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ANotícia
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Prestígio
O diretor-geral Vladimir Vasiliev
e a sede da companhia russa em Moscou (fachada e interior): campanha
para salvar um patrimônio da humanidade
Foto: Carlos Alberto da Silva
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Crianças serão
a cara do Bolshoi
Peculiaridade da
primeira filial da escola russa, que abre amanhã em Joinville,
são os bailarinos mirins
Gleber Pieniz
A
dois dias da inauguração da sua primeira filial
fora da Rússia e a quatro do espetáculo que apresenta
o melhor do Ballet Bolshoi à cidade que agora também
lhe serve de casa, os dirigentes da maior companhia de dança
do mundo reuniram-se com a imprensa ontem de manhã, no
palco do Centreventos Cau Hansen, para apresentar os planos que
norteiam a vinda da escola para Joinville. Participaram da coletiva
o diretor geral do Teatro Bolshoi, Vladimir Vasiliev; o diretor
artístico da companhia, Alexei Fadeetchev; a coordenadora
do projeto de implantação da Escola do Bolshoi
em Joinville, Alla Mikhalchenko; a supervisora geral da escola
no Brasil, Jô Braska Negrão; o prefeito municipal,
Luiz Henrique da Silveira; o empresário João Prestes
e o presidente da Fundação Cultural de Joinville,
Edson Machado. Como se emprestassem mais credibilidade à
cerimônia e testemunhassem a importância do momento
histórico vivido pelo Bolshoi fora de seu país
de origem, também marcaram presença na coletiva
- embora silenciosos - os solistas Andrei Bolotin, Anna Ivanova,
Bae Joo Yoon, Denis Medvedev, Elina Palshina, Konstantin Ivanov,
Nina Speranskaya e Yuri Klevtsov.
Alla Mikhalchenko disse estar feliz em rever os amigos
brasileiros. A bailarina participou em dezembro do processo de
seleção de candidatos às vagas oferecidas
pela escola, quando revelou ter ficado impressionada com a organização
e a disciplina com todo o processo. "Daqui para a frente,
a relação entre o Brasil e a Rússia será
ainda mais sólida porque hoje ela está sendo construída
a partir das crianças", acredita a coordenadora.
Vladimir Vasiliev, fazendo coro aos anseios da colega, ressaltou
a responsabilidade que os primeiros alunos a passar pelos portões
do Bolshoi fora da Rússia trazem consigo: "É
fundamental que a primeira turma formada em Joinville tenha a
qualidade e a competência para formar o núcelo da
primeira companhia de dança da escola no Brasil".
Luiz Henrique considera o estabelecimento da Escola do Ballet
Bolshoi em Joinville o segundo maior contrato internacional de
educação já celebrado no Brasil - o primeiro,
segundo o político, foi a criação do Instituto
Tecnológico da Aeronáutica, logo depois da segunda
guerra mundial. "Não se trata de ter apenas uma escola
de dança, mas gerar todo um processo de qualificação
cultural para o País", justifica o prefeito, que
já anuncia, para março do ano que vem, nova apresentação
da companhia russa em Joinville - período em que coincidem
as comemorações do sesquicentenário da cidade
e o jubileu de 225 anos de fundação do Teatro Bolshoi.
A implantação e o conseqüente desenvolvimento
da Escola de Ballet Bolshoi em Joinville, segundo Jô Braska
Negrão, vão tirar proveito do rico potencial oferecido
pela dança brasileira na formação de seus
alunos. Como exemplo, a supervisora cita as disciplinas de dança
popular que os bailarinos terão no segundo e no terceiro
ano do curso, cadeiras que terão como estrutura de apoio
uma videoteca com títulos específicos sobre a expressão
nacional na dança. "Dentro da técnica clássica,
vamos estar usando a música brasileira", avisa. Fadeetchev,
ao falar sobre a influência da cultura brasileira sobre
as linhas didáticas já consagradas pelo Bolshoi,
diz: "A maior peculiaridade da escola no Brasil são
as suas crianças. Elas é que vão dar cara
à escola".
