Joinville         -          Quinta-feira, 16 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















A mina de
imagens do CIC

Centro Integrado de Cultura sedia três exposições a partir de hoje

Ana Cláudia Menezes

Três exposições abrem hoje à noite no Centro Integrado de Cultura (CIC). No Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), a mostra de gravuras "Brasiliana: Iconografia e Cartografia", de vários autores, e "Confissões Transfiguradas", da artista plástica Linda Poll (leia texto abaixo), serão inauguradas às 20h30. Na Sala de Exposições Temporárias do Museu da Imagem e do Som (MIS), a fotógrafa Juliana Borges exibe, a partir das 19 horas, as imagens dos brasileiros residentes em Los Angeles (EUA) em "Algo me Diz ­ Something Tells Me".
A pouco mais de um mês da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil, a exposição "Brasiliana" é mais uma oportunidade de conhecer a história da formação social do País ­ desta vez, retratada por europeus em 150 gravuras que vão da segunda metade do século 15 até o final do século 19. Todas são obras originais. As imagens e mapas, acompanhadas por textos explicativos, enfocam geografia, costumes, vegetação e a relação dos brancos europeus com os povos nativos que habitavam o Brasil quando as primeiras expedições desembarcaram no litoral.
A viagem pelas gravuras percorre o Brasil de Norte a Sul. Uma das maiores preciosidades é a gravura de Santa Catarina feita pelo naturalista Charles Darwin. Merece igual destaque uma vista da cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. Entre as imagens estão também gravuras de Debret e litografias do Rio de Janeiro feitas por Buwelot e Moreau em 1842; as matas virgens, por Ribeyrolles, e o início do desmatamento, por Rugendas, além de retratos de grupos indígenas, como os tupinambás, cujos hábitos antropofágicos são descritos por Hans Staden.
Rugendas é um dos gravuristas europeus que mais tempo passou no Brasil. Desembarcou aqui para participar de uma expedição científica no início do século 19. Por sua idéias antiescravagistas, o pintor desentendeu-se com o barão Langsdorff, chefe da expedição, e permaneceu no Brasil retratando uma série de imagens que o tornou famoso entre os maiores retratistas do País. O Masc passou por uma adaptação para receber a exposição. A casa de antigüidades Rarus emprestou algumas peças de seu mobiliário, do século 19, para ambientar a mostra.

Formada em design gráfico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a fotógrafa Juliana Borges trouxe de Los Angeles o material para a mostra sobre os brasileiros residentes na cidade da costa oeste norte-americana. Juliana morou lá por um ano, entre junho de 1997 e junho de 98. Como aluna de um curso de extensão de fotografia e videoarte na Universidade da Califórnia, teve a oportunidade de conhecer pessoas de todos os lugares do mundo. Muitos deles, brasileiros. "Quando se mora fora do Brasil, inevitavelmente, começamos a pensar qual o significado de ser brasileiro, o que a palavra Brasil significa para nós", explica a fotógrafa em seu texto de apresentação.
Ela retratou brasileiros das mais variadas posições sociais ­ funcionários de embaixada, cantores, donos de bares, treinadores de futebol, estudantes e o fundador do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) fora do Brasil. Junto ao ensaio fotográfico, será exibido um vídeo de dois minutos e meio, com fotos, desenhos e textos, com a canção "Tomarapeba", do CD "Duas Vozes", de Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos.


