Joinville         -          Terça-feira, 28 de Novembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  

















ESTRÉIA

Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, que fez a parimeira apresentação em 15 de novembro, conta com 40 músicos, regidos pelo maestro curitibano Daniel Bortollossi
Fotos: Amarildo Forte 15/11/2000

Os primeiros
movimentos de um sonho

Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul é a grande novidade do panorama musical catarinense

Executando "Spartacus", a famosa peça de Aram Khatchaturian consagrada como trilha de cinema, as cordas enaltecem a primeira audição pública Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, em sua estréia no último dia 15 diante de uma platéia de 400 pessoas. Programa leve e componentes jovens deram tom inusitado à primeira apresentação no Centro Cultural da Sociedade Cultura artística (Scar).
Compositores pouco conhecidos do público jaraguaense, como Franz Joseph Haydn, Robert Schumann e Henry Purcell, foram apresentados no vesperal por instrumentos de corda, madeira, percussão e sopro. No conjunto, o grupo é integrado por 40 músicos, regidos pelo maestro curitibano Daniel Bortollossi.
A filarmônica jaraguaense, a segunda orquestra do gênero em Santa Catarina, desafia a tradição no campo musical onde normalmente ocorre pouca renovação, tanto no palco quanto na platéia. A começar pelo maestro, que tem 27 anos, a maioria dos componentes é formada por jovens (e até crianças) - todos com o desejo de motivar o público jovem a assistir aos espetáculos. A própria formação da região, essencialmente européia, favorece a música clássica, por isso temos certeza de que o público irá nos prestigiar, diz o jovem regente.
O projeto de formar orquestra filarmônica é um sonho antigo da Scar. "Antes, não tínhamos sequer espaço, que agora se tornou possível, graças à inauguração do Centro Cultural, apesar de o teatro ainda não estar concluído, lembra o violinista e diretor da Orquestra de Cordas de Jaraguá do Sul, Magnus Behling. Ele forma a Comissão Pró-Filarmônica, junto com Arthur Springmann, ex-violinista e primeiro presidente da Scar, diretor da Escola de Música da Scar; e Yara Fischer Springmann, pianista da Camerata de Jaraguá do Sul e filha de Adélia e Francisco Fischer,fundadores da Scar.
Além da comissão, a filarmônica conta com apoio de um padrinho, que paga os custos com o maestro. Como o próprio termo de origem designa, a filarmônica é formada por amadores, "os amigos da música", que trabalham voluntariamente, mas a comissão coordenadora tem intenção de profissionalizar a orquestra, aos poucos, se puder contar com patrocínios. "No futuro, quero que os músicos sejam exclusivamente da filarmônica, até por uma questão de sotaque musical e para que eles possam viver da música.

INOVAÇÃO
Damarius (E), Daniele e Mariane - três jovens selecionadas para integrar o novo grupo musical catarinense que deseja formar um novo público em Jaraguá do Sul

Dificuldades

É difícil uniformizar o tom quando os integrantes pertencem a grupos diferentes, explica o maestro Bortollossi. Ele se refere à formação musical do grupo, que foi formado com componentes de bandas e fanfarras de colégios, da orquestra da Igreja Assembléia de Deus e da própria Scar, através da Orquestra de Cordas e da Camerata.
A seleção, através de banca examinadora, aconteceu em maio. Os ensaios começaram em junho e há previsão de que sejam abertas novas vagas no início do próximo ano. "Temos uma bela safra de músicos na cidade, por isso a filarmônica estará sempre em renovação", assegura Springmann.
No futuro, a orquestra precisa investir na aquisição de instrumentos raros e caros de que não dispõe, como tímpanos, fagotes, oboé e contrabaixo de cordas, e no ensino dos respectivos músicos.
Para os componentes, pertencer à nova orquestra é situar-se em patamar superior. "A filarmônica proporcionará crescimento e possibilitará que os nossos talentos possam ser descobertos, tirando todos do universo restrito das pequenas bandas", defende a pianista Yara. "Mas antes de formar músicos de sucesso, pretendemos formar cidadãos em um ambiente saudável, como o da música, que permite a evolução cultural dos indivíduos."

