|
ANotícia
|
|
TRABALHO
Parcerias e iniciativas empresariais são
opções utilizadas para resolver problema da falta
de mão-de-obra capacitada
|
|
Vagas que não
conseguem ser preenchidas
Empresas tem dificuldade
em obter mão-de obra especializada
Vandré Hilbrand Kramer
Editor de Economia
O
nível de emprego na indústria catarinense voltou
a crescer em 1999, após quatro anos de resultados negativos.
Segundo a Unidade de Política Econômica e Industrial
da Federação das Indústrias do Estado de
Santa Catarina (Fiesc), o número de trabalhadores no setor
aumentou 1,15%. O desempenho poderia ter sido melhor. As empresas
não estão conseguindo preencher as vagas disponíveis,
devido à dificuldade em encontrar mão-de-obra especializada.
A principal estratégia utilizada é a realização
de cursos para capacitar a mão-de-obra. A Marisol, por
exemplo, está realizando "cursinhos preparatórios"
para interessados em trabalhar na empresa.
Parcerias com órgãos como o Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai) e universidades também
acabam sendo fundamentais para conseguir pessoal qualificado.
Em São Bento do Sul e Criciúma foram criados, respectivamente,
cursos técnicos nas áreas moveleira e cerâmica.
Os centros de treinamento acabaram se tornando referência
nacional, fazendo com que profissionais formados sejam assediados
por empresas de São Paulo e Espírito Santo
A elevada procura por trabalhadores especializados no setor moveleiro
acabou se tornando um problema para São Bento do Sul.
As empresas locais tem dificuldade para preencher o quadro funcional
em um dos melhores momentos do setor nos últimos anos.
A desvalorização contribuiu para ampliar as vendas
externas. O número de postos de trabalho na indústria
moveleira cresceu 14,44% no ano passado.
Importação
Empresas do pólo metal-mecânico de Jaraguá
do Sul e agroindústrias no Oeste estão indo além.
A carência de profissionais especializados está
sendo contornada com a importação de mão-de-obra
de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Parcerias facilitam acesso
à educação para trabalhador
Empresas fazem
convênios com instituições de ensino e oferecem
subsídios para quem quer se aperfeiçoar
Joinville - Empresas de diferentes setores estão investindo
na qualificação da mão-de-obra para compensar
a falta de formação profissional de seus colaboradores.
Através de parcerias com entidades e instituições
de ensino, elas possibilitam aos funcionários acesso desde
o ensino fundamental até cursos especializados.
Um exemplo é a Tupy, maior fundição independente
da América Latina, que no ano passado investiu R$ 1,5
milhão em educação e desenvolvimento de
recursos humanos. Na média foram 170,9 horas/homem de
cursos. Além disso foram aplicados mais R$ 342 mil em
atividades sociais, entre elas o mutirão da alfabetização.
Dos 1.645 trabalhadores, 1.208 já completaram o ensino
médio, disse o diretor de valores humanos, Richard Spirandeli.
O ensino fundamental é totalmente pago pela Tupy. A partir
do ensino médio, uma parte do custo fica por conta do
funcionário.
BRASMOTOR
O grupo Brasmotor aplicou no ano passado R$ 5,3 milhões
em educação e treinamento. Cada funcionário
recebeu em média 38 horas/ano de cursos e especializações.
A Embraco - Empresa Brasileira de Compressores, que integra o
grupo, possibilita aos seus funcionários o acesso a todos
os níveis de estudos e capacitações profissionais.
Quem deseja fazer o ensino médio ou curso superior, recebe
uma bolsa de estudos de até 50% do valor total. Os cursos
de inglês e italiano são prioridades, e os funcionários,
de acordo com alguns critérios, bancam metade do custo,
informa o gestor de recursos humanos, Renato Butzke. Do total
de 4.600 funcionários, 2.817 tem o ensino médio,
798 curso superior e 281 pós-graduação,
mestrado e doutorado.
