Joinville         -          Domingo, 3 de Setembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Varizes, um tormento
nas pernas das mulheres

Mais que estético, problema pode ser do aparelho circulatório

Marlise Groth

O verão está chegando e com ele recomeçam as preocupações com a aparência. Porém, mais do que um problema estético, as varizes que surgem nas pernas podem significar deficiências no aparelho circulatório. E as principais vítimas são as mulheres. De acordo com o angiologista e cirurgião vascular Seno Hagemann, a proporção de pessoas com este tipo de problema é de quatro mulheres para cada homem.
Este índice é resultado dos fatores genéticos (prédisponentes) ou desencadeantes que, na mulher, são representados pelo excesso de peso ou de atividade profissional - se ela fica a maior parte em pé ou sentada -, uso da pílula anticoncepcional e múltiplas gestações, que provocam o relaxamento das veias. No homem, embora a procura pelo tratamento seja bem menor, a disfunção geralmente é resultado do excesso de levantamento de peso, que provoca o rompimento de válvulas dentro da safena.
As varizes são veias dilatadas e tortuosas que surgem nas pernas. Com a disfunção, estas veias tornam-se mais salientes e ganham uma coloração azul-esverdeada. As mais finas e superficiais de coloração avermelhada são chamadas de telangiectasias ou, microvarizes.
Segundo o médico angiologista e cirugião vascular José Carlos Cassou, "as varizes descompensadas são uma das patologias que mais afastam os pacientes entre 35 e 40 anos do trabalho. Justamente um período em que as pessoas apresentam sua maior capacidade laborativa". É por este motivo que surge a necessidade do tratamento precoce. Cassou observa que só o especialista pode indicar o melhor tipo de tratamento, que deve ser realizado de forma individualizada, conforme o problema e a expectativa de cada paciente.
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As varizes tem origem em múltiplos fatores. Um dos mais importantes é a predisposição genética, ou seja, a tendência familiar herdada de pais ou avós. O sedentarismo (falta de atividade física), a gravidez e a raça também podem desencadear varizes que são mais freqüentes nas mulheres e em pessoas de pele clara. Embora existam vários mitos, não está comprovado de que calçados de salto alto, depilação e o uso de calças apertadas interfiram no surgimento do problema.
"O que acontece é que o salto diminui a potência do bombeamento do sangue que é feito na panturrilha", explica Seno Hagemann, ao observar que, desta forma, o calçado pode interferir no processo como agente desencadeante. Assim, o recomendável é o uso de calçados confortáveis, baixos e leves no dia-a-dia.

Evitar é o melhor caminho

Como não se pode mudar o fator genético, a alternativa para quem tem prédisposição às varizes é impedir os fatores desencadeantes. Isso significa usar um calçado confortável, descansar com as pernas elevadas, manter uma atividade física e alternar períodos de trabalho em pé e sentado. Para as gestantes, a indicação é o uso da meia elástica, que auxilia no processo de circulação.
Os tratamentos são realizados de forma individualizada conforme o quadro do paciente e podem ser de forma clínica, cirúrgica ou por meio da escleroterapia. O tratamento clínico consiste na reeducação física através de exercícios e correção postural no ambiente de trabalho. Neste caso é recomendado o uso de meias elásticas e medicações sintomáticas.
Uma outra forma é o tratamento de varizes maiores por meio de cirurgia, seguido de escleroterapia, que é a aplicação de uma solução especial nas microvarizes. Durante as aplicações o especialista injeta um líquido esclerosante nas veias mais finas, provocando uma irritação química na parede interna das veias. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe a retirada de sangue ou a secagem da veia. "O líquido faz com que a veia se transforme num corpo estranho e seja reabsorvida pelo organismo". Neste caso, todo o material empregado é importado e tem o preço de uma consulta particular. "A aplicação deve ser feita pelo médico para evitar que excessos do material esclerosante entrem no sistema circulatório. Um fato que pode comprometer as funções do organismo, entre elas a renal", alerta Hagemann. A cirurgia é recomendada para veias maiores e mais grossas e acontece por meio de microincisões. A liberação do paciente acontece de 1 a 30 dias, conforme o procedimento empregado.
Em cirurgias é preciso repouso. "No caso das microvarizes o paciente faz a aplicação, faz os curativos e já pode sair do consultório dirigindo. Só recomendamos duas horas de repouso e a proteção do local da luz solar por uma semana", declara. A subida de escadas só é proibida no caso de cirurgias. Para manter o tratamento as recomendações são as mesmas da prevenção.

