Joinville         -          Domingo, 29 de Outubro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Família quer
assassino na cadeia

Criminoso fugiu de presídio na Capital após liderar motim

Joce Pereira
Especial para A Notícia

"Ele era um garoto alegre, divertido e muito trabalhador. Nos faz muita falta." É assim que Claudete Tozatti lembra do sobrinho e afilhado Alexandre Spier, 20, assassinado em 1996, em Luzerna, no Meio-Oeste. Quando o crime aconteceu, Claudete - que é irmã da mãe de Alexandre - morava em Mato Grosso e não pôde acompanhar o enterro do sobrinho. "Quando recebi a notícia não acreditei. Foi um crime bárbaro e quem o praticou tem que ser punido. Nada vai trazer o Alexandre de volta para nós, mas a sua morte não pode passar em branco", comenta.
A família não gosta de falar sobre o assunto, que ainda trás muita dor. Dona Ivete, mãe de Alexandre, tem no rosto as marcas do sofrimento. Ela acompanha qualquer novidade que surja sobre o caso; quer ver o assassino de seu filho atrás das grades. O pai, Varmo Spier, não quer falar sobre a tragédia, pois, segundo ele, nada vai trazer de volta o único filho homem e companheiro de trabalho. Alexandre trabalhava junto com o pai na oficina mecânica de propriedade da família. O casal tem mais duas filhas: Glaúcia, 27, e Deise, 22.
Gilberto Hoffmann, 29, o "Gabina ", foi julgado e acusado pelo crime, juntamente com Ederson Flaron, o "Edi". Eles foram condenados pela prática de latrocínio (matar para roubar). Os dois confessaram o crime. Gilberto recebeu pena de 25 anos, dois meses e doze dias de prisão em regime fechado. Ele cumpriu pouco mais de um ano de cadeia e fugiu. O seu cúmplice, Ederson, foi condenado por co-autoria do crime a 24 anos de prisão e cumpre a pena na Penitenciária Agrícola de Chapecó.
O crime que abalou a comunidade, pois a família Spier é muito conhecida, aconteceu no dia 27 de abril de 1996, por volta das 23h30. Segundo consta no processo e nos depoimentos dos acusados, Gilberto e Ederson estavam nas proximidades da rodoviária de Joaçaba tentando conseguir uma carona. Por volta das 23 horas, Alexandre com o seu veículo, um Fiat 147 branco, placa JC-9232, passou pelo local e deu carona aos dois. Durante o trajeto, eles pediram a Alexandre que os levasse até o município de Videira, que fica a cerca de 60 quilômetros de Joaçaba. Alexandre se recusou e disse que estava indo para a casa de sua namorada, que morava na cidade.
Diante da recusa de Alexandre, os dois resolveram roubar o carro e seguir viagem. Gilberto, armado de revólver, mandou que a vítima fosse em direção ao município de Água Doce. Após percorrerem cerca de três quilômetros, eles mandaram Alexandre parar o carro e, sob a ameaça de arma, ele foi levado até uma propriedade rural, situada na Vila Kennedy, no município de Luzerna. Ao chegar ao local Gilberto mandou a vítima tirar a camiseta que vestia e, à queima-roupa, disparou um tiro pelas costas. Com a vítima já caída, Gilberto disparou mais três tiros. Alexandre morreu na hora. O companheiro de Gilberto teria permanecido no veículo durante a execução. O corpo de Alexandre foi encontrado por agricultores que moravam na localidade horas após o crime.

Prisão após fuga para Paraguai

Após cometer o assassinato, Gilberto pegou o carro da vítima e foi até a cidade de Videira. Por volta das três horas da madrugada, os dois foram até um posto de combustíveis para abastecer o carro. Enquanto o frentista providenciava a nota fiscal Gilberto sacou da arma e rendeu o funcionário do posto. O companheiro de Gilberto, também armado, rendeu o segundo frentista. Os dois roubaram do caixa do posto R$ 600,00, parte em dinheiro e outra parte em cheques.
Após praticarem o assalto, os dois se dirigiram até o município de Vargem Bonita onde abandonaram o carro em uma estrada do interior. Mas, antes de fugirem, "depenaram" o veículo: levaram os aros, pneus, extintor de incêndio, o console, os alto falantes e ainda quebraram os vidros do Fiat.
A Polícia identificou Gilberto e Ederson por causa dos cheques roubados no posto de combustíveis em Videira, com os quais eles pagaram as despesas em um baile em Joaçaba. Com a polícia no encalço, eles fugiram para o Paraguai. Ederson foi preso naquele país, mas Gilberto conseguiu fugir. Ele foi preso pela Polícia Civil de Joaçaba, meses depois, no dia 25 de julho de 1996, em Capanema, no Paraná.
Depois de preso, Gilberto foi trazido para Joaçaba, onde permaneceu no Presídio Regional até ser julgado e condenado. De lá até sua fuga da Penitenciária em Florianópolis, as informações se confundem, pois os delegados, promotores e juízes que cuidaram do caso na época foram transferidos para outras cidades do Estado. O que se sabe, através de informações de amigos da família de Alexandre e de policiais que estavam em Joaçaba na época, é que por criar muita confusão Gilberto foi transferido de Joaçaba para Concórdia e de lá para Curitibanos onde teria liderado um motim entre os detentos. Em maio de 1997 ele foi transferido para Florianópolis, onde ficou detido pouco mais de um ano. Durante uma rebelião de presos Gilberto fugiu e até hoje a Justiça não tem pistas do seu paradeiro. (JP)

