Joinville         -          Domingo, 26 de Novembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Crime que tradição
tenta amenizar

Filhos aprovam pai que matou a mulher em pacto mas sobreviveu

Adriano Ribeiro
Especial para A Notícia

Até que ponto as tradições culturais podem amenizar o julgamento de uma pessoa acusada de matar a mulher com câncer e em seguida tentar o suicídio? É isto que a Justiça terá que avaliar no caso do agricultor Morimitsu Suzuki, 54, que matou a mulher Mutsuko com três tiros, em 5 de junho de 1999, em Caçador, após um pacto de morte. Em seguida ele disparou três tiros no peito, mas escapou com vida. Diante de seus quatro filhos Morimitsu já foi absolvido. Gerson Suzuki, 29, diz que o crime foi por amor, para acabar com o sofrimento da mãe. O que choca no Brasil, o suicídio diante da derrota, é normal no Japão, terra de seus pais, garante ele.
Na madrugada do dia 5 de junho de 1999, o corpo do agricultor Morimitsu Suzuki, 54, e o de sua mulher, Mutsuko, foram encontrados por empregados, cada um com três tiros de revólver, na sua residência, no Núcleo Japonês Governador Colombo Machado Sales, na rodovia SC-302, a cerca de 11 quilômetros de Caçador, no Meio-oeste. Morimitsu, ainda ferido, contou uma versão à polícia que foi mais tarde derrubada por ele mesmo, que acabou confessando a morte da mulher e tentativa de suicídio. O fato confrontava a maneira de encarar a morte entre duas culturas: a japonesa, que admite a pessoa imolar-se diante do fracasso, e a brasileira, que chocou-se com o assassinato.

Mudança

Com o passar do tempo a vida na colônia voltou à normalidade. Porém, a de Morimitsu não é mais a mesma. O ex-agricultor mudou-se para Porto Alegre (RS), onde mora com dois de seus quatro filhos. Ele aguarda em liberdade a decisão da Justiça e não quer se manifestar sobre o caso. Quando sentar no banco dos réus, provavelmente não será julgado apenas mais um homicídio. Estará em questão toda cultura de um povo que encara a morte de uma forma totalmente diferente da dos ocidentais.
No julgamento dos filhos do casal, Morimitsu já foi absolvido. Todos apoiaram a atitude do pai, após analisar a situação em que viviam. Depois do crime, o acusado apresentou duas versões à polícia: uma primeira que isentava-o da culpa pelo assassinato e a segunda que o colocava como autor confesso. Somente no seu segundo depoimento ao delegado Carlos Evandro Luz, que na época comandou o inquérito, Morimitsu sustentou a tese de pacto de morte. Segundo seu depoimento, há tempos sua mulher pedia que a matasse e se suicidasse em seguida. De acordo com ele, a mulher tinha câncer há mais ou menos dois anos. Ele argumentou que o temor do casal era gastar o dinheiro que possuíam e deixar os filhos em situação desconfortável.

Sem saída

"Relutei muito em aceitar a idéia, mas também entendi que não havia outra saída. Depois de vários anos de colheitas ruins e doenças resolvi aceitar", confessou o agricultor, em depoimento na polícia, na época do crime. Morimitsu contou que matou a mulher com três tiros e depois tentou suicídio com mais três tiros contra seu peito. Mesmo ferido, saiu para fora da casa e jogou a arma do crime em um açude que existia próximo à residência e voltou à cama para esperar a morte. Ao delegado ele disse: "Quando fui socorrido e percebi que não morreria inventei a história do assalto para não ser preso".
O revólver que Morimitsu usou para colocar em prática seu plano não foi encontrado no lago. A polícia tentou exaustivamente achá-lo, inclusive com auxílio de uma retroescavadeira, sem sucesso. O ex-agricultor não morreu porque o destino não quis. Um dos tiros passou próximo ao seu coração.
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Porém, a verdade não veio à tona no primeiro momento. Depois de ser socorrido com vida e levado ao Hospital Maicé, onde passou por duas cirurgias, o ex-agricultor inventou uma história para isentar-se do assassinato. No primeiro depoimento Morimitsu falou que sua propriedade tinha sido alvo de dois assaltantes que teriam levado dinheiro e atirado três vezes em sua mulher e três vezes nele. Contudo, a versão foi derrubada pela polícia devido às distorções entre seu depoimento e os resultados da perícia técnica.

