Joinville         -          Terça-feira, 14 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Prestígio
O diretor-geral Vladimir Vasiliev e a sede da companhia russa em Moscou (fachada e interior): campanha para salvar um patrimônio da humanidade

Foto: Carlos Alberto da Silva

Crianças serão
a cara do Bolshoi

Peculiaridade da primeira filial da escola russa, que abre amanhã em Joinville, são os bailarinos mirins

Gleber Pieniz

A dois dias da inauguração da sua primeira filial fora da Rússia e a quatro do espetáculo que apresenta o melhor do Ballet Bolshoi à cidade que agora também lhe serve de casa, os dirigentes da maior companhia de dança do mundo reuniram-se com a imprensa ontem de manhã, no palco do Centreventos Cau Hansen, para apresentar os planos que norteiam a vinda da escola para Joinville. Participaram da coletiva o diretor geral do Teatro Bolshoi, Vladimir Vasiliev; o diretor artístico da companhia, Alexei Fadeetchev; a coordenadora do projeto de implantação da Escola do Bolshoi em Joinville, Alla Mikhalchenko; a supervisora geral da escola no Brasil, Jô Braska Negrão; o prefeito municipal, Luiz Henrique da Silveira; o empresário João Prestes e o presidente da Fundação Cultural de Joinville, Edson Machado. Como se emprestassem mais credibilidade à cerimônia e testemunhassem a importância do momento histórico vivido pelo Bolshoi fora de seu país de origem, também marcaram presença na coletiva - embora silenciosos - os solistas Andrei Bolotin, Anna Ivanova, Bae Joo Yoon, Denis Medvedev, Elina Palshina, Konstantin Ivanov, Nina Speranskaya e Yuri Klevtsov.
Alla Mikhalchenko disse estar feliz em rever os amigos brasileiros. A bailarina participou em dezembro do processo de seleção de candidatos às vagas oferecidas pela escola, quando revelou ter ficado impressionada com a organização e a disciplina com todo o processo. "Daqui para a frente, a relação entre o Brasil e a Rússia será ainda mais sólida porque hoje ela está sendo construída a partir das crianças", acredita a coordenadora. Vladimir Vasiliev, fazendo coro aos anseios da colega, ressaltou a responsabilidade que os primeiros alunos a passar pelos portões do Bolshoi fora da Rússia trazem consigo: "É fundamental que a primeira turma formada em Joinville tenha a qualidade e a competência para formar o núcelo da primeira companhia de dança da escola no Brasil".
Luiz Henrique considera o estabelecimento da Escola do Ballet Bolshoi em Joinville o segundo maior contrato internacional de educação já celebrado no Brasil - o primeiro, segundo o político, foi a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, logo depois da segunda guerra mundial. "Não se trata de ter apenas uma escola de dança, mas gerar todo um processo de qualificação cultural para o País", justifica o prefeito, que já anuncia, para março do ano que vem, nova apresentação da companhia russa em Joinville - período em que coincidem as comemorações do sesquicentenário da cidade e o jubileu de 225 anos de fundação do Teatro Bolshoi.
A implantação e o conseqüente desenvolvimento da Escola de Ballet Bolshoi em Joinville, segundo Jô Braska Negrão, vão tirar proveito do rico potencial oferecido pela dança brasileira na formação de seus alunos. Como exemplo, a supervisora cita as disciplinas de dança popular que os bailarinos terão no segundo e no terceiro ano do curso, cadeiras que terão como estrutura de apoio uma videoteca com títulos específicos sobre a expressão nacional na dança. "Dentro da técnica clássica, vamos estar usando a música brasileira", avisa. Fadeetchev, ao falar sobre a influência da cultura brasileira sobre as linhas didáticas já consagradas pelo Bolshoi, diz: "A maior peculiaridade da escola no Brasil são as suas crianças. Elas é que vão dar cara à escola".
Na sexta-feira, a apresentação preparada pelo Bolshoi para a abertura da escola em Joinville faz um apanhado do que de melhor é produzido em termos de repertório clássico pela companhia russa. "Uma coreografia com música brasileira abre o espetáculo, que é encerrado por um final grandioso, testemunha da importância do evento", diz o diretor artístico, encarnando a preocupação do Teatro Bolshoi em desenvolver um laço mais estreito entre a cultura brasileira e a cultura russa. Criada por Vasiliev, a coreografia que tem base na música brasileira faz sua estréia mundial em Joinville. "É uma improvisação que servirá de impulso para que aumente o interesse pela música brasileira e um incentivo para professores e alunos para que sigam esta união", explica o coreógrafo, considerado um dos maiores bailarinos de toda a história.


