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ANotícia
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Picape Courier ganha
força com novo motor
Desempenho
do propulsor Rocam 1.6 compensa o conforto limitado oferecido
pelo utilitário
A
nova picape Ford Courier é a prova da diferença
que um motor pode fazer. Antes equipada com um propulsor Endura
1.4 litro 16 válvulas, que lhe conferia fôlego limitado,
a Courier agora possui sob o capô o mesmo motor Zetec Rocam
1.6 do Fiesta. Com ele, a picape compacta ganhou um desempenho
mais satisfatório. Aliado ao design reestilizado - também
na esteira do "lifting" imposto à linha Fiesta
-, o motor tornou a Courier bem mais atraente.
Além do visual renovado e do motor "nervosinho",
a Courier conta com outro atrativo bastante pertinente: a caçamba
é maior que as das concorrentes Chevrolet picape Corsa,
Fiat Strada e Volkswagen Saveiro. Desta forma, o carro mostra-se
mais versátil naquela que é sua vocação
fundamental: o transporte de cargas. Na caçamba da Courier,
por exemplo, é possível se levar vários
modelos de motocicletas ou jet skis com a tampa traseira fechada.
Nas concorrentes, isso já não é tão
fácil. Além disso, a Courier transporta 700 kg
de carga, enquanto a Strada leva até 705, a Saveiro, 700,
e a picape Corsa, 575.
No interior, a Courier exibe o tradicional acabamento esmerado
da Ford - o acabamento é todo em tecido, sem partes em
vinil, por exemplo -, mas sem grandes luxos. A versão
avaliada, XL, sai de fábrica equipada com aquecedor, direção
hidráulica, vidros verdes, acendedor de cigarros, iluminação
e proteção de fibra na caçamba, rack no
teto, redes porta-objetos atrás dos bancos, relógio
digital, pára-choques, predisposição para
rádio e grade do radiador na cor do veículo, rodas
de liga- leve, farol de neblina, grade protetora do vidro traseiro,
brake light e imobilizador do motor. Com estes itens, a Courier
sai por R$ 21.260,00. Se o comprador recheá-la com os
poucos opcionais disponíveis - airbag duplo, ar-condicionado,
trava e vidros elétricos -, este preço sobe para
R$ 25.560,00. Estranho é a picape não dispor de
rádio/toca-fitas nem como opcional.
O preço inicial da Courier XL é superior, por exemplo,
ao da Saveiro Mi 1.6, que sai por R$ 18,7 mil, mas com menos
equipamentos. É, também, mais cara que a Fiat Strada
1.6, que começa em R$ 19,2 mil, e que a picape Corsa GL
1.6, de iniciais R$ 17,6 mil - ambas com praticamente os mesmos
itens.
O preço superior, porém, é compensado pelo
motor da Courier. O Zetec Rocam de quatro cilindros em linha,
1.6 litro e 95 cv é mais potente que os motores das rivais
da GM e Volkswagen - ambas têm 92 cv. E, se perde para
os 106 cv da Strada, tem a vantagem do cabeçote com oito
válvulas que não deixa "buracos" na aceleração
em baixos giros. O motor Rocam ainda conta com tecnologias como
balancins roletados, comando de válvulas tubulares - ocos
- e acionamento de válvulas por tuchos hidráulicos,
que resultam em maior eficiência do propulsor pelo menor
atrito entre as partes móveis e, conseqüentemente,
maior durabilidade. Se perde em preço, pelo menos em tecnologia
a Courier está melhor servida que as rivais.
Fôlego
Graças ao motor Zetec Rocam 1.6, a Courier tem potência
de 95 cv, superior à líder Saveiro
Fotos: Divulgação |
Ficha Técnica
Ford Courier XL
- Motor
Gasolina, dianteiro, 1.598 cc, transversal, quatro cilindros
em linha, oito válvulas. Comando simples de válvulas
no cabeçote, com acionamento por tuchos hidráulicos
e balancins roletados. Alimentado por injeção eletrônica
multiponto seqüencial.
- Potência máxima
95 cv a 5.500 rpm.
- Torque máximo
14,1 kgfm a 2.250 rpm.