A Multibrás Eletrodomésticos, que também
pertence ao grupo Brasmotor, atualmente só contrata funcionários
que tenham concluído ou estejam finalizando o ensino médio,
afirma o gerente geral de manufatura Joinville e São Bernardo
do Campo, Nelson Possamai. Por convênio com a Fundação
Bradesco, a Multibrás possibilita que seus funcionários
tenham acesso ao ensino fundamental e médio. Atualmente,
1.897 tem o ensino médio completo.
AKROS
O presidente da Akros, do grupo Amanco, Erich Casanova, afirmou
que o mercado está aquecido para profissionais qualificados.
"Eles é que estão podendo escolher."
Segundo ele, há dificuldades de encontrar bons profissionais
que estejam desempregados e a negociação com quem
está empregado é mais difícil. Na Akros
há subsídios de 30% ou 50% do valor das mensalidades,
de acordo com a aplicação ou não do curso
na empresa. A Akros só admite pessoas com no mínimo
ensino fundamental.
Programa
Esporte com sotaque carioca: Ângela Brito alia beleza e
conteúdo à frente do "Esporte Prêmio,
na Record.
AN_Tevê |
|
Para a Busscar, as maiores dificuldades de
contratação são para os cargos mais técnicos
e específicos. No entanto, a situação é
minimizada com a parceria de empresa terceirizada que possui
um banco de currículos e com pessoas já pré-selecionadas.
A Koentopp Veículos, que emprega 170 funcionários,
tem procurado manter todos com níveis especializados para
atender melhor seus clientes. Os cursos são pagos pela
empresa que anualmente investe entre R$ 30 mil e R$ 32 mil, disse
o gerente de serviço de pós-venda, Evelin Roth.
Reciclagem torna-se obrigatória
A modernização tecnológica, que está
revolucionando os métodos de produção nas
empresas, força os funcionários a uma reciclagem
constante. Em muitos casos, os colaboradores correm atrás
do prejuízo. Com a ameaça do desemprego, eles aproveitam
os cursos internos oferecidos pelas indústrias onde trabalham
e concluem o ensino fundamental e médio. Os que aproveitam
as chances e conseguem se especializar tem como consequência
melhoria nos salários e promoções.
Na Tupy, unidade Joinville, o número de funcionários
com ensino médio completo ou em andamento já superou
os que possuem o ensino fundamental. Hilário Gengnagel,
36 anos, trabalha há cinco anos na fundição
como operador de forno. Nos últimos três anos e
meio ele fez o ensino fundamental e concluiu, em dezembro, o
ensino médio. Vislumbrando melhores oportunidades, decidiu
iniciar este ano o curso de técnico mecânico no
Centro Interescolar de 2º Grau (CIS). Durante dois anos,
irá estudar à noite e trabalhar das 6 às
14 horas.
Evandro Luiz Ferreira, 26 anos, é outro exemplo. Ele é
mecânico de veículos e trabalha na Koentopp Veículos
há mais de três anos. Concluiu o ensino fundamental
e este ano começará o 1º ano do ensino médio.
Por iniciativa própria, também resolveu estudar
inglês. Desde 1991, ele já contabiliza dez cursos
de especialização. Conforme foi se especializando,
o salário melhorou. Segundo ele, o setor automotivo avança
tanto em termos tecnológicos que os funcionários
das concessionárias não podem parar no tempo.
FALTA QUALIFICAÇÃO
A dificuldade em localizar um trabalhador que tem em seu currículo
cursos técnicos e experiência é uma realidade
no Sistema Nacional de Emprego (Sine) e em agências de
emprego. No Sine, por exemplo, de janeiro até a última
semana, havia vagas para almoxarife, contador e gerente de banco.
Segundo a coordenadora Izabel Amaral, a maioria dos desempregados
que busca uma ocupação tem no máximo o 1º
grau. A instituição atende uma média de
200 pessoas por dia.
