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ANotícia
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Homem ao
mar das paixões
Há 13 anos
no Brasil, arquiteto italiano traz à memória do
País uma história de conquistas
GLEBER PIENIZ
No
dia 25 de fevereiro, à margem da BR 101, em Araquari,
foi aberto o Memorial do Descobrimento do Brasil, um parque temático
cuja maior atração é a réplica perfeita
da nau Espera, comandada por Nicolau Coelho na expedição
que trouxe Cabral à então chamada Ilha de Vera
Cruz. Na cerimônia de inauguração, o arquiteto
responsável pela construção da embarcação
disse que duas paixões sempre conduziram sua existência:
a história e a navegação a vela. No Brasil,
57 anos depois de ter nascido, o italiano Franco Imbrianti fez
de Santa Catarina a testemunha do tributo que paga a estas paixões.
"Este é o primeiro passo de um resgate completo da
história do Brasil que eu pretendo fazer", assegura.
Imbrianti estudou arquitetura três anos na Sorbonne, antes
de ser laureado em Milão, em 1970. Quando esteve na França,
foi colega de um dos jovens herdeiros da família Renault,
empresário que o convidou para projetar uma das fábrica
de automóveis da empresa na Iugoslávia, perto de
Lubyanka. Foi nessa época que as duas paixões se
encontraram: instrutor de vela oceânica na Itália
desde muito cedo, o arquiteto teve como moradia um castelo onde,
nas horas vagas e sem nenhuma outra alternativa de lazer, lançou-se
aos livros. "Passei a estudar história durante várias
horas do dia", revela.
O primeiro contato com os projetos de Espera aconteceu em Salamanca,
na primavera de 1976, quando Imbrianti pôs as mãos
nas especificações gerais da nau e nas suas linhas
d'água, documentos que escaparam do incêndio que
dizimou os arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, porque haviam
sido emprestados a estaleiros. "Ainda não sabia direito
o que era, mas foi uma paixão que, na época, eu
coloquei na gaveta", lembra o arquiteto. As minúcias
que enriquecem e tornam a réplica montada à margem
da BR 101 ainda mais atrativa não estavam descritas nas
plantas encontradas por Imbrianti na Espanha, mas são
detalhes comuns a todas as naus construídas em Portugal
na mesma época, retirados dos livros de engenharia naval
e mesmo de projetos mais completos.
TECNOLOGIA
O italiano aportou no Brasil em 1986
apenas para visitar uma tia que morava em Garibaldi, no Rio Grande
do Sul. Convites para trabalhos em Bento Gonçalves seguiram-se
à sua chegada e, num destes compromissos, conheceu os
irmãos Molon, proprietários do posto Sinuelo, a
quem apresentou os projetos de construção da nau,
que imediatamente foram aceitos. As obras iniciaram em setembro
do ano passado, um mês depois de o arquiteto ter chegado
a Santa Catarina.
Para projeto pouco ortodoxo, Imbrianti teve a sorte de encontrar,
em Barra do Sul, artesãos que, além de confeccionar
cantos e voltas na madeira com esmero, também vergassem
os cortes de ipê champanha usando o vapor, reproduzindo
a mesma técnica utilizada pelos construtores europeus
no início da era moderna. "Em Navegantes, há
pessoas que fabricam escunas sem projeto nenhum, com base apenas
na metodologia herdada dos portugueses", revela o arquiteto.
"Para elas, eu tiro o meu chapéu". Composta
de oito operários, a equipe do italiano terminou as obras
da nau em 110 dias. "Para mim, o desafio foi apenas o de
transmitir para as pessoas a forma como se construía navios
em 1500. Por conta da prática que eles tinham, não
houve problema nenhum", explica o arquiteto, lembrando de
um tempo em que trabalhou na África com uma equipe de
muçulmanos que inutilizou várias betoneiras devido
às pausas diárias para oração exigidas
pelo Corão.
Homem com uma espiritualidade muito grande, Imbrianti acredita
que o grande motor das realizações humanas são
as paixões: "Se você deixa de amar qualquer
coisa - um sonho, uma mulher, o que seja - por um dia sequer,
está perdido". A esposa, neste aspecto, tornou-se
também uma aliada do arquiteto na realização
do sonho de construir uma réplica da embarcação
portuguesa, figura que tem acompanhado todos os passos do italiano
no Brasil. No segundo dia em terras brasileiras, Imbrianti conheceu
a artista plástica gaúcha Beatriz Carletto, com
quem logo casou e fixou residência em Bento Gonçalves.
