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ANotícia
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Para Ângela, trunfo do programa é a exibição
de esportes ainda pouco explorados pela TV
Foto: Carta Z Notícia
Esporte com
sotaque carioca
Ângela Brito
alia beleza e conteúdo à frente do "Esporte
Prêmio, na Record
Rodrigo Teixeira
TV Press
O
sotaque de Ângela Brito e a desenvoltura diante das câmaras
têm dado resultado. Na apresentação do "Esporte
Prêmio", programa da Record que vai ao ar nos domingos
das 15 às 17 horas, a jornalista de Volta Redonda tem
ajudado a manter um Ibope de cinco pontos de média e oito
de pico. Ângela foi aprovada pela Record por se encaixar
no projeto de dar uma cara mais carioca para a emissora, que
tem base em São Paulo, nas tardes de domingo. "A
audiência é a prova de que estamos no caminho certo,
além de oferecer uma opção ao espectador
que não quer assistir aos programas de auditório",
afirma a apresentadora de 31 anos.
Na verdade, esta é a primeira vez que Ângela assume
a apresentação de um programa. A oportunidade surgiu
após a jornalista deixar uma fita de vídeo na produção
do "Esporte Prêmio" e fazer um teste. "Foi
uma correria, pois estava trabalhando numa revista. Nem tinha
grandes expectativas de ser aprovada", garante a jornalista.
Mas não demorou para o diretor do programa, Marcos Borges,
telefonar para Ângela confirmando a aprovação.
"Ele só disse que iria ter de melhorar o corte de
cabelo", assume a apresentadora.
O projeto tomou maior proporção após a direção
da Record decidir que o programa não iria ao ar apenas
no Rio, mas seria transmitido nacionalmente. Por isso, Ângela
acabou tendo de ir todas as sextas-feiras a São Paulo
para utilizar a maior estrutura da emissora, apesar da arena
em que são realizadas as competições estar
na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. "A Record
preferiu usar os cenários virtuais e os efeitos que possui
em São Paulo para elevar o nível da produção",
assegura a jornalista. Para Ângela, um dos trunfos do programa
é apostar em competições ainda pouco exploradas
em produções esportivas.
Desde a estréia do "Esporte Prêmio", dia
13 de fevereiro, por exemplo, já foram mostrados campeonatos
de skate, basquete de trinca e triatlo. Outro destaque apontado
por Ângela é o quadro "Sucesso Por Um Dia",
onde é mostrada uma pessoa que pode se revelar em uma
determinada modalidade. Mas o que vem dando maior ânimo
para a jornalista é o fato de apresentar ao vivo o programa
e estar vulnerável a pequenos contratempos. Um exemplo
foi o fato do <I>teleprompter<I> ter dado problema
logo no programa de estréia e Ângela ter de improvisar
o texto até que a questão fosse resolvida. "Deu
certo. Foi a minha prova de fogo, pois poderia ter ficado nervosa
e estragar tudo", enfatiza a apresentadora.
É por este tipo de situação que Ângela
faz questão de acompanhar todo o processo de produção
do "Esporte Prêmio". Ela participa das reuniões
de pauta da equipe durante a semana no Rio de Janeiro e procura
ler sobre as modalidades que serão enfocadas nas competições
do programa. "Tento não me acomodar. Por isso sempre
tenho no pensamento que todo programa é uma estréia",
enfatiza a jornalista. Ângela acredita que a sua experiência
como repórter e a facilidade que tem para escrever textos
jornalísticos ajudaram a eliminar concorrentes mais novas
para a apresentação do "Esporte Prêmio".
"Acho que a Record queria uma profissional que aliasse beleza
e conteúdo", gaba-se a apresentadora.
Sintonize novas rádios
Cerca de 3 mil estações em todo o mundo mantém
programação com música e notícias
por meio da Web.
AN_Informática |
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A carreira profissional de Ângela começou
em Cuiabá. A jornalista tinha acabado de se formar, em
1993, e mandou uma fita para a afiliada da Globo na capital do
Mato Grosso. "Resolvi fazer o caminho inverso: acumular
experiência para só depois trabalhar no Rio",
lembra Ângela, que chegou a participar do curso de estágio
do "Globo Esporte". Depois de quase dois anos fazendo
matérias variadas em Cuiabá, a jornalista resolveu
voltar para o Rio. Ela chegou a fazer matérias para o
"Caderno 2", da TVE do Rio, e trabalhar na editoria
de cidades na extinta Manchete. "Nesta época cobria
desde tiroteio em morro até lançamento de filme",
recorda. Após uma experiência rápida no Canal
Brasil, da Net, Ângela acabou trabalhando pela primeira
vez como repórter de impresso para uma revista paulistana.
