Joinville         -          Sexta-feira, 3 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  


















Para Ângela, trunfo do programa é a exibição de esportes ainda pouco explorados pela TV

Foto: Carta Z Notícia

Esporte com
sotaque carioca

Ângela Brito alia beleza e conteúdo à frente do "Esporte Prêmio, na Record

Rodrigo Teixeira
TV Press

O sotaque de Ângela Brito e a desenvoltura diante das câmaras têm dado resultado. Na apresentação do "Esporte Prêmio", programa da Record que vai ao ar nos domingos das 15 às 17 horas, a jornalista de Volta Redonda tem ajudado a manter um Ibope de cinco pontos de média e oito de pico. Ângela foi aprovada pela Record por se encaixar no projeto de dar uma cara mais carioca para a emissora, que tem base em São Paulo, nas tardes de domingo. "A audiência é a prova de que estamos no caminho certo, além de oferecer uma opção ao espectador que não quer assistir aos programas de auditório", afirma a apresentadora de 31 anos.
Na verdade, esta é a primeira vez que Ângela assume a apresentação de um programa. A oportunidade surgiu após a jornalista deixar uma fita de vídeo na produção do "Esporte Prêmio" e fazer um teste. "Foi uma correria, pois estava trabalhando numa revista. Nem tinha grandes expectativas de ser aprovada", garante a jornalista. Mas não demorou para o diretor do programa, Marcos Borges, telefonar para Ângela confirmando a aprovação. "Ele só disse que iria ter de melhorar o corte de cabelo", assume a apresentadora.
O projeto tomou maior proporção após a direção da Record decidir que o programa não iria ao ar apenas no Rio, mas seria transmitido nacionalmente. Por isso, Ângela acabou tendo de ir todas as sextas-feiras a São Paulo para utilizar a maior estrutura da emissora, apesar da arena em que são realizadas as competições estar na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. "A Record preferiu usar os cenários virtuais e os efeitos que possui em São Paulo para elevar o nível da produção", assegura a jornalista. Para Ângela, um dos trunfos do programa é apostar em competições ainda pouco exploradas em produções esportivas.
Desde a estréia do "Esporte Prêmio", dia 13 de fevereiro, por exemplo, já foram mostrados campeonatos de skate, basquete de trinca e triatlo. Outro destaque apontado por Ângela é o quadro "Sucesso Por Um Dia", onde é mostrada uma pessoa que pode se revelar em uma determinada modalidade. Mas o que vem dando maior ânimo para a jornalista é o fato de apresentar ao vivo o programa e estar vulnerável a pequenos contratempos. Um exemplo foi o fato do <I>teleprompter<I> ter dado problema logo no programa de estréia e Ângela ter de improvisar o texto até que a questão fosse resolvida. "Deu certo. Foi a minha prova de fogo, pois poderia ter ficado nervosa e estragar tudo", enfatiza a apresentadora.
É por este tipo de situação que Ângela faz questão de acompanhar todo o processo de produção do "Esporte Prêmio". Ela participa das reuniões de pauta da equipe durante a semana no Rio de Janeiro e procura ler sobre as modalidades que serão enfocadas nas competições do programa. "Tento não me acomodar. Por isso sempre tenho no pensamento que todo programa é uma estréia", enfatiza a jornalista. Ângela acredita que a sua experiência como repórter e a facilidade que tem para escrever textos jornalísticos ajudaram a eliminar concorrentes mais novas para a apresentação do "Esporte Prêmio". "Acho que a Record queria uma profissional que aliasse beleza e conteúdo", gaba-se a apresentadora.
Sintonize novas rádios
Cerca de 3 mil estações em todo o mundo mantém programação com música e notícias por meio da Web.  AN_Informática 
A carreira profissional de Ângela começou em Cuiabá. A jornalista tinha acabado de se formar, em 1993, e mandou uma fita para a afiliada da Globo na capital do Mato Grosso. "Resolvi fazer o caminho inverso: acumular experiência para só depois trabalhar no Rio", lembra Ângela, que chegou a participar do curso de estágio do "Globo Esporte". Depois de quase dois anos fazendo matérias variadas em Cuiabá, a jornalista resolveu voltar para o Rio. Ela chegou a fazer matérias para o "Caderno 2", da TVE do Rio, e trabalhar na editoria de cidades na extinta Manchete. "Nesta época cobria desde tiroteio em morro até lançamento de filme", recorda. Após uma experiência rápida no Canal Brasil, da Net, Ângela acabou trabalhando pela primeira vez como repórter de impresso para uma revista paulistana. "Logo surgiu a Record e não pensei duas vezes antes de voltar para a tevê", garante.