A companheira esteve presente em todos os passos da construção
de Espera, criando, inclusive, desenhos e texturas que foram
aplicadas à nau.
ALHOS E CEBOLAS
"A guerra entre a França
e a Inglaterra, então as duas grandes potências
navais do planeta, liberou Espanha e Portugal para fazer o que
quisessem no mar", explica o pesquisador. Na época
dos descobrimentos, todos os bons marujos da Europa estavam a
serviço dos dois países em guerra, restando aos
impérios da Península Ibérica a única
alternativa de arregimentar homens do campo, da cidade e das
cadeias para singrar os oceanos em naus e caravelas. "As
cebolas e alhos são testemunho real da que as tripulações
não sabiam marear", diz o arquiteto, justificando
a presença destes vegetais em locais bem visíveis
da embarcação para que substituíssem, para
compreensão dos marinheiros de primeira viagem, as noções
de bombordo e estibordo pela de "lado das cebolas"
e "lado dos alhos".
Outra peculiaridade das embarcações lusitanas,
explica o arquiteto, era a proibição categórica
de que seus tripulantes satisfizessem as necessidades fisiológicas
a bordo: para isso, havia uma corda que descia pela amurada até
próximo à linha do mar, por onde o marujo havia
de descer se quisesse evacuar. A aqueles que descumpriam a determinação
(por conta da desinteria, das infecções intestinais
e mesmo da preguiça) era aplicado o exemplar castigo chamado
"giro de quilha": o desobediente tinha os pulsos e
os tornozelos amarrados a uma corda e, desta forma, era puxado
de um lado a outro do navio em movimento, dando a volta submerso
sob o casco.
Terceirização
Cortes nas grandes empresas acabaram trazendo oportunidades de
negócios para micro e pequeno empresário.
AN_Economia |
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Espera, a nau de Nicolau Coelho, ia à
frente da frota de Cabral na expedição do descobrimento
do Brasil e tinha capacidade para 182 tonéis. Lançava-se
ao mar com uma lotação mínima de 65 homens,
mas os navegadores da época sempre levavam 20 marujos
a mais para compensar a mortalidade que, condicionada à
falta de higiene, à precariedade da alimentação
e às condições de conservação
da água, vitimava uma parte significativa da tripulação.
O número de pessoas a bordo invariavelmente chegava a
100 se contabilizados os chamados "hóspedes":
padres, estudiosos e fiscais.
A ponte de comando, na popa, era o único ponto da nau
em que se encontrava um pouco de conforto, resumindo-se a uma
mesa, um pequeno colchão à guisa de cama e poucos
assentos. A ela, só era permitido o acesso aos artesãos,
contramestres e oficiais a bordo. Todo o resto da tripulação
acomodava-se como podia sobre o convés e os jardins de
popa e proa, já que nem ao porão - depósito
de comida guardado pelo contramestre - podia descer. Todas as
decisões sobre os rumos e as prioridades da viagem, no
entanto, eram negociadas entre os oficiais e a tripulação.
"A nau é uma embarcação que dava lucros
e lançava-se apenas em rotas seguras, enquanto a caravela,
mais leve e rápida, era usada nas viagens de exploração",
explica Imbrianti, para quem o descobrimento do Brasil teve,
sem sombra de dúvida, um caráter intencional: "Os
portugueses sabiam da existência do Brasil. A viagem de
Cabral foi uma das expedições mais bem planejadas
da época e tinha rumo certo".
SEM PERIGOS
Nascido em 1943, sob as bombas que atingiam Cremona, Imbrianti
preferiu excluir da réplica qualquer peça ou mecanismo
que pudesse oferecer perigo aos seus visitantes, já que
a nau tem finalidade educativa. Por este motivo, a Espera montada
em Santa Catarina não possui as escadas de cordas que
levam ao cesto da gávea, nem os dois canhões que
originalmente acompanhariam as quatro bombardas usadas, na época
de Cabral, para disparos de intimidação. "Tenho
muitos sonhos que precisam se transformar em projetos",
diz o arquiteto, que permanece em Santa Catarina até,
no máximo, dois meses. Um destes projetos é o de
treinar guias que o sucederão na recepção
aos visitantes da réplica da nau; o outro é resgatar,
"de alguma forma", o galeão do navegador Sebastião
Caboto há séculos afundado na costa de Florianópolis.
