Joinville         -          Domingo, 15 de Outubro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Maníaco espalha
terror no Oeste

Vendedor, ao ser preso, confessa que assassinou três pessoas

Edelcio Luiz Lopes
Especial para A Notícia

O vendedor de rifas Irineu Carlos Nórdio, 27, um pacato cidadão que perambulava pelas ruas de Videira, nos últimos dias se transformou no terror do Meio-oeste catarinense e passou a ser conhecido como o "maníaco do serrote". Após matar sua última vítima, o fiscal Valderes Amarante Xavier, executado com três tiros e várias pedradas, no dia 3 de outubro, Nórdio confessou outros dois crimes. Ele revelou que também havia matado duas mulheres, cortado seus corpos e jogado os pedaços no rio Santo Antônio. Na semana passada a polícia encontrou a perna esquerda e o tronco de uma das vítimas.
O criminoso só foi descoberto porque a namorada de Valderes, Maristela Caliari Paloschi, que tinha sido seqüestrada após o crime, conseguiu escapar de seu cativeiro, no município de Arroio Trinta, e contou tudo à polícia. Quando Nórdio foi preso revelou que também matara a cozinheira Juvenira Moraes de Oliveira, 36, há um ano, e Erci Maria Mendes, 37, no dia 24 de setembro.
Quem vê a pequena casa ao lado da rodovia Waldemar Kleinubing, no sentido Arroio Trinta-Salto Veloso, jamais poderia imaginar que lá ocorreram crimes horríveis. Foi para esta casa que Nórdio levou suas duas vítimas mulheres, que foram mortas por asfixia. Antes a residência abrigava uma família normal, mas nos últimos meses ali residia somente o assassino confesso. Ele fez tantas ameaças que seu pai, sua mãe e irmãos abandonaram o local e foram morar em outras cidades ou em casas de parentes. O objetivo do "Maníaco do Serrote" era ficar sozinho para abater sem piedade suas vítimas.
O pequeno cartaz de novena colocado no vidro da porta de entrada da casa contrasta com as milhares de revistas pornográficas que a polícia encontrou, juntamente com fitas e utensílios eróticos, deixando claro sua predileção por este tipo de material. No interior da residência há poucos móveis. O trauma causado foi tanto que, hoje, os vizinhos tem receio de passar perto da casa.
O ritual macabro promovido por Nórdio era, de certa forma, sistemático, por isso a polícia acredita que podem haver outras vítimas. No primeiro assassinato, ele atraiu a cozinheira da Boate Talismã, de Videira, Juvenira Moraes de Oliveira até sua casa. Lá, ele a matou por asfíxia. Depois, percorreu um carreiro, por aproximadamente 300 metros, com a vítima nas costas até chegar à beira do rio Santo Antônio, que passa ao lado de sua casa. O corpo foi estendido em uma grande pedra e banhado com combustível, para ser queimado.
Na manhã seguinte, Nórdio voltou ao local e passou a picar o cadáver, lançando suas partes no rio para que ninguém descobrisse o crime. As marcas das machadadas que desferiu ainda hoje se fazem presentes na pedra. Em seu depoimento, ele chegou até a repetir os gestos que fazia ao esquartejar sua primeira vítima.
A segunda vítima do vendedor de rifas foi a dona de casa Erci Maria Mendes. Da mesma forma que Juvenira, ela foi levada para o interior da casa, onde foi asfixiada na noite do último dia 24, depois de ter participado de um comício. Seu corpo foi carregado nas costas, por volta das 2 horas, até a pedra ao lado do riacho, onde o assassino começaria uma seção de horror.
Ela teve a cabeça, braços e pernas cortados por um serrote e jogados no rio. Nórdio não soube explicar na delegacia porque cortava suas vítimas e nem o que o motivou a cometer os crimes. Da vítima, já foram encontradas a perna esquerda e o tronco. A polícia continua efetuando buscas no sentido de encontrar as outras partes, mas a chuva dos últimos dias tem atrapalhado os trabalhos.
No mesmo local onde procedia o esquartejamento, Nórdio costumava banhar-se nu e também ali lavava suas roupas. Passava horas e horas naquele lugar, quase desconhecido das pessoas que moram nas proximidades.
A Polícia Militar de Salto Veloso também procedeu buscas no mato durante toda esta semana tentando achar vestígios de outras possíveis vítimas de Nórdio, mas nada foi encontrado. Nem mesmo em sua casa, onde os crimes eram praticados, foram encontrados vestígios.