Na Ethicompany Consultoria em Recursos Humanos, vagas para operadores
de CNC, ferramenteiros, afiadores de ferramentaria e torneiros
mecânicos são as mais difíceis de serem preenchidas.
O gerente de negócios de Santa Catarina, João Guilherme
Roseira, disse que a exigência das empresas é cada
vez maior.
Entidades oferecem especialização
Em Joinville, entidades como a Sociedade Educacional de Santa
Catarina (Sociesc), Fundamas e Senai oferecem cursos técnicos,
de especialização e superiores para quem pretende
se especializar. A Sociesc, por exemplo, mantém convênios
com as principais empresas da região e, em parceria com
o Instituto Superior de Tecnologia (IST) e Centro Federal de
Tecnologia (Cefet), tem cursos superiores de automação
industrial e mecânica desde 1999. Planeja para o segundo
semestre deste ano os cursos de Tecnologia em Materiais e bacharelado
em Tecnologia da Informação, disse o diretor do
IST, Romeu Kühl.
As duas unidades do Senai, que funcionam em Joinville, oferecem
anualmente dezenas de cursos técnicos e de especialização.
Os preços variam conforme a duração e o
currículo. A Escola Sul é voltada ao setor automobilístico
e de panificação e confeitaria. Entre os cursos
estão o técnico de panificação e
confeitaria (1.200 horas), qualificação profissional
em confeiteiro (100 horas), qualificação profissional
em mecânico de automóveis (300 horas), eletromecânica
de automóveis (600 horas), especialização
em injeção eletrônica e instalação
de som e alarme automotivo.
Na Escola Norte, os cursos de especialização são
voltados para mecânica industrial e têxtil. Desde
setembro do ano passado, tornou-se Centro Nacional de Tecnologia
em Eletrometalmecânica, referência para os demais
Senais do País.
Segundo o coordenador de unidade Senai Sul, Carlos Godói,
a procura pelos cursos é muito grande. O teste de seleção
geralmente tem quatro candidatos por vaga. Ele disse que os preços
dos cursos do Senai são inferiores aos concorrentes que
atuam na cidade. Cursos como de mecânica e elétrica
de automóveis e técnico automobilístico
tiveram um incremento de 40% este ano em relação
ao último ano.
Evaldo Soares, 37 anos, que atualmente trabalha como mecânico
na Dicave Automóveis, começou o curso técnico
em automobilística no Senai no início de 1999.
"Quero me especializar na área para ter um salário
melhor e ser mais valorizado no mercado." Ele atua no ramo
há mais de dez anos.
Empresas criam
cursinho para futuro empregado
Setor privado busca
alternativas para não ter que importar mão-de-obra
no PR e RS
Ney Bueno
Jaraguá do Sul - As indústrias do setor têxtil
e metal-mecânico da microrregião de Jaraguá
do Sul, terceiro pólo industrial do Estado, enfrentam
constantemente a falta de mão-de-obra especializada, que
tem que ser "importada" do Rio Grande do Sul, Paraná
e Florianópolis. Para solucionar este problema, empresas
como a Marisol desenvolvem cursos preparatórios para seus
futuros funcionários, enquanto a Associação
Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul (Acijs) pretende
iniciar uma campanha para que o governo federal torne obrigatória
a conclusão do ensino médio.
Segundo o presidente da Acijs e presidente do Sindicato das Indústrias
Metalúrgicas na região, Eduardo Ferreira Horn,
a desqualificação da mão-de-obra na região
está prejudicando a competitividade das empresas com outras
localizadas na Europa e Estados Unidos, em função
do nível de escolaridade dos seus funcionários
ser bem maior em comparação ao dos brasileiros.
O dirigente lembra que as empresas estão conscientes deste
problema e investindo cada vez mais na educação
e qualificação de sua mão-de-obra. "Incentivamos
diariamente nossos funcionários a estudarem. Não
podemos obrigar, mas aqueles que quiserem se manter no mercado
devem ter consciência de que é preciso se capacitar
continuamente."