Feiticeira se divide entre a passarela e o microfone da Bandeirantes
Foto: Carta Z Notícia

Folia fica restrita a Globo e Band

As duas emissoras são as únicas a cobrir o carnaval do ano 2000

Leandro Calixto
TV Press

O Carnaval de 2000 vai passar em branco para a maior parte das emissoras de tevê. Globo e Band são as únicas que se arriscam na cobertura do evento. E as armas vão ser as tradicionais: o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o frenético Carnaval de Salvador e a exibição das escolas de São Paulo. Mais de 400 profissionais, entre jornalistas e equipe técnica, estão envolvidos nas duas transmissões. A Band, por exemplo, está investindo mais de R$ 1,2 milhão. "Escolhemos o Carnaval da Bahia por ser o mais popular do Brasil", argumenta o diretor artístico da Band, Nílton Travesso.
Não faria diferença, porém, se a Band tivesse interesse de transmitir o Carnaval do Rio, como fez o ano passado: só sobrou para ela o Carnaval de rua. A Globo, dona dos direitos de transmissão dos desfiles das Escolas no Rio e em São Paulo, dificilmente liberaria os direitos de imagem para concorrente depois do que, segundo fontes das próprias emissoras, ocorreu na final do Mundial Interclubes de Futebol, vencida pelo Corinthians contra o Vasco. Na época, a Globo teria proposto dividir a transmissão com a Band, o que não foi aceito. O jogo bateu audiências de até 56 pontos no Ibope. "Não negocio direitos de transmissão, só organizo o evento em si", tergiversa o diretor de núcleo da Globo, Aloysio Legey.
Nas demais emissoras, o Carnaval nem pede passagem. A CNT não vai alterar a grade de programação em nada, enquanto Record, Rede Tevê! e SBT apostam em filmes para atrair a audiência de quem não gosta de carnaval. "O SBT não tem tradição em desfiles. Vamos nos limitar a fazer a cobertura jornalística nos nossos telejornais", explica o diretor artístico do SBT, Eduardo Lafon.

Ajustes

Esta indiferença em relação à principal festa popular do país é forçada. Já Globo e Band estão ajustando a grade de programação para os quatro dias de folia. No domingo de Carnaval, o "Fantástico" vai ter uma versão curta para entrar em rede, enquanto no Rio vai simplesmente deixar de ser exibido. Desde que está no ar, há 28 anos, é a primeira vez que o "Fantástico" deixa de ser exibido. Na segunda-feira, o "Jornal Nacional" vai ter uma edição reduzida a mais ou menos 15 minutos exibida no intervalo da apresentação entre uma escola e outra.
Por volta das 20 horas, está previsto o desfile da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Para não cometer o mesmo erro de 1998, quando a Globo deixou de exibir o desfile da tradicional Verde e Rosa, a emissora resolveu cancelar a novela "Terra Nostra", pelo menos, no Rio de Janeiro. Mas, no resto do Brasil, a novela vai ser exibida em forma de compacto, mas somente depois do desfile da Mangueira, que deve terminar por volta das 22 horas. "Seria inviável transmitir um Carnaval sem mostrar a Mangueira", explica Aloysio.
Já na Band, o Carnaval começa mais cedo. A emissora vai transmitir os desfiles dos blocos e shows dos trios elétricos desde sexta-feira. A partir do sábado, a transmissão começa às 13 horas e só termina depois das 2 horas da manhã. Por volta das 20 horas de cada dia, está previsto a transmissão do "Jornal da Band", que vai ser exibido diretamente de Salvador. Nílton Travesso explica que a cobertura maciça do Carnaval baiano não significa que a emissora vai ignorar os demais carnavais do país "Ao longo dos nossos telejornais, vamos mostrar tudo o que acontece no Rio, São Paulo e no Nordeste", avisa Travesso.
A briga entre as duas emissoras não vai ficar restrita às imagens. Globo e Band escalaram o que têm de melhor para os desfiles. Na Band, Fernando Vanucci, que por mais de 15 anos foi o âncora da Globo, vai transmitir toda festa de Salvador ao lado de Luciano do Valle, Astrid Fontenelle, Otaviano Costa e Amaury Júnior, além de Joana Prado, a Feiticeira, e Susana Alves, a Tiazinha, que vão desfilar no Carnaval carioca também. "É uma equipe coesa e extremamente carismática", imagina Travesso. Na Globo, nos desfiles do Rio de Janeiro, Pedro Bial e Glória Maria são os comandantes da transmissão, enquanto os escalados para a cobertura de São Paulo são Cléber Machado e Mariana Godói.


