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ANotícia
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Múltiplo

João Bosco se aventura pelo samba,
o reggae e o rap e recupera antigos sucessos no formato "banquinho-e-violão" |
Os vários ritmos
de João Bosco
Músico passeia
por gêneros distintos no show que faz hoje, no CIC, em
Florianópolis
Acompanhado
de cinco instrumentistas, o cantor e compositor João Bosco
faz hoje o show de lançamento de seu mais recente disco,
"Na Esquina", no Teatro Ademir Rosa, do Centro Integrado
de Cultura (CIC), na Capital. A cantora Elizah abre a noite acompanhada
do violonista Luiz Meira e do percussionista Guello. O disco
é o 20º de sua carreira e o segundo em que exercita
a parceria com o filho Francisco, letrista para o qual a crítica
tem reservado fartos elogios. Os instrumentistas da banda juntam-se
à voz e ao violão do artista mineiro, num passeio
musical pelo jazz, bolero, bossa-nova, samba e até reggae
e rap. A afinidade musical entre Bosco e a cantora Elizah tem
antecedentes e aconteceu durante o Festival de Música
de Itajaí, em setembro, e rendeu à cantora a oportunidade
de abrir o show no CIC.
No primeiro bloco do show, Bosco (voz e violão) e os músicos
(teclado, guitarra, bateria e percussão) experimentam
o que o artista chama de "cruzamento rítmico".
O início é dado com o reggae "Mama Palavra",
passando pelo samba-afro "Ronco da Cuíca" e
pelo samba baiano, em parceria com Waly Salomão e Antônio
Cícero, "Zona de Fronteira". Esta parte do show
é fechada com o rap "Ditodos", feita em parceria
com o filho (como todas do novo disco).
A segunda parte é acústica, uma espécie
de reunião de todos os grandes sucessos: "Jade",
"Quando o Amor Acontece", "Linha de Passe",
entre outros. Para o bis, Bosco tem optado pelo hit "Papel
Marchê", acompanhado da novíssima "Passos
do Amador", uma versão de "Fool Rush in",
de Rude Bloom e Johnnt Mercer. Em suas entrevistas, João
costuma dizer que esta última composição,
que abre seu mais recente CD, resume sua atitude em relação
à carreira. "Quero ser sempre um amador, não
quero perder o olhar ingênuo. Para mim, a ingenuidade é,
longe de ser defeito, uma virtude a ser cultivada".
A cantora Elizah, que iniciou sua carreira em Florianópolis
e hoje está radicada em São Paulo, vai cantar músicas
do repertório de seu mais recente show, "Tomadinho
pelo Samba Louco Pra Sambar", apresentado em Lisboa, que
inclui composições de João Gilberto, Lenine,
Tom Jobim, entre outros.
O QUÊ: Show de JOÃO BOSCO E BANDA, com
abertura da cantora ELIZAH. QUANDO: Hoje, às 21h.
ONDE: Teatro Ademir Rosa do Centro Integrado de Cultura
(CIC). Av. Irineu Bornhausen, 5.600, Florianópolis, tel.:
(0xx48) 333-2166. QUANTO: R$ 30,00/R$ 15,00 (estudantes),
na bilheteria do CIC ou nas Óticas Guanabara, rua Deodoro,
21, tel.: (0xx48) 224-1404.
Roteiro
- "Mama Palavra"
- "Holofotes"
- "Ronco da Cuíca"
- "Odilê Odilá"
- "Zona de Fronteira"/"Metamorfose"
- "Ditodos"
- "Nação"
- "Na Esquina"
- "Desenho de Giz"
- "Enquanto Espero"
- "Memória da Pele"
- "Coisa Feita"
- "Benguele"/"Incompatibilidade de Gênios"
- "Granito"/"Jade"
- "Quando o Amor Acontece"
- "Corsário"
- "Linha de Passe"
- "Passos de Amador"
- "Papel Machê"
- "Gagabirô"
Livro resgata os
50 anos da Fiesc
Obra escrita por
Christina Baumgarten será lançada hoje
Florianópolis - Um livro marca os 50 anos da Federação
das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). A
partir de um mix de produtos culturais que eternizem, não
só a data emblemática, mas também a própria
história, a entidade decidiu investir em uma publicação
de resgate do passado. A obra "A Reinvenção
da Economia Catarinense - A História da Fiesc e seus Líderes",
da jornalista e escritora blumenauense Christina Baumgarten,
será lançado hoje, durante a assembléia
geral da entidade.
