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ANotícia
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A eterna
elegância das bicicletas
Cheia de charme
Algumas peças do Museu da Bicicleta: veículo romântico
perde espaço para os motorizados
Fotos Carlos Alberto da Silva
Veículo
romântico e símbolo da cidade ganha museu que é
o primeiro do País
Será
aberto à visitação pública a partir
de hoje, em Joinville, o primeiro Museu da Bicicleta do País,
que foi inaugurado ontem na antiga estação ferroviária.
A inauguração fez parte da programação
de aniversário da cidade, que hoje completa 149 anos de
fundação. O museu vai abrigar o acervo do colecionador
Valter Fernandes Busto.
Para o colecionador,
o local não poderia ser melhor. "Basta imaginar a
antiga estação, os vagões, os trilhos, o
depósito com imensas portas, a torre central. É
uma composição quase poética entre o fascínio
do trem de ferro e a elegância da bicicleta", descreve.
O projeto é o embrião do que deve ser o futuro
Museu do Transporte, que deverá incorporar os mais diversos
tipos de veículos criados pelo homem em diferentes épocas.
O Museu da Bicicleta já conta com um acervo de 15 mil
itens, com peças de diversos modelos, fotografias, pôsteres,
postais, discos, buzinas, faróis, campainhas e miniaturas.
O visitante vai encontrar raridades em perfeito estado de conservação,
como bicicletas das décadas de 30 a 50, e uma variedade
de acessórios originais do veículo desde século
19.
Marcas como Erlan, BSA Motors Bicycles (atual fabricante de armas
da Inglaterra), Bristol, Parsons, Husqvarna, Peugeot e Opel,
vindas da Alemanha, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica,
Itália e Suécia, fazem par com modelos nacionais
da Caloi e da Monark, muitos já fora de linha. Há
desde patinetes feitos com rodas de rolimã e triciclos
como o Tico-Tico Bandeirantes, até os primeiros modelos
esportivos feitos com aro de madeira e utilitários usados
pelos Correios, além de protótipos.
O projeto de
recuperação arquitetônica da estação
ferroviária, em fase de conclusão, procurou adaptar
o prédio para receber o acervo. Valter Busto reciclou
materiais e equipamentos da própria estação,
como dormentes de madeira, trilhos, carrinhos de transporte,
transformando-os em suporte para as peças e integrando
o acervo ao ambiente. A preocupação também
é adaptar banheiros e instalar rampas e barras de apoio
para garantir o acesso dos portadores de deficiência física.
A criação do museu é uma parceria da iniciativa
privada e do poder público. "Nas próximas
semanas deveremos estar anunciando novos parceiros para a instituição
que deverá evoluir para o Museu do Transporte", afirma
o empresário Moacir Bogo. Segundo o presidente do Instituto
150 Anos (criado para preparar as comemorações
do sesquicentenário de Joinville), Udo Döhler, o
acervo do Museu da Bicicleta deverá ser ampliado com a
contribuição da comunidade. "Em Joinville
temos muitas bicicletas e peças antigas que podem até
estar incomodando em casa. Não queremos que qualquer material
histórico se perca", alerta.
Terceirização
Cortes nas grandes empresas acabaram trazendo oportunidades de
negócios para micro e pequeno empresário.
AN_Economia |
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Joinville tornou-se nacionalmente conhecida
como Cidade das Bicicletas em 1960, quando a população
somava cerca de 120 mil habitantes e havia no município
60 mil bicicletas o equivalente a uma para cada dois moradores.
Esta característica credenciou a cidade a sediar o museu,
que será mais um importante atrativo turístico
para a região.