Mistério ronda investigações

A cada dia que passa torna-se maior o mistério em torno da vida do vendedor de rifas Irineu Carlos Nórdio, assassino confesso de três pessoas. Durante esta semana, a polícia direcionou as investigações no sentido de tentar decifrar qual motivação o levava a cometer crimes tão horrendos.
A única conclusão plausível a que se chega, mesmo que não seja oficial, é de que ele tinha problemas de ordem sexual. Esta opinião é amplamente defendida por policiais experientes. Estes problemas podem estar ligados a vários fatores e devem ser desvendados num exame psicológico a que ele será submetido dentro de alguns dias.
Esta fundamentação se baseia no fato de Nórdio ficar no local onde o fiscal Valderes foi assassinado, observando os casais de namorados que iam até lá manter relações sexuais. Não se sabe há quanto tempo ele fazia isso, mas na madrugada do dia 3, como só havia um casal no local ele se aproximou para ver de perto o ato.
Inesperadamente, Valderes abriu a porta do carro para jogar fora o preservativo e acabou sendo abatido com três tiros e várias pedradas na cabeça. O investigador Edmilson Ribeiro, um dos mais experientes da Polícia Civil de Videira, acredita que ele foi flagrado espiando a relação e, assustado, disparou.
Esta tese também ganha sustentação pelo fato de que as as outras duas vítimas de Nórdio estavam envolvidas com prostituição. A primeira delas, Juvenira Moraes de Oliveira, era cozinheira da Boate Talismã e a segunda, Erci Maria Mendes, aceitava programas na cidade de Salto Veloso. (ELL)

Assassino era uma pessoa pacata

O clima durante esta semana ainda era de surpresa nos municípios de Salto Veloso, Arroio Trinta e Videira, onde Nórdio tinha grande trânsito e era visto facilmente vagando pelas ruas, altas horas da noite. Ele era tido como pessoa pacata, conhecida por vender rifas, geralmente de entidades filantrópicas que ofereciam carros com o objetivo de angariar recursos para suas obras.
Na verdade, a calma aparente, às vezes dava lugar a uma mentalidade insana, capaz de deixar horrorizados até mesmo policiais com anos de experiência. O delegado José Tadeu Vargas dos Santos admite nunca ter visto algo parecido em toda sua carreira.
A morte do fiscal Valderes Amarante Xavier, ocorrida na noite do último dia 3, trouxe à tona um assassino frio, calculista e capaz das maiores crueldades com suas vítimas. Irineu Carlos Nórdio agora agora é conhecido pelo apelido de "Maníaco do Serrote", porque usava este instrumento para cortar suas vítimas.
Os crimes praticados por Nórdio só foram descobertos porque parte de seu plano deu errado com a fuga da namorada do fiscal assassinado, Maristela Caliari Paloschi. Depois de matá-lo com três tiros e várias pedradas, em um terreno baldio às margens da SC-303, normalmente freqüentado por casais de namorados que vão até lá para transar, o maníaco obrigou a jovem a subir na garupa de sua moto. Ela foi levada para casa do irmão de Nórdio, o menor A.E.N., 17, e ficou trancada em um quarto. No dia seguinte, ele a apanharia e também pretendia matá-la.
Além do irmão do assassino, outro jovem, João Paulo Getassi, 18, ficou responsável por cuidar da moça. Mas, quando saíram para trabalhar, Maristela conseguiu pular uma janela, que ficou destrancada, e avisou a polícia sobre tudo o que havia acontecido. Identificado o autor do assassinato do fiscal, ao ser preso Nórdio confessou outros dois crimes, ainda mais cruéis do que aquele da noite anterior. (ELL)