Politécnica
Mais vigor
A Fiat aposta na potência para aumentar as vendas do Brava.
Com o novo motor 1.8, o modelo chega a 200 km/hora.
AN_Veículos |
|
Para resolver este problema na região,
Horn disse que a classe empresarial está reivindicando
há mais de dois anos a implantação da escola
politécnica federal na cidade.
Segundo o dirigente empresarial, os recursos já foram
aprovados pelo governo federal, mas ela ainda não saiu
do papel. Nesta unidade serão desenvolvidos cursos profissionalizantes
de eletrônica, edificação, técnico
têxtil, técnico em computação, alimentos
e eletrônica.
CAPACITAÇÃO
Empresas investem em qualificação
para ampliar competitividade
Marisol forma
aprendizes em confecção
A Marisol, terceira indústria do setor vestuarista
do Brasil, para preparar sua mão-de-obra desenvolve há
mais de dois anos um curso preparatório denominado de
"Curso de Aprendizes de Confecção", onde
as interessadas em trabalhar na empresa recebem toda orientação
para a função durante 60 dias e aquelas que forem
aprovadas são contratadas.
Para a nova unidade da empresa, que será inaugurada em
março em Jaraguá do Sul e irá gerar 450
empregos diretos, estão sendo preparadas as futuras funcionárias
em turmas separadas. Atualmente há 182 aprendizes que
se formam dia 13, mas haverá mais duas turmas nos próximos
120 dias.
O diretor-presidente da Marisol, Vicente Donini, diz que na sua
opinião a classe empresarial deve investir na qualidade
de sua mão-de-obra, tanto que é dada preferência
a pessoas sem experiência alguma em outras empresas, No
ano passado, a Marisol investiu R$ 342 mil em educação
e treinamento de seus funcionários.
O curso é desenvolvido em convênio com o Senai e
aqueles que não são contratados recebem um certificado
que as habilita a trabalhar em qualquer outra confecção.
O gerente de recursos humanos da Marisol, Otasio Weigmann, diz
que há grande disputa pela mão-de-obra especializada
na região, já que atualmente a maioria das empresas
do setor estão ampliando suas atividades. A Marisol tem
3.250 funcionários e para a nova unidade que será
inaugurada em março serão contratadas mais 450
costureiras.
As únicas exigências para essas contratações
é primeiro grau completo e serem maiores de 16 anos. Durante
o curso de 60 dias, as aprendizes recebem transporte, alimentação,
atendimento médico e seguro totalmente gratuito.
No ano passado foram treinados 700 costureiros, dos quais 387
foram contratados. Todo material confeccionado pelos aprendizes
no curso preparatório, que é desenvolvido durante
todo ano, é doado para as prefeituras da região
que depois repassam para famílias carentes. Em média
são confeccionados 800 quilos de peças de roupas.
Para funções mais especializadas são contratados
profissionais proveniente de grandes centros e que recebem durante
todo ano curso de treinamento para atuarem em suas áreas
de atuação. (NB)
Capacitação torna-se
compromisso com cliente
Empresas ligadas ao setor
moveleiro dão preferência a técnicos da região
de São Bento
Marília Maciel
São Bento do Sul - O crescimento de 25% nas exportações
de móveis catarinenses aumentou a necessidade de mão
de obra especializada. Em busca da qualidade total, várias
empresas do setor em São Bento do Sul principal
pólo exportador de móveis assumiram compromisso
com clientes de qualificar todo o seu quadro funcional. Empresas
de recrutamento de empregados são a opção
da maioria das indústrias para buscar profissionais especializados.
A Kastrup & Junqueira, pioneira no ramo de recrutamento de
pessoal em São Bento do Sul, recebe, em média,
oito currículos de técnicos por semana. Quando
há anúncio publicado na imprensa o número
sobe para vinte. "Muito pouco para atender à demanda.