Largo da Alfândega recebe
mostra sobre o descobrimento
Cartazes, fotos e documentos
compõe a exposição
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis O navegador Pedro Álvares
Cabral ganha uma exposição em Florianópolis
exatamente 500 anos após ter saído de Lisboa rumo
ao novo continente. "Cabral, O Viajante do Rei - As Origens
do Brasil", abre hoje, às 9 horas, no Largo da Alfândega,
e conta a história, a expedição e a vida
do explorador português. A mostra itinerante, que também
passará por outras cidades do Estado, integra o Projeto
Memória 500 anos, que nos últimos três anos
homenageou outros personagens da história brasileira:
o poeta Castro Alves, o escritor Monteiro Lobato e o jurista
Rui Barbosa.
O projeto, idealizado pela Fundação Banco do Brasil
e pela Organização Odebrecht, será lançado
simultaneamente na cidade de Santarém, em Portugal, pelos
presidentes do Brasil e de Portugal. Além da exposição
sobre Cabral, Fernando Henrique Cardoso e Jorge Sampaio estarão
inaugurando ao meio-dia (9 horas da manhã pelo horário
de Brasília) a Casa do Brasil, anteriormente chamada de
Casa de Cabral por ter sido a última residência
do navegador.
A exposição no Brasil, que será vista pelo
público em pelo menos 300 cidades até o final do
ano, é composta de 30 kits que podem ser montados em qualquer
tipo de ambiente, interno ou externo. Para isso, é preciso
que o espaço tenha um mínimo de 140 metros quadrados
para que sejam instalados os cubos que contam a história
da vida de Cabral. Por causa da facilidade com que o material
é instalado, a idéia da Fundação
Banco do Brasil é iniciar a exposição pelas
capitais do Estado e depois levá-la para as cidades do
interior. Em Curitiba, a exposição acontecerá
no Shopping Curitiba, e em Porto Alegre, no Memorial da Câmara
de Vereadores.
O projeto inclui também a edição de um livro
sobre Cabral, implantação na Internet de uma revista
on-line (www.cabral.art.br), reforma da Casa de Cabral/Casa do
Brasil e a produção do RPG (Role Playing Game),
jogo interativo destinado a estudantes da rede pública
de ensino, onde cada pessoa participa como ator e autor da história,
inventando e recriando fatos. Os estudantes também receberão
materiais promocionais para ajudar na compreensão da mostra.
Em Florianópolis, a exposição está
sendo organizada pela Fundação Franklin Cascaes.
A viagem de Cabral até a Terra de Santa Cruz é
contada em capítulos na exposição. Também
são mostrados documentos que recriam episódios
da expedição e os primeiros contatos dos portugueses
com os indígenas no Brasil. Cabral nasceu por volta de
1468, em Belmonte, e em 1499 foi nomeado comandante da segunda
armada às Índias. No dia 9 de março, há
exatos 500 anos, a expedição de Cabral partiu do
rio Tejo, em Lisboa, com 13 embarcações, e 43 dias
depois avistou o Monte Pascoal. A partir do primeiro contato
com os povos nativos, a exposição mostra passo
a passo a adaptação ao novo continente até
a morte de Cabral, em 1520, em Santarém. É na última
casa em que o navegador morou que Fernando Henrique e Jorge Sampaio
abrem a mostra hoje, em Portugal.
Comemorações
invadem Portugal
São Paulo - Não é só no Brasil
que os 500 anos do Descobrimento estão sendo lembrados.
Ontem foi inaugurada no Palácio Nacional da Ajuda, em
Lisboa, a primeira mostra do ciclo "Brasil, Brasis: Cousas
Notáveis e Espantosas", com a presença do
presidente Fernando Henrique Cardoso. A exposição,
intitulada "A Construção do Brasil 1500-1825",
é fruto de vários anos de pesquisa e procura reconstituir
a história da maior ex-colônia portuguesa, do Descobrimento
à Independência. Em seguida, virão as exposições
"Olhares Modernistas", que poderá ser vista
a partir de 28 de abril no Museu do Chiado, e "Jardim do
Éden", que será aberta em 18 de janeiro de
2001 no Mosteiro dos Jerônimos, encerrando as comemorações.