Companhia faz campanha
mundial para reformar teatro

Os objetivos da visita da direção do Ballet Bolshoi ao Brasil não se restringem apenas a testemunhar a criação da primeira filial da escola fora da Rússia e, igualmente, vão além do simples acompanhamento dado aos solistas da companhia na apresentação inaugural da instituição em Joinville. Durante a coletiva de ontem, o diretor geral Vladimir Vasiliev dedicou longos minutos a uma campanha mundial de apoio ao Teatro Bolshoi, que passa pelas primeiras reformas desde a sua fundação, há 224 anos.
Todos os recursos do teatro, explica o diretor, vêm dos cofres públicos russos. Há 25 anos a necessidade de reformas no prédio vem se tornando evidente, mas somente agora, com a entrada na Unesco nas negociações, a discussão está apontando alternativas viáveis para a concretização das obras. O Teatro Bolshoi é considerado patrimônio cultural da humanidade pela ONU e a Unesco, como entidade responsável por estes assuntos, encabeça um projeto que ajuda a encontrar recursos ao redor do planeta para a conclusão das reformas. Recentemente, um novo prédio foi construído ao lado do teatro secular que sedia a companhia e, assim que todo o material e equipamento forem trasferidos para ele, o Bolshoi poderá retomar suas atividades normais, sem ser interrompido pelas obras, que estão orçadas em mais de US$ 300 milhões - recursos que Vasiliev admite não poderem vir apenas do Estado russo.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de 1958, época em que se passa a novela "Esplendor".  AN_Tevê 
O dia 28 de março, aniversário do Bolshoi, foi instituído pela campanha como dia de solidariedade internacional com o teatro. Neste data, explica Vasiliev, todas as instuituições teatrais do mundo transferem para a Unesco qualquer valor que julgarem possível ou conveniente para que aumente a receita destinada às obras do prédio em Moscou. "Feito isso, cria-se um precedente quando, pela primeira vez, estarão unidas todas as pessoas interessadas em cultura em torno de um patrimônio cultural da humanidade", diz Vasiliev. "Se pensarmos que muitos teatros do mundo estão como o Bolshoi, este deve ser um evento de sucesso". (GP)


"Beleza Americana" mais
próximo de levar o Oscar

Filme recebe os três principais prêmios concedidos domingo pelo Sindicato dos Diretores

Los Angeles - "Beleza Americana" recebeu os três principais prêmios do Director's Guild of America na noite de domingo. As escolhas do Sindicato dos Diretores são consideradas uma antecipação do Oscar. Annete Benning ganhou o prêmio de melhor atriz, e Kevin Spacey levou o título de melhor ator. Os dois diviram com os demais atores o prêmio de melhor elenco.
Tanto Benning, que está esperando o quarto filho, quanto Spacey, agradeceram a toda a equipe de "Beleza Americana" e especialmente ao diretor, o inglês Sam Mendes, que ganhou o prêmio de melhor diretor no sábado. "Estou tão orgulhoso desse filme que preciso dizer a Sam Mendes: 'Se este é meu melhor trabalho, você é a razão'", disse Spacey para o cineasta.
Angelina Jolie ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante ("Girl Interrupted") e o inglês Michael Caine foi considerado o melhor ator coadjuvante por "Regras da Vida". Os dois estão concorrendo ao Oscar, que será disputado em 26 de março.
A platéia se emocionou quando o veterano Sidney Poitier, de 73 anos, subiu ao palco para receber um prêmio especial pelo conjunto da carreira, em que se destacam "No Calor da Noite" e "Adivinhe Quem Vem para Jantar". Na categoria televisão, a grande vencedora foi a série "The Sopranos", que levou os prêmios de melhor ator (James Gandolfini), melhor atriz (Edie Falco) e melhor elenco de série dramática. Lisa Kudrow (de "Friends") ganhou como melhor atriz de séries cômicas e Michael J. Fox ("Spin City"), que deixa a televisão no fim da temporada para lutar contra o Mal de Parkinson, de que sofre há anos, recebeu o prêmios de melhor ator de séries cômicas.