O Escolhido

A escolha do maestro Daniel Bortollossi não representa demérito aos maestros que trabalham na região. Especialista em música brasileira e contemporânea, com passagem e regência em orquestras européias (Bulgária, Alemanha e República Tcheca) e dos Estados Unidos, ele é o atual
regente da Orquestra do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau.
As primeiras apresentações da Orquestra Filarmônica de
Jaraguá do Sul - uma realizada no dia 15 e outra no dia 17, na praça Ângelo Piazera, buscam conquistar um público que ganhará momento especial com o espeteaculo da inauguração do teatro do Centro Cultural, em meados de 2001. Até lá, Bortolossi pretende preparar "um concerto marcante, possivelmente uma ópera". Se depender da vontade dos integrantes e da Scar, a inauguração acontecerá ao som de "O Guarani", de Carlos Gomes.


Juarez Machado
recebe homenagem

Pintor joinvilense está na cidade, onde acompanha duas iniciativas criadas para marcar o seu nome

Jeferson Ribeiro

Joinville - O pintor Juarez Machado será homenageado duas vezes em sua cidade natal essa semana. Ontem, a construtora Camilotti lançou o Edifício Juarez Machado e amanhã, às 11 horas, na antiga fábrica da Antártica, o artista estará presente para a assinatura do convênio entre a Prefeitura de Joinville e o Ministério da Educação para construção do Teatro Juarez Machado, que ficará em anexo ao Centreventos Cau Hansen e terá 500 lugares.
"É um orgulho para mim ser lembrado e ter registrado meu nome para a história do município", comenta Juarez. Principalmente o teatro, onde iniciei minha produção artística. De 1960 a 1978 fui ator e cenógrafo. Joinville precisa de um espaço para valorizar os novos atores que estão fazendo teatro sem um local específico.
"Fico mais feliz ainda, porque quando deixei Joinville não haviam espaços para aqueles que queriam ser artistas. Hoje, volto e vejo que há cada vez mais lugares onde a arte é privilegiada. Costumo dizer que a arte é a solução para tudo. Uma sociedade não pode se formar sem ela", comenta o artista.
O edifício com o nome do artista contará também com um painel de Juarez Machado, que retrata a história da colonização de Joinville. "É uma obra bem-humorada. Apareço de costas ao lado da princesa de Joinville, aliás o retrato dela é muito fiel porque usei como inspiração uma reprodução do quadro que está no Castelo de Amboise, no Vale Du Coire. Ao fundo, estão os principais pontos históricos, como a estação ferroviária, por exemplo, e os primeiros operários e colonizadores", descreve o pintor.
Juarez está preparando uma exposição do seu centenário, segundo ele. São 40 anos de carreira e 60 de vida. Para comemorar a data o artista plástico está preparando uma grande mostra das principais obras feitas ao longo de sua carreira e a influência da bicicleta em sua produção artística. "A exposição deve inaugurar no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, no segundo semestre do ano que vem, e depois deve percorrer o Brasil e o mundo, inclusive Joinville", revela.


Três argentinos mostram
arte engajada na UFSC

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - Três artistas plásticos argentinos - Gladys Maria Pulice, Lucía de Jesús e Marcelo Tomé - expõem a partir de hoje na Galeria de Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) buscando um maior intercâmbio com o Brasil. A exposição "Desde El Sur" traz as gravuras de Gladys, as pinturas de Lucía e os desenhos de Marcelo, artistas que se conheceram na Escuela Superior de Bellas Artes de Nación Ernesto de La Cárcova, de Buenos Aires, e, desde então, desenvolvem trabalhos com o objetivo de despertar o público para as questões sociais, como os direitos humanos na América Latina.
"Estamos muito interessados em entrar em contato com pessoas e conhecer o acervo cultural de Santa Catarina", explica Gladys Pulice, 39 anos, que expõe 15 telas, dez em xilogravura, uma utilizando a técnica de ponta seca e quatro pinturas em acrilíco e óleo. Apesar de usar imagens locais em sua obra, como um casal dançando tango na capital portenha, Gladys amplia a sua temática para temas universais para que sejam compreendidos independente de espaço e tempo. "A humanidade me interessa em todos os aspectos. Interessa-me a não discriminação, a paz", explica a artista. Em um de seus trabalhos em xilogravura, uma mão confronta o espectador. "Basta" é o título do quadro que expõe os direitos dos trabalhadores.
Gladys é professora de educação artística em duas escolas do governo em Buenos Aires, uma para crianças com dificuldades de aprendizagem e a outra dentro de um hospital pediátrico, para que os alunos, entre seis e 13 anos, não percam o ano letivo enquanto internadas. Ela também participa do grupo de artistas Sudaca, uma alusão à forma, muitas vezes pejorativa, como os países do Norte se referem aos países do Sul. O grupo edita uma revista, sem periodicidade fixa pois não dispõe de publicidade, onde são publicados trabalhos de artistas da Argentina e de outros países da América Latina. A capa de uma das edições, feita por Gladys", também compõe "Desde El Sur".
Marcelo Tomé e Lucía de Jesús estiveram em Florianópolis, e na mesma Galeria de Arte da UFSC, há seis anos, na mostra "Mira 2". Para esta exposição, Marcelo Tomé, 36 anos, trouxe trabalhos em preto e branco. Na primeira vez em Santa Catarina, os quadros retratavam temas da natureza latino-americana, como as cidades, com muitas cores. Marcelo ficou algum tempo sem pintar e retomou há dois anos, após ler uma reportagem no jornal "Clarín", de Buenos Aires, sobre o drama dos refugiados que deixavam a Colômbia. A foto o impressionou pelo conteúdo humano e político. "Comecei a fazer cópias da mesma imagem, como um jogo", lembra Marcelo.
Na recriação das imagens, através de colagens e intervenção de desenhos, Marcelo produziu 25 quadros para a série "Pequenos Retratos Trágicos", onde um mesmo personagem entre a massa de refugiados recebe diversos tratamentos. Mas a temática nunca foge à intenção inicial de Marcelo, a de retratar um drama universal, que tanto pode acontecer na Colômbia como em outros países do mundo.