Atrações sobre rodas
O subcompacto alemão Opel Agila é uma das atrações
do Salão de Genebra, que apresenta os mais recentes lançamentos
mundiais.
AN_Veículos |
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Segundo o historiador, essa mostra tem por
objetivo não apenas resgatar a história do Brasil
como permitir que os portugueses investiguem o próprio
passado, redescubram a própria história. "Queremos
expor a complexidade de frente, fazer com que esse momento não
seja de auto-regozijos, mas de reflexão, de rediscussão
e reflexão sobre a identidade dos portugueses", diz
Tiago Reis Miranda, que responde, com o professor Joaquim Romero
de Magalhães, pela curadoria de "A Construção
do Brasil". Assim, a análise de pouco mais de três
séculos da história de sua maior colônia
não apenas permite que os portugueses redescubram o Brasil
como mostra em que medida "esse diálogo tem ajudado
a compor nossa identidade", acrescenta.
Tesouros são descobertos
na Grécia
ATENAS - Uma espaçosa residência do século
4 a.C., com um impressionante mosaico, foi descoberta em Aegira
(Sul da Grécia) por uma equipe do Instituto Austríaco
de Arqueologia de Atenas, informou sua diretora, a professora
Veronika Leon. Até agora, foram descobertas oito amplas
residências. Em uma delas, que provavelmente serviu de
dormitório para homens, os arqueólogos puderam
reconstituir um mosaico de 6,6 m de comprimento, no qual podem
ser vistas uma pantera, uma espécie de falcão e
uma sereia que cavalga em um peixe enorme.
Formado principalmente por pedras brancas e pretas, o mosaico,
muito raro na Grécia (os únicos similares são
os da Casa dos Mosaicos da Eritréia, ao Norte de Atenas),
era duas vezes maior do que a parte que pôde ser reconstituida.
As escavações continuam. Aegira, cujo antigo nome
era Hiperisia, é uma das cidades mencionadas por Homero.
Ao apresentar os resultados de um ano de trabalho, Veronika Leon
revelou a descoberta dos primeiros contornos de um vasto teatro
em Platea. Situada em Beócia, cerca de 60 quilômetros
ao Norte de Atenas, a cidade é conhecida por ter sido
cenário da grande batalha das guerras médicas em
que os persas foram expulsos da Grécia (479 a.C.).
A partir dos restos de um pórtico, a equipe descobriu,
além do teatro, um conjunto de ruas localizadas nos vestígios
de uma muralha. Próximo ao templo de Artemis, deusa da
caça, os arqueólogos encontraram em Loussoi (Norte
de Peloponeso) um busto (de 8 centímetros de altura) de
uma mulher de cabelos compridos, entre outros objetos, do século
4 a.C.
Globo firma parceria com
campeonatos estaduais
Emissora promove competições
e divide lucros com federações e clubes
Fernando Miragaya
TV Press
A Globo vai colocar em campo um esquema tático ofensivo.
A emissora assinou parcerias com federações e clubes
para promover os campeonatos carioca e paulista de 2000, que
começam neste domingo. Mas isso não se resume à
transmissão das partidas. A Globo também vai dividir
os lucros e o retorno comercial das duas principais competições
regionais do País. Ou seja, vai bater bola com os clubes.
Agora, mais do que nunca, a emissora de Roberto Marinho vai exercer
seu poder sobre o esporte mais popular do Brasil. Os horários
das partidas, que já eram orientados pela tevê,
devem ficar totalmente submetidos. "A Globo não tem
o intuito de monopolizar o futebol. Trata-se de uma parceria
para valorizar o produto futebol e gerar uma divisão melhor",
garante Marcelo de Campos Pinto, diretor geral da Globo Esportes,
setor da Globo responsável pela comercialização
de propriedades e direitos esportivos.