Tire as dúvidas

Veja o que a doença e o que ela pode causar

O que são varizes?
São veias dilatadas e tortuosas que surgem nas pernas. As mais finas e superficiais, de coloração avermelhada, são chamadas microvarizes.

Como surgem?
As causas são predisposição familiar, sedentarismo, trabalho em posição sentada ou em pé por períodos prolongados, excesso de peso e gravidez. São mais comuns em mulheres e nas pessoas da raça branca.

Quais os sintomas?
Dores, edemas discretos próximos aos tornozelos e sensações de dormência e queimação. Os sintomas geralmente devem-se a deficiência circulatória venosa das pernas, que podem ou não estar associadas as varizes.

Como prevenir?
Com atividade física regular, uso de calçados confortáveis, controle do peso e a utilização de meias elásticas medicinais. Cuidado ao realizar exercícios de musculação com peso. Eles podem provocar uma hipertrofia muscular ocasionando a saliência das veias.

Qual a recomendação das meias elásticas?
Suave compressão: para quem não tem problemas e quer se prevenir
Média compressão: para quem tem varizes sintomáticas e momentaneamente não pode optar por outros tratamentos
Alta compressão: para quem teve trombose e precisa fazer 100% do retorno sanguíneo pelas veias superficiais.

Quais os tipos de tratamento?
Tratamento clínico, escleroterapia (aplicações de glicose com líquido esclerosante no interior das veias) e cirurgia

Mitos e verdades

"Subir escadas é bom, mas descer aumentam as varizes".
Mito
- "Qualquer atividade física é recomendável, portanto não há mal nenhum em descer escadas". Dr. Fernando Soares Moreira, da Clínica Cirúrgica Vascular Dr. Carlos Bessa (SP)

"Depilação com cera quente estoura vasinhos".
Depende
- "Para as pessoas com vasinhos e microvarizes não tem problema, mas em quem apresenta sérios problemas de varizes pode provocar traumatismos, e nesse caso, está contra- indicada.". Dr. Miguel Francischelli Netto, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular

"Todos os dias, dez minutos com as pernas para cima evita o aparecimento das varizes".
Mentira
- "Ficar com a perna para cima é útil para quem tem varizes, mas não é capaz de evitar o problema", Dr. Miguel.

"Uso de calçado de salto e de calças apertadas causa varizes"
Depende
- "O que acontece é que o salto diminui a potência do bombeamento do sangue que é feito na panturrilha e pode ser agente desencadeante". Dr Seno Hagemann, angiologista e cirurgião vascular.


Tráfico de bebês
cai no esquecimento

Pouco mais de um ano após desbaratamento de quadrilha em Caçador, aliciadoras condenadas já estão livres

Especial para A Notícia

Caçador - A certidão de nascimento de Andressa Camargo é datada de 7 de dezembro de 1998. Sua certidão de óbito foi emitida quatro dias depois. Viveu pouco a menina, filha da desempregada Ivanir Camargo, 36 anos, que foi uma das mães enganadas pela quadrilha de tráfico de bebês desmantelada em fevereiro do ano passado, em Caçador, no Meio-Oeste catarinense. Sua morte, porém, contribuiu para desbaratar a quadrilha.
Mais de um ano depois, porém, pouco se fala sobre o assunto que, na época, mexeu com a opinião pública. Seis pessoas foram julgadas e condenadas. Porém cumpriram um terço da pena e estão livres. O casal Fauzi e Nanci Farah, de Curitiba (PR), aguardam em liberdade decisão do Superior Tribunal de Justiça. Entidades de proteção a criança mudam forma de atuação para evitar novos casos. A sociedade quase esqueceu, mas ainda tem sede de justiça.
O bebê de Ivanir morreu em um acidente automobilístico, em Lebon Régis, município vizinho a Caçador, quando já estava nas mãos das criminosas. "Se pudesse criar a criança não teria dado. Toda mãe quer o melhor para o filho", frisa Ivanir. Desempregada, ela foi aliciada pelas condenadas quando estava grávida de seu quarto filho. Morando em um dos barracos numa favela de Lebon Régis - onde mora até hoje -, na época, sofria também com a falta de um companheiro. Vivia da pensão de R$ 30,00 que recebia para um dos três filhos. "Agora, não aceitaria a proposta de dar a criança, por mais cruel que a vida seja", lamenta.
As condenadas propuseram custear todas as despesas do parto e garantiram que o filho de Ivanir seria doado para a tia de uma delas em Curitiba (PR). A desempregada deu à luz no quarto de um hospital pago pelas traficantes, perdeu o filho e o filho, a vida. "Me arrependo de todo meu coração, se pudesse voltar atrás teria voltado", salienta. Segundo ela, o fato das mulheres já estarem livres revolta. "Elas tiraram a vida de uma criança e desapareceram com outras. É crime, mas estão soltas", finaliza.

