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ANotícia
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ESTRÉIA

Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, que fez
a parimeira apresentação em 15 de novembro, conta
com 40 músicos, regidos pelo maestro curitibano Daniel
Bortollossi
Fotos: Amarildo Forte 15/11/2000 |
Os primeiros
movimentos de um sonho
Orquestra Filarmônica
de Jaraguá do Sul é a grande novidade do panorama
musical catarinense
Executando
"Spartacus", a famosa peça de Aram Khatchaturian
consagrada como trilha de cinema, as cordas enaltecem a primeira
audição pública Orquestra Filarmônica
de Jaraguá do Sul, em sua estréia no último
dia 15 diante de uma platéia de 400 pessoas. Programa
leve e componentes jovens deram tom inusitado à primeira
apresentação no Centro Cultural da Sociedade Cultura
artística (Scar).
Compositores pouco conhecidos do público jaraguaense,
como Franz Joseph Haydn, Robert Schumann e Henry Purcell, foram
apresentados no vesperal por instrumentos de corda, madeira,
percussão e sopro. No conjunto, o grupo é integrado
por 40 músicos, regidos pelo maestro curitibano Daniel
Bortollossi.
A filarmônica jaraguaense, a segunda orquestra do gênero
em Santa Catarina, desafia a tradição no campo
musical onde normalmente ocorre pouca renovação,
tanto no palco quanto na platéia. A começar pelo
maestro, que tem 27 anos, a maioria dos componentes é
formada por jovens (e até crianças) - todos com
o desejo de motivar o público jovem a assistir aos espetáculos.
A própria formação da região, essencialmente
européia, favorece a música clássica, por
isso temos certeza de que o público irá nos prestigiar,
diz o jovem regente.
O projeto de formar orquestra filarmônica é um sonho
antigo da Scar. "Antes, não tínhamos sequer
espaço, que agora se tornou possível, graças
à inauguração do Centro Cultural, apesar
de o teatro ainda não estar concluído, lembra o
violinista e diretor da Orquestra de Cordas de Jaraguá
do Sul, Magnus Behling. Ele forma a Comissão Pró-Filarmônica,
junto com Arthur Springmann, ex-violinista e primeiro presidente
da Scar, diretor da Escola de Música da Scar; e Yara Fischer
Springmann, pianista da Camerata de Jaraguá do Sul e filha
de Adélia e Francisco Fischer,fundadores da Scar.
Além da comissão, a filarmônica conta com
apoio de um padrinho, que paga os custos com o maestro. Como
o próprio termo de origem designa, a filarmônica
é formada por amadores, "os amigos da música",
que trabalham voluntariamente, mas a comissão coordenadora
tem intenção de profissionalizar a orquestra, aos
poucos, se puder contar com patrocínios. "No futuro,
quero que os músicos sejam exclusivamente da filarmônica,
até por uma questão de sotaque musical e para que
eles possam viver da música.
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INOVAÇÃO
Damarius (E), Daniele e Mariane - três jovens selecionadas
para integrar o novo grupo musical catarinense que deseja formar
um novo público em Jaraguá do Sul
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Dificuldades
É difícil uniformizar o tom quando os integrantes
pertencem a grupos diferentes, explica o maestro Bortollossi.
Ele se refere à formação musical do grupo,
que foi formado com componentes de bandas e fanfarras de colégios,
da orquestra da Igreja Assembléia de Deus e da própria
Scar, através da Orquestra de Cordas e da Camerata.
A seleção, através de banca examinadora,
aconteceu em maio. Os ensaios começaram em junho e há
previsão de que sejam abertas novas vagas no início
do próximo ano. "Temos uma bela safra de músicos
na cidade, por isso a filarmônica estará sempre
em renovação", assegura Springmann.
No futuro, a orquestra precisa investir na aquisição
de instrumentos raros e caros de que não dispõe,
como tímpanos, fagotes, oboé e contrabaixo de cordas,
e no ensino dos respectivos músicos.
Para os componentes, pertencer à nova orquestra é
situar-se em patamar superior. "A filarmônica proporcionará
crescimento e possibilitará que os nossos talentos possam
ser descobertos, tirando todos do universo restrito das pequenas
bandas", defende a pianista Yara. "Mas antes de formar
músicos de sucesso, pretendemos formar cidadãos
em um ambiente saudável, como o da música, que
permite a evolução cultural dos indivíduos."
O Escolhido
A escolha do maestro Daniel Bortollossi não representa
demérito aos maestros que trabalham na região.