Músicas erudita e popular
se encontram na Cultura
Hermeto Pascoal e Orquestra
de Veneza são tema de especiais
São Paulo - O erudito e o popular ganham espaço
privilegiado hoje, na tela da TV Cultura. Às 22h30, a
emissora mostra o concerto, gravado na Catedral da Praça
da Sé, em São Paulo, com a Orquestra Sinfônica
Nacional Infantil da Venezuela, dentro do programa "Clássicos
da Cultura". A orquestra veio ao Brasil em 1997 para apresentar-se
no estádio do Maracanã, durante a última
visita do papa João Paulo 2º ao País, e em
mais quatro Estados brasileiros. O programa traz ainda depoimentos
dos integrantes da orquestra, do maestro Gustavo Medina, do diretor
e fundador José Antônio de Abreu, entre outros.
O repertório da Orquestra Sinfônica Nacional Infantil
da Venezuela no especial inclui "Canção de
Toreador" (G. Bizet), Danzas del Ballet "Estancia"
e Danza Final Malambo (Ginastera), Marcha Eslava e Abertura
1812 (P. I. Tchaikowsky).
O Projeto Venezuela, como é chamado o programa que envolve
a orquestra, tem como objetivo a recuperação de
crianças de rua ou com problemas familiares através
da música. Não há discriminação
de classe social, mas a preferência é dada às
crianças que vivem na marginalidade. O projeto tem apoio
da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da
Unesco, e já recebeu prêmios como o Gabriel Mistral,
dado pela OEA.
O projeto existe há mais de 20 anos e auxilia jovens e
crianças de todas as partes da Venezuela através
de orquestras estatais e regionais, juvenis e infantis, conservatórios,
centros educacionais e ensino de lutheria (a arte de construir
instrumentos). A orquestra principal conta com mais de 100 garotos,
entre eles alguns menores de seis anos de idade.
Técnica apurada
Numa mistura de música étnica, new age e free
jazz, a cantora Sainkho mostra como se faz dois sons com a boca
ao mesmo tempo. E o multiinstrumentalista Hermeto Pascoal mostra
toda a sua técnica com os mais variados instrumentos.
Eles são destaques de "Todos os cantos do Mundo",
gravado com exclusividade pela TV Cultura no Sesc Pompéia.
O programa, inédito, vai ao ar à meia-noite. O
evento é uma realização do Sesc São
Paulo e vai ao ar na Rede Cultura em 12 episódios de uma
hora. Sempre haverá um clipe de apresentação
sobre as atrações.
Mediante uma misteriosa e difícil articulação
de boca, laringe e língua, Sainkho Namtchilak é
mestre no throat sing style, antigo canto asiático que
permite a reprodução de dois sons simultaneamente.
Sua voz é caracterizada por essa dualidade, que evoca
a tradição xamânica e budista de forma arcaica,
religiosa e esotérica. Ela nasceu num pequeno vilarejo
de Tuva, sul da Sibéria. Cursou a faculdade de música,
mas foi-lhe negado o diploma profissional pelo Comitê Filarmônico.
Em Moscou, conseguiu terminar os estudos no Gnesinsky Institute.
Estudou as mais variadas técnicas vocais e os cantos tradicionais.
Iniciou sua carreira e viajou em turnê pela Europa, Austrália,
Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá.
Atrações sobre rodas
O subcompacto alemão Opel Agila é uma das atrações
do Salão de Genebra, que apresenta os mais recentes lançamentos
mundiais.
AN_Veículos |
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"Hermeto não tem jeito para música",
disse certa vez, com convicção, um diretor da Rádio
Tamandaré, de Recife, em 1950. Ele abandonou a emissora,
mas não a música. Nascido em Arapiraca, Alagoas,
o mestre da sanfona dedicou-se também a outros instrumentos,
do piano ao saxofone, passando pela flauta. Tornou-se compositor
e arranjador e é reconhecido internacionalmente como um
revolucionário, um artista que enriqueceu a música.
No Brasil, deixou sua marca nos grandes acontecimentos musicais,
dos festivais da Record ao 1º Festival de Jazz de São
Paulo. No exterior, além de trabalhos com Miles Davis,
teve presença marcante em festivais da Suíça,
Alemanha, França, Dinamarca, Áustria e Japão.
Festival ganha linhas especiais
Mais ônibus
facilitam acesso a espetáculos e eventos
Curitiba - Linhas especiais de ônibus, da Cidade de
Curitiba, estarão facilitando, a partir do próximo
dia 16, o acesso do público a locais onde estarão
sendo apresentados espetáculos ou eventos que compõem
a programação geral do Festival de Teatro de Curitiba.
A linha Jardineira que percorre 22 pontos turísticos da
cidade poderá ser aproveitada para se chegar até
alguns locais de apresentação de peças.
