Joinville         -          Domingo, 12 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

E  
C  
O  
N  
O  
M  
I  
A  













Contas do governo
tem superávit

Resultado está dentro das metas fixadas com o FMI

O governo central, que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou em janeiro superávit primário (diferença entre receitas e despesas sem considerar os gastos com juros da dívida pública) de R$ 1,457 bilhão, o que corresponde a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Segundo o secretário do Tesouro Nacional Fábio Barbosa, o resultado em relação ao PIB é superior em 0,4 ponto porcentual ao do mesmo período de 1999. O número faz parte das metas firmadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Inauguramos em janeiro uma série de bons resultados para a política econômica em 2000." Em janeiro, o Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 2,2 bilhões. A Previdência Social e o Banco Central registraram déficits de R$ 725,2 milhões e R$ 43,1 milhões, respectivamente. O superávit foi obtido, em termos nominais, pelo aumento na arrecadação de impostos, que passou de R$ 15,265 bilhões para R$ 18,486 bilhões na comparação entre janeiro de 1999 e de 2000. As despesas também subiram, de R$ 11,326 bilhões em 1999 para R$ 13,512 bilhões neste ano.
As receitas do Tesouro em janeiro de 2000 cresceram principalmente por causa das contribuições, disse o secretário. A Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) cresceu R$ 5 bilhões em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado.
As despesas com pessoal e encargos sociais cresceram de R$ 3,735 bilhões para R$ 5,379 bilhões na comparação entre janeiro de 1999 e igual período deste ano. O aumento se deu principalmente pela alteração no período de pagamento da folha salarial a partir de janeiro de 1999, mês em que foram registrados apenas 70% dos pagamentos. Em janeiro de 2000, a folha foi paga integralmente.
Na comparação com dezembro do ano passado, as despesas caíram pela metade. No fim de 1999, ao constatar que a meta de superávit primário acordada com o FMI havia sido atingida, o governo afrouxou a política de contenção de gastos e o item Outras Despesas registrou R$ 6,345 bilhões. Esse crescimento ocorreu, também, porque os pagamentos do Tesouro tendem a concentrar-se no fim do ano. Em janeiro deste ano, a despesas neste item foram de R$ 3,090 bilhões.

SINAL AMARELO

Os resultados fiscais do governo central em janeiro ficaram abaixo do esperado, disse o especialista em contas públicas Raul Velloso. Ele estimava um superávit ao redor de R$ 2 bilhões. A diferença, explicou, deveu-se a maiores gastos com pessoal e outras despesas correntes. "Uma luz amarela clara se acendeu para o governo", alertou.
Terceirização
Cortes nas grandes empresas acabaram trazendo oportunidades de negócios para micro e pequeno empresário.  AN_Economia 
Velloso não trabalha com projeções de superávit fiscal para todo o ano, pois entende que os resultados ainda podem ser influenciados por decisões que serão tomadas ao longo de 2000. Entre elas, o aumento do salário mínimo e o novo teto salarial do funcionalismo público.
O especialista explicou que o superávit fiscal do governo central acertado com o FMI para o primeiro trimestre do ano era de aproximadamente R$ 6 bilhões. Com o resultado positivo de R$ 1,5 bilhão em janeiro, ainda faltam R$ 4,5 bilhões. Isso significa que a diferença terá de ser compensada em fevereiro e março.


Sobretaxa européia contra
a Tupy pode ser eliminada

Brasília - O representante da União Européia no Brasil, Rolf Thimans, disse que a sobretaxa de 26,1% imposta às exportações de tubos de ferro fundidos da Fundição Tupy, empresa sediada em Joinville, poderá ser levantada antes mesmo de agosto, quando termina o prazo da taxação provisória, caso a empresa decida rever os preços praticados no mercado europeu. A medida foi adotada em caráter provisório, até que os advogados da empresa terminem a sua defesa.
A sobretaxa, adotada por acusação de prática de dumping (venda do produto a preços mais baixos do que os praticados no mercado de origem) atinge também as exportações da China, Tailândia, Coréia do Sul e República Tcheca. De acordo com Thimans, as investigações feitas pelo orgão responsável do bloco europeu constataram preços mais baixos. No caso do Brasil, a diferença de preço chega a 26%, valor que, afirmou, caracteriza uma prática conhecida como "undercutting", segundo a qual o valor do produto chega a ser vendido abaixo do custo de produção.
Segundo o representante da União Européia, os advogados da Fundição Tupy utilizaram a desvalorização do real, no ano passado, como argumento para a elaboração do preço. A Fundição Tupy é a única exportadora do produto na América Latina. Os europeus já acusaram a empresa de praticar preços mais baixos antes, em 1983 e em 1986, mas não conseguiram provar.


