Joinville         -          Quinta-feira, 9 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















A eterna
elegância das bicicletas

Cheia de charme
Algumas peças do Museu da Bicicleta: veículo romântico perde espaço para os motorizados
Fotos Carlos Alberto da Silva

Veículo romântico e símbolo da cidade ganha museu que é o primeiro do País

Será aberto à visitação pública a partir de hoje, em Joinville, o primeiro Museu da Bicicleta do País, que foi inaugurado ontem na antiga estação ferroviária. A inauguração fez parte da programação de aniversário da cidade, que hoje completa 149 anos de fundação. O museu vai abrigar o acervo do colecionador Valter Fernandes Busto.
Para o colecionador, o local não poderia ser melhor. "Basta imaginar a antiga estação, os vagões, os trilhos, o depósito com imensas portas, a torre central. É uma composição quase poética entre o fascínio do trem de ferro e a elegância da bicicleta", descreve.
O projeto é o embrião do que deve ser o futuro Museu do Transporte, que deverá incorporar os mais diversos tipos de veículos criados pelo homem em diferentes épocas. O Museu da Bicicleta já conta com um acervo de 15 mil itens, com peças de diversos modelos, fotografias, pôsteres, postais, discos, buzinas, faróis, campainhas e miniaturas. O visitante vai encontrar raridades em perfeito estado de conservação, como bicicletas das décadas de 30 a 50, e uma variedade de acessórios originais do veículo desde século 19.
Marcas como Erlan, BSA Motors Bicycles (atual fabricante de armas da Inglaterra), Bristol, Parsons, Husqvarna, Peugeot e Opel, vindas da Alemanha, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Itália e Suécia, fazem par com modelos nacionais da Caloi e da Monark, muitos já fora de linha. Há desde patinetes feitos com rodas de rolimã e triciclos como o Tico-Tico Bandeirantes, até os primeiros modelos esportivos feitos com aro de madeira e utilitários usados pelos Correios, além de protótipos.
O projeto de recuperação arquitetônica da estação ferroviária, em fase de conclusão, procurou adaptar o prédio para receber o acervo. Valter Busto reciclou materiais e equipamentos da própria estação, como dormentes de madeira, trilhos, carrinhos de transporte, transformando-os em suporte para as peças e integrando o acervo ao ambiente. A preocupação também é adaptar banheiros e instalar rampas e barras de apoio para garantir o acesso dos portadores de deficiência física.
A criação do museu é uma parceria da iniciativa privada e do poder público. "Nas próximas semanas deveremos estar anunciando novos parceiros para a instituição que deverá evoluir para o Museu do Transporte", afirma o empresário Moacir Bogo. Segundo o presidente do Instituto 150 Anos (criado para preparar as comemorações do sesquicentenário de Joinville), Udo Döhler, o acervo do Museu da Bicicleta deverá ser ampliado com a contribuição da comunidade. "Em Joinville temos muitas bicicletas e peças antigas que podem até estar incomodando em casa. Não queremos que qualquer material histórico se perca", alerta.
Terceirização
Cortes nas grandes empresas acabaram trazendo oportunidades de negócios para micro e pequeno empresário.  AN_Economia 
Joinville tornou-se nacionalmente conhecida como Cidade das Bicicletas em 1960, quando a população somava cerca de 120 mil habitantes e havia no município 60 mil bicicletas ­ o equivalente a uma para cada dois moradores. Esta característica credenciou a cidade a sediar o museu, que será mais um importante atrativo turístico para a região.