Processo continua em tramitação

O processo sobre o crime do Núcleo Japonês está em tramitação e de acordo com o advogado do acusado, João Valdir Luz, deverá ser encerrado somente no final de 2001. Conforme o advogado, em breve serão ouvidas as testemunhas de acusação e posteriormente as de defesa; dentre elas os filhos do casal. Luz aponta que um aspecto favorável para Morimitsu é o fato dos próprios filhos aprovarem a atitude do pai.
Segundo Luz, no próprio inventário, que já foi encerrado, os filhos abriram mão dos bens do casal para o pai, como forma de apoio. "Conversando com os filhos, eles entenderam isso como atitude normal e não o condenaram", sentencia o advogado. Para ele, o fato da mulher estar muito doente e eles em situação financeira precária contribuiu decisivamente para o pacto de morte. "Na época se questionou um seguro em nome da mulher, mas não tinha nada", frisa. "Efetivamente foi o desespero mesmo", acrescenta.
Morimitsu e sua mulher moravam sozinhos na Colônia Japonesa de Caçador. Como o ex-agricultor era réu primário, tinha residência fixa e compareceu a todos os atos do processo, conseguiu o direito de responder ao crime em liberdade.
O casal Suzuki tinha um bom relacionamento com as demais famílias que viviam na Colônia Japonesa. Os vizinhos não lembram de brigas ou discussões entre Morimitsu e Mutsuko. Aparentemente, o único problema parecia ser mesmo o financeiro. Para o agricultor Toshihiko Moshizuke, antigo vizinho do casal, o que aconteceu não tem muita explicação lógica. Segundo ele, durante todo o tempo que conviveu com os Suzuki - cerca de 25 anos - eles sempre se mostraram muito alegres e também entre os amigos da colônia nunca transpareceram o problema. "Não entendi o que aconteceu até agora", analisa.

Alegre e brincalhão

Segundo ele, Morimitsu, mesmo rodeado de amigos, não se abriu com ninguém. "Soubemos da realidade somente depois, com a polícia", enfatiza. Moshizuke conta que a forma como ocorreu o crime chocou bastante todo o Núcleo. "Um ano e meio se passou e ainda fica na cabeça. Éramos amigos demais", pondera. "A Mutsuko estava sempre alegre, rindo e brincando", lembra.
Assim como os demais moradores da localidade, Morimitsu cultivava várias culturas: cebola, maçã, pêra e alho. "Ele quase sempre colhia boas produções", observa Moshizuke, enfatizando que o amigo era um trabalhador sério que gostava do que fazia. O único problema aparente era com os calotes que sofrera em algumas safras e perdeu algum dinheiro.
O núcleo japonês foi fundado em Caçador em 1972 e nele moram onze famílias de imigrantes que trabalham na agricultura. Foram os introdutores da cultura do tomate na região de Caçador e gozam de grande prestígio na sociedade. Pelas próprias características dos orientais, são pessoas bem relacionadas e pacíficas. (AR)

A morte como
prova de amor

Atualmente Morimitsu Suzuki mora em um apartamento em Porto Alegre com dois de seus quatro filhos. Na opinião deles, fica evidente a forma como os japoneses procuram a morte, através do suicídio, diante de um fracasso. Neste sentido, a prática mais conhecida dos ocidentais é o haraquiri, que consiste em rasgar o ventre à faca ou a sabre. Os filhos aprovam a atitude do pai. Acima de tudo, por entenderem que esta atitude extrema foi uma prova de amor pela mulher e um ato de grande consideração em relação a eles.
O filho mais velho do casal, Gerson Suzuki, 29, que estava morando no Japão e na época veio para o Brasil para dar apoio ao pai, comenta que Morimitsu não havia praticado o crime para ser um criminoso, mas para acabar com o sofrimento da mãe. Segundo ele, o que chocou os brasileiros é comum no Japão: o suicídio em caso de derrota.
O presidente da Associação dos Imigrantes do Brasil (Asibras), Sérgio Massanori Morinaga, residente em São Paulo, esteve em Caçador na época do crime, prestando assessoria no caso. Ele afirma que, apesar de anormal, pela cultura japonesa este gesto é perfeitamente compreensível.
Conforme Morinaga, o acusado precisa ter um julgamento justo, ponderando-se o peso da cultura de seu país de origem, de onde trás sua formação. Ele explica que, pela tradição daquele país oriental, é natural a pessoa sentir vergonha quando passa por dificuldades financeiras chegando ao extremo de matar-se. (AR)


