Joinville         -          Sexta-feira, 15 de Setembro de 2000         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

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Bruxas são perseguidas
e mortas na Índia

Estimativas extra-oficiais garantem que no mínimo 200 mulheres são vítimas em todo país a cada ano

Neelesh Misra
Associated Press

Karandih, Índia - Agitando suas espadas na escuridão, 10 homens fora de si batem na frágil porta de madeira da casa de sapé de Manikui Goipai enquanto ela treme na cama e sua família tenta conter os atacantes. "Matem a bruxa", eles gritam.
Horas antes, um aldeão morreu de tuberculose. Mas em uma terra onde a população cresceu com essa superstição, rapidamente espalham-se os rumores de que uma mulher causou a morte por meio de um feitiço. O aldeão "ojha", o exorcista, garantiu que a bruxa era Goipai.
Os assaltantes arrebentaram a porta, e retalharam o marido de Goipai até a morte, enquanto ela gemia de terror. Eles cortaram ainda um pedaço do braço de seu filho, mas ele conseguiu escapar e, mesmo sangrando, chamou a polícia antes de morrer. Uma espada atingiu a testa de Goipai, causando um grave ferimento. Ela estancou o segundo golpe com a mão, sofrendo um corte profundo. Então, os atacantes se foram, tentando escapar antes da polícia chegar. Mesmo assim, foram presos em poucas horas.
"Eles deveriam morrer na prisão", disse Goipai, atualmente com 40 anos, com sua amargura intacta cinco anos após ter sofrido o ataque. Desde então, ela vive sozinha nos subúrbios de Karandih, onde ela tem sido visitada apenas por repórteres. Goipai é uma das poucas mulheres a sobreviver a um ataque depois de ter sido estigmatizada como bruxa em Bihar, um estado indiano que vive à margem da lei.
De acordo com o Comitê Independente de Ajuda Legal, que luta para punir esses ataques, 536 mulheres foram assassinadas nos últimos 10 anos em apenas dois distritos de Bihar, o maior foco de matança de bruxas indiano. Estimativas extra-oficiais garantem que no mínimo 200 mulheres são mortas como bruxas através de toda a Índia a cada ano.
Entretanto, muitos casos permanecem ignorados, por acontecerem em regiões remotas de Bihar, estado onde vivem as tribos Ho e Santhal. Estes clãs viveram por séculos em florestas, praticando uma cultura de subsistência, e sem quase nenhum contato com o mundo exterior. Eles caçavam com arco e flecha, cultuavam a natureza e juravam lealdade ao chefe da aldeia.
Mulheres acusadas de bruxaria eram arrastadas até a floresta e retalhadas, enforcadas ou queimadas. Cabeças de crianças foram esmagadas nas pedras. Mesmo os casos não-fatais deixam seqüelas graves. Mulheres tiveram os dentes quebrados, as cabeças raspadas e seus seios cortados em pedaços. Outras foram obrigadas a comer excrementos ou andar nuas através das aldeias.
O governo de Bihar aprovou uma lei rígida no ano passado, exigindo uma sentença de três meses de prisão para aqueles que chamarem uma mulher de bruxa. Os assassinos de mulheres tachadas de bruxas podem pegar a pena de morte. Mas as condenações são raras.
"É difícil apurar quem deu o golpe fatal", conta a cobradora Nidhi Khare, da administração do distrito Leste de Singhbhum. "Nunca há testemunhas, e a maioria dos acusados paga a fiança e é libertado", diz. "Para essas mulheres, trata-se de uma luta diária". Em muitos casos, os agressores são os próprios parentes das vítimas, temerosos de seus assustadores poderes sobrenaturais e preocupados com a possibilidade de não conseguir ascensão social por possuir uma bruxa na família.
"Quem mata não acha que está cometendo um crime", explica Girija Shankar Jaiswal, um advogado que defende casos de mulheres vitimadas por acusação de bruxaria. "Eles acreditam que estão se tornando mártires. Eles não se imaginam indo para a cadeia".
Isso poderia explicar por que, na aldeia de Damaria, um jovem matou sua própria tia em julho, decapitando-a e levando sua cabeça, em um saco, até uma delegacia, para confessar que havia assassinado uma bruxa. Esses homens que matam mulheres por julgar que são bruxas não se importam com as provas, garante Ajitha George, que faz uma pesquisa sobre os assassinatos de bruxas para a Fundação MacArthur, sediada em Chicago (EUA).
A maioria desses assassinatos têm suas origens em doenças e morte. No estado de Bihar, onde 52% dos homens e 23% das mulheres são analfabetos, existe somente um centro de assistência médica para cada 100 mil pessoas. Por esse motivo o aldeão exorcista acaba desempenhando o papel de médico.
"Os ojhas tradicionalmente utilizam poções feitas de ervas para medicar as pessoas, mas atualmente o sistema de saúde tribal está entrando em decadência, pois existem muitas novas doenças e eles não conhecem a cura", diz George. Assim, eles usam as mulheres como bode expiatório, ela diz.
O desenvolvimento em uma região rica em água mineral, ao redor do rio Swarnarekha, é um outro fator, diz George. "Agora há demarcação de propriedades, desmatamento, a antiga estrutura está se desmantelando", conta. "Muitos perderam suas terras, e há casos em que as pessoas subornam os doutores e bruxas para poder acusar viúvas ou mulheres solteiras que possuam propriedades".
Chhutni Mahatani, de 40 anos, tornou-se uma heroína dentre as vítimas por seu empenho em lutar contra os assassinos de bruxas. Ela foi forçada a comer excremento por seu próprio cunhado há cinco anos, após uma criança ter ficado enferma na aldeia. Ela também foi expulsa do vilarejo e rejeitada pelo seu marido. Mahatani processou seus parentes por acusá-la de ser uma bruxa. Um juiz considerou-os culpados, mas libertou-os sob a alegação de que eram réus primários. Mahatani está apelando na Justiça.
Ao longo desses anos, ela construiu uma casa a quilômetros de sua aldeia natal, criou seus filhos e já casou seu primogênito em junho. Nenhum parente foi convidado para a festa de casamento. "Todos são nossos inimigos", ela afirma, com os olhos cheios de lágrimas.