Monopólio realmente não existe. Além da
Globo, que também transmite o Carioca para vários
estados do Norte e Nordeste, e Sportv - canal por assinatura
da Globosat -, a Band e a ESPN Brasil também vão
transmitir os jogos. Mas a própria tabela dos campeonatos
do Rio e de São Paulo já mostra a influência
televisiva. Dificilmente os torcedores vão se livrar de
partidas realizadas aos domingos no enfadonho horário
das 18h30, o que não parece muito compatível com
as metas de Eduardo Vianna, presidente da Federação
de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. "O objetivo é
atrair as famílias de volta aos estádios",
garante. "O que queremos é melhorar o espetáculo
futebol", faz coro Eduardo José Farah, presidente
da Federação Paulista de Futebol.
Os efeitos globais já vão ser sentidos dentro de
campo. Principalmente pela imprensa de tevê e rádio
que faz a cobertura das partidas. Repórteres atrás
do gol não serão vistos este ano. Os profissionais
de imprensa, com exceção de fotógrafos e
cinegrafistas, só poderão assistir aos jogos das
tribunas de imprensa. Entrevistas no vestiário, prática
comum após as partidas, também não vão
ser permitidas. Aos repórteres vão restar as coletivas.
Os clubes, por sua vez, se comprometem em liberar o treinador
do time e um dos jogadores a cada partida para as entrevistas.
Resta saber se a regra vai valer também para os profissionais
da Globo. "As entrevistas serão feitas de forma democrática",
jura Campos Pinto.
A emissora também vai ser responsável pela comercialização
da publicidade estática - placas e painéis dos
estádios. E mudanças nesta área vão
ocorrer. O número de anunciantes nos locais dos jogos
vai ser reduzido. A medida é resultado de um estudo que
avaliou que o grau de retorno por parte do telespectador atinge
níveis mais altos se houver, no máximo, seis cotistas
para 30 placas distribuídas pelo campo. De acordo com
a pesquisa, este modelo faz com que o público fixe durante
20 minutos por jogo cada marca. Para o campeonato carioca, Brahma,
Tam, ATL, Telemar e Petrobras já garantiram suas cotas,
enquanto em São Paulo, Itaú e Brahma já
estão confirmados - em cada Estado, as cotas vão
gerar uma receita bruta de R$ 1,5 bilhão. Estima-se que
cada clube grande vai embolsar cerca de R$ 5 milhões.
A distribuição de ingressos também vai ser
responsabilidade da emissora. No carioca, a Globo vai vender
80% dos ingressos, que serão comercializados pela emissora
através de um pavilhão montado no Rio, enquanto
no paulista, metade dos bilhetes serão comercializados
pela emissora através das bancas de jornais em São
Paulo. Nos dois Estados, os ingressos também poderão
ser adquiridos por telefone e internet (www.ingressofacil.com.br).
Mas independentemente das placas e dos ingressos, a parceria
da Globo é um investimento a longo prazo. A emissora não
assume, mas já estuda implantar o mesmo projeto em outros
campeonatos estaduais e até mesmo no Brasileirão
deste ano. "Vamos reforçar as relações
entre o Clube dos 13 e a Globo", reconhece Jaime Franco,
diretor de Marketing do Clube dos 13.
Crônica
Novos causos
Salim Miguel
Poderia continuar relatando episódios da mesma linha
dos já apresentados. O famosíssimo ocorrido com
Aurélio Buarque de Holanda, hoje mais conhecido por seu
dicionário. Ia ele para uma reunião solene na ABL,
todo paramentado, com fardão e espadim. O carro que contratara
demorava, chamou um táxi. Entrou, deu a direção,
o motorista arrancou, mas não se cansava de olhar para
trás. Afinal, não era carnaval. Sem resistir, perguntou:
"Sois rei?".
Outro ocorreu comigo. Me reservo o direito de não dar
os nomes, e como sou de uma geração avessa a algumas
palavras, amacio-as. Eu editava, lá pela década
de 50, uma coluna intitulada "O Xxx nas letras e nas artes."