- Suspensão
Dianteira independente tipo McPherson com braços inferiores
triangulares, amortecedores de dupla ação e barra
estabilizadora. Traseira com eixo rígido, molas parabólicas,
lâmina única e amortecedores.
- Diâmetro e curso
82,07 mm X 75,50 mm. Taxa de compressão de 9,5:1
- Freios
A disco maciço na frente e tambor atrás
- Transmissão
Câmbio de cinco marchas à frente e uma à
ré. Tração dianteira.
- Carroceria
Pick-up com dois lugares em monobloco. Comprimento de 4,45 m,
largura de 1,68 m e altura de 1,47 m. Entre-eixos de 2,83 m.
- Peso
1.096 kg com 700 kg de carga útil.
- Caçamba
1.100 litros até a altura da caçamba (1,81 m X
1,44 m).
Plástica Courier
ganhou o mesmo visual do Fiesta, mas o conforto é limitado
na cabine
Ponto a Ponto
Desempenho: A performance dinâmica é um
dos pontos fortes da Courier. O motor Rocam de 95 cv permite
arrancadas e retomadas viris. No trânsito urbano, o carro
é arisco e tem sua agilidade reforçada pelo peso
leve. Ao contrário dos multiválvulas, mesmo em
baixos giros as respostas são imediatas e não há
"buracos" na aceleração. Na estrada,
a Courier fica mais à vontade para destilar seu ímpeto:
chega à velocidade máxima de 165 km/h e acelera
de zero a 100 km/h em 12 segundos.
Dirigibilidade: A Courier transmite permanentemente
a sensação de estar "na mão".
O modelo exibe estabilidade surpreendente mesmo em curvas fechadas
feitas em altas velocidades. Quando descarregada, porém,
a traseira leve tem discreta tendência a flutuar.
Nível de conforto: Como o espaço interno
da Courier é limitado pela configuração
de picape, o conforto fica relativamente comprometido. Atrás
dos bancos mal cabem duas bolsas ou mochilas, o que leva os passageiros
a se apertar junto com eventuais bagagens. O espaço para
as pernas é pequeno para pessoas com mais de 1,75 m. A
altura, pelo menos, é razoável. Para minimizar
o sofrimento, dispõe-se de um console central com espaços
para uma lata ou garrafa e um telefone celular.
Consumo: A Courier saiu-se bem no quesito consumo:
fez uma média de 10,2 km/l. Como tem um tanque para 68
litros de combustível, obtém-se uma autonomia média
superior a 700 km. O que permite, por exemplo, viagens longas
com apenas um tanque. Se usada em serviço, permite, da
mesma forma, muito trabalho sem reabastecimentos constantes.
Segurança: Nesse aspecto, a Courier é
relativamente modesta. Conta com barras de proteção
laterais e válvula compensadora de frenagem que se auto-regula
de acordo com a carga, mas airbag duplo só como opcional.
Freios com ABS, nem assim.
Destaques: De positivo, design, desempenho, autonomia
e estabilidade. De negativo, câmbio, visibilidade e espaço
interno.
Controvérsia
Regulamentação esbarra no Código Penal
que torna inimputáveis pessoas abaixo de 18 anos
Foto: Iran Correia |
Liberação de scooters
ainda gera polêmica
Nova proposta é
permitir que ciclomotores possam ser pilotados por jovens maiores
de 16 anos
O uso de ciclomotores ou scooters por menores de 18 anos no
Brasil suscita debates e polêmicas. Em maio de 1998, a
resolução no 50 do Conselho Nacional de Trânsito,
Contran, liberou o uso destes veículos para maiores de
14 anos e deu um prazo de 180 dias para que os Detrans estaduais
regulamentassem a lei. Mas a "festa teen" durou pouco:
vencido esse prazo, novas controvérsias sobre a inimputabilidade
do jovem - impossibilidade de responsabilizá-lo legalmente
por seus atos - e os critérios de classificação
dos scooters levaram o então ministro da Justiça,
Renan Calheiros, a revogar a resolução.
Para tentar reverter essa situação, a Abraciclo
- Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas
e Motonetas - realizou fóruns, pesquisas e debates, juntou
todo o material apurado e apresentou uma nova proposta de regulamentação.