Desigualdade social e colonização
européia favoreceram a prática

Numa região onde a desigualdade social é gritante e as casas de prostituição são comuns das periferias dos municípios, as integrantes da quadrilha tiveram todos os subsídios que queriam para praticar o tráfico indiscriminado de crianças. Mães sem condições de criar seus filhos e sem muito estudo não resistiam as propostas das mulheres que faziam a comissão de frente da quadrilha. Como a região foi fortemente colonizada por povos de peles claras e olhos azuis - como o povo alemão e o italiano - as aliciadoras vislumbraram um prato cheio para encontrar crianças que poderiam alcançar bons rendimentos quando vendidas.
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Depois de descoberta a quadrilha, da justiça dar seu veredicto e das famílias caçadorenses pararem de temer que as criminosas roubassem seus filhos, aquilo que era assunto nacional caiu no esquecimento. A opinião pública queria maior punição para as condenadas. A Justiça alega que fez o que manda a lei. As entidades ligadas a proteção das crianças tomaram atitudes para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer. Contudo, falta eliminar a causa do problema e a falta de qualidade e perspectivas de vida da população continua oferecendo um campo vasto para a prática.
Para a Polícia Federal, que investigou profundamente o caso quando estourou, o tráfico de bebês é um assunto passado. "O caso teve ápice na região naquela época, ultimamente pouco se fala sobre o assunto", explica o assessor de comunicação Ildo Rosa. O delegado, Rogério Ortiz, que presidiu o inquérito está destacado em outro departamento. (AR)

Conselho tutelar está atuando
com mais rigor na região

Com a descoberta da quadrilha, o conselho tutelar passou a atuar com mais rigor. Era comum as conselheiras encaminharem crianças para internação nos hospitais, sem a presença da mãe. Adotou-se a estratégia de que nenhuma criança poderia ser internada por conselheiras sem a presença dos familiares. "Com isso estamos impedindo que pessoas sem ligação com a criança, tenham liberdade de acesso a ela", explica a conselheira Ana Maria Ribeiro dos Santos. Na época o juiz da Infância e Adolescência Luiz Neri, determinou que crianças só poderiam sair do hospital com o registro de nascimento.
Também foi reforçado o trabalho de orientação para as mães carentes e para as prostitutas. "O objetivo é dar condições para que a mãe fique com a criança e não a doe", conta a conselheira. Na impossibilidade da mãe criar a criança, as conselheiras comunicam imediatamente o ministério público e a assistente social do Fórum, para que seja feito o acompanhamento. Há, atualmente, três casos nesta situação.
Assim como a Delegacia da Mulher, o conselho também passou a ser mais rigoroso em relação a famílias que recebem crianças sem permissão dos pais e ficam com elas por determinado tempo, sem comunicar os órgãos competentes. "Antes isto acontecia com uma freqüência impressionante", finaliza Ana.

Rodas de conversa

Tentando reduzir a quantidade de adolescentes grávidas no município, a Pastoral da Criança faz um trabalho de base que merece registro. Trata-se das Rodas de Conversa que tiveram início em agosto. Nessas reuniões, famílias, líderes comunitários, representantes de associações e de entidades locais ligadas à área social, de saúde, educação e cidadania são convidados a estudar o problema da gravidez precoce e outros que assolam a comunidade. "Não dá para esperar para mudar a realidade", define a coordenadora diocesana da pastoral em Caçador, Marta Zardo. (AR)

Promotor diz
que pena é justa

"Acredito que a pena aplicada pelo juiz da comarca foi justa e fundamentada", pondera o promotor Ricardo Marcondes Mendes. Segundo ele, como a prática já existia há muito tempo de forma mascarada a sociedade se revoltou. "De um momento para outro a atividade se tornou lucrativa e o que era, a princípio, para resolver problemas de famílias pobres se tornou em comércio clandestino de bebês", analisa.
De acordo com o promotor, as mulheres tiveram suas punições antes que o casal Farah por diversos aspectos. Principalmente porque elas tinham a atribuição de fazer o contato com as mães. Foi pedida a preventiva e em complementação às provas surgiu o nome do casal. Quando o promotor pediu a preventiva dos dois eles já estavam foragidos. "Como eles estavam foragidos o processo foi rolando. Eles se deram bem porque conseguiram fugir e souberam agir", fala. "As seis mulheres julgadas, não têm a mesma possibilidade financeira para isso", acrescenta.
O promotor explica que quando o processo transitar em julgado o acórdão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o casal deverá dar inicio a suas penas de imediato.