Partitura de
Mendelssohn vai a leilão

Leipzig, Alemanha - Uma partitura inédita do compositor alemão Felix Mendelssohn Bartholdy será leiloada, durante o Salão de Antigüidades de Leipzig, cidade localizada ao Leste da Alemanha, informou ontem o porta-voz do evento. A partitura, de uma "Andante pastorale" para piano, criada em 13 de outubro de 1845, será leiloada pelo antiquário nova-iorquino David Loewenherz.
O manuscrito foi descoberto recentemente nos Estados Unidos, disse o porta-voz do Salão de Antigüidades de Leipzig, que afirmou ignorar a história da partitura e o local exato onde a mesma foi encontrada. O Salão de Antigüidades de Leipzig deverá reunir aproximadamente 40 expositores no período de 23 a 26 de março.


Biblioteca implanta a Hora do Conto

Rio Negrinho - A Biblioteca Pública de Rio Negrinho implantou, esta semana, a Hora do Conto. Todas as sextas-feiras, as crianças que forem à biblioteca entre 8h30 e 10h30 ou das 14h30 às 16h30 serão convidadas a participar de atividades diferentes.
Narração e interpretação de histórias, teatro de fantoches, varal literário com produção das próprias crianças, projeção de filmes e histórias cantadas integram o rol de atividades a serem desenvolvidas. Nesta primeira fase, a Hora do Conto destina-se aos alunos da rede municipal, mas o programa vai beneficiar também os estudantes das redes estadual e particular. O objetivo é aproximar mais as crianças da leitura, familiarizando-as com a biblioteca.


Poeta ministra Oficina
da Palavra em São Bento

São Bento do Sul - Todas as pessoas trazem a poesia dentro de si. Este é o princípio do qual parte o poeta Fernando Karl para ministrar mais uma Oficina da Palavra em São Bento do Sul. Em 1998, Karl ministrou a primeira oficina para os são-bentenses e, ao final de três meses, foi publicada a coletânea de poesias "Canteiros".
A oficina deste ano inicia no próximo dia 27 e termina em junho. Há três turmas: das 9 às 12 horas, das 14 às 17 horas e das 19 às 22 horas, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras. As inscrições podem ser feitas na Fundação Cultural, onde também serão realizados os encontros. A "formatura" dos poetas deve ser o lançamento de um novo livro.
Assim como os parnasianos utilizavam o joalheiro como ponto de comparação, a mesma figura pode ser atribuída a Karl ao longo de seus 20 anos de experiência com as oficinas. "Meu trabalho é exigir o máximo que cada um pode dar. É como se os aprendizes fossem a pólvora. Eu sou apenas a faísca que aguardam para acender a chama".
Ao som de Bach, o primeiro passo dos participantes da oficina é refletir sobre a própria palavra. Refletir sobre o óbvio. "A palavra é simples como uma flauta, a madeira são as consoantes, os furos são as vogais", compara Karl.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de 1958, época em que se passa a novela "Esplendor".  AN_Tevê 
Além da palavra e da música, Karl também utiliza o desenho como ferramenta para que cada aprendiz vá descobrindo sua essência. Para o poeta, desenho, música e poesia são integrantes de uma única arte. "Os participantes da oficina têm de pensar em fazer poesia com a mesma harmonia com que Bach compunha", compara.
Cerca de 3 mil pessoas já participaram das oficinas de Karl. Cerca de 70% dos aprendizes são mulheres e Karl já encontrou uma justificativa para isso: "as mulheres estão mais habituadas a trabalhar com a sensibilidade, o que não significa que nós homens não possamos exercitá-la". O medo da gramática acaba afastando muitas pessoas da poesia. O temor é dispensável, na opinião de Karl, afinal a poesia é justamente a chance de libertar-se de códigos preestabelecidos. "A poesia vem antes da gramática", ensina.
Karl já percorreu quase todas as cidades catarinenses, trabalhou em Curitiba, levou a poesia a presídios e favelas. Alguns de seus aprendizes venceram concursos literários, outros fizeram do desenho uma carreira e outros cultivaram o talento desenvolvido como hobby de fim de semana. "Não importa, todos conservaram, de algum modo, o que aprenderam em suas vidas".
A Oficina da Palavra não tem por fim único a poesia. Amantes da prosa ou desafetos da redação também podem participar. Maiores informações sobre a Oficina da Palavra podem ser obtidas pelo telefone 631-6043.


