Joinville         -          Segunda-feira, 27 de Novembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















PAISAGEM ENCANTADORA

Extensa área de terra, no bairro Ademar Garcia, deve ser transformada no Parque Caieira, que ainda está no papel: antiga reivindicação

ZELO
Caseiros Ladislau e Esperança Saidock temem que local seja explorado por invasores

Cidade deve ganhar nova
opção de lazer na zona sul

Apresentação do projeto de criação do Parque Caieira está prevista para esta semana

Marlise groth

O Parque da Caieira, antiga revindicação da comunidade e ambientalistas joinvilenses, pode sair, em breve, do papel. O projeto oficial que está sendo elaborado pelos técnicos da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Fundema) deve ser apresentado à comunidade, procuradoria e órgãos ambientais ainda esta semana.
Localizado na zona Sul da cidade, numa área de sambaquis, onde funcionou uma antiga fábrica de cal (caieira), o terreno que abrigará o parque será adquirido pelo município com recursos originários do ajustamento de conduta da empresa Tupy Fundições Ltda.
De acordo com o Ministério Público Federal, a empresa deve desembolsar R$ 800 mil como medida compensatória "para mitigar os danos ambientais causados ao município de Joinville". O ajustamento de conduta é resultado de uma ação civil pública movida pela Procuradoria da República em Joinville e é necessário para a renovação da licença ambiental da empresa.
Além dos recursos que serão utilizados no projeto de criação, implantação equisição da área pelo município, a Tupy Fundições Ltda se compromete a rever seus sistemas de efluentes gasosos, líquidos e sólidos, apresentando programas de monitoramento dos resultados ao órgãos competentes. Os relatórios "deverão ser apresentados de modo a ser possível verificar a evolução das medidas de controle da poluição adotadas pela empresa, bem como correlacionar com problemas operacionais da fábrica", segundo o Ministério Público Federal.
De acordo com o presidente da Fundema, Júlio Adelaido Serpa, o projeto de desapropriação da área de 444.437,50 metros quadrados pertencentes à Fiação Joinvilense S.A., já deu entrada na Câmara de Vereadores. O município também deve adotar providências junto à União para obter a transferência do título de ocupação da área remanescente que completa os 1.279.450,50 metros quadrados, atualmente titulada para a mesma empresa.
Conforme o juiz federal substituto Hildo Nicolau Peron, o projeto deverá ser apresentado devidamente aprovado pelos órgãos e entidades envolvidas, no prazo máximo de 120 dias. O imóvel destinado ao Parque da Caieira, após a desapropriação, passará a integrar o patrimônio público do município de Joinville, categorizado como bens de uso comum do povo. Por determinação do juiz, a organização não-governamental Vida Verde atuará como agente fiscalizadora da implantação e gerência do projeto.

Proteção

Mesmo antes de sair do papel o projeto já começa a causar curiosidade. Ambientalistas, geógrafos, historiadores querem saber de que modo o parque será implantado, uma vez que o local, por ser uma área de sambaqui, é protegido pelo Estado e pela União. O próprio caseiro do lugar, Ladislau Saidock, 60 anos, admite que desde que a notícia da compra da área pela Prefeitura se espalhou, há cerca de um mês, não tem mais sossego.