Acidente na BR
mata um em Laguna

Florianópolis - Às 3h40 de sábado, uma colisão frontal entre o Fiat Uno placas LYA-3099, de Laguna, dirigido por Eduardo de Oliveira, 21, com a carreta de placas BWQ-8916, de Mogiguaçu, conduzida por Gilberto Auxiliar do Lago, provocou a morte de Eduardo. O acidente ocorreu no quilômetro 304 da BR-101, próximo a Laguna, no Sul de Santa Catarina.
Poucos endereços para o público masculino
Apesar de serem a maioria na rede, os homens saem perdendo quando o assunto é conteúdo específico.  AN_Informática 
Em São Paulo, um ônibus da Viação Tupi, prefixo 1821, que fazia a linha Perdizes - Aeroporto, tombou na rua Tito Lívio, na zona sul da Capital, por volta da 0h30 deste sábado, causando a morte de uma pessoa - o pedestre Edilson de Almeida Moura, de 58 anos, que foi atingido e teve uma parada cárdio-respiratória e morreu no pronto-socorro Jabaquara.
O cobrador do ônibus, Eli da Silva Barreto, 29, e o motorista Renzo Cristiano Pereira da Silva sofreram ferimentos leves. Por motivo ainda ignorado, o ônibus teria perdido o controle e invadido a calçada, atingindo um pedestre e o muro de uma residência.

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Leia também

Júri condena
operário a 18
anos de prisão

Jaraguá do Sul - O auxiliar de produção Vanilson Dias Vieira, 29, foi condenado a 18 anos e oito meses de prisão pela morte da enteada Gabriela Ribeiro, de 3 anos. O crime ocorreu em 8 de setembro de 1992 na localidade de Ilha da Figueira, em Jaraguá do Sul. O resultado foi anunciado por volta das 23h40 de sexta-feira, cerca de dez horas após o início do júri popular. Os sete jurados acataram o parecer do Ministério Público.
A condenação de Vieira encerra um dos episódios mais violentos do Vale do Itapocu. O auxiliar de produção, que residia atualmente no bairro Saguaçu, em Joinville, torturou por quase seis meses, com socos e pedaços de pau, a pequena Gabriela. A menina sofreu hemorragia generaliza, provocada por pancadas sofridas na região do abdomen e não resistiu aos ferimentos.
Esse foi o terceiro julgamento do caso. No primeiro, em outubro de 1998, o Tribunal de Justiça encontrou erros técnicos e cancelou o julgamento. No segundo, os jurados classificaram o crime como homicídio culposo, mas a Promotoria conseguiu derrubar a decisão, provocando novo cancelamento.


Jogador conta
que assassinou
vestibulanda

Fortaleza - O jogador de futebol Elionildo Sousa de Oliveira, 26, confessou em depoimento, na madrugada de sexta-feira, ter participado do assassinato da vestibulanda Elian de Aguiar Mendes, 17, dia 19, no banheiro da Universidade de Fortaleza (Unifor). O crime aconteceu pouco antes da prova, pela manhã.
Elionildo disse que estava dentro do banheiro com um travesti - que o jogador se negou a indentificar - quando Elian entrou e fez um gesto de que ia gritar. "Então o travesti evitou que ela fizesse isso e puxou a menina para o canto do banheiro, eu peguei o braço dela e empurrei. Neste momento ela bateu a cabeça no vaso", contou o jogador. Elionildo nega que tenha estuprado Elian, atribuindo o crime ao travesti, que está sendo procurado pela Polícia Federal.
O delegado Cláudio Barros Joventino, que preside o inquérito sobre o crime, afirmou não acreditar na existência do travesti. "Essa história é apenas uma maneira de ele tentar diminuir sua culpabilidade", frisou.


Mãe baleada
ao defender filha
durante assalto

São Paulo - A dona de casa Maria Aparecida Silva, 38, foi morta com dois tiros, na noite de quinta-feira, ao tentar defender a filha durante um assalto na zona Sul de São Paulo. O crime ocorreu às 22h30, no bairro do Cursino, a 350 metros de um posto da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Maria Aparecida estava acompanhada de sua filha, Tatiana Crisóstomo Silva, 16, da colega, a promotora de vendas Rosa Maria Alves, 20, e do filho de 12, cujo nome não foi revelado. As vítimas voltavam, a pé, do Shopping Plaza Sul, na Água Funda. Quando chegavam ao conjunto habitacional onde moram, a dona de casa foi abordada por um homem armado com um revólver calibre 38.
O bandido, após roubar R$ 50,00 da mulher e os passes escolares e vales-transporte que ela levava na bolsa, agarrou Tatiana e disse que ia levá-la com ele. Desesperada, Maria Aparecida reagiu e avançou contra o assaltante, que atirou duas vezes na direção dela. A dona de casa morreu no hospital. O assassino, após atirar, largou a menina e fugiu.

 
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