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ANotícia
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Otimismo
Barreto afirma que o cinema brasileiro tem
plenas condições de tornar-se uma indústria
competitiva. "Ele poderia ser uma poderosa arma da nossa
cultura, um instrumento da cidadania"
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Confiança no
produto nacional
O diretor Fábio
Barreto reafirma sua fé no cinema brasileiro em evento
na Capital
Ana Cláudia Menezes
"Vale
a pena acreditar no cinema brasileiro". A afirmação
do cineasta Fábio Barreto deixou uma sensação
de esperança e conforto aos mais de cem estudantes, produtores
e atores que lotaram a sala de multimídia do Museu de
Imagem e do Som (MIS), em Florianópolis, na noite de sexta-feira,
para ouvir do diretor de "O Quatrilho" um diagnóstico
sobre a produção cinematográfica que vem
sendo feita no Brasil. O debate intitulado "Deus e o Diabo
na Terra do Cinema Brasileiro" foi o primeiro contato do
diretor carioca com o público catarinense antes do curso
de interpretação de atores que ele ministra a partir
do próximo final de semana.
Otimista, Barreto garantiu que o cinema brasileiro só
tem um único destino depois de sucessivas fases de altos
e baixos. "Existe um mercado gigantesco e que não
tem mais volta, apesar da campanha de oposição",
disse, referindo-se a artigos publicados na revista "Veja"
e no jornal "Folha de S. Paulo", desqualificando profissionais.
"Vale a pena acreditar", repetiu. A afirmação
arrancou aplausos do público.
Supervisor do núcleo de cinema da Universidade Estácio
de Sá, no Rio de Janeiro, Fábio Barreto disse que
a produção cinematográfica brasileira conta
com um elemento que há décadas diferencia o que
é feito aqui e em outros países, principalmente
nos Estados Unidos, que produzem anualmente uma "enxurrada
de filmes descartáveis". Para ele, o cinema de conteúdo,
com preocupações humanísticas e sociais,
acompanha o Brasil desde a sua fase áurea, com os estúdios
da Atlântida e Vera Cruz parodiando Hollywood.
Depois veio o período do Cinema Novo, com Nélson
Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Luiz Carlos Barreto (pai dos
irmãos Bruno e Fábio Barreto), Cacá Diegues,
Arnaldo Jabor e Leon Hirzmann. Nos anos mais difíceis
da ditadura militar, explicou Fábio Barreto, os cineastas
utilizaram o cinema como "arma de conscientização",
influenciado pelo neorrealismo italiano de Roberto Rossellini
e aplaudido de pé nos festivais internacionais de Berlim,
Veneza e Cannes. "Este cinema não interessava (à
ditadura) por causa de sua linguagem hermética e crítica",
analisou.
Com a criação da Embrafilme no final dos anos 60
e o sucesso da pornonanchada, a década de 70 testemunhou
o auge do cinema brasileiro. Segundo dados apresentados por Barreto,
uma fatia de 35% a 40% do mercado havia sido conquistada pelos
filmes brasileiros, exibidos em 3.500 cinemas espalhados nas
capitais e no interior. É desta época sucessos
como "Pixote", "Xica da Silva", "A Dama
do Lotação" e "Dona Flor e seus Dois
Maridos", entre outros. "Aquela década foi a
prova de que o brasileiro gosta do cinema brasileiro", constata.
Na década seguinte, com a crise do petróleo, o
governo Figueiredo e a inflação, muitas distribuidoras
estrangeiras pararam de mandar filmes para salas de cinema do
interior que, por causa disso, tiveram que ser fechadas, encolhendo
o número para 1.200. "Acabaram virando supermercados,
bancos e igrejas evangélicas", explicou Barreto.
O ano de 1986 foi o último em que o Brasil ainda teve
uma produção de boa qualidade, com "Eu Sei
Que Vou te Amar", "Com Licença Eu Vou à
Luta" e "O Homem da Capa Preta".