Começamos o mês com três ou quatro vagas ofertadas
para técnicos e terminamos com um acúmulo de 25
a 30 ", explica Cláudio Villas Boas Sobrinho, diretor
da Kastrup.
A escassez se agrava ainda mais porque outras regiões
de Santa Catarina, como Fraiburgo, por exemplo, e indústrias
moveleiras de outros estados, principalmente São Paulo
e Espírito Santo, também tentam captar em São
Bento do Sul a mão-de-obra que necessitam. O salário
de um técnico na área moveleira varia de R$ 500,00
para os iniciantes até R$ 1.000,00,.
A instalação de novas empresas, como a Terranova
Brasil, em Rio Negrinho, por exemplo, que exportará madeira
de pinus serrada sem nós, alavanca ainda mais a procura
pelos técnicos.
A Frezite, fabricante de ferramentas para o setor, que se instala
nos próximos dias em São Bento do Sul terá
mão-de-obra totalmente especializada. São 40 empregos
diretos, todos técnicos. Villas Boas afirma que a política
das empresas estrangeiras é contratar pessoas da própria
comunidade onde atuam, o que gera menos rotatividade. Prototipistas
para confeccionar maquetes de móveis, afiadores de ferramentas
e especialistas em Auto Cad estão entre os profissionais
mais raros no mercado de trabalho moveleiro.
No ano passado o mercado nacional de móveis cresceu 1,57%.
A projeção para este ano, graças aos juros
mais baixos do comércio e às facilidades do crediário,
aponta para um incremento de 5%. Aliado ao incremento esperado
nas exportações, o aquecimento no mercado interno
faz com que Villas Boas garanta: "Técnico no setor
moveleiro só fica sem emprego se quiser".
Ensino fundamental
Se para os técnicos o emprego está garantido,
para os funcionários sem formação a situação
é cada vez mais difícil. Estima-se que existam
cerca de 2 mil desempregados em São Bento do Sul, mais
cerca de 3 mil desempregados que migram para São Bento,
vindos de outras cidades da região e até de outros
estados, sem contar os jovens à procura do primeiro emprego.
As fábricas de móveis estão adotando o ensino
no chão-de-fábrica para tentar recuperar o atraso
dos funcionários que não completaram o primeiro
ou segundo grau. Através da Fundação Catarinense
de Educação na Empresa (FCEE) já existem
1,1 mil operários estudando e a meta é duplicar
o número de atendidos em 2000.
Cursos não atendem à
demanda
A procura pelos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (Senai) e a Fundação de Ensino, Tecnologia
e Pesquisa) é baixa se comparada à demanda do mercado
de trabalho. Vários alunos são cotistas, isso é,
parte das despesas com o curso são pagas pelas empresas
em que trabalham.
O Senai e a Fundação de Ensino Tecnologia e Pesquisa
(Cetep) oferece desde treinamentos rápidos, específicos
para áreas específicas da produção
moveleira até dois cursos técnicos: design e móveis
e esquadrias. Já em estudo estão os cursos de eletro-mecânica,
dando suporte à indústria moveleira e técnico
florestal. No mesmo prédio da Fetep/Senai a Udesc mantém
faculdade de Tecnologia Mecânica -Produção
e Industrialização de Móveis e o curso de
pós-graduação em Engenharia da Produção,
também com ênfase ao setor moveleiro. O Senai/Fetep
conta com 150 alunos.
Sintonize novas rádios
Cerca de 3 mil estações em todo o mundo mantém
programação com música e notícias
por meio da Web.
AN_Informática |
|
Dos técnicos formados pela Fundação,
95% já está empregado na área moveleira.
A procura das empresas pelos alunos da Fetep ocorre de forma
espontânea. "Somos o ponto de referência",
explica o diretor Mário Sérgio de Souza.
