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ANotícia
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Guerra vã entre
instituições de letra morta
Disputa entre duas entidades literárias
em Blumenau retrata decadência no universo das letras
Mauro Galvão
Especial para o Anexo
Falta
poesia. Afirmativamente: falta. Ou, se não ausente estiver,
muito à margem está nos debates acerca da criação,
quase que simultânea, em Blumenau, de duas entidades criadas,
supostamente, para representar o escritor. Os membros da Associação
Blumenauense de Escritores contestam o processo de implantação
da Academia Blumenauense de Letras, fundada um mês depois
da primeira. Agora as duas se digladiam em busca de espaço
e consolidação. A discussão tornou-se paradoxalmente
polêmica: divide o meio literário com um discurso
de unidade, pois ambas entidades dizem ter vindo para "congregar"
a classe.
A Associação (também chamada Sociedade)
dos Escritores de Blumenau, hoje contando com 22 associados,
foi criada em outubro último, após três meses
de debates acerca, e só acerca, do estatuto. Exatamente
um mês depois é fundada, para ira dos "associados",
a Academia Blumenauense de Letras. Os membros da Sociedade repudiaram
os autodenominados imortais, questionaram o processo de fundação
da Academia. Chegaram a formular uma carta aberta ao presidente
da Academia Catarinense de Letras, Paschoal Pítsica
em que primeiro condenam e depois pedem explicações
sobre a homologação, por aquela casa, da
Academia de Blumenau.
Na carta, os signatários chegam a afirmar que a implantação
da Academia se deu "de maneira sórdida". O forte
argumento usado pela Sociedade é o critério subjetivo
de que a Academia carece de representatividade: "Nenhum
dos mais conceituados escritores de Blumenau foi convidado".
Ainda, no texto, fica evidenciado o ciúme: os societários
é que queriam fundar a academia.
Em texto publicado no Anexo (edição de 22 de fevereiro),
Eduardo Alencar de Azambuja, presidente da Sociedade de Escritores,
reafirma a idéia de que a criação de academia
foi plagiada: "Tanto foi que tudo se deu na surdina".
Alencar acusa o presidente da Academia, Marcello Ricardo de Almeida,
de "personalista" e "egocêntrico",
chegando ao requinte de compará-lo ao cuco de Andaluzia,
pássaro que é um "parasita social que abusa
da boa-fé alheia", e zomba do fato de que três
dos nove membros dessa "representativa" instituição
sejam da mesma família: "Academia de quintal, para
as crianças brincarem". A ironia vai mais além:
chama a academia de "instituição do chazinho",
onde "se declara imortal aquele que não tem onde
cair morto".
Por outro lado, Marcello de Almeida se esquiva das acusações
de tentar se promover fundando uma academia. "Temos um projeto
coletivo, queremos congregar a classe", repete. Para isso,
até colocou um telefone à disposição
para quem quiser se tornar imortal já apelidado
de "disque imortalidade". De tabela, revida o ataque
dos associados com um adjetivo: sectários. Dentro desse
espírito de "congregar a classe", a entidade
lançou um originalíssimo concurso para estimular
a competição. Trata-se de um concurso nacional
de poesia que premiará com medalhas os três primeiros
finalistas.
Se há em ambas instituições troca de ironia,
o escárnio e o riso também não deixa de
estar em quem vê de fora a briga dos que se autodenominam
representantes dos escritores de Blumenau. "Falta-lhes,
a uns e outros, humor e experiência: humor porque se levam
demasiado a sério; experiência porque deveriam saber
que o texto, e apenas o texto, representa o escritor, nunca instituições",
declara o poeta Dennis Radünz, que conclui estarem ambas
entidades mergulhadas no equívoco. A celeuma entre associados
e imortais até rendeu vários poemas a Dennis (leia
nesta página). Da sátira à paródia,
os textos evidenciam a futilidade de propósitos em instituições
nas quais os membros buscam apenas estar em evidência.
O professor de literatura José Endoença Martins
classifica a briga como mera "disputa de espaço"
e como "desserviço para a literatura da cidade".
Cético, também questiona se representar o escritor
é possível a uma entidade. Martins, que é
um atento pesquisador da manifestação literária
da cidade, cita os nomes de Lindolf Bell, Geraldo Luz e Martinho
Bruning para declarar, ácido: "Os mortos são
muito mais representativos do que os vivos".
Mas os amantes do burocratismo, do livro-ponto, protocolo, chá
e crachá, alheiam-se a esse tipo de discussão.
Alencar, alimentando discórdia, já semeia, nesse
campo estéreo, a idéia de criar uma segunda academia
em Blumenau. No meio de todo esse embate entre posições
e proteção de torres de marfim, o debate acerca
do texto, da produção literária, aguarda.
Pelo menos dos que se perdem discutindo quem ou quem merece a
oficialização.
Mauro Galvão é poeta em Blumenau, autor
de "Sincretinismo" (editora Letras Contemporâneas)
e "As Idades da Pedra" (editora Cultura em Movimento)
- polêmica das letras
-
- Dennis Radünz
-
- quem esses que simulam
- se se mudam e se anulam
- sob cargos e entidades,
- que se medem pela derme
- importantes e impotentes,
- ou se domam pelo medo
- de passar a eternidade?
- uns: aqueles: os fulanos
- que se criam em colônias,
- quase ocos, centenários,
- e aquém e acaso ecoam:
Lair lança livro na quarta-feira
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de
1958, época em que se passa a novela "Esplendor".
AN_Tevê |
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Joinville A Editora Letra D'Água
lança, na próxima quarta-feira, às 21 horas,
o livro "Girassol, Giralua - Prosa Poética e Imagens",
da escritora e fotógrafa Lair Leoni Bernardoni. O livro
é um apanhado de fotos e textos produzidos por Lair nos
últimos anos, produção espalhada pelas páginas
no formato de cartas, bilhetes, postais e mesmo pequenas recordações
como flores e saquinhos de areia. O lançamento do livro
acontece na Galeria Lascaux, em Joinville, onde, simultaneamente,
o artista plástico e arquiteto paulista Claudio Tozzi
abre sua exposição de telas, mostra que reúne
o trabalho de três décadas e passa pela visão
abstrata do artista pelas cidades, pelas flores e pelos elementos
da natureza.
Um espírito de
contradição organizado
Aos 82 anos, o
crítico e professor Antonio Candido é um dos últimos
intelectuais brasileiros que merecem o título
"Eu sou trezentos,
sou trezentos e cinqüenta/ As sensações renascem
de si mesmas sem repouso/ Oh espelhos oh! Pirineus! ôh
caiçara!/ Se um deus morrer, irei no Piauí buscar
outro."
Mário de Andrade, em "Remate de Males"
Alexandre Carrasco
Especial para o Anexo
Joinville Em número especial de 1999, "Remate
de Males", revista do departamento de teoria literária
da Universidade Estadual de Campinas, homenageia Antonio Candido
crítico, intelectual, professor. Considerando a
homenagem de um ponto de vista doméstico, nada mais justo.
Afinal, trata-se do organizador do departamento de teoria literária
e do primeiro diretor do Instituto dos Estudos da Linguagem da
Unicamp. Mas, em se tratando de Antonio Candido, não há
ponto de vista que, sendo único, dê conta de seus
feitos, nem ambiente doméstico que comporte seu tamanho.