Por apenas R$ 6,00 o passageiro visitará locais históricos,
como o Jardim Botânico, Ópera de Arame e Rua 24
horas, e ainda aproveitará a viagem para se deslocar até
lugares onde as companhias e artistas estarão se apresentando.
Uma das peças que poderá ser vista por este sistema
é "A Menina que Subiu a Montanha e Nunca Mais Desceu
de Lá", do diretor mineiro Pedro Marcos de Oliveira,
encenada de 24 a 26 de março, às 15 horas, no Bosque
Alemão. Entre os destaques deste ponto turístico
estão a trilha de João e Maria, dos contos dos
irmãos Grimm, e a Torre dos Filósofos, com uma
bela vista de Curitiba.
Quem utilizar a Jardineira também poderá, passando
pela Praça Tiradentes, nos dias 25 e 26, às 16
horas, assistir à peça "Esperando o Lima",
que conta a história de dois palhaços que viajam
o mundo de bicicleta para apresentar o show do trio Pirathiny.
O atraso do terceiro integrante, o Lima, faz a peça acontecer.
As jardineiras circulam a cada 30 minutos e percorrem uma distância
aproximada de 40 quilômetros em cerca de duas horas. Em
cada ponto há uma breve parada para embarque e desembarque
de passageiros. A cartela com quatro tiquetes dá direito
a embarque e três reembarques.
O festival terá ainda uma linha de ônibus especial
que faz parte do projeto "Viaje Curitiba". O serviço
funcionará de 17 a 26 de março, com saída
da praça Tiradentes, no centro da cidade, até o
Canal da Música, ponto de referência do festival
onde acontecerão 16 oficinas, feira, debates, lançamentos
de livros e exposições. Os ônibus circularão
a cada 60 minutos, a partir das 8h30 e até às 19h30.
A passagem custa R$ 1,00. Os ingressos para o festival podem
ser adquiridos no Shopping Mueller de Curitiba ou pelo site www.schultz.com.br.
Fábio Barreto participa
de
debate em Florianópolis
Florianópolis - O cineasta Fábio Barreto participa
hoje à noite, a partir das 20 horas, do debate "Deus
e o Diabo na Terra do Cinema Brasileiro". O encontro acontece
na sala multimídia do Museu da Imagem e do Som (MIS),
promotor do evento que pretende discutir a situação
atual da produção da indústrua cinematográfica
nacional. A direção do MIS espera a participação
de gente ligada ao cinema no Estado e estudantes de cursos nessa
área.
Barreto, diretor de "O Quatrilho" - filme estrelado
por Glória Pires e Patricia Pillar que concorreu ao Oscar
de melhor filme estrangeiro, em 1997 -, aproveita sua vinda a
Florianópolis para divulgar também o curso de interpretação
para cinema e televisão que ministra a partir do próximo
final de semana na cidade. O curso vai acontecer durante quatro
finais de semana e servirá para Barreto escolher atores
para seu próximo longa-metragem, "Jacobina",
filme que ele deve começar a rodar em Santa Catarina no
primeiro semestre deste ano. As aulas serão ministradas
no MIS, avenida Irineu Bornhausen, 5.600, anexo ao Centro Intergrado
de Cultura (CIC). Informações no Estúdio
de Atores, fone (0 xx 48) 222-2010.
Fábio é membro de uma das mais tradicionais e influentes
famílias atuantes no cinema brasileiro. É irmão
mais novo de Bruno Barreto, diretor de clássicos do cinema
brasileiro, como "Amor Bandido", "O Beijo no Asfalto",
"A Estrela Sobe", "Gabriela", "Dona
Flor e Seus Dois Maridos" e "O Que é Isso, Companheiro?",
que fez o Brasil concorrer pela terceira vez ao Oscar, em 1998,
e filho do produtor Luis Carlos Barreto.
Cobertura carnavalesca
foi show de descompasso
Apresentadores de Globo
e Bandeirantes se excedem e cometem festival de gafes
Rodrigo Teixeira
TV Press
O Sambódromo, no Rio, e o circuito Barra-Ondina, em
Salvador, serviram de palco para Globo e Band mostrarem falta
de harmonia entre os integrantes de suas equipes no Carnaval
deste ano. Na emissora de Roberto Marinho, o problema começou
pela escalação. A dupla Glória Maria e Pedro
Bial não conseguiu emplacar como porta-bandeira e mestre-sala
globais. Os apresentadores do "Fantástico" estrearam
na avenida sem concorrentes, já que a Globo tinha exclusividade
no desfile no Rio este ano, e mesmo assim saíram inúmeras
vezes da cadência do samba.