Cheio de axé Otaviano vai a Salvador pensando nos próximos passos do "O+"
Foto: Carta Z Notícias

Correndo atrás
do trio elétrico

Otaviano Costa volta às transmissões ao vivo cobrindo a festa baiana

Rodrigo Teixeira
TV Press

Otaviano Costa deixa as paisagens pantaneiras para cair no rebuliço do Carnaval baiano. O apresentador do "O+" vai ser uma das figuras de frente da Band na cobertura do Carnaval em Salvador este ano. Otaviano acaba de voltar de um mês de férias em Cuiabá, sua cidade natal, onde recarregou as energias para encarar os cinco dias de cobertura do Carnaval da Bahia. Otaviano, ao lado de Astrid Fontenelle, Fernando Vanucci e Amaury Júnior, entra ao vivo de Salvador sexta-feira, quando a Band começa a transmissão do evento. "Adoro fazer coberturas ao vivo porque não tem como se programar muito antes. O que vale é o momento", acredita o apresentador.
Mas o ritmo de trabalho de Otaviano continua acelerado mesmo após o Carnaval. A partir do dia 13 de março, o programa "O+" volta a ser exibido ao vivo. O apresentador quer manter os bons índices de Ibope que o programa gravado no Rio conseguiu no mês de janeiro - chegou a dar picos de 10 pontos. "O que mais me preocupa é reciclar sempre o programa e ter atrações de qualidade", garante Otaviano.

Entrevista/Otaviano Costa

Como você está se preparando para os cinco dias de cobertura do Carnaval?
Otaviano Costa - Estou bem descansado depois de um período de férias grande em Cuiabá. Fisicamente não tenho problemas. Isto é o básico, porque estou acostumado com transmissões ao vivo. Minha estréia como profissional, aos 15 anos, foi para a Rádio Jovem Pan, quando fiz a cobertura do show do A-ha em São Paulo. Como era o único que falava inglês, acabei fazendo as reportagens com os integrantes da banda. Desde então, sempre gostei de coberturas ao vivo, pois não dá para se programar muito. O que vale é o jornalista ter sensibilidade para ver o que está acontecendo de mais importante no momento.

Como você encara o fato de ter sido escolhido para integrar a equipe da Band em Salvador?
Otaviano Costa - É a prova de que a emissora confia no meu trabalho. Já tenho uma base do Carnaval da Bahia, pois no ano passado fiz a cobertura do camarote do É o Tchan para o "Domingão do Faustão". Por isso, tenho uma idéia do sistema da festa de lá. Além disso, já trabalhei com a Astrid, na época da MTV, na cobertura do Vídeo Music Awards, em 1991, e vamos fazer uma boa dobradinha.

Você gosta de axé music?
Otaviano Costa - Acho que cada estilo de música tem o seu momento certo. Em Cuiabá, por exemplo, ouço sem problemas canções sertanejas. Acho que a axé music é ótima para o Carnaval. Na verdade, o Carnaval de Salvador me contagia até mais que a festa no Sambódromo, no Rio. Não descarto também a possibilidade de poder subir em algum trio elétrico se for convidado e cantar alguma música. No "O+" já aconteceu de cantar junto com Lulu Santos, Toni Garrido, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. Esta é a vantagem de também ser músico e tocar teclado, guitarra e cantar. É uma carta na manga que me diferencia dos outros apresentadores.