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Falta investimento
em planejamento familiar

Apesar disso, programas em Caçador tentam reduzir número de mães sem condições de criar os filhos

Caçador - Falta investimentos para levar até a população carente caçadorense, orientação sobre planejamento familiar. Mesmo assim, a Secretaria do Bem-estar Social desenvolve alguns programas que estão conseguindo reduzir o número de adolescentes em situação de risco e mães sem condições de criar filhos, que poderiam se tornar vítimas de quadrilhas de compra de crianças.
Mas, o quadro ainda requer medidas urgentes. "Caçador tem problemas graves na área e precisa de mais investimentos", argumenta a diretora da secretaria Eliana Pivatto. Segundo ela, falta estrutura para as mães. "É preciso que se ofereçam alternativas viáveis para essas pessoas que são vítimas da desestrutura social e do desemprego", explica.
Uma política mais séria de geração de emprego e renda, na opinião de Eliana, poderia amenizar a situação das mulheres, que com isso, poderiam adquirir melhor qualidade de vida. Uma proposta de apoio psicossocial, com acompanhamento de equipe de profissionais da área, no entender da diretora, seria outra alternativa.
Sem poder esperar para agir, pois o problema é crônico e precisa de ações urgentes, a secretaria trabalha com o que tem. Através do grupo de gestantes, as mães carentes recebem orientação maternal. As assistentes sociais tentam implantar um, mesmo que rústico, programa de planejamento familiar. O número de nascimento no município caiu de 1.709 em 97 para 1.546 no ano passado.

Casas de prostituição

As casas de prostituição, nas diversas zonas de meretrício que o município abriga, foram os locais mais procurados pelas integrantes da quadrilha para a compra dos bebês. A secretaria tenta evitar que meninas carentes possam entrar no mundo da prostituição.
O projeto Menina Cidadã atende 32 crianças em situação de risco. Em um período estudam em outro fazem jornada ampliada. "São 32 meninas que estão recebendo orientação. É uma maneira de evitar que elas se tornem vítimas de exploração", frisa Eliana. (Adriano Ribeiro)

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Recordando o caso

Veja como foi desbaratada a quadrilha e qual o destino dos acusados

Relembre

O tráfico de bebês começou a ser investigado em Caçador primeiramente pela Polícia Militar. No início de 1999 foi transferido à Polícia Federal. Com as investigações descobriu-se que o crime ocorria no município há mais de 20 anos.

Prostitutas com gravidez indesejadas e mães solteiras de famílias pobres da periferia de Caçador e municípios da região eram o alvo dos traficantes de bebê. Também chegaram a comprar as crianças de suas mães , por valores que vão de R$ 200,00 a R$ 600,00.

Início de 99 - policiais descobriram uma ponta da quadrilha, que aliciava as mães, oferecendo custeio das despesas de pré-natal e parto, entre outras vantagens, em troca do bebê

26 Fevereiro de 99 - A Polícia Federal assumiu as investigações e pediu a prisão de seis suspeitas

Março, maio e junho de 99 - Os policiais descobriram que todas as crianças eram enviadas para o casal Farah, em Curitiba. Algumas mulheres chegaram a viajar à Curitiba para dar a luz;
- Encerrado o inquérito policial o promotor Ricardo Marcondes de Azevedo denunciou 12 pessoas. O juiz negou diversos pedidos de relaxamento de prisão das mulheres presas. Elas sempre se negaram a falar, até mesmo em juízo;

30 de julho - os acusados de tráfico de bebês foram a julgamento em primeira instância. Oito foram condenados e quatro foram absolvidos

2º semestre de 99 - Como todos os réus condenados recorreram, o recurso foi a julgamento por acórdão no TJSC.
- As penas foram reduzidas, Marlene Fonseca e Sirlei Rodrigues foram absolvidas do crime de formação de quadrilha
- O casal Farah entrou com habeas corpus no TJSC e não obtiveram êxito, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça e aguarda julgamento em liberdade.