Após um domingo sonolento, Bial deu mais vivacidade a
seus comentários na segunda. Na apuração,
talvez já alvo de críticas internas na emissora,
se conteve ainda mais na sua esperteza e erudição
explícitas. De qualquer forma, nem de longe se equiparou
à performance que Fernando Vanucci tinha no Carnaval carioca,
ou mesmo à que teve este ano no Carnaval da Band.
Na verdade, o ex-global Vanucci tirou leite de pedra. Isto porque
o Carnaval de Salvador pode até ser bom para o folião
que participa in loco da festa, mas dificilmente funciona como
espetáculo televisivo. Ao contrário do Desfile
no Rio, onde imagem e som podem até dispensar comentários,
em Salvador há problemas de iluminação e
enquadramento, tanto pelas luzes dos trios, que estouram as imagens
e dificultam a definição, quanto pelos ângulos
de visão que não ajudam. Ver a massa parada embaixo
dos trios, só os cantores na ponta dos carros ou aquele
punhado de gente espremida nos camarotes baianos não chega
a ser atraente. Por isso, ficou evidente que Vanucci tentava
enrolar o espectador fazendo piadinhas, imitando o sotaque baiano
e elogiando as belezas da terra do acarajé.
Mas a Band até tinha motivos para "embromar".
Não era o caso da Globo. Nem por isso, Glória Maria
poupou o comentário dispensável "está
maravilhoso o desfile". A exaltação da apresentadora
não foi só com o desfile, mas também com
os percalços enfrentados pelas escolas, como quando o
carro alegórico da Mangueira quebrou: "a Mangueira
homenageia os negros e, como um negro, saberá superar
as dificuldades".
Glória, no entanto, não superou sua primeira narração
de desfile tão bem assim. Ela repetiu a velha fórmula
de fazer uma afirmação e querer a confirmação
de Haroldo Barbosa e Ricardo Cravo Albim, que falaram pouco na
cobertura global. Já Pedro Bial oscilou momentos de alegria
gratuita e melancolia profunda. O tom de sua voz ia das alturas
dissonantes aos sussurros galanteadores. Admirador de poesias,
Bial chegou a soltar a pérola "no bumbum do carro",
referindo-se à parte traseira do carro alegórico.
Sensualidade
Sambista com os pés no chão: Viviane Araújo
ganha destaque no Carnaval e faz planos para a TV.
AN_Tevê |
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A Band também caiu em elogios fáceis.
Astrid Fontenelle, que já declarou que não gosta
de pagode, saracoteou junto com Tiazinha no trio do Terra Samba.
Sem o menor constrangimento, também entrevistava os artistas
nos camarotes sempre se derretendo em elogios. Já Otaviano
Costa parecia narrar partidas de futebol e fazia perguntas medíocres
como "é a primeira vez que você vem à
Bahia?". Mas quem perdeu a postura foi Vanucci, que fazia
aniversário e agradecia a todos os "alôs"
dos cantores. Dono do trio "Alô Você",
que tem o Araketu como atração, o apresentador
só faltou dar o número de telefone para contratar
shows.
A equipe da Globo em São Paulo também não
deixou de cometer gafes, apesar do repórter Márcio
Canuto ter dado um show de originalidade ao se fantasiar de personalidades
históricas. A dupla Cléber Machado e Mariana Godoy
também foi bem. Cléber mostrou uma voz superior
à do oscilante Bial e a jornalista se concentrou em dar
informações relevantes dos enredos das escolas
paulistas. A bola fora foi a Globo colocar César Trali
e Priscila Brandão como repórteres. O ex-correspondente
de Londres, constrangido, não sabia nem os nomes das personalidades.
Já a jornalista fazia pedidos impossíveis, como
refazer a parada da bateria após o desfile.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Frank Darabont
exagera na caminhada
O drama "À
Espera de um Milagre" tem qualidades, mas não sustenta
três horas de duração
Lola Aronovich
Especial para o Anexo
Joinville - "À Espera de um Milagre", em
cartaz no Estado, começa com um velhinho narrando seu
passado, o que continua pelas próximas três horas.
Ou seja, mais "Titanic", impossível. Em tudo
nota-se que é uma superprodução convencional:
música a preencher os silêncios, fotografia, roteiro
e direção sem nenhum ângulo inovador. O pessoal
acostumado ao cinemão não vai se decepcionar.