Especialista em música brasileira e contemporânea,
com passagem e regência em orquestras européias
(Bulgária, Alemanha e República Tcheca) e dos Estados
Unidos, ele é o atual
regente da Orquestra do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau.
As primeiras apresentações da Orquestra Filarmônica
de
Jaraguá do Sul - uma realizada no dia 15 e outra no dia
17, na praça Ângelo Piazera, buscam conquistar um
público que ganhará momento especial com o espeteaculo
da inauguração do teatro do Centro Cultural, em
meados de 2001. Até lá, Bortolossi pretende preparar
"um concerto marcante, possivelmente uma ópera".
Se depender da vontade dos integrantes e da Scar, a inauguração
acontecerá ao som de "O Guarani", de Carlos
Gomes.
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Juarez Machado
recebe homenagem
Pintor joinvilense
está na cidade, onde acompanha duas iniciativas criadas
para marcar o seu nome
Jeferson Ribeiro
Joinville - O pintor Juarez Machado será homenageado
duas vezes em sua cidade natal essa semana. Ontem, a construtora
Camilotti lançou o Edifício Juarez Machado e amanhã,
às 11 horas, na antiga fábrica da Antártica,
o artista estará presente para a assinatura do convênio
entre a Prefeitura de Joinville e o Ministério da Educação
para construção do Teatro Juarez Machado, que ficará
em anexo ao Centreventos Cau Hansen e terá 500 lugares.
"É um orgulho para mim ser lembrado e ter registrado
meu nome para a história do município", comenta
Juarez. Principalmente o teatro, onde iniciei minha produção
artística. De 1960 a 1978 fui ator e cenógrafo.
Joinville precisa de um espaço para valorizar os novos
atores que estão fazendo teatro sem um local específico.
"Fico mais feliz ainda, porque quando deixei Joinville não
haviam espaços para aqueles que queriam ser artistas.
Hoje, volto e vejo que há cada vez mais lugares onde a
arte é privilegiada. Costumo dizer que a arte é
a solução para tudo. Uma sociedade não pode
se formar sem ela", comenta o artista.
O edifício com o nome do artista contará também
com um painel de Juarez Machado, que retrata a história
da colonização de Joinville. "É uma
obra bem-humorada. Apareço de costas ao lado da princesa
de Joinville, aliás o retrato dela é muito fiel
porque usei como inspiração uma reprodução
do quadro que está no Castelo de Amboise, no Vale Du Coire.
Ao fundo, estão os principais pontos históricos,
como a estação ferroviária, por exemplo,
e os primeiros operários e colonizadores", descreve
o pintor.
Juarez está preparando uma exposição do
seu centenário, segundo ele. São 40 anos de carreira
e 60 de vida. Para comemorar a data o artista plástico
está preparando uma grande mostra das principais obras
feitas ao longo de sua carreira e a influência da bicicleta
em sua produção artística. "A exposição
deve inaugurar no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas
Artes, no segundo semestre do ano que vem, e depois deve percorrer
o Brasil e o mundo, inclusive Joinville", revela.
Três argentinos mostram
arte engajada na UFSC
Ana Cláudia Menezes
Florianópolis - Três artistas plásticos
argentinos - Gladys Maria Pulice, Lucía de Jesús
e Marcelo Tomé - expõem a partir de hoje na Galeria
de Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) buscando
um maior intercâmbio com o Brasil. A exposição
"Desde El Sur" traz as gravuras de Gladys, as pinturas
de Lucía e os desenhos de Marcelo, artistas que se conheceram
na Escuela Superior de Bellas Artes de Nación Ernesto
de La Cárcova, de Buenos Aires, e, desde então,
desenvolvem trabalhos com o objetivo de despertar o público
para as questões sociais, como os direitos humanos na
América Latina.
"Estamos muito interessados em entrar em contato com pessoas
e conhecer o acervo cultural de Santa Catarina", explica
Gladys Pulice, 39 anos, que expõe 15 telas, dez em xilogravura,
uma utilizando a técnica de ponta seca e quatro pinturas
em acrilíco e óleo. Apesar de usar imagens locais
em sua obra, como um casal dançando tango na capital portenha,
Gladys amplia a sua temática para temas universais para
que sejam compreendidos independente de espaço e tempo.
"A humanidade me interessa em todos os aspectos. Interessa-me
a não discriminação, a paz", explica
a artista. Em um de seus trabalhos em xilogravura, uma mão
confronta o espectador. "Basta" é o título
do quadro que expõe os direitos dos trabalhadores.