Réu com longa ficha cirminal

Gilberto tem uma longa ficha policial e é considerado altamente perigoso. Segundo o promotor de Justiça do Fórum da Comarca de Joaçaba, Protásio Campos Neto, que é o atual responsável pelo caso, ele responde por vários crimes, entre os quais uma condenação a cinco anos e seis meses de prisão por roubo. Somando a pena de latrocínio ele está condenado a mais de trinta anos de prisão. O foragido ainda é acusado de outros quatro crimes pelos quais não chegou a ser julgado, entre eles um homicídio duplamente qualificado, roubo, apropriação indébita e assalto a ônibus de turismo que fazia a linha Brasil/Paraguai. Todos os crimes foram cometidos no mesmo ano, em 1996.
Após fugir da Penitenciária de Florianópolis, a Justiça não teve mais notícias de Gilberto. O promotor acredita que ele lidere uma quadrilha que pratica assaltos contra ônibus em várias regiões do Estado. "Pelas descrições que as vítimas passaram à polícia, tudo leva a crer que se trata dele. Mas, a Justiça, assim mesmo, está com as mãos atadas, nada pode ser feito enquanto ele não for preso. Quando isso acontecer, então sim, ele vai pagar por todos os crimes que cometeu", completa.
E é com isso que a família de Alexandre ainda conta, mesmo já tendo passado quatro anos e meio da data do crime. A mãe ainda chora muito ao falar do assunto, lembrando o dia da tragédia. Ela conta que até hoje acompanha o caso, liga todo mês para a penitenciária de Chapecó para saber se o cúmplice de Gilberto ainda está preso. "Eu só vou descansar o dia em que o assassino do meu filho estiver atrás das grades." (JP)


Taxista sofre
assalto em Jaraguá do Sul

Joinville - Um assalto contra o taxista Maicon Ferreira Lima, às 6h30 de ontem, no trevo de Jaraguá do Sul, culminou na prisão em flagrante de um dos suspeitos, José Armando Valente, 28 anos, que já tem passagem por tráfico de drogas. Outros dois suspeitos, ainda não identificados, estão sendo procurados.
Conforme boletim de ocorrência do Centro de Operações da Polícia Militar, o taxista se encontrava em Joinville quando foi solicitado para fazer uma corrida até o trevo de Jaraguá do Sul. Chegando no local, os supostos passageiros deram voz de assalto, roubando R$130,00 e o carro do taxista, o aparelho celular e o Ford Fiesta LZW-1443, Joinville.
Depois de ser abandonado a pé, o taxista telefonou para a Polícia Militar de Araquari. Uma guarnição foi ao local e prestou socorro ao taxista. Apesar de diversas rondas, não conseguiram encontrar os assaltantes. Mais tarde, localizaram o veículo abandonado.


Trânsito mata 3 em
rodovias catarinenses

Florianópolis - Três pessoas morreram em acidentes nas rodovias
federais de Santa Catarina entre a noite de sexta-feira e a madrugada de ontem. O Gol AIV-4285 (Curitiba), dirigido por Jorge Eduardo Neckel, 25, abalroou uma bicicleta no quilômetro 362 da BR-101, em Sangão, e matou o ciclista Pedro Luiz Eleodoro, 47. O acidente ocorreu às 20h40 de
sexta-feira.
Às 22 horas, em Águas Mornas (quilômetro 44 da BR-282), o tombamento do caminhão Mercedes-Benz MDO-3960 (Lages) causou a morte do motorista Alberto Dexheimer, 53. O passageiro Marcos Alberto Dexheimer, 16, ficou gravemente ferido.
Também em Águas Mornas, a menos de seis quilômetros do tombamento do caminhão (km 38,2), um capotamento matou Paulo César Meyer, 31, e deixou gravemente ferido Francisco Beppler, 40. Paulo César dirigia o Fusca LXW-9668 (Águas Mornas), que se acidentou às 4h40 de ontem.