O Centro Tecnológico do Mobiliário (CTM), que compreende
o Senai/Fetep, foi declarado recentemente como referência
nacional em tecnologia moveleira. Além de formar mão
de obra especializada, o CTM também atua na assistência
tecnológica a empresas e na pesquisa aplicada. Escola
Técnica
Inaugurada este ano, a Escola Técnica de São Bento
do Sul, mantida pela Sociedade Educacional São Bento e
administrada nos mesmos moldes da Escola Técnica Tupy
de Joinville, já conta com 330 alunos nos cursos técnicos
de Informática, Eletrônica e Mecânica. Todos
os estudantes já têm colocação garantida
em empresas da região. (MM)
 |
 |
| Manchetes AN |
|
|
|
 |
 |
| Leia também |
Têxteis optam por
ficar na informalidade
Facções
pagam salários maiores para profissional especializado
MARLI RUDNIK
Blumenau - Os têxteis estão preferindo trabalhar
sem carteira assinada nas facções - que terceirizam
serviços das grandes empresas -, recebendo de salário
líquido o que as empresas oferecem de rendimento bruto
nos contratos formais. "Mesmo sem os direitos trabalhistas
ele acha compensador porque não terá os descontos",
afirma o presidente do sindicato dos trabalhadores do setor,
Osmar Zimmermann.
O diretor da Arbeiten Assessoria de Recursos Humanos, Vladimir
Jurasck Cândido, diz que é difícil preencher
as vagas de trabalho das indústrias competindo com as
vantagens destes empregadores ocasionais. "Em muitos casos
além dos ganhos fixos uma costureira tem direito a comissões,
ganha por produção ou tem participação
nos resultados", afirma. Além do atrativo do rendimento,
estas ofertas significam a liberdade de trabalhar sem estar atrelado
às regras de uma empresa.
Com isso sobram vagas no mercado formal, não só
na indústria têxtil. Segundo Regina Bernadete Junkes,
coordenadora regional da Secretaria de Desenvolvimento Social
e da Família, que coordena as ações do Sistema
Nacional de Empregos no Estado (Sine), desde janeiro aumentaram
significativamente as ofertas nos setores têxtil, metalúrgico
e de construção civil. Na Arbeiten, que abre 500
vagas por mês em todos os setores, 100 postos são
em funções técnicas, mas apenas 10% são
preenchidos nos prazos esperados pelos empregadores.
Somente para empresas têxteis de médio e grande
porte de Timbó, Blumenau e Brusque a Arbeiten procura
150 costureiras. Muitas destas vagas estão abertas há
mais de 90 dias. Em alguns casos o cadastro de profissionais
se esgota e a procura segue pelas escolas técnicas, universidades
e até recrutamento em outros estados. Em Apiúna,
a Malharia Brandili não conseguiu preencher todas as vagas
disponíveis, apesar de sair às ruas com um carro
de som, anunciando que está contratando pessoal. A empresa
admitiu 90 trabalhadores desde janeiro e ainda tem ofertas em
vários setores.
Especializados ameaçam
sair da Sul Fabril
Cinco meses depois ser decretada a auto-falência e demitir
2.300 funcionários para recontratá-los por salários
até 40% inferiores, a Sul Fabril se vê obrigada
a negociar recomposição salarial para evitar perder
a mão-de-obra qualificada que responde pela produção
em capacidade total da empresa.
Os funcionários têm uma assembléia marcada
para as 13h30 de segunda-feira, no pátio da têxtil,
onde vão propor a recuperação dos ganhos
nos mesmos níveis de setembro do ano passado, ou pelo
menos a valores compatíveis com o mercado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de Fiação e Tecelagem de Blumenau, Osmar Zimmermann,
afirma que com a auto-falência a Sul Fabril reduziu entre
8% a 40% os salários em todas as funções,
para antigos funcionários readmitidos (cerca de 650) e
novos colaboradores (300). Com isso, uma costureira que ganhava
R$ 457,00 hoje recebe R$ 310,00. Os tecelões tiveram seus
salários achatados de R$ 585,00 para R$ 391,00.