Gladys é professora de educação artística
em duas escolas do governo em Buenos Aires, uma para crianças
com dificuldades de aprendizagem e a outra dentro de um hospital
pediátrico, para que os alunos, entre seis e 13 anos,
não percam o ano letivo enquanto internadas. Ela também
participa do grupo de artistas Sudaca, uma alusão à
forma, muitas vezes pejorativa, como os países do Norte
se referem aos países do Sul. O grupo edita uma revista,
sem periodicidade fixa pois não dispõe de publicidade,
onde são publicados trabalhos de artistas da Argentina
e de outros países da América Latina. A capa de
uma das edições, feita por Gladys", também
compõe "Desde El Sur".
Marcelo Tomé e Lucía de Jesús estiveram
em Florianópolis, e na mesma Galeria de Arte da UFSC,
há seis anos, na mostra "Mira 2". Para esta
exposição, Marcelo Tomé, 36 anos, trouxe
trabalhos em preto e branco. Na primeira vez em Santa Catarina,
os quadros retratavam temas da natureza latino-americana, como
as cidades, com muitas cores. Marcelo ficou algum tempo sem pintar
e retomou há dois anos, após ler uma reportagem
no jornal "Clarín", de Buenos Aires, sobre o
drama dos refugiados que deixavam a Colômbia. A foto o
impressionou pelo conteúdo humano e político. "Comecei
a fazer cópias da mesma imagem, como um jogo", lembra
Marcelo.
Na recriação das imagens, através de colagens
e intervenção de desenhos, Marcelo produziu 25
quadros para a série "Pequenos Retratos Trágicos",
onde um mesmo personagem entre a massa de refugiados recebe diversos
tratamentos. Mas a temática nunca foge à intenção
inicial de Marcelo, a de retratar um drama universal, que tanto
pode acontecer na Colômbia como em outros países
do mundo.
O QUÊ: Exposição "Desde El
Sur", com trabalhos dos artistas argentinos Gladys Maria
Pulice, Lucía de Jesús e Marcelo Tomé. QUANDO:
Abertura hoje, às 20h, e visitação até
29 de dezembro, de segunda à sexta, das 10h às
18h30. ONDE: Sala Aníbal Nunes Pires, Galeria de
Artes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Centro
de Convivência, Campus Universitário, Trindade,
Florianópolis, (0xx48) 331-9348/ 331-9447. QUANTO:
Gratuito.
Masc divulga nomes
do Salão Victor Meirelles
Florianópolis - O Museu de Arte de Santa Catarina (Masc)
divulgou ontem os 40 artistas que participarão do 7º
Salão Nacional Victor Meirelles, exposição
de artes plásticas que acontecerá ente os dias
21 de dezembro e 25 de março no Masc, em Florianópolis.
Foram recebidas 714 inscrições de artistas de todo
o País, em áreas como pintura, gravura, desenho,
cerâmica e instalação. Os finalistas foram
definidos durante reunião realizada no fim de semana pela
comissão julgadora, formada pelos críticos de arte
Lorenzo Mammi (SP), José Teixeira Coelho Neto (SP), Márcio
Sampaio (MG), João Otávio Neves Filho, o Janga
(SC) e Osmar Pisani (SC).
O júri volta a se reunir, desta vez para premiar os quatro
vencedores do Salão Victor Meirelles, e cujo resultado
será divulgado no dia 16 de dezembro, cinco dias antes
do início da exposição dos 40 artistas e
da entrega da premiação. O primeiro prêmio
será de R$ 25 mil, para a melhor obra em conjunto, dois
prêmios de R$ 10 mil e o terceiro prêmio de R$ 5
mil, totalizando R$ 50 mil em premiação.
Santa Catarina é o Estado com o maior número de
finalistas no Salão, que esteve fora do calendário
nacional de artes plásticas no ano passado pela falta
de pagamento aos artistas vencedores em 1998. São 11 artistas
catarinenses ou radicados no Estado, seguidos por dez de São
Paulo e cinco do Rio de Janeiro. A atual administração
estadual quitou as dívidas com os artistas no início
deste ano e abriu o prazo de inscrições logo em
seguida.