PARAÍSO
Infra-estrutura deve ser instalada no local para receber visitantes

Caseiros temem que
paraíso seja agredido

O caseiro Ladislau Saidock e a sua mulher Esperança, que vivem no lugar há 14 anos, temem pelo pedaço de paraíso que por mais de uma década ajudaram a preservar: "Aqui é tudo sossego", afirmam. Um sossego que pode acabar com o movimento e com as edificações que já estão rente à cerca da propriedade. "Semana passada tive de correr com um povo que queria invadir e construir barracos aqui. Eles disseram que o lugar era da Prefeitura e que por isso tinham o direito de se instalar", comenta Ladislau.
"Se com o cadeado e vigilância, temos de lutar contra o roubo do palmito, pesca predatória e roubo de plantas, imagina o que pode acontecer com isso tudo aberto?", pergunta Esperança.
Enquanto esperam pela ordem de desocupação, ou o convite para continuarem como caseiros responsáveis pelo parque, Ladislau e Esperança seguem a vida. Aparam o gramado que plantaram ao chegar à propriedade, cuidam de algumas poucas cabeças de gado e de uma dúzia de galinhas que criam para subsistência.
Por causa do impassse da compra ou não da área pela Prefeitura, o casal conta que algumas benfeitorias na propriedade, como a limpeza da lagoa e a reforma nos galpões centenários que protegem os fornos foram paralisadas. "A fiação já investiu muito aqui e agora espera uma definição", resume a dona de casa que, a exemplo do próprio nome, mantém a esperança de ver um projeto coerente para o lugar. "Estamos mantendo a ordem, já tocamos gente com motosserra que entrou aqui dizendo ter ordem da Prefeitura", fala.
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Para se ter idéia do trabalho da família, basta contar que, além de realizar três horas de caminhada ao dia pela mata para coibir a extração de palmito e espécies nativas da fauna e flora, Ladislau e o filho correm contra o tempo para desarmar "laços" que estranhos montam na beira do mangue para prender caranguejos. "Prendem machos, fêmeas e filhotes. A quantidade de caranguejos até diminuiu com o tempo", lamenta o caseiro que não espera uma boa "safra" para este ano.
Ladislau e Esperança não acreditam em preservação com área aberta ou limitada por cerca-viva. "O pessoal entrava de carroça para tirar material do casqueiro, para matar capivara. Se deixar aberto acaba tudo em dois tempos", declaram, sem esconder o carinho que mantém pelo lugar.(MG)


Área guarda
vestígios pré-históricos

Antes da criação de lei ambiental, local foi explorado de forma indiscriminada

Mais do que uma área de lazer, o Parque da Caieira pode se transformar em um espaço histórico ao ar livre, uma vez que guarda fatos importantes da história do homem que viveu no município. É na "caieira do Schmidt", como a área é chamada pelos vizinhos, que representantes de uma civilização que viveu há cerca de 3 mil anos construíram um dos mais importantes sambaquis da região (segundo o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, entre Joinville e Guaratuba existem 42). Foi ali que aproveitando-se das conchas do sambaqui Lagoa Saguaçu, o colonizador transformou o complexo em fonte de renda, tirando o cal da concha e ampliando as economias com a exportação.
Explorado de forma indiscriminada antes do surgimento da legislação ambiental do Estado, que protegeu os sambaquis em 1955, parte do casqueiro Lagoa Saguaçu serviu para o calçamento de ruas e como argamassa em edificações da área central.
Como conta o geógrafo Mário Sérgio Celski de Oliveira, a primeira citação arqueológica do casqueiro Lagoa Saguaçu aparece um 1908 em textos de Luiz Gualberto. "O texto é tão preciso que chega a falar da ferraria dos bugres, as marcas em lajes de pedra onde os antigos amolavam instrumentos de caça", fala. Passados 92 anos, as tais ferrarias, chamadas pelos técnicos do Museu de Sambaqui de oficinas líticas, continuam a chamar a atenção e a fazer história no local. "Aqui, onde aparecem três sinais próximos, acho que era o lugar de trabalho das crianças", especula o caseiro Ladislau Saidock, que não teme os personagens das lendas que cercam o lugar.
De acordo com o geógrafo, é preciso ter uma plano de manejo para que o parque não comprometa o Complexo Arqueológico das Caieiras (nome pelo qual o lugar está sendo chamado pelos estudiosos). "Quem diz que no futuro, o lugar não possa vir a preencher o hiato que existe entre os homens sambaquianos e nós?" questiona.
Segundo os técnicos do museu, os sambaquis eram espaços multifuncionais para as comunidades que viveram a mais de 3 mil anos. Além de estrutura de habitação, eram utilizados para rituais como o do funeral. "Pesquisas recentes mostram que os sambaquianos não eram simples coletores mas também construtores. Isso remete à uma sociedade tribal e, em conseqüência, a uma hierarquia", expõe a historiadora do museu Maria Cristina Alves.