Largo da Alfândega recebe
mostra sobre o descobrimento

Cartazes, fotos e documentos compõe a exposição

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis ­ O navegador Pedro Álvares Cabral ganha uma exposição em Florianópolis exatamente 500 anos após ter saído de Lisboa rumo ao novo continente. "Cabral, O Viajante do Rei - As Origens do Brasil", abre hoje, às 9 horas, no Largo da Alfândega, e conta a história, a expedição e a vida do explorador português. A mostra itinerante, que também passará por outras cidades do Estado, integra o Projeto Memória 500 anos, que nos últimos três anos homenageou outros personagens da história brasileira: o poeta Castro Alves, o escritor Monteiro Lobato e o jurista Rui Barbosa.
O projeto, idealizado pela Fundação Banco do Brasil e pela Organização Odebrecht, será lançado simultaneamente na cidade de Santarém, em Portugal, pelos presidentes do Brasil e de Portugal. Além da exposição sobre Cabral, Fernando Henrique Cardoso e Jorge Sampaio estarão inaugurando ao meio-dia (9 horas da manhã pelo horário de Brasília) a Casa do Brasil, anteriormente chamada de Casa de Cabral por ter sido a última residência do navegador.
A exposição no Brasil, que será vista pelo público em pelo menos 300 cidades até o final do ano, é composta de 30 kits que podem ser montados em qualquer tipo de ambiente, interno ou externo. Para isso, é preciso que o espaço tenha um mínimo de 140 metros quadrados para que sejam instalados os cubos que contam a história da vida de Cabral. Por causa da facilidade com que o material é instalado, a idéia da Fundação Banco do Brasil é iniciar a exposição pelas capitais do Estado e depois levá-la para as cidades do interior. Em Curitiba, a exposição acontecerá no Shopping Curitiba, e em Porto Alegre, no Memorial da Câmara de Vereadores.
O projeto inclui também a edição de um livro sobre Cabral, implantação na Internet de uma revista on-line (www.cabral.art.br), reforma da Casa de Cabral/Casa do Brasil e a produção do RPG (Role Playing Game), jogo interativo destinado a estudantes da rede pública de ensino, onde cada pessoa participa como ator e autor da história, inventando e recriando fatos. Os estudantes também receberão materiais promocionais para ajudar na compreensão da mostra. Em Florianópolis, a exposição está sendo organizada pela Fundação Franklin Cascaes.
A viagem de Cabral até a Terra de Santa Cruz é contada em capítulos na exposição. Também são mostrados documentos que recriam episódios da expedição e os primeiros contatos dos portugueses com os indígenas no Brasil. Cabral nasceu por volta de 1468, em Belmonte, e em 1499 foi nomeado comandante da segunda armada às Índias. No dia 9 de março, há exatos 500 anos, a expedição de Cabral partiu do rio Tejo, em Lisboa, com 13 embarcações, e 43 dias depois avistou o Monte Pascoal. A partir do primeiro contato com os povos nativos, a exposição mostra passo a passo a adaptação ao novo continente até a morte de Cabral, em 1520, em Santarém. É na última casa em que o navegador morou que Fernando Henrique e Jorge Sampaio abrem a mostra hoje, em Portugal.


Comemorações
invadem Portugal

São Paulo - Não é só no Brasil que os 500 anos do Descobrimento estão sendo lembrados. Ontem foi inaugurada no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, a primeira mostra do ciclo "Brasil, Brasis: Cousas Notáveis e Espantosas", com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. A exposição, intitulada "A Construção do Brasil 1500-1825", é fruto de vários anos de pesquisa e procura reconstituir a história da maior ex-colônia portuguesa, do Descobrimento à Independência. Em seguida, virão as exposições "Olhares Modernistas", que poderá ser vista a partir de 28 de abril no Museu do Chiado, e "Jardim do Éden", que será aberta em 18 de janeiro de 2001 no Mosteiro dos Jerônimos, encerrando as comemorações.
Atrações sobre rodas
O subcompacto alemão Opel Agila é uma das atrações do Salão de Genebra, que apresenta os mais recentes lançamentos mundiais.  AN_Veículos 
Segundo o historiador, essa mostra tem por objetivo não apenas resgatar a história do Brasil como permitir que os portugueses investiguem o próprio passado, redescubram a própria história. "Queremos expor a complexidade de frente, fazer com que esse momento não seja de auto-regozijos, mas de reflexão, de rediscussão e reflexão sobre a identidade dos portugueses", diz Tiago Reis Miranda, que responde, com o professor Joaquim Romero de Magalhães, pela curadoria de "A Construção do Brasil". Assim, a análise de pouco mais de três séculos da história de sua maior colônia não apenas permite que os portugueses redescubram o Brasil como mostra em que medida "esse diálogo tem ajudado a compor nossa identidade", acrescenta.