Crônica

CARNAVAL: DOIS PONTOS

Vinícius Alves

Primeiro: nunca fui de Carnaval. Não por não gostar. Ao contrário. Cansei de ir até altas horas da madrugada assistindo às escolas de samba do Rio de Janeiro e mesmo às daqui, anos seguidos, pela beleza plástica, pelo espetáculo em si que apresentavam, pelo entusiasmo demonstrado pelos foliões na passarela. Mas, maior do que o entusiasmo em desfilar ou participar das folias de Momo, era o meu comodismo. Digo era porque, pela primeira vez na vida, saio em uma escola de samba. E debuto já sendo campeão. Pé quente. Salve Copa Lord.
Na quarta-feira que antecipou o Carnaval fui ao ensaio da escola na passarela Nego Quirido. Me impressionou o alto astral da rapaziada da Copa Lord, desde sempre a minha predileta, e para meu prazer, campeoníssima este ano. O que mais toca nesse momento, e também no desfile oficial, é a mistura de raças que, certamente só em nosso País, se vê em plena harmonia, sem diferença de credo, posição social, enfim, sem precondeito nenhum. Vê-se uma escola (e um povo) evoluindo, marchando junto, com um mesmo objetivo. Será não seja exatamente isso o que precisamos para nos tornarmos um dos países mais interessantes (se já não o formos) mundialmente. E além de interessante, representativo. Abolirmos qualquer tipo de preconceito, abstrairmos qualquer tipo de segregação e, pela vontade popular, a única verdadeira, seguirmos os rumos que nós mesmos escolhermos; seguirmos o nosso destino de povo em formação, de nova civilização, novo mundo, de país onde todas as etnias se encontram, para todas, com as suas idiossincrasias, formarem uma nação nova, um pensamento novo, onde todos tenham reconhecidas as suas potencialidades, onde uma cultura miscigenada e diferente possa crescer sem pressões externas, onde este caldo que somos nós, este caldo grosso de cultura que vem desde muito antes do descobrimento e que com ele sofreu mas se misturou possa desenvolver-se, possa ter vez e voz, possa, enfim, aparecer e contribuir de forma definitiva no cenário internacional. Nesse meu debut no Carnaval a imagem mais positiva que levo, o grande aprendizado, é o sorriso do povo, de todo o povo misturado numa passarela que bem poderia seguir pelos outros 361 dias do ano marchando numa só direção, de bem com a vida, fazendo dessa alegria que lhe é peculiar a descoberta ou redescoberta de novos horizontes, de novas possibilidades para a humanidade, de uma mistura onde são respeitadas e até queridas as diferenças, a contribuição de todos para a formação e emancipação de um novo homem, mais solidário, mais alegre, mais sabedor de suas responsabilidades e influências no meio da comunidade. Isso é Carnaval. Isso, esse sentimento de fraternidade, de companheirismo tão esquecido atualmente, essa verve de um povo bonito e novo redescobrindo-se, essa miscelânia entregue quatro dias ao reinado de Momo, o palhaço da corte, talvez esteja aí a saída (ou a entrada) deste País, ou melhor, desse povo cada vez mais surpreendente num estágio outro, descoberto por ele mesmo, querido por ele mesmo e formado por todos: índios, negros, amarelos, brancos e todos os que deles são provenientes, desse laboratório biológico que é o Brasil. Talvez esse seja o verdadeiro Eldorado que os primeiros colonizadores vieram buscar. No restante do ano nos entregamos a outras fantasias que, às vezes, nem reconhecemos, mas que somos obrigados a vestir se não quisermos definhar. Quem nos disse que elas são realmente aquelas que queríamos vestir? Por que não inventarmos, com nossa criatividade, a nossa própria fantasia, aquela que nos cabe, que nos diz respeito, aquela que sabemos e queremos? Por que somente durante quatro dias somos capazes de realizar aquilo para que fomos talhados, ou seja, inventar um mundo novo, criar fantasias que, no frigir dos ovos, são a pura realidade?
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de 1958, época em que se passa a novela "Esplendor".  AN_Tevê 
Há que trabalhar, e muito, nos barracões da vida, construindo, planejando, arquitetando. Mas com material nosso, com idéias nossas, sem xenofobia, já que somos formados por múltiplas raças, mas materiais e idéias feitos para nossa realidade, de que realmente precisemos, que estejam de acordo com aquilo que somos.
Talvez um dia o Brasil se torne uma grande escola de samba e possamos ensinar a toda gente a nossa cadência, o nosso passo, a nossa ginga. E devolver aos povos que ajudaram, bem ou mal, a nos formar, tudo aquilo de bom que eles nos legaram, que nos ensinaram e que transformaram este País no que ele hoje é. Pode ser tudo utopia o que está dito aí. Mas o que seria do homem não fossem as utopias?
Acabou o espaço e por isso o segundo ponto fica pra outro dia.

