Joinville         -          Quarta-feira, 8 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















DECISÃO

Valdete diz que é preciso coragem para começar as mudanças: "É um romper penoso e desconfortante"

Preconceito contra a
mulher começa em casa

Historiadora faz análise sobre dominação e insegurança

Graziela Lindner

As mulheres que trabalham fora sofrem as pressões da vida profissional e ainda acumulam as funções de mãe e dona de casa. As que se dedicam apenas ao lar e à família e não conhecem o mundo além dos muros de sua casa - com exceção da igreja e do posto de saúde - adoecem psicologicamente. A constatação é da historiadora e professora de sociologia Valdete Daufemback Niehues, que em abril defende a tese de mestrado em história na Universidade Federal de Santa Catarina.
As mudanças, na avaliação da historiadora, precisam começar em casa, mas é preciso coragem. "É um romper penoso e desconfortante", adverte, considerando que, embora a mulher não tenha se arrependido de lutar pela autonomia financeira - mesmo que isso signifique dobrar a jornada de trabalho -, ela ainda está longe de conquistar o poder de decisão. "Em casa, a mulher está sempre à mercê das vontades do marido. A vida não é efetivamente dela. A cultura de dominação ainda é muito forte na nossa sociedade. Os únicos locais que a mulher tem para socialização são a igreja e as filas nos postos de saúde", avalia.
Durante os dois anos de pesquisa para o embasamento da dissertação de mestrado, Valdete fez constatações que, segundo ela, são preocupantes. "A mulher que fica em casa adoece mais e, sem ter à disposição um trabalho sério para recuperação da auto-estima, acaba recorrendo à medicina. Das mulheres entrevistadas, apenas 10% nunca fizeram uso de psicotrópicos como calmantes e remédios para depressão", anuncia a historiadora.
A falta de espaços de lazer apropriados para a família e o medo da violência também fazem com que as mulheres permaneçam "trancadas" em casa. "A sociedade é machista, individualista e as mulheres estão infelizes. O problema é que elas são as mantenedoras do machismo, elas educam os filhos dessa maneira. As meninas devem ser obedientes, devem estar prontas para receber elogios. Dos meninos todos esperam travessuras. O que vamos esperar de uma sociedade com esse tipo de educação?", questiona.
Sensualidade
Sambista com os pés no chão: Viviane Araújo ganha destaque no Carnaval e faz planos para a TV.  AN_Tevê 
A única saída para romper o círculo vicioso é mudar a rotina da casa, é dividir tarefas de modo igual entre os filhos. "É preciso também que elas conheçam outros tipos de relacionamento social, outras culturas. Só assim entenderão que nosso sistema não é único e pode ser modificado", diz Valdete. Para discutir questões como essa, o Centro de Direitos Humanos de Joinville vem promovendo fóruns de debate, mas, segundo a historiadora, é difícil montar grupos para discussões sobre o papel da mulher na sociedade.
"Elas só aparecem nos encontros se tiver culto ecumênico. É como se apenas rezar fosse a solução. Além disso, falar das problemáticas sociais resulta em mudanças de comportamento e geram desconforto. Temendo tudo isso, as mulheres ainda preferem ficar em casa", revela Valdete.


Rompimento de padrões
deve levar até 200 anos

A historiadora Valdete Daufemback Niehues prevê que a mudança de atitudes e o rompimento dos padrões de obediência e submissão só mudem nos próximos 100 ou 200 anos. "A conquista pelo espaço no mercado de trabalho aconteceu neste século, depois da 1ª Guerra Mundial", lembra.
Segundo a professora de sociologia, as mulheres não conseguiram ainda dominar suas próprias vidas. "É uma tradição que se arrasta há anos. A mulher deixa de ser filha, submissa ao pai, para ser esposa, submissa ao marido", lamenta. Ela diz que talvez a independência e a autonomia sejam uma realidade apenas na vida de mulheres que já enfrentaram uma separação ou ficaram viúvas. "O casamento ainda é algo machista e se o trabalho deu à mulher a autonomia financeira, ainda não garantiu o poder de decisão", comenta.
A submissão, porém, não reduz a responsabilidade e a preocupação da mulher com a casa e os filhos. "O último censo apontou que 52% dos lares brasileiros são sustentados pelas mulheres. Ao ver a sobrevivência dos filhos ameaçada pelo desemprego dos maridos, elas se sujeitam a fazer qualquer tipo de trabalho para defender a prole. Os homens não", considera Valdete. "Além disso, 54% dos estudantes universitários são mulheres, mas isso não lhes garante o direito de igualdade salarial. Para chegar ao mesmo cargo e ao mesmo salário, ela tem que provar que é muito melhor".
Na avaliação da historiadora Valdete Niehues, a mulher ainda tem espaços a serem conquistados e precisa se dar conta disso. "O que falta é desenvolver a auto-estima e mudar o comportamento", revela, lembrando que tudo isso vai gerar, fatalmente, algum tipo de discriminação. "As próprias mulheres são assim: umas condenando as outras. Esse isolamento gera angústia, frustração e, conseqüentemente, depressão".
Para professora de sociologia, é lamentável ouvir as donas de casa dizendo que não trabalham. "Elas são as primeiras a levantar e as últimas a dormir e nem sequer exigem seu lugar à mesa. Muitas vezes, deixam para almoçar ou jantar depois de atender toda a família. Na verdade, trabalham em troca da comida e da cama e acham isso normal", critica. "Falta força de vontade para superar a cultura de dominação impregnada em nossa sociedade". (GL)