Tesouros são descobertos na Grécia

ATENAS - Uma espaçosa residência do século 4 a.C., com um impressionante mosaico, foi descoberta em Aegira (Sul da Grécia) por uma equipe do Instituto Austríaco de Arqueologia de Atenas, informou sua diretora, a professora Veronika Leon. Até agora, foram descobertas oito amplas residências. Em uma delas, que provavelmente serviu de dormitório para homens, os arqueólogos puderam reconstituir um mosaico de 6,6 m de comprimento, no qual podem ser vistas uma pantera, uma espécie de falcão e uma sereia que cavalga em um peixe enorme.
Formado principalmente por pedras brancas e pretas, o mosaico, muito raro na Grécia (os únicos similares são os da Casa dos Mosaicos da Eritréia, ao Norte de Atenas), era duas vezes maior do que a parte que pôde ser reconstituida. As escavações continuam. Aegira, cujo antigo nome era Hiperisia, é uma das cidades mencionadas por Homero. Ao apresentar os resultados de um ano de trabalho, Veronika Leon revelou a descoberta dos primeiros contornos de um vasto teatro em Platea. Situada em Beócia, cerca de 60 quilômetros ao Norte de Atenas, a cidade é conhecida por ter sido cenário da grande batalha das guerras médicas em que os persas foram expulsos da Grécia (479 a.C.).
A partir dos restos de um pórtico, a equipe descobriu, além do teatro, um conjunto de ruas localizadas nos vestígios de uma muralha. Próximo ao templo de Artemis, deusa da caça, os arqueólogos encontraram em Loussoi (Norte de Peloponeso) um busto (de 8 centímetros de altura) de uma mulher de cabelos compridos, entre outros objetos, do século 4 a.C.


Globo firma parceria com
campeonatos estaduais

Emissora promove competições e divide lucros com federações e clubes


Fernando Miragaya
TV Press

A Globo vai colocar em campo um esquema tático ofensivo. A emissora assinou parcerias com federações e clubes para promover os campeonatos carioca e paulista de 2000, que começam neste domingo. Mas isso não se resume à transmissão das partidas. A Globo também vai dividir os lucros e o retorno comercial das duas principais competições regionais do País. Ou seja, vai bater bola com os clubes. Agora, mais do que nunca, a emissora de Roberto Marinho vai exercer seu poder sobre o esporte mais popular do Brasil. Os horários das partidas, que já eram orientados pela tevê, devem ficar totalmente submetidos. "A Globo não tem o intuito de monopolizar o futebol. Trata-se de uma parceria para valorizar o produto futebol e gerar uma divisão melhor", garante Marcelo de Campos Pinto, diretor geral da Globo Esportes, setor da Globo responsável pela comercialização de propriedades e direitos esportivos.
Monopólio realmente não existe. Além da Globo, que também transmite o Carioca para vários estados do Norte e Nordeste, e Sportv - canal por assinatura da Globosat -, a Band e a ESPN Brasil também vão transmitir os jogos. Mas a própria tabela dos campeonatos do Rio e de São Paulo já mostra a influência televisiva. Dificilmente os torcedores vão se livrar de partidas realizadas aos domingos no enfadonho horário das 18h30, o que não parece muito compatível com as metas de Eduardo Vianna, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. "O objetivo é atrair as famílias de volta aos estádios", garante. "O que queremos é melhorar o espetáculo futebol", faz coro Eduardo José Farah, presidente da Federação Paulista de Futebol.
Os efeitos globais já vão ser sentidos dentro de campo. Principalmente pela imprensa de tevê e rádio que faz a cobertura das partidas. Repórteres atrás do gol não serão vistos este ano. Os profissionais de imprensa, com exceção de fotógrafos e cinegrafistas, só poderão assistir aos jogos das tribunas de imprensa. Entrevistas no vestiário, prática comum após as partidas, também não vão ser permitidas. Aos repórteres vão restar as coletivas. Os clubes, por sua vez, se comprometem em liberar o treinador do time e um dos jogadores a cada partida para as entrevistas. Resta saber se a regra vai valer também para os profissionais da Globo. "As entrevistas serão feitas de forma democrática", jura Campos Pinto.
A emissora também vai ser responsável pela comercialização da publicidade estática - placas e painéis dos estádios. E mudanças nesta área vão ocorrer. O número de anunciantes nos locais dos jogos vai ser reduzido. A medida é resultado de um estudo que avaliou que o grau de retorno por parte do telespectador atinge níveis mais altos se houver, no máximo, seis cotistas para 30 placas distribuídas pelo campo. De acordo com a pesquisa, este modelo faz com que o público fixe durante 20 minutos por jogo cada marca. Para o campeonato carioca, Brahma, Tam, ATL, Telemar e Petrobras já garantiram suas cotas, enquanto em São Paulo, Itaú e Brahma já estão confirmados - em cada Estado, as cotas vão gerar uma receita bruta de R$ 1,5 bilhão. Estima-se que cada clube grande vai embolsar cerca de R$ 5 milhões.
A distribuição de ingressos também vai ser responsabilidade da emissora. No carioca, a Globo vai vender 80% dos ingressos, que serão comercializados pela emissora através de um pavilhão montado no Rio, enquanto no paulista, metade dos bilhetes serão comercializados pela emissora através das bancas de jornais em São Paulo. Nos dois Estados, os ingressos também poderão ser adquiridos por telefone e internet (www.ingressofacil.com.br). Mas independentemente das placas e dos ingressos, a parceria da Globo é um investimento a longo prazo. A emissora não assume, mas já estuda implantar o mesmo projeto em outros campeonatos estaduais e até mesmo no Brasileirão deste ano. "Vamos reforçar as relações entre o Clube dos 13 e a Globo", reconhece Jaime Franco, diretor de Marketing do Clube dos 13.