Certo dia, recebo do proprietário do jornal um pedaço
de papel com o que ele dizia ser um poema. Li, engavetei. A coluna,
é bom esclarecer, era semanal. Duas ou três semanas
depois cruzo com o diretor (que era o dono), ele me pergunta:
"Leu"?. Eu: "O quê?". Ele: "O
poema". Eu: "Ah, sim!". Ele: "Quando vai
ser publicado?". Eu: "É muito ruim". Ele:
"Pouco importa. Precisa sair logo, quero transar com a mocinha
(claro que a palavra era outra), uma belezoca". Eu: "Não
na minha coluna, tens todo o jornal". Ele: "Mas num
espaço literário dá mais força".
Eu: "No meu, não". Ele: "Teu nada, todo
o jornal é meu, acabou tua coluna". Pano rápido.
Outra é de um erro de revisão e só
esse item ocuparia laudas e laudas. Em síntese dizia o
seguinte: na página tal, onde se lê morreu com um
certeiro tiro na cabeça, leia-se morreu com dois golpes
de afiada lâmina no coração.
Esta se passa no Sul, com um rico empresário, que, para
me utilizar de famosa frase de político mineiro, poderia
dizer "eu me fiz por si mesmo". O homem chegou ao sul
catarinense sem absolutamente nada; em pouco estava mais do que
rico. Resolveu ter um brinquedinho. Conseguiu um canal de TV
para a região. Certo dia chega em casa cansado, liga o
aparelho, claro que na sua emissora. Um filme ia pela metade,
viu um trechinho, gostou, não teve dúvidas, pegou
do telefone, ligou, chamou o encarregado, determinou, comece
de novo o filme do comecinho.
Se esta se passou no sul, a que segue é do oeste. Também
ali o agora mais do que próspero operário era dono
de tudo, construíra a igreja, a delegacia, a cadeia, o
fórum, a casa do juiz, a praça principal, o campo
de futebol e por aí ia. Como já era deputado e
preparava vôos mais altos, lhe disseram: consiga um canal,
não é difícil, monte uma rádio. Assim
foi feito. E toda vez que o homem pintava no pedaço, quase
toda semana, lá estava o locutor, com a voz empostada,
es-can-din-do as sílabas: "Minhas senhoras e meus
senhores, distinto público, temos, novamente, a subida
honra de ter entre nós o nosso ínclito e profícuo
homem público... Deputado, o miocrofone é seu".
Até que o ínclito não resistiu e berrou:
"A rádio também!".
Das seguintes sou testemunha. Eu trabalhava na assessoria de
imprensa do governo Celso Ramos. Percorríamos o Extremo
Oeste. As estradas eram tão precárias que havíamos
ido de avião até Pato Branco, no Paraná,
de lá em diante de carro. A primeira parada foi em Dionísio
Cerqueira. Eu viajava com o Secretário da Saúde,
homem culto, de excelente leitura e bom de papo. Em dado momento,
passamos por um distrito bem pequeno, com um enorme cemitério,
e o secretário, que era conceituado médico, não
resistiu a um típico humor negro, apontou para o cemitério
e exclamou: "Aqui devem existir muitos médicos".
A outra foi em Lages. Continuava eu na assessoria de imprensa.
Como de costume, o governador deslocara, por dois ou três
dias, o governo para a região, a fim de auscultar in loco
as comunidades. Na noite da chegada, um jantar festivo, que ninguém
é de ferro. Numa roda, falava-se do progresso, da necessidade
de estradas, de agropecuária e industrialização.