Note-se: desde a famosa revista "Clima", passando pelo
clássico de interpretação do Brasil "A
Formação da Literatura Brasileira", para culminar
no marco que representa o ensaio "Dialética da Malandragem",
há, para falar como Paulo Arantes, "dialética
por todos os lados": portanto, variação de
pontos de vista, leituras de múltiplas entradas, movimento
de canto de boca cheio de mistérios; em uma palavra, espírito
de contradição organizado. Vem, dessa forma, muito
a propósito, o belo nome da revista da Unicamp: em tempos
espinhudos como esses, dar-se ao luxo de pensar com quem pensa
e não recua nem concede diante da empresa que assume é,
sem dúvida, um remate para muitos males.
Aliás, a indicação sobre a origem do nome
da revista, de resto bem conhecida de seu público ("o
título da revista reproduz os tipos usados no ante-rosto
da edição original da obra deste nome de Mário
de Andrade, S.P. 1930"), reitera uma filiação
que vale para Antonio Candido: do impacto do modernismo paulista
e suas conquistas teóricas, acumuladas e ampliadas graças
a uma boa aplicação do capital excedente da oligarquia
paulistana (aplicação essa que lhe rendeu até
a pecha de progressista): a criação da Universidade
de São Paulo. O encontro desses dois elementos, não
tendo nisso nada de épico, proporcionou aos jovens moços
e moças, ingressantes na então Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências, uma inusitada dupla formação:
por um lado, a redescoberta do Brasil pelo modernismo; por outro,
a aquisição de uma formação internacional,
isto é, a oferta no atacado de cultura humanista. Dessa
conjunção é possível imaginar com
que exigência de rigor e de pertinência pensa Antônio
Candido. Note-se a seguinte passagem da "Formação
da Literatura Brasileira":
"Comparada às grandes, a nossa literatura é
pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime.
Se não for amada, não revelará a sua mensagem;
e se não a amarmos, ninguém o fará por nós.
Se não lermos as obras que a compõem, ninguém
as tomará do esquecimento, descaso ou incompreensão.
Ninguém, além de nós, poderá dar
vida a essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes
fortes, sempre tocantes, em que os homens do passado, no fundo
de uma terra inculta, em meio a uma aclimatação
penosa da cultura européia, procuravam estilizar para
nós, seus descendentes, os sentimentos que experimentavam,
as observações que faziam dos quais se formaram
os nossos. A certa altura de 'Guerra e Paz', Tolstói fala
nos 'ombros e braços de Helena, sobre os quais se estendia
por assim dizer o polimento que haviam deixado milhares de olhos
fascinados por sua beleza'. A leitura produz efeito parecido
em relação às obras que anima. Lidas com
discernimento, revivem na nossa experiência, dando em compensação
a inteligência e o sentimento das aventuras do espírito.
Neste caso, o espírito do Ocidente, procurando uma nova
morada nesta parte do mundo."
Note-se de permeio, como de resto sempre preferiu a discrição
de Antonio Candido , o núcleo duro de "Formação"
é apresentar, sempre a partir do que chama "casos
concretos" (portanto, mediante estudos de casos e evitando
uma língua teórica qualquer), esse duplo movimento
que constitui a literatura como "sistema". O duplo
movimento movimento duplo no sentido mas único na
direção, quer dizer, do centro à periferia,
da periferia ao centro não poderia, entretanto,
retroceder enquanto a paisagem social da então colônia
não estivesse ainda em vias de definição,
quer dizer, não se apresentasse como mediação
inteligível. Daí os dois volumes da obra coordenarem
os momentos decisivos dessa formação de uma literatura
que, querendo se fazer figurativa, fazia-se engajada na construção
de um país de fato inexistente.
Tem-se arcadismo e romantismo, segundo critério de lastro
histórico, por um lado, e capacidade expressiva de outro,
isto é, no momento em que a complexidade da vida na colônia
implica uma diferenciação da metrópole e
surge como figuração. (A polêmica do romantismo
em "A Formação da Literatura Brasileira",
se há ou não e em que medida, longe de estar encerrada,
reatualiza-se numa polêmica entre modernos e pós-modernos
e pode ser traduzida naquele que cerca o gênero "história"
e pergunta-se se o esgotamento do projeto moderno não
implica o próprio esgotamento da história.) Ora,
"retratando o desejo dos brasileiros de ter uma literatura",
compõem um ponto de vista que procura encontrar um método
histórico e estético, simultaneamente.
Mais tarde, no pequeno prefácio que abrirá "O
Discurso e a Cidade", Candido redefinirá o foco,
sem entretanto perdê-lo, através da expressão
"redução estrutural": "O processo
por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna,
na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária,
permitindo que esta seja estudada em si mesma, como algo autônomo."
A revista
Composta de uma antologia de escritos inéditos em livro
do próprio Antonio Candido, a revista guarda para o bom
leitor certas preciosidades. "Poesia ao Norte", publicado
no jornal Folha da Manhã em 13 de junho de 1943, é
um pequeno escrito sobre dois então desconhecidos poetas
do norte, "rapazes apenas saídos da adolescência:
o Sr. Guilherme Barata, do Pará, e o Sr. João Cabral
de Melo Neto, de Pernambuco".
Publicado novamente no ano passado, por ocasião da morte
de Cabral, o que impressiona é a clarividência e
precisão na apreciação do primeiro livro
de João Cabral, "Pedra do Sono". Candido escreve:
"Trabalhando um material caprichoso, como é o do
sonho e da associação livre, o Sr. Cabral de Melo
tem necessidade de um certo rigor por assim dizer construtivista.
Daí se fechar dentro de seus poemas, onde há um
mínimo de matéria discursiva e um máximo
de liberação do vocábulo entendendo-se
por tal a tendência para deixá-lo valer por si,
manifestando o poder de sugestão que possui". Dessa
forma o crítico vai revelando ao poeta presente o poeta
futuro; e hoje mais que ontem o pequeno artigo revela sua posteridade
e sua perseverança.
Dos outros treze artigos ou conferências há ainda
duas que merecem indicação explícita. Em
"Euclides da Cunha sociólogo", publicado na
ocasião do cinqüentenário de "Os Sertões"
no jornal O Estado de São Paulo, ao mesmo tempo que apresenta
certo envelhecimento de uma possível sociologia euclidiana
e mesmo a insuficiência de certas análises, mostra
o poder revelador que tem "Os Sertões", poder
que deriva justamente de figurar, em cores, o fenômeno
Canudos, dando existência a um Brasil estranho a si mesmo.
Finalmente, "Transcendência do regional", resenha
publicada no Suplemento Literário número 1 de O
Estado de São Paulo, em 6 de outubro de 1956, a propósito
de "Grande Sertão: Veredas", cumpre brilhantemente
o propósito a que foi destinado em exíguos sete
parágrafos: ler é preciso, sobretudo Guimarães
Rosa. Completa a revista uma bibliografia do homenageado, cuidadosamente
elaborada por Sonia Sachs.
Quisera essas linhas tivessem a mesma sorte (e aqui apenas a
sorte explicaria um destino comum) de tantas escritas por Antonio
Candido e não só oferecesse a notícia de
um texto mas sugerisse esse fato sempre presente atrás
dos textos e não raro atrás desse textos: os livros
(e só se trata dos grandes) são como a vida colhida
num espelho.