Abav entra na Justiça
contra empresas aéreas

Joinville - A Associação Brasileira de Viagens (Abav) de Santa Catarina e de outros 15 Estados entram na segunda-feira com ação principal na Justiça para anular a redução das comissões das companhias aéreas ao setor. No início do ano, empresas aéreas internacionais anunciaram a alteração do comissionamento de 10% para 7% nas passagens nacionais e de 9% para 6% nos bilhetes internacionais, logo depois adotada no Brasil pela TAM, Varig e Transbrasil. A alegação era de que precisavam cortar custos. Os 16 Estados obtiveram liminares garantindo o pagamento integral. Até agora, apenas a Transbrasil suspendeu a medida.
Os argumentos da ação judicial não foram divulgados, mas as entidades representativas das agências de viagens afirmam que a medida provocará desemprego. A estimativa é de que acarretaria a perda de 46 mil postos de trabalho diretos e 400 mil empregos indiretos no País.

PERDA NA RECEITA

O presidente da Abav/SC, Kid Stadler, diz as 110 operadoras que atuam em santa Catarina não têm condições de absorver a perda de receita. Os percentuais de diminuição anunciados provocaram uma que da 33% na remuneração das agências. Stadler acredita que a TAM e a Varig também vão suspender as reduções em todo o País.
E assembléia geral realizada em 16 de fevereiro na Abav em São Paulo, as entidades representativas do setor concluíram que existem medidas que as companhias aéreas podem implementar sem interferir na receita das agências. Uma delas seria a racionalização das malhas aéreas, visando otimizar o resultado econômico. A revisão da concessão de descontos e acordos comerciais que privilegiam determinados segmentos e o controle rigoroso também foram apontados como saída para o impasse.


Prévia do IGPM indica
queda para a inflação

Rio - A Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) apurou uma pequena deflação, de 0,002%, nos dez últimos dias de fevereiro, período em que se mede a primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) deste mês. A queda da inflação, no entanto, ocorreu somente no atacado, com redução de 0,21% dos preços. Para os consumidores, a inflação aumentou 0,22% no período. Foi a primeira deflação na primeira prévia do IGPM desde os últimos dez dias de julho de 1999, quando o índice caiu 0,07%. O resultado, próximo de zero, ficou bem abaixo da primeira prévia do IGPM de fevereiro, que mostrou alta de 0,21%.
Atrações sobre rodas
O subcompacto alemão Opel Agila é uma das atrações do Salão de Genebra, que apresenta os mais recentes lançamentos mundiais.  AN_Veículos 
O economista da FGV-RJ Elivaldo Pereira Conceição afirmou que a falta de renda dos consumidores está impedindo novos aumentos no varejo e reduzindo os preços no comércio entre as empresas, no varejo. "Há excesso de oferta por causa do baixo poder aquisitivo e do desemprego alto", afirmou Conceição. A perspectiva de que a situação econômica melhore também freia os gastos dos consumidores, que esperam uma melhor oportunidade.


Bolsa de Mercadorias quer
atrair agricultor familiar

Florianópolis - A Bolsa de Mercadorias e Cereais de Santa Catarina tem interesse em contar com a participação dos agricultores familiares rurais nos seus leilões, informou ontem o diretor executivo, Antônio Zapelini. A iniciativa é inédita no país e Zapelini espera que ela sirva de modelo para os demais Estados, pois está integrada a um projeto do Ministério da Agricultura, que objetiva favorecer o acesso dos agricultores familiares e suas organizações ao mercado.
Para conseguir seu objetivo, a Bolsa de Mercadorias precisa que o Ministério da Agricultura revise a legislação para o setor. O ministério deve criar padrões para produtos brasileiros equivalentes aos utilizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Na terça-feira, Zapelini apresentará o projeto ao governo federal. Além disso, será preciso incentivar os pequenos agricultores a formar cooperativas, associações, consórcios ou outras iniciativas do gênero.