A fio e agulha, Linda
costura seus demônios

GLEBER PIENIZ

Joinville ­ Aos visitantes da exposição "Confissões Transfiguradas", a artista plástica Linda Suzana Poll reserva não apenas produtos da reflexão artística, mas frutos da purgação de males íntimos, assuntos pendentes e demônios pessoais. "São coisas que falo da minha vida, como uma limpeza interior", explica a diretora da Casa da Cultura de Joinville, dando pistas para a compreensão do significado de saquinhos bordados, caixas com mensagens poéticas, retalhos e pedaços de tecido costurados e arranjados com papel reciclado, serragem e outros materiais inusitados - a exemplo dos próprios fios de cabelo da artista agregados a uma das peças da mostra.
"Adoro costurar. Desde adolescente, é como um descanso para mim", diz a artista. "A maioria das minhas roupas, sou eu que faço". Aliar o prazer à pesquisa conceitual, desta forma, foi uma decorrência natural na evolução do trabalho de Linda, artista acostumada a verter criatividade na pintura, no desenho, na escultura, nas performances e nas instalações e que, para esta exposição, viu seu ateliê livre dos tanques e das tintas para receber a máquina de costura. O trabalho apresentado em "Confissões Transfiguradas" vem sendo desenvolvido por Linda há quatro anos e teve início quando seu casamento terminou. A exposição, assim, ganha caráter confessional e revela muito mais informações sobre o indivíduo do que propriamente sobre a persona pública do artista. "Tenho uma postura pública e não posso mascarar isso, é necessário que eu me exponha para falar de coisas que gosto e também das coisas que não gosto", diz Linda, sem nenhuma ponta de incômodo por estar tornando conhecida - ainda que através de metáforas e signos pessoais - a sua intimidade.
Cenário bucólico
Visaconde de Mauá, na serra da Mantiqueira e a 185 quilômetros do Rio de Janeiro, oferece a própria natureza como atração.  AN_Turismo 
Os 16 objetos levados por Linda ao Masc contam histórias silenciosas de vida e trazem bordadas em si mensagens explícitas captadas pela artista através de um envolvimento particular com aquilo que ela define como "a poética do dia-a-dia". Em um conjunto de saquinhos que mais parecem patuás, por exemplo, Linda guarda nomes de pessoas queridas e presta um tributo aos amigos e às figuras que influenciaram seu trabalho. A carga pessoal dada à mostra permite leituras complexas e transforma cada objeto confeccionado em um produto artístico com valor de mercado irrisório, mas a artista não se preocupa com os cifrões: "Quando faço algo visceral como esta exposição, é totalmente autêntico e não tem caráter comercial".
A exposição que abre hoje à noite no Masc fecha um ciclo iniciado com peças em papel reciclado, mostra já apresentada por Linda em Florianópolis em 1995. Agora, abre-se uma fase de bordados que, por estar condicionada a acontecimentos espinhosos da vida pessoal, não tem um objetivo ou uma questão conceitual para ser resolvida imediatamente. "Não posso dizer que vou continuar com esta temática por muito tempo", avisa. "Não trabalho com esta premeditação".


História do nazismo é
apresentada em exposição

Corupá sedia mostra com 250 fotos e objetos originais organizada por estudioso do movimento

Adelmo Luiz Müller
Especial para o Anexo

Corupá - O município de Corupá sedia até 28 de abril o lançamento nacional da "Mostra Internacional da História do Nazismo", montada no Seminário Sagrado Coração de Jesus. Organizada pelo professor italiano Franco Gentili, a exposição após vai percorrer a maioria dos Estados brasileiros. O acesso para visitação custa R$ 3,00.
Visitá-la é ter aula sobre os perdedores da 2ª Guerra. Inclui documentos inéditos, como a Declaração de Guerra original assinada por Adolfo Hitler às 4h15 do dia 31 de agosto de 1939, que frisa no primeiro artigo que "não existindo mais a possibilidade de resolver por via amigável solução para as divisas orientais, eu decido por uma solução violenta: ataco a Polônia".
Professor de história em Verona, na Itália, Franco Gentili, 57 anos, há dez se dedica a pesquisar a história do nazismo. "Em todo o mundo renasce a ideologia nazista devido à profunda ignorância quanto a esse vergonhoso fato mundial. Com esta exposição, meu objetivo é mostrar que o nazismo não é ideologia a ser seguida, pois só representou a destruição humana em todos os sentidos". Segundo Gentili, a humanidade sempre conheceu a história apontada por parte de quem ganhou a guerra, "mas nós aqui a mostramos do ponto de vista real dos fatos".
O nazismo, no entender deste professor, era uma sociedade diferente da democracia ou da ditadura, pois nasceu democrática, já que Hitler foi eleito e após se tornou ditador. Os primeiros dez anos do nazismo são compreensíveis e têm uma lógica, mas a partir daí começou a parte mística, com a tentativa de transformar o mundo, e para isso veio a alucinação de que era preciso eliminar milhares de seres humanos, o que então deu início à guerra.
Integram a exposição cerca de 250 fotos/cartazes legendados, bandeira, símbolo, brasão e condecoração nazistas, a primeira suástica mística originária do Tibet, encontrada na casa do general alemão Haushoffer depois do seu suícidio em 1944. A peça é considerada de grande valor histórico, pois sobre ela eram feitos os juramentos dos integrantes da Ordem Negra da Sociedade Secreta, entre eles Hitler, seu vice Hess e principais colaboradores, como Goebbels, Himmler, Haishoffer, Horbiger, Roetgen e Eckardt.
Também fazem livros sobre o nazismo, como os que eram fornecidos para formação dos estudantes alemães do 2º grau. O "Gestapo", impresso em Paris em 1940, descreve a organização da polícia secreta nazista, e comprova que a França participou concretamente da difusão do nazismo na Europa. O livro de Albert Speer, um dos mais próximos colaboradores de Hitler, é considerada a mais verdadeira e completa obra sobre a história do nazismo do seu início ao seu fim, conforme Gentili.