- Alexandre Carrasco é doutorando em filosofia
pela USP e mora em Joinville
Antonio Candido em
digressão sentimental
No auge do processo de privatização, em manifestação
no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
USP, ao lado do economista Paulo Nogueira Batista Jr., Antonio
Candido aguardava o momento de pronunciar-se. Apresentado pelo
então diretor da FAU como "conhecido crítico
que pela primeira vez, e por tão nobre motivo, fazia-se
presente no auditório dessa escola", no momento devido
corrigiu um lapso na sua apresentação. Informava
a audiência que já estivera ali, e por um motivo
muito similar: para dizer não. (Na primeira greve de docentes
da USP, durante o regime militar, Antonio Candido era diretor
da associação dos docentes). E esse "não"
cujas aspas indicam não se tratar de uma negativa qualquer,
bem ilustra um outro lado de Antonio Candido que, ao fim e ao
cabo é seu único lado, o de intelectual, palavra
que, se perdeu a credibilidade midiática (essa nunca deve
ser levada a sério), não soube negar o conceito
que sempre supôs; para que não se esqueça
da origem moderna não (apenas) da palavra mas, sobretudo,
do conceito, a partir do caso Dreyfus: homem de pensamento e
de posição. Antonio Candido é assim.
Daí valer para ele o juízo que emite sobre Sérgio
Buarque de Holanda, a propósito de um estudo que faz sobre
a ocorrência de idéias radicais na vida intelectual
nacional: em ambos os casos há uma "franca opção
pelo povo". Destarte, a um jovem estudante presente no auditório
da FAU-USP cuja melhor qualidade é o entusiasmo, resta
copiar, em epílogo, palavras de um poeta cuja consciência
aguda do "não" não impediu a voz de armar-se;
justo o oposto (e homens da mesma estatura podem travar um diálogo
imaginário): "O poeta/ declina de toda responsabilidade/
na marcha do mundo capitalista/ e com suas palavras, intuições,
símbolos e outras armas/ promete ajudar/ a destruí-lo/
como um pedreira, uma floresta/ um verme." (AL)
Frases
Turismo
A queda acentuada do fluxo de visitantes em fevereiro não
ofuscou os resultados obtidos em dezembro e janeiro.
AN_Economia |
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"Nós
fomos queimados na fogueira durante a Inquisição.
Somente em Portugal e no Brasil foram 32 homossexuais queimados
pelos inquisidores"
"Porque homossexual
pobre vai ser chamado de "viado" e "bicha louca".
Homossexual rico ou "estudado" vai ser respeitado como
intelectual"
"Queremos fortalecer
o movimento em Santa Catarina, que é um dos Estados com
dificuldades de organização, talvez pela cultura
mais conservadora"
Viver a diferença
com dignidade
Um dos líderes
do movimento homossexual, Toni Reis fala sobre a luta contra
o preconceito
Clóvis Gruner
Especial para o Anexo
Ele ficou conhecido nacionalmente em 1996, quando seu namorado,
o inglês David Harrad, foi ameaçado de extradição
por viver ilegalmente no Brasil. A história foi manchete
dos principais jornais e revistas brasileiros e virou livro:
"O Direito de Amar A história de um casal gay".
O episódio serviu principalmente para consolidar a militância
e a liderança de Toni Reis, um dos principais nomes do
movimento homossexual brasileiro e presidente do Grupo Dignidade
de Conscientização e Emancipação
Homossexual, de Curitiba, fundado em 1992. Nascido há
35 anos em Limeira, no interior do Paraná, Toni é
graduado em letras pela Universidade Federal do Paraná
e pós-graduado em sexualidade humana. É segundo
suplente de vereador pelo PT recebeu 2.734 votos nas eleições
municipais de 1996. Nesta entrevista ao Anexo, ele fala sobre
preconceito, violência, guetos e do projeto de lei que
proíbe a discriminação por orientação
sexual, entre outros assuntos. Temas que discute com seus companheiros
do Dignidade e principalmente com David que, sim, vive hoje legalmente
no país e com quem Toni completa, em março, dez
anos de vida comum.
Entrevista
Toni Reis
O assassinato recente de Edson Neris da Silva por um grupo
de skinheads, em São Paulo, é uma atitude isolada
ou reflete ainda, em parte, um sentimento de intolerância
presente na sociedade brasileira?
Toni Reis O assassinato do Edson não é um
fato novo para nós da comunidade homossexual. Nos últimos
dez anos foram registrados mais de 1.800 casos de homossexuais
barbaramente assassinados. Esse foi um caso que repercutiu porque
se trata de uma violência organizada. Foi um episódio
que sensibilizou o próprio governo e mobilizou a opinião
pública. Mas há outra violência, que é
cotidiana. Há a violência psicológica, a
intolerância e o preconceito que nós, homossexuais,
vivemos no dia-a-dia.
O que está na origem do preconceito?
Toni No Brasil convivemos com a intolerância contra
o diferente. Temos a mania de buscar bodes expiatórios.
Os skinheads, por exemplo, atribuem aos homossexuais a culpa
pela decadência moral da sociedade. Não existe apenas
uma causa para o preconceito. As religiões judaico-cristãs
ensinam que somos pecadores e, ao interpretar a Bíblia
sem pensar no momento histórico em que ela foi escrita,
justificam uma interpretação machista que também
discrimina a mulher. A própria ciência carrega,
muitas vezes, uma carga muito grande de preconceito, influenciada
às vezes pela igreja. Isso é historico: nós
fomos queimados na fogueira durante a Inquisição.
Somente em Portugal e no Brasil foram 32 homossexuais queimados
pelos inquisidores, vítimas da intolerância religiosa.
Depois fomos taxados de criminosos. Até recentemente a
medicina classificava a homossexualidade como doença,
no código 309 da OMS. E isso só foi revogado em
1993. Com a organização dos homossexuais (e hoje
temos uma Associação Internacional de Gays, Lésbicas
e Travestis e também uma associação brasileira,
além de grupos espalhados por diversas cidades) isso está
mudando, porque estamos procurando passar informações
e discutir com a sociedade.
A organização é o melhor meio de se
defender da violência?
Toni Qualquer pessoa que se sinta violentada nos seus direitos
precisa se organizar, discutir e denunciar. Isso é fundamental.
Conseguimos em Curitiba resultados excelentes. Hoje somos reconhecidos
como entidade de utilidade pública nas esferas municipal,
estadual e federal. E isso faz com que as pessoas passem a nos
respeitar como seres humanos e cidadãos. Violência
a gente revida com educação, conscientização
e informações corretas, que não discriminem
as outras pessoas. É preciso se preocupar com a ação
de grupos como os skinheads, porque hoje são os homossexuais,
amanhã serão os nordestinos, os negros... A intolerância
é sempre abominável.
Você concorreu a vereador em 96. A atuação
partidária é também uma alternativa de defesa
dos interesses e direitos da comunidade gay?
Toni A política é importante e está
na vida de qualquer cidadão. A política partidária
é difícil, porque há muita corrupção
e personalismo. Mas é onde estão as decisões
do poder e se definem os rumos do país. Então é
preciso participar e ser o mais coerente possível. É
recomendação da nossa entidade nacional que as
pessoas saiam candidatas e que coloquem na pauta o respeito ao
gênero, ao diferente. Estamos atuando para buscar o apoio
dos partidos no respeito não apenas aos homossexuais,
mas às mulheres, negros, judeus. Às pessoas menos
favorecidas e que sofrem a discriminação cotidianamente.