Crônica

Novos causos

Salim Miguel

Poderia continuar relatando episódios da mesma linha dos já apresentados. O famosíssimo ocorrido com Aurélio Buarque de Holanda, hoje mais conhecido por seu dicionário. Ia ele para uma reunião solene na ABL, todo paramentado, com fardão e espadim. O carro que contratara demorava, chamou um táxi. Entrou, deu a direção, o motorista arrancou, mas não se cansava de olhar para trás. Afinal, não era carnaval. Sem resistir, perguntou: "Sois rei?".
Outro ocorreu comigo. Me reservo o direito de não dar os nomes, e como sou de uma geração avessa a algumas palavras, amacio-as. Eu editava, lá pela década de 50, uma coluna intitulada "O Xxx nas letras e nas artes." Certo dia, recebo do proprietário do jornal um pedaço de papel com o que ele dizia ser um poema. Li, engavetei. A coluna, é bom esclarecer, era semanal. Duas ou três semanas depois cruzo com o diretor (que era o dono), ele me pergunta: "Leu"?. Eu: "O quê?". Ele: "O poema". Eu: "Ah, sim!". Ele: "Quando vai ser publicado?". Eu: "É muito ruim". Ele: "Pouco importa. Precisa sair logo, quero transar com a mocinha (claro que a palavra era outra), uma belezoca". Eu: "Não na minha coluna, tens todo o jornal". Ele: "Mas num espaço literário dá mais força". Eu: "No meu, não". Ele: "Teu nada, todo o jornal é meu, acabou tua coluna". Pano rápido.
Outra é de um erro de revisão ­ e só esse item ocuparia laudas e laudas. Em síntese dizia o seguinte: na página tal, onde se lê morreu com um certeiro tiro na cabeça, leia-se morreu com dois golpes de afiada lâmina no coração.
Esta se passa no Sul, com um rico empresário, que, para me utilizar de famosa frase de político mineiro, poderia dizer "eu me fiz por si mesmo". O homem chegou ao sul catarinense sem absolutamente nada; em pouco estava mais do que rico. Resolveu ter um brinquedinho. Conseguiu um canal de TV para a região. Certo dia chega em casa cansado, liga o aparelho, claro que na sua emissora. Um filme ia pela metade, viu um trechinho, gostou, não teve dúvidas, pegou do telefone, ligou, chamou o encarregado, determinou, comece de novo o filme do comecinho.
Se esta se passou no sul, a que segue é do oeste. Também ali o agora mais do que próspero operário era dono de tudo, construíra a igreja, a delegacia, a cadeia, o fórum, a casa do juiz, a praça principal, o campo de futebol e por aí ia. Como já era deputado e preparava vôos mais altos, lhe disseram: consiga um canal, não é difícil, monte uma rádio. Assim foi feito. E toda vez que o homem pintava no pedaço, quase toda semana, lá estava o locutor, com a voz empostada, es-can-din-do as sílabas: "Minhas senhoras e meus senhores, distinto público, temos, novamente, a subida honra de ter entre nós o nosso ínclito e profícuo homem público... Deputado, o miocrofone é seu". Até que o ínclito não resistiu e berrou: "A rádio também!".