Vinícius Alves (valves@matrix.com.br) é poeta e editor em Florianópolis

Manchetes AN

Das últimas edições de Anexo
13/03 - Confiança no produto nacional
12/03 - Guerra vã entre instituições de letra morta
11/03 - A reconquista do Oeste
10/03 - Homem ao mar das paixões
09/03 - A eterna elegância das bicicletas
08/03 - Teatro renasce em São Bento
07/03 - Cenas de impacto imediato

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Clênio expõe
em cinco cidades

Artista de Lages percorre o Estado

Loreno Siega

Lages ­ O artista plástico, escultor, cartunista, poeta e desenhista Clênio Souza, 40 anos, prepara-se para novos desafios em sua já consagrada carreira. Com a exposição "Da Cor ao Concreto", um conjunto de 11 painéis de pinturas em óleo sobre tela e 15 esculturas, a partir de quarta-feira ele ficará por cerca de três meses no Sesc das seguintes cidades: Florianópolis, Blumenau, Joinville, Joaçaba e São Paulo (Sesc Pompéia).
Desde que começou a criar figuras humanas rabiscando carvão nas paredes de casa, aos sete anos, Clênio Souza busca o que chama de perfeição na arte: desintegrar a forma, fazer com que a figura desapareça de seus desenhos e com que a idéia seja apenas sugestionada. Nascido em Urubici mas vivendo em Lages desde os primeiros anos da infância, Clênio é autodidata. Mesmo assim tornou-se um dos nomes mais conhecidos no surrealismo do Estado.
Para Clênio, a arte só tem valor quando é capaz de oferecer algum sentido. Ele repudia pinturas ditas "modernas" em que manchas sobrepostas de tinta muitas vezes podem ser um sinônimo de caos ou de total falta de talento. Humilde e reservado, Clênio acha que seu momento ainda não chegou. "O artista está sempre em busca da perfeição, que geralmente é vista sempre à frente", admite. "Ele já pode ter chegado ao auge mas sempre acredita que o melhor ainda está por vir".
Há seis anos Clênio atua como professor de artes na Fundação Cultural de Lages. Sobre a exposição, ele diz que todas as obras têm uma característica comum: "Eles lembram catedrais imaginárias e foram feitas buscando inspiração em cavernas encontradas na natureza. Com isso, quero relacionar a intimidade da natureza externa à intimidade do útero materno".


Não colecione bugigangas

Inspiração clara em filmes consagrados não salva "O Colecionador de Ossos" do fiasco