Além disso, uma candidatura conquista espaço na
mídia, nas universidades etc. O debate é importante
para levar a mensagem da cidadania e do respeito às pessoas
e fazer cumprir a Constituição brasileira, que
é uma das mais bonitas do mundo mas que muitas vezes,
na prática, não é respeitada.
Há, hoje, organizações homossexuais
nas principais cidades brasileiras. Por outro lado, em municípios
menores essa mesma organização praticamente inexiste,
ainda que os problemas sejam os mesmos: preconceito, violência,
Aids. Como chegar às pequenas cidades?
Toni Onde houver homem e mulher há homossexuais.
E só conseguiremos vencer o preconceito e conquistar nossa
dignidade onde existir organização forte, criativa
e persistente. Precisamos provar que temos credibilidade e capacidade,
o que o heterossexual muitas vezes não precisa. O homossexual
precisa ser bom, e muito bom, para ser respeitado. Estamos desenvolvendo
atualmente um projeto chamado Somos, que tem por objetivo constituir
novas entidades. No Paraná já temos oito grupos
formados e a intenção é formar outros três
no interior. Além disso queremos fortalecer o movimento
em Santa Catarina, que é um dos estados com dificuldades
de organização, talvez pela sua cultura mais conservadora.
Já temos formados e atuantes os grupos Fazendo a Diferença,
em Blumenau, e o Nostro Mundo, em Florianópolis. Agora,
estamos procurando pessoas interessadas em Joinville e Itajaí
para participar de um curso de formação, tanto
na defesa dos interesses dos homossexuais quanto na prevenção
à Aids.
E como está a organização em Joinville?
Toni Toda e qualquer entidade começa com duas ou
três pessoas. Temos alguns contatos mas as pessoas têm
muito medo de assumir e começar o trabalho. Vamos precisar
de líderes despojados e corajosos. Porque é preciso
coragem e dignidade para assumir e dizer: "Sou homossexual,
ser humano, cidadão e preciso me organizar".
Apesar de toda a organização, que vem crescendo
especialmente nos últimos anos, ainda é bastante
comum entre os homossexuais a convivência em guetos, bares
e boates gays, por exemplo. É também uma reação
ao preconceito?
Toni Há uma tendência social, entre os grupos
humanos, de procurar e se encontrar com os iguais. Isso não
é uma exclusividade dos homossexuais. Além disso,
no gueto você não está só. É
respeitado. É preciso ir no gueto, porque é bom.
Mas é preciso também conviver com os diferentes,
em sociedade. Desconfio um pouco dessa tendência de se
ter um bar, um banco ou uma padaria para homossexuais. Não
precisamos ter salas de aulas especiais para gays. Temos de viver
como o arco-íris, que é o nosso símbolo
internacional: cada um com sua cor, com sua religião e
orientação sexual. Respeitando o espaço
comum e a pluralidade.
Quem sofre mais com o preconceito: gays, lésbicas
ou travestis?
Toni Todos sentem. Mas os gays tendem a sofrer mais porque
se assumem mais. O maior número de denúncias em
entidades e organizações é dos gays. A lésbica
muitas vezes é discriminada por ser mulher mas permanece
submissa, na surdina, e não assume. Por outro lado, os
travestis sofrem muito por serem homossexuais e prostitutos.
São dois estigmas: a homossexualidade e a prostituição.
Além de serem marginalizados pela sociedade, enfrentam
a violência policial. Além disso, muitos deles têm
um nível sócio-cultural muito baixo e sofrem também
por serem pobres.
A ascensão social diminui o preconceito?
Toni Acho muito importante que os homossexuais estudem.
Porque homossexual pobre vai ser chamado de "viado"
e "bicha louca". Homossexual rico ou "estudado"
vai ser respeitado como intelectual e pela sua posição
social. Isso é comum principalmente no ambiente familiar
onde os pais, embora lamentem ter um filho viado, o respeitam
"porque ele é doutor". É preciso ser
muito macho para assumir que se é homossexual, ter muita
persistência e muitas vezes superar os heteros pelo conhecimento.
Ser aceito e respeitado pela família é importante
no momento de assumir a condição de homossexual,
não é?
Toni O momento mais difícil é assumir para
você mesmo. Chegar na frente do espelho e dizer: "sou
gay e gosto de homem". Porque não passa apenas pelo
sexo, mas pelo afeto e o carinho. Superada esta etapa, fica mais
fácil assumir perante a família, a escola etc.
O projeto de lei da deputada Marta Suplicy, que propõe
o reconhecimento da união civil de casais do mesmo sexo,
continua tramitando no Congresso. Como está a movimentação
em torno da sua aprovação?
Toni Este é um projeto que surgiu de uma discussão
internacional. É o que chamamos de parceria civil registrada.
É uma lei importante porque reconhece os direitos de herança
e convivência. Veja o meu caso: vivo há dez anos
com meu companheiro. Estamos construindo um patrimônio
e se eu morrer estas coisas têm que ficar com ele, e não
com a minha família. Não se trata de casamento,
mas de um contrato civil que regulamenta as uniões homossexuais.
Mas atualmente nossa prioridade é a aprovação
de uma lei que proíbe a discriminação por
orientação sexual. Ela irá permitir que
empresas e escolas, por exemplo, que discriminem, sejam processadas,
multadas ou advertidas. Estamos em um processo de discussão
nacional, porque queremos que o projeto de lei seja apresentado
ao Congresso pelo Ministério da Justiça.
Em recente entrevista a "IstoÉ", o presidente
da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas
e Travestis, Claudio Nascimento, falou a respeito de uma campanha
nacional contra a violência, a ser deflagrada em todo o
país pelas entidades homossexuais. Como será a
participação do Dignidade?
Toni Apoiamos sempre todas as iniciativas nacionais e internacionais.
Estaremos em vigília permanente. Em Curitiba, estamos
sempre denunciando a violência contra homossexuais, com
manifestações na Boca Maldita, e cobrando uma ação
eficaz das autoridades. O principal objetivo dessa campanha nacional
é trazer outras pessoas e movimentos para essa luta. Porque
os homossexuais não são os únicos a sofrer
com a violência: há os negros, as mulheres que são
espancadas e mortas por seus próprios maridos. Juntos,
vamos permanecer em vigília. A transformação
começa a partir daí.
Scooters
A possibilidade de liberação dos ciclomotores ou
scooters para menores de 18 anos no Brasil ainda rende polêmica.
AN_Veículos |
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O Dignidade está completando oito
anos de atividades. O que mudou nesse período?
Toni Agora é fácil ser gay (risos). Há
mais participação, publicações dirigidas
ao público gay e a mídia não mostra mais
apenas o homossexual estereotipado. A violência policial
também diminuiu. O projeto de lei da deputada Marta Suplicy
gerou muita discussão em todo o Brasil. Isso é
muito importante. A situação evoluiu. O Dignidade
começou com cinco pessoas. Hoje somos 364 filiados e uma
entidade reconhecida pela sociedade. E esperamos ter uma vida
longa.
- Clóvis Gruner é jornalista e mestrando
em História Social pela Universidade Federal do Paraná.