Viúva assume o comando da
família e defende educação rígida

Desde que ficou viúva, há quase dois anos, Dilma Maria Silva dos Santos, 49 anos, assumiu o comando da casa, dos negócios e o sustento dos filhos. Acostumada a ajudar o marido, ela sempre se revezou entre as atividades domésticas e profissionais. Agora, conta com os filhos adolescentes para manter o negócio da família. "A necessidade nos obriga a lutar. Tive que aprender a me virar sozinha e não vou fugir dos problemas. Hoje, todos trabalham para me ajudar", revela.
Dilma quer que os filhos tenham a mesma educação que ela recebeu do pai. "Dei muita liberdade aos meus filhos e, agora, estou tentando reverter isso", afirma, lembrando que o pai ficou viúvo muito cedo e teve que assumir o papel da mãe. "Nenhum dos dez filhos lhe deu trabalho porque ele era exigente. Quando um dos pais falta, o outro precisa dar conta do recado. A vida é assim e nem sempre é fácil".
A rotina da comerciante Dilma dos Santos começa cedo. Às 6 horas ela acorda e só descansa quando o último cliente deixa o bar. "Responsabilidade é coisa séria. Adoro meus filhos e luto por eles, sempre". Sem dar chance para o preconceito, ela conta que os clientes aprenderam a respeitá-la. "Deus é quem cuida da casa, enquanto eu fico aqui o dia todo para garantir o sustento da família, mas exijo respeito".
Além dos filhos Edna, 18 anos, Carlos, 14, e Tiago, 13, Dilma acolheu os sobrinhos Sheila, 17, e Felipe, 15. "Todos ajudam e não tem trabalho de mulher ou de homem. Somos uma família", avisa. As comemorações do Dia Internacional da Mulher, segundo Dilma, precisam ser revistas. "Há muita coisa para mudar e as mulheres precisam se valorizar. Sou viúva há dois anos e nunca me faltaram com o respeito, mas muitas estão perdendo a moral", diz.
A submissão, continua a comerciante, faz parte do universo feminino e precisa ser aceita pelas mulheres. "Essa é a realidade, mas o que não podemos aceitar é que nos humilhem", ensina, acreditando que os pais sejam peças fundamentais na educação dos filhos. "É preciso ensiná-los que a vida é difícil e as conquistas são fruto de muito trabalho. Nada acontece por acaso ou vem de graça, mas com fé em Deus a gente acaba vencendo o desafio", aposta. (GL)


Curso aborda
compreensão do cérebro

Engenharia mental quer oferecer ferramentas para pessoa lidar com mudanças nas relações familiares

Pesquisas recentes sobre a mente e o cérebro humano estão ajudando a desvendar mistérios do comportamento, das emoções e das habilidades que as pessoas podem desenvolver quando são estimuladas. "Conhecendo um pouco mais sobre o seu funcionamento é possível controlar os comportamentos diante de qualquer situação", acredita a especialista em programação neurolingüística Sírley González. Através de um curso de engenharia mental, ela pretende oferecer às pessoas ferramentas necessárias para lidar com mudanças rápidas e definitivas nas relações familiares, no convívio social e profissional.
Sírley presta consultoria pessoal e empresarial, além de cursos nas escolas para os pais. "A programação neurolingüística (PNL), que é a base para compreensão do cérebro humano, é uma ciência que estuda a comunicação, que padrão você utiliza para se comunicar e como isso pode trazer o sucesso ou o fracasso", explica a especialista. "Quando você conhece este padrão, você pode mudar o comportamento", complementa. A especialista faz questão de frisar que o ser humano está sempre se comunicando, mesmo sem emitir sons. "As vezes os gestos e o olhar podem dizer mais que uma palavra", destaca.

