Joinville         -          Domingo, 12 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Aposentadoria se
transforma em maratona

Trabalhador precisa de fôlego para conseguir toda documentação que é exigida pelo INSS

Edson Fuhmann

Além de contar com um serviço de baixa qualidade na área de saúde, na hora de se aposentar com o salário mínimo, o trabalhador urbano e rural se depara com os entraves burocráticos que, via de regra, obrigam o cidadão a uma verdadeira maratona na busca de documentos. A coisa é bem mais complicada quando se trata de pedido de aposentadoria por invalidez. Uma das vítimas deste sistema é o agricultor Leonildo Scapin, 45 anos, casado, dois filhos, residente na Linha Guataparema, interior de Guaraciaba no Extremo-oeste do Estado.
Operado de uma hernia de disco em julho de 1996, em Chapecó, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Leonildo acabou inválido para o trabalho. De lá para cá, ele já gastou cerca de R$ 10 mil em uma nova cirurgia, medicamentos, viagens para a realização de perícias e pagamento de consultas. Somente com a operação, a qual se submeteu em agosto de 1999, gastou R$ 1.600,00. O procedimento foi custeado pelos seus irmãos.

DESAMPARO

Leonildo teve dupla desventura. Primeiro, caiu na mão do Sistema Único de Saúde para a realização de uma cirugia, que não resolveu seu problema e o incapacitou para o trabalho. Nestes quatro anos sofreu com dores atrozes, viu prejudicados seus movimentos a ponto de não poder caminhar e assistiu esvair-se todo o pequeno capital que acumulou na vida dura da roça. Depois, foi parar nas malhas da burocracia previdenciária e judicial, na tentativa de ganhar o direito de se aposentar por invalidez, já que contribuiu com a Previdência durante boa parte da sua vida.
Há quatro anos sem trabalhar e sobrevivendo com R$ 130,00 conseguidos com a pequena produção de leite, atividade desenvolvida pela sua esposa Neiva, Leonildo já perdeu as contas de todas as perícias a que se submeteu para o processo de aposentadoria. Ele entrou com o pedido junto ao INSS logo após a primeira cirurgia, mas recebeu alta médica embora não pudesse voltar ao trabalho. No final de 1997 impetrou processo judicial para obter a aposentadoria, mas nem a Justiça e nem o INSS dão qualquer solução para o caso.
Desde que começou seu calvário, Leonildo já fez cerca de 15 perícias em São Miguel do Oeste, Xanxerê e Guaraciaba. Em todas elas os médicos foram unânimes em confirmar a invalidez. Apesar de estar se arrastando por quatro anos, o processo ainda mofa na superintendência do INSS, em Florianópolis. No início de março, Leonildo se submeteu a uma nova perícia. Desta vez, garante ele, é a última. "Estou jogando a toalha", lamenta.

QUESTÃO TÉCNICA

Paisagem
Os encantos da Chapada Diamantina: Localizado no coração da Bahia, patrimônio natural recompensa o esforço dos visitantes.  AN_Turismo 
O chefe da Agência Regional do INSS de São Miguel do Oeste, Fernando Gusmão, explicou que a questão é técnica e acontece com muitos outros segurados. Segundo ele, os médicos peritos é que determinam se uma pessoa está ou não incapacitada para o trabalho. Mas pode haver a interpretação de que a pessoa pode exercer outra atividade produtiva. Nesse caso, explica Gusmão, não se pode dizer que o segurado é inválido. Hoje, de acordo com o gerente regional, as perícias têm o resultado entregue em três ou quatro dias. Caso o resultado seja negativo, o postulante tem direito a outras duas perícias e pode ainda entrar com recursos junto ao órgão.