Um madeireiro diz que não tem do que reclamar, ali estão
as florestas de araucária (não era ainda o pinus
eliotti) à sua disposição, cortava e vendia
tanto por mês. Perguntei: e o senhor refloresta? O homem
me olhou com uma pontinha de suspeita, deve ter pensado "quem
é este cara?", e retrucou na bucha: "Moço,
se eu replantar vai dar tempo de eu cortar?". Não
me contive: e estas que vem cortando, foi o senhor quem plantou
ou mandou plantar? Resultado: no dia seguinte, cedo, o governador
mandou me chamar, rodeou, perguntou pelo trabalho, até
chegar ao núcleo da conversa, que eu me cuidasse, sabe
como é, os meus correligionários são sensíveis,
é necessário... e por aí. Tranqüilo,
Celso Ramos não gastava palavras em vão. Entendi
que, na verdade, indignado, o madeireiro tinha pedido minha cabeça.
Sensualidade
Sambista com os pés no chão: Viviane Araújo
ganha destaque no Carnaval e faz planos para a TV.
AN_Tevê |
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A última: eu já morava no Rio,
trabalhava na revista "Manchete". Estava em Chapecó
preparando uma reportagem. Tarde da noite, trabalho terminado,
jantávamos e conversávamos com um grupo de conhecidos,
todos presos à verve do Gervásio Batista, fotógrafo
que me acompanhava, quando a música do rádio silencia
e se ouve, nítida, empostada, a voz do locutor. Eis sua
mensagem comercial: "Distintos ouvintes, durante toda a
semana, sua distinta senhôra lhe prepara, com carinho,
os mais deliciosos quitutes. Aos domingos é mais do que
justo que ela tenha merecido repouso. Pegue sua senhôra
e vá comer no Matinho".
É isso aí. Chegado a este ponto me pergunto: continuo
a puxar causos do fundo do baú da memória ou mudo
o rumo? Suspense. Até a próxima.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
O monstro ganha
vida no palco
Polemista nato, Marilyn
Manson mostra força no ao vivo "The Last Tour on
Earth"
Rubens Herbst
Joinville - Marilyn Manson é uma cabide roqueiro ambulante.
Nele pode-se vislumbrar facetas de figuras folclóricas
como David Bowie, Alice Cooper e Glenn Benton (Deicide). O primeiro
traz a androgenia, o segundo o teatrinho de horror e o terceiro
entra com as blasfêmias anti-religião. Agora, o
vocalista incorpora outras duas personalidades à sua:
Prince - assim como o gênio de Minneapolis, Manson quer
ser reconhecido daqui por diante como um símbolo, o Ômega
- e, quem sabe, Ozzy Osbourne. Manson já avisou que vai
passar a se comunicar com a humanidade pela Internet, e que os
shows de sua banda devem rarear. Como se vê, um artista
tão pouco convencional quanto pouco original.
Se o título de seu mais recente CD, o ao vivo "The
Last Tour on Earth" (A Última Turnê na Terra),
é para ser encarado como uma despedida dos palcos, ainda
é uma incógnita. Fato é que, com mais essa
"bomba", Manson amplia o rol de mitos em torno de si,
que não é pequeno. O cantor anuncia aos quatro
ventos sua bissexualidade, que faz parte da Igreja de Satã,
coleciona próteses humanas, usa drogas (e incentiva os
outros a experimentarem) e prega a liberdade do indivíduo,
conclando seus jovens fãs a se rebelarem contra as autoridades
- leia-se pais e professores. Até seu nome artístico
- um cruzamento do da atriz hollywoodiana com o do famoso psicopata
Charles Manson - é uma afronta ao valores tradicionais.
Não é difícil imaginar como Marylin Manson
se tornou o inimigo público número um da sociedade
americana.
Desde que estourou com o disco "Antichrist Superstar",
o grupo é alvo de todo tipo de cruzada moralista que se
possa imaginar. Suas turnês acabam se tornando o palco
perfeito para protestos contra o "herege" que comando
o show - geralmente vestindo cintas-liga, usando maquiagem borrada,
mutilando-se e rasgando Bíblias em frente ao povo. A igreja,
revoltada, clama por justiça e não raro os shows
da banda no interior são cancelados. Manson agradece a
censura. Afinal, é propaganda de graça e uma bandeira
a mais para ele levantar, ao lado do satanismo, da liberdade
sexual e do uso de drogas. E a garotada, vendo nele um símbolo
da guerra contra a opressão e a caretice, cai de cabeça
na fantasia.