O bom moço por excelência Tom Hanks faz um encarregado
pelas execuções no corredor da morte, lá
pelos anos 30. Ele cuida de uma cadeia com mais guardas que prisioneiros
(dá pra ver que o índice de criminalidade aumentou
barbaridades desde então). Seu maior problema é
um guarda sádico e covarde com costas quentes. Chega um
grandalhão acusado de assassinar duas garotinhas, mas
basta olhar pra ele para concluir que ele é inocente.
Ainda por cima, este gigante tem o dom de curar doenças.
Há também um ratinho que meio que se transforma
no mascote da prisão.
Não quero que minha verve sarcástica contagie esta
resenha. Eu gostei do filme. Chorei baldes, principalmente nas
cenas envolvendo o camundongo. Só que "À Espera
de um Milagre" deveria ser encurtado. Existem cenas absolutamente
dispensáveis. Por exemplo, precisamos mesmo que um dos
prisioneiros diga ao guardinha de Tom Hanks "você
é bom"? Claro que não, o Tom é sempre
bom. Também poderíamos sobreviver sem que um outro
diga de um bandidão: "ele é mau". A bandeira
não é necessária pra que o espectador perceba
o maniqueísmo desde os primeiros momentos. Não
é suficiente que sejamos manipulados, temos ainda que
receber tudo mastigadinho.
A seqüência inteira em que Tom visita o ex-advogado
do gigante cai na mesma linha do descartável. Parece que
só foi colocada lá para marcar o reencontro entre
Tom e Gary Sinise, parceiros naquela aberração
que é "Forrest Gump". A opinião do advogado
não acrescenta nada. Faz tempo que sacamos que o grandalhão
é a inocência em forma de gente, um homem iluminado,
um enviado dos céus.
Todo filme sobre a pena de morte é contra a pena de morte.
Não dá pra mostrar algo tão grotesco e legitimá-lo.
Hollywood, porém, é pura hipocrisia. Poucas indústrias
defendem tanto a pena máxima como esta do entretenimento.
Quantos filmes você já viu onde o vilão,
depois de aprontar mil e uma, vai para a prisão pagar
seus pecados? (Lembre-se que os prisioneiros nas produções
de cadeia geralmente não são culpados, são
heróis). Prisão é anticlimático,
e funciona apenas como castigo a longo prazo. Logo, pra nossa
catarse coletiva, o bandido sempre morre de maneira hedionda.
E nada de morrer uma ou duas vezes, não. Queremos sangue.
Às vezes ocorre assim: vilão leva vários
tiros, vira picadinho, explode, cai de um prédio de vinte
andares, é atropelado por um caminhão lá
embaixo. Quando o mocinho passa por perto, o bandido dá
seu último suspiro e ataca o herói, que só
então o mata em definitivo. Estamos vingados!
Em "À Espera de um Milagre" há dois vilões,
e ambos são exemplarmente punidos. Parece que a pena de
morte é errada por ser aplicada por um governo, mas nada
contra fazer justiça com as próprias mãos.
O gigante, muito bem interpretado por Michael Clarke Duncan (indicado
ao Oscar de coadjuvante - ele é a alma do filme), é
um pouco o retardado de "Ratos e Homens", um pouco
Frankenstein. Coitado do Michael! Este é seu primeiro
papel, e pode-se dizer, o último. Tem uma anedota que
conta que o tubarão e o dinossauro de Spielberg reclamam
por não poderem fazer Shakespeare, por estarem condenados
a um único papel. Com Michael acontece o mesmo. Há
mais personagens disponíveis para o ratinho do filme (vide
"Stuart Little", "O Colecionador de Ossos")
que para um grandalhão que, além de tudo, é
negro.
A cena do prisioneiro assistindo a "O Picolino" antes
da execução remete automaticamente àquela
dos homens vendo "Gilda" em "Um Sonho de Liberdade".
Este outro drama de prisão é um dos clássicos
da trágica década de 90. Também foi dirigido
por Frank Darabont, também baseado em Stephen King. "À
Espera de um Milagre" é legal, mas prova como é
difícil um raio cair duas vezes no mesmo lugar. Tomara
que Darabont se liberte para tocar outros projetos. Milagre por
milagre, o único de 99 até agora foi "Beleza
Americana".
Lola Aronovich é professora de inglês
e cinéfila/lola@netkey.com.br
Altman diverte com "A
Fortuna de Cookie", já em vídeo
Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado
Muita gente se decepcionou com "A Fortuna de Cookie",
o mais recente Robert Altman a baixar por aqui. Certo, não
chega aos pés de "Nashville", "Short Cuts"
ou "O Jogador". Mas, também, ninguém
é obrigado a apresentar uma obra-prima por ano, não
é? Ainda mais quando produz como Altman, que parece descansar
quando está trabalhando. O lançamento de "Cookie"
(Top Tape) em vídeo é boa chance para uma reavaliação
de um filme que, se não é grande, pelo menos parece
bem divertido.