Atestados apresentam contradição

Ney Bueno

Jaraguá do Sul - A quem devo recorrer numa hora dessas? A pergunta é de Valdemiro Bartel, que não recebe o pagamento desde dezembro do ano passado e afirma não saber o que fazer para convencer o médico do INSS, José de Farias Lins Filho, que seu estado de saúde não permite que volte ao trabalho. Valdemiro conta que estava encostado desde 1997, quando sofreu um infarto e foi classificado como incapacitado para o trabalho. A surpresa de Valdemiro veio quando, na última perícia realizada no dia 10 de fevereiro, o médico atestou que estava apto ao trabalho. "Não consigo dirigir e tenho atestados de quatro médicos conceituados na cidade declarando a minha incapacidade", desabafa Valdemiro, que recebia uma pensão mensal de cerca de R$ 1 mil e que antes do infarto trabalhava como contabilista.
Na avaliação de Valdemiro, a perícia realizada pelo médico do INSS não corresponde com a realidade técnica da doença. "Nenhum médico permitiu que eu revalidasse minha carteira de motorista. Como então vou me locomover, se não posso nem caminhar direito", declara. Valdemiro, depois do ataque cardíaco teve seus movimentos limitados. Os atestados assinados pelos médicos Vicente Caropreso, Carlos Alberto Beltrami e Pedro Lopes, de Jaraguá do Sul, e ainda Sérgio Kormann, de Joinville, confirmam o impedimento. "Sem nenhuma condições de trabalho" consta nos documentos assinados pelos médicos citados.
No atestado fornecido pelo médico Alberto Beltrami está escrito que Valdemiro é portador de hipertensão arterial severa, cardiopatia hipertensiva e seqüela de três anos com deficit motor à direita, não apresentando condições físicas para desenvolver suas atividades de forma permanente. "Será que a avaliação de quatro profissionais não é suficiente? pergunta Valdemiro.
O clinico José de Farias Lins Filho disse ontem que não pode conceder entrevista à imprensa por determinação de uma portaria do INSS, mas adiantou que na sua avaliação nada impede que os contador Valdemiro Bartel volte a sua atividade profissional. "Vejo ele andando, com bengala, pelas ruas, e para o INSS ele pode voltar a ativa", resume. O médico disse que espera uma autorização de seus superiores para dar maiores detalhes do motivo que liberou o contador a voltar a trabalhar.

DENÚNCIA ANÔNIMA

A chefe da agência da Previdência Social em Jaraguá do Sul, Nara Lúcia Dalmagro, afirmou ontem que o contador Valdemiro Bartel perdeu os direitos do INSS depois de uma denúncia anônima de que ele estava trabalhando no município. "Foi feito uma pesquisa na comunidade onde ele mora e descobrimos que trabalha num bar. Então, administrativamente ele pode trabalhar", ressalta. Segundo ela, sobre a decisão do médico José de Farias Lins Filho, o contador tem todo direito de recorrer da decisão. O prazo legal é de 15 dias depois dele receber o comunicado oficial da perda dos benefícios.


Espera por revisão dura 11 anos

Loreno Siega

Lages - Cansado de fazer visitas e consultas ao posto do INSS de Lages, Justiça Federal e ao advogado, o aposentado Juvelino Ribeiro da Silva, 72 anos, procurou a imprensa para fazer uma reclamação: há 11 anos, juntamente com outros nove colegas, dois já falecidos no período, moveram uma ação coletiva na Justiça com a finalidade de rever os valores recebidos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Após essa peregrinação, e de ser mandado de um lugar para outro, ele ainda não sabe se algum dia poderá gozar do benefício da aposentadoria integral de sete salários mínimos que alega ter direito.
"Dois dos meus colegas já morreram esperando pela revisão que ainda não veio. Será que o INSS quer que a gente vá lhes fazer companhia para só depois se manifestar?", indagou. Juvelino aposentou-se em 30 de dezembro de 1977 como funcionário público - trabalhava no Batalhão Ferroviário e depois no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). Como a aposentadoria não dava para sustentar os seis filhos, continuou trabalhando por mais 10 anos até sofrer infarto e ser obrigado a parar. Ao tomar conhecimento que seu salário deveria ser maior, juntamente com os colegas, ingressou na Justiça Federal contra o INSS em 1989.
Juvelino, que hoje recebe R$ 341,00 do INSS, diz que seu salário deveria ser de R$ 900,00. "O dinheiro que ganho não dá nem para cobrir os custos com remédios que tomo para o coração. Hoje só consigo me manter vivo porque duas filhas ajudam, uma com a comida e a outra para complementar o custo com medicamentos", disse.