Bazar de idéias
Germano Jacobs
Craque da tela
Billy Wilder, quando se fala em cinema, é referência
obrigatória. Põe no chinelo cineastas moderninhos
que usam e abusam da tecnologia para tapear os incautos com filmes
vazios de idéias e conteúdo. Wilder, que foi homenageado
recentemente pelo canal a cabo Telecine 5, começou sua
carreira como roteirista o que nunca deixou de ser
para depois assumir a produção e direção.
Drama. Comédia. Não escolhia gênero: matava
no peito, driblava o lanterninha e estufava a tela. O endiabrado
austríaco, entre tantas maravilhas da sétima arte,
dirigiu a melhor comédia deste século: "Quanto
Mais Quente Melhor", com Jack Lemonn, Tony Curtis e Marilyn
Monroe. O roteiro é dele e I.A.L. Diamond, seu parceiro
fiel.
Milagre Escola de samba
com mais de cinco mil participantes no espaço exíguo
do Sambódromo é, realmente, um milagre. Milagre
brasileiro. Nem Cecil B. de Mille, nos seus bons tempos, seria
capaz de dirigir aquela zorra, que no fim dá certo, ninguém
sabe como.
Leptospirose O rato, transmissor
ambulante de doenças, que causa horror ao ser humano,
pode ser visto como símbolo do politicamente incorreto
nas histórias em quadrinhos e nos desenhos animados. É
um personagem simpático, esperto, que, apesar de sua fragilidade
e pequenez, acaba levando a melhor sobre seus inimigos, principalmente,
é claro, o gato. Graças a Mickey, o ratinho queridinho,
Walt Disney construiu um império. Tom jamais conseguiu
dar uma dentro com o Jerry. O Supermouse, cheio de si, enfrentava
de igual para igual o Super-Homem. Agora, a bola da vez é
o "Pequeno Stuart Little", em cartaz nos cinemas do
País. E o danado ainda contracena com gente de carne e
osso, honra que Jerry teve com Gene Kelly, numa famosa seqüência
de dança.
Vai mesmo Novembro do ano passado, em Curitiba,
foi encenada no Teatro Guaíra (Guairinha) a ópera
"O Elixir do Amor", de Donizetti. Graças às
presenças do veterano Rio Novello e da revelação
Douglas Hahn, no papel do sargento Belcore, o espetáculo
se sustentou. Os dois não permitiram que Donizetti se
revirasse no túmulo. O barítono joinvilense, aliás,
interpretará o vilão Gonzalez da ópera "O
Guarani", de Carlos Gomes, com regência de Isaac Karabtchevsky
e com estréia marcada para o dia 13 de maio, no Teatro
Alfa, em São Paulo. Podem crer: com o talento que Deus
lhe deu, Douglas Hahn vai longe.
Eterno Noel Certa vez
pediram a um estagiário de jornalismo uma matéria
sobre Noel Rosa. "Noel Rosa? Quem é esse cara?".
Noel Rosa, ó meu, é simplesmente um dos maiores
compositores brasileiros de todos os tempos. Na sua curta, mas
bem aproveitada vida, deixou 250 composições, algumas
delas, como "Conversa de Botequim", simplesmente geniais.
O querido Noel, quando deu o último suspiro, tinha apenas
26 anos.
Eureca Nos Festivais de
Cinema de Gramado sempre aparecia uma figura estranha, que agitava
a serra gaúcha com sua "loucura" pré-definida.
Peninha, o trapalhão, ia para os debates para falar e
falar, sem início-meio-fim. Era para esquentar o ambiente,
mesmo. Peninha é Eduardo Bueno, o autor best-seller, que
descobriu o filão dos livros sobre a história do
Brasil, a começar pela viagem de Pedro Álvares
Cabral à Terra de Santa Cruz, em 1500. Grande sacada.
Dramalhão Na novela
"Terra Nostra", que tem momentos inspirados, principalmente
quando estão em cena Raul Cortez, Antônio Fagundes
e Débora Duarte que presença, Dio mio! ,
com muita freqüência baixa o espírito de algum
caboclo mexicano no autor Benedito Rui Barbosa. E dá-lhe
dramalhão. Numa cena, Cláudia Raia chorou tanto,
mas tanto, que parecia temporal, daqueles que alagam a paulicéia
desvairada.
Mestre Por falar em livro,
"Notícia de um Seqüestro", de Gabriel García
Márquez (Editora Record, 318 páginas), é
uma aula de jornalismo. E de literatura. Inveja saudável
do mestre colombiano, um ourives das letras, como diz o tradutor
Eric Nepomuceno, na orelha. Quem ainda não leu, deve correr
para recuperar o tempo perdido.
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| Manchetes AN |
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| Leia também |
Metáfora de amor,
violência e arte
Gêmeos dão
novo fôlego aos quadrinhos brasileiros com "O Girassol
e a Lua"
GLEBER PIENIZ
Joinville Há tempos não se via no Brasil
uma dupla tão coesa nos quadrinhos quanto Gabriel Bá
e Fábio Moon. Também pudera: gêmeos talhados
na militância underground através de fanzines e
conseqüentes trabalhos para jornais como "Folha de
São Paulo", "Notícias Populares"
e o "Estadão", a dupla cresceu dividindo material
de desenho, técnicas e idéias. "10 Pãezinhos",
seu zine de HQs, ganhou corpo e virou livro, sendo brindado recentemente
pela Via Lettera Editora com uma edição primorosa
para a história "O Girassol e a Lua", obra a
quatro mãos que quebra a tradição de trabalhos
solitários comum aos quadrinhos brasileiros e apresenta
ao grande público um produto envolvente, sedutor e extremamente
profissional.
Toda a história de "O Girassol e a Lua" é
apresentada aos leitores através de Annie, garota que
descobre, por acaso, o diário e os recortes de jornal
deixados por Komarov, um jovem músico que se envolve numa
trama de obsessão, perseguição, amor, violência
e vingança. Junto com o enorme amigo Romeo, Komarov evita
que um assassino serial estupre e mate uma misteriosa menina
chamada Kelsie. Em reconhecimento, a pequena lhe presenteia com
o Coração do Mar, amuleto que segundo as crenças
difundidas pelos marinheiros dá a proteção
das sereias aos homens. O ato de heroísmo, no entanto,
desperta a ira do assassino, que promete vingar-se do vocalista
d'Os Gigantes e passa a cumprir sua promessa seqüestrando
Val, a paixão mal resolvida do rapaz.
Annie, em capítulos, vai conhecendo um pouco mais de Komarov
e seus passos, desde os encontros e desencontros com Val e seu
resgate espetacular das mãos do assassino, até
o encontro final do músico com o criminoso - um duelo
no mar de onde apenas um dos combatentes poderia sair vivo. Ao
final da história, definitivamente envolvida pelas informações
a que teve acesso, Annie torna-se também protagonista
do enredo, encerrando à sua maneira aquilo que parece,
a princípio, um emaranhado de ações inexplicadas
e efeitos incompreensíveis - tanto para si, personagem,
quanto para o leitor. A sequëncia de leitura é construída
pelos gêmeos através de um intrigante sistema de
revezamento que alterna os fatos violentos do passado (pela arte
de Gabriel Bá) e suas conseqüências no presente
(desenhada por Fábio Moon).