Lola Aronovich
Especial para o Anexo

A vantagem do trailer de "O Colecionador de Ossos" sobre o filme em questão é que, no trailer, você vê dois minutos, acha ruim e esquece, enquanto você precisa de quase duas horas do longa-metragem para não se lembrar do que viu.
O trailer não mente, só resume o filme. Até antecipa cenas que deveriam ser surpreendentes. Então, se no trailer você já se pergunta, "o que esta moça tão magra e chique está fazendo vestida de policial?", as chances são de que você ficará com essa dúvida cruel também durante o filme.
Ai, ai, a história. O belo Denzel Washington é um detetive que sofreu um acidente e está irreversivelmente paralítico, como se algo fosse irreversível em Hollywood. Um serial killer seqüestra suas vítimas usando um táxi e depois as liquida de forma original e nojenta, deixando pistas para a polícia. Há também uma jovem policial que revela um talento nato para perícia e ajuda o Denzel a desvendar os crimes.
Então, desde o começo, você já sabe o que vai presenciar. O detetive olha para uma prova recolhida no local e consegue detalhar, a olho nu, do que o material é composto, de onde veio, porque o matador o usou, e a data e lugar onde atacará novamente. Nem Badan Palhares faria melhor. E tem aquele trivial de a força policial em massa procurar as vítimas, com helicóptero e tudo, e a jovem guarda encontrá-las fácil fácil.
Angelina Jolie é filha de Jon Voight e acabou de ganhar o Globo de Ouro de coadjuvante por "Garota, Interrompida". Em "O Colecionador de Ossos", ela segue a tradição de Meg Ryan como neurocirurgiã e não convence nem um pouquinho como policial. Tanto não convence que incluíram um diálogo totalmente fora do contexto explicando que sua personagem havia sido modelo. Angelina tem cara de bebê chorão. Seus lábios, que alguns podem chamar de "carnudos", outros de "inchados", dependendo do gosto, estão sempre ligeiramente entreabertos; seus olhos, lacrimejantes. E ela é tão raquítica que a gente começa a desconfiar que os ossos do título sejam dela, e talvez Denzel seja o colecionador. Angelina não faria feio nos MorumbiFashions da vida. Depois de desfilar, claro, ela deveria comer alguma coisinha.
Denzel Washington é lindo e maravilhoso e quiçá o favorito ao Oscar por "Hurricane - Furacão". Mas aqui ele não tem muito o que fazer. Ficar deitado na cama levantando a sobrancelha não constará entre os pontos altos de sua biografia. Até pinta um clima entre ele e Angelina, mas como um é negro e a outra é branca, eles não passam dos olhares. O espectador americano não tem com que se preocupar, pois o cinemão não vai chocar o respeitável público com miscigenações, argh. Sexo inter-racial, nem pensar.
De impressionante mesmo em "O Colecionador de Ossos", só um episódio em que o assassino corta sua vítima, ainda viva, e a abandona aos ratos. Não se vê grande coisa, mas o close do ratão pulando é bastante assustador. No resto, o filme é banal. Alguns diálogos chamam a atenção, talvez involuntariamente. Um exemplo é o de um investigador que liga para o Denzel e diz: "Não sei se tem ligação com o caso, mas um taxista baleou um policial e saiu em alta velocidade com dois passageiros que desapareceram. Pode ser só coincidência". Dãããã. Precisa ser detetive para deduzir isso?
E o final é tão, mas tão terrível, que devem ter filmado uns dois ou três e depois deixado para as platéias das exibições-teste decidirem. Ou pior: eles já rodaram desse jeito convencional e feliz, que é para não desiludir ninguém. Afinal, eles sabem do que o povo gosta.
Para quem acha que "O Colecionador de Ossos" pega carona em "Seven", sinto decepcioná-los. A inspiração clara é o magnífico "Silêncio dos Inocentes" e há um quê de "Janela Indiscreta", mas é pecado profanar o santo nome de Hitchcock em vão. Olha, vamos ficar assim. Esqueça os ossos da Angelina e assista ao "Colecionador" puro e simples, de William Wyler, de 1965. Este, sim, um suspense psicológico de arrepiar.


Educação inaugura uma
nova página na Internet

Brasília - O Ministério da Educação inaugurou dia 9 a sua nova página na Internet. Por meio dela, por exemplo, qualquer pessoa vai poder acompanhar, em tempo real, os repasses de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) aos Estados e municípios. A página foi inaugurada pelo ministro Paulo Renato Souza.
"Está tudo aí. Agora ficou mais fácil fiscalizar", disse o ministro ao inaugurar a página, no endereço http:\\www.mec.gov.br. Segundo ele, o projeto sintetiza o processo de transformação pelo qual o ministério passou nos últimos anos e que tem na informação um dos principais pilares.


 
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