Na sexta-feira, a apresentação preparada pelo Bolshoi
para a abertura da escola em Joinville faz um apanhado do que
de melhor é produzido em termos de repertório clássico
pela companhia russa. "Uma coreografia com música
brasileira abre o espetáculo, que é encerrado por
um final grandioso, testemunha da importância do evento",
diz o diretor artístico, encarnando a preocupação
do Teatro Bolshoi em desenvolver um laço mais estreito
entre a cultura brasileira e a cultura russa. Criada por Vasiliev,
a coreografia que tem base na música brasileira faz sua
estréia mundial em Joinville. "É uma improvisação
que servirá de impulso para que aumente o interesse pela
música brasileira e um incentivo para professores e alunos
para que sigam esta união", explica o coreógrafo,
considerado um dos maiores bailarinos de toda a história.
Companhia faz campanha
mundial para reformar teatro
Os objetivos da visita da direção do Ballet
Bolshoi ao Brasil não se restringem apenas a testemunhar
a criação da primeira filial da escola fora da
Rússia e, igualmente, vão além do simples
acompanhamento dado aos solistas da companhia na apresentação
inaugural da instituição em Joinville. Durante
a coletiva de ontem, o diretor geral Vladimir Vasiliev dedicou
longos minutos a uma campanha mundial de apoio ao Teatro Bolshoi,
que passa pelas primeiras reformas desde a sua fundação,
há 224 anos.
Todos os recursos do teatro, explica o diretor, vêm dos
cofres públicos russos. Há 25 anos a necessidade
de reformas no prédio vem se tornando evidente, mas somente
agora, com a entrada na Unesco nas negociações,
a discussão está apontando alternativas viáveis
para a concretização das obras. O Teatro Bolshoi
é considerado patrimônio cultural da humanidade
pela ONU e a Unesco, como entidade responsável por estes
assuntos, encabeça um projeto que ajuda a encontrar recursos
ao redor do planeta para a conclusão das reformas. Recentemente,
um novo prédio foi construído ao lado do teatro
secular que sedia a companhia e, assim que todo o material e
equipamento forem trasferidos para ele, o Bolshoi poderá
retomar suas atividades normais, sem ser interrompido pelas obras,
que estão orçadas em mais de US$ 300 milhões
- recursos que Vasiliev admite não poderem vir apenas
do Estado russo.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de
1958, época em que se passa a novela "Esplendor".
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O dia 28 de março, aniversário
do Bolshoi, foi instituído pela campanha como dia de solidariedade
internacional com o teatro. Neste data, explica Vasiliev, todas
as instuituições teatrais do mundo transferem para
a Unesco qualquer valor que julgarem possível ou conveniente
para que aumente a receita destinada às obras do prédio
em Moscou. "Feito isso, cria-se um precedente quando, pela
primeira vez, estarão unidas todas as pessoas interessadas
em cultura em torno de um patrimônio cultural da humanidade",
diz Vasiliev. "Se pensarmos que muitos teatros do mundo
estão como o Bolshoi, este deve ser um evento de sucesso".
(GP)
"Beleza Americana" mais
próximo de levar o Oscar
Filme recebe os
três principais prêmios concedidos domingo pelo Sindicato
dos Diretores
Los Angeles - "Beleza Americana" recebeu os três
principais prêmios do Director's Guild of America na noite
de domingo. As escolhas do Sindicato dos Diretores são
consideradas uma antecipação do Oscar. Annete Benning
ganhou o prêmio de melhor atriz, e Kevin Spacey levou o
título de melhor ator. Os dois diviram com os demais atores
o prêmio de melhor elenco.
Tanto Benning, que está esperando o quarto filho, quanto
Spacey, agradeceram a toda a equipe de "Beleza Americana"
e especialmente ao diretor, o inglês Sam Mendes, que ganhou
o prêmio de melhor diretor no sábado. "Estou
tão orgulhoso desse filme que preciso dizer a Sam Mendes:
'Se este é meu melhor trabalho, você é a
razão'", disse Spacey para o cineasta.
Angelina Jolie ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante
("Girl Interrupted") e o inglês Michael Caine
foi considerado o melhor ator coadjuvante por "Regras da
Vida". Os dois estão concorrendo ao Oscar, que será
disputado em 26 de março.