SEM PERSPECTIVAS

Mara Regina Mortari, chefe do Setor de Benefícios do INSS, informou que até agora o órgão não foi acionado pela Justiça para proceder a revisão da aposentadoria de Juvelino e de seus colegas. "E tampouco fomos procurados por ele com esse objetivo", disse. Na Justiça Federal, onde tramita o processo, informaram que no dia 15 de fevereiro deste ano os autores foram intimados a ingressar com uma execução de sentença, mais um dos inúmeros trâmites a que o processo é submetido. Indagada sobre o motivo da demora, uma funcionária, que não quis se identificar, informou que, provavelmente, seja porque o advogado das partes teria ingressado com uma medida jurídica inadequada para o caso. A funcionária também não soube informar quanto tempo a ação ainda vai demorar, pois cabem recurso do INSS tanto do valor como do mérito da questão.
Ercílio Souza, advogado dos aposentados, disse que ações contra o INSS sempre costumam ser demoradas. Ele não concorda de que teria sido buscada uma medida jurídica inadequada. "No que depender da gente, estamos agindo com correção e de forma imediata. Mas eu não posso atropelar os prazos e os trâmites internos da Justiça", sintetizou.


Mulheres lutam por
seus direitos no Oeste

Eleita a comissão que vai organizar a escolha de representantes de fórum permanente

Marcos Horostecki

Chapecó - A Festa da Mulher, com a venda de artesanato no salão da Catedral Santo Antônio, encerra hoje a programação que marca o Dia Internacional da Mulher, em Chapecó. A comemoração começou na quarta-feira passada com a mobilização de mais de uma centena de lideranças feministas.
Elas participaram de um encontro na sala de reuniões da Catedral Santo Antônio, onde foi eleita a comissão que vai organizar a eleição dos primeiros integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Também foi debatido, com a presença da deputada federal Luci Choinacki (PT), a participação das mulheres nos 500 anos do Brasil e a situação da agricultora junto ao Instituto de Previdência Social (INPS).
Segundo a coordenadora do evento, Eva Maria Dalchiavon, a intenção da mobilização é elevar o nível de consciência das mulheres sobre a importância da participação delas nas comunidades. "Nos próximos 500 anos, temos a missão de inverter essa lógica de exclusão que as mulheres enfrentam em todo o País", completou a deputada federal Luci Choinacki.
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher é o órgão normativo e deliberativo das políticas públicas de defesa da mulher e estará vinculado à Secretaria Municipal do Desenvolvimento Comunitário e Habitação. Será um fórum para a discussão dos problemas vividos em cada uma das comunidades onde atuam as lideranças feministas. "É um organismo de fundamental importância para a organização e mobilização das mulheres na busca pelos seus direitos", afirmou a deputada.
No entendimento de Luci, o governo não pode mais descumprir as leis que garantem às mulheres o acesso às políticas públicas de saúde e previdência.

Seminário

Mulheres
Presença feminina na Rede mundial de computadores está em alta, o que leva a mudança de conteúdo nos serviços por via on-line.  AN_Informática 
Em Blumenau, o Domingo Livre hoje também será dedicado às mulheres. As blumenauenses encontrarão nos pavilhões da Proeb, serviços de saúde, beleza e informações sobre seus direitos. No dia 15 de março, às 14 horas, no Centro de Convenções Willy Sievert, elas se encontram no seminário e debate sobre a participação da mulher nos 500 Anos do Brasil e 150 anos de Blumenau. A programação encerra no dia 16, às 20 horas no Teatro Carlos Gomes, com um jantar e homenagem às mulheres de destaque.