Projeto exige
estudo técnico

Os técnicos do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (Masj) acreditam que, por guardar vestígios pré-históricos, a área não pode sofrer intervenção sem receber um estudo paleoambiental e um estudo arqueológico. Além de um projeto de zoneamento e de um estudo de impacto ambiental, os especialistas sugerem um programa de uso público e um programa de operações. Algo que facilitaria o gerenciamento, a preservação e a divulgação do complexo.
Pelo projeto da Prefeitura, com a implantação do Parque da Caieira, devem ser protegidos cerca de 127 hectares de manguezal e restinga, da forte pressão de ocupação. Para isso, toda a área do parque deverá ser cercada e supervisionada. Pela legislação municipal de uso e ocupação do solo, a área enquadra-se na Zona Rural, dentro da área de Preservação Permanente dos Mangues.
Dentro da categoria de Parque de Uso Intensivo, vários tipos de equipamentos deverão ser implantados no local como pista de ciclismo bidirecional, pista de pedestre conjugada com pista de ciclismo, quadras esportivas, canchas de bocha, áreas de piquenique com churrasqueiras, áreas de playground, museu arqueologico e academia de ginástica ao ar livre.
Junto a todos os equipamentos implantados serão instaladas lixeiras, placas para conscientizar os visitantes da importância de preservar o meio ambiente, de identificação de espécies vegetais e de sinalização. (MG)


Alunos saem da rotina
em propriedade rural

Cerca de 40 crianças de 1ª a 8ª série de escolas do bairro Nossa Senhora Aparecida que participam de um projeto comunitário do Colégio dos Santos Anjos receberam, na semana passada, uma aula que reuniu educação, turismo e solidariedade. Coordenadas pela professora Maria Alzira de Souza Welter e pela vice-diretora da escola, irmã Ana Maria Petermann, as crianças visitaram várias propriedades rurais integradas ao projeto de turismo rural na Estrada Bonita, no interior do município.
Além de conhecer o lugar, considerado um dos principais pontos turísticos de Joinville, as crianças aprenderam diversas atividades típicas do interior, como o plantio e o preparo do aipim e a produção de bolos, cucas e pães.
Segundo a vice-diretora, as crianças que participam do projeto ganham muito mais do que momentos de lazer, mas a oportunidade de conhecer fatos e hábitos que não fazem parte do seu dia-a-dia.
"É um crescimento cultural que dificilmente eles teriam sem o projeto. O crescimento moral e intelectual é visível em cada criança", explica a professora Maria Alzira, que acompanha o grupo há cinco anos.
Ela vai até a comunidade duas vezes por semana. Além disso, as crianças que fazem parte do projeto também se integram em algumas das atividades desenvolvidas pelo Colégio dos Santos Anjos. "Na feira de ciências da escola, as crianças do projeto também expõem e comercializam os seus produtos, e a renda é toda revertida para o projeto", explica a vice-diretora.
Para os garotos Alessandro Rodrigues da Silva, 10 anos, e Tatiane Ferreira de Oliveira, oito, o passeio também representou a oportunidade de aprender duas das principais atividades humanas: o plantio e a pesca.
Enquanto Alessandro se divertiu tentando encontrar o lado correto de introduzir a rama do aipim no solo, Tatiane pescou pela primeira vez. "Achei que fosse fácil, mas é bem complicado plantar", diz Alessandro, enquanto tenta limpar as mãos.

Natal

O Natal de pelo menos 12 mil crianças de Joinville poderá ser mais alegre. Pelo menos essa é a disposição do organizadores do projeto Palco Solidário, que há quatro anos promove durante o período natalino atrações culturais e distribui presentes, lanches e refrigerantes na periferia.
Este ano, a expectativa é superar todos os números das edições anteriores. Para alcançar essa meta, o empresário Edilson Kammaradt, o Mani, está buscando o apoio de empresas e instituições da cidade. Interessados em ajudar podem fazer contato pelo telefone 435-2735.


Programação do
Natal Luz começa hoje

Hoje, uma grande festa, a partir das 20h30, em frente à Prefeitura, vai marcar a abertura oficial do Natal Luz, uma programação especial elaborada pela Fundação Cultural para envolver a comunidade nos festejos do Natal.
A programação prevê apresentações de corais, orquestra, chegada do Papai Noel, acendimento da iluminação natalina no prédio da Prefeitura, na ponte azul e Centreventos Cau Hansen, e show de fogos de artifício. Prossegue durante praticamente todo o mês de dezembro, com atividades nos bairros e na área central.


