alavanca ainda mais a procura pelos técnicos.
A Frezite, fabricante de ferramentas para o setor, que se instala nos próximos dias em São Bento do Sul terá mão-de-obra totalmente especializada. São 40 empregos diretos, todos técnicos. Villas Boas afirma que a política das empresas estrangeiras é contratar pessoas da própria comunidade onde atuam, o que gera menos rotatividade. Prototipistas para confeccionar maquetes de móveis, afiadores de ferramentas e especialistas em Auto Cad estão entre os profissionais mais raros no mercado de trabalho moveleiro.
No ano passado o mercado nacional de móveis cresceu 1,57%. A projeção para este ano, graças aos juros mais baixos do comércio e às facilidades do crediário, aponta para um incremento de 5%. Aliado ao incremento esperado nas exportações, o aquecimento no mercado interno faz com que Villas Boas garanta: "Técnico no setor moveleiro só fica sem emprego se quiser".

Ensino fundamental

Se para os técnicos o emprego está garantido, para os funcionários sem formação a situação é cada vez mais difícil. Estima-se que existam cerca de 2 mil desempregados em São Bento do Sul, mais cerca de 3 mil desempregados que migram para São Bento, vindos de outras cidades da região e até de outros estados, sem contar os jovens à procura do primeiro emprego. As fábricas de móveis estão adotando o ensino no chão-de-fábrica para tentar recuperar o atraso dos funcionários que não completaram o primeiro ou segundo grau. Através da Fundação Catarinense de Educação na Empresa (FCEE) já existem 1,1 mil operários estudando e a meta é duplicar o número de atendidos em 2000.


Cursos não atendem à demanda

A procura pelos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Fundação de Ensino, Tecnologia e Pesquisa) é baixa se comparada à demanda do mercado de trabalho. Vários alunos são cotistas, isso é, parte das despesas com o curso são pagas pelas empresas em que trabalham.
O Senai e a Fundação de Ensino Tecnologia e Pesquisa (Cetep) oferece desde treinamentos rápidos, específicos para áreas específicas da produção moveleira até dois cursos técnicos: design e móveis e esquadrias. Já em estudo estão os cursos de eletro-mecânica, dando suporte à indústria moveleira e técnico florestal. No mesmo prédio da Fetep/Senai a Udesc mantém faculdade de Tecnologia Mecânica -Produção e Industrialização de Móveis e o curso de pós-graduação em Engenharia da Produção, também com ênfase ao setor moveleiro. O Senai/Fetep conta com 150 alunos.
Sintonize novas rádios
Cerca de 3 mil estações em todo o mundo mantém programação com música e notícias por meio da Web.  AN_Informática 
Dos técnicos formados pela Fundação, 95% já está empregado na área moveleira. A procura das empresas pelos alunos da Fetep ocorre de forma espontânea. "Somos o ponto de referência", explica o diretor Mário Sérgio de Souza.
O Centro Tecnológico do Mobiliário (CTM), que compreende o Senai/Fetep, foi declarado recentemente como referência nacional em tecnologia moveleira. Além de formar mão de obra especializada, o CTM também atua na assistência tecnológica a empresas e na pesquisa aplicada. Escola Técnica
Inaugurada este ano, a Escola Técnica de São Bento do Sul, mantida pela Sociedade Educacional São Bento e administrada nos mesmos moldes da Escola Técnica Tupy de Joinville, já conta com 330 alunos nos cursos técnicos de Informática, Eletrônica e Mecânica. Todos os estudantes já têm colocação garantida em empresas da região. (MM)

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Têxteis optam por
ficar na informalidade