Os R$ 50 mil serão mantidos e pagos em dia, garante João
Evangelista, porque o montante vem diretamente dos recursos do
Fundo Estadual de Incentivo à Cultura. "Agora é
de lei", diz o diretor do Masc. O maior prêmio, de
R$ 25 mil, irá para a melhor obra em conjunto. O orçamento
total está previsto em R$ 200 mil, fora o catálogo
do Salão.(ACM)
Artistas selecionados
- Adriana Maciel - Rio de Janeiro (RJ)
- Adriana Tabolipa - Rio de Janeiro (RJ)
- Armando Queiroz - Belém (PA)
- Carolina Lopes - São Paulo (SP)
- Domitilia Coelho - São Paulo (SP)
- Edilson Viriato - Curitiba (PR)
- Elisa Iop - Chapecó (SC)
- Erica Fraenkel - Rio de Janeiro (RJ)
- Fabiana Wielewichi - Florianópolis (SC)
- Fabrício Tonamati - Curitiba (PR)
- Fernando Burjato - São Paulo (SP)
- Fulvia Molina - São Paulo (SP)
- Gabriela Picoli - Gravataí (RS)
- Helô Espada - Florianópolis (SC)
- Inês Fernandez - Campinas (SP)
- Jerônimo do Carmo - Florianópolis (SC)
- Jorge Ferro - Criciúma (SC)
- Laerte Ramos - São Paulo (SP)
- Lela Martorano - Florianópolis (SC)
- Lucia Koch - Porto Alegre (RS)
- Luciana Araújo - São Paulo (SP)
- Luciana Silva Veiga - Porto Alegre (RS)
- Luis Flávio Silva - Belo Horizonte (MG)
- Marcelo Gobatto - Criciúma (SC)
- Marcelo Solá - Goiânia (GO)
- Marilice Corona - Porto Alegre (RS)
- Marly Willer - Curitiba (PR)
- Marta Penner - Brasília (DF)
- Nemer - Belo Horizonte (MG)
- Paulo Carapunarlo - Curitiba (PR)
- Pitágoras - Goiânia (GO)
- Ricardo Kolb - Joinville (SC)
- Rosana Ricalde - Rio de Janeiro (RJ)
- Sidney Amaral - Mairiporã (SP)
- Suely Farhi - Rio de Janeiro (RJ)
- Susana Simon - Florianópolis (SC)
- Vanderlei Lopes Richarde - São Paulo (SP)
- Vanderlei Zlamegnan - Chapecó (SC)
- Vânia Mignone - Campinas (SP)
- Vargas - Florianópolis (SC)
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Páginas do crescimento
Fundição
Tupy investe na educação e incentiva funcionários
a adotar o hábito da leitura
Oliver T. Albert
Joinville - Saber se expressar e comunicar é uma qualidade
rara que requer um vocabulário rico, argumentos que convençam
os ouvintes e uma linguagem corporal desenvolvida. Obriga o indivíduo
a se manter calmo e concentrado para transmitir o que realmente
deseja. Como conseqüência, a boa fala quase sempre
permite ao falante mobilizar um grupo, quando este precisa ter
metas e objetivos em comum. A leitura aprimora o modo de falar
e escrever, desperta a imaginação de quem lê,
auxiliando no surgimento de idéias e na capacidade de
sair de uma situação confusa. Com essa convicção,
a Fundição Tupy de Joinville patrocina a oficina
de leitura para os funcionários. Coordenada pela psicóloga
Ivonette Cardozo, da empresa CC&G Consultores Associados,
especializada em gestão e desenvolvimento de pessoas,
o programa existe desde agosto deste ano e visa proporcionar
mais chances aos trabalhadores e formar lideranças internas.
Trinta e cinco trabalhadores passaram pela experiência
até o momento.
Atualmente são duas turmas com um total de 20 funcionários.
Os encontros ocorrem nas quartas-feiras pela manhã e à
tarde. "Ainda estamos no começo das reuniões.
Eles estão lendo alguns livros infantis de autores como
Ziraldo e Monteiro Lobato, e se apresentando em sala de aula.
Contam sobre o livro e, com isso, tentam falar sem inibição",
explica a psicóloga, acrescentando que a busca pela valorização
do profissional é o mais importante.
Ivonette Cardozo afirma que essas ações dão
confiança e aumentam a auto-estima dos trabalhadores.
Acredita que estas qualidades fazem com que eles passem um maior
número de informações, além de melhorar
a postura, a forma e o timbre da voz. "Outra constatação
é que a falta de argumentos devido à ausência
da leitura levam o sujeito ao desestímulo e à tensão",
conclui.
O líder de atividades da Tupy Jair de Oliveira Dias, 46
anos, garante o bom relacionamento entre os colegas de trabalho
depende do bom senso, o qual está diretamente ligado à
troca de argumentos. Dias participou da oficina de leitura pela
primeira vez na quarta-feira, dia 22. Como era a segunda semana
de reuniões, não perdeu muito conteúdo.