"Logo surgiu a Record e não pensei duas vezes antes
de voltar para a tevê", garante.
Feiticeira se divide entre
a passarela e o microfone da Bandeirantes
Foto: Carta Z Notícia
Folia fica restrita a Globo e Band
As duas emissoras
são as únicas a cobrir o carnaval do ano 2000
Leandro Calixto
TV Press
O Carnaval de 2000 vai passar em branco para a maior parte
das emissoras de tevê. Globo e Band são as únicas
que se arriscam na cobertura do evento. E as armas vão
ser as tradicionais: o desfile das Escolas de Samba do Rio de
Janeiro, o frenético Carnaval de Salvador e a exibição
das escolas de São Paulo. Mais de 400 profissionais, entre
jornalistas e equipe técnica, estão envolvidos
nas duas transmissões. A Band, por exemplo, está
investindo mais de R$ 1,2 milhão. "Escolhemos o Carnaval
da Bahia por ser o mais popular do Brasil", argumenta o
diretor artístico da Band, Nílton Travesso.
Não faria diferença, porém, se a Band tivesse
interesse de transmitir o Carnaval do Rio, como fez o ano passado:
só sobrou para ela o Carnaval de rua. A Globo, dona dos
direitos de transmissão dos desfiles das Escolas no Rio
e em São Paulo, dificilmente liberaria os direitos de
imagem para concorrente depois do que, segundo fontes das próprias
emissoras, ocorreu na final do Mundial Interclubes de Futebol,
vencida pelo Corinthians contra o Vasco. Na época, a Globo
teria proposto dividir a transmissão com a Band, o que
não foi aceito. O jogo bateu audiências de até
56 pontos no Ibope. "Não negocio direitos de transmissão,
só organizo o evento em si", tergiversa o diretor
de núcleo da Globo, Aloysio Legey.
Nas demais emissoras, o Carnaval nem pede passagem. A CNT não
vai alterar a grade de programação em nada, enquanto
Record, Rede Tevê! e SBT apostam em filmes para atrair
a audiência de quem não gosta de carnaval. "O
SBT não tem tradição em desfiles. Vamos
nos limitar a fazer a cobertura jornalística nos nossos
telejornais", explica o diretor artístico do SBT,
Eduardo Lafon.
Ajustes
Esta indiferença em relação à
principal festa popular do país é forçada.
Já Globo e Band estão ajustando a grade de programação
para os quatro dias de folia. No domingo de Carnaval, o "Fantástico"
vai ter uma versão curta para entrar em rede, enquanto
no Rio vai simplesmente deixar de ser exibido. Desde que está
no ar, há 28 anos, é a primeira vez que o "Fantástico"
deixa de ser exibido. Na segunda-feira, o "Jornal Nacional"
vai ter uma edição reduzida a mais ou menos 15
minutos exibida no intervalo da apresentação entre
uma escola e outra.
Por volta das 20 horas, está previsto o desfile da Escola
de Samba Estação Primeira de Mangueira. Para não
cometer o mesmo erro de 1998, quando a Globo deixou de exibir
o desfile da tradicional Verde e Rosa, a emissora resolveu cancelar
a novela "Terra Nostra", pelo menos, no Rio de Janeiro.
Mas, no resto do Brasil, a novela vai ser exibida em forma de
compacto, mas somente depois do desfile da Mangueira, que deve
terminar por volta das 22 horas. "Seria inviável
transmitir um Carnaval sem mostrar a Mangueira", explica
Aloysio.