A autora reconstrói um amplo universo, desde personalidades,
fatos, peculiaridades, casos, histórias emocionantes,
grandes realizações. Esse rico acervo, ainda na
memória dos mais antigos e em papéis empoeirados,
são retomados desde os ideais de alguns homens de visão
que "pensaram" a entidade
O livro enquadra-se na qualificação de produto
cultural contemporâneo, amplia o trabalho da imprensa cotidiana,
penetra em campos até então vistos superficialmente,
recupera o conhecimento de fatos específicos. A obra discute
o panorama que provocou o surgimento da entidade, as lutas enfrentadas
para implantá-la, destacando o pioneirismo da iniciativa.
Também enumera as fases, as diversas administrações
e suas diferentes realizações e aquisições.
Christina Baumgarten atualmente é editora de inúmeros
jornais segmentados. Já publicou dois livros, o primeiro
de poesia (Edição da autora, 1993) e o segundo
uma biografia romanceada (HB Editora, 1999). Desde 1996, dirige
a Hermann Baumgarten Editora, onde atua como editora-chefe. "A
medida que o tempo passa, fica clara a necessidade de manter
viva a história das instituições e pessoas
que construíram as bases da nossa sociedade. Pesquisar,
redigir e editar este livro é também uma homenagem
a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, deixaram a sua
marca pessoal nesta trajetória", situa a autora.
No prefácio, o atual presidente da Fiesc, Fernando Xavier
Faraco, situa o surgimento e a grandeza da entidade. De acordo
com ele, a escritora Christina Baumgarten conseguiu extrair do
tempo e tornar matéria viva os principais episódios
que culminaram com a fundação e os que tiveram
destaque nos 50 anos subseqüentes.
O leitor, situa o empresário, não encontrará
um texto pesado de economia industrial ou uma fria e burocrática
resenha de eventos empresariais. "A autora, além
de mostrar que sabe esgrimir com as palavras, catando-as como
pedras preciosas para tecer a sua prosa, consegue transformar
aquilo que poderia ser extremamente árido, numa história
que prende o leitor do começo ao fim."
O texto, define faraco, tem um estilo fluente e leve, porém
é denso em informações. Conjugando seu talento
de escritora com a atividade jornalística, imprime a objetividade
e a exatidão dos dados do bom e competente jornalismo,
com a arte da literatura.
O QUÊ: Lançamento do livro "A Reinvenção
da Economia Catarinense - A História da Fiesc e seus Líderes",
de Christina Baumgarten. QUANDO: Hoje, às 16h.
ONDE: Hall de entrada da sede da Federação
das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), rod.
Admar Gonzaga, 2.765, Itacorubi, Florianópolis, tel.:
(xx48) 234-0122. QUANTO: R$ 10,00.
Projeto que discute
dança fecha o ano
Florianópolis - O projeto Corpos que Falam encerra
as atividades do ano hoje, às 10h30, com a vídeo-palestra
Corpo de Idéias, na Sala Multimídia do Centro Integrado
de Cultura (CIC). A palestrante é a bailarina Jussara
Xavier, mestranda do Programa de Estudos Pós-Graduados
em Comunicação e
Semiótica da Pontifícia Universidade Católica
(PUC/SP) e especialista em dança cênica.
Na palestra, Jussara Xavier exibirá os vídeos "Nazareth",
com música de José Miguel Wisnick, sobre a obra
do compositor Ernesto Nazareth; "Bach", criação
livre sobre a obra ed J.S. Bach, com música de Marco Antônio
Guimarães; e "Parabelo", mesclando músicas
de Tom Zé e José Miguel Wisnick. As peças
foram coreografadas por Rodrigo Pederneiras.
O QUÊ: Vídeo-palestra Corpo de Idéias,
dentro do projeto Corpos que Falam. QUANDO: Hoje, às
10h30. ONDE: Sala Multimídia do Centro Integrado
de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5600, entrada gratuita.
Encontro de antropólogos
discute saber indígena
Florianópolis - Antropólogos da França,
Bélgica, Peru e Brasil discutem xamanismo e saberes de
culturas indígenas no encontro antropológico "Saberes
Indígenas: Cosmologia, Ecologia e Política",
que começa hoje na Ilha de Santa Catarina.