Facções pagam salários maiores para profissional especializado

MARLI RUDNIK

Blumenau - Os têxteis estão preferindo trabalhar sem carteira assinada nas facções - que terceirizam serviços das grandes empresas -, recebendo de salário líquido o que as empresas oferecem de rendimento bruto nos contratos formais. "Mesmo sem os direitos trabalhistas ele acha compensador porque não terá os descontos", afirma o presidente do sindicato dos trabalhadores do setor, Osmar Zimmermann.
O diretor da Arbeiten Assessoria de Recursos Humanos, Vladimir Jurasck Cândido, diz que é difícil preencher as vagas de trabalho das indústrias competindo com as vantagens destes empregadores ocasionais. "Em muitos casos além dos ganhos fixos uma costureira tem direito a comissões, ganha por produção ou tem participação nos resultados", afirma. Além do atrativo do rendimento, estas ofertas significam a liberdade de trabalhar sem estar atrelado às regras de uma empresa.
Com isso sobram vagas no mercado formal, não só na indústria têxtil. Segundo Regina Bernadete Junkes, coordenadora regional da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Família, que coordena as ações do Sistema Nacional de Empregos no Estado (Sine), desde janeiro aumentaram significativamente as ofertas nos setores têxtil, metalúrgico e de construção civil. Na Arbeiten, que abre 500 vagas por mês em todos os setores, 100 postos são em funções técnicas, mas apenas 10% são preenchidos nos prazos esperados pelos empregadores.
Somente para empresas têxteis de médio e grande porte de Timbó, Blumenau e Brusque a Arbeiten procura 150 costureiras. Muitas destas vagas estão abertas há mais de 90 dias. Em alguns casos o cadastro de profissionais se esgota e a procura segue pelas escolas técnicas, universidades e até recrutamento em outros estados. Em Apiúna, a Malharia Brandili não conseguiu preencher todas as vagas disponíveis, apesar de sair às ruas com um carro de som, anunciando que está contratando pessoal. A empresa admitiu 90 trabalhadores desde janeiro e ainda tem ofertas em vários setores.


Especializados ameaçam
sair da Sul Fabril

Cinco meses depois ser decretada a auto-falência e demitir 2.300 funcionários para recontratá-los por salários até 40% inferiores, a Sul Fabril se vê obrigada a negociar recomposição salarial para evitar perder a mão-de-obra qualificada que responde pela produção em capacidade total da empresa.
Os funcionários têm uma assembléia marcada para as 13h30 de segunda-feira, no pátio da têxtil, onde vão propor a recuperação dos ganhos nos mesmos níveis de setembro do ano passado, ou pelo menos a valores compatíveis com o mercado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Blumenau, Osmar Zimmermann, afirma que com a auto-falência a Sul Fabril reduziu entre 8% a 40% os salários em todas as funções, para antigos funcionários readmitidos (cerca de 650) e novos colaboradores (300). Com isso, uma costureira que ganhava R$ 457,00 hoje recebe R$ 310,00. Os tecelões tiveram seus salários achatados de R$ 585,00 para R$ 391,00.
A empresa alega que os vencimentos de algumas funções eram superiores à média do mercado, mas aceita negociar para não sofrer uma debandada da mão-de-obra no momento em que toma fôlego para sobreviver e voltar a crescer.

Pedidos de demissão

A dificuldade em contratar ou manter mão-de-obra qualificada não é prerrogativa única do momento crítico pelo qual a Sul Fabril passa. Por conta dos baixos salários, a têxtil recebe de cinco a dez pedidos de demissão por semana e já se preocupa com o comprometimento da produção. Mas em outras médias e grandes empresas do setor as vagas abertas para funções técnicas das quais Blumenau se tornou excelência no mercado nacional pelo histórico de pólo industrial têxtil, chegam a demorar até três meses para ser preenchidas. Zimmermann analisa que os grandes empregadores estão perdendo a força de trabalho para a informalidade e a terceirização que eles incentivaram.


Empresas reclamam
de falta de capacitação

Enquanto os trabalhadores reclamam da questão salarial, as empresas creditam à falta de qualificação e experiência a dificuldade de contratar. Vladimir Jurasck explica que 20% da oferta de trabalho são para funções técnicas, onde se exige atualização dos conhecimentos sobre processos produtivos. Quem se enquadra no perfil, já está empregado ou sub-empregado. Mesmo nas atividades operacionais de chão de fábrica, que representam 80% dos postos, o certificado de conclusão do ensino básico passou a ser pré-requisito.
Sobraram no mercado os trabalhadores que se acomodaram ao longo do período de fartura, em que a demanda produtiva absorvia todo tipo de mão-de-obra e não se preocupava em qualificá-la. Osmar Zimmermann analisa que há 10 anos a indústria têxtil deixou de investir na formação e treinamento de pessoal, deixando que os profissionais "envelhecessem". Na sua opinião, o perfil de experiência e formação imposto ao trabalhador limita o universo a pessoas entre 25 e 40 anos. "Quem tem mais de 40 não tem ensino básico, quem tem menos de 25 não se sujeita a empregos de chão de fábrica, e quem está na faixa certa nem sempre tem experiência", pondera o presidente.
Para resolver o problema as empresas voltam a investir na formação profissional. Em Blumenau, têxteis como a Maju, Karsten e Artex reimplantaram as escolinhas técnicas em parceria com o Senai, que existiam em todas as fábricas nos anos 80.
Outras investem em materiais para educação à distância ou incentivam os empregados a procurar formação. Em Timbó as empresas em dificuldade para contratar foram à luta, em parceria com as assessorias de recursos humanos, Sebrae, Senai e sindicatos laborais, e custeiam a formação da mão-de-obra.
Mas o presidente do sindicato têxtil alerta que a discussão sobre salários deve acompanhar a formação, sob pena de que as empresas que investem na formação venham a perder os profissionais que qualificaram para outras que paguem mais, ou para a informalidade. (MR)