Enquete

Você acha que as empresas têm a obrigação de preservar o meio ambiente?

1- "Deveriam preservar, sim. Caso contrário, no que vai virar a nossa cidade? Hoje, são poucas as empresas que se preocupam com isso."
Raimundo Alves
, 56 anos, operador de máquinas.

2- "Deveria ser obrigação. Se as empresas não poluíssem tanto os nossos rios, eles ainda estariam limpos. A mesma coisa com o ar. Se as indústrias fossem mais conscientes, tudo estaria bem melhor."
Luana Pereira dos Santos
, 16 anos, estudante.

3 - "Não só as empresas, como a comunidade em geral. Em Joinville, tem empresas que realmente se preocupam, tem as que só fazem propaganda e tem as que não ligam a mínima para o meio ambiente."
Mario Brehm
, 57 anos, economista.

4 - "Acho que elas deveriam se preocupar. Afinal, são as que mais poluem. Hoje, acredito que as empresas já se preocupam mais com isso."
Marli Veridiano
, 44 anos, dona de casa.

5 - "Claro que deveriam cuidar. Se as empresas não se preocuparem, o que vai acontecer no nosso futuro? Como vão ficar as próximas gerações?"
Adriano Barrueco
, 20 anos, universitário.

6 - "Todas as pessoas deveriam se preocupar. Não só as empresas. Hoje, isso não acontece tanto quanto deveria. Na verdade, isso é questão de educação."
Ana Maria de Andrade Bischof
, 41 anos, enfermeira.

7 - "Preservar é uma obrigação. Se não, vão acabar com tudo o que ainda resta. Algumas cuidam, mas ainda é muito pouco."
Adão de Souza Alecrim
, 31 anos, vigilante.

8 - "As empresas deveriam preservar, sim. Isso é bom para todos. É bom viver em um ambiente mais saudável."
Silvio Moreira
, 47 anos, analista dimensional.


Artigos

Educação Ambiental
e o Parque da Caieira

Eloisa Corrente

Aproximadamente 50 anos nos separam da então extração mineral de argila e calcário proveniente das conchas formadas dos sítios arqueológicos, para hoje no local estar sendo implantado o Parque da Caieira que, além de proporcionar refúgio para a fauna local, irá proteger 138,30 hectares de manguezal remanescentes da Lagoa do Saguaçu e da Mata de Restinga.
Por sua localização, o parque irá proporcionar ao visitante áreas de lazer controladas, educação ambiental, lazer contemplativo e a oportunidade de observar restos arqueológicos dos primeiros habitantes da região. Transformar o local em um parque faz parte do Projeto de Macrozoneamento de Áreas com Potencial de Implantação de Unidades de Conservação do Município de Joinville, projeto esse atribuído à Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e à parceria da ONG VidaVerde.
O Parque da Caieiras nos permitirá elaborar e explorar um conjunto de atividades de educação ambiental, para que possamos desenvolver com os alunos o estudo do local. Não isolar nem a tarefa nem o assunto, mas considerá-lo no âmbito do contexto em que se insere, que é, de um lado, a história das pessoas que ali viveram, o espaço que está sendo construído e que vida ali ainda habita.
O importante nessa atividade é valorizar a vivência diária do aluno, é responder na prática o que significa estudar e compreender o espaço em que se vive e a história que estamos construindo, é mostrar que o estudo não é necessário apenas para saber informações e dados abstratos ou distantes das pessoas, mas também analisar o momento e a situação que estamos vivendo. Antes de o local se tornar hoje o Parque da Caieira, o homem ali morou e, muito depois, extraiu dali material para a construção da cidade de Joinville.
É importante que estejam acompanhadas da criação do parque as informações necessárias que sirvam de suporte para se desenvolver a parte teórica do trabalho de campo, com os estudantes e futuros visitantes. Vale ressaltar que, durante o tempo em que se desenvolve todo o processo do trabalho de campo, o professor deve ter a preocupação constante de situar a atividade que está sendo desenvolvida, dentro do contexto dos objetivos e motivos pelos quais estão sendo desenvolvidas as tarefas. Isso é necessário para se evitar o "fazer pelo fazer" ou "visitar por visitar" apenas.
É fundamental para o estudante que está começando a ler o mundo humano conhecer a diversidade de ambientes, habitações, modos de vida, estilos de arte ou as formas de organização de trabalho, para compreender criticamente a sua própria época e o espaço em seu entorno. É por meio da leitura das materialidades e dos discursos de seu tempo e de outros tempos, que o aluno aprende a ampliar sua visão do mundo, tomando consciência de que se insere em uma época específica, que não é a única possível.
Dessa forma, estaremos desenvolvendo os conteúdos de educação ambiental, voltadas à maneira conceitual, atitudinal e procedimental. Sem dúvida, o Parque da Caieira é um excelente instrumento para o desenvolvimento dos recursos ecológicos referenciados.