Esse material será analisado por câmaras temáticas
- formadas por juristas, psicólogos, ONGs, associações
de classe e autoridades - que vão regulamentar diversos
itens do novo Código de Trânsito Brasileiro a partir
de 16 de março. Nessa nova leva, a Abraciclo acredita
que a proposta tem chance, já que definiram-se as características
do scooter como veículo de duas rodas com até 50
cilindradas que não passe dos 50 km/h e cuja circulação
seja restrita a vias em que a velocidade máxima não
passe dos 50 km/h. "Em uma perspectiva otimista, acreditamos
que até o final desse semestre já teremos uma conclusão
para o assunto", prevê o gerente executivo da Abraciclo,
Franklin Mello.
Mas os fabricantes e importadores não devem ficar muito
animados. A questão principal, da idade, vai muito além
do Código de Trânsito e análises psicológicas.
Segundo o presidente do Departamento Nacional de Trânsito,
Jurandir Fernandes, o Código Penal estabelece como inimputáveis
as pessoas menores de 18 anos. Como o código de trânsito
se submete ao penal, seria necessário - em princípio
- mudar a lei, o que faria a questão passar necessariamente
pelo Congresso Nacional. Há a possibilidade de se achar
uma brecha para uma regulamentação sem passar pelo
Código Penal e liberar os scooters para o jovem maior
de 16 anos. "Mas isso é bem difícil, pois
seria necessário diferenciar os ciclomotores na legislação",
pondera Jurandir Fernandes.
Fabricantes e
importadores somam prejuízos
Enquanto a polêmica não chega ao fim - ainda
pode durar meses ou até anos - os fabricantes e importadores
ainda contabilizam os prejuízos passados e futuros da
revogação causados pela resolução
anterior. Empresas como Yamaha, Aprilia e Brandy se prepararam
para o novo mercado que surgia com investimentos na produção
ou importação de novos modelos. Depois do anúncio
da liberação, essas e outras empresas fizeram investimentos
no setor, acreditando no crescimento imediato do mercado que
estava se abrindo.
A Brandy, por exemplo, chegou a inaugurar uma fábrica
em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Hoje,
a fábrica está fechada, à espera de uma
decisão. Com a revogação, só a Brandy
registrou prejuízos de mais de R$ 3 milhões em
investimentos na nova unidade, pelos menos 100 empregos diretos
perdidos e cerca de 500 lojas que se preparavam para se especializar
em scooters de 50 cc no Brasil foram prejudicadas, segundo o
presidente da empresa, Hugo Brandani. "É uma vergonha
que com apenas uma canetada o governo revogue uma decisão
que foi tomada depois de três anos de avaliações",
critica ele.
Veículo ajudaria
a educar condutor
Um dos argumentos mais utilizados pela Abraciclo na luta pela
liberação dos scooters para maiores de 16 anos
é o que isso representaria na formação de
novos condutores de veículos motorizados. A tese é
que, até os 18 anos, o jovem não pode dirigir nada.
Mas, a partir dessa idade, pode guiar qualquer coisa.
"É como se passássemos do primário
ao 3º grau sem cursar o 2º grau", compara Franklin
Mello, gerente executivo da entidade. Para ele, o ciclomotor
propiciaria aos jovens o conhecimento da legislação
de trânsito e se habituar com o uso de um veículo
motorizado pelo caminho correto - o lento e gradual.
Leis
"Na Europa, o ciclomotor é contextualizado dentro
de um programa de educação gradativa, onde o adolescente
começa, desde cedo, a conviver com as leis e as situações
do trânsito", lembra Roberto Iquejiri. É fato,
mas vale ressaltar que na Inglaterra, por exemplo, uma pessoa
de 12 anos pode ser responsabilizada por atos criminosos.
O presidente do Denatran, Jurandir Fernandes, até simpatiza
com a idéia do uso dos scooters - considera-os saudáveis,
úteis e econômicos. Mas além da questão
da inimputabilidade, ele chama atenção para o local
do uso. "Em cidades grandes, com trânsito violento
e pesado, é preciso decidir com muita cautela para não
jogar os nossos jovens em situações de risco",
pondera.
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