O QUÊ: Exposição "Desde El Sur", com trabalhos dos artistas argentinos Gladys Maria Pulice, Lucía de Jesús e Marcelo Tomé. QUANDO: Abertura hoje, às 20h, e visitação até 29 de dezembro, de segunda à sexta, das 10h às 18h30. ONDE: Sala Aníbal Nunes Pires, Galeria de Artes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Centro de Convivência, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis, (0xx48) 331-9348/ 331-9447. QUANTO: Gratuito.


Masc divulga nomes
do Salão Victor Meirelles

Florianópolis - O Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) divulgou ontem os 40 artistas que participarão do 7º Salão Nacional Victor Meirelles, exposição de artes plásticas que acontecerá ente os dias 21 de dezembro e 25 de março no Masc, em Florianópolis. Foram recebidas 714 inscrições de artistas de todo o País, em áreas como pintura, gravura, desenho, cerâmica e instalação. Os finalistas foram definidos durante reunião realizada no fim de semana pela comissão julgadora, formada pelos críticos de arte Lorenzo Mammi (SP), José Teixeira Coelho Neto (SP), Márcio Sampaio (MG), João Otávio Neves Filho, o Janga (SC) e Osmar Pisani (SC).
O júri volta a se reunir, desta vez para premiar os quatro vencedores do Salão Victor Meirelles, e cujo resultado será divulgado no dia 16 de dezembro, cinco dias antes do início da exposição dos 40 artistas e da entrega da premiação. O primeiro prêmio será de R$ 25 mil, para a melhor obra em conjunto, dois prêmios de R$ 10 mil e o terceiro prêmio de R$ 5 mil, totalizando R$ 50 mil em premiação.
Santa Catarina é o Estado com o maior número de finalistas no Salão, que esteve fora do calendário nacional de artes plásticas no ano passado pela falta de pagamento aos artistas vencedores em 1998. São 11 artistas catarinenses ou radicados no Estado, seguidos por dez de São Paulo e cinco do Rio de Janeiro. A atual administração estadual quitou as dívidas com os artistas no início deste ano e abriu o prazo de inscrições logo em seguida.
Os R$ 50 mil serão mantidos e pagos em dia, garante João Evangelista, porque o montante vem diretamente dos recursos do Fundo Estadual de Incentivo à Cultura. "Agora é de lei", diz o diretor do Masc. O maior prêmio, de R$ 25 mil, irá para a melhor obra em conjunto. O orçamento total está previsto em R$ 200 mil, fora o catálogo do Salão.(ACM)