Agricultoras acampam
cinco dias em Brasília

Cerca de 5 mil mulheres agricultoras de 21 Estados do País, através de mobilização organizada pela Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, vão acampar em Brasília, a partir de amanhã, para debater e defender a saúde pública, a previdência pública e universal e a agricultura brasileira. O encontro se estende até sexta-feira.
No dia 15, para lembrar o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, elas sairão às ruas de Brasília com um lenço lilás no pescoço, em memória das operárias norte-americanas do século passado, vítimas de incêndio criminoso (reivindicavam melhores condições de trabalho) no momento em que confeccionavam roupas com tecido lilás.
Elas vão reforçar a luta por questões estratégicas, manifestando-se a favor da saúde pública, da previdência pública e universal e do fortalecimento da política agrícola e agrária. São jovens sem terra, pequenas agricultoras, pescadoras, quebradeiras de coco, índias, negras, descendentes de imigrantes europeus pobres de todos os cantos do País, reunidas através da mobilização organizada pela Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais (ANMTR).
Em manifesto, as agricultoras revelam que o neoliberalismo arruinou 942 mil estabelecimentos agrícolas nos últimos dez anos, sendo que desapareceram 450 mil pequenas propriedades, foram eliminados 2,9 milhões de empregos no campo e 4,5 milhões de famílias ficaram sem terra. "Vivemos a insegurança de chegar à velhice sem aposentadoria, de perder o salário-maternidade, de se expor permanentemente aos perigos da lavoura, sem direito ao auxílio acidente de trabalho. Nós e nossos filhos e filhas não temos acesso à educação. No Brasil existem mais de 6,5 milhões de agricultoras analfabetas. Sofremos a violência que faz mais vítimas por dia do qualquer guerra. A tortura e agressão da política e dos fazendeiros e pistoleiros são constantes em nossas ocupações e lutas".
No Acampamento Nacional, em Brasília, as agricultoras vão escrever um documento a ser entregue ao presidente da República, aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, aos ministros da Saúde, da Previdência e da Agricultura. Nos dias em que permanecerão em Brasília, querem reafirmar suas metas e objetivos:
1. Garantia de recursos para a Saúde e efetiva implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), possibilitando atenção à saúde de qualidade para todos;
2. Não à privatização da Previdência e pela manutenção dos direitos previdenciários das trabalhadoras e trabalhadores rurais (aposentadoria, salário-maternidade, auxílio acidente de trabalho)
3. Reforma agrária
4. Crédito subsidiado para custeio e investimento, preços e garantia de comercialização de produtos agrícolas;
5. Soberania nacional e não pagamento da dívida externa;
6. Projeto de governo popular e democrático para o País, com garantia de comida, salário justo, educação, respeito, democracia e dignidade para o povo brasileiro.
A Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais é uma entidade sem fins lucrativos que abrange movimentos de mulheres de 23 Estados da Federação.


Rodeio faz 63 anos
sem esquecer a Itália

Município é responsável pelo resgate da cultura trazida de Trento pelos imigrantes

Herculano Vicenzi
Especial para A Notícia

Desbravado por imigrantes italianos da província de Trento, Norte da Itália, que chegaram a partir de agosto de 1875, o município de Rodeio, com seus modestos 135 quilômetros quadrados rodeados por colinas e montanhas cobertas por exuberante floresta, que originou o seu nome, comemora terça-feira, 63 anos de emancipação política. Com mais de 9 mil habitantes, conforme o censo realizado em 1996, tudo em Rodeio à primeira vista parece pequeno. Mas esse município do Médio Vale do Itajaí, banhado pela bacia hidrográfica do rio Benedito e distante 45 km de Blumenau, ocupa lugar de destaque na história da italianidade de Santa Catarina.
No limiar de completar 125 anos de colonização, Rodeio passou a ocupar lugar de destaque no Estado a partir de 1975, na comemoração do centenário da chegada dos imigrantes de Trento. Para marcar a passagem dos 100 anos de colonização, a sociedade de Rodeio se uniu, promovendo uma grande festa, que teve como marca registrada o resgate de valores culturais trazidos pelos imigrantes de Trento.
Através de iniciativa de um grupo de líderes políticos e comunitários, entre eles a professora e historiadora Iracema Moser Cani, atual secretária de Turismo e Cultura do município, na época do centenário da cidade foi fundado o Grupo Ítalo-Brasileiro de Arte e Cultura (Gibrac).
Como primeira medida o Gibrac organizou um grupo de cantores, que resultou na edição do primeiro disco (um LP com 12 faixas) de músicas trentinas da história de Santa Catarina. O Gibrac foi também responável pela consolidação de La Sagra, festival italiano de origem medieval, quando as famílias das vilas (paeses) tinham o costume de comemorar o final da colheita com uma grande festa, na qual era associado o santo padroeiro do lugar. A festa começava sempre com missa solene, seguida de farto jantar, muito vinho e danças folclóricas.
Em Rodeio a festa de La Sagra desde 1989 é comemorada no mês de setembro, durante uma semana inteira. O evento constitui-se numa das principais promoções do calendário festivo de Santa Catarina, atraindo visitantes de dezenas de municípios, especialmente daqueles localizados no Vale do Itajaí.