Dono de pizzaria espancado
até a morte em Florianópolis

Florianópolis - O proprietário da Pizzaria Yellow's, Paulo Joaci Müller, 34 anos, foi espancado até a morte no estacionamento da Lupus Beer, danceteria que fica no bairro Monte Verde, em Florianópolis. O fato aconteceu às 2 horas da madrugada de ontem. Os suspeitos do crime Antônio Stoppa, Sérgio Luiz Gomes dos Santos, Richard Rotloff e Dauzelei Beneton Pereira estão detidos na 3ª Delegacia de Polícia no bairro Estreito.
Conforme o boletim de ocorrências da 5ª DP, os quatro suspeitos foram presos em flagrante e enquadrados no artigo 121 item 2 (homicídio por motivo fútil) e 288 (formação de quadrilha). O advogado de Sérgio, Richard e Antônio, Décio José da Silva, disse que oportunamente irá entrar com um pedido de habeas corpus.
Segundo testemunhas (em depoimento na delegacia), Paulo estava com o seu carro Dodge Dakota no estacionamento da Lupus Beer, onde está sendo realizado o 1º Floripa Motorcycle, distribuindo cervejas e com som alto. Ele foi advertido por um dos organizadores, Dauzelei Benetton, para baixar o som, sob o risco de ser linchado. Como ele não obedeceu, Dauzelei teria retornado com os companheiros, espancando Müller até a morte.
Ontem pela manhã, o tatuador Stoppa - conhecido em Florianópolis como um dos melhores tatuadores da Ilha -, acompanhado do advogado, negou a autoria do crime. "Vi um tumulto envolvendo o cara e, como faço parte da organização, fui ver o que estava acontecendo. Juntamos ele do chão e o colocamos no carro. Pedimos para ele sair do local porque o pessoal estava com os ânimos exaltados e a coisa poderia piorar. De repente fui surpreendido com a polícia nos prendendo e dizendo que ele tinha morrido. Segundo umas pessoas que o conhecem, geralmente aonde ele vai acontece tumulto", disse Stoppa.
O clima no velório ontem no cemitério do Itacorubi era de indignação e revolta. Paulo Joaci Müller era um jovem empreendedor que comandava uma das mais tradicionais pizzarias de Florianópolis. Os clientes acostumaram-se com o seu estilo despojado, sempre presente, comandando pessoalmente os negócios. A investigação para a elucidação do crime prossegue durante esta semana.


Dupla presa após
assalto em posto

Joinville - Uma perseguição da Polícia Militar na madrugada de ontem, em Joinville, resultou na prisão de Amarildo Alves da Silva, 31 anos, e Gildo Andrade dos Santos, 36. A dupla, conforme o delegado Gilberto Cervi, do 1º Distrito, assaltou o posto de gasolina San Marino, na rua Tuiuti, bairro Aventureiro, ao meio-dia e meia de ontem e confesso o crime. Durante a fuga com uma motocicleta, eles cairam. Amarildo tentou fugir a pé e foi alvejado com um tiro na perna.
A dupla chegou no posto pedindo para o frentista Carlos Roberto Fernandes colocar R$ 15,00 de combustível. Em seguida, sacaram de dois revólveres e anunciaram o assalto. Renderam o frentista e roubaram cinco pacotes de cigarros, e mais a importância de R$ 31,30 que havia no caixa. Após o assalto, os dois fugiram.
Indignado com o roubo, o frentista pediu ajuda a uma viatura da Polícia Militar, que tão logo os suspeitos sairam, passou pela frente do posto. Por volta das 4 horas, uma guarnição da PM se deparou com os suspeitos. Ao avistarem os policiais, os dois saíram em alta velocidade. Ao passarem um pontilhão, na rua Perdiz, se desequilibraram e caíram. Armados com dois revólveres, eles ainda ameaçaram os policiais. Gildo, que sofreu escoriações pelo corpo com a queda, permaneceu no local, e Amarildo tentou fugir a pé, mas foi acertado na perna, pela PM. Os dois foram encaminhados ao presídio, onde vão permanecer a disposição da Justiça.