A platéia se emocionou quando o veterano Sidney Poitier,
de 73 anos, subiu ao palco para receber um prêmio especial
pelo conjunto da carreira, em que se destacam "No Calor
da Noite" e "Adivinhe Quem Vem para Jantar". Na
categoria televisão, a grande vencedora foi a série
"The Sopranos", que levou os prêmios de melhor
ator (James Gandolfini), melhor atriz (Edie Falco) e melhor elenco
de série dramática. Lisa Kudrow (de "Friends")
ganhou como melhor atriz de séries cômicas e Michael
J. Fox ("Spin City"), que deixa a televisão
no fim da temporada para lutar contra o Mal de Parkinson, de
que sofre há anos, recebeu o prêmios de melhor ator
de séries cômicas.
Partitura de
Mendelssohn vai a leilão
Leipzig, Alemanha - Uma partitura inédita do compositor
alemão Felix Mendelssohn Bartholdy será leiloada,
durante o Salão de Antigüidades de Leipzig, cidade
localizada ao Leste da Alemanha, informou ontem o porta-voz do
evento. A partitura, de uma "Andante pastorale" para
piano, criada em 13 de outubro de 1845, será leiloada
pelo antiquário nova-iorquino David Loewenherz.
O manuscrito foi descoberto recentemente nos Estados Unidos,
disse o porta-voz do Salão de Antigüidades de Leipzig,
que afirmou ignorar a história da partitura e o local
exato onde a mesma foi encontrada. O Salão de Antigüidades
de Leipzig deverá reunir aproximadamente 40 expositores
no período de 23 a 26 de março.
Biblioteca implanta a Hora do Conto
Rio Negrinho - A Biblioteca Pública de Rio Negrinho
implantou, esta semana, a Hora do Conto. Todas as sextas-feiras,
as crianças que forem à biblioteca entre 8h30 e
10h30 ou das 14h30 às 16h30 serão convidadas a
participar de atividades diferentes.
Narração e interpretação de histórias,
teatro de fantoches, varal literário com produção
das próprias crianças, projeção de
filmes e histórias cantadas integram o rol de atividades
a serem desenvolvidas. Nesta primeira fase, a Hora do Conto destina-se
aos alunos da rede municipal, mas o programa vai beneficiar também
os estudantes das redes estadual e particular. O objetivo é
aproximar mais as crianças da leitura, familiarizando-as
com a biblioteca.
Poeta ministra Oficina
da Palavra em São Bento
São Bento do Sul - Todas as pessoas trazem a poesia
dentro de si. Este é o princípio do qual parte
o poeta Fernando Karl para ministrar mais uma Oficina da Palavra
em São Bento do Sul. Em 1998, Karl ministrou a primeira
oficina para os são-bentenses e, ao final de três
meses, foi publicada a coletânea de poesias "Canteiros".
A oficina deste ano inicia no próximo dia 27 e termina
em junho. Há três turmas: das 9 às 12 horas,
das 14 às 17 horas e das 19 às 22 horas, sempre
às segundas, quartas e sextas-feiras. As inscrições
podem ser feitas na Fundação Cultural, onde também
serão realizados os encontros. A "formatura"
dos poetas deve ser o lançamento de um novo livro.
Assim como os parnasianos utilizavam o joalheiro como ponto de
comparação, a mesma figura pode ser atribuída
a Karl ao longo de seus 20 anos de experiência com as oficinas.
"Meu trabalho é exigir o máximo que cada um
pode dar. É como se os aprendizes fossem a pólvora.
Eu sou apenas a faísca que aguardam para acender a chama".
Ao som de Bach, o primeiro passo dos participantes da oficina
é refletir sobre a própria palavra. Refletir sobre
o óbvio. "A palavra é simples como uma flauta,
a madeira são as consoantes, os furos são as vogais",
compara Karl.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de
1958, época em que se passa a novela "Esplendor".
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Além da palavra e da música,
Karl também utiliza o desenho como ferramenta para que
cada aprendiz vá descobrindo sua essência. Para
o poeta, desenho, música e poesia são integrantes
de uma única arte. "Os participantes da oficina têm
de pensar em fazer poesia com a mesma harmonia com que Bach compunha",
compara.
Cerca de 3 mil pessoas já participaram das oficinas de
Karl. Cerca de 70% dos aprendizes são mulheres e Karl
já encontrou uma justificativa para isso: "as mulheres
estão mais habituadas a trabalhar com a sensibilidade,
o que não significa que nós homens não possamos
exercitá-la". O medo da gramática acaba afastando
muitas pessoas da poesia. O temor é dispensável,
na opinião de Karl, afinal a poesia é justamente
a chance de libertar-se de códigos preestabelecidos. "A
poesia vem antes da gramática", ensina.