Moradores recebem
visitantes com simpatia

O resgate cultural promovido pelo Gibrac é motivo de orgulho para o povo de Rodeio, pois além da valorização da italianidade local, o trabalho desenvolvido pela entidade influenciou outras cidades catarinenses a seguir o exemplo. Graças ao trabalho pioneiro, hoje em Santa Catarina existem diversos grupos organizados, que cultivam a música, danças, culinária e a língua dos imigrantes italianos.Também conhecido por Vale dos Trentinos, Rodeio é uma cidade que transpira simpatia. Os visitantes são recebidos com espontaneidade, como se fossem velhos conhecidos. As casas, amplas e típicas, ainda conservam o fogão a lenha, enquanto que a mesa é farta e as rodadas de vinho colonial são recheadas por piadas picantes.
Fala-se dialeto trentino em casa, na cantina, na cancha de bocha, em qualquer lugar. Famílias tradicionais de outras origens incorporaram os costumes italianos. Até na comunidade de Ipiranga, região montanhosa habitada por descendentes de poloneses, a língua do dia-a-dia é o dialeto italiano, dando a impressão que se está num pedaço do Norte da Itália.
Enquanto que a economia gira em torno das culturas de arroz irrigado e banana, não faltam as cantinas coloniais de vinho, muito menos o fabrico de queijos. A cidade também dispõe de indústrias e um comércio compatível com suas necessidades. Recentemente Rodeio ganhou uma grande cantina e uma queijaria, cujos proprietários fizeram curso de especialização na Itália.
Na ótica de Iracema Moser Cani, o surgimento desses novos empreendimentos é importante para o município. "Nosso vinho e nosso queijo são os melhores do Estado e isso ajuda a desenvolver o turismo local", elogia a secretária.(HV)


Igrejas revelam
religiosidade

A religiosidade, com predominância absoluta da Igreja Católica, é outra marca que se destaca em Rodeio. Com apenas pouco mais de nove mil habitantes o município conta com 15 igrejas, sendo a principal a matriz de São Francisco de Assis, localizada numa colina no centro da cidade. Motivo de orgulho dos moradores, as igrejas são verdadeiras obras de arte, desde a matriz até os oratórios e capitéis.
Exemplo desse orgulho pelas igrejas é demonstrado por Jaime Lorenzi, nativo de Rodeio e residente em Joinville há 40 anos. Quando bate a saudade pela terra natal vai para lá e antes de saborear queijos e vinhos costuma visitar as belas naves dos templos católicos, onde na sua opinião estão plantados os pilares da tradição cultural do povo de Rodeio.
Rodeio sabe tirar proveito do turismo religioso, atraindo grande número de visitantes na festa de Corpus Christi, teatro da Paixão na Sexta-Feira Santa, romaria no Eremitério e romaria na Abissínia. Todos esses eventos reglisosos são antigos - o teatro da Paixão é realizado desde 1952 - e por isso ganharam fama em toda a região do Médio Vale do Itajaí, atraindo número participantes que não pára de crescer.