MUNDO COMPETITIVO

Com os pais e professores nas escolas, Sírley estimula uma mudança de comportamento destes mestres. "Eles precisam trabalhar as múltiplas inteligências da criança de um forma prática na escola. O mundo competitivo de hoje exige um conhecimento generalizado", completa. Ela lembra ainda que o ser humano utiliza somente 2% de sua capacidade mental. "Durante três mil anos vivemos numa era agrícola. Depois veio a era industrial, que durou cerca de 120 anos e dava valor somente ao capital. Depois veio a informática, em que as idéias e a criatividade eram imprescindíveis, e por último a onda da produtividade - da qualidade total e as certificações ISO", explica.
"Hoje eu acredito que estamos entrando na onda da intuição mental. Precisamos armazenar informações, desenvolver percepção e sensibilidade e definir objetivos", destaca. Sírley já escreveu um livro sobre a difícil arte de criar os filhos, que vendeu mil edições em apenas três meses, e agora tem planos para um novo livro enfocando o casamento. Informações sobre cursos e palestras pelo telefone 422-4504.


Manutenção do
Clube Agrícola

Atrações sobre rodas
O subcompacto alemão Opel Agila é uma das atrações do Salão de Genebra, que apresenta os mais recentes lançamentos mundiais.  AN_Veículos 
A Secretaria da Educação garantiu apoio para a manutenção dos Clubes Agrícolas Escolares em 33 das 37 escolas rurais de Joinville. A secretaria fornecerá as sementes e adubo orgânico para o plantio nas hortas escolares. O projeto envolve 650 alunos de 3ª a 4ª séries e foi vencedor do Prêmio Embraco de Ecologia, tendo sido desenvolvido durante 1999 com apoio da empresa que destinou R$ 8 mil para a Escola Agrícola Carlos Heins Funke coordenar este trabalho.
De acordo com a técnica agrícola Francoyse Gonçalves, os alunos aprendem a lidar com hortaliças, plantas medicinais, pomar, jardinagem e meio ambiente. Durante todo o ano serão desenvolvidas atividades em sub-projetos: Agricultura na Escola; Educação Ambiental; Agrotóxicos; Saneamento Rural; Encontro dos Alunos da Área Rural e Gincana de Integração dos Clubes Agrícolas Escolares.


Empate faz os jogadores da
Serrana assumir favoritismo

Oliver Albert
Especial para o AN Cidade

O empate em 1 a 1 com o Joinville, no último sábado, no Estádio Marco Tebaldi, motivou jogadores e comissão técnica da Serrana/Transitar. A equipe disputará a 1ª Divisão de Futebol de Joinville e tem como único objetivo conquistar o campeonato.
Contudo, de acordo com os jogadores do Serrana/Transitar e até para o técnico Francisco da Silva, o trabalho pode ser o ponto fraco da equipe. Segundo o técnico, muitos atletas exercem outras profissões durante a semana e dificilmente terão tempo para treinar. "Estamos com um excelente time e temos condições de levantar o caneco, mas o problema da nossa equipe é a parte física dos atletas", afirma Da Silva.
O técnico afirma que haverá um treinamento por semana. "Será nas quartas-feiras", adianta. O técnico ressalta que a determinação dos jogadores vai ser o diferencial. "Eles têm qualidade, força e principalmente raça, como mostraram no amistoso com o JEC. Será difícil, mas vontade não nos falta para ser campeão", completa.
Para o meia Rodrigo, o time da Serrana é bom e pode dar muitos frutos. "Jogamos de igual para igual com o JEC, o que nos anima. Nosso dificuldade será mesmo a parte física, mas somos os favoritos", fala.
O atacante Adriano da Silva afirma, porém, que o favoritismo pode atrapalhar. "Sei que nossa equipe é ótima e que temos um grande treinador, mas se pensarmos que já ganhamos as coisas podem se complicar.", diz.
Outro jogador que acredita na força em sua equipe é o atacante Jura. Autor do gol do time no empate com o JEC, ele afirma que a Serrana vai ser campeã da Primeirona. "Lutaremos até não dar mais. No empate de hoje com o Joinville mostramos para todos que nosso time vai dar trabalho e com certeza somos favoritos", afirma.