Clinton fará visita ao Vietnã

Presidente americano restabeleceu relações em 1995

Washington - O presidente dos EUA, Bill Clinton, que quando era estudante arranjou um pretexto para não participar da guerra no Vietnã, que matou 58 mil americanos, irá agora, no final de seu duplo mandato, àquele país asiático. A visita, a primeira de um presidente americano ao Vietnã unificado, foi anunciada ontem pela Casa Branca, sob o risco de despertar velhas emoções e suscitar novas polêmicas nos EUA.
O presidente só irá ao Vietnã após as eleições presidenciais de 7 de novembro, assim evitando competir com o candidato democrata Al Gore por espaço na mídia. Depois de participar em Brunei, em 15 e 16 de novembro, da reunião da Organização Econômica do Estados do Pacífico (Apec), Clinton voará para Hanói.
O último presidente a visitar o Vietnã foi Richard Nixon, em 1969 - embora tenha ido apenas a Saigon, então capital do Vietnã do Sul. Mas nenhum chefe de Estado americano jamais esteve em Hanói, que antes era a capital do comunista Vietnã do Norte.
Depois da guerra, que acabou há 25 anos (em abril de 1975) com a queda de Saigon, vitória do Vietcong (guerrilha comunista) e a retirada dos americanos, as relações diplomáticas entre os EUA e o Vietnã só se restabeleceram em 1995, durante o primeiro mandato de Clinton.

Acordo

Celta tem "cara bonita" e bom desempenho
Novo compacto da Chevrolet chega às revendas dia 18 para disputar o mercado "popular" com o veterano Uno Mille.  AN_Veículos 
No início deste ano, EUA e Vietnã concluíram um acordo que normalizou as relações comerciais entre os dois países - mas que ainda terá de ser ratificado pelo Congresso americano. Na mesma época, o presidente americano enviou a Hanói seu secretário da Defesa, William Cohen, para aprofundar o envolvimento daquela secretaria na tarefa de encontrar e trazer de volta para suas famílias os restos de 2.000 militares dos EUA desaparecidos desde o final da guerra.
Funcionários da Casa Branca fizeram uma sondagem junto aos congressistas para saber quem estava interessado em acompanhar o presidente nessa viagem. Entre outros possíveis interessados, está o senador pelo Arizona John McCain - um herói de guerra por longo tempo prisioneiro no Vietnã, que disputou com George W. Bush a indicação como candidato presidencial republicano - e outro herói de guerra que foi condecorado no Vietnã, o senador democrata por Massachussetts John Kerry. Mc Cain alegou ter outros compromissos e não acompanhará Clinton, mas Kerry poderá participar de sua comitiva.
Esta semana, o Departamento de Estado, ao publicar um informe anual sobre direitos humanos, criticou o Vietnã por manter na prisão uma dezena de religiosos.

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China executa
ex-funcionário por corrupção

Pequim - A China executou ontem por delito de corrupção o ex-vice-presidente do parlamento Cheng Kejie, o mais alto funcionário punido no país desde que os comunistas chegaram ao poder, há 51 anos. A amante de Cheng, a jovem Li Ping, foi condenada à prisão perpétua.
O anúncio da execução da sentença do ex-funcionário chinês foi destacado pelos jornais oficiais, que, segundo fontes diplomáticas, querem transformar Cheng "em um caso exemplar". De acordo com as fontes, o Partido Comunista chinês quer demonstrar assim sua determinação de combater e acabar com a corrupção, que é apontada como um dos maiores problemas do país.
Cheng Kejie nasceu há 66 anos em um povoado da região de Guangxi, pertencia ao grupo étnico Zhuang e até os 14 anos ainda não havia aprendido o chinês. Cheng e sua amante acumularam uma fortuna de mais de 40 milhões de yuan (mais de US$ 5 milhões).


ETA - O ex-conselheiro de Justiça do governo basco, o socialista José Ramón Rekalde, foi gravemente ferido ontem ao receber um tiro na boca em atentado atribuído a um pistoleiro do grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade), na cidade de San Sebastián, na Espanha. A polícia informou que Rekalde, de 68 anos, recebeu um tiro no rosto quando descia de um automóvel numa rua da cidade. O pistoleiro, encapuzado, aparentemente é membro do ETA. Rekalde, que atualmente é professor numa universidade local, está consciente e fora de perigo.


 
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