Comemorações

Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de 1958, época em que se passa a novela "Esplendor".  AN_Tevê 
Pela passagem dos 63 anos de emancipação política, o prefeito Hélio Fiamoncini não preparou nada de muito especial para a data, além do tradicional desfile de estudantes. Em contrapartida, atento à aproximação dos 125 anos de colonização trantina, determinou uma extensa programação, que se estende de março a novembro. A meta é reforçar a valorização dos aspectos culturais trentinos. (HV)

Manchetes AN

Das últimas edições de Geral
11/03 - BR-101 deve ficar pronta em outubro
10/03 - Mosquito da dengue chega à Capital
09/03 - Estradas registram menos mortes
08/03 - Conselho médico apura escândalo no Oeste
07/02 - Copa Lord é tricampeã no Carnaval de Florianópolis
06/03 - Copa Lord levanta o público na passarela Nego Quirido
05/03 - Perfil do crime muda no Oeste durante verão

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Lago da hidrelétrica
de Itá quase pronto

A poucos metros do nível ideal, águas já cobriram antiga ponte sobre o rio Uruguai entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul

Jean Carlos Souza
Especial para A Notícia

Concórdia - Faltam poucos metros para o lago da hidrelétrica de Itá ficar completamente formado. Neste final de semana, a água estará 72 metros acima do nível histórico do rio Uruguai e próxima da marca de 91 metros, considerada ideal pelos técnicos da Gerasul, uma das empresas responsáveis pela construção da usina. Na terça-feira deste semana, o enchimento do lago engoliu por completo a antiga ponte sobre a BR-153, que ligava Santa Catarina ao Rio Grande do Sul.
O desaparecimento da ponte foi acompanhado diariamente pelos moradores de Concórdia e região. Em plena terça-feira de Carnaval, centenas de pessoas foram até o local observar os últimos resquícios da antiga ponte, que tinha cerca de 40 metros de altura. Policiais rodoviários de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul montaram plantão sobre a nova ponte da BR-153 para controlar o tráfego de pessoas e veículos. Mais de dez motoristas foram multados por fazer manobras perigosas ou estacionar em local proibido.
De acordo com o coordenador da operação no lago da hidrelétrica, Flávio Lima de Souza, a antiga ponte da BR-153 desapareceu antes do previsto. As chuvas de março triplicaram a vazão do Uruguai, aumentando a velocidade da formação do lago. "Acreditávamos que lago estaria completamente formado somente em junho. Mas as chuvas na bacia do rio Uruguai diminuíram essa previsão e, provavelmente o lago estará pronto dentro de um mês e meio", diz Flávio Lima.
Além do desaparecimento da antiga ponte, a partir de quinta-feira começou a funcionar um dos vertedouros da barragem. Às 7 horas foi aberto o vertedouro um. Com isso, a piscina que serve para amortecer a força da água começou a receber a água que voltou a abastecer o leito do rio Uruguai. Com isso, o trecho do rio abaixo da barragem deverá recuperar rapidamente a vazão que tinha antes, acima de 100 metros cúbicos de água por segundo.
Um dos trabalhos que mais preocupa a Gerasul neste momento é o recolhimento do lixo orgânico que circula pelo lago, como galhos e troncos de árvores. Equipes da Gerasul recolhem diariamente os resíduos para evitar que os equipamentos da usina sejam prejudicados.


O fim de uma brincadeira perigosa

O desaparecimento da antiga ponte sobre a BR-153 representou um alívio para os policiais responsáveis pela segurança na rodovia. Nas últimas três semanas, centenas de pessoas usaram a ponte para se divertir. Algumas brincadeiras ultrapassaram o limite da prudência. Quando ainda faltavam cerca de 12 metros para a água atingir a ponte, a diversão preferida de dezenas de banhistas era saltar do parapeito, sem se importar com os restos de árvores que circulavam dentro do lago em formação.
Apesar do perigo representado pela brincadeira, a Polícia Rodoviária e o Corpo de Bombeiros de Concórdia não registraram nenhum incidente grave. Pelos cálculos da Polícia Rodoviária Federal, que atua no posto de Cachimbo, em Concórdia, cerca de 300 pessoas por final de semana usaram a ponte como local para banho. Além dos banhistas, a antiga ponte foi referência para os donos de lanchas e jet-skis.
A Gerasul continua não recomendando o banho nas águas do lago em formação. Primeiro, porque o fundo do lago é bastante irregular e ainda desconhecido. Segundo, devido ao acúmulo de restos de madeira sobre as águas. E terceiro, por causa da possibilidade de animais como cobras e aranhas, apanhadas de surpresa, estarem tentando fugir da água. Apesar dos alertas feitos pela Gerasul, até agora nenhum tipo de fiscalização foi implantada.
O que os municípios atingidos pela barragem pretendem regularizar com rapidez são os passeios de barcos. Hoje já existe uma empresa em Itá fazendo o serviço. O temor dos municípios é de que a disseminação dos passeios abra espaço para embarcações e profissionais despreparados. (JCS)