Que fim levou

  • Neuza Fonseca Picolotto (cinco anos e quatro meses)
  • Andréia Moreira (quatro anos e oito meses)
  • Marilda Müller (quatro anos e quatro meses)
  • Marlene Fonseca (quatro ano e quatro meses)
  • Sirlei Rodrigues (quatro anos e quatro meses)
  • Luíza Correia (quatro anos e oito meses)

Acusadas de aliciamento, foram condenadas em regime semi-aberto, cumpriram um terço da pena e hoje estão em liberdade condicional.

  • Fauzi Farah (quatro anos e seis meses)
  • Nancy Farah (quatro anos e seis meses)

Condenados em regime semi-aberto por formação de quadrilha e comercialização de bebês recorreram e esperam julgamento no Superior Tribunal de Justiça. Pena ainda pode ser substituída por prestação de serviços a comunidade e prestação pecuniária. Foragidos na época do julgamento, não chegaram a ser presos e continuam em liberdade.

  • Outras quatro pessoas arroladas no inquérito foram absolvidas por falta de provas

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Trabalhador redescobre utilização do FGTS

Cada vez mais, recurso é usado para financiar a casa própria

Luis Fernando Assunção

Joinville - O trabalhador está redescobrindo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo dados divulgados pela Caixa Econômica, as retiradas cresceram 21,1% de 1999 em relação a 1998, sendo feitos aproximadamente 17 milhões de saques em todo o País, resultante em um montante de R$ 17,6 bilhões. A utilização do fundo para a aquisição de casa própria também cresceu no ano passado: foram feitos R$ 2,5 bilhões em saques, representando um aumento de 7,3% comparativamente ao ano anterior. "O uso do fundo para a compra da casa própria é uma prática que aos poucos vai se incorporando na cultura do brasileiro", justifica o superintendente de negócios para a região norte da CEF, Carlos Roberto Wengerkievicz.
Mas nem sempre foi assim. O FGTS passou por períodos nebulosos logo depois de sua criação, em 1966. O fundo nasceu nas mãos do governo militar, que queria derrubar - e derrubou - uma das maiores conquistas dos trabalhadores, o regime de estabilidade no emprego. Para compensar, o governo federal criou o FGTS, um instrumental necessário para que as grandes empresas pudessem despedir grandes contigentes de mão-de-obra em épocas anteriores aos dissídios coletivos para sua posterior recontratação em faixas salariais abaixo das determinadas pelos já irrisórios índices de aumento.
Foi um importante instrumento para o chamado "milagre econômico", que ocorreu a partir de 1967 e perdurou até por volta de 1975, quando o País atingiu, às custas de arrocho salarial e dinheiro externo, índices de crescimento jamais alcançados. Com o tempo, entretanto, o FGTS foi se incorporando à cultura empregatícia e hoje é considerado uma "defesa" para o trabalhador que, no entanto, fica restrito a casos especiais para saques. Além da compra da casa própria, o trabalhador só pode requerer o saque em casos de demissão sem justa causa, aposentadoria, falecimento, quando o trabalhador for portador do vírus HIV ou câncer ou rescisão de contrato por extinção da empresa.
"É um dos maiores fundos de geração de emprego e renda do Brasil, além de ser uma garantia para o trabalhador", defende Wengerkievicz. A principal fonte de recursos do FGTS é a contribuição mensal efetuada pelos empregadores, correspondente a 8% ou 2% da remuneração dos empregados. Esse dinheiro é recolhido nos bancos e transferido para a conta vinculada do trabalhador. Em 1999, a arrecadação do fundo foi de R$ 17,4 bilhões, representando um crescimento de 3,7% em relação a 1998. Os cadastros de contas vinculadas, ativas e inativas, são compostos por 67,7 milhões de contas com saldo, que correspondem a uma carteira de recursos de R$ 67,9 milhões.