Das seguintes sou testemunha. Eu trabalhava na assessoria de imprensa do governo Celso Ramos. Percorríamos o Extremo Oeste. As estradas eram tão precárias que havíamos ido de avião até Pato Branco, no Paraná, de lá em diante de carro. A primeira parada foi em Dionísio Cerqueira. Eu viajava com o Secretário da Saúde, homem culto, de excelente leitura e bom de papo. Em dado momento, passamos por um distrito bem pequeno, com um enorme cemitério, e o secretário, que era conceituado médico, não resistiu a um típico humor negro, apontou para o cemitério e exclamou: "Aqui devem existir muitos médicos".
A outra foi em Lages. Continuava eu na assessoria de imprensa. Como de costume, o governador deslocara, por dois ou três dias, o governo para a região, a fim de auscultar in loco as comunidades. Na noite da chegada, um jantar festivo, que ninguém é de ferro. Numa roda, falava-se do progresso, da necessidade de estradas, de agropecuária e industrialização. Um madeireiro diz que não tem do que reclamar, ali estão as florestas de araucária (não era ainda o pinus eliotti) à sua disposição, cortava e vendia tanto por mês. Perguntei: e o senhor refloresta? O homem me olhou com uma pontinha de suspeita, deve ter pensado "quem é este cara?", e retrucou na bucha: "Moço, se eu replantar vai dar tempo de eu cortar?". Não me contive: e estas que vem cortando, foi o senhor quem plantou ou mandou plantar? Resultado: no dia seguinte, cedo, o governador mandou me chamar, rodeou, perguntou pelo trabalho, até chegar ao núcleo da conversa, que eu me cuidasse, sabe como é, os meus correligionários são sensíveis, é necessário... e por aí. Tranqüilo, Celso Ramos não gastava palavras em vão. Entendi que, na verdade, indignado, o madeireiro tinha pedido minha cabeça.
Sensualidade
Sambista com os pés no chão: Viviane Araújo ganha destaque no Carnaval e faz planos para a TV.  AN_Tevê 
A última: eu já morava no Rio, trabalhava na revista "Manchete". Estava em Chapecó preparando uma reportagem. Tarde da noite, trabalho terminado, jantávamos e conversávamos com um grupo de conhecidos, todos presos à verve do Gervásio Batista, fotógrafo que me acompanhava, quando a música do rádio silencia e se ouve, nítida, empostada, a voz do locutor. Eis sua mensagem comercial: "Distintos ouvintes, durante toda a semana, sua distinta senhôra lhe prepara, com carinho, os mais deliciosos quitutes. Aos domingos é mais do que justo que ela tenha merecido repouso. Pegue sua senhôra e vá comer no Matinho".
É isso aí. Chegado a este ponto me pergunto: continuo a puxar causos do fundo do baú da memória ou mudo o rumo? Suspense. Até a próxima.