Karl já percorreu quase todas as cidades catarinenses,
trabalhou em Curitiba, levou a poesia a presídios e favelas.
Alguns de seus aprendizes venceram concursos literários,
outros fizeram do desenho uma carreira e outros cultivaram o
talento desenvolvido como hobby de fim de semana. "Não
importa, todos conservaram, de algum modo, o que aprenderam em
suas vidas".
A Oficina da Palavra não tem por fim único a poesia.
Amantes da prosa ou desafetos da redação também
podem participar. Maiores informações sobre a Oficina
da Palavra podem ser obtidas pelo telefone 631-6043.
Crônica
CARNAVAL: DOIS PONTOS
Vinícius Alves
Primeiro: nunca fui de Carnaval. Não por não
gostar. Ao contrário. Cansei de ir até altas horas
da madrugada assistindo às escolas de samba do Rio de
Janeiro e mesmo às daqui, anos seguidos, pela beleza plástica,
pelo espetáculo em si que apresentavam, pelo entusiasmo
demonstrado pelos foliões na passarela. Mas, maior do
que o entusiasmo em desfilar ou participar das folias de Momo,
era o meu comodismo. Digo era porque, pela primeira vez na vida,
saio em uma escola de samba. E debuto já sendo campeão.
Pé quente. Salve Copa Lord.
Na quarta-feira que antecipou o Carnaval fui ao ensaio da escola
na passarela Nego Quirido. Me impressionou o alto astral da rapaziada
da Copa Lord, desde sempre a minha predileta, e para meu prazer,
campeoníssima este ano. O que mais toca nesse momento,
e também no desfile oficial, é a mistura de raças
que, certamente só em nosso País, se vê em
plena harmonia, sem diferença de credo, posição
social, enfim, sem precondeito nenhum. Vê-se uma escola
(e um povo) evoluindo, marchando junto, com um mesmo objetivo.
Será não seja exatamente isso o que precisamos
para nos tornarmos um dos países mais interessantes (se
já não o formos) mundialmente. E além de
interessante, representativo. Abolirmos qualquer tipo de preconceito,
abstrairmos qualquer tipo de segregação e, pela
vontade popular, a única verdadeira, seguirmos os rumos
que nós mesmos escolhermos; seguirmos o nosso destino
de povo em formação, de nova civilização,
novo mundo, de país onde todas as etnias se encontram,
para todas, com as suas idiossincrasias, formarem uma nação
nova, um pensamento novo, onde todos tenham reconhecidas as suas
potencialidades, onde uma cultura miscigenada e diferente possa
crescer sem pressões externas, onde este caldo que somos
nós, este caldo grosso de cultura que vem desde muito
antes do descobrimento e que com ele sofreu mas se misturou possa
desenvolver-se, possa ter vez e voz, possa, enfim, aparecer e
contribuir de forma definitiva no cenário internacional.
Nesse meu debut no Carnaval a imagem mais positiva que levo,
o grande aprendizado, é o sorriso do povo, de todo o povo
misturado numa passarela que bem poderia seguir pelos outros
361 dias do ano marchando numa só direção,
de bem com a vida, fazendo dessa alegria que lhe é peculiar
a descoberta ou redescoberta de novos horizontes, de novas possibilidades
para a humanidade, de uma mistura onde são respeitadas
e até queridas as diferenças, a contribuição
de todos para a formação e emancipação
de um novo homem, mais solidário, mais alegre, mais sabedor
de suas responsabilidades e influências no meio da comunidade.
Isso é Carnaval. Isso, esse sentimento de fraternidade,
de companheirismo tão esquecido atualmente, essa verve
de um povo bonito e novo redescobrindo-se, essa miscelânia
entregue quatro dias ao reinado de Momo, o palhaço da
corte, talvez esteja aí a saída (ou a entrada)
deste País, ou melhor, desse povo cada vez mais surpreendente
num estágio outro, descoberto por ele mesmo, querido por
ele mesmo e formado por todos: índios, negros, amarelos,
brancos e todos os que deles são provenientes, desse laboratório
biológico que é o Brasil. Talvez esse seja o verdadeiro
Eldorado que os primeiros colonizadores vieram buscar. No restante
do ano nos entregamos a outras fantasias que, às vezes,
nem reconhecemos, mas que somos obrigados a vestir se não
quisermos definhar. Quem nos disse que elas são realmente
aquelas que queríamos vestir? Por que não inventarmos,
com nossa criatividade, a nossa própria fantasia, aquela
que nos cabe, que nos diz respeito, aquela que sabemos e queremos?