Já na Band, o Carnaval começa mais cedo. A emissora
vai transmitir os desfiles dos blocos e shows dos trios elétricos
desde sexta-feira. A partir do sábado, a transmissão
começa às 13 horas e só termina depois das
2 horas da manhã. Por volta das 20 horas de cada dia,
está previsto a transmissão do "Jornal da
Band", que vai ser exibido diretamente de Salvador. Nílton
Travesso explica que a cobertura maciça do Carnaval baiano
não significa que a emissora vai ignorar os demais carnavais
do país "Ao longo dos nossos telejornais, vamos mostrar
tudo o que acontece no Rio, São Paulo e no Nordeste",
avisa Travesso.
A briga entre as duas emissoras não vai ficar restrita
às imagens. Globo e Band escalaram o que têm de
melhor para os desfiles. Na Band, Fernando Vanucci, que por mais
de 15 anos foi o âncora da Globo, vai transmitir toda festa
de Salvador ao lado de Luciano do Valle, Astrid Fontenelle, Otaviano
Costa e Amaury Júnior, além de Joana Prado, a Feiticeira,
e Susana Alves, a Tiazinha, que vão desfilar no Carnaval
carioca também. "É uma equipe coesa e extremamente
carismática", imagina Travesso. Na Globo, nos desfiles
do Rio de Janeiro, Pedro Bial e Glória Maria são
os comandantes da transmissão, enquanto os escalados para
a cobertura de São Paulo são Cléber Machado
e Mariana Godói.
Cheio de axé Otaviano vai a Salvador
pensando nos próximos passos do "O+"
Foto: Carta Z Notícias |
Correndo atrás
do trio elétrico
Otaviano Costa volta às transmissões
ao vivo cobrindo a festa baiana
Rodrigo Teixeira
TV Press
Otaviano Costa deixa as paisagens pantaneiras para cair no
rebuliço do Carnaval baiano. O apresentador do "O+"
vai ser uma das figuras de frente da Band na cobertura do Carnaval
em Salvador este ano. Otaviano acaba de voltar de um mês
de férias em Cuiabá, sua cidade natal, onde recarregou
as energias para encarar os cinco dias de cobertura do Carnaval
da Bahia. Otaviano, ao lado de Astrid Fontenelle, Fernando Vanucci
e Amaury Júnior, entra ao vivo de Salvador sexta-feira,
quando a Band começa a transmissão do evento. "Adoro
fazer coberturas ao vivo porque não tem como se programar
muito antes. O que vale é o momento", acredita o
apresentador.
Mas o ritmo de trabalho de Otaviano continua acelerado mesmo
após o Carnaval. A partir do dia 13 de março, o
programa "O+" volta a ser exibido ao vivo. O apresentador
quer manter os bons índices de Ibope que o programa gravado
no Rio conseguiu no mês de janeiro - chegou a dar picos
de 10 pontos. "O que mais me preocupa é reciclar
sempre o programa e ter atrações de qualidade",
garante Otaviano.
Entrevista/Otaviano
Costa
Como você está se preparando para os cinco
dias de cobertura do Carnaval?
Otaviano Costa - Estou bem descansado depois de um período
de férias grande em Cuiabá. Fisicamente não
tenho problemas. Isto é o básico, porque estou
acostumado com transmissões ao vivo. Minha estréia
como profissional, aos 15 anos, foi para a Rádio Jovem
Pan, quando fiz a cobertura do show do A-ha em São Paulo.
Como era o único que falava inglês, acabei fazendo
as reportagens com os integrantes da banda. Desde então,
sempre gostei de coberturas ao vivo, pois não dá
para se programar muito. O que vale é o jornalista ter
sensibilidade para ver o que está acontecendo de mais
importante no momento.
Como você encara o fato de ter sido escolhido para
integrar a equipe da Band em Salvador?
Otaviano Costa - É a prova de que a emissora confia no
meu trabalho. Já tenho uma base do Carnaval da Bahia,
pois no ano passado fiz a cobertura do camarote do É o
Tchan para o "Domingão do Faustão". Por
isso, tenho uma idéia do sistema da festa de lá.
Além disso, já trabalhei com a Astrid, na época
da MTV, na cobertura do Vídeo Music Awards, em 1991, e
vamos fazer uma boa dobradinha.
Você gosta de axé music?