Atendimento da Saúde
aumenta 322% em SC

Rede hospitalar estadual registra surpreendente número nos procedimentos de urgência e emergência

Sandra Annuseck
ESPECIAL PARA A NOTÍCIA

Florianópolis - Unidades da rede hospitalar administradas pela Secretaria Estadual da Saúde registraram um aumento de 322% no volume de atendimentos de urgência e emergência durante o Carnaval. Os números surpreenderam a equipe do secretário Eni Voltolini, que projetava, no máximo, um acréscimo da ordem de 40 a 50%. "Se não estivessemos preparados e organizados, não teríamos dado conta da demanda, muito acima do esperado, em razão do crescimento da violência", afirma Voltolini, que durante os dias de festa designou o adjunto João Cândido da Silva para supervisionar o movimento nos hospitais.
No Carnaval do ano passado, as unidades atenderam 1.638 pessoas. Este ano, o número saltou para 6.948. "É preciso deflagrar campanhas para evitar abusos nas festa. Não se pode limitar a chamar turistas e controlar a disseminação da Aids, mas também é preciso orientar como brincar", defende Voltolini. Durante os dias de festa, foram realizadas 307 cirurgias, superando também as 235 registradas no ano passado.
A Comissão Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids consolidou a meta de distribuir, durante o Carnaval, 1 milhão de preservativos. O trabalho, lembra o secretário, contou com o apoio ostensivo de órgãoas não-governamentais, municípios e blocos carnavalescos. "A preservação a Aids não pode se ancorar numa única festa, deve-se estender ao longo de todo ano", acredita Voltolini.
Num comparativo de janeiro/fevereiro deste ano com mesmo período do ano passado, a Secretaria Estadual da Saúde apurou um incremento de 12% nos antedimentos e 55% no número de cirurgias.

DENGUE

Os vinte e quatro focos de larvas dos mosquitos transmissores da dengue encontrados em residências e terrenos baldios, em Canasvieiras, por agentes da Fundação Nacional de Saúde e Prefeitura não foram superdimensionados pelo secretário. "Importante é que não há caso concreto. Em todo Estado, agentes comunitários e monitores têm trabalhado para prevenir a doença. A Vigilância Epidemiológica está em alerta. Dizer que nunca vamos ter um caso seria mentira, mesmo porque o Estado recebe diariamente turistas de diversas partes do país", observa.


SC Transplante melhora adesão

Voltolini está satisfeito com os primeiros resultados da adesão do Estado ao Sistema Nacional de Transplantes, que tirou Santa Catarina da condição de mera captadora e repassadora de órgãos. "Agora, a população se sente mais predisposta a contribuir, explica o secretário, salientando, no entanto, que a população precisa ainda mais ser estimulada a doar seus órgãos, afastando temores.
A secretaria investiu até agora cerca de R$ 150 mil no "SC Transplante", que equipou algumas unidades para detectar com precisão o diagnóstico da morte cerebral. Com a adesão ao sistema nacional, Voltolini esclarece que as entidades credenciadas - total de nove e mais duas em fase de aprovação - recebem os recursos diretamente do Ministério da Saúde, que cobre todos os custos, evitando a defasagem e assim garantindo o pronto atendimento dos pacidentes.