Por que somente durante quatro dias somos capazes de realizar
aquilo para que fomos talhados, ou seja, inventar um mundo novo,
criar fantasias que, no frigir dos ovos, são a pura realidade?
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de
1958, época em que se passa a novela "Esplendor".
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Há que trabalhar, e muito, nos barracões
da vida, construindo, planejando, arquitetando. Mas com material
nosso, com idéias nossas, sem xenofobia, já que
somos formados por múltiplas raças, mas materiais
e idéias feitos para nossa realidade, de que realmente
precisemos, que estejam de acordo com aquilo que somos.
Talvez um dia o Brasil se torne uma grande escola de samba e
possamos ensinar a toda gente a nossa cadência, o nosso
passo, a nossa ginga. E devolver aos povos que ajudaram, bem
ou mal, a nos formar, tudo aquilo de bom que eles nos legaram,
que nos ensinaram e que transformaram este País no que
ele hoje é. Pode ser tudo utopia o que está dito
aí. Mas o que seria do homem não fossem as utopias?
Acabou o espaço e por isso o segundo ponto fica pra outro
dia.
Vinícius Alves (valves@matrix.com.br)
é poeta e editor em Florianópolis
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| Manchetes AN |
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Clênio expõe
em cinco cidades
Artista de Lages
percorre o Estado
Loreno Siega
Lages O artista plástico, escultor, cartunista,
poeta e desenhista Clênio Souza, 40 anos, prepara-se para
novos desafios em sua já consagrada carreira. Com a exposição
"Da Cor ao Concreto", um conjunto de 11 painéis
de pinturas em óleo sobre tela e 15 esculturas, a partir
de quarta-feira ele ficará por cerca de três meses
no Sesc das seguintes cidades: Florianópolis, Blumenau,
Joinville, Joaçaba e São Paulo (Sesc Pompéia).
Desde que começou a criar figuras humanas rabiscando carvão
nas paredes de casa, aos sete anos, Clênio Souza busca
o que chama de perfeição na arte: desintegrar a
forma, fazer com que a figura desapareça de seus desenhos
e com que a idéia seja apenas sugestionada. Nascido em
Urubici mas vivendo em Lages desde os primeiros anos da infância,
Clênio é autodidata. Mesmo assim tornou-se um dos
nomes mais conhecidos no surrealismo do Estado.
Para Clênio, a arte só tem valor quando é
capaz de oferecer algum sentido. Ele repudia pinturas ditas "modernas"
em que manchas sobrepostas de tinta muitas vezes podem ser um
sinônimo de caos ou de total falta de talento. Humilde
e reservado, Clênio acha que seu momento ainda não
chegou. "O artista está sempre em busca da perfeição,
que geralmente é vista sempre à frente", admite.
"Ele já pode ter chegado ao auge mas sempre acredita
que o melhor ainda está por vir".
Há seis anos Clênio atua como professor de artes
na Fundação Cultural de Lages. Sobre a exposição,
ele diz que todas as obras têm uma característica
comum: "Eles lembram catedrais imaginárias e foram
feitas buscando inspiração em cavernas encontradas
na natureza. Com isso, quero relacionar a intimidade da natureza
externa à intimidade do útero materno".
Não colecione bugigangas
Inspiração
clara em filmes consagrados não salva "O Colecionador
de Ossos" do fiasco
Lola Aronovich
Especial para o Anexo
A vantagem do trailer de "O Colecionador de Ossos"
sobre o filme em questão é que, no trailer, você
vê dois minutos, acha ruim e esquece, enquanto você
precisa de quase duas horas do longa-metragem para não
se lembrar do que viu.
O trailer não mente, só resume o filme. Até
antecipa cenas que deveriam ser surpreendentes. Então,
se no trailer você já se pergunta, "o que esta
moça tão magra e chique está fazendo vestida
de policial?", as chances são de que você ficará
com essa dúvida cruel também durante o filme.