A boa audiência do programa gravado no Rio é um estímulo para continuar levando o "O+" para outras cidades?
Otaviano Costa - Eu e a direção da Band estamos planejando levar o "O+" para cidades, como Salvador, Punta del Leste e Recife. Mas ainda estamos estudando, embora o bom Ibope que conseguimos no Rio deixe claro que é uma estratégia que dá certo. Principalmente, porque cria novas possibilidades comerciais para a emissora. Também estamos decidindo se vamos investir em novos personagens femininos. O certo é que o programa não vai parar de se reciclar e ganhar novos quadros. Mas não quero ganhar fama como criador de personagens.

Sintonize novas rádios
Cerca de 3 mil estações em todo o mundo mantém programação com música e notícias por meio da Web.  AN_Informática 
A experiência com a Guerreira Aigo foi uma decepção?
Otaviano Costa - Infelizmente, deu uma grande confusão. A Aigo foi tipo um remédio bom para otário do meu passado. Mas, na verdade, a personagem índia era para ser apenas os dois meses que ela ficou no programa. Antes dela entrar no ar já se sabia disto. Acredito que vamos investir na Joana Prado, que faz sucesso como a Feiticeira, e tem a flexibilidade para comandar outros quadros. Também quero investir em mais matérias investigativas, como aquela que fiz com os menores que fugiram da Febem no ano passado.

Manchetes AN

Das últimas edições de AN Tevê
20/02 - Destino itinerante
13/02 - Coração indomável
06/02 - Identidade com o passado
30/01 - Estranha no ninho
23/01 - No ritmo das castanholas
16/01 - Ângela Vieira: Olhar de malvada
09/01 - Visões do paraíso

Leia também

A semana

"Show do Esporte"
Mauro Galvão é o homenageado no "Sua Vida". No quadro de hoje, às 18h10, na Band, do "Show do Esporte", o apresentador Fernando Vanucci conversa com o veterano zagueiro vascaíno. Aos 38 anos de idade, Galvão acaba de atingir a marca de mil jogos oficiais. Durante o programa ele relembra momentos marcantes da carreira, com passagens por Internacional, Bangu, Botafogo, Grêmio, Seleção Brasileira e pelo futebol europeu.

"Escolinha do Barulho"
A "Escolinha do Barulho" volta a ser exibida amanhã, às 17h15, na Record, com novidades. Além da tradicional sala de aula, o humorístico vem com um outro ambiente: uma cantina. Ao mesmo tempo, novos alunos chegam à "Escolinha", como Giuliana Nostra, uma sátira à protagonista de "Terra Nostra", interpretada por Araíde Rocha. Quem dá a primeira aula são os cantores baianos Netinho e Ivete Sangalo.

Futebol europeu
O Real Madrid recebe o Bayern de Munique nesta terça, na capital espanhola, pela Liga dos Campeões da UEFA. Os dois clubes lutam por uma vaga nas quartas-de-final da competição interclubes mais importante da Europa. A atração são os craques brasileiros Roberto Carlos, lateral do Real, e Élber e Paulo Sérgio, jogadores do time alemão. A Rede TV! exibe o jogo às 16 horas.

"Você Decide"
No episódio "A Volta" do "Você Decide" desta terça, às 22 horas na Globo, Heitor Martinez é Eduardo, um ator de sucesso que sofreu na infância com a morte da mãe e o afastamento do pai Mário, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri. Agora, após 15 anos sem ver o filho, doente e falido, o pai decide procurá-lo pedindo perdão e ajuda para fazer um tratamento de saúde. Eduardo vai ter de decidir, então, se perdoa ou não Mário.

Novidades na TV

Cigano
A partir de março o programa "O+" deixa de ser gravado entre quatro paredes para ser itinerante e viajar pelo país. As mudanças aconteceram em razão da boa audiência que o programa apresentou no Rio - chegou a dar sete pontos. A primeira viagem do "O+" vai ser para um parque aquático em São Paulo, depois o programa deve seguir para Salvador e Recife.