Manchetes AN

Das últimas edições de Anexo
08/03 - Teatro renasce em São Bento
07/03 - Cenas de impacto imediato
06/03 - Prêmio Visa de MPB prorroga inscrições
05/03 - Da ironia da etiqueta à ética do sarcasmo
04/03 - "A vida é um bolero"
03/03 - Fé, dúvida e cura no corredor da morte
02/03 - Sem fronteiras, a poesia desafia o tempo

Leia também

O monstro ganha
vida no palco

Polemista nato, Marilyn Manson mostra força no ao vivo "The Last Tour on Earth"

Rubens Herbst

Joinville - Marilyn Manson é uma cabide roqueiro ambulante. Nele pode-se vislumbrar facetas de figuras folclóricas como David Bowie, Alice Cooper e Glenn Benton (Deicide). O primeiro traz a androgenia, o segundo o teatrinho de horror e o terceiro entra com as blasfêmias anti-religião. Agora, o vocalista incorpora outras duas personalidades à sua: Prince - assim como o gênio de Minneapolis, Manson quer ser reconhecido daqui por diante como um símbolo, o Ômega - e, quem sabe, Ozzy Osbourne. Manson já avisou que vai passar a se comunicar com a humanidade pela Internet, e que os shows de sua banda devem rarear. Como se vê, um artista tão pouco convencional quanto pouco original.
Se o título de seu mais recente CD, o ao vivo "The Last Tour on Earth" (A Última Turnê na Terra), é para ser encarado como uma despedida dos palcos, ainda é uma incógnita. Fato é que, com mais essa "bomba", Manson amplia o rol de mitos em torno de si, que não é pequeno. O cantor anuncia aos quatro ventos sua bissexualidade, que faz parte da Igreja de Satã, coleciona próteses humanas, usa drogas (e incentiva os outros a experimentarem) e prega a liberdade do indivíduo, conclando seus jovens fãs a se rebelarem contra as autoridades - leia-se pais e professores. Até seu nome artístico - um cruzamento do da atriz hollywoodiana com o do famoso psicopata Charles Manson - é uma afronta ao valores tradicionais. Não é difícil imaginar como Marylin Manson se tornou o inimigo público número um da sociedade americana.
Desde que estourou com o disco "Antichrist Superstar", o grupo é alvo de todo tipo de cruzada moralista que se possa imaginar. Suas turnês acabam se tornando o palco perfeito para protestos contra o "herege" que comando o show - geralmente vestindo cintas-liga, usando maquiagem borrada, mutilando-se e rasgando Bíblias em frente ao povo. A igreja, revoltada, clama por justiça e não raro os shows da banda no interior são cancelados. Manson agradece a censura. Afinal, é propaganda de graça e uma bandeira a mais para ele levantar, ao lado do satanismo, da liberdade sexual e do uso de drogas. E a garotada, vendo nele um símbolo da guerra contra a opressão e a caretice, cai de cabeça na fantasia.
Ah, e tem a música, que não é nada de arrancar os cabelos. Manson funde riffs de heavy metal, climas góticos e gotas de eletrônica, chegando perto do que fazem grupos da moda como Korn e Coal Chamber, mas é muito mais intenso e bem acabado. "The Last Tour on Earth" mostra que a banda sabe fazer um barulho dos bons, principalmente quando sai da sombra do Bauhaus e entra na do Black Sabbath, como em "Lunchbox". Entre um "motherfucker" e um "goddamn", o grupo desfila os maiores sucessos de seus quatro discos, com destaque para as incisivas "I Don't Like the Drugs (But the Drugs Like Me)", "The Beautiful People", "Rock is Dead" e, claro, a versão para "Sweet Dreams", dos Eurythmics.
Apesar de toda a competência, Marilyn Manson, sinônimo de polêmica, vai continuar chamando mais a atenção pelo que personifica do que pela música que faz. Mas com certeza ele não se incomoda. Seu objetivo é chocar, e nisso é craque. A música é um acessório a mais no rentável negócio de atrair o ódio das pessoas.

"The Last Tour on Earth", de Marilyn Manson. Lançamento: Universal. Onde encontrar: Rock Total Discos, rua Henrique Meyer, 68, fone (0xx47) 422-2788. Preço: R$ 23,90.

Outros lançamentos

"Fantasia 2000" - À esta altura, qualquer mortal minimamente interessado por cinema já sabe que a Disney prepara uma versão para "Fantasia", um dos mais belos e revolucionários desenhos animados da produtora, lançado em 1940. Junto com ela vem esta trilha sonora, na qual o maestro James Levine conduz a Orquestra Sinfônica de Chicago por novos arranjos para composições clássicas de Beethoven, Gershwin, Stravinsky, Respighi, entre outros. Dos climas grandiosos a seqüências tipicamente circenses, é um CD que se sustenta independentemente das imagens - mas que fica melhor se acompanhado das estripulias de um certo ratinho aprendiz de feiticeiro (Sony). (RH)

"Cosmopoly" (Andreas Vollenweider) - Com mais de 20 anos de estrada e vários prêmios nas costas, este músico suíço ainda é pouco conhecido no Brasil. "Cosmopoly", seu novo álbum, é uma boa chance para consertar esse erro, já que o CD dá uma mostra do ecletismo com que Vollenweider conduz sua carreira no terreno da música instrumental. As participações especiais deixam isso claro: há os americanos Bobby McFerrin e Carly Simon, o pianista africano Abdullah Ibrahim, o espanhol Carlos Nuñez, o armênio Djivan Gasparyan e até o nosso Milton Nascimento. Entre incursões pelo jazz, o pop, o erudito e o popular, Andreas demonstra habilidade incomum para criar belas melodias com as cordas da harpa, instrumento que o tornou famoso (Sony). (RH)