Ai, ai, a história. O belo Denzel Washington é
um detetive que sofreu um acidente e está irreversivelmente
paralítico, como se algo fosse irreversível em
Hollywood. Um serial killer seqüestra suas vítimas
usando um táxi e depois as liquida de forma original e
nojenta, deixando pistas para a polícia. Há também
uma jovem policial que revela um talento nato para perícia
e ajuda o Denzel a desvendar os crimes.
Então, desde o começo, você já sabe
o que vai presenciar. O detetive olha para uma prova recolhida
no local e consegue detalhar, a olho nu, do que o material é
composto, de onde veio, porque o matador o usou, e a data e lugar
onde atacará novamente. Nem Badan Palhares faria melhor.
E tem aquele trivial de a força policial em massa procurar
as vítimas, com helicóptero e tudo, e a jovem guarda
encontrá-las fácil fácil.
Angelina Jolie é filha de Jon Voight e acabou de ganhar
o Globo de Ouro de coadjuvante por "Garota, Interrompida".
Em "O Colecionador de Ossos", ela segue a tradição
de Meg Ryan como neurocirurgiã e não convence nem
um pouquinho como policial. Tanto não convence que incluíram
um diálogo totalmente fora do contexto explicando que
sua personagem havia sido modelo. Angelina tem cara de bebê
chorão. Seus lábios, que alguns podem chamar de
"carnudos", outros de "inchados", dependendo
do gosto, estão sempre ligeiramente entreabertos; seus
olhos, lacrimejantes. E ela é tão raquítica
que a gente começa a desconfiar que os ossos do título
sejam dela, e talvez Denzel seja o colecionador. Angelina não
faria feio nos MorumbiFashions da vida. Depois de desfilar, claro,
ela deveria comer alguma coisinha.
Denzel Washington é lindo e maravilhoso e quiçá
o favorito ao Oscar por "Hurricane - Furacão".
Mas aqui ele não tem muito o que fazer. Ficar deitado
na cama levantando a sobrancelha não constará entre
os pontos altos de sua biografia. Até pinta um clima entre
ele e Angelina, mas como um é negro e a outra é
branca, eles não passam dos olhares. O espectador americano
não tem com que se preocupar, pois o cinemão não
vai chocar o respeitável público com miscigenações,
argh. Sexo inter-racial, nem pensar.
De impressionante mesmo em "O Colecionador de Ossos",
só um episódio em que o assassino corta sua vítima,
ainda viva, e a abandona aos ratos. Não se vê grande
coisa, mas o close do ratão pulando é bastante
assustador. No resto, o filme é banal. Alguns diálogos
chamam a atenção, talvez involuntariamente. Um
exemplo é o de um investigador que liga para o Denzel
e diz: "Não sei se tem ligação com
o caso, mas um taxista baleou um policial e saiu em alta velocidade
com dois passageiros que desapareceram. Pode ser só coincidência".
Dãããã. Precisa ser detetive para
deduzir isso?
E o final é tão, mas tão terrível,
que devem ter filmado uns dois ou três e depois deixado
para as platéias das exibições-teste decidirem.
Ou pior: eles já rodaram desse jeito convencional e feliz,
que é para não desiludir ninguém. Afinal,
eles sabem do que o povo gosta.
Para quem acha que "O Colecionador de Ossos" pega carona
em "Seven", sinto decepcioná-los. A inspiração
clara é o magnífico "Silêncio dos Inocentes"
e há um quê de "Janela Indiscreta", mas
é pecado profanar o santo nome de Hitchcock em vão.
Olha, vamos ficar assim. Esqueça os ossos da Angelina
e assista ao "Colecionador" puro e simples, de William
Wyler, de 1965. Este, sim, um suspense psicológico de
arrepiar.
Educação inaugura
uma
nova página na Internet
Brasília - O Ministério da Educação
inaugurou dia 9 a sua nova página na Internet. Por meio
dela, por exemplo, qualquer pessoa vai poder acompanhar, em tempo
real, os repasses de recursos do Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (Fundef) aos Estados e municípios.
A página foi inaugurada pelo ministro Paulo Renato Souza.
"Está tudo aí. Agora ficou mais fácil
fiscalizar", disse o ministro ao inaugurar a página,
no endereço http:\\www.mec.gov.br.
Segundo ele, o projeto sintetiza o processo de transformação
pelo qual o ministério passou nos últimos anos
e que tem na informação um dos principais pilares.
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