Barbeador e calçados para fuga

O chapéu de um oficial da República Social Italiana, constituída por nazistas no Norte da Itália no final da guerra e que comprova que os fascistas da RSI eram tão ferozes quanto os nazistas da SS, integra a mostra, assim como um barbeador doado por Tadeusz Szymanski, guardião desde 1945 do campo de concentração de Auschwitz, e os sapatos de Raul Adami, presidente da Associação de ex-Internados do campo de concentração de Verona, que os usou para andar 230 quilômetros ao fugir do campo de Fossoli.
Anos dourados
A vaidade ajudou Taís Fersoza a absorver o universo de 1958, época em que se passa a novela "Esplendor".  AN_Tevê 
Na espada do marechal Goring, número três do regime nazista, além dos símbolos nazistas normais, observa-se a simbologia mística da maçonaria (da qual Hitler e outros chefes eram membros). Entre os objetos de tortura, um cassetete usado no campo de concentração de Treblinka para golpear prisioneiros e um pedaço de arame farpado original do campo de concentração de Flossemburg, onde morreram cerca de 75 mil pessoas.


Criciúma sedia coletiva
de arte contemporânea

Criciúma - Os artistas participantes da mostra de arte contemporânea trouxeram para a Galeria de Arte do Centro Cultural Jorge Zanatta, de Criciúma, toda a versatilidade, colorido e questionamento da arte contemporânea. Sandra Fávero, Carlos Asp, Edmilson Vasconcelos, Jorge Ferro, Alvaro Diaz e Michael Chapman reuniram o que há de melhor para explicar ou complicar a arte.
"Queremos promover um debate entre os artistas e o público, trocando idéias e fazendo comparativos. Não queremos explicações definitivas mas, sim, novos questionamentos e mais discussão", explica o gaúcho Carlos Asp. Asp está mostrando quatro de suas obras na exposição que a Fundação Cultural de Criciúma promove até o dia 14 de abril. A galeria permanece aberta à visitação entre 13 e 19 horas, de segunda a sexta-feira.
Um dos sentimentos que unem os artistas é a busca pelo novo, pelo atual. Foi nas aulas do mestrado em engenharia de produção da UFSC que cinco deles - Chapman é doutorando em mídia e conhecimento e se uniu ao grupo - resolveram montar a exposição. "Cedemos o espaço para artistas que têm uma história própria e agora estão montando um trabalho juntos", ressalta Rosângela Becker, coordenadora da galeria.
Para Edmilson Vasconcelos, a arte vive um momento de liberdade, "hoje não existe mais o pintor ou o escultor, existe alguém que usa várias técnicas para transformar uma idéia", afirma. Na mostra, ele usa fitas adesivas e o ambiente de duas salas para criar sua obra.
O arquiteto Jorge Ferro, de Criciúma, mostra um vídeo, apresentando trechos de uma escultura e o som de um coração pulsando. Alvaro Diaz apresenta uma seleção de fotos, enquanto Chapman traz as imagens da natureza através de reproduções de fotos de fungos. A artista plástica Sandra Fávero está expondo suas gravuras.