Renascimento
O cinema brasileiro deu a volta por cima, no entanto. Depois
da criação da Lei do Audiovisual, há cinco
anos, a produção nacional já toma conta
de 10% do mercado. "Imagina, são só cinco
anos e o Brasil já está disputando Oscars (1996,
1997 e 1999) e outros festivais importantes", anima-se Barreto,
que dirigiu também "Índia" (82), "O
Rei do Rio" (85), "Luzia Homem (87)" e "Bella
Donna" (98), e produziu "Garota Dourada", de Antônio
Calmon, rodado em Garopaba em 1982.
Segundo Barreto, o cinema no Brasil tem plenas condições
de tornar-se uma indústria competitiva, com geração
de empregos. "O cinema brasileiro poderia ser mais forte
do que é, como uma poderosa arma da nossa cultura, um
instrumento da cidadania", disse. Ele defende que a atividade
cinematográfica seja desvinculada do Ministério
da Cultura e passe a ser administrada por uma agência,
como a Agência Nacional do Petróleo, ligada diretamente
ao gabinete da presidência da República. "Hoje
o Ministério da Cultura cuida de tudo, de banda de música,
de cinema, de banda de pífanos, de orquestra. Tudo ao
mesmo tempo não dá certo", criticou.
Defensor do telefilme e da tese de que a televisão deve
apoiar o cinema brasileiro, Barreto afirmou também que
a Lei Rouanet está passando por um balanço, depois
de ter sofrido uma espécie de "canabalização",
com a distribuição de verba a pessoas que não
possuíam experiência prévia em produção.
Entre os casos mais conhecidos está o do ator Guilherme
Fontes, que buscou recursos junto ao Ministério para filmar
"Chatô", baseado no romance biográfico
escrito por Fernando Morais sobre a vida do magnata das comunicações
Assis Chateaubriand. O filme, com orçamento total de R$
12 milhões, já consumiu R$ 8 milhões em
dinheiro público mas sua produção está
suspensa desde maio do ano passado. Outro exemplo foi o da atriz
Norma Bengell. Na prestação de contas do filme
"O Guarani", baseado no romance de José de Alencar
e que o CIC apresenta amanhã, às 19 horas, a diretora
apresentou notas frias no valor de R$ 1,35 milhão.
Curso selecionará atores
para filme
O curso de interpretação para cinema e TV inicia
no próximo sábado, dia 18, na sala de multimídia
do Museu da Imagem e do Som (MIS), no Centro Integrado de Cultura
(CIC), em Florianópolis, e terá a presença
do cineasta carioca Fábio Barreto durante quatro finais
de semana. Organizadas pelo Estúdio de Atores, as aulas
serão divididas em três turmas, aos sábados,
das 17 às 21 horas, e aos domingos, das 10 às 14
horas e das 15 às 19 horas.
A divisão dos grupos será feita de acordo com a
faixa etária e o nível profissional dos participantes,
ou seja, se o aluno ou aluna tem experiência anterior em
algum trabalho de interpretação. Para o diretor
Fábio Barreto, esta será a oportunidade de selecionar
atores e atrizes para preencher as vagas de 45 personagens do
filme "Jacobina", baseado no livro "Videiras de
Cristal", do escritor gaúcho Luiz Antônio Assis
Brasil. "Vou analisar o trabalho individual de cada pessoa
e identificar o potencial intuitivo do ator, sem me preocupar
tanto com a performance e o texto", explicou Barreto. Maiores
informações podem ser obtidas pelo telefone (0xx48)
222-2010.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de
1958, época em que se passa a novela "Esplendor".
AN_Tevê |
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Outro assunto que deverá mobilizar
a comunidade cinematográfica da Capital nesta semana é
a chegada de uma comitiva da cidade francesa de La Rochelle.