PROBLEMAS

Desta forma, imagina o diretor executivo, poderiam ser evitados problemas como o ocorrido no Vale do Rio do Peixe com os produtores de pêssego. "Eles foram obrigados a descartar parte significativa da sua produção por falta, especialmente, de qualificação dos seus produtos." Esta falta de qualificação pode ocorrer por diferentes motivos, entre eles, a inexistência de câmara frigoríficas para estocagem da produção ou embalagens adequadas para a produção de frutas.
Estes padrões, lembra Zapelini, já são dominados pelos produtores de maçã. "Mas falta aos de tomate", acrescenta. Entre os produtos catarinenses que podem ser negociados na Bolsa de Mercadorias e Cereais estão o tomate, cebola, alho e maçã, "grande parte deles plantados por pequenos agricultores".


Expo'2000 já negociou
60% dos seus estandes

Jaraguá do Sul - Apontada como o maior evento em movimentação financeira e o segundo de público na região de Jaraguá do Sul, a Expo'2000 - Exposição da Indústria, Comércio e Serviços, que acontece de 19 a 23 de julho, no Parque Municipal de Eventos, em substituição a Multifeira, já tem 60% dos 181 estandes comercializados. A expectativa dos organizadores é de definir toda a programação cultural e artística, além de eventos econômicos até final de abril, quando deverão estar comercializados todos os estandes.
Segundo Sueli Brandão, proprietária da empresa responsável pela organização e divulgação do evento, a Expo'2000 terá um perfil mais expositivo, sem venda direta, redirecionando a feira para realização de negócios a curto, médio e longo prazos pós-feira.
Além da exposição, a Associação das Pequenas Empresas do Vale do Itapocu (Apevi), entidade promotora da Expo'2000, pretende desenvolver uma série de atrativos paralelos com objetivo de atrair público. Para isto, estão sendo negociadas apresentações de shows e já está confirmada a presença da confeiteira Marcela Sanches, proprietária da revista "Bolando Bolos", especializada na decoração de bolos, que irá promover cursos diários para as pessoas interessadas em decoração de bolos de casamentos, de 15 anos e infantis.
O núcleo de sorveteiros da Associação Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul (Acijs) vai promover o 2º Festival de Sorvetes durante a realização da Expo'2000 e o núcleo de jardinagem montar um grande jardim. "Outras atrações estão sendo definidas e serão divulgados pelos organizadores nas próximas semanas", finaliza Sueli Brandão.


Mulheres
Presença feminina na Rede mundial de computadores está em alta, o que leva a mudança de conteúdo nos serviços por via on-line.  AN_Informática 
Cenoura 1 - A Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento de Irineópolis está implantando no município um projeto para o cultivo de cenouras. Toda a safra da região vai ser destinada a uma empresa que fabrica suco de cenoura em Porto União e exporta para a Alemanha e Itália. Cerca de 100 famílias devem fazer parte do projeto de cultivo e vão receber treinamento.

Cenoura 2 - A cenoura leva em média cinco meses para ser produzida. A rentabilidade é de R$ 12,00 para cada 25 quilos da olerícola, e a produção será comprada pela empresa Carrot Line Agroindustrial, de Porto União. De acordo com a proprietária da empresa, Irene Huls Kretchek, a expectativa é de que a produção mínima em Irineópolis chegue a 24 toneladas por hectare.

Manchetes AN

Das últimas edições de Economia
10/03 - SC-Gás vai incentivar a conversão de equipamentos
09/03 - FHC descarta nova alta no preço do combustível
08/03 - Alto Vale espera colher 80 mil toneladas de arroz
07/03 - Agricultura não consegue superar situação de crise
06/03 - Contribuinte paga mais imposto ao Leão
04/03 - Argentina adia barreiras contra frango brasileiro
03/03 - Gros critica processo de privatização

Leia também

Recursos do Pronaf vão ser liberados mais cedo

Ministro Raul Jungmann reconheceu ontem que valor destinado para o Estado é insuficiente