  • Eloisa Corrente é supervisora de ensino/SEC ONG Água e Cidade/PAN


Parques: uma forma
de se conservar e educar

Mônica Lopes

Os parques, sejam de natureza municipal, estadual ou federal, devem ser incentivados de todas as formas. Os ganhos que a sociedade tem começam pelo simples lazer, seja contemplativo ou esportivo. Mas, se o parque for bem planejado e administrado, a população pode ganhar também com a educação, onde experiências práticas podem ser repassadas de forma prazerosa para a população.
Vejamos um parque municipal criado recentemente em Belo Horizonte, visando a principalmente pessoas com deficiência visual. Por isso, as trilhas possuem cordas para guiar os visitantes, os nomes científico e popular são escritos em Braille, assim como informações sobre a idade, frutos, época da florada da árvore que está sendo apreciada. Além disso, as pessoas encontram dentro de cascas de coco amarradas nas árvores amostras dos frutos e folhas, a fim de permitir a sensação da textura dos mesmos. O tronco da árvore pode ser abraçado para que a pessoa tenha a sensação da dimensão da mesma.
Os parques também têm a função de preservar e ensinar a história da região. Os sítios arqueológicos, que ocorrem abundantemente na nossa região, possuem poucos lugares onde a população pode aprender sobre a sua formação e conseqüente valor histórico. Outra função que os parques possuem é de restringir o uso e ocupação de áreas de risco, como por exemplo áreas sujeitas a enchente ou a escorregamentos de encosta. Ao mesmo tempo que a comunidade usufrui, ela pode ser sensibilizada a aprender a necessidade de preservar de forma inteligente, didática e barata.
Patrícia de Sabrit volta em alto estilo
Atriz retorna ao Brasil para estrelar "Vidas Cruzadas".  AN_Tevê 
Outro ponto é que áreas verdes são primordiais para se garantir a qualidade de vida de toda uma população. Sabemos que área verde, sem uso, acaba sendo invadida. Por isso, a criação de parques é uma maneira inteligente de se investir na prevenção de problemas futuros, como perder para sempre o patrimônio histórico cultural da região, diminuir a recarga das águas subterrâneas, proporcionar a geração de áreas de risco geológico, evitando o aumento do assoreamento dos rios e, por extensão, da Baía da Babitonga, incrementando ainda mais o ônus do poder público municipal de dar infra-estrutura a locais onde, economicamente, é inviável.
Pelo exposto, é de grande importância que se crie o maior número de parques possível, enquanto ainda existe alguma área disponível para isso. No entanto, é bom lembrar que não basta criar, mas tem de se dar a devida manutenção para que não fique com aspecto de abandono como algumas áreas da cidade.... Por último, é bom lembrar que, para se viver bem com saúde física e mental, o contato com a natureza é primordial.

  • Mônica Lopes Gonçalves é geóloga e membro da Associação de Defesa Ambiental Jacatirão

Manchetes AN

Das últimas edições de AN Cidade
25/11 - Escolas estaduais aplicam taxas ilegais
24/11 - Operação Norte Seguro levada às escolas
23/11 - Intensificada fiscalização em clínicas
22/11 - Polícia Ambiental incentiva denúncias
21/11 - Chuva de granizo atinge área rural
20/11 - Animais peçonhentos aparecem mais no verão
18/11 - Responsável por imóvel invadido é o dono

Leia também

Joinville tem
focos de miséria urbana

Constatação é de Claudete Frenzel, diretora da Associação Joinvilense de Obras Assistenciais