Cais 90 leva cultura e
diversão ao antigo porto

Joinville - Margeando o rio Cachoeira, a rua Conde D'Eu, entre o Mercado Municipal de Joinville e o Moinho Santista, há 50 anos presenciava navios atracando no local para desembarcar mercadorias e passageiros. Depois que as embarcações pararam de navegar pelo rio, o local perdeu boa parte de sua movimentação e hoje é mais utilizado como atalho para acesso ao bairro Boa Vista. Mas, a partir de hoje, o que era um antigo cais volta a pulsar, desta vez no ritmo da diversão e da cultura.
Às 21 horas, abre as portas ao público o Cais 90, bar montado num prédio de 200 metros quadrados, construído na década de 20, onde há anos funcionava um galpão de estocagem de sal. A rua de paralelepípedo permanece, bem como o portão do Moinho Santista e os pontos de amarração de navios fincados no solo. Uma bela fileira de palmeiras aplaca o triste visual do rio e ainda impõe um certo clima romântico.
É nesse cenário charmoso que o Cais 90 se ergue para oferecer uma nova opção de lazer aos joinvilenses, notadamente ao público acima de 25 anos cansado de pagodes e rocks barulhentos. Num ambiente que privilegia a conversa, MPB, blues e jazz farão a trilha sonora de segunda a sábado, sempre ao vivo, a partir das 22 horas. Nas paredes, painéis apresentarão diferentes manifestações artísticas, começando pelas charges e caricaturas de Sandro Schmidt (A Notícia), Paixão ("Gazeta do Povo") e trabalhos retirados de outros meios de comunicação. Não será cobrada entrada nem consumação, apenas o couvert artístico.
O idealizar do novo bar é Enio Zulauf, ex-gerente de exportação em Curitiba. Sua primeira experiência com casas noturnas aconteceu em novembro passado, quando gerenciou o Alphandega. Um dos seus objetivos é revitalizar essa área histórica e transformá-la num novo point joinvilense.


Crônica

VASCO E A SÍNDROME DE VICE

Salim Miguel

Faz algum tempo não falo de futebol. Mas continuo atento ao nosso balípodo. E, claro, continuo vascaíno. Explicação para tal, não tenho. Nem sei ao certo quando foi que me tornei torcedor do clube da Cruz de Malta. Terá sido ainda nos distantes tempos de Biguaçu? Em vão me esforço. Não torço por outro clube qualquer, embora tenha simpatias pelo Avaí e pelo América. Já em ambos esses casos existe explicação: meu irmão, Jorge, era torcedor fanático de ambos. E, no caso do América, há ainda o Marques Rebelo, que havia jogado uma bolinha razoável por lá e era apaixonado pelo clube. Se não torço por outro time e tenho simpatia por dois, nem sei se tenho antipatia por qualquer outro.
Nestes últimos tempos nenhum torcedor do Vasco deve andar satisfeito. Vejamos: ano passado ele dispensou Guilherme e Luizão. O primeiro foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro e o segundo, vice-artilheiro, ajudando em muito o Corinthians a se sagrar campeão. Este ano, para o mesmo Atlético Mineiro que levou Guilherme, foi outro importante jogador, o Ramon. Enquanto isto, quem ia para o Vasco? O Romário. Nada tenho contra o Romário, um belo jogador e matador implacável. Mas, lá no Vasco, já se encontrava outro matador, o Edmundo. Ambos, Romário e Edmundo, de um ego fenomenal - e como se isso não bastasse, incompatibilizados. Deu no que deu. Edmundo veio da Itália como salvador da pátria, recebido com foguetório e logo transformado em capitão. Chega Romário e demora pouco para receber a faixa de capitão. Foi o estopim por todos previsto, menos pelo dono do Vasco, o Eurico Miranda.