Mão-de-obra vira artigo
de exportação no Sul

Cerâmicas de outras regiões buscam pessoal qualificado em S. Catarina

Marli Vitali

Criciúma - A indústria cerâmica vive uma situação diferente. Ao mesmo tempo que outros segmentos industriais têm dificuldade em contratar profissionais especializados, ela atravessa um momento em que mão-de-obra qualificada é algo que não falta na região. Tanto, que várias empresas de outras regiões brasileiras vêm até o Sul do Estado em busca dos profissionais que são formados aqui. A explicação vem do aperfeiçoamento feito nos últimos anos.
Os profissionais são formados no Colégio Maximiliano Gaidzinski, em Cocal do Sul e na Escola da Satc, em Criciúma, no nível técnico. E têm o curso superior de Tecnólogo em Cerâmica, na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), também em Criciúma. A implantação do Centro de Tecnologia em Cerâmica também foi fundamental para aprimorar conhecimentos na área.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas e de Olarias da Região (Sindiceram), Adriano Lima, foi formada uma cadeia de prestação de serviços. "As empresas foram se desenvolvendo mais, trazendo equipamentos de ponta, e com isso a mão-de-obra foi se qualificando", pondera.

Treinamento

O dirigente empresarial afirma que as próprias empresas do setor estão fazendo treinamentos internos para melhorar ainda mais a qualificação dos profissionais. O setor cerâmico emprega hoje cerca de 4,5 mil pessoas na região Sul do Estado. O secretário-executivo do Sindicato dos Ceramistas, Arlindo Rocha, afirma que no início da década de 90 esse número era superior a 12 mil pessoas. "A automação sofrida pelas empresas trouxe redução de custos e também de pessoal", afirma. Para o secretário, as empresas estão aumentando o faturamento sem contratar novos funcionários.


Vestuaristas
tem problemas

Os empresários do setor de confecções da região Sul têm quebrado a cabeça para resolver um problema: encontrar mão-de-obra qualificada. A estimativa é que existam mais de 100 vagas disponíveis para trabalhar na produção. Essa novidade, num mercado que dá sinais de crescimento, vem ocorrendo há três anos.
"Nesse tempo as empresas começaram a investir em novos equipamentos, foi aí que surgiu a carência de pessoas especializadas", acredita Diomício Vidal, presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário de Criciúma e Região.
Numa época que se fala em falta de vagas disponíveis o setor de confecções passa por um diferencial. "Tem alguns empresários que vêm nos procurar para saber se podemos indicar alguém que está parado", informa Janete Godinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário. Segundo ela, as empresas estão procurando pessoas versáteis, que tenham habilidade para trabalhar em todas as máquinas da fábrica.
Janete aponta um problema que levou os profissionais qualificados a deixarem as empresas. "O principal agravante foi a questão salarial. Quem tinha condições procurou um emprego em outra área", afirma. O piso para quem entra em uma confecção hoje é de R$ 260,00. Tanto representantes de empresários quanto dos trabalhadores concordam em um ponto, novos cursos de qualificação precisam ser ministrados.
O Senai ministra cursos hoje na área de confecção em três níveis. De curta duração, com no mínimo de 100 horas, o curso Técnico de Confecção do Vestuário, que é realizado na Escola Técnico da Satc, em Criciúma, e o curso de Tecnólogo de Moda e Estilo, feito em parceria com a Satc e a Unesc. (MV)


Ebrasa 1 - A Empresa Brasileira de Construção Naval S.A. (Ebrasa) poderá continuar nas mãos da família Cruz, que detêm o controle acionário, caso consiga contratos com a Petrobras e Marinha do Brasil para produzir navios. Com a nova legislação que estabelece prioridade aos estaleiros nacionais para produzirem navios para empresas brasileiras a Ebrasa pretende sair do crise e voltar a empregar 300 trabalhadores.

Ebrasa 2 - "Se conseguirmos contratos vamos negociar a dívida trabalhista e fiscal", salienta o acionista majoritário da Ebrasa, Noemi dos Santos Cruz. O passivo trabalhista do estaleiro de Itajaí é de R$ 2,2 milhões e a dívida com tributos e encargos sociais chega a R$ 5 milhões. Ele não acredita na possibilidade de a empresa ser vendida para a GDC Alimentos, grupo dono das processadoras e enlatadoras de pescados Gomes da Costa.

 
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