Joinville         -          Quinta-feira, 16 de Março de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















Picape Courier ganha
força com novo motor

Desempenho do propulsor Rocam 1.6 compensa o conforto limitado oferecido pelo utilitário

A nova picape Ford Courier é a prova da diferença que um motor pode fazer. Antes equipada com um propulsor Endura 1.4 litro 16 válvulas, que lhe conferia fôlego limitado, a Courier agora possui sob o capô o mesmo motor Zetec Rocam 1.6 do Fiesta. Com ele, a picape compacta ganhou um desempenho mais satisfatório. Aliado ao design reestilizado - também na esteira do "lifting" imposto à linha Fiesta -, o motor tornou a Courier bem mais atraente.
Além do visual renovado e do motor "nervosinho", a Courier conta com outro atrativo bastante pertinente: a caçamba é maior que as das concorrentes Chevrolet picape Corsa, Fiat Strada e Volkswagen Saveiro. Desta forma, o carro mostra-se mais versátil naquela que é sua vocação fundamental: o transporte de cargas. Na caçamba da Courier, por exemplo, é possível se levar vários modelos de motocicletas ou jet skis com a tampa traseira fechada. Nas concorrentes, isso já não é tão fácil. Além disso, a Courier transporta 700 kg de carga, enquanto a Strada leva até 705, a Saveiro, 700, e a picape Corsa, 575.
No interior, a Courier exibe o tradicional acabamento esmerado da Ford - o acabamento é todo em tecido, sem partes em vinil, por exemplo -, mas sem grandes luxos. A versão avaliada, XL, sai de fábrica equipada com aquecedor, direção hidráulica, vidros verdes, acendedor de cigarros, iluminação e proteção de fibra na caçamba, rack no teto, redes porta-objetos atrás dos bancos, relógio digital, pára-choques, predisposição para rádio e grade do radiador na cor do veículo, rodas de liga- leve, farol de neblina, grade protetora do vidro traseiro, brake light e imobilizador do motor. Com estes itens, a Courier sai por R$ 21.260,00. Se o comprador recheá-la com os poucos opcionais disponíveis - airbag duplo, ar-condicionado, trava e vidros elétricos -, este preço sobe para R$ 25.560,00. Estranho é a picape não dispor de rádio/toca-fitas nem como opcional.
O preço inicial da Courier XL é superior, por exemplo, ao da Saveiro Mi 1.6, que sai por R$ 18,7 mil, mas com menos equipamentos. É, também, mais cara que a Fiat Strada 1.6, que começa em R$ 19,2 mil, e que a picape Corsa GL 1.6, de iniciais R$ 17,6 mil - ambas com praticamente os mesmos itens.
O preço superior, porém, é compensado pelo motor da Courier. O Zetec Rocam de quatro cilindros em linha, 1.6 litro e 95 cv é mais potente que os motores das rivais da GM e Volkswagen - ambas têm 92 cv. E, se perde para os 106 cv da Strada, tem a vantagem do cabeçote com oito válvulas que não deixa "buracos" na aceleração em baixos giros. O motor Rocam ainda conta com tecnologias como balancins roletados, comando de válvulas tubulares - ocos - e acionamento de válvulas por tuchos hidráulicos, que resultam em maior eficiência do propulsor pelo menor atrito entre as partes móveis e, conseqüentemente, maior durabilidade. Se perde em preço, pelo menos em tecnologia a Courier está melhor servida que as rivais.

Fôlego Graças ao motor Zetec Rocam 1.6, a Courier tem potência de 95 cv, superior à líder Saveiro
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Ford Courier XL

  • Motor
    Gasolina, dianteiro, 1.598 cc, transversal, quatro cilindros em linha, oito válvulas. Comando simples de válvulas no cabeçote, com acionamento por tuchos hidráulicos e balancins roletados. Alimentado por injeção eletrônica multiponto seqüencial.
  • Potência máxima
    95 cv a 5.500 rpm.
  • Torque máximo
    14,1 kgfm a 2.250 rpm.
  • Suspensão
    Dianteira independente tipo McPherson com braços inferiores triangulares, amortecedores de dupla ação e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido, molas parabólicas, lâmina única e amortecedores.
  • Diâmetro e curso
    82,07 mm X 75,50 mm. Taxa de compressão de 9,5:1
  • Freios
    A disco maciço na frente e tambor atrás
  • Transmissão
    Câmbio de cinco marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira.
  • Carroceria
    Pick-up com dois lugares em monobloco. Comprimento de 4,45 m, largura de 1,68 m e altura de 1,47 m. Entre-eixos de 2,83 m.
  • Peso
    1.096 kg com 700 kg de carga útil.
  • Caçamba
    1.100 litros até a altura da caçamba (1,81 m X 1,44 m).