Participação
A Família Lima selecionou um repertório italiano para participar de "Terra Nostra". Os músicos foram convidados pelo próprio autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, para uma participação na cena do batizado do filho de Maria do Socorro e Gumercindo. No repertório vão estar canções como "Santa Luccia Luntana" e "Funiculi, Funicula".

Mudanças
A partir de hoje, o "Eliana no Parque" vai ganhar mais convidados e quadros novos para funcionar também como programa de variedades. "Quero ter a audiência dos adultos também", reivindica a apresentadora. Entre os quadros novos destaca-se o jogo interativo em que as crianças vão escolher num computador os temas sobre o que vão falar. Serão perguntas sobre música, variedades, atualidade, conhecimentos gerais e cinema.

Espírito de capitão
Depois de ter terminado de gravar "A Muralha", o ator Stênio Garcia está devorando os livros "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes, e "Velhos Marujos", de Jorge Amado, para buscar inspiração para o personagem Capitão Sardinha. O personagem é o protagonista do programa infantil "Capitão Sardinha e Marujo Pimenta" que a Globo pretende estrear entre abril e maio desse ano.


Labuta precoce

Programa da Cultura faz um retrato do trabalho infantil no interior da Bahia

Imagine um garoto de apenas 6 anos quebrando pedra para ajudar no trabalho do pai. Imagine que isso não é brincadeira de criança e que o menino recebe 50 centavos por semana para fazer a sua parte. Outra situação: pense em uma menina de oito anos segurando um facão, pronta para cortar sisal. E tudo isso é rotina na vida deles.
Estas histórias não são criações dramáticas de algum escritor surrealista ou muito menos existem somente em lugares bem distantes do nosso País. Elas estão aqui, no interior do Brasil. No sertão nordestino. O programa "Caminhos e Parcerias" de hoje, às 21h30, revela um mundo desumano, cruel e o que é pior: ainda longe de solução. Neide Duarte e sua equipe desembarcaram em Retirolândia, na chamada região sisaleira, interior da Bahia, e encontraram uma realidade que choca, impressiona e assombra. São 60 mil crianças de 7 a 14 anos trabalhando no corte do sisal ou nas pedreiras, convivendo diariamente com o perigo. Pais e filhos que se juntam na busca pela sobrevivência, num regime de semi-escravidão.
Neste cenário de miséria e abandono funciona o Projeto Bolsa-escola, criado pela Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil do governo federal. Por enquanto são 17 municípios incluídos e 30 mil crianças beneficiadas. Cada menino ou menina que freqüenta as sedes da Bolsa-escola tem direito a 25 reais por mês, além das atividades que estimulam a criatividade. Mas todos têm que estudar na escola tradicional para fazer parte do projeto.
O que chamou a atenção do governo federal para implantar o Projeto Bolsa-escola na região do sisal não foi apenas o incrível número de crianças que trabalham. Um outro projeto, no mínimo, curioso também vinha incentivando a conscientização dos moradores para a questão do trabalho infantil. É o Bode-escola, criado através de parceria entre o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Retirolândia, a Organização Internacional do Trabalho e uma organização não-governamental. A proposta é trocar bodes e cabras pela garantia da criança na escola, abandonando o trabalho. "Caminhos e Parcerias" mostra que, apesar da boa intenção, o projeto não tve a repercussão esperada. O problema é que o leite da cabra não era garantia de um dinheiro a mais para a família.
A Bahia é o maior produtor de sisal do País. Mas nos últimos anos o preço do produto teve uma grande queda no mercado, principalmente por causa da chegada da fibra sintética. Os trabalhadores rurais ainda sentem os efeitos disso na pele. Hoje o quilo da fibra do sisal custa 32 centavos. Este programa confere que, mesmo trabalhando de sol a sol, um casal de agricultores consegue no máximo 20 reais por semana.
Este é o principal motivo das crianças serem incluídas no corte do sisal. O pensamento é que quanto mais gente melhor. Flávia, de oito anos, é um exemplo. Apesar de garantir que freqüenta escola, ela passa o dia de facão na mão ao lado da mãe.

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicaēćo e Internet