"Ultra-obscene" (Breakbeat Era) - Roni Size não só é um dos responsáveis pelo surgimento do drum'n'bass na Inglaterra como também permanece como um de seus nomes mais representativos. Ao formar o trio Breakbeat Era, Size inova outra vez: mantém as batidas quebradas e hipnóticas do gênero, mas dessa vez o ritmo está a serviço da melodia. Ao seu lado está o DJ Die e a cantora e compositora Lennie Laws, que dá, literalmente, voz a um estilo que até hoje era dominado por DJs escondidos atrás de toneladas de equipamentos. Graças a ela, é possível ouvir o disco de estréia do trio longe das pistas de dança, e não seria surpresa se músicas como "Bullitproof" e "Time 4 Breaks" fossem, de repente, descobertas pelas rádios (Roadrunner). (RH)


Som defasado feito por
"galera esperta" de Goiânia

GLEBER PIENIZ

Joinville - Eles estouraram nas rádios e nas festas de Goiânia há pouco mais de um ano, graças ao sucesso imediato de "Sexta-feira", single independente que, depois de alardeado em São Paulo, ganhou respaldo de uma grande gravadora e, já prensado em CD, entrou para a trilha sonora da novela "Tiro e Queda", da Record. A trajetória da Laia Vunje repete muitas das histórias vividas por bandas novatas que alcançaram o estrelato em meados dos anos 80, época da grande explosão do rock no Brasil, quando mesmo artistas em início de carreira poderiam despertar a atenção do público. Mas não é só o rápido reconhecimento do quarteto goiano o único ponto em comum com muitas das bandas surgidas naquela década: infelizmente, a Laia Vunje parece resgatar apenas os elementos mais detestáveis praticados pelos pioneiros do rock brazuca, detalhes que há mais de dez anos poderiam ser creditados à inocência mas que, às portas do terceiro milênio, não podem mais ser perdoados.
"O Resto Fica pra Depois", seu disco de estréia (Abril Music), é obra composta por partes iguais de pop rock, funk e disco, além de um ou outro clima romântico contrabalançado por passagens onde a guitarra pesa e até confere certo ar sombrio à música. Eqüidade nas doses de diferentes sonoridades, no entanto, não salva um trabalho que, justamente por misturar tantas referências, acaba soando despersonalizado. Evocar Kool & The Gang (em "Sal"), U2 (a batida marcial de "(In)Confidências" e a guitarra de "Tudo ou Nada") e mesmo sua principal influência, Jota Quest (em "Eu e Você"), não ajuda em nada na construção de uma identidade própria. O baixista André Afonnso e o baterista Robson Caffé (dividido entre tambores e programações) têm atuação correta, embora uniforme, por todo o disco. Luís Maldonalle, o guitarrista, mostra talento e competência quando o assunto é distorção, mas não ultrapassa a linha do óbvio quando as músicas exigem balanço e intimidade com o wah-wah, um pecado para uma banda que pretende ser versátil.
Recai sobre Fábio Pertence - um bom vocalista - a culpa maior sobre a precariedade do trabalho da Laia Vunje. Suas letras são pretensiosas demais e não garantem sequer um bom refrão. Em "Esqueça", as rimas pobres se limitam a amealhar verbos da 1ª conjugação e, em "Insônia", mostram que o escriba ainda não resolveu dilemas que a turma dos anos 80 já enfrentava. Se a falta de profundidade é o problema, a banda poderia voltar um pouco mais sua atenção para os livros e usá-los não só como inspiração para o nome que usam, mas também como fonte de informação: Laia Vunje, traduzido do portugês erudito, quer dizer "galera esperta".


Exposição em Paris
lembra Lasar Segall

PARIS - Lasar Segall (1891-1957), judeu lituano por nascimento e brasileiro por opção, é o homenageado em uma grande retrospectiva que pode ser vista até 14 de maio no Museu de Arte e História do Judaísmo, em Paris. Uma primeira retrospectiva foi consagrada ao artista no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1959, dois anos depois de sua morte, mas, desde então, na França são raras as oportunidades para se descobrir a obra de Segall, que em São Paulo possui um museu inteiramente dedicado a ele.
Sob o título "Novos Mundos", a exposição apresenta mais de 200 obras pertencentes ao museu e a coleções particulares. Este conjunto testemunha as mutaçõe do artista, formado nas vanguardas alemães e convertido a um novo enfoque do primitivismo e do exotismo.


 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicação e Internet