Plástica Courier ganhou o mesmo visual do Fiesta, mas o conforto é limitado na cabine

Ponto a Ponto

Desempenho: A performance dinâmica é um dos pontos fortes da Courier. O motor Rocam de 95 cv permite arrancadas e retomadas viris. No trânsito urbano, o carro é arisco e tem sua agilidade reforçada pelo peso leve. Ao contrário dos multiválvulas, mesmo em baixos giros as respostas são imediatas e não há "buracos" na aceleração. Na estrada, a Courier fica mais à vontade para destilar seu ímpeto: chega à velocidade máxima de 165 km/h e acelera de zero a 100 km/h em 12 segundos.

Dirigibilidade: A Courier transmite permanentemente a sensação de estar "na mão". O modelo exibe estabilidade surpreendente mesmo em curvas fechadas feitas em altas velocidades. Quando descarregada, porém, a traseira leve tem discreta tendência a flutuar.

Nível de conforto: Como o espaço interno da Courier é limitado pela configuração de picape, o conforto fica relativamente comprometido. Atrás dos bancos mal cabem duas bolsas ou mochilas, o que leva os passageiros a se apertar junto com eventuais bagagens. O espaço para as pernas é pequeno para pessoas com mais de 1,75 m. A altura, pelo menos, é razoável. Para minimizar o sofrimento, dispõe-se de um console central com espaços para uma lata ou garrafa e um telefone celular.

Consumo: A Courier saiu-se bem no quesito consumo: fez uma média de 10,2 km/l. Como tem um tanque para 68 litros de combustível, obtém-se uma autonomia média superior a 700 km. O que permite, por exemplo, viagens longas com apenas um tanque. Se usada em serviço, permite, da mesma forma, muito trabalho sem reabastecimentos constantes.

Segurança: Nesse aspecto, a Courier é relativamente modesta. Conta com barras de proteção laterais e válvula compensadora de frenagem que se auto-regula de acordo com a carga, mas airbag duplo só como opcional. Freios com ABS, nem assim.

Destaques: De positivo, design, desempenho, autonomia e estabilidade. De negativo, câmbio, visibilidade e espaço interno.


Controvérsia Regulamentação esbarra no Código Penal que torna inimputáveis pessoas abaixo de 18 anos
Foto: Iran Correia

Liberação de scooters
ainda gera polêmica

Nova proposta é permitir que ciclomotores possam ser pilotados por jovens maiores de 16 anos

O uso de ciclomotores ou scooters por menores de 18 anos no Brasil suscita debates e polêmicas. Em maio de 1998, a resolução no 50 do Conselho Nacional de Trânsito, Contran, liberou o uso destes veículos para maiores de 14 anos e deu um prazo de 180 dias para que os Detrans estaduais regulamentassem a lei. Mas a "festa teen" durou pouco: vencido esse prazo, novas controvérsias sobre a inimputabilidade do jovem - impossibilidade de responsabilizá-lo legalmente por seus atos - e os critérios de classificação dos scooters levaram o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, a revogar a resolução.
Para tentar reverter essa situação, a Abraciclo - Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Motonetas - realizou fóruns, pesquisas e debates, juntou todo o material apurado e apresentou uma nova proposta de regulamentação. Esse material será analisado por câmaras temáticas - formadas por juristas, psicólogos, ONGs, associações de classe e autoridades - que vão regulamentar diversos itens do novo Código de Trânsito Brasileiro a partir de 16 de março. Nessa nova leva, a Abraciclo acredita que a proposta tem chance, já que definiram-se as características do scooter como veículo de duas rodas com até 50 cilindradas que não passe dos 50 km/h e cuja circulação seja restrita a vias em que a velocidade máxima não passe dos 50 km/h. "Em uma perspectiva otimista, acreditamos que até o final desse semestre já teremos uma conclusão para o assunto", prevê o gerente executivo da Abraciclo, Franklin Mello.
Mas os fabricantes e importadores não devem ficar muito animados. A questão principal, da idade, vai muito além do Código de Trânsito e análises psicológicas. Segundo o presidente do Departamento Nacional de Trânsito, Jurandir Fernandes, o Código Penal estabelece como inimputáveis as pessoas menores de 18 anos. Como o código de trânsito se submete ao penal, seria necessário - em princípio - mudar a lei, o que faria a questão passar necessariamente pelo Congresso Nacional. Há a possibilidade de se achar uma brecha para uma regulamentação sem passar pelo Código Penal e liberar os scooters para o jovem maior de 16 anos. "Mas isso é bem difícil, pois seria necessário diferenciar os ciclomotores na legislação", pondera Jurandir Fernandes.