Artistas selecionados

  • Adriana Maciel - Rio de Janeiro (RJ)
  • Adriana Tabolipa - Rio de Janeiro (RJ)
  • Armando Queiroz - Belém (PA)
  • Carolina Lopes - São Paulo (SP)
  • Domitilia Coelho - São Paulo (SP)
  • Edilson Viriato - Curitiba (PR)
  • Elisa Iop - Chapecó (SC)
  • Erica Fraenkel - Rio de Janeiro (RJ)
  • Fabiana Wielewichi - Florianópolis (SC)
  • Fabrício Tonamati - Curitiba (PR)
  • Fernando Burjato - São Paulo (SP)
  • Fulvia Molina - São Paulo (SP)
  • Gabriela Picoli - Gravataí (RS)
  • Helô Espada - Florianópolis (SC)
  • Inês Fernandez - Campinas (SP)
  • Jerônimo do Carmo - Florianópolis (SC)
  • Jorge Ferro - Criciúma (SC)
  • Laerte Ramos - São Paulo (SP)
  • Lela Martorano - Florianópolis (SC)
  • Lucia Koch - Porto Alegre (RS)
  • Luciana Araújo - São Paulo (SP)
  • Luciana Silva Veiga - Porto Alegre (RS)
  • Luis Flávio Silva - Belo Horizonte (MG)
  • Marcelo Gobatto - Criciúma (SC)
  • Marcelo Solá - Goiânia (GO)
  • Marilice Corona - Porto Alegre (RS)
  • Marly Willer - Curitiba (PR)
  • Marta Penner - Brasília (DF)
  • Nemer - Belo Horizonte (MG)
  • Paulo Carapunarlo - Curitiba (PR)
  • Pitágoras - Goiânia (GO)
  • Ricardo Kolb - Joinville (SC)
  • Rosana Ricalde - Rio de Janeiro (RJ)
  • Sidney Amaral - Mairiporã (SP)
  • Suely Farhi - Rio de Janeiro (RJ)
  • Susana Simon - Florianópolis (SC)
  • Vanderlei Lopes Richarde - São Paulo (SP)
  • Vanderlei Zlamegnan - Chapecó (SC)
  • Vânia Mignone - Campinas (SP)
  • Vargas - Florianópolis (SC)

Manchetes AN

Das últimas edições de Anexo
27/11 - Todas as homenagens para Cartola
26/11 - Avidez de consumo causa sofrimentos
25/11 - Feliz encontro de talentos em Blumenau
24/11 - O brilho finalmente alcança a rua
23/11 - Em busca da imagem real
22/11 - Duo no Sonora Brasil
21/11 - Eduardo Iglesias - Pintor, gravador e escultor divulga, em Joinville, obras em litografia

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Páginas do crescimento

Fundição Tupy investe na educação e incentiva funcionários a adotar o hábito da leitura

Oliver T. Albert

Joinville - Saber se expressar e comunicar é uma qualidade rara que requer um vocabulário rico, argumentos que convençam os ouvintes e uma linguagem corporal desenvolvida. Obriga o indivíduo a se manter calmo e concentrado para transmitir o que realmente deseja. Como conseqüência, a boa fala quase sempre permite ao falante mobilizar um grupo, quando este precisa ter metas e objetivos em comum. A leitura aprimora o modo de falar e escrever, desperta a imaginação de quem lê, auxiliando no surgimento de idéias e na capacidade de sair de uma situação confusa. Com essa convicção, a Fundição Tupy de Joinville patrocina a oficina de leitura para os funcionários. Coordenada pela psicóloga Ivonette Cardozo, da empresa CC&G Consultores Associados, especializada em gestão e desenvolvimento de pessoas, o programa existe desde agosto deste ano e visa proporcionar mais chances aos trabalhadores e formar lideranças internas. Trinta e cinco trabalhadores passaram pela experiência até o momento.
Atualmente são duas turmas com um total de 20 funcionários. Os encontros ocorrem nas quartas-feiras pela manhã e à tarde. "Ainda estamos no começo das reuniões. Eles estão lendo alguns livros infantis de autores como Ziraldo e Monteiro Lobato, e se apresentando em sala de aula. Contam sobre o livro e, com isso, tentam falar sem inibição", explica a psicóloga, acrescentando que a busca pela valorização do profissional é o mais importante.
Ivonette Cardozo afirma que essas ações dão confiança e aumentam a auto-estima dos trabalhadores. Acredita que estas qualidades fazem com que eles passem um maior número de informações, além de melhorar a postura, a forma e o timbre da voz. "Outra constatação é que a falta de argumentos devido à ausência da leitura levam o sujeito ao desestímulo e à tensão", conclui.
O líder de atividades da Tupy Jair de Oliveira Dias, 46 anos, garante o bom relacionamento entre os colegas de trabalho depende do bom senso, o qual está diretamente ligado à troca de argumentos. Dias participou da oficina de leitura pela primeira vez na quarta-feira, dia 22. Como era a segunda semana de reuniões, não perdeu muito conteúdo. O funcionário afirma que já possuía o hábito de ler antes de entrar para o programa. Acostumado com outros tipos de livros, ele estranhou os infantis levados pela psicóloga. "Gosto de ler textos e obras religiosas, mas admito que leio pouco. Vou tentar me esforçar mais", promete.
Como líder, Jair Dias tem a consciência de que necessita de bons argumentos e uma boa fala para se comunicar com os outros funcionários. Casado e com dois filhos, diz também que vai levar para casa os conhecimentos adquiridos na empresa. "Temos que estar preparados para nos aperfeiçoar. É nossa obrigação", ensina.