Mar é tema da coleção
Caminhos de Santa Catarina

Ana Paula Lückman

Florianópolis - Bem antes dos imigrantes açorianos, alemães e italianos que vieram povoar o território catarinense e ainda hoje deixam marcas de suas culturas no Estado, outros ocupantes europeus "forçados" haviam estado no litoral. Náufragos, desertores e degredados, entre eles dois dos remanescentes da viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães, já passavam pela costa catarinense poucos anos depois do descobrimento. Se náufragos e deserdados foram moradores involuntários, os desertores parecem ter sido os primeiros que optaram por se fixar nas belas enseadas do litoral do que hoje é Santa Catarina.
A história desses primeiros aventureiros será contada em mais detalhes neste domingo no caderno "Os Caminhos do Mar", terceiro fascículo da coleção "Caminhos de Santa Catarina", que será encartada semanalmente em A Notícia até 16 de abril. Além das primeiras iniciativas portuguesas para estimular o povoamento do litoral, que tinha posição estratégica para garantir a segurança da colônia, o fascículo contará detalhes do início da imigração açoriana, da edificação das fortalezas na Ilha de Santa Catarina, da invasão espanhola e de outras aventuras empreendidas pelo oceano Altântico até o litoral catarinense. O leitor terá acesso também a sugestões de passeios por locais que foram cenário dos fatos históricos descritos no caderno.
No dia 19 de março a coleção "Caminhos de Santa Catarina" terá continuidade com o fascículo "Os Caminhos Alemães", seguida por "Os Caminhos Italianos" (26 de março), "Os Caminhos das Tropas" (2 de abril), "Os Caminhos do Oeste" (9 de abril) e "Os Caminhos do Futuro" (16 de abril).
A coleção é produzida pela sucursal de A Notícia em Florianópolis, com edição de Ana Paula Lückman e projeto gráfico e diagramação de Ayrton Cruz. O arquiteto Dalmo Vieira Filho, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Santa Catarina, é autor dos textos e do projeto editorial. O material é elaborado com consultoria dos arqueólogos Rossano Lopes Bastos e Fabiana Comerlato, além da acadêmica Elaine Arnold.


Motoqueiros
fazem encontro anual

São Miguel do Oeste ­ Cerca de 800 motoqueiros do Sul do Brasil, Argentina e Paraguai estarão em São Miguel do Oeste a partir de amanhã para o 2º Motocão, encontro anual promovido pelo Moto Grupo Cães do Asfalto. Toda a programação, que se estende até domingo, vai ser desenvolvida na praça Walnir Bottaro Daniel, onde está sendo levantado um barracão de lona com 80 metros de comprimento para a praça de alimentação e palco de shows.
Para o público em geral, o ponto alto serão as apresentações de acrobacias, a cargo da equipe "Contagem Zero", de Passo Fundo (RS), que se apresenta em todo o Brasil. Haverá também espetáculos de dança do ventre, danças flamencas e shows de rock. Apesar de reunir motoqueiros do Sul do País, a expectativa é da presença de grupos paulistas e cariocas e também de países do Mercosul. Segundo Roni Mallmann, um dos organizadores, a maior atração, a exemplo do ano passado, ficará por conta das motos exóticas e antigas, como uma Harley Davidson, de fabricação americana de 1946, com 750 cilindradas.


Mulheres - Mais de 3 mil mulheres devem participar hoje da caminhada por ruas centrais de Concórdia que será promovida pela Prefeitura. O evento faz parte da programação comemorativa pelo Dia da Mulher, ocorrido na quarta-feira. A prefeita Leni Marini estará à frente do grupo, que inicia o trajeto na Praça Dogello Goss. O restante do Encontro da Mulher 2000 será desenvolvido no Parque de Exposições Attílio Fontana. A programação foi transferida para hoje devido à coincidência com a quarta-feira de cinzas.

Torneio do Lixo ­ Coletar todo o lixo possível nas margens do rio Canoinhas ao longo de cerca de 30 quilômetros. Essa é a meta do 3º Torneio do Lixo de Canoinhas. A competição deve envolver equipes que vão percorrer o leito do rio com botes e sacos para juntar os detritos. Os grupos que conseguirem juntar o maior número de entulhos vão receber prêmios. O torneio inicia às 13 horas de hoje. O Torneio do Lixo é realizada duas vezes por ano.

Acafe - Aprovar o planejamento geral deste ano é o tema central da assembléia geral da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) que reúne reitores de doze instituições amanhã, em <B>Brusque<B>.
Sob a presidência do reitor da Unoesc e presidente da Acafe, Luiz Carlos Lückmann, os dirigentes aprovarão o balanço de 1999 e a previsão orçamentária de 2000.

 
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