Cheguei até aqui e não justifiquei o título. O leitor atento aos fatos do futebol já deve ter percebido. E quem não se interessa por essa paixão maior do brasileiro? Existem, devem existir, aqueles que passam longe das páginas esportivas, fecham os olhos e tapam os ouvidos no noticiário das TVs. Então uma explicação se torna necessária. Começo por uma notícia que li a respeito dos freqüentes vice-campeonatos do Vasco, clube com um elenco em condições de ganhar a maioria das competições de que participa. Sintetizando, a notícia dizia que num clube em que manda o vice, o presidente sendo mera peça decorativa, é justo que seja campeão em vices-campeonatos.
Scooters
A possibilidade de liberação dos ciclomotores ou scooters para menores de 18 anos no Brasil ainda rende polêmica.  AN_Veículos 
Tomo como exemplo os dois torneios mais recentes, a Copa dos Campeões, vencida pelo Corinthians em pleno Maracanã e o Torneio Rio-São Paulo, que começou a ser perdido também no Maracanã, quando o Vasco perdeu de dois a um para o Palmeiras e depois, para o mesmo time, por um humilhante quatro a zero, em São Paulo. Eu estava em Brasília, tinha marcado minha volta num vôo noturno, exatamente no dia do jogo, quarta-feira, dia 1º de março. Minha filha e meu neto insistiram para que eu adiasse a volta e, mesmo sendo flamenguistas, torceriam pelo Vasco. Recusei-me e lhes disse que preferia saber da derrota do Vasco já em casa, em Florianópolis. Cheguei, minha mulher logo telefonou e me passou a notícia, o Vasco perdia de três a zero. Levei um susto, eu pensava num empate, que já daria a vitória ao São Paulo, talvez um a zero, jamais aqueles três. Nem liguei a TV. E no dia seguinte fiquei sabendo que houve mais um, foram quatro. Isso para um time que começara o torneio desacreditado. Resumo da ópera: sobrou para o técnico, o Antônio Lopes, quando o certo seria sobrar para o vice Eurico Miranda, que deita e rola, manda e desmanda e naquele presidente Calçada só ele pisa. O técnico durou quase quatro anos - uma eternidade em termos de Brasil, onde a uma seqüência de derrotas logo o técnico é mandado cantar em outra freguesia.
O Vasco tem bons jogadores? Tem! O que falta, então? Harmonia e uma direção firme. Não adianta suspender a suspenção do Edmundo e mandá-lo jogar, lá em São Paulo, contra o motivado Palmeiras, como se o temperamental jogador pudesse resolver tudo. Parreira, o novo técnico, seria a salvação da lavoura. Não foi. Em lugar dele, veio o Abel, que amanhã ou depois pode se transformar em Cain. E, com o vice Miranda, a síndrome de vice permanecerá.