As discussões, patrocinadas pela Comunidade Européia,
estendem-se até amanhã, na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC). Organizado pelo Departamento de Antropologia
e pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Social, o evento propõe como tema a relação
entre saberes, sistemas simbólicos e xamanismo; o papel
desses saberes no manejo do meio ambiente; os processos mediante
os quais os saberes são criados, apropriados e transmitidos;
a regulação legal do reconhecimento dos direitos
intelectuais nativos e as suas implicações legais
e políticas.
O encontro reúne os pesquisadores do projeto Transformação
e Transmissão dos Saberes sobre o Meio ambiente em Meio
indígena e Mestiço (Tsemim), procedentes de instituições
belgas, brasileiras, francesas e peruanas.
O Tsemim, patrocinado pela Comissão Européia ,
desenvolveu entre 1998 e 2000 pesquisas sobre a elaboração
e a transmissão dos saberes tradicionais a respeito do
meio ambiente em comunidades indígenas e mestiças.
Procurava-se uma aproximação crítica ao
modo como é produzida e distribuída a ciência
indígena, fugindo de estereótipos como "sabedoria
milenar", "saber empírico" ou "proximidade
à natureza" suas fontes essenciais. O projeto busca
compreender o papel desse conhecimento dentro dos projetos de
desenvolvimento sustentável promovidos na região
amazônica.
As atividades do Tsemim, que inicialmente abarcavam o Acre na
Amazônia brasileira e parte da amazônia peruana,
tiveram que ser limitadas finalmente ao Peru, em função
da incerta situação criada no Brasil pela falta
de políticas públicas efetivas de pesquisa e proteção
do patrimôniobiológico. Incentivados por essa experiência,
e preocupados com o futuro das pesquisas nessa área, os
participantes do Tsemim decidiram incorporar ao evento uma discussão
sobre os problemas legais e políticos associados ao conhecimento
tradicional do meio ambiente.
Programação
Hoje
- Manhã - Saberes Indígenas, Cosmologia
e Xamanismo.
- Tarde - Conhecimento e Manejo do Meio ambiente em
Comunidades Indígenas e "mestiças".
Amanhã
- Manhã: Saber, Parentesco e Autoridade: a Economia
Interna do Saber Indígena.
- Tarde: Os Direitos Intelectuais dos Povos Indígenas
no Cenário Nacional e Global.
Além das quatro mesas redondas estão previstas
atividades paralelas, como exposições e exibição
de vídeos.
- Inscrições -
No valor de R$ 15,00 podem ser feitas no primeiro dia do evento,
no Departamento de Antropologia da UFSC, Campus de Trindade,
Florianópolis).
- Informações -
oscar@cfh.ufsc.br
Descanso com charme e sofisticação
Pousadas aliam localização privilegiada e bons
serviços.
AN_Turismo |
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Oficina
- A Aliança Musical, loja de instrumentos musicais, em
parceria com alguns músicos e professores de música
de Joinville está promovendo desde segunda-feira um workshop.
Das 19 às 21 horas as pessoas interessadas em aprender
noções básicas sobre vários instrumentos
podem comparecer ao auditório da loja. Hoje, é
a vez do contrabaixo e da guitarra e amanhã o professor
André Stevernagel mostra os segredos da bateria, dando
dicas sobre como escolher uma, os movimentos básicos e
os ritmos brasileiros. O loja fica na rua Dr. João Colin,
376. Mais informações pelo telefone (0xx47) 422-0953.
Teatro - Estréia
amanhã, em Videira, no teatro do Colégio Imaculada
Conceição, a peça "Meno Male".
O protagonista da história escrita por Juca de Oliveira
é o italiano Nicola, um chofer de táxi que leva
uma vida normal, junto à filha Angelina, uma adolescente
cuja vida se complica por causa de um relacionamento com alguém
que quer subir na vida. A peça é um trabalho do
grupo "Artistas de Baco".
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VIVA VOZ
Agenor de Oliveira, o Cartola, fundador da Mangueira
Saudade do mais lírico sambista
do Brasil
Nos 20 anos de
morte, todas as homenagens a Cartola, o compositor que elevou
o samba à categoria de excelência
Débora sabino
Especial para Anexo
Há exatos 20 anos, o samba no morro da Mangueira virou
choro: morria o seu fundador, o sambista Cartola, que, além
de compor e cantar, teve seu papel ao mostrar gente pobre, sofrida,
de cima do morro, quase sempre negra ou parda, tornando-os o
símbolo da brasilidade. Cantou também o amor, a
exemplo de "As Rosas não Falam", seu maior sucesso.