A empresa alega que os vencimentos de algumas funções
eram superiores à média do mercado, mas aceita
negociar para não sofrer uma debandada da mão-de-obra
no momento em que toma fôlego para sobreviver e voltar
a crescer.
Pedidos de demissão
A dificuldade em contratar ou manter mão-de-obra qualificada
não é prerrogativa única do momento crítico
pelo qual a Sul Fabril passa. Por conta dos baixos salários,
a têxtil recebe de cinco a dez pedidos de demissão
por semana e já se preocupa com o comprometimento da produção.
Mas em outras médias e grandes empresas do setor as vagas
abertas para funções técnicas das quais
Blumenau se tornou excelência no mercado nacional pelo
histórico de pólo industrial têxtil, chegam
a demorar até três meses para ser preenchidas. Zimmermann
analisa que os grandes empregadores estão perdendo a força
de trabalho para a informalidade e a terceirização
que eles incentivaram.
Empresas reclamam
de falta de capacitação
Enquanto os trabalhadores reclamam da questão salarial,
as empresas creditam à falta de qualificação
e experiência a dificuldade de contratar. Vladimir Jurasck
explica que 20% da oferta de trabalho são para funções
técnicas, onde se exige atualização dos
conhecimentos sobre processos produtivos. Quem se enquadra no
perfil, já está empregado ou sub-empregado. Mesmo
nas atividades operacionais de chão de fábrica,
que representam 80% dos postos, o certificado de conclusão
do ensino básico passou a ser pré-requisito.
Sobraram no mercado os trabalhadores que se acomodaram ao longo
do período de fartura, em que a demanda produtiva absorvia
todo tipo de mão-de-obra e não se preocupava em
qualificá-la. Osmar Zimmermann analisa que há 10
anos a indústria têxtil deixou de investir na formação
e treinamento de pessoal, deixando que os profissionais "envelhecessem".
Na sua opinião, o perfil de experiência e formação
imposto ao trabalhador limita o universo a pessoas entre 25 e
40 anos. "Quem tem mais de 40 não tem ensino básico,
quem tem menos de 25 não se sujeita a empregos de chão
de fábrica, e quem está na faixa certa nem sempre
tem experiência", pondera o presidente.
Para resolver o problema as empresas voltam a investir na formação
profissional. Em Blumenau, têxteis como a Maju, Karsten
e Artex reimplantaram as escolinhas técnicas em parceria
com o Senai, que existiam em todas as fábricas nos anos
80.
Outras investem em materiais para educação à
distância ou incentivam os empregados a procurar formação.
Em Timbó as empresas em dificuldade para contratar foram
à luta, em parceria com as assessorias de recursos humanos,
Sebrae, Senai e sindicatos laborais, e custeiam a formação
da mão-de-obra.
Mas o presidente do sindicato têxtil alerta que a discussão
sobre salários deve acompanhar a formação,
sob pena de que as empresas que investem na formação
venham a perder os profissionais que qualificaram para outras
que paguem mais, ou para a informalidade. (MR)
Mão-de-obra vira artigo
de exportação no Sul
Cerâmicas de outras
regiões buscam pessoal qualificado em S. Catarina
Marli Vitali
Criciúma - A indústria cerâmica vive uma
situação diferente. Ao mesmo tempo que outros segmentos
industriais têm dificuldade em contratar profissionais
especializados, ela atravessa um momento em que mão-de-obra
qualificada é algo que não falta na região.
Tanto, que várias empresas de outras regiões brasileiras
vêm até o Sul do Estado em busca dos profissionais
que são formados aqui. A explicação vem
do aperfeiçoamento feito nos últimos anos.