ESTILOS
Moon aprendeu com o irmão (apenas quinze minutos mais
novo) os truques do desenho em preto e branco, padrão
estético utilizado pela dupla em todas as páginas
de "O Girassol e a Lua", com exceção
da capa e da contracapa. Seu traço é limpo, claro,
delicado e preciso nas linhas curvas, dando forma a apenas uma
pequena parte de toda a história - 18 páginas contra
as 69 desenhadas pelo mais velho. Bá, por sua vez, tem
traço mais grosseiro, reto, sombrio e agressivo, fazendo
um bom uso da luz e da sombra, deixando o detalhamento dos ambientes
muitas vezes entregue à imaginação do leitor,
tamanho o poder de sugestão de suas composições.
O contraste entre dois estilos tão diferentes confere
a "O Girassol e a Lua" uma envolvente seqüência
onde os flagrantes de tempo se intercalam com tratamentos estéticos
muito próprios, estando o presente representado por uma
luminosidade reconfortante e o passado, por sombras de dúvida
e insegurança.
A história escrita por Moon e Bá se constitui numa
metáfora muito bem tramada onde Komarov (o girassol em
questão) busca na vingança contra o estuprador
(o sol) um presente para Val (a lua). Como todo o girassol -
flor conhecida por virar-se conforme o astro-rei caminha pelo
céu - o herói se deixa seduzir pelo brilho que
sua natureza obriga a reverenciar e esquece que a lua, sua amada,
também precisa dele. Outra referência encontrada
na história - desta vez, resolvida em desenhos - remete
às artes plásticas, mais precisamente ao pintor
holandês Vincent Van Gogh, encarnado na figura do assassino
tendo, inclusive, sua orelha decepada no início dos conflitos.
Van Gogh, para quem sofre do pecado de não conhecer sua
obra, tornou-se célebre por pintar, entre outras séries
famosas, "Os Girassóis".
UNIVERSAL
Komarov, Romeo, Val, Kelsie e Annie vivem em um lugar que
mescla características brasileiras a elementos universais,
sendo impossível definir precisamente onde se localiza
(o ilustrador Fábio Abreu resumiu-a sucintamente, como
"uma típica cidade de quadrinhos"). Moon e Bá,
pelo visto, não pretendem dar à história
uma nacionalidade, ancorando-a fragilmente no Brasil apenas por
força da língua utilizada nos diálogos.
As onomatopéias utilizadas nas cenas de ação,
os nomes e os figurinos escolhidos para os personagens e mesmo
o design dos carros e das locações deixam margem
para muitas interpretações e a certeza de que todas
as cenas poderiam acontecer em qualquer lugar do mundo, comprovando
a vocação dos gêmeos para brilhar no cenário
internacional dos quadrinhos, um caminho que já começou
a ser trilhado no ano passado, quando "Roland-days of Wrath"
- minissérie em quatro edições escrita por
Shane Amaya e desenhada pela dupla - ganhou o prêmio 1999
Xeric Foundation Grant nos EUA.
"10 Pãezinhos - O Girassol e a Lua" não
é vendido em revistarias, sendo encontrado apenas em livrarias
especializadas em quadrinhos ou através de pedido direto
à Via Lettera Editora: rua Iperoig, 337 - São Paulo/SP
- CEP 05016-000, telefone (11)3862-0760 ou e-mail (vialettera@uol.com.br).
Warner lança
preciosidades em vídeo e DVD
"Bonnie e
Clyde", "Os Eleitos" e "Uma Rua Chamada Pecado"
ganham cópias renovadas, boa chance para redescobrir momentos
genias de grandes diretores
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Três preciosidades da Warner Home Video são lançadas
pela empresa em versões simultâneas para DVD e vídeo.
Na verdade, já existiam nas locadoras, mas agora estão
saindo em sell thru, a venda direta para o consumidor. Some-se
a isso o tríplice lançamento em DVD - os três
nesta primeira quinzena do mês - e está feita a
festa dos cinéfilos. Mesmo que o vídeo seja uma
mídia condenada e, como o vinil foi substituído
pelo CD, também venha a ser superado pela massificação
do DVD, são daquelas obras que valem ter numa videoteca.
Só que, para ser moderninho, você tem de pensar
agora numa deveteca, também.
"Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas", "Os Eleitos"
e "Uma Rua Chamada Pecado". A obra-prima de Arthur
Penn, um clássico de Elia Kazan e, entre os dois, o melhor
filme de Philip Kaufman. Todos em edições de DVD
enriquecidas por comentários de produção,
menu interativo e índice para escolha de cenas. "Os
Eleitos" também ganhou trilha sonora remasterizada
e a versão de "Uma Rua Chamada Pecado" é
do diretor, com três minutos a mais em relação
à montagem da cópia distribuída nos cinemas
nos anos 50. São imagens condenadas pela rígida
censura de Hollywood na época. Nada de sexo explícito,
apenas sugestões e diálogos que foram considerados
muito fortes para o cinema americano da época.
Há uma ponte que vai de "...E o Vento Levou",
de Victor Fleming, no fim dos anos 30, até "ET",
de Steven Spielberg, no começo dos anos 80. Dois filmes
sobre o tema da volta ao lar, tão caro aos diretores americanos.
Há outra ponte entre "...E o Vento Levou" e
"Uma Rua Chamada Pecado". A Blanche Dubois de Vivien
Leigh descende da Scarlett O'Hara interpretada pela mesma Vivien
Leigh. A beldade sulista do clássico de 1939 vira a mulher
decadente, pateticamente sedutora do outro clássico, de
1951.
Antes de virar filme, "Uma Rua Chamada Pecado" foi
peça de sucesso que o próprio Kazan dirigiu no
palco. É um dos melhores textos de Tennessee Williams.
No original, chama-se "A Streetcar Named Desire" -
"Um Bonde Chamado Desejo". Como tal foi encenada no
País. No cinema ganhou outro título, e não
se pode dizer que seja dos mais inspirados. Blanche, a degeneração
da beldade sulista Scarlett, diz lá pelas tantas que precisa
viver da caridade de estranhos. Blanche também diz que
não quer realismo, quer magia. É uma das grandes
personagens femininas que já viram a cena neste século
e a atuação espetacular de Vivien está entre
as três ou quatro melhores registradas por uma câmera.
Blanche vive com a irmã, casada com o brutal Kowalski.
Com sua força e sensualidade, ele destrói o frágil
mundo de sonhos em que ela se refugia. Se Vivien é uma
Blanche brilhante, Marlon Brando não é menos emblemático
como Kowalski. As T-shirts que ele usa, moldando os músculos,
causaram forte impacto na época. Brando era um deus, Kazan,
que naquela época iniciou seu triste envolvimento com
o macarthismo, já era um autor preocupado em mostrar na
telas as emoções humanas, as paixões que
se recusam a ser reprimidas.
Analogia
"Bonnie e Clyde" é de 1967. Arthur Penn estava
no auge e hoje o leitor jovem, acostumado a James Cameron e cia.,
talvez se pergunte: Arthur quem? Penn, um dos grandes, senão
o maior diretor americano dos anos 60. Ele ainda entrou grande
pelos anos 70, principalmente quando fez "Um Lance no Escuro",
mas logo iniciou a decadência, uma das mais desconcertantes
e vertiginosas de Hollywood. É um filme do tempo em que
Penn fazia filmes para estabelecer a analogia entre o revólver
e o pênis. Bonnie Parker e Clyde Barrow foram gângsteres
americanos dos anos 30. Quando o filme começa, ela, interpretada
por Faye Dunaway, está no auge da insatisfação.
Sua atração é atraída por aquele
ladrão, Clyde (Warren Beatty). Ele é impotente.