Ah, e tem a música, que não é nada de arrancar
os cabelos. Manson funde riffs de heavy metal, climas góticos
e gotas de eletrônica, chegando perto do que fazem grupos
da moda como Korn e Coal Chamber, mas é muito mais intenso
e bem acabado. "The Last Tour on Earth" mostra que
a banda sabe fazer um barulho dos bons, principalmente quando
sai da sombra do Bauhaus e entra na do Black Sabbath, como em
"Lunchbox". Entre um "motherfucker" e um
"goddamn", o grupo desfila os maiores sucessos de seus
quatro discos, com destaque para as incisivas "I Don't Like
the Drugs (But the Drugs Like Me)", "The Beautiful
People", "Rock is Dead" e, claro, a versão
para "Sweet Dreams", dos Eurythmics.
Apesar de toda a competência, Marilyn Manson, sinônimo
de polêmica, vai continuar chamando mais a atenção
pelo que personifica do que pela música que faz. Mas com
certeza ele não se incomoda. Seu objetivo é chocar,
e nisso é craque. A música é um acessório
a mais no rentável negócio de atrair o ódio
das pessoas.
"The Last Tour on Earth", de Marilyn Manson.
Lançamento: Universal. Onde encontrar: Rock Total Discos,
rua Henrique Meyer, 68, fone (0xx47) 422-2788. Preço:
R$ 23,90.
Outros lançamentos
"Fantasia 2000" - À esta altura, qualquer
mortal minimamente interessado por cinema já sabe que
a Disney prepara uma versão para "Fantasia",
um dos mais belos e revolucionários desenhos animados
da produtora, lançado em 1940. Junto com ela vem esta
trilha sonora, na qual o maestro James Levine conduz a Orquestra
Sinfônica de Chicago por novos arranjos para composições
clássicas de Beethoven, Gershwin, Stravinsky, Respighi,
entre outros. Dos climas grandiosos a seqüências tipicamente
circenses, é um CD que se sustenta independentemente das
imagens - mas que fica melhor se acompanhado das estripulias
de um certo ratinho aprendiz de feiticeiro (Sony). (RH)
"Cosmopoly" (Andreas Vollenweider) - Com
mais de 20 anos de estrada e vários prêmios nas
costas, este músico suíço ainda é
pouco conhecido no Brasil. "Cosmopoly", seu novo álbum,
é uma boa chance para consertar esse erro, já que
o CD dá uma mostra do ecletismo com que Vollenweider conduz
sua carreira no terreno da música instrumental. As participações
especiais deixam isso claro: há os americanos Bobby McFerrin
e Carly Simon, o pianista africano Abdullah Ibrahim, o espanhol
Carlos Nuñez, o armênio Djivan Gasparyan e até
o nosso Milton Nascimento. Entre incursões pelo jazz,
o pop, o erudito e o popular, Andreas demonstra habilidade incomum
para criar belas melodias com as cordas da harpa, instrumento
que o tornou famoso (Sony). (RH)
"Ultra-obscene" (Breakbeat Era) - Roni Size
não só é um dos responsáveis pelo
surgimento do drum'n'bass na Inglaterra como também permanece
como um de seus nomes mais representativos. Ao formar o trio
Breakbeat Era, Size inova outra vez: mantém as batidas
quebradas e hipnóticas do gênero, mas dessa vez
o ritmo está a serviço da melodia. Ao seu lado
está o DJ Die e a cantora e compositora Lennie Laws, que
dá, literalmente, voz a um estilo que até hoje
era dominado por DJs escondidos atrás de toneladas de
equipamentos. Graças a ela, é possível ouvir
o disco de estréia do trio longe das pistas de dança,
e não seria surpresa se músicas como "Bullitproof"
e "Time 4 Breaks" fossem, de repente, descobertas pelas
rádios (Roadrunner). (RH)
Som defasado feito por
"galera esperta" de Goiânia
GLEBER PIENIZ
Joinville - Eles estouraram nas rádios e nas festas
de Goiânia há pouco mais de um ano, graças
ao sucesso imediato de "Sexta-feira", single independente
que, depois de alardeado em São Paulo, ganhou respaldo
de uma grande gravadora e, já prensado em CD, entrou para
a trilha sonora da novela "Tiro e Queda", da Record.