Agronômica - Os recursos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf) para o custeio da próxima safra serão liberados mais cedo do que no último ano. A promessa foi feita pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, ao produtor Valmor dos Santos Filho, ontem em Agronômica, onde participou da abertura oficial da colheita de arroz irrigado do Alto Vale do Itajaí, juntamente com o governador Esperidião Amin. Também foram assinados contratos de financiamento do Pronaf Agroindústria, assim como liberados recursos do Banco da Terra para 34 agricultores da região, no valor de R$ 951 mil e entregues cheques do Projeto Florestal Catarinense de Renda Mínima para 30 produtores.
Jungmann ouviu a reclamação do rizicultor, que por falta de recursos do Pronaf para o custeio deixou de produzir mais 30 sacas de arroz por hectare. "Saiu um pouco de dinheiro mas só no final de novembro, enquanto nós iniciamos o plantio em setembro", colocou Santos. Em razão do atraso ele teve que recorrer a outros tipos de financiamento, pagando juros de 6% ao mês. O ministro reconheceu que a liberação do dinheiro atrasou, mas prometeu que este ano vai começar mais cedo. "Ainda ontem (dia 9) acertamos esses detalhes com o ministro da Fazenda e não vão faltar recursos para a agricultura familiar em Santa Catarina", assinalou Jungmann.
Embora o Estado seja o terceiro no ranking nacional na obtenção de recursos do Pronaf e que lidera a agricultura familiar, o ministro reconhece que o valor de R$ 237 milhões ainda é insuficiente. Ele espera contar com o apoio do governador para que sejam liberados já neste ano algo em torno de R$ 300 milhões. Santos prometeu ao ministro aumentar a produtividade em 20% na próxima safra de arroz se realmente houver a liberação de recursos para o custeio, que é o principal problema dos rizicultores da região.
Sobre reforma agrária, Jungmann assumiu compromisso com o governador. Caso consiga um financiamento junto ao Banco Mundial, nos próximos três a quatro anos vai procurar atender uma média de 4 a 5 mil famílias/ano em Santa Catarina. Jungmann anunciou a liberação de R$ 2 milhões para o Banco da Terra.
O ministro ficou impressionado com a produtividade de arroz obtida em Agronômica. Só na propriedade de Valmor dos Santos Filho, onde foi aberta a colheita desta safra, a sua expectativa é obter 250 sacas por hectare. Santos afirma que tem colegas que conseguem uma média ainda maior. Ele disse que existem fatores que fazem com que o município mantenha essa produtividade. Além do clima, ele citou a escolha da semente ideal e o nivelamento das arrozeiras. O fato das áreas serem alagadas com as cheias do rio Trombudo, que ajuda na adubação, também influencia.

Piscicultor faz reivindicação

A liberação de recursos para o custeio como forma de incrementar ainda mais a piscicultura no Alto Vale do Itajaí, onde a atividade é desenvolvida em larga escala em Santa Catarina, foi solicitada pelo presidente da Associação dos Aqüicultores da região, Renardo Schreiber, ao secretário nacional de Agricultura Familiar, Nelson Borges Gonçalves, que acompanhado do governador Esperidião Amin, participou ontem à tarde, em Agrolândia, da despesca na propriedade do produtor Norberto Betta. Em um dos seus açudes foram colhidos 5,9 mil quilos de tilápia, bagre africano e uma pequena quantidade de espécies de carpas. O trabalho envolveu a família e vizinhos.
Schreiber defendeu que os recursos do Pronaf sejam liberados e administrados através das associações municipais de aqüicultores, que na região já totalizam 18 devidamente legalizadas. Ele colocou que a entidade que preside, juntamente com a Amavi (Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí), solicitou a inclusão no orçamento da União de R$ 4,2 milhões para beneficiar a piscicultura de água doce em Santa Catarina. A reivindicação tem como justificativa a geração de empregos, a manutenção do homem no campo, o aumento da renda das propriedades, com os resultados multiplicando-se ao longo dos anos.
O prefeito Dieter Grimm (PMDB) destacou que a piscicultura além de uma fonte alternativa de renda para os produtores rurais está se ajudando a incrementar o turismo no município. Ele observou que aos finais de semana muitas pessoas da região têm vindo para Agrolândia com a finalidade de passar horas pescando nos diversos pesque-pague existentes. Para estimular o consumo, a Prefeitura tem promovido em parceria com a Epagri cursos profissionalizantes.

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicaēćo e Internet