Lançam-se numa espiral vertiginosa de roubos a bancos,
experimentando, na excitação das armas e dos roubos,
o prazer que ele não consegue oferecer a ela na cama.
Viram ídolos do público, mitos.
Penn narra sua história por meio de uma violência
cômica embalada pela música de banjo. A partir da
cena do milharal, o filme vira uma tragédia. Clyde consegue
fazer sexo com Bonnie, mas a essa altura o sistema já
fechou seu cerco sobre eles. É um raro e grande filme.
Não perdeu nada de sua força.
"Os Eleitos" é de 1983. Uma adaptação
do livro-reportagem de Tom Wolfe sobre a apopéia da conquista
espacial americana. Philip Kaufman mostra o programa Mercury,
a preparação dos primeiros astronautas dos Estados
Unidos, naquele tempo em que a União Soviética
era uma potência e a conquista do espaço era uma
guerra de propaganda entre os dois grandes inimigos. De um lado,
os astronautas e suas mulheres.
De outro, olímpico, solitário, o Chuck Yeager interpretado
por Sam Shepard. O melhor piloto de sua geração,
o mais hábil e corajoso, infelizmente pouco adequado para
um programa que transformava os astronautas em máquinas
manipuladas desde o centro de lançamento de Cabo Kennedy
(que, na época, ainda era Canaveral).
Momento sublime, de gênio: Chuck Yeager voa sozinho, no
seu jato, mais alto do que qualquer outro homem já foi.
Simultaneamente, Kaufman mostra seus antigos colegas astronautas
numa convenção política no Texas. Um clone
do ex-presidente Lyndon Johnson apresenta Miss Sally Ran. Surge
a mulher envolta em plumas para fazer um strip-tease ao som de
"Clair de Lune". Ela dança. Os astronautas trocam
olhares entre eles - olhares que dizem tudo o que as palavras
não transmitem. As plumas viram nuvens e aparece Yeager
no seu avião. Você vai ver de novo quantas vezes
quiser, favorecido por essa qualidade que o DVD tem de chegar
mais rapidamente às cenas. A grandeza do cinema passa,
com certeza, pelos eleitos de Kaufman.
Crônica
O ferrão do mandi
Conta-se de um jovem Hnar, de nome Jhñ, certo dia em
que, ao debruçar-se sobre um pequeno charco, para pegar
uma liana aquática com que teceria seus intermináveis
nós, ao colocar a mão na água retirou-a
de imediato. É que um pimelodídeo siluriforme,
raça de pequenos e muito suspicazes peixes, picou-lhe
o dedo médio. Assim o relatou o cisterciense Rivaldo Sacrati
(ver "O Martírio de Isidor Cavaltar", in "Na
Gare da Estação Primavera", pág. 170,
Ed. Letra D'Água, 1999), no oitavo volume das "Litterae
Insulanae", o que atesta a historicidade do evento, embora
seja este um dado novo na desconhecida história do povo
Hnar, que, como é sabido, desconhecia ilações
cronológicas. Registre-se todavia o caso como protomito
ou pré-lenda, no subjetivo inconsciente desse povo (ver
estudo de Edvarus Baumanicus, no seu "Styrische Liederbuch
von Hnarenvolk", exemplar único no Brasil, "Delle
Uffizzi", em Roma). Mas a verdade é que o aguilhão
do mandi, na mão do pequeno Jhñ, talvez tenha calado
mais fundo no lento desenvolvimento dos Hnar, seminalmente provocado
pelos mercadores bercos durante o século 3 a.C.. Hoje
disseminados pelo mundo, os remanescentes Hnar ainda são
a-históricos e a-cronológicos e continuam a enterrar
suas medrosas suspeições nos silêncios obstinados
em relação ao seu universo cultural. Dificilmente,
ou talvez jamais, conseguirão evoluir completamente como
humanos, pois, sempre timoratos como os coelhos e cervídeos
de olhos mansos e amendoados, continuarão a ignorar-se
uns aos outros. Positivo, na evolução Hnar, é
que eles aprenderam a temer o mandi, e todos os peixes, inclusive
a água. Por isso não são pescadores ou marinheiros
e não contemplam as estrelas. Preferem a quietude da árvore,
cuja gorda sombra os protege, porventura, de perigosos mandis.
Modernos pesquisadores, constatando o arfar desses estranhos
remanescentes em façanhudices etílicas que promovem
e alardeiam, travestidos com primitivas peles de renas e de alces,
que escoiceiam e corneiam antes de acomodarem-se ao redor de
certas árvores, ainda recitam, meditabundos, o que, sabe-se
agora, não é o arremedo de um canto pré-gregoriano,
pois o mantra "nnndo!... nnndo!...", em eterno gerundivo,
jamais evoluiu, na sua quieta e ignorante paz.
Tempo de Champak É novamente tempo de
Champak, a védica floração dos amarelos,
doirando encostas e planuras da minha terra catarina. Ora os
fedegosos estalam suas lâminas de puro ouro entre o moriente
roxo das quaresmeiras, e aqui o gaio amarelo coroa a ramagem
dos angicos de copas arredondadas; acolá rebrilha o sol
nas seivas cristalizadas de mil árvores de cássias,
que pendem como pingentes jóias, luzindo brilhos nos seus
áureos cachos... e eis, ali na baixada, o casto amarelo
das mimoseiras, inserindo na leve penugem de suas florezinhas
as suavidades do doce mamilo da Caá. Pelos campos, parece
que tudo isso é uma oferta da natureza a antecipar outoniças
dádivas, antes da íntima hibernação
das raízes e renovação de seivas. O homem,
comovido, esquece do machado e do fogo, pois é o tempo
de agradecer à natureza.
Nós e o "louco" Igualmente às
aranhas, costumamos encapsular tudo o que é diferente:
o louco, que ostenta uma face diversa da nossa, há de
ser engolido por nós, mas terá postergada a deglutição,
pois o ser humano tem um tempo certo, um momento adequado para
devorar o seu diverso. A cápsula que envolve a vítima
descuidada servirá também para esconder o seu desconhecido
e portanto desagradável rosto e impedir seus gestos despropositados
e incivis. A cápsula com que o envolvemos, seja esta de
silêncios ou de covarde trama de maledicências, mostra-nos
que é confortável esconder as opiniões contrárias
e as novas como se fossem sujeiras a ocultar sob um tapete. Como
os ácaros entre o pó dos estofados e as aranhas
que encapsulam suas vítimas, é necessário
esconder o inimigo ou o desconhecido, transformando-o em alimento
maduro para nossos interesses e vaidades.
Os homens palimpsestos Há pessoas que
se prestam a assumir outras faces e outras opiniões, e
mesmo outras preferências, como se fossem verdadeiros palimpsestos
ambulantes. Palimpsesto, sabeis, é o suporte de uma escrita,
reaproveitado. Seja por raspagens, lavagens, esfregações,
os suportes como o linho, o pergaminho, os papiros, as madeiras
e até as tabuinhas de argila eram rasurados ou raspados
para reaproveitamento. Como a engenhosidade humana é muito
vasta, quase tanto quanto seus interesses, os primeiros textos,
raspados dos seus suportes, podiam ser total ou parcialmente
substituídos, o que, no caso, produzia falsificações.