Sem se contar que, ao lado da diversão, traz o olhar de
Altman, sempre ácido e agudo, sobre os costumes do seu
país. No caso, o sul. A pequena cidade sulista, onde cada
um tem seus segredos e cada qual conhece os defeitos do próximo,
já que, por definição, ninguém conhece
perfeitamente os seus próprios. A veterana Patricia Neal
faz a Cookie do título, velhinha que certo dia aparece
morta. Ninguém sabe ao certo se se suicidou ou foi assassinada.
E há os parentes que desejam deixar o caso na sombra,
para se apoderar da herança da falecida.
Glenn Close monta sua vilã em tom de caricatura. A bela
Liv Tyler aparece como a sobrinha desleixada, algo masculinizada
(se isso fosse possível), o rosto perfeito sujo de graxa.
Tudo no fundo é apenas comédia. Uma história
simples, que não se estraga pelo fim previsível.
Mesmo porque, nesse caso em particular, o desfecho é que
menos importa. Altman preocupa-se mais em compor cada personagem.
Coloca a câmera sobre cada um deles, segue-o, examina-o.
Tem uma arma de análise, que se não é infalível,
pelo menos parece eficiente: sua humanidade. Simpatiza com os
tipos que coloca na tela. Mesmo com uma vilã como a criada
por Glenn Close, responsável no fundo por todos os distúrbios
da cidadezinha. Mas que não é tão má
pessoa assim. Apenas terrivelmente confusa.
"A Fortuna de Cookie" é aquele tipo de filme
despretensioso, feito para divertir, mas trai a sua origem. Nenhum
trabalho de Altman pertence inteiramente ao gênero descartável.
Mesmo nesse, com toda a sua humildade, vê-se uma maneira
original de enxergar uma comunidade pequena. Há nelas,
e o arguto Altman sabe disso, aqueles famosos segredos de Polichinelo,
ou seja, que todo mundo conhece, mas ninguém fala a respeito.
Essas verdades tabus, de certa forma, dão consistência
à comunidade.
Embora seja uma consistência retrógrada porque se
refere a algum tipo de culpa coletiva. Cabe a um olhar esperto
desvendar esse mistério, cuja solução todos
os participantes conhecem. Em benefício do prazer do espectador.
Marisa Orth e a
Banda Vexame se reúnem
São Paulo - A atriz Marisa Orth e a Banda Vexame prometem
mais uma vez arrancar lágrimas e risos da platéia,
com seu repertório de pérolas da música
brega brasileira, no espetáculo "Jardim das Delícias",
que estréia hoje em São Paulo. Longe dos palcos
há três anos, a banda volta trazendo novidades como
a participação do premiado Gringo Cardia, responsável
pela direção e cenografia. Porém tal sofisticação
não deve preocupar os fãs da apresentadora Maralu
Menezes. "Ela continua politicamente incorreta, grossa e
muito engraçada", garante Marisa. Fernando Salém,
um dos fundadores da Vexame, nascida em 1989, mais uma vez é
o responsável pelos arranjos e direção musical.
Crônica
Carnaval, bundas, peitos, etc.
Olsen Jr.
O Carnaval é uma estação de lazer que
para mim não existe. Mas como ignorá-lo? Todos
os jornais falam, nesta época do ano, das beldades que
atendendo a um chamado de mil demônios, revelam todos os
seus talentos dançando e tirando a roupa. Não só
falam como mostram. Acredito, no fundo, somos todos sadomasoquistas,
que o diga a televisão, ao vivo e em cores. A mesmice
sempre culmina ganhando as primeiras páginas. Nesta época
de "vale-tudo" para ganhar os 15 minutos famosos preconizados
por Andy Warhol, busco pôr a minha leitura em dia. Estou
com uma biografia de Freud, do Peter Gay, presente da minha filha
em meu último aniversário (junho do ano passado)
e uma do Camus, presente de um Natal de 98, de alguém
que já amei, mas como afirma o poeta, muitos relacionamentos
se acertam pela ruptura e não pela reconciliação.