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"O Impostor" chega
às telas em agosto

Primeiro filme blumenauense é uma adaptação do conto de Maicon Tenfen

Marli Rudnik

Blumenau ­ O primeiro filme genuinamente blumenauense já está nos estúdios para edição e sonorização, e terá lançamento em agosto, com exibição em um dos Cines Neumarkt. Do roteiro de Maicon Tenfen à direção de Andreas Peter e Marx Varmelatti, "O Impostor" apostou em talentos locais para provar que mesmo com poucos recursos e muita disposição é possível fazer bons projetos no cinema nacional. O filme produzido em super-VHS tem 20 minutos de duração, com roteiro inspirado no conto homônimo de Tenfen, escrito em 1995 e publicado no ano passado.
As filmagens de "O Impostor" movimentaram a noite blumenauense em fevereiro. Durante dez dias (mais precisamente madrugadas) foram realizadas oito locações em locais públicos, como o restaurante Moinho do Vale, o Portal da Saxônia (o morro mais alto, com vista panorâmica da cidade) e o Grande Hotel Blumenau. Quem quis pode posar de figurante para se eternizar na telinha. Para gravar a cena de um encontro de negócios na Cervejaria Continental, por exemplo, foi promovida a "Noite do Impostor" e todos que compareceram participaram da produção.
Na base de parcerias com empresas e entidades, a equipe conseguiu trabalhar com orçamento abaixo do original, que era de R$ 20 mil. "Como todos os atores atuaram sem receber cachê e graças aos empréstimos de equipamentos e materiais, fizemos o filme com R$ 8 mil", afirma Peter. A etapa das filmagens envolveu cerca de 30 pessoas diretamente, além dos curiosos e incentivadores. Dez atores tiveram participação ativa no filme.
A história de "O Impostor" começa em 1995, quando o escritor Maicon Tenfen pensou em fazer um roteiro de curta-metragem, mas como não entendia de cinema, acabou escrevendo uma narrativa literária, visual como toda sua obra. Enquanto promovia publicamente o conto, guardava na gaveta a versão cinematográfica, que só foi entregue ao amigo Andreas Peter no ano passado. O diretor leu e no dia seguinte procurou Tenfen para dizer que queria filmar sua história.
Entraram em cena então o outro diretor, Marx Varmelatti, e as produtoras Magda Fiorezi e Paula Sofia da Igreja, partindo para a incansável busca de recursos financeiros e técnicos. Roteiro reescrito e story board na mão, em novembro do ano passado o grupo começou a materializar a produção e marcar o calendário de locações. Encerradas as filmagens, até agosto os trabalhos se concentram na edição de imagens (feita no estúdio do próprio Andreas) e sonorização (no Stúdio Phoenix).
Com o consentimento e aprovação do próprio autor, o roteiro foi readaptado e ganhou um novo desfecho. Quando entregou seu trabalho ao diretor, Maicon achou que poderia ficar isento, mas acabou participando ativamente de todas as etapas de produção, e confessa, interferindo na trama. Não no sentido de conservar, mas para modificar. "Era o que eu queria: provocar uma releitura do conto", explica. Na primeira experiência cinematográfica baseada em sua obra, o que Tenfen menos fez foi dar palpite no roteiro. Carregou equipamentos, foi iluminador e até fez uma ponta como entrevistador em uma das cenas. "Foi uma experiência fascinante, que me fez pensar agora no projeto de um longa-metragem", diz o escritor.
No conto como no filme, "O Impostor" é Stefano, um homem pobre, sem iniciativa nem perspectiva para sua vida, humilhado pela mãe, que não consegue sucesso nem quando tenta o suicídio. Até que numa das investidas presencia o suicídio de um milionário e, percebendo a semelhança física entre eles, resolve assumir a vida do morto. Mas o que seria a grande oportunidade de virada transforma sua medíocre existência num inferno. Stefano terá que assumir os problemas do outro, se envolvendo numa trama de traições e chantagem política. Como o final do filme foi modificado, é preciso assisti-lo para saber como o personagem vai se sair nesta história.
Desde a concepção do filme, Paula e Magda tiveram outro papel importante: na elaboração do projeto de divulgação do vídeo. Formandas de publicidade e propaganda da Universidade Regional de Blumenau, onde também respondem pela agência experimental do curso, elas conceberam uma "obra filantrópica", associado a uma campanha beneficente em favor da Associação Blumenauense de Apoio e Prevenção à Aids (Abapa). "De todas as cotas de patrocínio uma parte foi destinada à Abapa. Isto facilitou nosso acesso às empresas e boas parcerias foram fechadas", afirma Paula.
Nesta política sem fins lucrativos, as exibições de "O Impostor" serão gratuitas. No máximo as exibições no cinema vão angariar alimentos não-perecíveis para a entidade. Em agosto, ainda com datas a confirmar, serão promovidos lançamentos na Furb (onde o curso de publicidade e propaganda participou em peso de toda produção), na Cervejaria Continental e no próprio Cine Neumarkt, que vai exibir uma sessão noturna diária durante quatro dias, numa das salas menores. Neste caso o filme será rodado com projetor de vídeo.
Além de apresentar a primeira produção blumenauense para os blumenauenses, Andreas Peter pretende inscrever "O Impostor" em festivais de cinema brasileiros que aceitem produções em vídeo. Um deles será o Festival de Vídeo de Gramado, que ocorre simultaneamente ao Festival Nacional de Cinema. O diretor explica que seu objetivo é fazer desta experiência doméstica um bom exemplo de como produzir com qualidade e responsabilidade. Mesmo quando há limitações técnicas e financeiras. "Queremos o mérito de ser pioneiro nesta experiência de aprendizado, numa área que pode evoluir em Blumenau e Santa Catarina", justifica.
Andreas já tem em seu currículo pelo menos dois projetos interessantes. Em 1998 o videoclipe da banda de rock Madeixas, produzido e dirigido por ele, foi selecionado e exibido durante uma temporada na MTV. Há três anos produz os documentários do programa Universidade Solidária, do governo Federal, nas excursões onde atuam os alunos da Furb. Estes documentários estão se tornando referência na organização do programa. Junto com Paula e Magda o diretor trabalhou também em programas de TV para canal comunitário e dirige um projeto para a Sociedade Brasileira de Psicologia.