Antônio Anacleto

A sociedade está mais preocupada em preservar as araras, baleias e tartarugas, que ajudar a diminuir o quadro de miséria que está ao lado. Segundo a diretora da Associação Joinvilense de Obras Assistenciais (Ajos), Claudete Frenzel Giuliari, a preservação do meio ambiente é positiva e até necessária, mas a mesma atenção deveria ser dispensada ao ser humano. "Seria muito bom que as empresas tivessem em seus indicadores sociais a mesma preocupação que nutrem com questões ecológicas", sublinhou a diretora. As afirmações de Claudete Frenzel aconteceram no programa "X da Questão" desta semana.
Casada com o advogado José Roberto Giuliari, com quatro filhos, a professora Claudete Frenzel construiu uma trajetória em que sempre esteve envolvida em programas sociais. É integrante da Casa das Famílias Rotarianas desde 1976, participa da ações da Ajos desde 1987 e integra o Instituto Joinville 150 Anos.
Espontânea, bem humorada e até emocionada em determinadas situações da entrevista, Claudete Frenzel relatou que o quadro da pobreza vem se agravando ao longo dos anos, e hoje já existem focos de miséria urbana na maior cidade do Estado. O desemprego foi colocado como um fator preocupante e o que mais contribuiu para a evolução do quadro. A ação das entidades sociais, hoje também conhecidas como o terceiro setor (depois do governo e das indústrias), tem sido preponderante para minimizar o problema. "O importante é estarmos sempre envolvidos, participativos", sugeriu.
Quanto à atuação das igrejas, Claudete lembrou que algumas entidades que compõem a Ajos são ligadas a diferentes igrejas e são atuantes. Mas, especificamente quanto à Igreja Católica, excluindo algumas iniciativas que ela considera pessoais, revelou que esperava um envolvimento nas ações sociais.
No entanto, algumas entidades, antes de se agremiarem com a Ajos, afirmam que conseguiam mais recursos junto ao empresariado local, que hoje se nega a participar, alegando já colaborar com a associação. Sobre a questão, Claudete Frenzel confirmou que a situação é complicada e que existem conflitos, mas que a Ajos vem conseguindo alcançar objetivos que, antes, as entidades sozinhas não conseguiam. Segundo ela, o envolvimento do empresariado local poderia ser melhor. "Mesmo porque as necessidades são grandes", disse. Mas há empresas solidárias. Relatou que há empresários que hoje querem se envolver e acompanhar os resultados. "Somente uma cartinha pedindo auxílio para manutenção de uma entidade não é mais aceita", explicou. "Eles querem, na verdade, projetos consistentes antes de participar de qualquer ação", concluiu.
A Ajos foi fundada em 1987 e hoje congrega 63 entidades. A associação nasceu seguindo o modelo experimentado na cidade de Bauru (SP). Cada uma das entidades associadas atua em segmentos diferentes, como na assistência a deficientes, valorização da vida e na recuperação de dependentes químicos.
A entrevista foi realizada pela Rede Joinvilense de Jornalismo, composta pelo jornal A Notícia, Rádio Colon AM, Rádio Cultura Jovem Pan, Rádio Floresta Negra e TV Cidade de Joinville. A íntegra com as declarações da diretora da Ajos foi ao ar às 15h30 de ontem pelo pool de emissoras e pelo canal 20 da Net.


Afirmações da diretora

Sobre a boa vontade do empresariado:
"Eu só tenho a agradecer. Houve tristezas, resultados menores que o esperado, mas nunca participei de um evento que desse prejuízo. Fui bastante feliz".

Sobre situações em que a Ajos estava sendo usada:
"Eu tiro partido. Eu sei nitidamente quando tentam usar a entidade. A Ajos é uma grife. Acontecem casos em que um ou outro faz uma campanha, dizendo que os alimentos são destinados à Ajos. Ligo e digo: 'Que coisa boa', e deixo a situação amarrada".

Sobre a participação política:
"Já fui convidada para concorrer e ocupar muitos cargos públicos, mas acho que meu papel não é esse".

Sobre a miséria:
"As pessoas, na maioria das vezes, esquecem de olhar o que está a sua volta. A miséria está presente, seja a miséria moral, a física, em todos os sentidos. A miséria ainda me choca muito".