Otaviano Costa - Acho que cada estilo de música tem o
seu momento certo. Em Cuiabá, por exemplo, ouço
sem problemas canções sertanejas. Acho que a axé
music é ótima para o Carnaval. Na verdade, o Carnaval
de Salvador me contagia até mais que a festa no Sambódromo,
no Rio. Não descarto também a possibilidade de
poder subir em algum trio elétrico se for convidado e
cantar alguma música. No "O+" já aconteceu
de cantar junto com Lulu Santos, Toni Garrido, Barão Vermelho
e Paralamas do Sucesso. Esta é a vantagem de também
ser músico e tocar teclado, guitarra e cantar. É
uma carta na manga que me diferencia dos outros apresentadores.
A boa audiência do programa gravado no Rio é
um estímulo para continuar levando o "O+" para
outras cidades?
Otaviano Costa - Eu e a direção da Band estamos
planejando levar o "O+" para cidades, como Salvador,
Punta del Leste e Recife. Mas ainda estamos estudando, embora
o bom Ibope que conseguimos no Rio deixe claro que é uma
estratégia que dá certo. Principalmente, porque
cria novas possibilidades comerciais para a emissora. Também
estamos decidindo se vamos investir em novos personagens femininos.
O certo é que o programa não vai parar de se reciclar
e ganhar novos quadros. Mas não quero ganhar fama como
criador de personagens.
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A experiência com a Guerreira Aigo
foi uma decepção?
Otaviano Costa - Infelizmente, deu uma grande confusão.
A Aigo foi tipo um remédio bom para otário do meu
passado. Mas, na verdade, a personagem índia era para
ser apenas os dois meses que ela ficou no programa. Antes dela
entrar no ar já se sabia disto. Acredito que vamos investir
na Joana Prado, que faz sucesso como a Feiticeira, e tem a flexibilidade
para comandar outros quadros. Também quero investir em
mais matérias investigativas, como aquela que fiz com
os menores que fugiram da Febem no ano passado.
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| Leia também |
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A semana
"Show do Esporte"
Mauro Galvão é o homenageado no "Sua Vida".
No quadro de hoje, às 18h10, na Band, do "Show do
Esporte", o apresentador Fernando Vanucci conversa com o
veterano zagueiro vascaíno. Aos 38 anos de idade, Galvão
acaba de atingir a marca de mil jogos oficiais. Durante o programa
ele relembra momentos marcantes da carreira, com passagens por
Internacional, Bangu, Botafogo, Grêmio, Seleção
Brasileira e pelo futebol europeu.
"Escolinha do Barulho"
A "Escolinha do Barulho" volta a ser exibida amanhã,
às 17h15, na Record, com novidades. Além da tradicional
sala de aula, o humorístico vem com um outro ambiente:
uma cantina. Ao mesmo tempo, novos alunos chegam à "Escolinha",
como Giuliana Nostra, uma sátira à protagonista
de "Terra Nostra", interpretada por Araíde Rocha.
Quem dá a primeira aula são os cantores baianos
Netinho e Ivete Sangalo.
Futebol europeu
O Real Madrid recebe o Bayern de Munique nesta terça,
na capital espanhola, pela Liga dos Campeões da UEFA.
Os dois clubes lutam por uma vaga nas quartas-de-final da competição
interclubes mais importante da Europa. A atração
são os craques brasileiros Roberto Carlos, lateral do
Real, e Élber e Paulo Sérgio, jogadores do time
alemão. A Rede TV! exibe o jogo às 16 horas.
"Você Decide"
No episódio "A Volta" do "Você Decide"
desta terça, às 22 horas na Globo, Heitor Martinez
é Eduardo, um ator de sucesso que sofreu na infância
com a morte da mãe e o afastamento do pai Mário,
interpretado por Gianfrancesco Guarnieri. Agora, após
15 anos sem ver o filho, doente e falido, o pai decide procurá-lo
pedindo perdão e ajuda para fazer um tratamento de saúde.
Eduardo vai ter de decidir, então, se perdoa ou não
Mário.
Novidades na TV
Cigano
A partir de março o programa "O+" deixa de ser
gravado entre quatro paredes para ser itinerante e viajar pelo
país. As mudanças aconteceram em razão da
boa audiência que o programa apresentou no Rio - chegou
a dar sete pontos. A primeira viagem do "O+" vai ser
para um parque aquático em São Paulo, depois o
programa deve seguir para Salvador e Recife.