Serviço
Para saber mais sobre as gravações de "O Impostor", ver a página do filme na Internet. O endereço é: www.9zero9.com/impostor


Fórmula-1 é a mais nova
vítima do ufanismo global

Galvão Bueno e Reginaldo Leme ultrapassam os limites da torcida

Leandro Calixto
TV Press

A Globo não está medindo esforços para transformar Rubens Barrichello num novo ídolo do esporte nacional. Principalmente agora, com o piloto assumindo o cockpit de uma equipe ponta, a Ferrari. O estardalhaço que a emissora está fazendo em torno de Rubinho já deu retorno: na primeira prova da temporada, realizada na Austrália, a média foi de 25 pontos no Ibope. Isso para uma corrida transmitida entre meia-noite e duas da manhã, na madrugada do último domingo. Foi uma grande platéia para testemunhar o ufanismo exacerbado do locutor Galvão Bueno e do comentarista Reginaldo Leme.
Até é aceitável a torcida para o piloto, mas tentar induzir o telespectador a acreditar que Barrichello recebe as mesmas condições e regalias que o companheiro de equipe, Michael Schumacher, é, no mínimo, subestimar a inteligência do torcedor. Mas por uma questão de marketing, de tentar vender o espetáculo, Galvão e Reginaldo insistem que Barrichello recebe o mesmo tratamento que Schumacher e que não há principal piloto na Ferrari - apesar de ser óbvio que o alemão é o piloto principal da escuderia italiana.
No Grande Prêmio da Austrália, Barrichello sentiu para que foi contratado. Passou toda corrida atrás do alemão e quando o ultrapassou foi por determinação da direção da Ferrari. Neste momento da prova, foi patética a comemoração antecipada de Reginaldo Leme. Do alto de seus 27 anos de experiência em Fórmula 1, o comentarista da Globo chegou a iniciar o discurso em que Barrichello seria o primeiro piloto a estrear na Ferrari com uma vitória. Ledo engano. No exato momento da profecia de Reginaldo, Barrichello entrava no box para reabastecer e Schumacher reassumia a ponta. A partir daí, tanto Reginaldo quanto Galvão se dedicaram apenas a valorizar a segunda posição conquistada pelo brasileiro e a dizer que não havia lógica na tática da equipe, consagrada por todos no circo da F1 como a que tem melhor estratégia de corrida.
Rubens Barrichello, aliás, fez um ótimo tempo no treino livre que decidiu o grid para o Grande Prêmio da Austrália. Só não conquistou uma melhor posição que a quarta em razão de um acidente na pista justamente no momento que realizava a sua melhor volta. Tinha tudo para, pelo menos, largar na segunda posição. Só que os jornalistas da emissora de Roberto Marinho se esqueceram que Rubinho só chegou na segunda posição na prova porque os dois pilotos da McLaren, o finlandês Mika Hakkinen e o escocês David Coulthard, abandonaram a corrida por problemas em seus carros. Ou seja, ele não precisou se mostrar muito arrojado para conquistar a segunda posição.
Na verdade, Barrichello fez uma péssima largada e foi ultrapassado pelo alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan. Mas em vez de constatar o erro do piloto brasileiro, tanto Galvão quanto Reginaldo foram para cima ferozmente de Frentzen. Alegaram que o piloto alemão estava dificultando a vida de Barrichello e retardando o tempo do piloto. Se esqueceram, no entanto, de questionar o porquê de Barrichello não conseguir encostar no alemão. Como é de seu estilo, Galvão Bueno também ofuscava a participação do repórter João Pedro Paes Leme. Toda vez que o jornalista tentava levar uma informação dos boxes, se não fosse interrompido por Galvão, tinha sua participação ignorada. Ao longo dos anos, Galvão vem se especializando em ser o "dono" de todas as transmissões esportivas da Globo. E, ao que tudo indica, vai continuar sendo neste ano. Principalmente porque Barrichello tem reais chances de conquistar, finalmente, a primeira vitória na Fórmula 1. Basta que Schumacher não esteja no páreo.


Calourarte 1 - Os acadêmicos de educação artística da Universidade Regional de Blumenau encontraram uma maneira criativa de dar as boas-vindas aos calouros do curso. Eles promovem hoje e amanhã, no Teatro Carlos Gomes, o 1º Calourarte, exibição das habilidades desenvolvidas pelos veteranos nas áreas de artes plásticas, teatro e música. O evento abre com uma exposição dos alunos do Programa de Atualização Permanente.

Calourarte 2 - Na noite de hoje, o público vai conferir, a partir das 18h30, performances de violão, piano e canto, com alunos e professores, entre eles Renato Mor e o maestro Frak Graf. Amanhã, no mesmo horário, as turmas de artes cênicas apresentam os espetáculos "O Ascensorista" e "El Molinete". Também seguem as apresentações de canto e instrumentos. O evento tem entrada franca e é aberto à comunidade.


 
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