Arthur Hoppe convive
com novo desafio

Diabético, ex-jogador de futebol, vôlei e futsal teve perna direita amputada há três semanas em Joinville

Roberto Dias Borba

O chute forte desferido pela perna direita do zagueiro Arthur Hoppe faz parte da história do futebol de Joinville. Goleiros empurrados para as redes junto com a bola e adversários atordoados ao ficar na linha de chute sem ficar sabendo o que aconteceu dali para frente. São fatos que se transformaram em folclore. Agora, aos 68 anos, por causa de problemas de saúde, o ex-jogador enfrenta um novo desafio e que é de conviver com a perna amputada.
Em fase de recuperação, já em sua residência, no bairro Glória, Arthur observa que começa a conviver com a situação. E chega a fazer uma ironia: "Esta (apontando para a perna esquerda) era só para subir no ônibus. E agora (sem a direita) está tudo igual". Nem por isso deve enfrentar problemas para se locomover. Um grupo de amigos já está se mobilizando para entregar-lhe uma prótese (perna mecânica). A iniciativa é liderada por Alfredo Korb e Reinaldo Welter.
A trajetória de Arthur Hoppe não se resume ao futebol. Defendeu a seleção de Joinville e o Cruzeiro no vôlei, além do time cruzeirense no futsal, modalidade que ajudou a implantar na cidade em 1956 e participando da assembléia de fundação da Liga Joinvilense de Futebol de Salão, em janeiro de 1966.
No futebol, o zagueiro Arthur também contribuiu para a formação de novos jogadores. Em 1954, dirigiu o time juvenil do Glória, quando ajudou a revelar Norberto Hoppe (seu irmão mais novo) e Alcino Simas. "Pena que perdi os dois logo de cara", lamenta. Norberto foi para o Caxias e Alcino para o Carlos Renaux, de Brusque. "O time jogava em função dos dois", relembra.
O futebol sempre foi a paixão de Arthur e por este motivo era treinador dos juvenis "por gosto". Hoppe relembra que não havia nenhuma dificuldade para comandar a categoria de base nas preliminares e depois atuar no time principal. Quando era preciso deixar os garotos e se preparar para o jogo do time adulto, Arthur diz que "o esquema já estava montado e todos garotos já sabiam o seu lugar".


Um apaixonado pela
camisa alvinegra do Caxias

Neste ano a Liga Joinvilense de Futebol resolveu homenagear Arthur Hoppe com o troféu do citadino júnior. A homenagem acabou sendo um presente para sua recuperação, muito mais por ter entregue a taça de campeão ao Caxias. O clube alvinegro é a sua paixão como torcedor. Na melhor fase do clube, no bicampeonato estadual de 1954 e 1955, Arthur diz que tentou ser jogador do alvinegro e só não conseguiu seu objetivo porque a zaga era território soberano de Ivo Meyer.
"Treinava uma vez por mês e quase desisti por ter muitos jogadores e todos bons de bola", recorda Arthur. Neste período não deixou de ficar longe do esporte. Em compensação, participou da melhor fase do vôlei de Joinville - campeão estadual em 1954 e com participações consecutivas nos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, nas edições de Sorocaba, Piracicaba e Bauru.
A força do esporte brasileiro sempre esteve no interior paulista e isso deste aquela época, diz Arthur. Só o fato de Joinville receber o convite para participar já era uma conquista. Chegar aos primeiros lugares era quase impossível pelo potencial dos adversários. (RDB)


Homenagem no citadino

Conquistada pelo Caxias há duas semanas, a Taça Arthur Hoppe representou o campeonato de juniores desta temporada da Liga Joinvilense de Futebol. A competição teve pequena participação, começando com quatro equipes e ficando com três já a partir da primeira rodada do returno - com a desistência do Aviação/Empreiteira Fortunato, que havia entrado para colaborar, ficaram Caxias, Fluminense/Pianox e América.
O Caxias conquistou a Taça Arthur Hoppe superando o arquirival América duas vezes - no turno ficou com o título da fase diante dos rubros e no returno também sagrou-se campeão com vitória de 4 a 2, no Ernestão. A premiação foi entregue pela LJF sem a presença do homenageado, que já havia passado pelo processo cirúrgico.
Os caxienses, então, programaram uma visita a Arthur em sua casa. A visita aconteceu na última quinta-feira, quase duas semanas após a conquista. Jogadores e diretores caxienses, além do presidente da Liga Joinvilense de Futebol, Laudir Zermiani, estiveram com Arthur por quase duas horas. O ex-jogador gostou da homenagem. Para Laudir, foi um resgate importante. "Se pudermos contar a esta geração quem foi Arthur e tantos outros ex-atletas de Joinville, estaremos dando bons exemplos para seguir", comentou.
O troféu de campeão foi entregue simbólicamente pelo veterano esportista joinvilense ao clube. O Caxias presenteou Arthur com a camisa 9 usada na decisão com o América e um boné.