Data especial hoje para o morro, a escola de samba, o Rio de
Janeiro e para a viúva do compositor, dona Zica, quando
em vários locais do País acontecem homenagens com
exposições de foto, debates sobre a musicalidade
de Cartola e até a reedição de suas músicas.
Brusque prestou sua homenagem à Cartola na última
segunda-feira, coma presença da viúva do compositor.
O Coral da Fundação Educacional de Brusque em sua
primeira apresentação fez um "Tributo à
Cartola". Sempre emocionada, dona Zica cantou junto, contou
histórias do seu amor e das composições.
Ao final, ao ouvir "Verde que te Quero Rosa", o hino
da Mangueira, ela, aos 87 anos, sambou para toda a platéia.
Ela e Cartola se conheciam desde criança. "Quando
era moça, ele já era casado e eu participava dos
ensaios na Mangueira, com o casal e sempre os respeitei."
Anos mais tarde, ele apareceu na casa do companheiro Carlos Cachaça,
seu cunhado, e começou a conversar sobre a vida: ambos
estavam viúvos. A partir deste dia, ele passou a procurá-la
até que propôs o namoro. "No começo
eu não quis, pois ele tinha fama de mulherengo, mas como
eu estava viúva, não fazendo nada mesmo... aceitei."
Dona Zica viveu 23 anos feliz ao lado do companheiro, que compôs
em sua homenagem algumas de suas músicas.
A famosa "As Rosas não Falam" surgiu após
ambos observarem uma roseira plantada por Cartola, que cresceu
com muitas flores e intenso perfume. Ela relembra que o compositor
trancou-se no quarto uma manhã inteira e antes do almoço,
mostrou a música. "Desconfiada, perguntei quem era
a mulher perfumada e ele disse que era eu. Fiquei feliz",
explica.
Cartola sempre apreciou a mesa de um bar, onde bebericava, brincava
com o violão e compôs muitos sucessos. Algumas destas
composições se perderam no tempo, nunca foram gravadas
e acabaram esquecidas. Junto com seu companheiro de samba e rodas
e bar, Carlos Cachaça, o primeiro sucesso foi "Pudesse
meu Ideal", no Carnaval de 1932. A partir daí, especialmente
no final de década de 30, o samba conquistava status de
manifestação cultural, recebendo, inclusive, apoio
do governo, que estava interessado na consolidação
dos símbolos nacionais.
Para sustentar a família, Cartola fazia samba e trabalhava
em construções. Com a morte da primeira mulher,
Deolinda, afastou-se dos amigos, saiu do morro da Mangueira e
parou de fazer música. Foi encontrado anos mais tarde,
já casado com dona Zica. Eles tinham o restaurante Zicartola,
que reunia amigos e tornou-se ponto de encontro de compositores
e músicos. Com o novo amor, ele voltou para a Mangueira
e voltou a fazer samba. Desaparecido do meio musical, no início
da década de 50, Cartola foi encontrado trabalhando como
lavador de carros. Descoberto por Sérgio Porto - o famoso
Stanislaw Ponte Preta, este tratou de reinseri-lo no meio artístico.
Reconquistando o sucesso, deixou a Mangueira e foi viver em Jacarepaguá,
ao final de sua vida, para poder descansar. Com quase 70 anos,
Cartola estava feliz: conseguira o sucesso e conquistara certa
estabilidade financeira, junto com Zica, os filhos adotivos e
netos. No final dos anos 70 descobriu que estava com câncer
na faringe e as idas e vindas do hospital de tornaram constantes.
Quando faleceu, a multidão cantava baixinho "As Rosas
não Falam". Sobre o caixão, estavam as bandeiras
da Mangueira e do Fluminense.
"Faço samba, música pra guardar dentro de
si eternamente, no seu coração e não apenas
na sua coleção de discos", disse, em 1980,
pouco antes de morrer. Muitos interpretaram Cartola: Eliseth
Cardoso, Marisa Monte, Cazuza e até Carmem Miranda, levando
os sambas para os Estados Unidos.
Família quer lançar
livro
e fundar um museu no RJ
Hoje dona Zica vive a divulgar a vida e a obra de Cartola.