Mulher presa com
crack em Florianópolis

Florianópolis - Policiais militares prenderam ontem, nas proximidades
da entrada da favela Chico Mendes, Edna Petrolina de Souza, 36, que estava carregando 44 "petecas" de crack. A prisão aconteceu por volta da 0h30, na rua Josué di Bernardi, e a mulher foi conduzida à 9ª DP da Capital (Jardim Atlântico). De lá, Edna foi tranferida à Central de Plantão Policial (CPP), onde foi autuada em flagrante por tráfico. Depois da autuação, ela foi levada ao Presídio Feminino de Florianópolis.


Assalto - Uma quadrilha formada por pelo menos oito homens armados com pistolas automáticas e encapuzados invadiu, na quinta-feira à noite, a empresa de entregas aéreas Federal Express (Fedex), que fica ao lado do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo. O bando dominou funcionários e seguranças e fugiu em seguida, levando mercadorias sem deixar pistas. Ninguém ficou ferido.

Seqüestro - Uma empresária e sua filha foram vítimas de um seqüestro relâmpago no início da tarde de sexta-feira na zona Sul da capital paulista. Os seqüestradores acabaram presos pela polícia. A empresária Rosana Alves da Silva, 41, proprietária de uma transportadora, e sua filha, R.C.A.S., 12, foram dominadas por dois homens armados, por volta das 13h30, em sua picape Blazer, num posto de gasolina.

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Diminui furtos de
veículos em São Paulo

São Paulo - O total de furtos e roubos de veículos diminuiu 5% na cidade de São Paulo no mês de setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda está sendo comemorada pela Secretaria da Segurança de São Paulo, que na próxima semana deverá divulgar os números da criminalidade no terceiro trimestre na capital e Grande São Paulo.
É a segunda vez em 2000 que diminui esse tipo de crime, que vem crescendo a cada ano em todo o Estado. A primeira queda foi em julho, com a diminuição de 2,87% comparando-se com o mesmo período do ano passado. No primeiro semestre houve aumento de 13% no índice dos veículos furtados e roubados na capital, em comparação com o mesmo período de 1999. No ano passado, no Estado, foram furtados e roubados 221.574 veículos, 107.628 no primeiro semestre.
Este ano, de janeiro a junho, os ladrões roubaram e furtaram, no Estado, 120.316. Os policiais empenhados no combate a esse tipo de crime na capital não falam sobre os resultados de setembro. Afirmam que o secretário da Segurança, Marco Vinicio Petrelluzzi, é o único que pode falar.
A prisão de quadrilhas especializadas no furto e roubo de veículos e a identificação de receptadores e proprietários de desmanches são apontadas pelos policiais como fatores da queda. Somente a 1ª Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), apreendeu de janeiro a setembro, nas ruas da capital, 941 carros e vans furtados ou roubados. Foram autuadas 159 pessoas que estavam com os veículos roubados, com documentos e placas "frios". No mesmo período, os investigadores prenderam 210 participantes de várias quadrilha


Adolescente flagrada
com coca e crack

São Paulo - A polícia flagrou a adolescente A.A.M.R., 16, vendendo crack e cocaína em uma casa na região de Osasco, na Grande São Paulo, no início da madrugada de sexta-feira. No local, além da droga, os policiais militares encontraram um cachimbo, papel para embalar a droga, um cheque de R$ 602,00 e outro de R$ 25,00, uma nota de R$ 50,00 - provavelmente falsificada - e alguns equipamentos eletrônicos, como filmadora, aparelho de CD com frente removível e videogame. De acordo com a polícia, esses aparelhos podem ter sido usados como parte de pagamento na compra da droga.
Por volta dos 30 minutos de sexta-feira, PMs que faziam uma ronda pela região de Osasco desconfiaram de um rapaz que andava sozinho em uma rua escura localizada no bairro de Vila Pestana. Após a abordagem e revista, os policiais encontraram crack num dos bolsos da roupa do rapaz, identificado como André Guilherme, 24. Após ser questionado sobre a droga, ele informou que era viciado e que havia comprado a droga da adolescente.
Os policiais, com André, foram até a casa onde a garota se encontrava. Em seguida entregaram um nota de R$ 10,00 para o rapaz comprar a droga. No ato da venda, a garota foi flagrada.
No local, próximo do berço de uma criança, havia um travesseiro, dentro do qual a polícia encontrou 12 papelotes de cocaína e 11 pedras de crack. A menor estava sozinha na residência.

 
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