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Vale Samba quer conquistar
o sexto título em Joaçaba

Trote telefônico provocou a anulação das notas de um dos jurados, que deixou a cabine durante o desfile

ADILSON RODYCZ

Joaçaba - Se depender da opinião do público, a Vale Samba vai conquistar pela segunda vez consecutiva e quinta alternada o título do Carnaval de rua de Joaçaba. Nas enquetes, embora muitas vezes prevaleça a paixão, a azul e branco foi melhor tecnicamente no desfile de sábado e impressionou mais por suas alegorias e fantasias. A escola desfilou com 1,6 mil componentes, 600 a mais que sua maior rival, a Aliança. A carnavalesca Leonor Heberle, a Lola, não acredita no prognóstico e aposta na recuperação do título perdido no ano passado.
Um dos quesitos que poderá influenciar no resultado será a bateria. Na Aliança, os próprios diretores reconhecem que cometeram erros, principalmente nas paradas. Enquanto isso o mestre de bateria da Vale Samba, Cesar Farias disse que o grupo se comportou "redondinho" e está confiante na seqüência de notas dez recebidas nos últimos desfiles. Na Unidos do Herval, a expectativa é chegar mais próximo na soma de pontos das primeiras colocadas.
O presidente da comissão organizadora, Ademar Bittencourt, o Indio, confirmou ontem que as notas de um dos 15 jurados da Riotur foram anuladas. O motivo foi um trote passado por telefone. O jurado, que não teve o nome revelado, teria recebido um recado para entrar em contato urgente com a família, no Rio de Janeiro. Como eles estavam nas cabines, sem comunicação, o telefonema foi feito para a Prefeitura e o recado passado pela Polícia Militar. Ele se ausentou durante o desfile e no retorno a comissão de jurados fez valer o regulamento, considerando-o incapaz de fazer a avaliação, sob pena de prejudicar ou beneficiar uma das agremiações.
Ontem as escolas voltaram a desfilar na avenida 15 de Novembro, para avaliação de um júri regional. Estavam em jogo os destaques individuais e o prêmio especial da Liga Independente das Escolas de Samba de Joaçaba (Liesjho). Apesar do desfile de ontem não ter caráter oficial, as escolas poderiam perder pontos na avaliação final, caso não cumprissem algumas exigências da comissão organizadora. O resultado será anunciado amanhã à noite, na praça Adolfo Konder.


Folia em Concórdia recebe
reforço de escola favorita

Concórdia - O último dia de Carnaval de Concórdia terá como principal atração uma escola de samba de Joaçaba. A Vale Samba, campeã do ano passado e favorita para ganhar o título deste ano, fará uma apresentação especial durante a festa na rua, que inicia às 20h30 em frente à praça Dogello Goss. A expectativa é de que mais de 5 mil pessoas participem da última noite da folia, que tem sido atrapalhado pela chuva.
A participação da Vale Samba servirá como incentivo para a única escola de samba de Concórdia, a Unidos do Contestado. Desde que foi fundada, há quase 15 anos, a Unidos do Contestado nunca teve uma rival e sempre se apresentou como convidada. "A tradição em Concórdia é de um Carnaval de rua voltado para o povo. Mesmo assim, a vinda da Vale Samba servirá para mostrar que as escolas de samba também são importantes", disse o superintendente da Fundação Municipal de Cultura, Hercílio Paraguassu de Freitas.
A última noite no salão também promete ser animada. A SER Sadia já recebeu cerca de 12 mil pessoas na soma das quatro noites e uma tarde infantil. Hoje, o clube fará a segunda tarde infantil, a partir das 15 horas. O baile de encerramento do inicia às 23 horas. "Devemos atingir um público total de 18 mil pessoas", prevê o diretor social do clube, José Ângelo Colla. A SER Sadia encerra hoje também o concurso de blocos.
Como o comércio de Concórdia não vai funcionar durante todo o dia, os organizadores do Carnaval esperam que a boa parte da cidade se envolva na folia. A polícia também está se preparando para o fim da festa. Até agora foram registradas cerca de 40 ocorrências na delegacia de polícia, a maioria agressões e consumo de tóxicos. A Polícia Militar vai intensificar a vigilância especialmente no centro da cidade.

 
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