Freqüentemente recebe visitas de escolas em sua casa, vai
a universidades e eventos artísticos, a fim de relembrar
o compositor. Ela está cuidando ainda da edição
do livro "Na Passarela da Vida", sobre a trajetória
do músico. A família também planeja abrir,
no Rio de Janeiro, um museu com as lembranças de Cartola.
A sua outra paixão é a Mangueira, participando
dos desfiles desde o início. Hoje diz que não tem
mais pique, em função da idade, por isso desfila
num carro alegórico e não numa ala, como antigamente.
Dona Zica ainda trabalha com a escola de samba, que realiza projetos
sociais, para mais de 3 mil meninos do morro, com aulas de informática,
cursos profissionalizantes e o esporte. Para ela, a Mangueira
é tudo. Está sempre envolvida no Carnaval e nas
decisões da escola.
Segundo dona Zica, a escola ainda valoriza os moradores do bairro.
Dedica quatro alas para a população do morro da
Mangueira, e as pessoas que desfilam em outras alas têm
que doar as fantasias. Para ela, o samba de hoje não é
mais o mesmo de antigamente; "antes era mais melodioso,
mais gostoso". Diz ainda que a famíliapossui muitas
composições de Cartola que não foram gravadas.
"Mas a mídia não quer. Agora só quer
saber dessas bundas...", critica. (DS)
O épico "Gladiador"
chega às locadoras
Ridley Scott dá
vida nova a um gênero esquecido por Hollywood
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Foi uma jogada arriscada de Ridley Scott. O cineasta que gosta
de se definir como um criador de mundos já viajou ao futuro
para criar, com "Blade Runner - O Caçador de Andróides",
um dos filmes de ficção científica mais
famosos do cinema. Também viajou ao passado e aí
foi menos feliz com "1492", sua reconstituição
da saga de Cristóvão Colombo. Ridley Scott está
de volta ao passado. Você talvez já tenha visto
"Gladiador" no cinema. O vídeo já está
à disposição nas locadoras, e pode-se prever
um estouro.
Scott arriscou e venceu. O risco era a sua tentativa de ressuscitar
um gênero considerado morto, como o épico greco-romano.
O último grande filme do gênero chamou-se, significativamente,
"A Queda do Império Romano". Custou tão
caro, e faturou tão pouco, que levou à bancarrota
o produtor Samuel Bronston, que havia tentado estabelecer um
império cinematográfico para produzir só
filmes épicos na Espanha. Após o espetacular "El
Cid", "A Queda" também marcou o que a maioria
da crítica, nos anos 60, considerou um desastre do diretor
Anthony Mann. Não é. "A Queda" tem cada
vez mais admiradores interessados em revalorizar o filme de Mann.
Um historiador importante, Cedric Gibbons, identifica na corrupção
do poder a origem da derrocada de Roma. Sua tese, que inspirou
Mann e seus roteiristas (Ben Barzman e Basilio Franchina), é
retomada por Scott. Quando Marco Aurélio escolhe seu general,
Máximo (Russell Crowe), como sucessor desencadeia a ira
do filho, Cômodo, que trama para matar o pai e antecipar-se
na sucessão. Cômodo transforma seu general em escravo,
o escravo vira gladiador e, na arena romana, enfrenta o imperador
semilouco (até mesmo de desejo incestuoso pela irmã).
É um filme grandioso, até mesmo quando incorpora
recursos visuais da MTV ao épico romano. Scott também
viu "Spartacus", de Stanley Kubrick, o mais belo de
todos os épicos romanos. Kubrick documentou de forma definitiva
o processo de transformação do escravo em gladiador,
que Scott torna mais sucinto, até para fugir à
comparação. Mas onde "Gladiador" é
mais interessante é justamente nas cenas de arena. Pode-se
ver nessas cenas espetaculares, em que os gladiadores se matam
numa coreografia violenta e o solo se abre para dar passagem
a feras selvagens, o que não deixa de ser uma metáfora
do próprio cinema de Hollywood.
O imperador de Roma dá pão e circo ao povo. Literalmente.
Scott, na verdade, fez um grande filme subversivo contra Hollywood
e o conceito de espetáculo dominante na indústria.
Pessimista na sua viagem ao futuro (com "Blade Runner"),
o cineasta não o é menos ao viajar ao passado.
O destino reservado ao herói realça o caráter
sombrio de "Gladiador". É um belo filme tanto
quanto, definitivamente, Russell Crowe firma-se como um raro
e grande ator.
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