Os homens que se deixam raspar, seja por temor, por mesquinho
interesse ou por pura violência, exibem sempre outras letras
e opiniões, outras palavras ou cores: refletem apenas
aquilo que os tornou palimpsestos. São como coisa morta,
reciclada, que depois de certo número de reaproveitamentos
serão descartáveis, pois já terão
perdido qualquer vestígio do que terão sido ontem.
A alfa, Aleph Iluminando o ocidente de uma pérola,
o mistério do Aleph descortinava um inútil universo:
é que já estava perdida a palavra que o definia,
bem como a sublime imagem, única e verdadeiramente simples,
que estava esquecida ou incompreendida por falta do entendimento
que os homens, mudos, inventam. Daí o sábio intuiu
que o universo é uma palavra humana e o seu amigo,
desconhecido, contém a verdade do Aleph, o começo
de todos os tempos, assim como contém o homem que a contempla
e perquire. E o Aleph, guardado na mão de Deus, é
um signo indecifrável e indecifrado.
Teatro, música e cinema
no aniversário da Capital
Programação
inicia hoje com concerto, mostra fotográfica e exibição
de filmes
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis A comemoração pelo
aniversário da Capital, que completa 274 anos no próximo
dia 23, começa a ser celebrado hoje com o início
do Circuito Cultural Banco do Brasil. O evento se estende até
o próximo domingo e abrangerá cinema, teatro, música,
fotografia e artes plásticas.
O ponto alto da programação inclui a Mostra Nacional
do Cinema, com sete dos oito filmes dirigidos por mulheres cineastas,
e os shows de Elba Ramalho, no dia 17, e de Chico César
e Zeca Baleiro, no dia 18, sempre no Teatro Ademir Rosa, no Centro
Integrado de Cultura (CIC). Mas há espaço também
para artistas menos conhecidos do público, como Diamandu
e o acordeonista Toninho Ferragutti, que dividirão a mesma
noite com a cantora paraibana, que completou 20 anos de carreira
no ano passado.
A programação do Circuito Cultural Banco do Brasil
terá um enfoque voltado às comunidades carentes.
O ingresso para a maioria dos eventos serão livros infantis
ou um quilo de alimento não-perecível, a ser doado
a entidades filantrópicas da Capital. Para os espetáculos
infantis, a entrada é gratuita.
Os eventos destinados às crianças iniciam na quinta-feira,
com um show dos Irmãos Brothers e Cia. de Encenações
Musicais, no ginásio do Sesc, na Prainha. A mesma programação
infantil será repetida na sexta-feira e sábado,
também no Sesc. No domingo pela manhã, os internos
e pacientes do Hospital Infantil Joana de Gusmão, no bairro
Agronômica, ganharão um show dos Irmãos Brothers.
O Circuito Banco do Brasil traz de volta a Florianópolis
duas revelações dos anos 90: o paraibano Chico
César e o maranhense Zeca Baleiro, desta vez num mesmo
show. Nascido em Catolé do Rocha, Chico César prepara
o lançamento do CD "Mama Mundi", o quarto de
uma carreira que lhe deu o Prêmio Sharp 1995 de artista-revelação.
O álbum terá a participação de percusionistas
como Marcos Suzano e Naná Vasconcelos, o guitarrista e
violonista Mário Manga, do Premeditando o Breque, e o
acordeonista Toninho Ferragutti, que se apresentará no
CIC no dia 17.
Zeca Baleiro tem 14 anos de estrada, mas foi com o CD "Por
Onde Estará Stephen Fry?", lançado em 1997,
que o maranhense chegou ao estrelato, com 90 mil cópias
vendidas. O compositor escapou da "síndrome do segundo
disco" ao colocar no mercado "Vô Imbolá",
alcançando tanto sucesso quanto o primeiro álbum
e chegando a 72 mil cópias até o final do ano passado.
Também no ano passado foi a vez de conquistar o mundo:
apresentou-se em Cannes, teve o primeiro disco lançado
pela gravadora Totem, de Paris, e conquistou portugueses e franceses
nos festivas de Famalicão e Montreux. Para este ano, a
idéia é musicar os poemas da escritora Hilda Hilst
no próximo CD e voltar à Europa.
Vinte e dois anos depois de ter se apresentado na peça
"A Ópera do Malandro", de Chico Buarque, Elba
Ramalho prepara o lançamento de mais um álbum,
desta vez duplo parte dele, ao vivo, foi gravado durante
a festa junina do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA). Algumas
das novas canções podem ser ouvidas no show da
próxima sexta-feira no CIC. Elba contará em seu
novo CD com a participação de Chico Buarque, Zé
Ramalho, Lenine, Nana Caymmi, Geraldo Azevedo, Margareth Menezes,
Dominguinhos e Alceu Valença.
Programação
Mostra Nacional do Cinema
Local: Cinema do CIC
Horário: 19 horas
Ingresso: arrecadação de livros de literatura infantil
(novo ou usado) ou 1 quilo de alimento não-perecível
Hoje - "Kenoma", de Eliane Café
Amanhã - "Crede-mi", de Bia Lessa
Dia 14 - "Guarani", de Norma Benguel
Dia 15 - "Como Ser Solteiro", de Rosane Swartmann
Dia 16 - "Fica Comigo", de Tisuka Yamasaki
Dia 17 - "Doces Poderes", de Lúcia Murati
Dia 18 - "Um Céu de Estrelas", de Tatá
Amaral
Dia 19 - "Coração dos Deuses",
de Geraldo Morais
Lançamento do Circuito Cultural BB
Local: Cinema do CIC
Quando: hoje, às 21 horas
Ingresso: para convidados
Coquetel com apresentação do pianista Marcelo
Bratke e músicos
Locais: Camerata Florianópolis, Alberto Andrés
Heller, Vitelli e Grupo Nosso Choro
Shows musicais
Local: Teatro Ademir Rosa, no CIC
Horário: 21 horas
Dia 17 - Elba Ramalho e Banda/Diamandu e Toninho Ferragutti
Dia 18 - Chico César e Zeca Baleiro
Ingresso: R$ 15,00 e R$ 7,50 (estudantes), mais 1 quilo de alimento
não-perecível
Espetáculos infantis
Dia 16 e 18 (10h) e dia 17 (16h) - Irmãos Brothers
e Cia. de Encenações Musicais
Local: Ginásio de Esportes do SESC
Entrada franca
Dia 19 - "Coração dos Deuses"
(teatro), de Geraldo Morais
Local: Teatro Ademir Rosa, no CIC
Horários: 10 e 16 horas
Entrada franca
Mostra de artes
Mostra oceanofotográfica do CCBB-Rio e das artistas
plásticas Vera Sabino e Maria Celeste Neves
Quando: de 12 a 21 de março, das 13 às 21 horas
Local: Espaço Lindolf Bell, no CIC
Ingresso: arrecadação de livros de literatura infantil
(novo ou usado) ou 1 quilo de alimento não-perecível
Teatro
Dia 18 - "Eu sou mais 500", com Tadeu Aguiar
e Eduardo Bakr
Local: Teatro Ademir Rosa, no CIC
Horário: 11 horas
Entrada: 1 quilo de alimento não-perecível
Endereços:
Centro Integrado de Cultura (CIC): Avenida Irineu
Bornhausen, 5600, telefone (48) 333-2166
Ginásio de Esportes do Sesc: Travessa Syriaco Atherino,
100, bairro Prainha, telefone (48) 222-4034
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