Correção dos planos indefinida

Se você era optante do FGTS no período de outubro de 1988 a fevereiro de 1990, perdeu dinheiro no fundo com os expurgos dos planos econômicos do governo, de acordo com julgamento - ainda parcial - do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto. A perda total gerada foi de 68,89%, em quatro planos: Bresser, em junho de 1987 (8,04%); Verão, em janeiro de 1990 (19,75%); Collor, em abril de 1990 (44,80% e 2,47%); e Collor 2, em fevereiro de 1991 (14,87%).
No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, quinta-feira, o direito adquirido dos trabalhadores à correção monetária do saldo das contas, pelo menos referentes aos planos Verão e Collor 1. A decisão do Supremo revogou em parte a sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinava o pagamento da correção monetária também em relação aos planos Bresser, Collor e Collor 2.
Mas, os trabalhadores devem ficar de olho: quem quiser ser beneficiado, deve fazer o pedido através de ação judicial. Mesmo que no futuro todos tenham direito a correção do crédito expurgado, dificilmente o crédito significará dinheiro no bolso. No máximo, a diferença será creditada na conta vinculada do FGTS. Quem entrou no mercado de trabalho depois disso, ou sacou o dinheiro antes dos planos, não tem nada a receber.


Réplica de maria-fumaça vai para museu da Unoesc

Peça foi um dos carros alegóricos da Vale Samba

Joaçaba - A réplica de uma maria-fumaça que foi usada pela Escola de Samba Vale Samba de Joaçaba, no carnaval de rua deste ano, virou monumento e peça de museu. A réplica foi na verdade um dos carros alegóricos que liderou a ala da escola que destacou a Guerra do Contestado - conflito que aconteceu entre 1912 e 1916 nas regiões do Meio-oeste e do Alto Uruguai catarinense. Após o carnaval, ela foi doada pela Vale Samba para a Universidade do Oeste Catarinense (Unoesc).
A maria-fumaça foi totalmente revestida em fibra de vidro. Segundo o diretor da empresa Glassul, de Joaçaba, Raul Rotta, que fez o serviço, com este revestimento a vida útil do monumento, que seria de um a dois anos, foi prolongada para dezenas de anos.
"Para garantir que o revestimento dure por muitos anos, usamos o há de mais moderno neste ramo, além do fio roving, foi utilizada resina e gel", conta. O processo não alterou as características históricas: ela continua sendo uma réplica perfeita da maria-fumaça do inicio do século passado.
O trabalho levou duas semanas e o revestimento vai impedir que a matéria- prima, a madeira, entre em processo de deterioração. A alegoria foi construída pelos próprios integrantes da Vale Samba. Ela mede 10 metros de comprimento por 2,70 metros de altura e 3 metros de largura, chegando a pesar dois mil quilos. Após ser recuperada, ela será levada até o campus da Unoesc em Joaçaba, onde vai integrar o Museu do Contestado.
Segundo o coordenador de Patrimônio e Compras da universidade, Osmar Mena Barreto, o antigo espaço que era utilizado para o estacionamento, está sendo transformado em um museu ao ar livre. "Já possuimos um monumento da Guerra do Contestado, que é um mapa dos locais na região onde aconteceram os conflitos, junto a ele vamos colocar a réplica da maria-fumaça". (Joce Pereira, especial para A Notícia)


Mercado Público de Lages será remodelado

Lages - O Mercado Público de Lages, tombado pelo patrimônio histórico na Lei Orgânica do município, deverá sofrer uma série de remodelações em sua parte física e funcionamento. As modificações não vão prejudicar a arquitetura externa e interna, resguardando as características originais. O projeto de remodelação está sendo coordenado pela Associação Comercial e Industrial de Lages (Acil), dentro do plano de desenvolvimento regional, com participação de uma série de entidades.
O objetivo do projeto de remodelação é dar uma melhor utilização à estrutura do Mercado Público, transformando-o em mais um centro de compras, lazer e visitação da cidade, a exemplo de outros mercados públicos como Florianópolis, Itajaí, Curitiba e Porto Alegre. Para o projeto de remodelação, a Acil já conversou com as entidades envolvidas como Prefeitura, Epagri e Cidasc regional, Fórum Regional de Desenvolvimento (Fordis), Serratur - Organização Serrana de Turismo, Uniplac entre outras.
O projeto já conseguiu uma verba de R$ 160 mil, dos 274 mil necessários para as reformas físicas internas, proveniente da União. Pelo projeto, deverão fazer parte da estrutura do Mercado Público pequenas lojas de comercialização de produtos como couro, lã, vime, madeira, pedras, vidros, palhas, confecções, queijos, geléias, mel, doces em geral, hortifrutigranjeiros, conservas, bebidas, praça de alimentação com pequenas lanchonetes, restaurante com comida típica e espaço para apresentações artísticas e culturais.

 
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