Cruzeiro a um empate
do título da Segundona

A Segundona tem a possibilidade de apontar seu campeão neste domingo. E tudo vai depender do Cruzeiro. O time da Estrada do Sul está a um ponto de seu mais expressivo título. Um empate no jogo de hoje contra o Mildau já resolve e uma vitória garante de vez a conquista da Taça Manchester Bingo com total aproveitamento na série decisiva do campeonato.
Cruzeiro e Mildau jogam no campo do Ouro Verde (Estrada dos Portugueses, na Vila Nova), a partir das 16 horas. Os cruzeirenses desprezaram o seu campo, na Estrada do Sul, em troca de um local neutro e que vem sendo o campo em que disputou grande parte dos jogos nesta temporada. O mando do jogo não vem sendo problema para o time do técnico Carlão Heinrich. Nas semifinais, goleou o Recanto Lagoa em pleno Complexo Finder. Para completar, na semana passada, o Cruzeiro superou o Mildau no Estádio Edmund Nehls por 2 a 0 na abertura da decisão do campeonato.
Apesar de perder em casa, deixando escapar a chance de uma final mais equilibrada, o Mildau do técnico Teodoro Lima mantém as esperanças de reverter a situação. Para impedir a conquista do adversário e prorrogar a decisão, o Mildau precisa da vitória simples neste domingo. A partir daí, a final ficaria adiada por mais uma semana. Em caso de um terceiro jogo, também no Ouro Verde, nenhum dos dois times entra com vantagem: é preciso ter um vencedor, que pode sair no tempo normal, na prorrogação ou até mesmo na cobrança de pênaltis.
Mildau e Cruzeiro têm sua trajetória quase idêntica no futebol da região. Os dois times surgiram nas competições do extinto Torneio da Integração Rural, passando mais tarde para os campeonatos oficiais da Liga Joinvilense de Futebol (Primeirona e Segundona) e até mesmo com participações no Copão Kurt Meinert. Desta vez, mesmo com o título da Segundona, a LJF não assegura a vaga do campeão para a Primeirona do ano que vem. A única chance de acesso será através da desistência de algum time da principal categoria do futebol de Joinville, além de haver o interesse e disposição do time da Segundona para subir de divisão.
A decisão da Segundona terá arbitragem de Giovani Manoel Vieira, uma das revelações do quadro da Liga Joinvilense de Futebol nesta temporada. Os auxiliares serão os mesmos que atuaram com Vanderlei Ferreira na primeira partida: Jeferson Maguiroski e Cláudio Wommer. Os dois times prometem atuar com muita motivação. O Cruzeiro para confirmar a campanha realizada até aqui, e o Mildau por depender exclusivamente da vitória para se manter em condições de lutar pelo título.


Copa Embraco
Será conhecida neste domingo a equipe campeã da 14ª Copa Embraco de Bolão 23. Os cinco classificados se enfrentam pela manhã na cancha da Associação Desportiva Embraco. A competição foi aberta sexta-feira com equipes de seis cidades.

Taça Cidade
O hipismo também á atração em Joinville neste fim de semana. Iniciada na tarde de sexta, a 4ª Taça Cidade de Joinville de Hipismo, com provas de salto, termina neste domingo no Joinville Country Club. A promoção é aberta ao público. Hoje, as provas começam às 8h30. Além dos conjuntos catarinenses de Joinville, Blumenau, Brusque e Florianópolis, também participam representantes de Foz do Iguaçu, Curitiba, Colombo e Porto Alegre. O encerramento está previsto para as 17 horas. A competição prossegue mesmo se ocorrer mau tempo.

 
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