Quando certas verdades se tornam evidentes, é necessária
muita presença de espírito para não perder
o bom humor. O que de fato vale a pena, o tempo se encarrega
de revelar. Um belo livro "Geografia Cultural", do
Paul Claval; um livro de poemas do Goethe, a "Trilogia da
Paixão"; uma seleção com as melhores
"Entrevistas da Revista Playboy", da LP&M; seis
revistas publicadas em formato de livro "Livro de Cabeceira
da Mulher", da década de sessenta, pela Civilização
Brasileira, que tive a sorte de encontrar num sebo aqui da Capital;
"Máximas e Mínimas do Barão de Itararé",
da MPM um belo presente, e finalmente, os dois últimos
livros de contos do meu amigo Fausto Wolff: "O Homem e Seu
Algoz" e "O Nome de Deus". Este último
não se classificou para o prêmio "Jabuti"
deste ano. Segundo Fausto, o discípulo superou o mestre.
Discordo. Rebeldes não possuem mestres e também
não deixam discípulos, apenas comem o pão
que o diabo amassou para construírem o próprio
caminho. Como sacrificamos e somos sacrificados, nos olham com
desdém desde que não cheguemos a lugar nenhum;
caso consigamos, ouviremos não "o toque de gaita
e de violão" como preconiza a música nativista
e hino do Rio Grande, "Canto Alegretense", mas o murmúrio
covarde e aliciador das predições feitas depois
dos acontecimentos, celebradas por expressões como "eu
sabia"... "eu não disse?"... enfim, é
um dos riscos do caminho que escolhemos. Estes livros todos,
já estavam aqui para serem lidos no Carnaval do ano passado
e, ouso afirmar, daquele de 98. Devo ter realizado ações
mais confortantes para deixá-los de lado. Este ano, pelo
menos no Carnaval, não seria diferente. Tinha recebido
um "ultimato" da Editora da Universidade (UFSC) para
entregar o romance "Estranhos no Paraíso" no
qual deveria apenas dar uma última leitura e fazer uma
e outra revisão que achasse necessária. Não
poderia decepcionar o amigo Alcides Buss, até porque o
interesse deveria ser meu, afinal, não se aprova todos
os dias uma obra com mais de 300 páginas e se menospreza
sua publicação. O livro em questão, já
havia sido um dos dois finalíssimos do Prêmio "Luis
Delfino" em 1989 (aliás, estou cansado de ir para
a final, sorry) as pessoas só lembram dos vencedores,
quando lembram. Com a literatura não é diferente.
Bem, paralelamente a isso, havia a promessa da visita de uma
prima com uma amiga vindas do Norte do Estado para passarem estes
feriados em minha casa. É, "te vira", como afirma
o gaudério. Chegaram no sábado à tarde.
Jantamos na "Casa do Chico", foi quando a Celina (que
não era a minha prima, com o perdão da rima) se
referiu a um amigo que ela teve... por que, teve? Pergunto. Porque
ele morreu, esclareceu ela. Não me lembro do que se tratava,
mas era um referente, embora morto. No domingo fiz um caldo de
peixe, coisa do "Guinness Book", foi quando, outra
vez, ela se referiu a alguém, para ilustrar a conversa,
e que já tinha morrido. Na segunda, fomos ao "Santo
Domingo", bom ambiente, bom papo, boa música, evidentemente,
jazz... lá pelas tantas, a moça cita um exemplo
de um velho amigo, que tinha morrido, e que esclarece a situação
que tínhamos discutido. Como se tratasse da terceira vez
que o "referente" capaz de trazer "alguma luz"
para o colóquio era um cidadão morto, e não
se tratava da mesma pessoa, tive que intervir. Você já
percebeu, afirmo, que todas as pessoas que elucidaram alguma
coisa na tua vida, já estão mortas? Ela pareceu
"despertar" para a novidade, com uma exclamação,
entre surpresa e preocupada "é mesmo", "não
fiz por querer", "coincidência"... pelo
sim e pelo não, se alguém perguntar por mim, por
favor, suplico, não vai dizer que me conheceu, afinal,
tenho ainda muito por fazer neste mundinho terreno... rimos um
pouco. Na terça-feira o Valdir Alves aparece, bebemos
apenas umas vinte cervejas, alguns gim-tônicas, acredito,
estávamos um tanto fora de forma quando afirmou que o
"Prêmio Jabuti" era tão importante que
deveria mesmo ser entregue lá em Nova York... elas saíram
na quarta-feira, e fiquei com a estranha sensação
de que não realizei o trabalho a que me havia proposto,
quer dizer, ainda não conclui, mas me empenhei, até
domingo, termino. Ah! Quanto as bundas, peitos, etc.?... Vão
ler os jornais, pô! Estão pensando o quê?
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