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SP recebe amanhã
verba para prisões

São Paulo - O ministro da Justiça, José Gregori decidiu fazer mistério sobre a contribuição do governo federal para a construção de centros de detenção provisória em São Paulo. Após falar em R$ 500 mil e depois em R$ 60 milhões, o ministro afirmou na sexta-feira que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é quem vai anunciar o valor, amanhã, em Brasília.
Gregori esteve em São Paulo com o governador Mário Covas (PSDB) e com os secretários da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, e da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. No encontro, no Palácio dos Bandeirantes, Gregori informou o valor do repasse ao governador e aos secretários. Na saída, negou que tenha falado anteriormente em R$ 500 mil e depois em R$ 60 milhões.
"O quanto vai ser definido pelo próprio presidente da República, na segunda-feira, mas a cifra será expressiva", disse. Fernando Henrique vai receber Gregori, Petrelluzzi e Furukawa, às 16 horas. "Bacharel não entende de número e jornalista não entende de número", afirmou Gregori, referindo-se a ele mesmo e à imprensa. "Ninguém falou em R$ 500 mil e depois em R$ 60 milhões." O ministro adiantou apenas que o pedido de R$ 360 milhões do governo estadual não será integralmente atendido. "Não dá para atender isso tudo".
Em seguida, Gregori esteve no Centro de Detenção Provisória de Osasco 1, acompanhado de Furukawa e do secretário-adjunto da Segurança, Mario Papaterra Limongi. O local abriga atualmente 698 presos que aguardam julgamento. Na saída do centro, o ministro acabou afirmando que o repasse do governo federal "não está muito longe" dos R$ 60 milhões.


Vídeo grava
violência
contra bebê

Salvador - Por ter praticado atos libidinosos com uma criança de 1 ano e sete meses, a babá Catarina Silva dos Santos, de 20 anos, foi presa na quinta-feira pelos policiais da Delegacia de Lauro de Freitas, na região metropolitana da capital baiana. O pai do garoto, um funcionário público de iniciais R.P.S., de 39 anos, instalou uma câmera de vídeo escondida em casa e registrou a ação da empregada.
Há dias, R.P.S. vinha observando que o filho se comportava estranhamente, tentando, por exemplo, acariciar os seios da mãe. Além disso, o pênis do garoto estava irritado. Desconfiado, o funcionário público pediu um equipamento de vídeo emprestado e o instalou camuflado na sala. Quando assistiu à fita, ficou chocado com o que viu: a babá praticava sexo oral, com o garoto, o beijava na boca, colocava as mãos dele nos seus seios e se masturbava.
Mesmo transtornado com o caso, R.P.S. teve a tranqüilidade para procurar a Delegacia de Lauro de Freitas, exibir a fita para o delegado Jacinto Alberto e pedir providências à polícia. Imediatamente, Alberto determinou a prisão de Catarina que chegou a negar as acusações, mas ficou em silêncio depois que o delegado exibiu o vídeo com o abuso sexual. Ela trabalhava na casa do funcionário público havia quatro meses. Foi indicada por um amigo da família. Agora pode ser condenada a uma pena que varia de dois a sete anos de prisão.


Rebelião 1 - A polícia conseguiu controlar na sexta-feira uma rebelião iniciada pelos 32 presos da Cadeia Pública de Serra Negra, no interior de São Paulo. Os detentos, que reivindicavam transferência para o Sistema Penitenciário do Estado, puseram fogo nos colchões e cobertores. Os amotinados só concordaram em retornar para as celas depois de obter a garantia de que o juiz corregedor, Sergio Araújo, estará na cadeia amanhã para os ouvir.

Rebelião 2 - A rebelião na cadeia de Serra Negra começou no fim da manhã, quando os presos estavam no pátio para o banho de sol. Alguns detentos passaram a queimar os cobertores e colchões. Armados com pedaços de pau, eles também ameaçavam matar outros presos. A PM cercou a cadeia e as negociações começaram por volta das 13 horas, sob o comando do diretor da prisão, Osvaldo Faria Júnior. Após garantir que o juiz corregedor estará na cadeia amanhã, os amotinados concordaram em retornar para as celas.

 
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