Fabricantes e
importadores somam prejuízos

Enquanto a polêmica não chega ao fim - ainda pode durar meses ou até anos - os fabricantes e importadores ainda contabilizam os prejuízos passados e futuros da revogação causados pela resolução anterior. Empresas como Yamaha, Aprilia e Brandy se prepararam para o novo mercado que surgia com investimentos na produção ou importação de novos modelos. Depois do anúncio da liberação, essas e outras empresas fizeram investimentos no setor, acreditando no crescimento imediato do mercado que estava se abrindo.
A Brandy, por exemplo, chegou a inaugurar uma fábrica em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Hoje, a fábrica está fechada, à espera de uma decisão. Com a revogação, só a Brandy registrou prejuízos de mais de R$ 3 milhões em investimentos na nova unidade, pelos menos 100 empregos diretos perdidos e cerca de 500 lojas que se preparavam para se especializar em scooters de 50 cc no Brasil foram prejudicadas, segundo o presidente da empresa, Hugo Brandani. "É uma vergonha que com apenas uma canetada o governo revogue uma decisão que foi tomada depois de três anos de avaliações", critica ele.

Veículo ajudaria
a educar condutor

Um dos argumentos mais utilizados pela Abraciclo na luta pela liberação dos scooters para maiores de 16 anos é o que isso representaria na formação de novos condutores de veículos motorizados. A tese é que, até os 18 anos, o jovem não pode dirigir nada. Mas, a partir dessa idade, pode guiar qualquer coisa.
"É como se passássemos do primário ao 3º grau sem cursar o 2º grau", compara Franklin Mello, gerente executivo da entidade. Para ele, o ciclomotor propiciaria aos jovens o conhecimento da legislação de trânsito e se habituar com o uso de um veículo motorizado pelo caminho correto - o lento e gradual.

Leis

"Na Europa, o ciclomotor é contextualizado dentro de um programa de educação gradativa, onde o adolescente começa, desde cedo, a conviver com as leis e as situações do trânsito", lembra Roberto Iquejiri. É fato, mas vale ressaltar que na Inglaterra, por exemplo, uma pessoa de 12 anos pode ser responsabilizada por atos criminosos.
O presidente do Denatran, Jurandir Fernandes, até simpatiza com a idéia do uso dos scooters - considera-os saudáveis, úteis e econômicos. Mas além da questão da inimputabilidade, ele chama atenção para o local do uso. "Em cidades grandes, com trânsito violento e pesado, é preciso decidir com muita cautela para não jogar os nossos jovens em situações de risco", pondera.

Manchetes AN

Das últimas edições de AN Veículos
05/03 - Salão de Genebra: Esportivos esbanjam potência e tecnologia
27/02 - Brava melhora desempenho com novo motor
20/02 - Kangoo tem espaço e funcionalidade de sobra
13/02 - Conforto é o destaque do Honda Civic
06/02 - Sportage seduz cliente pelo bolso
30/01 - Minivan Hyundai chega com motor 1.0
23/01 - Detroit mostra as picapes do século 21

 
Copyright © 2000 A Notícia - Fone: 055-0xx47 431 9000 - Fax: 055-0xx47 431 9100 - Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - BRASIL - EXPEDIENTE
 

Torque Comunicação e Internet