Entre os objetivos de uma série de reuniões que
acontecem a partir de hoje estão a assinatura de convênios
nas áreas econômica, científica, tecnológica
e cultural. Na quinta-feira, às 16 horas, os franceses
serão recebidos na sala de multimídia do MIS pelo
diretor do Museu, Eduardo Paredes, além de cineastas e
atores locais. Eles apresentarão propostas de intercâmbio
entre Florianópolis e La Rochelle aos interessados que
quiserem estudar cinema, design e história em quadrinhos
na França, inclusive com bolsa de estudos. Em Florianópolis,
o encontro está sendo articulado pelo Parque da Francofonia,
cuja sede no Brasil está na Capital. (ACM)
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| Leia também |
Sentimentalismo exagerado
é o defeito de "Regras da Vida"
Concorrente ao
Oscar, filme aborda temas fortes mas se perde na pasteurização
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Em cartaz desde a semana passada, "Regras da Vida"
tem feito chorar legiões de espectadores. Aliás,
nunca tantos filmes indicados para o Oscar investiram tanto na
emoção pelo drama humano. é possível
chorar também em "à Espera de um Milagre",
de Frank Darabont, e no admirável "O Informante",
de Michael Mann, com a comovente implosão do personagem
de Russell Crowe. "Regras da Vida" é um filme
do sueco Lasse Hallstrom, que já ganhou o Oscar de melhor
filme estrangeiro com "Minha Vida de Cachorro". Concorre
a sete estatuetas: melhor filme, direção, roteiro
adaptado, ator coadjuvante (Michael Caine), trilha sonora, montagem
e direção de arte. Desde que foi cooptado pelo
cinema americano, Hallstrom só fez um bom filme. Talvez
nem fosse tão bom, mas era emotivo sem pieguice e ainda
foi um dos primeiros filmes a chamar a atenção
para Leonardo DiCaprio, "Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador".
Nos seus melhores momentos, Hallstrom é um diretor que
se sente à vontade relatando histórias de pequenas
vidas, de gente como a gente. Histórias cheias de pequenos
detalhes. A de "Regras da Vida" mostra o veterano Caine,
que pode ganhar seu segundo Oscar de coadjuvante (já recebeu
um por "Hannah e Suas Irmãs") como o médico
que dirige um orfanato. Ele tem um aprendiz
interpretado por Tobey Maguire. O rapaz é médico
sem diploma, um prático.
O filme começa mostrando a vida no orfanato. Maguire resolve
trilhar caminho próprio. Cai no mundo. Vai parar numa
fazenda no interior, como trabalhador rural. Envolve-se num caso
de estupro entre pai e filha. É chamado a substituir Caine,
com direito a diploma falso e tudo. Ele retoma o caminho de volta
ou segue em frente? É o dilema moral que encaminha o filme
para o desfecho.
Hallstrom poderia ter feito um belíssimo filme, pois o
roteiro de John Irving, adaptado de seu romance, está
longe de ser desinteressante. Mistura grandes e pequenos temas
- o drama da orfandade, as dificuldades do rito de passagem,
o mecanismo do desejo e também o aborto e as drogas (o
médico é viciado). O personagem de Maguire, Wells,
vive o despertar do sexo com a namorada do rapaz que o acolheu
em sua fazenda. Um pai deseja a própria filha. São
temas fortes que o filme termina diluindo na pasteurização
da mise-en-scne.
Não é ruim assistir a "Regras da Vida"
e os mais emotivos vão chorar de verdade, pois Hallstrom
tem um talento todo especial para dirigir crianças. Muitas
cenas no orfanato, a ansiedade das crianças quando vêem
chegar alguém interessado numa adoção, são
verdadeiramente sinceras e passam uma emoção genuína.
São os melhores momentos do filme. O cumprimento de Caine
("Boa-noite príncipes do Maine") pode até
entrar para a relação das réplicas famosas
do cinema. Mas os excessos sentimentais da história cobram
seu preço.
Talvez não seja o sentimentalismo da história.
Uma história pode ser sentimental, mas não precisa
ser narrada com pieguice. É o que Hallstrom faz. É
um diretor que se perdeu em Hollywood. O artista sensível
e inspirado de "Minha Vida de Cachorro" está
fazendo filmes cada vez mais pastosos. O fato de estar na corrida
do Oscar com "Regras da Vida" levanta dúvidas
quanto ao futuro de sua carreira. Hallstrom, referendado pela
Academia de Hollywood, pode acabar convencido de que está
fazendo a coisa certa.
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