Participação
A Família Lima selecionou um repertório italiano
para participar de "Terra Nostra". Os músicos
foram convidados pelo próprio autor da novela, Benedito
Ruy Barbosa, para uma participação na cena do batizado
do filho de Maria do Socorro e Gumercindo. No repertório
vão estar canções como "Santa Luccia
Luntana" e "Funiculi, Funicula".
Mudanças
A partir de hoje, o "Eliana no Parque" vai ganhar mais
convidados e quadros novos para funcionar também como
programa de variedades. "Quero ter a audiência dos
adultos também", reivindica a apresentadora. Entre
os quadros novos destaca-se o jogo interativo em que as crianças
vão escolher num computador os temas sobre o que vão
falar. Serão perguntas sobre música, variedades,
atualidade, conhecimentos gerais e cinema.
Espírito de capitão
Depois de ter terminado de gravar "A Muralha", o ator
Stênio Garcia está devorando os livros "Dom
Quixote", de Miguel de Cervantes, e "Velhos Marujos",
de Jorge Amado, para buscar inspiração para o personagem
Capitão Sardinha. O personagem é o protagonista
do programa infantil "Capitão Sardinha e Marujo Pimenta"
que a Globo pretende estrear entre abril e maio desse ano.
Labuta precoce
Programa da Cultura
faz um retrato do trabalho infantil no interior da Bahia
Imagine um garoto de apenas 6 anos quebrando pedra para ajudar
no trabalho do pai. Imagine que isso não é brincadeira
de criança e que o menino recebe 50 centavos por semana
para fazer a sua parte. Outra situação: pense em
uma menina de oito anos segurando um facão, pronta para
cortar sisal. E tudo isso é rotina na vida deles.
Estas histórias não são criações
dramáticas de algum escritor surrealista ou muito menos
existem somente em lugares bem distantes do nosso País.
Elas estão aqui, no interior do Brasil. No sertão
nordestino. O programa "Caminhos e Parcerias" de hoje,
às 21h30, revela um mundo desumano, cruel e o que é
pior: ainda longe de solução. Neide Duarte e sua
equipe desembarcaram em Retirolândia, na chamada região
sisaleira, interior da Bahia, e encontraram uma realidade que
choca, impressiona e assombra. São 60 mil crianças
de 7 a 14 anos trabalhando no corte do sisal ou nas pedreiras,
convivendo diariamente com o perigo. Pais e filhos que se juntam
na busca pela sobrevivência, num regime de semi-escravidão.
Neste cenário de miséria e abandono funciona o
Projeto Bolsa-escola, criado pela Comissão de Erradicação
do Trabalho Infantil do governo federal. Por enquanto são
17 municípios incluídos e 30 mil crianças
beneficiadas. Cada menino ou menina que freqüenta as sedes
da Bolsa-escola tem direito a 25 reais por mês, além
das atividades que estimulam a criatividade. Mas todos têm
que estudar na escola tradicional para fazer parte do projeto.
O que chamou a atenção do governo federal para
implantar o Projeto Bolsa-escola na região do sisal não
foi apenas o incrível número de crianças
que trabalham. Um outro projeto, no mínimo, curioso também
vinha incentivando a conscientização dos moradores
para a questão do trabalho infantil. É o Bode-escola,
criado através de parceria entre o Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Retirolândia, a Organização Internacional
do Trabalho e uma organização não-governamental.
A proposta é trocar bodes e cabras pela garantia da criança
na escola, abandonando o trabalho. "Caminhos e Parcerias"
mostra que, apesar da boa intenção, o projeto não
tve a repercussão esperada. O problema é que o
leite da cabra não era garantia de um dinheiro a mais
para a família.
A Bahia é o maior produtor de sisal do País. Mas
nos últimos anos o preço do produto teve uma grande
queda no mercado, principalmente por causa da chegada da fibra
sintética. Os trabalhadores rurais ainda sentem os efeitos
disso na pele. Hoje o quilo da fibra do sisal custa 32 centavos.
Este programa confere que, mesmo trabalhando de sol a sol, um
casal de agricultores consegue no máximo 20 reais por
semana.
Este é o principal motivo das crianças serem incluídas
no corte do sisal. O pensamento é que quanto mais gente
melhor. Flávia, de oito anos, é um exemplo. Apesar
de garantir que freqüenta escola, ela passa o dia de facão
na mão ao lado da mãe.
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