A trajetória da Laia Vunje repete muitas das histórias
vividas por bandas novatas que alcançaram o estrelato
em meados dos anos 80, época da grande explosão
do rock no Brasil, quando mesmo artistas em início de
carreira poderiam despertar a atenção do público.
Mas não é só o rápido reconhecimento
do quarteto goiano o único ponto em comum com muitas das
bandas surgidas naquela década: infelizmente, a Laia Vunje
parece resgatar apenas os elementos mais detestáveis praticados
pelos pioneiros do rock brazuca, detalhes que há mais
de dez anos poderiam ser creditados à inocência
mas que, às portas do terceiro milênio, não
podem mais ser perdoados.
"O Resto Fica pra Depois", seu disco de estréia
(Abril Music), é obra composta por partes iguais de pop
rock, funk e disco, além de um ou outro clima romântico
contrabalançado por passagens onde a guitarra pesa e até
confere certo ar sombrio à música. Eqüidade
nas doses de diferentes sonoridades, no entanto, não salva
um trabalho que, justamente por misturar tantas referências,
acaba soando despersonalizado. Evocar Kool & The Gang (em
"Sal"), U2 (a batida marcial de "(In)Confidências"
e a guitarra de "Tudo ou Nada") e mesmo sua principal
influência, Jota Quest (em "Eu e Você"),
não ajuda em nada na construção de uma identidade
própria. O baixista André Afonnso e o baterista
Robson Caffé (dividido entre tambores e programações)
têm atuação correta, embora uniforme, por
todo o disco. Luís Maldonalle, o guitarrista, mostra talento
e competência quando o assunto é distorção,
mas não ultrapassa a linha do óbvio quando as músicas
exigem balanço e intimidade com o wah-wah, um pecado para
uma banda que pretende ser versátil.
Recai sobre Fábio Pertence - um bom vocalista - a culpa
maior sobre a precariedade do trabalho da Laia Vunje. Suas letras
são pretensiosas demais e não garantem sequer um
bom refrão. Em "Esqueça", as rimas pobres
se limitam a amealhar verbos da 1ª conjugação
e, em "Insônia", mostram que o escriba ainda
não resolveu dilemas que a turma dos anos 80 já
enfrentava. Se a falta de profundidade é o problema, a
banda poderia voltar um pouco mais sua atenção
para os livros e usá-los não só como inspiração
para o nome que usam, mas também como fonte de informação:
Laia Vunje, traduzido do portugês erudito, quer dizer "galera
esperta".
Exposição em Paris
lembra Lasar Segall
PARIS - Lasar Segall (1891-1957), judeu lituano por nascimento
e brasileiro por opção, é o homenageado
em uma grande retrospectiva que pode ser vista até 14
de maio no Museu de Arte e História do Judaísmo,
em Paris. Uma primeira retrospectiva foi consagrada ao artista
no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1959, dois anos depois
de sua morte, mas, desde então, na França são
raras as oportunidades para se descobrir a obra de Segall, que
em São Paulo possui um museu inteiramente dedicado a ele.
Sob o título "Novos Mundos", a exposição
apresenta mais de 200 obras pertencentes ao museu e a coleções
particulares. Este conjunto testemunha as mutaçõe
do artista, formado nas vanguardas alemães e convertido
a um novo enfoque do primitivismo e do exotismo.
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