Os profissionais são formados no Colégio Maximiliano
Gaidzinski, em Cocal do Sul e na Escola da Satc, em Criciúma,
no nível técnico. E têm o curso superior
de Tecnólogo em Cerâmica, na Universidade do Extremo
Sul Catarinense (Unesc), também em Criciúma. A
implantação do Centro de Tecnologia em Cerâmica
também foi fundamental para aprimorar conhecimentos na
área.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas
e de Olarias da Região (Sindiceram), Adriano Lima, foi
formada uma cadeia de prestação de serviços.
"As empresas foram se desenvolvendo mais, trazendo equipamentos
de ponta, e com isso a mão-de-obra foi se qualificando",
pondera.
Treinamento
O dirigente empresarial afirma que as próprias empresas
do setor estão fazendo treinamentos internos para melhorar
ainda mais a qualificação dos profissionais. O
setor cerâmico emprega hoje cerca de 4,5 mil pessoas na
região Sul do Estado. O secretário-executivo do
Sindicato dos Ceramistas, Arlindo Rocha, afirma que no início
da década de 90 esse número era superior a 12 mil
pessoas. "A automação sofrida pelas empresas
trouxe redução de custos e também de pessoal",
afirma. Para o secretário, as empresas estão aumentando
o faturamento sem contratar novos funcionários.
Vestuaristas
tem problemas
Os empresários do setor de confecções
da região Sul têm quebrado a cabeça para
resolver um problema: encontrar mão-de-obra qualificada.
A estimativa é que existam mais de 100 vagas disponíveis
para trabalhar na produção. Essa novidade, num
mercado que dá sinais de crescimento, vem ocorrendo há
três anos.
"Nesse tempo as empresas começaram a investir em
novos equipamentos, foi aí que surgiu a carência
de pessoas especializadas", acredita Diomício Vidal,
presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário
de Criciúma e Região.
Numa época que se fala em falta de vagas disponíveis
o setor de confecções passa por um diferencial.
"Tem alguns empresários que vêm nos procurar
para saber se podemos indicar alguém que está parado",
informa Janete Godinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria do Vestuário. Segundo ela, as empresas
estão procurando pessoas versáteis, que tenham
habilidade para trabalhar em todas as máquinas da fábrica.
Janete aponta um problema que levou os profissionais qualificados
a deixarem as empresas. "O principal agravante foi a questão
salarial. Quem tinha condições procurou um emprego
em outra área", afirma. O piso para quem entra em
uma confecção hoje é de R$ 260,00. Tanto
representantes de empresários quanto dos trabalhadores
concordam em um ponto, novos cursos de qualificação
precisam ser ministrados.
O Senai ministra cursos hoje na área de confecção
em três níveis. De curta duração,
com no mínimo de 100 horas, o curso Técnico de
Confecção do Vestuário, que é realizado
na Escola Técnico da Satc, em Criciúma, e o curso
de Tecnólogo de Moda e Estilo, feito em parceria com a
Satc e a Unesc. (MV)
Ebrasa 1 - A
Empresa Brasileira de Construção Naval S.A. (Ebrasa)
poderá continuar nas mãos da família Cruz,
que detêm o controle acionário, caso consiga contratos
com a Petrobras e Marinha do Brasil para produzir navios. Com
a nova legislação que estabelece prioridade aos
estaleiros nacionais para produzirem navios para empresas brasileiras
a Ebrasa pretende sair do crise e voltar a empregar 300 trabalhadores.
Ebrasa 2 - "Se
conseguirmos contratos vamos negociar a dívida trabalhista
e fiscal", salienta o acionista majoritário da Ebrasa,
Noemi dos Santos Cruz. O passivo trabalhista do estaleiro de
Itajaí é de R$ 2,2 milhões e a dívida
com tributos e encargos sociais chega a R$ 5 milhões.
Ele não acredita na possibilidade de a empresa ser vendida
para a GDC Alimentos, grupo dono das processadoras e enlatadoras
de pescados Gomes da Costa.
|
|
|