Aplausos

Outro líder de atividades e colega de Jair, Sidney Petry, 28, também aprova o programa e afirma que está acostumado em discursar para platéias. "Claro que eu sempre fico nervoso quando sou obrigado a falar para um público, mas não sinto tanto frio na barriga", garante.
Sidney não só disse como provou. Com o livro infantil "Macaco Medroso" nas mãos, ele falou com confiança e com um bom tom de voz para os presentes na reunião. Contou a história em quase cinco minutos e, ao final, recebeu aplausos dos amigos. "Ele foi bem. Realmente, o maior estresse é falar em público", parabenizava Ivonette Cardozo. Há nove anos na Tupy, o funcionário afirma que também tem o costume de ler livros religiosos. "Não importa a obra que se lê. O importante é ler", destaca. "Por isso acho que a oficina de leitura vai ajudar e muito todos os participantes", completa.


Televisão levada a sério

Especialista escreve roteiro de obras- primas da arte e da técnica de fazer TV

Heci Regina Candiani
Agência Estado

A televisão brasileira comemora 50 anos e para os espectadores que realmente gostam de tevê sabem que a programação nem sempre se restringe ao lixo dominical básico e que há muita coisa para ver e rever com prazer. É esse o ponto de vista defendido pelo pesquisador e professor de Comunicação da PUC-SP e da USP, Arlindo Machado, que está lançando o livro "A Televisão Levada a Sério" (Editora Senac, 248 páginas, R$ 24). Para Machado, há muita coisa de qualidade sendo produzida para a televisão e não só no exterior e, justamente quando a tevê brasileira completa 50 anos, é chegada a hora de buscar essas referências de excelência na produção televisiva e renovar as críticas a esse meio de comunicação, invertendo alguns conceitos.
O primeiro deles é a idéia de "televisão de qualidade". Assim como não se pensa em literatura de qualidade, deixando implícito que uma obra literária só merece o título se for de qualidade, também com a televisão acontece o mesmo. Ou seja, nem tudo o que é veiculado pela televisão pode ser considerado produção televisiva. O que reforça essa posição do autor foi a pesquisa que ele realizou para compilar, no livro, pelo menos 200 trabalhos que, de acordo com sua concepção, podem ser considerados referenciais para o domínio da linguagem, da técnica e da arte envolvidas na produção de programas de tevê. São obras como os brasileiros "Brasil Legal", "O Auto da Compadecida", "Diálogos Impertinentes", o britânico "TV Dante - The Inferno", de Peter Greenaway, o polonês "O Decálogo", de Krysztof Kieslowski, "Berlim Alexanderplatz", de Rainer Werner Fassbinder além de vídeos e videoclipes que marcaram a tevê por suas características inovadoras.
O que diferencia esses e outros programas de televisão daqueles considerados de baixa qualidade é uma gama de características que vai do gênero - diálogo, narrativa seriada, telejornal, reportagem, programa ao vivo - até aspectos técnicos como a utilização da sinestesia (visualização do som), a adoção de elementos da poesia e das artes gráficas, a linguagem...
Arlindo Machado analisa cada uma dessas características no livro, explicando-as, discutindo conceitos e apontando curiosidades. Ele também enfrenta questões polêmicas e incômodas, como a constatação de que os programas considerados "de qualidade" geralmente têm audiência menor e serem, pelo menos aparentemente, elitistas. Tudo isso faz com que "A Televisão Levada a Sério" tenha um forte viés acadêmico, o que o torna menos acessível aos leitores em geral. Mas para estudiosos e apaixonados por televisão, o livro traz informações importantes e propõe uma reflexão aprofundada sobre os últimos 50 anos passados por milhões de brasileiros diante da tela.


 
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