O funcionário afirma que já possuía o hábito
de ler antes de entrar para o programa. Acostumado com outros
tipos de livros, ele estranhou os infantis levados pela psicóloga.
"Gosto de ler textos e obras religiosas, mas admito que
leio pouco. Vou tentar me esforçar mais", promete.
Como líder, Jair Dias tem a consciência de que necessita
de bons argumentos e uma boa fala para se comunicar com os outros
funcionários. Casado e com dois filhos, diz também
que vai levar para casa os conhecimentos adquiridos na empresa.
"Temos que estar preparados para nos aperfeiçoar.
É nossa obrigação", ensina.
Aplausos
Outro líder de atividades e colega de Jair, Sidney
Petry, 28, também aprova o programa e afirma que está
acostumado em discursar para platéias. "Claro que
eu sempre fico nervoso quando sou obrigado a falar para um público,
mas não sinto tanto frio na barriga", garante.
Sidney não só disse como provou. Com o livro infantil
"Macaco Medroso" nas mãos, ele falou com confiança
e com um bom tom de voz para os presentes na reunião.
Contou a história em quase cinco minutos e, ao final,
recebeu aplausos dos amigos. "Ele foi bem. Realmente, o
maior estresse é falar em público", parabenizava
Ivonette Cardozo. Há nove anos na Tupy, o funcionário
afirma que também tem o costume de ler livros religiosos.
"Não importa a obra que se lê. O importante
é ler", destaca. "Por isso acho que a oficina
de leitura vai ajudar e muito todos os participantes", completa.
Televisão levada a sério
Especialista escreve
roteiro de obras- primas da arte e da técnica de fazer
TV
Heci Regina Candiani
Agência Estado
A televisão brasileira comemora 50 anos e para os espectadores
que realmente gostam de tevê sabem que a programação
nem sempre se restringe ao lixo dominical básico e que
há muita coisa para ver e rever com prazer. É esse
o ponto de vista defendido pelo pesquisador e professor de Comunicação
da PUC-SP e da USP, Arlindo Machado, que está lançando
o livro "A Televisão Levada a Sério"
(Editora Senac, 248 páginas, R$ 24). Para Machado, há
muita coisa de qualidade sendo produzida para a televisão
e não só no exterior e, justamente quando a tevê
brasileira completa 50 anos, é chegada a hora de buscar
essas referências de excelência na produção
televisiva e renovar as críticas a esse meio de comunicação,
invertendo alguns conceitos.
O primeiro deles é a idéia de "televisão
de qualidade". Assim como não se pensa em literatura
de qualidade, deixando implícito que uma obra literária
só merece o título se for de qualidade, também
com a televisão acontece o mesmo. Ou seja, nem tudo o
que é veiculado pela televisão pode ser considerado
produção televisiva. O que reforça essa
posição do autor foi a pesquisa que ele realizou
para compilar, no livro, pelo menos 200 trabalhos que, de acordo
com sua concepção, podem ser considerados referenciais
para o domínio da linguagem, da técnica e da arte
envolvidas na produção de programas de tevê.
São obras como os brasileiros "Brasil Legal",
"O Auto da Compadecida", "Diálogos Impertinentes",
o britânico "TV Dante - The Inferno", de Peter
Greenaway, o polonês "O Decálogo", de
Krysztof Kieslowski, "Berlim Alexanderplatz", de Rainer
Werner Fassbinder além de vídeos e videoclipes
que marcaram a tevê por suas características inovadoras.
O que diferencia esses e outros programas de televisão
daqueles considerados de baixa qualidade é uma gama de
características que vai do gênero - diálogo,
narrativa seriada, telejornal, reportagem, programa ao vivo -
até aspectos técnicos como a utilização
da sinestesia (visualização do som), a adoção
de elementos da poesia e das artes gráficas, a linguagem...
Arlindo Machado analisa cada uma dessas características
no livro, explicando-as, discutindo conceitos e apontando curiosidades.
Ele também enfrenta questões polêmicas e
incômodas, como a constatação de que os programas
considerados "de qualidade" geralmente têm audiência
menor e serem, pelo menos aparentemente, elitistas. Tudo isso
faz com que "A Televisão Levada a Sério"
tenha um forte viés acadêmico, o que o torna menos
acessível aos leitores em geral. Mas para estudiosos e
apaixonados por televisão, o livro traz informações
importantes e propõe uma reflexão aprofundada sobre
os últimos 50 anos passados por milhões de brasileiros
diante da tela.
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